IV
Romance é:
…um encontro (im)perfeito
Nota Introdutória:
O regresso ao mundo das fics.
Nem sei bem como é que este capítulo apareceu. Tudo começou numa entediante noite de férias, por volta das 2 da manhã onde não havia nada para fazer. Assim desatei a ler desenfreadamente todas as fics que já tinha escrito – quer só, quer acompanhada – acabei por descobrir este capítulo, intacto e não publicado. No dia seguinte o capítulo 5 praticamente se materializou nas páginas do Word. Acho que as reviews que tenho recebido nas últimas semanas também ajudaram. Estava convencida que depois do último livro do HP nunca mais escreveria fic nenhuma, mas recebi muitas reviews neste último ano, algumas em fics das quais já não me lembrava e acho que isso fez reacender uma chaminha de inspiração… e o resto já sabem.
Não prometo capítulos desenfreados ou novas fics… mas este post de hoje já é um princípio. Obrigada a todas as que escreveram reviews nesta e noutras fics, animaram-me e devolveram-me o gosto pelas fanfics de HP.
Espero que gostem do capítulo…
"-Ainda tens de me explicar porque é que não aceitaste nenhum dos convites de Draco durante esta semana."
"-Porque eu não quero sair com ele Luna, é assim tão difícil de entender?"
"-Sinceramente, é! Se eu não fosse casada com o Blaise quem ia sair com o Malfoy era eu."
"-Luna!"
"-É verdade! Mas uma vez que eu sou casada, maravilhosamente casada cabe a ti aproveitar a situação."
"-Mas eu não quero aproveitar a situação."
"-É uma pena porque sem querer eu disse ao Draco que ias estar sozinha esta tarde, absolutamente entediada por não ter nada que fazer."
"-Tu o quê?! Luna, quantas vezes é que eu já te disse, eu não quero nada com o Malfoy."
"-Se ele passar por aqui, por favor, sê simpática."
"-Eu não vou ser simpática para alguém que aparece na minha casa sem ser convidado."
"-Oh… ele foi convidado…"
"-Luna!"
"-Não me podes culpar por tentar ajudar a minha melhor amiga."
"-Não posso?"
"-Sê simpática Gin-Gin. Sê simpática."
Deixou-se cair no sofá assim que a amiga aparatou. Não tinha a mínima vontade de passar a tarde com o Malfoy, porque certamente cada conversa que tentassem ter iria terminar numa discussão sem sentido.
Houve uma altura em que achou que ele não viria. Não ficou decepcionada por perceber que passava das três da tarde e o Malfoy não tinha dado sinais de vida. Porém as suas expectativas não se mantiveram durante muito tempo, derrubadas pelo barulho da campainha que sempre a assustada.
"-Tenho de tirar esta campainha." – Murmurou ao caminhar até à porta.
E lá estava ele, Draco Malfoy parado à sua porta. A situação pareceu-lhe estranhamente familiar, mas ao contrário do sonho que tivera com Draco parado à sua porta, agora ele estava com um ar satisfeito.
"-Boa tarde." – Disse num tom neutro caminhando de volta ao sofá – "És um daqueles vampiros estranhos que não podem entrar na casa dos outros sem serem convidados?" – Perguntou ao reparar que ele permanecia encostado à soleira da porta, do lado de fora do apartamento.
"-Sou apenas bem-educado, mas já percebi que não entendes isso." – Respondeu entrando por fim – "Só vim cá por causa da tua amiga Luna, ela pareceu verdadeiramente convencida de que eu precisava de cá vir ou tu estarias entregue ao tédio."
"-A Luna é exagerada, não devias ouvir o que ela diz."
"-Se estiveres divertida sozinha posso sempre voltar por onde vim."
"-Não, está bem assim."
Ele deu ombros e sentou-se ao lado dela no sofá. Aquela situação era estranha.
"-Eu não queria continuar a lição de boa educação, mas não me vais oferecer nada para beber?"
"-O que queres? Chá? Café? Cerveja Amanteigada? Sumo de abóbora?"
"-Não tens nada mais forte? Fire Whiskey?"
"-Vou ver o que posso fazer." – Disse levemente irritada caminhando até à cozinha.
Draco não ficou muito tempo sozinho. Ao esperar pela bebida viu a sala a encher-se de uma luz verde vinda da lareira e logo depois duas crianças a sair dela.
"-Ginevra!" – Gritou – "Acho que tens um problema."
"-Olá."
"-Rápido Ginevra!" – Gritou outra vez.
"-O que foi?!" – Perguntou irritada, só depois reparando nas duas crianças à sua frente.
"-O que estás aqui a fazer Sasha?" – Perguntou segurando o pequeno Zach que a menina segurava – "E porque trouxeste o Zach?"
"-O papá comeu qualquer coisa estragada do tio Fred e do tio George e a mamã foi com ele ao hospital. Ela disse para eu segurar com força no Zach e entrar para o fogo verde. Foi giro!" – Disse com um sorriso.
"-Vai ao banheiro e sacode essa fuligem toda, em frente ao espelho. Vou fazer chocolate quente…" – Disse alegremente, ignorando na totalidade a expressão atónita do loiro – "… não é príncipe?" – Perguntou beijando a bochecha rosada do bebé.
"-Não te esqueças do meu Fire…"
"-Do teu chocolate quente, não vais beber bebidas com álcool em frente das crianças."
Ele revirou os olhos e afundou-se no sofá enquanto a ruiva se afastava para a cozinha.
"-Olá!" – Disse Sasha ao mesmo tempo que se atirava para o sofá, sentando-se ao lado de Draco.
Ele encarou a menina com um misto de surpresa e receio, ele não fazia a mínima ideia de como reagir perto de crianças, muito menos daquela, que lhe dera um pontapé assim que se cruzaram.
"-Olá miúda."
"-O meu nome é Sasha! Não sou miúda! E já tenho quase 6 anos!"
"-Que bom para ti."
"-És chato!"
"-O que disseste?"
"-Que és chato. O tio Fred e o tio George são mais engraçados que tu! A Tia Ginny também."
"-Então ainda bem que eu não sou teu tio."
"-Mas se fores namorado da tia Ginny vais ser, porque a namorada do tio George também é minha tia!"
Draco quase agradeceu pela ruiva ter entrado na sala nesse momento, fazendo flutuar um tabuleiro com canecas à sua frente, que pousou na pequena mesa em frente do sofá.
"-Cuidado Sasha, está muito quente. E o teu também Draco." – Acrescentou fazendo a menina ruiva rir.
O loiro revirou os olhos, se não fosse tão orgulhoso e tão insistente aquela teria sido a sua deixa para sair.
"-O que queres fazer Sasha?"
"-Podemos fazer desenhos tia Ginny? Eu estava a desenhar o Hunter antes de vir para cá."
"-Claro que podemos fazer desenhos, sabes onde estão o lápis de cor que deixaste cá?"
"-Sim!" – Respondeu levantando-se do sofá e saltitando para fora da sala.
"-Quem é o Hunter? O amigo imaginário?"
"-Não, é o cão dos avós dela."
"-O que vamos fazer agora? Ficar a tarde toda a olhar para uma miúda a desenhar?"
"-Ela tem nome, como sabes é Sasha. E vê-la desenhar parece bem mais interessante do que ficar em silêncio."
"-Claro que sim." – Concordou sarcasticamente num murmúrio.
"-E o que é que o meu príncipe quer fazer?" – Perguntou ao bebé elevando-o no ar.
"-És tu que tomas sempre conta deles?"
"-Quando é preciso."
"-E o Weasley paga-te para isso?"
"-Claro que não! Eles são meus sobrinhos! Tomo conta deles porque posso e gosto."
"-Se gostas tanto de crianças porque é que não tiveste algumas com o Potter?"
"-Porque não aconteceu."
"-Porque não? O Potter era impotente?" – Perguntou sarcástico.
"-Entre ter um filho de um homem que nunca está em casa e não ter eu escolhi a segunda opção. Se tivesse um filho dele provavelmente não me teria divorciado e não estaríamos aqui a ter esta conversa."
"-É uma boa razão."- Respondeu vagamente, observando a pequena Sasha a desenhar.
Talvez crianças não fossem assim tão más, ela parecia civilizada e o bebé nem se quer estava a chorar. Sim, podia habituar-se a um bebé desde que não chorasse muito. O riso da ruiva fez com que despertasse da sua divagação.
"-Qual foi a piada?"
"-Em que é que estavas a pensar? Porque a cara que fizeste foi muito engraçada. Ficaste com os olhos arregalados e a boca aberta."
"-Não foi nada de especial" – Mentiu, sabendo que no momento em que ela começara a rir o pensamento que cruzava a sua mente estava longe de ser 'nada de especial', algo como 'podia habituar-se a um bebé ruivinho que não chorasse muito'.
"-Acabei o meu desenho Tia Ginny!"
"-Deixa ver." – Pediu esticando a mão para alcançar o desenho – "Desenhaste o parque! Está muito bonito."
"-Podemos ir ao parque? Podemos Tia Ginny? Vá lá!"
"-Hoje não princesa, por duas razões. O Draco está cá e está muito frio para o Zach andar na rua."
"-Ele fica com o Zach e nós vamos passear!"
"-Claro que não! Tu não ficavas com o Zach em casa enquanto nós íamos ao parque, pois não?"
"-Temo que não. O teu sobrinho não ficava em boas mãos comigo."
"-Oh! Mas eu queria ir passear. Vá lá Draco, vá lá! Fica a tomar conta do Zach pa eu ir passear com a tia Ginny! Vá lá!" – Pediu subindo para o colo dele.
Draco ficou aterrado. Nunca tinha estado tão perto de uma criança e aquilo intimidava-o de verdade. Olhou para a ruiva, em busca de auxílio, mas nela só encontrou um sorriso divertido.
"-Ajuda-me." – Murmurou para a ruiva enquanto Sasha o abraçava.
"-Deixas Draco? Deixas eu e a tia Ginny ir passear?"
"-Pois é Draco, deixas?" – Imitou Ginevra fazendo o loiro desesperar.
Ele não podia aceitar. Por mais que quisesse estar com a ruiva e obter a aprovação e a atenção dela, aquilo era pedir de mais, pedir muito mais! Ele nunca o faria.
"-Tudo bem." – Concordou desfeito.
Ela sorriu, um sorriso tão maravilhoso que ele mal notou que Sasha o cobria de beijos de agradecimento.
"-Brigada Tio Draco! " – Disse deixando o loiro num estado de choque ainda mais profundo que antes – "Brigada! Vamos tia Ginny! Vamos ao parque!"
"-Vamos já princesa. Vai arrumar tudo no quarto."
"-Boa!" – Gritou feliz, saltando do colo do loiro e apressando-se para arrumar tudo no quarto.
"-Obrigada." – Murmurou ao loiro que a olhava estupefacto.
Não sabia como tinha aceite aquele pedido. A sua voz tinha saído disparada antes que ele tivesse tido tempo de formular uma boa razão para dizer que não. E agora a realidade abatia-se sobre ele, como é que era suposto ele tratar de uma criança? Ele só sabia distinguir os pés da cabeça porque o bebé de vez em quando fazia uma espécie de barulhos, como se estivesse a falar.
Voltou de súbito o olhar para ela, antes perdido num ponto qualquer na parede da sala, e não pode deixar de reparar que ela se inclinava para ele, lentamente. Ia finalmente poder beijá-la novamente.
"-Toma bem conta do Zach" – Disse divertida, com os seus lábios a centímetros dos dele, sentando o bebé no colo do loiro.
Draco murmurou algo, irritado, enquanto sentia o bebé a remexer-se nos seus braços. Começava a achar aquela ideia extremamente idiota.
"-O que é que eu faço se ele chorar?"
"-Ora. Tu és um Malfoy, tens solução para tudo."
"-Eu estou a falar a sério."
"-As coisas dele estão no meu quarto. Dentro do armário encontras algumas fraldas e roupas, se for necessário."
"-Fraldas?"
"-Sim, se ele chorar muito é porque provavelmente precisa de ser mudado. Se continuar a chorar é porque tem fome."
"-Fome?"
"-Sim. Vou deixar um biberão pronto para ele em cima da bancada. Aquece-o com um feitiço. Mas cuidado para não ficar muito quente."
"-Biberão?"
Ele estava confuso, muito confuso na realidade. Não entendia nada de bebés e realmente não esperava ter de aprender tão depressa. O pensamento que uma criança estava na sua responsabilidade assustava-o mais do que tudo o resto. Tinha a certeza que se lhe aparecesse um Sem-Forma naquele momento, se transformaria num bebé.
"-Vamos tia Ginny!" – Gritou Sasha entrando na sala, extremamente contente.
Por mais aterrado que estivesse não podia negar que o sorriso na cara da ruiva e na cara de Sasha o deixavam satisfeito consigo mesmo.
"-Tens a certeza que queres fazer isto? Tens a certeza que és capaz de olhar pelo Zach."
"-Ofendes-me a falar assim."
"-Obrigada novamente." – Debruçou-se sobre o loiro antes de dizer – "Porta-te bem príncipe!" – E beijou a bochecha do bebé.
Depois beijou Draco rapidamente, um beijo quase inocente, no canto da boca.
"-Vamos embora Sasha?"
"-Vamos!"
"-Até já Draco."
Ele viu as duas ruivas a saírem do apartamento e o seu coração afundou. O que ia fazer todo aquele tempo com um bebé ao colo? Não demorou muito para entender que aquele silêncio que se instalara não ia durar. Zach começara a chorar. Ele entrou em pânico. O seu primeiro instinto foi largar o bebé, mas conseguiu controlar esse pensamento segurando-o com mais firmeza. Já tinha visto algumas mulheres com crianças e tinha a sensação que elas os abanavam levemente quando choravam.
"-Porque não?" – Murmurou, agitando o bebé no ar, com os braços estendidos à sua frente – "Vá lá miúdo, pára de chorar."
Mas não, Zach estava empenhado em chorar e a sua face vermelha demonstrava que não ia parar tão cedo.
O agitar não funcionara, talvez se falasse com ele funcionasse.
"-Então miúdo… tudo bem?" – Disse sentindo-se extremamente idiota.
Não sabia como agir com crianças, muito menos como falar com um bebé. Já que agitar e falar não iam resultar ele tinha outras duas hipóteses: fraldas e biberão. Não estava ansioso de experimentar as suas hipóteses, mas não suportava mais ouvir a criança a berrar. Levantou-se e agarrou Zach mais firmemente, contra o peito, com medo de o deixar cair. Depois, e ainda a medo, caminhou até ao quarto da ruiva. Adoraria lá estar por outra razão, noutra ocasião, mas o seu objectivo era única e exclusivamente achar as malditas fraldas, estivessem elas onde estivessem.
"-Que armário?" – Perguntou-se olhando em volta.
Havia um roupeiro, um armário com gavetas pequenas e um outro armário com gavetas grandes. Começou pelo armário das gavetas pequenas. Não achou nada para além de sapatos. Em cada gaveta havia um par de sapatos e aquela mulher tinha sapatos suficientes para um batalhão. Nenhuma mulher deveria ter tantos sapatos, não podia ser saudável. Estava tão ocupado a procurar pelas fraldas que nem se apercebeu que o choro do bebé diminuíra.
"-Fraldas, fraldas, fraldas… mas onde raio estarão as fraldas?" – Disse alto abrindo e fechando gavetas atrás de gavetas – "Tenho de verificar estar mais tarde." – Murmurou sorridente ao fechar a gaveta de lingerie – "Falta o roupeiro, não é parceiro?" – Perguntou fazendo o bebé parar de chorar – "Gostas que eu te chame de parceiro?" – perguntou com um sorriso.
Ao perceber que o bebé não chorava sorriu ainda mais. Tinha conseguido fazer com que o bebé parasse de chorar e para isso só tinha falado com ele. Nem tinha encontrado as fraldas!
"-Vamos procurá-las, não vás tu chorar outra vez."
E ao abrir o armário, mesmo sem entender muito sobre fraldas, achou-as com facilidade, dentro de uma bolsa azul clarinha, decorada com ursinhos de peluche.
"-Não faço a mínima ideia como é que isto se põe." - Admitiu sentando-se na cama com o bebé ao colo.
. . . & . . .
"-Porque vamos tão depressa Tia Ginny?"
"-Temos de nos apressar se queres brincar um bocadinho no parque. É que o Draco não entende muito de bebés."
"-Achas que ele vai deixar o Zach cair no chão? Porque o tio Fred uma vez deixou-me cair!"
"-O Draco não vai deixar cair o Zach! E não foi o tio Fred que te deixou cair, foste tu que saltaste do colo dele para apanhares um gnomo de jardim."
"-Ainda bem que não há gnomos de jardim na tua casa tia Ginny!" – Disse fazendo a ruiva rir.
"-Sim, ainda bem." – Respondeu com um sorriso - "Chegámos! O que queres fazer agora?"
"-Vamos brincar à apanhada? Eu fujo, tá bem?"
"-Tudo bem. Mas primeiro aperta o casaco, não quero que fiques doente. Já está? Então, um… dois… três…aqui vou eu!" – Gritou fazendo a menina correr para longe – "Vou-te apanhar sua pestinha!"
"-Não vais não!" – Gritou de volta, rindo alto – "Corre mais depressa tia Ginny!"
"-É melhor fugires!" – E, tentando afastar os maus pensamentos sobre os azares que podiam acontecer com Draco e Zach, recomeçou a correr atrás da sobrinha.
. . . & . . .
"-Ora bem. Vamos lá ver então."
Ele estava sentado em cima da cama, com as pernas ligeiramente flectidas, com Zach encostado ao seu peito, enquanto remexia na bolsa de bebé que achara no roupeiro.
"-Roupas, mais roupas, as fraldas devem ser estas… e o que raio é isto?!" – Perguntou intrigado mostrando ao bebé uma caixa.
Abriu-a e sentiu um cheirinho perfumado. Não podia ser nada de mau com aquele cheirinho. Havia um rótulo na parte de baixo que ele leu rapidamente.
"-Toalhetes perfumados para bebé? Mas que raio é isto? '…os toalhetes são imprescindíveis na higiene diária do seu bebé. A consistência dos toalhetes é muito suave e macia e as suas substâncias são neutras. Assim, ao limpar o rabinho do seu bebé com os toalhetes a sua pele fica hidratada, limpa, macia e perfumada…'."- Leu alto – "Ah! Toalhetes…! Cheiram bem, pelo menos! Isto de mudar as fraldas não parece tão mal assim. Podiam era ter-te arranjado umas roupas melhores parceiro. Estas são azuis de mais!" – Disse abanando uma das roupinhas do bebé – "Depois tratamos disso. Agora vamos mudar a fralda antes que comeces a chorar. O difícil e começar."
Levantou-se da cama e deitou o bebé, sem saber muito bem o que fazer.
. . . & . . .
"-Vamos parar um pouco Sasha. Estou cansada." – Pediu sentando-se no chão.
"-Mas tia Ginny, eu quero brincar!"
"-Princesa, eu preciso de descansar, só um bocadinho. Ok?"
"-Mas depois vamos brincar outra vez?"
"-Só um pouco. O Draco já deve estar farto de estar sozinho com o Zach!"
"-Mas o Zach é engraçado! Menos quando chora muito. O papá fica tonto quando o Zach chora muito, anda a correr pela sala e pelo quarto à procura da mamã!"
"-Coitadinho do Draco, não achas? A tomar conta do Zach que chora tanto! Também deve estar tonto, não achas?"
"-Então vamos só brincar mais um bocadinho e depois vamos salvar o tio Draco." – Disse divertida, fazendo a ruiva ri.
"-Só mais um pouco. Jogamos à apanhada?"
"-Não! Agora é o esconde-esconde e tu contas!"
"-Até quanto?"
"-Até mil!"
"-Mil é muito, que tal até cem?"
"-Tá bem. Vou me esconder!"
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"-Isto parecia mais fácil." – Murmurou vendo o bebé a espernear contente deitado na cama, parecia divertido – "Pára quietinho só um minuto parceiro. Eu já não entendo nada disto, quanto mais contigo a mexer. Como é que a Ginevra aguenta?"
A tarefa que antes lhe parecera minimamente executava beirava agora o impossível. Como é que era suposto ele mudar a fralda ao bebé sem o fazer chorar ou magoar? Ele não sabia como é que as mulheres conseguiam fazer aquilo, aliás ele não sabia como é que as mulheres conseguiam cuidar de bebés.
"-Vamos lá ficar quieto, ok parceiro?" – O bebé deixou de se movimentar tanto, parecia concentrado na voz do loiro – "Agora deve ser fácil. Primeiro tirar as calças, é isso que se faz primeiro, não é? Bem… deve ser." – Assim que Draco tirou as calças do bebé ele voltou a remexer-se, divertido –" Eu não consigo fazer isto…" – Murmurou – "Eu não consigo mesmo!"
Suspirou e sentou-se ao lado do bebé que tentava alcançar a caixa de toalhetes perfumados.
"-Ok. Eu consigo." – Decidiu levantando-se.
Não foi tarefa fácil. Zach não quis ficar quieto, um minuto sequer, enquanto lhe trocava a fralda. O difícil não foi tirar-lhe a fralda nem utilizar os toalhetes. O pior foi mesmo colocar uma nova fralda. Ele tentou de todas as maneiras mas sempre que levantava Zach a fralda caía.
"-Devia ter visto como é que estava presa a outra, não era? Desta vez vai ter de resultar."
E aparentemente resultou, porque quando ergueu o bebé a fralda não caiu. Não que isso tivesse melhorado a situação, Zach voltou a chorar.
"-Achas que precisas do tal biberão?" – Perguntou agitando o bebé levemente, embalando-o de encontro ao seu peito – "Já vi que gostas de atenção."
Caminhou até à cozinha encontrando algo em cima da mesa. Parecia uma garrafa, mas com algo de borracha na ponta. Tinha algo lá dentro que parecia leite. Se Ginevra dizia que sim, que Zach iria gostar daquilo, então ele acreditava.
"-Foi isto que a Ginevra deixou para ti. Não tenho a certeza que é bom… mas ela é que sabe." – Agitou a varinha no ar atingindo o biberão com umas faíscas amarelas – "Quente de mais" – Disse ao experimentar o leite, derramando um pouco sobre a mão. Outro feitiço, desta feita umas faíscas brancas. – "Está bom agora. Força nisso."
Tinha a sensação que estava a ser desajeitado a dar o leite ao bebé, mas ao menos ele não estava a chorar. Sentou-se no sofá, com Zach a beber o leite satisfeito e também ele se sentiu satisfeito. Cuidar de um bebé não fora tão difícil nem tão penoso como pensara a principio. E ao cuidar de Zach teria o direito de pedir uma compensação a Ginevra.
"-Já acabaste?" – Perguntou alarmado ao ver o biberão vazio – "Parece que estavas mesmo com fome. Até que arranjava mais, mas não faço ideia do que estava realmente aqui dentro" – Disse agitando o biberão vazio – "E o que vais fazer agora, dormir a sesta?" – Perguntou ao ver Zach a bocejar lentamente.
Mas ele não foi propriamente dormir a sesta. Ele estava bem acordado, e Draco também ficou, ao perceber que o bebé tinha bolçado parte do leite para cima de uma das suas camisas mais caras.
"-Isso foi nojento, sabias? Vou ter de trocar de camisa! Excepto que eu não tenho uma camisa aqui. Isso é realmente nojento. Ao menos tu tens roupa cá! Temos de te trocar."
. . . & . . .
"-Temos mesmo de ir tia Ginny? Não podemos brincar só mais um bocadinho?"
"-O Draco já foi muito simpático em ficar com um Zach. Não é bonito abusar de que é simpático para nós."
"-Mas podemos voltar depois? Amanhã? O Zach fica com a mamã e o tio Draco pode vir brincar connosco também! Se ele quiser!"
"-Convidamo-lo depois, assim que chegarmos a casa."
"-Achas que ele vai querer vir? Achas que ele quer brincar comigo?"
"-Ele ficou com o Zach, não ficou? Então acho que não se importa de brincar contigo à apanhada."
"-Eu acho que ele não é bom a apanhar!"
"-Achas? E porque achas isso?"
"-Porque ele tem aquelas roupas todas bonitas! E as roupas bonitas não se podem sujar porque se não as mães ralham? Não ralham?!"
"-Ralham sim! E acho que tens razão, com aquelas roupas ele não deve ser muito bom a apanhar."
"-Podemos dizer a ele pa trazer outras roupas pa poder brincar à apanhada!"
"-Não sei se ele vai querer vestir outras roupas, mas podemos dizer-lhe isso."
"-Boa! Já não acho que ele é chato!"
"-Acho que ele vai ficar contente por ouvir isso. Cuidado, vamos atravessar a estrada."
"-Achas que assim ele vai ser teu namorado? Ele já não é chato e é simpático porque toma conta do Zach pa nós irmos ao parque."
"-Não sei se ele vai ser meu namorado Sasha."
"-O tio Harry é mais chato, não sejas namorada dele." – Disse fazendo Ginny rir.
"-Não, eu já não sou mais namorada do tio Harry."
"-Boa! Ele não gostava de eu saltar no sofá! O Draco deixou-me saltar no teu sofá!"
"-Foi simpático."
"-Achas que ele deixou cair o Zach?"
"-Não, acho que ele cuidou muito bem do Zach."
Ela esperava que Draco tivesse dado conta do recado, mas não podia deixar de ficar com o coração apertado, afinal ele nunca tinha cuidado de um bebé, sequer sabia o que eram fraldas ou biberões.
"-Vamos mais rápido tia Ginny! Vamos pa convidarmos o tio Draco!"
"-Vamos lá então."
. . . & . . .
Estava finalmente de volta ao sofá, Zach com uma roupa lavada e ele sem camisa. Não conseguira pensar em nenhum feitiço para limpar a sua camisa e despi-la fora a sua única solução. Sentiu o bebé a aconchegar-se contra o seu peito e não pode deixar de pensar que, apesar daquele ser o filho da Granger e do Weasley, era uma óptima sensação sentir um bebé tão pequenino a adormecer lentamente contra o seu peito. Aquela fora, sem sombra de dúvida, uma das melhores sensações do mundo.
Não se moveu quando ouviu a porta a abrir-se, não queria acordar o bebé.
"-Sasha, vai pôr o casaco na minha cama." – Sussurrou para a sobrinha, voltando-se em seguida para o loiro – "O que aconteceu à tua camisa?"
"-Acho que ele não gostou do biberão que lhe deixaste."
"-E porque é que não a limpaste com 'Evanesco'?"
"-Por duas razões, primeiro não me lembrei e segundo, não quis deixar o bebé sozinho."
"-Eu vou buscar a tua camisa." – Disse com um sorriso.
Ele sorriu de volta! Ia aproveitar aquela situação ao máximo.
"-Mamã!" – Gritou Sasha ao entrar na sala, ao mesmo tempo que se fazia ouvir um som de aparatação.
"-Olá filhota." – Disse Hermione agarrando na menina ao colo.
"-O que é que ele faz com o nosso filho?!" – Gritou Ron exaltado.
"-Não faças barulho idiota! O Zach acabou de adormecer!"
"-O que é que tu sabes sobre isso? Onde está a Ginevra?"
"-Aqui está a tua camisa Draco. Oh! Oi Ron, Mione. Tudo bem contigo?" – perguntou ao ver a cara do irmão coberta por uma espessa pasta amarela.
"-Claro que não está tudo bem comigo!" – O seu tom era forte e exaltado, o que acordou o pequeno Zach, que se manifestou com um choro baixinho.
"-Hei parceiro…" – Murmurou Draco, provocando o silêncio na sala – "Está tudo bem…" – As suas palavras eram acompanhadas por um movimento gentil, que embalava calmamente o bebé, até que ele voltou a adormecer – "Granger." – Chamou, entregando-lhe de seguida Zach – "Obrigado pela camisa Ginevra."
"-De nada."
"-Eu vou indo agora."
"-Mas…"
"-Eu dou notícias. E as melhoras Weasley." – Completou com um sorriso de escárnio apontando para o rosto do ruivo.
"-Não dissemos para ele vir connosco tia Ginny!" – Disse Sasha, aparentemente triste por ver Draco a desaparecer por entre as chamas verdes da lareira.
"-Não te preocupes princesa, eu falo com ele depois."
"-Boa!"
"-Nós vamos indo também Ginny. Obrigada por cuidares deles."
"-De nada. Esta tudo bem contigo Ron?" – Tornou a perguntar.
"-Sim, só alergia às escamas de dragão que os gémeos experimentaram em mim. Mas está tudo bem agora, excepto isto…" – Referiu apontando para a pasta amarela na sua cara.
"-Tenho a certeza que os gémeos não fizeram por mal."
"-Já eu tenho as minhas dúvidas."
"-Não sejas assim Mione. Os gémeos nunca magoariam o Ron de propósito, principalmente sabendo que teriam de ir para o St. Mungus e deixar as crianças sozinhas."
"-Bem, já ocupámos demasiado do teu tempo, vamos embora agora. Até amanhã."
"-Até amanhã." – Respondeu com um sorriso.
Assim que eles foram embora Ginny sentiu súbita vontade de estar com Draco. E, como que lendo os seus pensamentos Draco irrompeu das chamas verdes da lareira.
"-Esqueci-me da minha varinha em cima da tua cama, se não te importares que eu a vá buscar…"
"-Não, claro que não. Eu vou buscar."
Apressou-se a entrar no quarto. Encontrou rapidamente a varinha em cima da cama, mas demorou-se a ver o seu reflexo e a ajeitar o seu cabelo em frente ao espelho.
"-Obrigado."
"-Eu é que quero agradecer. Não esperei que aceitasses cuidar do Zach. Como é que correu?"
"-Ele chorou um pouco no princípio, o mudar a fralda não foi a coisa mais fácil que eu já fiz e a minha camisa não ficou num lindo estado. Mas…"
Conteve-se, ela não precisava de saber a sensação espectacular que ele sentira quando Zach adormeceu no seu peito.
"-Quando ele adormeceu no meu peito foi…"
"-Foi mágico?"
"-Foi inigualável."
"-É por que eu gosto tanto de crianças, deles principalmente. Mais uma vez obrigada, a Sasha ficou tão contente que pediu para te convidar para vires ao parque connosco."
"-Sou capaz de aceitar. Mas vou querer algo em troca."
"-Algo em troca?"
"-Não julgavas que tomar conta do Zach tinha sido pura bondade, julgavas?"
"-Na realidade…"
"-Eu quero uma noite contigo. Com jantar e uma saída."
"-Suponho que é um preço justo a pagar. Quando?"
"-Esta noite."
"-Mas…"
"-Tens imenso tempo para te arranjares. Uma hora. Dentro de uma hora vou estar aqui à tua espera."
"-Com que então imenso tempo?!"
"-Entendo que tenhas problemas em escolher os sapatos, tens tantos…" – E aparatou antes que ela pudesse comentar.
Apressou-se a correr para o quarto, a fim de se arranjar. A hora que se seguiu, embora ela tivesse passado todo o tempo a repetir a expressão 'sem stress', tinha sido uma das mais stressantes da sua vida. Não queria parecer demasiado arranjada, não queria parecer demasiado interessada, mas a realidade é que não conseguira evitar de escolher um dos seus melhores vestidos. Estava pronta, o seu penteado e maquilhagem mudados mais de cinco vezes nos últimos minutos, e mais nervosa que nunca. Então obrigou-se a caminhar até à sala e sentar-se no sofá. Estava prestes a levantar-se e ir mudar de sapatos quando a campainha tocou, fazendo-a saltar no lugar. Apertou as mãos uma contra a outra, sem saber muito bem o que fazer primeiro: abrir a porta ou trocar de sapatos. Antes que pudesse decidir a campainha voltou a tocar. Ajeitou o cabelo e caminhou depressa até à porta, parando por momentos antes de a abrir.
"-Pensei que tivesses desistido." – Disse assim que ela abriu a porta –" E já agora, belos sapatos." – Disse fazendo-a rir.
"-Entra, tenho de ir buscar uma coisa ao quarto, volto já."
Apressou-se até ao quarto, parando em frente do espelho do banheiro, com as mãos apoiadas na bancada. Respirou fundo duas ou três vezes para se acalmar. Não se lembrava de alguma vez ter estado tão nervosa, nem mesmo para a sua primeira sessão de fotos. Ajeitou os cabelos mais uma vez e decidiu que era tempo de ir, não aguentava esperar mais.
"-Estou pronta." – Anunciou ao voltar à sala.
Ele olhou-a de cima a baixo, aparentemente divertido.
"-Se soubesse que ias estar tão bonita ter-me-ia arranjado melhor." – Disse, fazendo-a corar.
Era aquele tipo de frases que a deixava nervosa. Nunca sabia como se comportar e com Draco a tarefa parecia ainda mais difícil.
"-Vamos embora. Não tenho a certeza que conseguimos manter a reserva por muito mais tempo."
"-Reserva?"
"-Sim, no 'Relais'?"
"-'Relais'! esse restaurante é caríssimo!"
"-Esta noite estás por minha conta."
"-Mas eu não posso aceitar…"
"-Vamos ter esta discussão de novo?"
"-Tens razão. Peço desculpa."
"-Melhor. Hoje tenho o direito de ser cavalheiro?"
"-Só hoje. Vamos?"
Ele assentiu e segurou o braço dela com força, aparatando em seguida.
Aquele em que aparataram era o restaurante mais bonito que Ginevra alguma vez tinha visto. Já tinha ouvido falar sobre ele, até já tinha ouvido a descrição da Luna sobre aquele lugar, mas nunca imaginara que fosse tão imponente. Todo o espaço era decorado com motivos brancos ou dourados, que reluziam à luz de centenas de pequenas velas que pairavam no ar. Os empregados deslocavam-se delicadamente pelo local, mantendo o ambiente calmo, e parecia não haver mesas disponíveis.
"-Chegámos tarde, já não temos mesa."
"-Não te preocupes, eles não vão deixar alguém como tu ficar em pé."
"-Boa noite Sr. Malfoy. A sua mesa já está à espera."
Ginevra não tinha visto o homem aproximar-se. Era alto, com alguma idade e extremamente bem vestido. Encaminhou-os através do restaurante, onde todas as mesas estavam ocupadas e levou-os até uma sala mais recolhida, com um ambiente mais calmo.
"-Espero que esteja do vosso agrado Sr."
"-Não esperava por menos."
O homem afastou-se e eles ficaram sós. Ginevra ia sentar-se mas Draco fez um gesto para que ela parasse por uns segundos. Depois aproximou-se e puxou a cadeira, tal qual um cavalheiro, para que ela se sentasse.
"-Obrigada."
"-Como vês o cavalheirismo não evoluiu tanto assim, as mulheres podem pagar parte da conta, mas serão sempre os homens a puxar a cadeira."
"-Acho esse cavalheirismo aceitável."
A conversa evoluiu, sem pressas, como se eles estivem todo o tempo um com o outro e aquele fosse apenas mais um jantar.
"-Aquela foi a primeira vez que foi a primeira vez que fui à Torre Eiffel, na realidade aquela foi a primeira vez que saí do hotel sem ser por questões de trabalho. E olha no que deu." – Disse gesticulando vagamente para eles os dois.
Ginevra sorriu, mas logo depois mostrou alguma tristeza, como se se tivesse lembrado de algo de repente.
"-O que foi?"
"-Eu fui para Paris para esquecer o Harry e a primeira coisa que fiz quando voltei de lá foi atirar-me para os braços dele."
"-Era medo de ficar sozinha?"
"-Era para me esquecer de ti." – Respondeu, calando-se abruptamente ao perceber o valor daquelas palavras.
"-E resultou?"
"-O que vais pedir para a sobremesa?"
Ele entendeu perfeitamente o embaraço dela e a necessidade de mudar de conversa. Conseguia lidar bem com isso, ou pelo menos até ter oportunidade a questionar sobre o assunto novamente. Essa oportunidade não chegou tão depressa como esperara. As horas transformaram-se em dias e estes em semanas. Os encontros multiplicaram-se, alguns aparentemente casuais (como quando chocaram à porta da casa de Luna e Blaise) e outros planeados (como a ida ao cinema muggle que Ginevra tanto insistira). Sempre que tentava confrontá-la, perguntar-lhe sobre o que acontecera no restaurante ela mudava de assunto, tão rápido como as dunas mudam de lugar no deserto.
"-Vocês ainda não se beijaram?!" – Perguntou a loira entediada, sentando-se no sofá ao lado da amiga.
"-Qual é o drama?"
"-Andas a sair com o Malfoy há mais de um mês e ainda não o beijaste! Esse é o drama!"
"-Estou muito bem como estou Luna. O Draco tem sido uma óptima companhia mas apenas isso."
"-Eu não acredito! Tu és tão parva! Ele é o homem perfeito e tu só queres a companhia dele? Companhia seria a última coisa da lista que uma mulher quer do Malfoy!"
"-Vamos discutir isto de novo Luna, já te perguntei, é assim tão difícil de entender que eu não queira nada com ele?"
"-Claro que é! Tu ficaste casada com o Harry por mais de um ano só para esquecer uma noite ou duas que tiveste com ele. Não me tentes fazer acreditar que o casamento serviu para alguma coisa. Até um cego veria o sorriso que fazes cada vez que estás com ele. Deixa de ser tonta e pára de o afastar."
"-Eu não o afasto, eu simplesmente não lhe dou esperanças."
"-Claro que não, as vossas discussões parvas não são sinal que o estás a afastar."
"-Não são discussões parvas! Ele está sempre a tentar dissuadir-me de ir a sessões fotográficas! Não preciso de mais um homem a tentar mandar em mim. Já me bastam os meus irmãos."
"-Isso é porque ele gosta de ti e não te quer partilhar com outros homens. Tem ciúmes."
"-Quais ciúmes! Ele é chato, só isso!"
"-Só te digo mais uma coisa. A paciência dele não dura para sempre. Vou indo agora."
"-Hei! Onde é que vais?! Não podes ir embora depois de um sermão destes."
"-Caso não te lembres, combinaste um encontro com o Malfoy, do qual não queres nada além de companhia."
"-Tens razão. E não quero mesmo nada além da companhia dele."
"-Óptimo então. Bom encontro."
"-Um bom dia para ti também Luna." – Retribuiu com um sorriso vendo a loira aparatar.
Suspirou fundo apoiando a face nas mãos. Dali a pouco Draco estaria a seu lado e ela não saberia – de novo – como reagir. Ultimamente estar com ele tornara-se uma tarefa mais difícil, porque qualquer conversa parecia desembocar nos seus sentimentos. Ela não gostava de falar do que sentia, não gostava de partilhar com os outros aquilo que lhe ia no coração. Mas talvez não tivesse de o fazer. Talvez Draco, só daquela vez, não tocasse naquele assunto e talvez, só daquela vez, ela pudesse estar com ele sem ter a vontade de o beijar.
Continua…
Nota Final:
O próximo capítulo será postado até ao final da tarde de quarta-feira (20-08-08). Os capítulos subsequentes não tem data prevista para serem postados.
Espero que tenham gostado deste pequeno regresso! Beijos e até ao próximo capítulo!!
( Reviews serão mais do que apreciadas :D )
