Capítulo 4 - Gênio Indomável
Os ventiladores giravam devagar no teto do café, fazendo um barulho leve.
"Ah, no começo foi esquisito, mas eu me adaptei rápido." Boruto falou, os braços atrás da cabeça numa postura descontraída. "É difícil sair de uma cidade como Konoha e ir para a capital, a escala era muito diferente. Aqui todos se conhecem, sabem um da vida do outro, estão sempre juntos. Lá eu tive que me tornar mais independente." Ele fitava o movimento dos carros na rua pacata em frente ao estabelecimento.
O tecido cor de vinho e brilhante do estofado refletia o sol do final da tarde. Anko assobiava no balcão, passando um pano no tampo de pedra enquanto um filme adolescente passava na televisão fixa no teto. Havia apenas alguns outros fregueses além dos dois jovens sentados de frente um para o outro na mesa com sofás ao lado da janela.
Sarada se recostava preguiçosamente, brincando com o canudo no copo vazio. "Isso me irrita um pouco por aqui. Acho que é bom pelo senso de comunidade, mas falta privacidade. Parece que alguém sempre sabe o que você está fazendo." Sarada comentou. "Você gostava da escola lá?"
"Mais ou menos. Era... diferente. Bastante elitista. Todos os alunos eram filhos de gente importante ou muito ricos."
"Assim como você." Ela disse, ousada. Ele deu uma risada sem graça e ela viu uma sombra de tristeza passar pelo seu olhar.
"É, assim como eu. Eu até gostava do colégio, mas tive alguns problemas nos últimos tempos e precisei trocar rapidamente" Ele falou, sua expressão relaxada anterior foi substituída por um semblante preocupado. "Não podia mais estudar lá, então meu pai achou que seria uma boa ideia voltar para Konoha e estudar na mesma escola que ele estudou." Ele fez um bico emburrado e franziu o cenho, incomodado.
Sarada não perguntou sobre sua saída do colégio anterior, pois achou que seria invasivo. Se ele havia mesmo sido expulso, duvidava fortemente que fosse um assunto do qual gostaria de falar, principalmente para alguém com quem não tinha intimidade. Ainda assim, apesar de manter sua polidez, a Uchiha precisava admitir que estava muito curiosa, pois ele não parecia ser o tipo que causa problemas. Ele aparentava só ser um pouco impulsivo e pavio curto. "A Academia de Konoha é um ótimo colégio. O complexo é muito bem estruturado, há muitas aulas extra-curriculares e os professores são rígidos. Imagino que você já saiba isso… mas sem querer me intrometer, você não parece muito animado com a perspectiva de estudar aqui…"
"Ah, não é isso. Existem outras coisas… Meu pai é uma pessoa... complicada. Eu não quero seguir os passos dele, e saber que estou estudando no mesmo lugar faz com que eu me sinta direcionado. Quero ser o mais diferente possível de quem ele é." Sua expressão se agravou. Sarada pôde perceber que havia algo latente e incômodo na relação de pai e filho. "Mas não vamos mais falar do meu pai. Quero saber como anda a vida por aqui... por exemplo, a tia Ino continua alcoólatra?" Ele falou, brincalhão.
Sarada riu e os dois partiram para outros tópicos. Conversaram animadamente sobre seus conhecidos, seus colegas de sala, professores e atividades, e quando se deram conta, o sol já havia se posto no horizonte. Boruto a deixou em casa e ela se sentiu feliz após a tarde de conversa.
Olhou para o celular. Dez chamadas perdidas de Kawaki.
—
Sarada rolou na cama, virando para o teto. Chocho cantarolava de cor a letra da música coreana de boyband tocando no aparelho de som do quarto, enquanto fazia as unhas ao lado dela. Estava uma noite quente e úmida, e não havia brisa passando pela larga janela aberta.
Depois de um sábado fazendo compras com sua mãe pela cidade, Sarada estava aliviada por ir dormir na casa da amiga e ter uma folga do convívio em família. Os pais da Akimichi estavam fazendo um jantar - eles sempre estavam fazendo comida - e elas aproveitavam para conversar em paz no andar de cima, no quarto de Chocho.
"Então quer dizer que você e Boruto tiveram um encontro." Chocho disse, sem olhar para Sarada, ainda concentrada no pincel cheio de esmalte. Sarada levantou uma sobrancelha em indignação com a insinuação da amiga.
"Saímos para conversar, Cho. Ele disse que não estava a fim de conhecer a escola e me chamou para um café."
"Pra mim isso tem cheiro de encontro. E aí, você descobriu por que ele foi expulso?" Chocho ainda estava obcecada. Era quase uma missão de vida saber a grave infração do Uzumaki.
"Não perguntei nada sobre isso. Não é como se fôssemos íntimos, só estávamos colocando o papo em dia, né." Sarada soltou um estalo com a língua. "Mas conversamos sobre esses anos que a família dele passou na capital. O pai dele é mesmo o governador e ele estava estudando no colégio mais caro da cidade. Ele não disse nada sobre ser expulso, mas deu a entender que a família se mudou para cá de supetão, então é provável que algo grave aconteceu."
"Puxa. Deve ser um problema se a mídia descobre uma coisa dessas. Será que eles se mudaram de volta para evitar exposição?" Chocho falou, olhando para a morena, em dúvida.
"Pode ser. Parece plausível, não?" Sarada não tinha pensado muito sobre isso ainda. Boruto contara para ela sobre como era diferente morar na relativamente pacata Konoha e na capital, com seus arranha céus, viadutos e universidades. Sarada tinha grandes ambições, a maior delas a de entrar numa universidade de prestígio e ir embora para a cidade grande, e se deliciava ouvindo histórias como as dele.
"Sim. Mas é aí, você acha que ele tá interessado em você?" Chocho riu maliciosa. "Você comentou que a tia Ino achava que vocês iam namorar."
"Não, Cho! Acho que ele só ficou feliz que eu finalmente o reconheci. Não está dando em cima de mim, nem nada. Mas ele parece ser um cara atencioso e legal. Posso agitar para você." Sarada cutucou Chocho, brincalhona.
"Eu não posso arrumar um homem agora. Tenho grandes projetos de vida e um namorado me atrapalharia." A Akimichi falou, obstinada. Estava trabalhando na sua carreira como atriz, era o destaque da turma de teatro da escola. "Sumire, talvez. Sei que ela achou ele super bonito. Mas antes de qualquer coisa, e você, tá interessada nele?"
"Meu Deus, Chocho. Eu tenho namorado!"
"Ah Sara, ninguém tá falando de traição." Chocho fez um bico. "Estou falando de atração, impacto. O reencontro mexeu com você?" Sarada não confessaria o estranhamento que sentiu naquele primeiro dia que viu o loiro no skate e nem a sensação de tranquilidade no seu peito enquanto conversavam no café do centro da cidade, pois seria mal interpretada. "Além disso... sei que não é da minha conta, mas o seu relacionamento com Kawaki está péssimo. E ele anda chato demais."
"... eu sei." Sarada suspirou. Ela jamais admitiria isso para ninguém além de Chocho, sua melhor amiga e confidente. "É como se não fizéssemos nada além de discutir nesses últimos tempos. Mas isso não significa que eu esteja me interessando por outra pessoa. Só estou feliz de ter reencontrado Boruto, apesar desse começo esquisito."
"Kawaki sabe desse café?" a Akimichi olhou para ela por cima dos ombros. Sarada negou silenciosamente com a cabeça. "Então torça para ninguém ter visto vocês, ou vai sentir na pele a tempestade que ele vai fazer". Não era do feitio da Uchiha mentir, mas ela sabia que dizer a verdade deixaria seu namorado mais irritado, então apenas comentou sobre ter mostrado a biblioteca brevemente para o loiro e depois cada um tomou seu rumo.
Chocho estendeu a mão, orgulhosa de suas unhas vermelhas e bem feitas. Ela era extremamente vaidosa. "Essa história ainda vai muito longe. Vou acompanhar com atenção."
Sarada ficou decepcionada consigo mesma ao perceber que havia se divertido muito mais com Boruto durante o café da sexta-feira do que com Kawaki nas últimas cinco vezes que saíram. Suspirou, sentindo o peito afundar com a culpa.
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O restante do final de semana correu tranquilamente. Ela e Kawaki acabaram por fazer as pazes por telefone, já que o time de basquete tinha um jogo amistoso em Iwa no domingo. Ela estava lentamente começando a se acostumar a não ter o moreno por perto, infelizmente.
Olhou a foto dos dois no plano de fundo do celular. Gostava mais do cabelo dele antes da decisão de pintá-lo de loiro nas laterais, mas ainda o achava muito bonito. Gostava das tatuagens. Gostava de seu piercing desafiador na sobrancelha. Só não gostava da sua ausência.
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"Sala, estou muito decepcionado" Neji falou, carrancudo, deixando todos tensos instantaneamente. Logo em seguida, sua expressão se suavizou e seus lábios se curvaram num sorriso. "Gostaria apenas de informá-los que alguém gabaritou a prova." Era a primeira vez que ela via o moreno fazer uma piada. Quiçá era a primeira vez que o via sorrindo em sala.
Houve uma exclamação de surpresa geral e um burburinho se iniciou logo em seguida, todos se perguntando quem teria sido o gênio da matemática capaz de acertar todas as questões de Neji Hyuuga.
Sarada ajeitou-se na cadeira. Ela não achou que tinha ido mal na prova, mas também não acreditava ter ido tão bem. Sentia aquela chama de orgulho e excitação no peito. Estava acostumada a ter as melhores notas da sala, mas ter gabaritado a prova de álgebra era um feito exemplar. Sentiu seu coração palpitando. O professor tirou uma folha do topo da pilha de provas e caminhou por entre as cadeiras com sua postura impecável sob o olhar atento da sala, até a última fileira, parando ao lado de Boruto, que se escorava distraidamente sobre a carteira. O loiro olhou para cima, curioso e Neji estendeu a prova para ele.
Dez.
O queixo de Sarada caiu. E o dos demais alunos também.
Em meio à movimentação e ao burburinho dos comentários, Sarada ainda estava perplexa na sua carteira. Não só ela não havia sido a melhor da sala, mas também Boruto era em um gênio e gabaritou o que seria, provavelmente, a prova mais difícil do semestre. Isso após meros dias estudando em Konoha.
Enquanto ela tentava se recompor, Neji passou distribuindo as demais provas. Ele colocou a sua sobre a carteira. Oito e meio. Não foi ruim, mas ela gostava de ser a melhor. Podia ouvir os resmungos de insatisfação e as reclamações dos demais alunos enquanto recebiam suas provas. A média da sala havia sido três e meio.
Ela começou a guardar suas coisas na mochila lentamente, ainda atordoada, enquanto os alunos iam um a um sumindo pela porta. Viu Kawaki pegar a mochila e, rasgando o papel que provavelmente seria o da prova, sair emburrado. Mais um motivo na sua lista cada vez maior de motivos para não gostar de Boruto. Sarada não duvidava nada que ele voltasse a pegar nos livros agora que tinha uma competição à altura por assim dizer.
Boruto se levantou para sair com um sorriso alegre no rosto e parou por um instante na mesa do professor moreno, enquanto os demais alunos se retiravam. Eles se cumprimentaram amigavelmente e Sarada se abaixou para guardar um livro na mochila, estrategicamente se posicionando para ouvir a conversa.
"Boruto." Neji disse, afetuosamente. "Fico feliz que você voltou. Como está a Hinata? E Himawari?"
"Elas estão ótimas, tio. Mamãe está se readaptando e organizando a casa, por enquanto, mas vai voltar a trabalhar em breve. Himawari está... uma adolescente." Ele fez uma careta e Neji riu. "Começou as aulas aqui no mesmo dia que eu, no primeiro ano."
Como assim tio?
"Ótimo. Estou ansioso para vê-la também. E como andam as coisas entre você e seu pai?"
Boruto deu uma risada sem graça e coçou a cabeça, sem jeito. Rodou em seu eixo, espiando se havia alguém na sala ainda. Sarada queria ouvir mais, mas achou um pouco invasivo e bisbilhoteiro permanecer ali, pois claramente eles eram familiares colocando o papo em dia e nada daquele assunto lhe dizia respeito. Ela se retirou silenciosamente, passando pela dupla com rapidez.
Boruto era uma caixinha de surpresas.
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O sol da tarde aquecia suas costas nuas. Boruto estendeu os braços, se alongando, antes de subir na baliza. Desceu os óculos de natação da cabeça para os olhos e agarrou a borda do objeto metálico, subindo o quadril, sentindo os músculos de seu corpo tensionados, pronto para saltar.
Kisame e Suigetsu observavam, atentos. Kisame colocou o apito na boca e soprou, e Boruto saltou, entrando na água como um golfinho, deslizando sem impacto através da superfície. Ele atravessou a piscina com velocidade, virou habilidosamente ao chegar na parede do outro lado, e voltou no mesmo ritmo. Sumire segurava o ar, corada, vendo ele realizar seus movimentos precisos. Quando ele saiu da piscina, apoiando-se nos dois braços, ela sentiu o coração palpitar vendo sua pele dourada de sol e molhada.
"Cara, 25.32 segundos! Muito bom!" Suigetsu gritou, batendo palmas. Boruto arrancou o óculos e a touca, e sorriu. "Você está no time!" O homem sorria com seus dentes afiados. "Não, não! Você é a estrela do time!"
"Suigetsu, cale-se." Kisame falou, grosso. Na verdade, ele praticamente nunca era gentil. "Se Tobirama estivesse aqui, ele teria aberto uma champagne. Aproveita, moleque, você está no time. Espero que não envergonhe a gente nos campeonatos. E que apareça para os treinos." Kisame falou, dando tapinhas nas costas de Boruro. Os demais alunos estavam estupefatos em seus trajes de banho. Desde que Suigetsu havia se formado, ninguém havia ido tão bem nas seletivas.
"Obrigado. Não vou faltar nos treinos." Boruto falou, enquanto pingava. Sentou-se para descansar, ao lado de Sumire que trajava seu maiô roxo. Ela sentiu a coxa molhada dele encostar na dela e se arrepiou. "Desculpa." Ele falou, vendo que havia molhado a menina.
"T-Tudo bem." Ela gaguejou. "Voce nada muito bem, Boruto. Parabéns!" Sorriu amistosa para ele, e recebeu um sorriso orgulhoso do loiro de volta, que fez o sangue ferver seu rosto. "V-você nada faz tempo?"
"Nadei por oito anos no meu antigo colégio. É uma das coisas que mais gosto de fazer." Ele falou, olhando a piscina reluzindo sob o sol. Os outros alunos andavam até a água e pulavam para começar uma série passada por Suigetsu.
"Uau! Que legal... queria gostar tanto quanto você. Acho que só faço para não ser sedentária..." Sumire era meio nerd e pragmática, e fazia esportes pois sabia que seria pior não fazer.
Ele riu do comentário. "Acho que só faço porque quando estou nadando, não penso em mais nada." Ele disse, contemplativo. "Só me importa chegar do outro lado. Atravessar. E é um alívio para mim." Ele soava um pouco melancólico.
Ela o fitou, sentindo o coração apertar. Queria abraça-ló. Afastou o pensamento infantil. "Puxa, que poético."
Ele riu, envergonhado. "Desculpa, às vezes eu penso demais." Ele levantou, e recolocou os óculos. "Vamos entrar? Suigetsu pediu 500 metros livre, eles não vão se fazer sozinhos."
Ela assentiu, e entrou com o loiro na piscina, feliz por estarem partilhando aquele momento.
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Estou na biblioteca, me encontra aqui?
A mensagem tirou Sarada do sério. Fazia aproximadamente um ano e meio que Kawaki não pisava na biblioteca, não era coincidência ele estar lá na mesma semana em que Boruto gabaritou a prova de álgebra. Pegando suas coisas no armário, ela foi até o prédio anexo. Kawaki estava sozinho numa mesa, estudando de verdade.
"Uau. Há quanto tempo não vejo essa cena."
Ele olhou para a Uchiha e deu um sorriso intencionalmente forçado, enquanto se escorava no tampo. "Achei que era hora de retomar meus estudos." Ele disse, simplesmente. Sarada se perguntou se ele acreditava estar enganando-a com isso.
"É mesmo?" Ela se sentou ao lado dele, e ele a enlaçou com os braços, dando um beijo carinhoso. "Como você foi na prova do Neji?" Ele comprimiu os lábios, incomodado e ela confirmou sua suspeita.
"Mal. Bem... mal." Ele suspirou. "Acho que caiu a ficha de que estou sendo muito desleixado. Avisei Konohamaru que preciso de um tempo a tarde para os estudos antes do treino." Caiu a ficha era a forma Kawaki de dizer fiquei revoltado por ter ido pior que Boruto.
Ela notou uma garota de cabelos curtos escuros e olhos azuis intensos na mesa da frente, que olhava Kawaki timidamente, como se o admirasse. A menina desviou o olhar quando percebeu Sarada olhando. Ela parecia ser mais nova, talvez do primeiro ano e tinha uma beleza encantadora, com longos cílios negros emoldurando seus olhos claros.
"Ótimo. Fico muito feliz de ter sua companhia nos meus estudos de novo." Sarada falou, animada, voltando sua atenção para o namorado. Ele sorriu e beijou a testa dela, carinhosamente. "Vamos começar?" Ela falou. Ele assentiu, e os dois pegaram suas coisas para estudar.
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"Ele nada muito bem, parece um golfinho." Sumire falou, e o brilho em seu olhar não passou despercebido nem por Sarada, nem por Chocho. "Além disso, ele foi super gentil comigo, está me ajudando a melhorar. Já me ensinou muitas coisas nesses últimos três treinos." Ela corou suavemente.
Chocho estava revirando os olhos. Ela tinha aversão a qualquer tipo de romantismo e ficava de saco cheio com essas melosidades. Estava se segurando para não fazer piadas. Sarada olhou para ela de esguelha, um sinal para que segurasse seu humor ácido.
"Que legal, Su. Ele é gentil, mesmo. Quando mostrei a escola, ele comentou sobre ter sido do time de natação no outro colégio..." Sarada comentou. "Fico feliz que ele esteja interessado e que vai frequentar os treinos." Elas estavam no grande Hall do prédio anexo, onde aconteciam as aulas de artes. Os alunos formavam um círculo em torno de uma mesa central, onde o modelo nu posava, mudando a cada intervalo.
O professor Deidara circulava, sua franja loira misteriosa cobrindo o olho enquanto ele caminhava observando as produções dos alunos. Sarada era boa na fotografia, mas suas habilidades de desenho eram medíocres e o mesmo poderia ser dito de suas melhores amigas.
"Sasori, pode mudar." Deidara falou. Às vezes o professor trazia seu namorado ruivo de corpo esguio o escultural para posar como modelo vivo nas aulas. Hoje era um desses dias. Ele se inclinou sobre Inosai, que realizara um desenho realista em questão de minutos. "Incrível. Parabéns mais uma vez, Inosai." Ele sempre elogiava Inosai.
"Eles são muito parecidos. Tenho certeza que Deidara é o tio do Inosai. Ou a Tia Ino pulou a cerca." Chocho comentou. Elas sempre ficavam desconfiadas vendo os dois próximos. Sarada teve um clique.
"Falando em tio, descobri que Neji é o tio de Boruto." Ela olhou para as amigas, que arregalaram os olhos.
"Como assim?" Falou Sumire. "Achei que Neji nem tinha família." Sumire achava o Hyuuga um ser humano desprovido de emoções e relações sociais.
"Esse moleque me soa cada vez mais esquisito." Chocho fez um bico.
"Bom, aparentemente ele tem... acho que é primo ou irmão da mãe do Boruto. Eles são bem parecidos, parando para pensar." Sarada comentou. Quando comentou sobre o garoto, notou que ele não estava na aula. A aula de artes fazia parte da grade básica, portanto a presença era obrigatória para todos os alunos. Achou estranho, mas talvez ele estivesse doente ou apenas cabulando. Pensou em perguntar se Sumire sabia alguma coisa, porém Deidara a interrompeu.
"Meninas, parem de conversar. É hora da arte."
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Na sexta feira, na aula de biologia, Sarada notou que Boruto estava novamente ausente. Olhou a carteira vazia com desconfiança. Mandou uma mensagem para Sumire perguntando se ele havia aparecido para o treino de natação, ao que ela respondeu não, seguido de uma carinha triste. Esperava que ele aparecesse a tarde, pois sentia que havia algo errado.
Mais para o final da aula, o professor Kiba desenhava pteridófitas na lousa quando seu celular vibrou, e ela tirou do bolso esperando uma mensagem de Boruto avisando alguma coisa, mas se tratava de um número desconhecido. Ela abriu o aplicativo de mensagens, e tocou na conversa, olhando a foto do contato. Reconheceu Hinata.
Oi, Sarada. Desculpe incomodar, mas você sabe onde Boruto está? Ele não volta para a casa desde quarta à noite e estou muito preocupada. Realmente não queria te importunar, mas não sei mais a quem procurar. Aguardo seu retorno.
Um beijo, Hinata.
Sarada sentiu um arrepio e engoliu em seco. Mais uma vez sua intuição estava correta.
