Capítulo 4

Drops de limão enfeitiçados. Outra remessa na mesma semana. Às vezes ele não acreditava que o diretor usasse todo seu precioso conhecimento de mestre de poções para um fim tão fútil, mas em quem mais Dumbledore poderia confiar para preparar os tão famosos doces que soltavam a língua dos alunos? Revirou os olhos e estava derramando um frasco com um liquido cintilante no caldeirão quando ouviu uma batida quase imperceptível. Bufou e, comprimindo os lábios finos, flutuou em direção a porta, pronto para dizer a Dumbledore que não mais se submeteria a tarefas tão simplórias. Entretanto, uma surpresa o aguardava.

–Você. – ele trincou os dentes ante a visão dos óculos quadradinhos.

– Eu! – ela sorriu e as bochechas brilhantes e rosadas encostaram-se ao aro dos óculos. – Presentinho! – ela estendeu a ele algo em formato arredondado com um paninho xadrez em cima.

Ele sequer se moveu. O sorriso dela não desmanchou, muito pelo contrário. Aumentou quando ela começou a empurrar o objeto de encontro ao peito de Snape, batendo-o de leve de maneira insistente e irritante.

– Ora vamos, não é nenhuma serpente. Você vai gostar. Se bem que sendo da Sonserina você poderia ate gostar se fosse realmente uma serpente, sei lá...

Ele pegou o embrulho com uma mão e sem olhar o pôs em cima de uma bancada.

– O que esta fazendo aqui? – ciciou entredentes.

– Fui à enfermaria buscar uma poção para minhas crises de espirros que andam um tanto mais intensas e Mme. Pomfrey disse que tinham acabado, mas que já havia encomendado nova remessa a você e que já deveriam estar prontas. Não vai olhar o que eu trouxe? - ela esticou o pescoço para o embrulho abandonado.

– A poção Antispirrilina só ficará pronta amanhã à noite. – ele não se movera um centímetro na esperança de que aquela criatura sem noção entendesse que não era bem-vinda ali.

– Tudo bem, então eu voltarei amanhã à noite. – ela meneou a cabeça, os cachos curtos brincando no rosto.

– Não voltará não. Deixarei a poção na enfermaria e você pode pegar lá, como qualquer um. – ele a viu fazendo bico. Inferno. Porque aquela boca pequena tinha que chamar tanta atenção se ela parecia uma miniatura de barril?

– Ah, não seja tão chato só porque é capricorniano.

– Quem disse isso a você? –ele perguntou, os olhos se estreitando de desconfiança.

– Sua noiva. – ela falou tranquilamente.

– Minha o que?... – ele deu um passo para trás, surpreso com a palavra, o que deu a ela a oportunidade perfeita para terminar de entrar e fechar a porta com um movimento do calcanhar.

– Sibila, quem mais? – ela o contornou indo até a bancada. Tirando paninho xadrez, revelou um lindo bolo branco com uma cobertura aveludada de açúcar onde repousavam suculentas fatias de pêssego caramelizado. O cheiro doce que se ergueu da iguaria foi direto ao nariz de Snape que não pode evitar a salivação. Engoliu em seco e trincou os dentes. Por mil diabretes, como é que ela poderia saber que pêssegos eram sua sobremesa favorita?

– Os elfos da cozinha me disseram que você adora pêssegos. –ela falou suave. Ele franziu o cenho.

– Você é oclumente?

Ela deu uma gargalhada cintilante que reverberou na câmara escura e Snape ficou ali, olhando para aquela feiticeira redonda e sorridente.

– Não, a pergunta simplesmente estava nessa sua cara desconfiada. –ela voltou-se para o bolo. – Onde tem uma faca por aqui? Você precisa provar agora mesmo, acabou de sair do forno e é uma receita de família bem antiga. Pedi que os elfos preparassem para mim e eles fizeram rapidinho, criaturinhas adoráveis e prestativas, não são mesmo? –ela se movimentava por entre as bancadas com seu corpo rotundo quase esbarrando nos preciosos frascos de poções e não parava de falar até que encontrou uma pequena adaga. –Ah! Esta aqui vai servir. –exclamou e limpou a faca com um movimento da varinha, enterrando-a no bolo macio e tirando uma fatia pequena e estendendo-a na direção de Snape que estava chocado demais com a intrusão para esboçar alguma reação até agora. Se bem que, havia algo mais do que o choque. Uma estranha letargia tomava conta dele sempre que ela estava por perto.

– Agora diga aaa... olha o bolinho! – Vassilissa chegou o bolo junto à boca de Snape e ele finalmente se irritou o suficiente para dizer àquela intrometida umas boas verdades.

– Será que você não está... – ele não chegou a completar a frase, pois ela empurrou um bocado do bolo por entre seus lábios e o sabor delicioso do doce junto com o toque dos dedos delicados em sua língua o deixou sem fôlego. Mastigou a iguaria suave, deliciado. Maldita fosse por ter descoberto um ponto fraco dele. O que estaria acontecendo com ele para estar ali, abobalhado feito um garoto, comendo doces da mão de uma pequena e insana bruxa faladeira? Ela tinha um ar feliz e levou o bocado restante à própria boca, lambendo o que havia sobrado do açúcar em seus dedos e deixando escapar uma gota da calda caramelizada que escorreu para o canto da boca sensual. Snape engoliu em seco ao ser tomado por uma vontade absurda de provar o sabor daquela gota de calda específica. Ela terminou de mastigar e o olhou confusa com a intensidade do olhar que recebia dele.

– O que foi?

– Tem uma...- foi mais forte que ele. Estendeu a mão elegante e colheu a gota com o indicador, roçando a pequena boca tentadora. Ela corou e baixou os olhos e então deu uma tossidela, passando rapidamente por ele em direção a entrada.

– Eu volto amanhã, boa noite, Professor. –saiu, fechando a porta sem barulho algum.

Ele levou a pequena gota à boca e a lambeu, soltando um gemido de satisfação. Não ousaria admitir para si mesmo, mas havia ali um começo de desejo fortemente contido. Também seria um absoluto segredo o fato de que havia devorado o bolo todo ao longo da noite. Um Severo Snape esganado por doces era um segredo que ninguém, a não ser sua mãe, e os intrometidos elfos da cozinha, havia conhecido. Entretanto, ao acabar, decidiu que outra visita da Srta. Folk seria totalmente desnecessária. Talvez perigosa. Pegou pena e pergaminho e se pôs a escrever uma nota.

*Nuvem de fumaça pink* Uhalá! Eu desapareço, mas eu sempre volto! =D Aêêê! Gente, que saudade de escrever aqui! Andei preparando chaps dessa fic do meu coração. Não sei se ela esta perto de acabar, porque minhas historias se escrevem sabe? Eu só vou pondo no papel. Hehe Ah! Uma novidade, estou escrevendo mais um chap da Idéias Absurdas, então se preparem para muitas emoções por lá também. Um abraço gigantesco-esmaga-ossos em quem lê! Reviews please!