CAPÍTULO 3 de Corações Unidos Tradução de Susan Meier

A ida à casa da mãe de Rosalie transcorreu tranquilamente. Foi Bella quem falou a maior parte do tempo, informando-se sobre a rotina de Joshua enquanto recolhiam o restante das coisas do bebê e as colocavam no carro dela. Quando tudo estava arrumado, ela e Edward tomaram rumos separados.

Como Edward esperara, os participantes de sua primeira reunião espalhavam-se pela sala de sua secretária quando chegou. Conduziu-os até o seu escritório e apanhou as partas de arquivo pertinentes em sua mesa, enquanto todos se sentavam à mesa redonda de reuniões a um canto da sala de paredes envidraçadas. Uma reunião foi dando lugar a outra e mais outra até que, de repente, o escritório se esvaziou às 18h e ele se viu sozinho.

Exausto, recostou-se na poltrona de couro detrás da mesa de trabalho e esfregou o rosto. Aquele não era o final de seu dia. Deveria ser. Mas, num ponto em que não queria nada além de uma dose de uísque e um pouco de paz e quietude, havia um bebê à sua espera.

Obviamente, Joshua tinha agora uma espécie de babá. Assim, o bebê não estava realmente à sua espera. Tinha companhia e provavelmente estava sendo distraído. Era evidente que Bella sabia o que fazer com o garotinho. E Edward não podia dizer o mesmo sobre si. Não sabia nem sequer trocar uma fralda. Quanto mais lidar com as coisas mais complicadas, como a comunicação. Não sabia falar a linguagem dos bebês. E, por sua vez, Joshua ainda não sabia falar.

Além do mais, estava cansado. Mas tenso. Inquieto demais para relaxar. A última coisa que queria era contagiar um bebê com seu humor soturno.

A música repentina do celular ecoando no escritório silencioso sobressaltou-o. Apanhando o moderno aparelho rapidamente da mesa, viu o nome no visor e soltou um grunhido. Como se não fosse ruim o bastante o fato de que tivera de abrir mão de sua antiga vida, certos amigos antigos ainda não tinham assimilado a mensagem de que ele não podia sair para se divertir como antes. Quase ignorou a ligação, mas, ao final, não pôde. Sabia por que Mike Newton estava ligando. O astro marcara a pré-estreia de seu mais recente filme em Boston especificamente para que Edward pudesse comparecer. No mínimo, ele tinha de se desculpar.

Às 20h, Bella finalmente terminou de colocar seus pertences, incluindo seu laptop e pastas de arquivos contábeis de alguns clientes extras para os quais também trabalhava, na suíte que Edward lhe mostrara. Ajeitando suas coisas nos cômodos ao final de um longo corredor que levava apenas à sua suíte, compreendeu que a maior parte das preocupações que tivera de manhã fora infundada. Ela e Edward não se deparariam um com o outro. Não tinha razão para se preocupar com a possibilidade de que um encontro acidental com um bonito e taciturno Heathcliff como Edward se transformasse em algo que nenhum dos dois queria. Não haveria nenhum encontro acidental. Seus respectivos quartos eram tão distantes um do outro que era quase como se estivessem em casas diferentes.

Usando jeans e blusa rosa confortáveis, ela andou na ponta dos pés até o quarto do bebê exatamente no momento em que Joshua acordou.

— Olá, fofura. — Pegou o bebê do berço que fora entregue ainda naquela tarde e montado pelo encarregado de serviços gerais da propriedade.

Num pijama azul em forma de macacão, Joshua bocejou e esticou as perninhas. Mas quando piscou e olhou para o rosto dela, começou a chorar.

— Sei que isto é difícil para você. — Bella beijou-lhe o rosto. — Ainda não está acostumado comigo e, por isso, sente medo. Mas está tudo bem. Você vai se acostumar logo.

Aninhando-o no colo, continuou a tranquilizá-lo com sua voz carinhosa enquanto passava pela sala de estar e deixava a suíte na direção da escadaria. Descendo até o grandioso hall da mansão, seguiu até a cozinha.

— Vamos ver a minha mãe. — Esfregou seu nariz no do bebê com gentileza. — Lembra-se dela? Cuidou de você hoje.

Contente em ver que o choro de Joshua diminuíra, usou o quadril para abrir a ampla porta vaivém. Para sua surpresa, a cozinha estava vazia. Quando alcançou o interruptor e ligou a luz, foi saudada apenas pelos eletrodomésticos reluzentes de aço inoxidável e as bancadas vazias das três ilhas.

Tendo observado a mãe supervisionar o preparo de comida para muitas festas e jantares formais naquela cozinha, Bella estava acostumada a ver o lugar movimentado, cheio de vida nas noites de sexta-feira.

— Puxa, onde será que ela está? — Sua voz ecoou pelo imenso espaço vazio. — Devia estar supervisionando o serviço do pessoal da cozinha durante o preparo do jantar.

— Não vou comer aqui esta noite.

Ela virou-se, deparando-se com Edward parado junto à porta. Estava estonteante num smoking preto, com o cabelo um tanto espetado num estilo sexy e as mãos nos bolsos da calça. Sentiu-se ofegante só em observá-lo.

— Fiz planos de sair com uns amigos.

— Ah. — Bella não conseguiu dizer mais nada. Ele era tão incrivelmente bonito que a deixava sem fala.

— Pensei em avisá-la de que vou sair para que você não ficasse à minha procura.

A mente anuviada dela finalmente assimilou a informação de que Edward iria sair. Deixar a casa. Não dar nenhuma atenção a Joshua em sua primeira noite ali. Pois sim que ele sofria como o torturado Heathcliff!

— Vai sair?

— Sim.

— Mas é a primeira noite de Joshua aqui!

— E, se eu não tivesse contratado você, não poderia ter aceitado o convite.

O alívio e a compreensão tomaram conta de Bella, o que fez com que seus músculos tensos relaxassem.

— Ah, são negócios.

Ele lançou-lhe um sorriso.

— Negócios de ocasião.

Sua atitude convencida fez com que Bella se lembrasse tanto do ex que qualquer atração que sentisse por aquele homem dissipou-se por completo imediatamente. Virando-se, adiantou-se até o menor dos três refrigeradores de aço inoxidável, aquele que pedira que fosse reservado apenas para as coisas de Joshua.

— Edward — começou, usando o tom com que a mãe falara com ela quando quisera repreendê-la por alguma travessura —, você tem um filho agora. Não pode ficar saindo por aí apenas porque lhe deu na telha.

— Primeiro, Joshua não é meu filho. É meu sobrinho. — Ele entrou na cozinha, pegou uma maçã de uma fruteira numa das bancadas e atirou-a no ar para, então, pegá-la. — Segundo, contratei você para ter alguém para ficar com o bebê aqui em casa.

— Você me contratou para cuidar dele, não para lhe dar amor. Brincar com Joshua, dar-lhe atenção, é a sua função.

Edward lançou a maçã no ar novamente, ignorando-a.

— Estou falando sério.

Ele não respondeu, e Bella deu-se conta de algo horrível. Edward não pretendia dar atenção ao garotinho, tratá-lo como se fosse um filho. Foi tomada pela incredulidade. Por que ele se recusaria a ser o pai daquele bebê adorável?

Olhou para Joshua, com seus brilhantes olhos azuis e cachos loiros, e concluiu que Edward simplesmente não passara tempo suficiente com ele. Uma vez que aquilo acontecesse, seria inevitável apaixonar-se pelo bebê. Tornar-se um pai de verdade aconteceria naturalmente. E não havia momento melhor que o presente para começar.

— Tome. — Ela entregou-lhe Joshua. — Pode segurá-lo enquanto aqueço uma mamadeira?

Não tendo escolha, Edward pegou desajeitadamente o bebê confuso. Pela expressão em seu rosto enquanto se esforçava para arrumar o bebê em seu braço, Bella concluiu que parte da repentina necessidade dele de sair de casa podia ser em função de seu próprio medo.

— Posso ajudá-lo, mostrando como cuidar dele — disse colocando a mamadeira no micro-ondas sem se virar para olhá-lo, tentando não criar grande expectativa em relação ao assunto para fazê-lo relaxar.

— Estou me arranjando bem.

— Não muito. — Ela achou prudente não mencionar que o fato de nem sequer conseguir segurar o bebê direito indicava que ele não estava se arranjando bem — Não estou falando em lhe dar aulas sobre bebês. Mas, se ficar conosco, especialmente enquanto estou aqui para ajudá-lo a atravessar essa ponte, você já poderá conhecer bem Joshua quando a babá definitiva chegar.

— Eu já o conheço bem — argumentou Edward, esforçando-se para conter o bebê que ficara agitado em seus braços.

— Joshua tem 6 meses. Segurei o queixo dele com carinho. Eu lhe disse boa-noite quando Rosalie o levou até a sala íntima do meu irmão antes de ele ir se deitar no berço. Ele estava conosco em passeios de barco e estadas de família na casa de praia. O verdadeiro problema entre mim e Joshua aqui — prosseguiu, enquanto ainda tentava ajeitar o garotinho no colo — é que não tenho nada em comum com um bebê e ele ainda não fala para me dizer o que quer.

Bella não pôde se conter e riu. De fato, ele não tinha muito em comum com o bebê. Ainda assim, qual pai de primeira viagem, ou, no caso, tio, não se sentia perdido numa situação daquelas?

Quando o micro-ondas apitou, anunciando que a mamadeira estava pronta, ela pegou-a e a colocou sobre a bancada.

— Pode devolvê-lo para mim. — Quando se aproximou dele para que lhe entregasse Joshua, sentiu a fragrância de sua colônia máscula e amadeirada. Teve de resistir à tentação de respirar fundo para apreciar o delicioso perfume, lembrando a si mesma de que playboys eram sinônimos de problema.

Mas, enquanto pegava o bebê que esperneava, mãos se tocaram, braços se roçaram e ela foi tomada pela mesma expectativa que sentira quando tivera 12 anos e o encontrara escondido em algum quarto distante da mansão. Havia algo em Edward que a atraíra desde que tivera idade o bastante para saber as diferenças entre meninos e meninas — e o que quer que fosse era poderoso.

Ainda assim, esforçou-se para ignorar a sensação. Ele não era o tipo de homem pelo qual devia se sentir atraída. Determinada a retomar a conversa sobre o bebê, afastou-se com um sorriso. Mas, quando tornou a fitar Edward e viu o brilho intenso em seus olhos, gelou.

— Por que não sai comigo esta noite?

Bella engoliu em seco, apreensiva.

— É a pré-estreia de um filme de ação e aventura. O astro é um amigo meu. Não pude recusar.

Edward aproximou-se, pegou a mão livre dela e a acariciou.

— Depois do filme, haverá um jantar e podemos ir dançar.

Bella libertou a mão.

— Esqueça, Príncipe Encantado. Tive um romance com um playboy. Fui noiva de um cara exatamente como você. Não vou seguir por esse caminho outra vez.

— Você foi noiva?

— E ele me deixou no altar. — Ela indicou o bebê em seu colo. — Mas, mesmo que eu não tivesse essa história no meu passado, tenho uma razão melhor para ficar aqui esta noite.

Lembrando-se do bebê, ele contraiu o rosto.

— Certo.

— Como você mesmo disse, estou aqui para ajudá-lo com Joshua.

Bella falou num tom frio, impessoal, soando como uma babá profissional. Ou ao menos achou que sim — até que Edward se recostou numa bancada, parecendo sexy, sofisticado e um homem que não acreditava numa palavra sua.

— Então, vamos adiar um encontro até que eu contrate uma babá definitiva.

Ela o encarou, boquiaberta.

— Já lhe disse que quase me casei com alguém como você e, para a minha decepção, ele me deixou no altar. Com o tempo, entendi que o pressionei a fazer algo que ele não queria, mas isso só me dá a certeza de que você é o último homem com quem devo sair.

Edward soltou um riso sedutor, afastando-se da bancada e adiantando-se até ela.

— Na verdade, Bella, acho que isso me torna o cara perfeito para sair com você.

Embora aquela proximidade entre ambos a deixasse com o pulso acelerado e as pernas bambas, ela se esforçou para pensar racionalmente. Estudou-o com incredulidade, mas, antes que pudesse replicar, ele prosseguiu:

— Até você admite que seu erro não foi sair com um playboy. Foi achar que ele se casaria.

Bella soltou um riso desdenhoso.

— Exatamente.

— Acho que você não viu o lado bom. Deve ter se divertido muito com ele. — Edward pegou-lhe a mão e levou-a aos lábios. — Isto é, antes de ter tentado domá-lo.

Ela tornou a engolir em seco.

Arrepios subiram por sua mão, pelo braço, e se espalharam por seu corpo inteiro. Se um leve beijo em sua mão podia afetá-la tanto, o que aqueles lábios quentes e sensuais causariam se tomassem os seus?

— E esses momentos de diversão não a deixaram feliz? Não aliviaram seu estresse? Não a ajudaram a esquecer a longa semana de trabalho?

— Sim — Na verdade, fora por aquele motivo que ela se apaixonara por James. Fora o primeiro cara que a fizera esquecer tudo. A jogar a lógica para o alto. A deixar seus problemas nas docas quando subira em seu barco. A rir. A relaxar.

— E se não tivesse tentado tornar as coisas sérias com ele? Se o tivesse deixado ser quem era. Vocês não estariam juntos agora mesmo?

E se ele soltasse sua mão, o coração dela voltaria ao ritmo normal?

— Não.

Edward riu e se afastou; não derrotado, mas como um estrategista que sabia quando bater em retirada para retomar a batalha num outro momento.

— Ainda acho que o problema não era ele, que a sua abordagem é que foi errada. Depois que eu contratar uma babá, saia comigo e divirta-se um pouco.

Bella respirou fundo, surpresa com a maneira como se sentiu tentada a levar em conta uma sugestão que era completamente errada. Em termos de personalidade e comportamento, Edward era parecido demais com o homem que a abandonara. E ela aprendera sua lição. Ele podia estar certo ao afirmar que James a fizera feliz, mas passara por cima do fato de que ela era uma mulher séria. Não podia ter relacionamentos superficiais com homens como seu ex e Edward. A cada vez que se envolvesse com um homem de quem gostasse, acabaria se apaixonando. E essa era a maior razão de todas para manter distância de Edward. Ela se apaixonaria perdidamente, e ele se divertiria por algumas semanas ou meses antes de trocá-la por outra.

Não, não precisava daquilo.

— Divirta-se esta noite — disse apanhando a mamadeira de Joshua e adiantando-se até a porta. — E tente não chegar muito tarde.

Joshua acordou quatro vezes naquela noite. Obviamente assustado e confuso com mais uma mudança de lar e da pessoa que cuidava dele, o bebê chorou copiosamente. Com o coração apertado pelo garotinho que vivenciava a terceira mudança de lar em poucos meses, Bella ninou-o, acalentou-o e cantou baixinho para ele. Eram 5h quando o bebê adormeceu profundamente. Assim, quando o choro de Joshua tornou a acordá-la, ela soltou um gemido.

Preocupada com o bebê, obrigou-se a abrir os olhos e descobriu que já era de manhã. Ergueu a cabeça do travesseiro, olhando para o relógio na mesa de cabeceira. Eram 9h!

Afastando as cobertas, saltou da cama e encaminhou-se depressa até o quarto do bebê.

— Bom dia — disse num tom musical, recusando-se a ficar cansada ou impaciente quando aquele bebê precisava tão desesperadamente de amor e compreensão.

— Temos algumas coisas a fazer, mas ainda não sei em que ordem. — Beijou a fronte dele e, então, verificou sua fralda. Vendo que precisava ser trocada, pegou uma fralda descartável da gaveta do trocador ao lado do berço.

— Apesar de toda a experiência com os meus sobrinhos, nunca fiquei com um bebê a noite inteira. Sempre que cuidava deles para as minhas irmãs, ia embora quando elas voltavam para casa.

Terminando de trocar a fralda, ergueu Joshua do trocador e deixou a suíte.

— O que significa que nunca segui a rotina da manhã. É o que estamos fazendo agora. Você precisa de uma mamadeira e provavelmente de um banho. E eu também tenho que tomar um banho.

Tendo dormido com uma camiseta folgada e uma velha calça de pijama, Bella não se sentiu desconfortável atravessando a mansão até a cozinha. Enquanto falava, viu que Joshua inclinava a cabeça como se tentasse entender, mas, na verdade, soube que estava começando a se acostumar com ela. Seu coração se compadeceu. O bebê precisava desesperadamente de alguém, mas não era aconselhável que se apegasse a ela. Dentro de algumas semanas, iria embora. Esperava que Edward não demorasse a se acostumar e a se envolver com o sobrinho.

Tornou a beijar Joshua com carinho.

— Acho melhor eu tomar banho primeiro para poder cuidar de você tranquilamente depois. Mas não posso deixá-lo e, portanto, vamos arranjar ajuda.

Abriu a porta da cozinha com o quadril.

Sue Black, a cozinheira de final de semana, estava sentada numa banqueta na ilha central.

— Bom dia, Sue.

A morena baixa e magra de meia-idade desceu da banqueta. Uniu as mãos com alegria e seus olhos verdes brilharam.

— Ah! Você está com o pequenino!

— Sim, mas preciso de ajuda.

Sue observou o cabelo despenteado e a camiseta amarrotada de Bella e meneou a cabeça.

— Sua mãe me explicou que todos devemos ajudar com o bebê e fazer qualquer coisa que você pedir. Quer que eu lhe dê a mamadeira enquanto você toma banho?

— Você faria isso? Ele vai estar ocupado tomando o leite e não vai chorar.

— Deixe comigo. — Sue estendeu os braços para pegar Joshua.

— Volto em 15 minutos. Vinte, no máximo.

— Leve o tempo que precisar. Criei um menino e uma menina e já tenho dois netos pequenos. Não me falta experiência.

— Obrigada.

Enquanto entregava o bebê à cozinheira, Bella viu uma imagem repentina de Joshua sendo criado pelas empregadas, recebendo seu beijo de boa-noite daquela que estivesse encarregada de colocá-lo para dormir naquela noite, e foi tomada por uma grande onda de tristeza.

Dizendo a si mesma para não pensar naqueles termos, deixou a cozinha e subiu a escadaria depressa, mas acabou colidindo com Edward no corredor principal de cima.

— Calma! — Ele segurou-a pelos ombros para ajudá-la a se equilibrar e afastá-la um pouco de si, mas não retirou as mãos de cima dela.

Mesmo numa manhã de sábado, ele surgia pela primeira vez de seus aposentos impecavelmente vestido com calça e camisa social, ao passo que ela ainda estava toda desarrumada, sentindo-se como a Gata Borralheira. Podia não estar limpando a casa para uma madrasta malvada, mas enquanto dividisse o mesmo espaço com Edward seria constantemente lembrada da diferença na posição social de ambos. Para piorar as coisas, o calor das mãos dele nos seus ombros passava pela camiseta fina até a pele e alastrava-se por seu corpo inteiro, desconcertando-a.

— Aonde vai com tanta pressa?

Bella respirou fundo para se recobrar e, com o máximo de calma que pôde, deu um passo atrás para se libertar daquelas mãos grandes e quentes.

— Joshua e eu tivemos uma noite longa. Acabamos de acordar. Eu o deixei com a sra. Black para poder tomar um banho e me vestir. — A contadora dentro dela, a parte que era sempre racional e capaz, não pôde deixar de explicar por que estava em tamanho desalinho. — É por isso que ainda estou... — Fez um gesto indicando a grande camiseta e a velha calça de pijama. — Com as minhas roupas de dormir.

— Certo. — Com uma palavra, ele conseguiu expressar que se sentia confuso e divertido com a explicação.

Bella quis morder a própria língua. Não precisava ficar dando explicações àquele homem. Era uma contadora com CPA, o título de Contador Público Certificado de seu país. Tinha 26 anos. Era uma profissional respeitada. Não era a Cinderela balbuciando diante do príncipe. E ele não era o Príncipe Encantado. O príncipe de que Bella se lembrava dos livros de histórias teria notado o fato de que ela e Joshua haviam tido uma noite difícil. Teria se preocupado. Edward deveria estar preocupado.

Ela prosseguiu, zangada por ele ter não ter percebido o óbvio.

— O bebê teve problemas para se adaptar.

A expressão nos olhos de Edward suavizou-se.

— Não duvido. Pobrezinho.

Muito bem. Solidariedade. Aquilo era bom. Ele não era totalmente indiferente.

— De qualquer modo, agora que está aqui, pode liberar Sue.

Edward franziu as sobrancelhas espessas com ar confuso.

— Liberar Sue?

— Pegue Joshua dela.

— Não posso. Tenho uma reunião informal de negócios no clube.

— Mas...

— Mas nada. Achei que tivéssemos conversado sobre isto ontem à noite. Foi por essa razão que contratei você.

Uma voz dentro de Bella disse-lhe para recuar. Tivera uma noite atribulada e dormira muito pouco, e obviamente Edward tinha planos. Planos que provavelmente haviam sido feitos com bastante antecedência, antes de ter ido buscar o bebê. Além do mais, pressioná- lo a passar tempo com Joshua não era sua função.

A voz oposta lhe disse que podia não ser da sua conta, mas Joshua era responsabilidade dele agora e ela não suportava pensar no bebê vivendo sem amor, sendo beijado pelas empregadas, ignorado por sua família.

Deu ouvidos à segunda voz.

— Sim, conversamos sobre isto ontem à noite, e pensei que você tivesse entendido que é o primeiro responsável por dar amor a Joshua.

Para sua perplexidade, ele olhou para o relógio de pulso como se o que ela tivesse dito não fosse importante.

— Podemos terminar esta conversa mais tarde?

Ela o encarou com incredulidade.

— Não! Em determinada altura...

Edwrad passou por ela.

— Estou atrasado. Conversaremos quando eu voltar para casa.

Sentando no banco de trás de seu carro, ele desejou não ter chamado o motorista. Bella o deixara tão zangado que queria bater uma porta. Agora, não podia.

Ela não se dava conta de como aquilo era difícil para ele? Não via quanta responsabilidade e trabalho já tinham sido colocados sobre seus ombros? Não entendia que ele tinha tanto a fazer que mal lhe sobrava tempo? E não possuía um pijama decente?

Enquanto o motorista fechava sua porta e ia se sentar ao volante, Edward começou a rir.

Bella era exasperante, persistente, mal-humorada — e tão atraente que quisera flertar com ela até vencer sua resistência. Mas também estava certa. Não importando o quanto estivesse ocupado, tinha um bebê a criar.

Precisava se envolver na vida de Joshua, mas, tão logo pensava em passar tempo com ele, gelava. Não tinha a menor ideia de como lidar com um bebê. Emmett sempre fora o mais forte, o mais inteligente. Aquele que deveria ter servido de exemplo para Joshua. Não parecia justo que o garotinho tivesse de se contentar com a segunda melhor opção. O cara que nem sequer sabia como segurá-lo direito no colo era aquele que lhe ensinaria sobre a vida.

Mas ele sabia que o mundo nem sempre era justo. Gostasse ou não, teria de ser pai mais do que apenas no nome.

Em vez de provocar Bella, flertar com ela ou brigar, o que deveria fazer era tirar proveito de sua experiência enquanto estivesse com ele e Joshua.