Harry meneou a cabeça. Um discurso corajoso para uma mulher tão pequena e que naquele momento estava vulnerável, pendurada em seu ombro. A Srta. Granger podia dizer o que quisesse, mas a verdade era que ela era uma mulher solteira, indefesa, praticamente sem dinheiro, e ele era um duque. As decisões cabiam a ele. O que restava de seu pensamento lógico – junto com o dedo latejante da mão direita – insistia que ela era um problema.
Com sua falta de visão, Harry dependia de um complexo mapa mental daquele lugar. O mapa incluía todos os aposentos, todas as escadas, todas as pedras dali. E não tinha lugar para fuinhas malucas nem mulheres tentadoras e perturbadoras. Ela precisava ir embora.
Mas naquele momento em que ele a tinha sob controle, com os seios pressionados contra suas costas e o traseiro docemente arredondado sendo comprimido por seu braço, outras partes do corpo dele – partes localizadas bem longe do cérebro – começavam a fazer sugestões perigosas.
O que significava que ela precisava mesmo ir embora. Mesmo antes de se machucar, ele não permitia que as mulheres se aproximassem. Ah, claro que ele levou muitas mulheres para a cama, mas ele sempre lhes pagou muito bem pelo conforto – com prazer, ouro ou as duas coisas – e então lhes disse adeus.
Harry nunca acordou do lado delas pela manhã. A primeira – e única – vez que ele tentou estabelecer um relacionamento mais duradouro não acabou bem. Ele foi parar ali, naquele castelo decrépito, cego e machucado. Mas então, uma parte dele – um canto melancólico e esquecido de sua alma – começou a adquirir uma consciência dolorosa de quão pequena a Srta. Granger era e quão sozinha ela estava. E que apesar de todas as suas palavras corajosas, ela tremia. Bom Deus, Granger. O que eu faço com você?
Ele não podia deixá-la ocupar o castelo. Qualquer tipo de acordo para que "compartilhassem" o lugar estava fora de questão. Mas, afinal, que tipo de pessoa era ele? Um bruto cruel, insensível, disposto a enxotar de casa, à noite, uma jovem indefesa? Harry não queria acreditar nisso. Não ainda. Ele não desistia de nada com facilidade. E isso incluía os poucos cacos que sobravam de sua alma ferida.
Ele baixou a Srta. Granger ao chão, recolocando-a de pé. O corpo dela deslizou pelo seu, como uma gota de chuva descendo pela superfície de uma pedra. Harry sabia que iria se arrepender das palavras que diria a seguir. Porque aquilo era a coisa certa a fazer, e se ele tinha aprendido uma coisa na vida, era que toda vez que fazia a coisa certa, ele pagava caro por isso mais tarde.
"Uma noite. Você pode ficar uma noite." Ele foi um tolo por gastar todo aquele tempo tentando discutir sobre a posse legal do patrimônio. O próprio castelo a convenceria a ir embora. Depois que passasse uma noite no Castelo Gostley, ela não conseguiria sair correndo dali tão rápido quanto gostaria. A Srta. Hermione Granger teria uma noite ruim...
Você pode ficar uma noite.
Mione sentiu vontade de gritar por sua vitória, mas preferiu se conter. Ela deu um passo para trás, alisando as saias e o cabelo. Seu rosto queimava, mas pelo menos o duque não podia ver que ela estava corada.
"Só uma noite", o duque repetiu. "E eu só sugiro isso porque suponho que uma noite neste lugar será suficiente para você."Uma vitória pequena, ela admitiu, mas era um começo. "Venha comigo, então. Vou levar você até um quarto. Mais tarde meu criado levará suas coisas."
Mione o seguiu através do salão principal e depois pela escada espiralada. A escadaria estreita a fez estremecer. Depois que o breu da noite tomasse conta daqueles corredores e escadas de pedra, aquele castelo iria parecer um mausoléu.
"Sem dúvida você deve querer o melhor quarto, já que parece acreditar que o castelo agora é seu."
A escada dava para um corredor comprido. Harry pareceu calcular os passos, andando decididamente até a metade da passagem. Ele não contava em voz alta, mas Mione percebeu que ele tomava as medidas mentalmente.
O domínio que ele tinha do lugar era espantoso. Finalmente ele parou e girou o corpo, olhando para ela.
"Aqui está. Espero que este sirva." Quando Mione olhou para dentro, ficou surpresa ao encontrar um quarto suntuosamente decorado. Uma cama de dossel imensa ocupava metade do ambiente.
Ela estava disposta sobre um estrado elevado e tinha pilares de mogno que chegavam quase ao teto. Era circundada por cortinas de veludo bordadas. Mas não havia muito mais do que aquilo – uma cadeira com assento afundado, alguns baús de viagem abandonados e uma penteadeira coberta de poeira. Uma galeria de janelas góticas em arco ocupava a parede em frente à porta, mas os vidros de quase todas estavam quebrados.
"Oh", ela disse, esforçando-se para assimilar o estado decrépito do quarto. "Minha nossa."
"Observe tudo muito bem", ele disse, irônico. "Veja todo o esplendor da sua suposta herança. Até eu me instalar aqui, há alguns meses, fazia décadas que ninguém residia neste lugar. Foi completamente saqueado. Restaram apenas alguns quartos mobiliados, todos em diferentes estados de ruína."
"Se esse é o caso, fico grata por estes móveis terem sobrevivido." Mione entrou no quarto. O chão era coberto por um carpete puído, que para ter durado tanto tempo, só podia ser muito bem feito. "Olhe só esta cama!"
"Grande o bastante para um duque e meia dúzia de mulheres. Faz um homem ter saudade da Idade Média."
"Não era uma cama para se dormir", ela lhe disse. "Quero dizer, não era para... isso. Aqui devia ser a câmara principal do castelo. Os lordes medievais conduziam seus negócios a partir de camas assim, do mesmo modo que os reis em seus tronos. Por isso é feita sobre uma plataforma e tem esse tamanho impressionante."
"Fascinante."
"Meu pai era especialista nesse tipo de coisa."Mione se aproximou da cama e examinou as cortinas. Ela fez uma careta."Parece que as traças fizeram um banquete com estas cortinas. Que pena."
"Pois é. E os ratos fizeram a festa com o colchão."
Ratos?! Mione deu um pulo para trás. Ela cobriu o rosto com as mãos e espiou por entre os dedos a cama rodeada por cortinas em farrapos. Sim, o colchão tinha sido eviscerado – seu forro de palha e crina puxado para fora e disposto como...
Ah, não! Aquelas coisas podiam ser ninhos. Olhando com bastante atenção, ela podia jurar que viu a palha podre se mover.
"Bola de Neve vai ficar feliz", ela se obrigou a dizer, forçando um sorriso. "E muito bem alimentada."
Um gemido quase inaudível assustou Mione.
"Que barulho é esse?"
"É provável que seja um dos fantasmas", ele deu de ombros.
"Fantasmas?"
"Este é um castelo fronteiriço, Srta. Granger. Se você sabe alguma coisa de castelos, deve saber o que isso significa."
"Eu sei."
O objetivo original do Castelo Gostley devia ter sido reprimir uma rebelião escocesa. Reprimir uma rebelião significava capturar rebeldes – e não para recebê-los como hóspedes. Não havia como saber quantas pessoas foram aprisionadas naquele castelo, ou mesmo torturadas e mortas, ao longo dos séculos.
E pelos próprios ancestrais do duque.
"Eu não acredito em fantasmas", ela disse.
"Passe uma noite aqui antes de afirmar isso." Ele fez uma careta de deboche. Noite. Logo anoiteceria... O estômago de Mione revirou quando ela pensou nisso. "Eu espero que você esteja satisfeita com suas acomodações." Ele apoiou um ombro na arcada.
Mas 'satisfeita' não deve ser bem a palavra.
A palavra seria algo como "horrorizada". A ideia de passar a noite naquele quarto macabro fez com que Mione se sentisse um filhotinho trêmulo e chorão. Mas ela não podia deixar isso transparecer. Afinal, era o que ele estava esperando.
Ele queria que Mione fugisse. O aposento teria que servir por aquela noite. Com ratos, traças e tudo. Ela se obrigou a mostrar um entusiasmo que não sentia.
"Estou certa de que este será um quarto encantador, com um pouco de trabalho e imaginação. As dimensões são majestosas. A cama só precisa de um colchão e cortinas novas." Ela caminhou até a fileira de janelas. "E a vista do pôr do sol é incrível."
"Para quem pode ver."
Mione franziu o cenho, lamentando seu comentário insensível.
"Eu poderia descrevê-lo para você."
"Não precisa. Já vi outros poentes."
"Mas você não viu este." A vista da janela era de tirar o fôlego. O céu nublado tinha se fragmentado em rolos cinza com rasgos de azul vibrante e coral. Daquele ponto era possível ver as muralhas do castelo em meio a brumas românticas que vinham flutuando desde o mar. "O sol está se pondo bem atrás da torre. Mas 'pondo' é a palavra errada para descrever... É uma palavra tranquila demais. O sol está lutando. Caindo como um guerreiro ensanguentado nos dentes de um enorme monstro de pedra."
Harry caminhou até ficar atrás dela.
"O sol já desapareceu?"
"Quase. Mais um raio dourado, enquanto ele mergulha no horizonte e..." Ela soltou um suspiro. "Pronto. Desapareceu."
"Existe uma regra sobre poentes neste castelo, Srta. Granger."
"Existe?"
"Sim." Ele a virou para que o encarasse. "E um homem e uma mulher parados neste exato lugar são obrigado a obedecê-la. Não têm escolha. Só existe uma coisa a ser feita."
"O que?" O pulso dela acelerou. Com certeza ele não estava falando em...
Ele abaixou a cabeça e falou em um sussurro sedutor.
"Abaixar."
Abaixar? Ela ainda olhava para ele, confusa, quando um barulho estranho chamou sua atenção. O som era como se muita roupa lavada e ainda molhada balançasse no varal durante uma ventania. Ela se afastou da janela.
Oh, Deus.
Diante dela, o imenso dossel da cama pareceu ganhar vida. Primeiro ele começou a vibrar, depois a ondular – como uma camada de mercúrio ao vento. Então partes dele começaram a se soltar, um por um, um seguindo o outro.
"Ah, não." Ela ficou rígida. "Não podem ser..."
Mas eram. Morcegos. Uma colônia de morcegos morava nas partes mais altas do dossel. Eles tinham começado a levantar voo um a um, depois em um pequeno bando... e, de repente, eram centenas de morcegos batendo asas ao mesmo tempo.
Ela se virou – bem a tempo de ver outra nuvem preta, fervilhante, descendo pela chaminé. Deviam ser milhares! E todos estavam voando diretamente para as janelas.
"Abaixe-se", ele ordenou. "Agora."
Como ela não reagiu de imediato, o duque a envolveu em seus braços e a puxou para o chão. Os morcegos invadiram o local em segundos, pululando acima deles em uma nuvem preta.
Mione baixou a cabeça e aceitou a proteção que ele oferecia. Ele encostou o queixo na cabeça dela, e Mione sentiu a barba por fazer raspando em seu couro cabeludo. O tempo todo o coração dele martelou forte e estável.
Mione agarrou a camisa do duque com as duas mãos, enterrando o rosto em seu peito, escutando o ritmo constante, até aquele ser o único som que ela conseguia ouvir. Nada de asas batendo, nada de guinchos. Apenas o tum-dum, tum-dum.
Enfim, ele levantou a cabeça e Mione fez o mesmo.
"Eu pensei que este era o melhor quarto", ela disse.
"Não há nada de errado com ele", Harry afirmou. "Eles foram embora. Não vão voltar até de manhã. Está seguro, agora."
Ah, aquilo não tinha nada de seguro. A noite tinha caído e Mione estava presa naquele castelo assombrado e infestado. Nos braços daquele duque torturante, intrigante e malicioso. Ela não sabia o que fazer com ele. Ela nem mesmo sabia o que fazer consigo mesma. Ela só conseguia tremer e gaguejar. Nenhuma ideia lhe parecia boa.
E então... ela sentiu algo arranhá-la de leve. Bem atrás da orelha.
Ela gritou.
Harry estava para soltá-la quando Mione se agarrou a ele com uma força repentina.
"Ajude-me", o sussurro dela foi trêmulo. Seu corpo também tremia.
"O que foi?", ele perguntou.
"M-m-morcego."
"Os m-m-morcegos já foram embora, Srta. Granger." Ele respondeu tentando controlar o riso.
"Não, não foram. Não foram. Tem um preso no meu cabelo."
"Não tem nada no seu cabelo. Esse é um conto da carochinha. Morcegos não ficam presos no cabelo das pessoas."
"Tem. Um. No. Meu. Cabelo." Ela pronunciou as sílabas uma a uma, levantando meio tom em cada palavra. Para então soltar um guincho frenético e estridente: "Tire isso daí!"
Com certeza, morcegos normalmente não ficam presos no cabelo das pessoas. Mas ele tinha esquecido que o cabelo dela não era normal. Aquela juba encaracolada podia aprisionar um coelho. Ou talvez um cavalo, até!
Harry teve receio, enquanto enfiava os dedos nos cachos densos dela, de que aquele cabelo pudesse aprisioná-lo. Era certo que sua curiosidade tinha sido capturada. Aqueles cachos deviam ser morenos. Ela soava a cabelos escuros, com aquela voz sensual. E a maioria das mulheres com cabelo crespo eram morenas.
E se o cabelo era escuro, provavelmente os olhos também eram. Sem que ele pudesse evitar, uma imagem surgiu em sua mente. Uma bela mulher de cabelos escuros, olhos castanhos penetrantes e lábios cheios e vermelhos.
"Pare de se mexer", ele disse. Isso serve para você também, ele disse para a agitação em sua virilha. Ele enfiou os dedos até as raízes, junto ao couro cabeludo, e separou as mechas. "Ele soltou?" Harry perguntou.
"Não", ela respondeu. "Continua aí. Eu estou sentindo."
Um tremor sacudiu o corpo dela.
"Estou percebendo como é. Você é uma mulher forte, independente, dona de um castelo. Até o momento em que aparece alguma coisa rastejante ou voadora. Então a coisa muda para 'Oh, céus! Oh, ajude-me!'"
Ela rosnou.
"É pequeno", Harry disse após encontrar o animal. "Não é maior que um passarinho. Está com muito mais medo de você do que você dele."
"Por que as pessoas sempre dizem isso?", Mione suspirou. "Não ajuda em nada."
"Eu diria para você se distrair olhando para o meu rosto, mas isso não iria ajudar. Da última vez eu fiz você desmaiar."
"Eu não desmaiei por causa do seu..."
Ele fez um som pedindo silêncio e desceu com os dedos separando o cabelo embaraçado. Harry não queria ouvir explicações nem desculpas da parte dela. Com a mão livre ele segurava o ombro de Mione, massageando-o com o polegar, procurando acalmá-la. Só para que ela ficasse parada, ele disse para si mesmo.
Não porque ele se importasse com ela. Harry queria que ela sentisse medo. Ele queria que ela fugisse daquele lugar e dele. Do mesmo modo que qualquer mulher jovem e sensata faria. Com certeza ele não a queria em seus braços, quente e vulnerável, com o coração batendo mais rápido do que as asas de um morcego. Ele sentiu o momento em que o morcego se soltou e saiu voando.
O animal tinha saído do cabelo dela, e aqueles cachos livres enchiam sua mão – macios, soltos e sensuais.
"Pronto", Harry disse. "Ele foi embora."
"Você sabia que isso ia acontecer", ela acusou. "O pôr do sol. Os morcegos."
Ele nem tentou mentir.
"Considere isso como troco pela fuinha."
"Ah, seu... seu..."
"Bastardo cruel?", ele sugeriu. "Tratante desalmado? Canalha? Vilão? Já fui chamado de tudo isso e ainda mais. Meu favorito é 'patife'. É uma bela palavra, 'patife'."
"Seu desgraçado mal-educado que eu importunei em uma tarde chuvosa e nunca mais incomodei!" Ela se afastou dele e se levantou. "Você pode ficar com todos os seus morcegos. Eu vou embora."
Sério? Ela já estava indo? Aquilo foi quase fácil demais. Harry a seguiu enquanto Mione saía do quarto, voltava pelo corredor e descia as escadas que levavam ao grande salão.
"Você não precisa ir embora neste momento", ele disse. "Espere pelo menos até meu criado voltar. Eu posso lhe dar um pouco de dinheiro e ele pode conseguir uma carruagem para você na vila."
"Eu não preciso de carruagem nem dinheiro. Vou andando."
"Andando?"
"Eu conheço algumas pessoas em Newcastle. Não pode ser tão longe."
"Oh, não é nada longe. Apenas... cerca de quarenta quilômetros."
Ela parou no meio do passo.
"Então vou ficar andando por um bom tempo. É melhor eu começar logo." Ele a seguiu em direção à entrada.
Andar até Newcastle coisa nenhuma. Que diabos ela estava pensando?! Talvez aqueles contos de fada com os quais cresceu tivessem afetado seus miolos. Como será que ela planejava atravessar pântanos e florestas? Usando cogumelos como guarda-chuva e deixando que animais silvestres amistosos a guiassem?
"Mas não pense que isto está encerrado", ela o alertou enquanto recolhia sua fuinha enjaulada e a valise. "Você tem razão. Eu tenho muitos amigos. Amigos influentes. Existem milhares de pessoas em toda a Inglaterra que adorariam ter a pequena Mione Grager como hóspede. Entre elas, com certeza, existem alguns advogados." Ele ouviu o farfalhar de papéis. "Então vou entrar em contato com o Sr... Blaylock e o Sr. Riggett e verei você no tribunal superior em três anos. Adeus, Alteza."
Quando Mione passou por ele, Harry esticou o braço e a segurou pelo cotovelo.
"Espere um pouco. O que você sabe de Blaylock e Riggett?"
"Os nomes deles estão na escritura. Eu lhe disse que trabalhava como secretária para o meu pai. Eu sei ler um documento legal. Agora, se fizer a gentileza de me soltar, vou lhe dar adeus." A mão dele apertou mais o braço dela.
"Não."
"Não?", ela repetiu.
"Não."
Harry manteve a mão firme no braço da Srta. Granger. Depois do que ela tinha acabado de dizer, ele não a deixaria ir a lugar nenhum. Não nessa noite.
"Estou confusa, Alteza. Você acabou de se esforçar bastante para me afugentar."
Sim, ele tinha se esforçado. Mas isso foi antes de ouvi-la pronunciar os nomes de seus advogados mais confiáveis. Blaylock e Riggett eram os homens que cuidavam de seus negócios há anos. Eles tinham o poder de cuidar de tudo em sua ausência. Mas eles nunca deveriam se desfazer de uma propriedade sem o conhecimento e a anuência dele.
Alguma coisa estava acontecendo. Harry não sabia o que era, mas ele sabia que não gostava disso.
"Seus esforços deram resultado, Alteza. Parabéns. Estou indo embora. Não tenho nenhum desejo de passar uma única noite naquele quarto horroroso."
"Você não vai embora."
Ela soltou uma risada que logo se tornou um soluço.
"Você está abrindo mão de sua pretensão à propriedade e entregando o castelo?"
"Não", ele disse. "E também não estou oferecendo hospedagem em minha casa."
"Então não consigo ver o que..."
"Estou lhe oferecendo um trabalho. Como minha secretária." Ela ficou paralisada quando recebeu esse anúncio.
Diabos. Harry também não gostava daquilo, mas com aqueles dois nomes – "Blaylock" e "Riggett" – ela deixou dolorosamente claro que Harry precisava de alguém para ler a correspondência para ele.
Harry tinha propriedades e responsabilidades. Se os seus procuradores estavam cuidando mal dos seus negócios durante sua ausência, milhares de pessoas seriam afetadas. Ele precisava desvendar o que estava acontecendo.
"Eu vou contratar você para ler a correspondência para mim", ele disse. "Eu sei que está longe de ser o arranjo ideal."
"Você tem razão. Não é."
"Sob circunstâncias normais, eu nunca confiaria essa tarefa a uma mulher. Mas o tempo é essencial e não há outra pessoa disponível por perto." Ele a ouviu inspirar lentamente. "Eu pretendo compensá-la muito bem", ele disse. "Cinquenta libras."
"Por ano?", ela perguntou.
"Por dia." Ela ficou sem fôlego. "Pense bem. Você tem inteligência, ainda que não saiba muito bem como empregá-la. É provável que a resposta para nossa pequena disputa patrimonial esteja em algum lugar dessa pilha de cartas. Depois que nós confirmarmos que o castelo ainda é meu, você terá dinheiro para ir a algum lugar."
Ele sentiu que ela amolecia. Ou talvez seus sentidos o estivessem enganando.
"Cem libras", ela retrucou.
"O quê?!"
"Eu quero cem libras por dia. Vou usá-las para arrumar o castelo depois que confirmarmos que ele é meu." A voz dela assumiu um tom modesto. "E quero que você diga por favor."
Ele deu um puxão no braço dela, trazendo-a para si. Mione trombou com o peito dele.
"Não seja boba", ele murmurou. "Você precisa de dinheiro. Nós dois precisamos de respostas. Esse acordo faz todo o sentido para ambos."
"Então solte o meu braço e peça com educação." Ele baixou a cabeça até sentir um cacho do cabelo dela em sua face. "Duzentas. Duzentas libras por dia é uma quantia muito boa."
"Dizer 'por favor' não vai lhe custar nada."
Ele ficou em silêncio, recusando-se a ceder. Se Mione iria se tornar sua empregada, ela precisava aprender que só ele daria ordens.
"Minha nossa", ela sussurrou. "Você tem tanto medo de pedir ajuda? Isso é tão assustador?"
"Não tenho medo de nada", ele retrucou.
"Eu ouço você dizer isso", ela colocou a mão no peito dele. "Mas essa coisa frenética no seu peito, que fica martelando, está me dizendo algo diferente."
Mocinha atrevida. Havia exatamente um motivo para seu coração estar martelando e não tinha nenhuma relação com falar "por favor". Tinha a ver com "sim" e "Deus, sim" e "mais forte, mais forte".
"Perdão." A voz familiar veio da entrada. "Parece que estou interrompendo."
Duncan.
Harry se chacoalhou.
"Não ouvi você entrar."
"Isso é óbvio, Alteza." Óbvio e preocupante. A prova do efeito que aquela mulher tinha sobre ele estava no fato de Harry não reparar que seu criado tinha voltado. "Eu nunca pensei que diria isso, Alteza, mas é estranhamente animador ver que está voltando aos seus modos devassos. Vou me manter longe esta noite."
"Não!", Mione se apressou a dizer. "Por favor, não nos entenda mal. Isto não tem nada de devassidão. Eu já estava in..."
"Duncan, esta é a Srta. Hermione Granger. Minha nova secretária. Amanhã nós vamos providenciar um lugar para ela ficar. Mas esta noite ela vai ficar aqui. Ela precisa de um quarto limpo e confortável, banho quente e um belo jantar." Ele apertou de leve o pulso dela antes de o soltar. "Não é isso mesmo?
Para me desculpar pela longaaa demora, postei logo dois capítulos! Juro que tento não demorar tanto mas agora que começou a faculdade... mas tenho que confessar que reviews ajudam muito a incentivar! Espero que tenham gostado, meus lindas, beijos e até a próxima
midnight: hahahaha pelo visto o Harry é um pouco difícil de se convecer, hein? Muitas águas irão rolar ainda, querida e espero que você continue acompanhando para descobrir! hahaha ~essa sou eu tentando ser malvada kkkkk. Espero que tenha gostado da atualização, flor. Bjoos :D
mel itaik: Heiii flor, fiquei muito muito muito feliz em saber que estas gostando e espero sinceramente que continue assim, espero que esse capítulo tenha correspondido as suas expectativas, me diz o que você achou :D ate mais, querida!
.790: duques sendo sexy são o meu tipo favorito, aonde arrumo um? kkkkkkk espero que tenha gostado da atualização :) Beijos e ate a próxima, flor
KatsumiHope: Fico muito feliz em sabe que estas gostando - e ainda mais por você não gostar de histórias de época e ter gostado dessa :D Muito muito obrigado e espero sinceramente que continue gostando, flor. Beijoos
