Naruto não me pertence.

Essa fanfic é uma adaptação do livro Mestre do prazer de Penny Jordan publicado pela editora Harlequim.

Essa adaptação não tem fins lucrativos

Capitulo 4

No final todos comeram peixe juntos na mesa da cozinha. Não que Hinata conseguisse comer direito. Embora tivesse se sentado num lugar em que não visse Naruto, ainda estava consciente da presença dele. Se ele insistira em comer com eles apenas para atormentá-la, alcançara êxito.

Ainda podia se lembrar da primeira refeição feita juntos. Tinha sido a bordo do iate, onde a levara depois de tê-la encontrado em Saint Tropez. Na época, não tivera problema em comer. Não fazia uma refeição decente havia dias, e estava faminta. Ele tinha levantado ligeiramente as sobrancelhas quando ela limpou o prato em segundos, olhando do prato para o rosto dela e depois para o corpo. Ela achava que tinha sido esperta. Ela o tinha espiado a semana toda, fantasiando, alimentando sonhos idiotas que consistiam na história implausível de Cinderela e final feliz, como só uma jovem de 17 anos, desesperadamente carente de amor, poderia alimentar. Ela o havia visto na praia e, ingênua, imaginara ser empregado de um dos enormes iates ancorados no cais. Como ele andava de jeans e camiseta, não lhe ocorrera que ele podia ser dono de um deles. Ele era o tipo de homem com quem uma garota como ela sonhava: alto, loiro e incrivelmente bonito, o tipo de homem que tinha tudo para deixar uma garota com a cabeça nas nuvens, e fazê-la segui-lo. A verdade é que havia fantasiado estar apaixonada por ele antes mesmo de conhecê-lo. E ela estava muito desesperada por amor. A mãe morrera no parto e o pai tinha sido aconselhado a dá-la para adoção. Tinha 4 anos quando ele voltou a se casar, e embora ele e a nova esposa tivessem tentado acomodá-la em suas vidas, sua imensa necessidade de amor a levara a enfrentar problemas – principalmente quando a madrasta ficou grávida. Foi mandada para um abrigo, lá permanecendo até completar 16 anos, ansiando por amor, mas consciente de não ter como se encaixar em uma família normal. O serviço social a ajudou a encontrar um emprego e acomodação.

Os gentis donos da loja onde trabalhava ficaram constrangidos quando ela tentou fazer parte da família, querendo desesperadamente que eles ocupassem o lugar do pai e da mãe que nunca tivera. Foi enviada para um psicólogo e repreendida por sua "inapropriada tentativa de criar vínculos", mas de que adiantava acompanhamento psicológico quando tudo que queria era ser amada? As assistentes sociais encontraram um outro emprego para ela, dessa vez num supermercado, e quando ela e mais outras seis garotas ganharam um dinheiro na loteria decidiram tirar umas férias em Saint Tropez.

Uma dessas garotas, atraente e com 20 anos, fizera contato com o cafajeste "diretor de cinema" que sugerira usar as garotas em um dos filmes, alegando estar em Cannes para o Festival de Cinema. Isso gerou uma discussão acirrada entre as garotas que não queriam se envolver com o que chamavam de "mercado pornô nojento" e as outras, que queriam fama a qualquer preço.

Hinata foi pressionada por Ino, a loura turbinada, para compartilhar com ela a fama de estrela pornô. Enquanto as garotas discutiam entre si, mas Hinata estava ocupada sonhando com Naruto, imaginando uma vida de contos de fadas para os dois na qual ele ficaria de quatro por ela e viveriam felizes para sempre. Embora, é claro, ainda nem soubesse o nome dele.

Agora sabia que as fantasias que ela mesma criara, primeiro, fazer parte de uma família bem estruturada com pais amorosos e, depois, o desejo de Naruto se apaixonar por ela, tinham sido o jeito de dar a si mesma o amor que não recebera quando criança. Sonhando acordada, podia criar o mundo pelo qual sempre ansiara. Mas, na realidade, isso era impossível. Nenhum relacionamento real podia suportar o peso de suas expectativas. Na noite anterior à viagem de volta para a Inglaterra, Hinata viu a chance de despertar a atenção de Naruto. Que instinto autodestrutivo a levara a se encantar com um homem tão fraco emocionalmente quanto ela? O relacionamento deles estava fadado ao fracasso – se é que se podia usar a palavra "relacionamento" para descrever o que havia entre eles. Tinha sido um vício perigoso, uma compulsão sexual aliada a uma igualmente perigosa dependência emocional da parte dela e uma rejeição absoluta de intimidade emocional por parte dele.

Se tivesse, deliberadamente, pretendido isso, não podia ter encontrado alguém menos capaz de atender a suas expectativas. Uma pessoa mais esperta teria percebido. Mas tudo que vira fora a fantasia que criara. Naquela primeira noite, realmente acreditara que o elemento mais desafiador para conseguir realizar seu sonho tinha sido a coragem de se jogar na frente do carro dele com uma estudada imprudência, imitando as garotas mais experientes. Miraculosamente, funcionou. Planejara entrar no carro e dali seguir para a cama dele. Mas o que não sabia é que não teria acesso ao coração dele...

—Mamãe vamos voltar a praia?-Perguntou Boruto a tirando de suas lembranças

Boruto tinha terminado o almoço e estava louco para sair, trazendo Hinata de volta ao presente. Hoje deve ter sido o pior e mais longo dia de minha vida, refletiu cansada, mas concordou.

Várias horas depois. Os meninos estavam na cama, mas, exausta física e mentalmente, Hinata se sentia muito agitada para dormir. Precisava dormir.

—Espero que Shikadai não tenha dado trabalho.

Hinata deu um pulo de susto, essa era uma das habilidades do contador de sempre chegar de mansinho como um ninja.

—Me assustou-disse Hinata-Shikadai nunca dá trabalho, só quando se junta nas travessuras de Boruto.

— E só hoje foram quantas? – perguntou Shikamaru

—Duas travessuras apenas.

Shikamaru riu do comentário, conhecia Hinata a muito tempo e admitia que não havia concordado com o casamento a principio mas depois que entendeu os motivos de Jiraya, passou não apenas a ajudar Hinata, como também se tornaram grandes amigos.

— Desculpe por isso.

—Shikamaru, seu filho tem sido o apoio do meu filho desde a morte de Jiraya. –Hinata encarava a porta do quarto onde o filho dormia.- Eu só tenho a agradecer.

—Hinata, mesmo assim, se estiver difícil aqui depois que ele chegou eu...

—Shikamaru, não se preocupe a vinda de Naruto não vai impactar a estadia do Shikadai.

—Eu realmente não sabia, foi a única coisa que ele não falou pra mim.

Hinata acreditava, conseguia ver nos olhos de Shikamaru a sinceridade daquela afirmação, Jiraya realmente agiu pelas costas de todas escolhendo Naruto como tutor de Boruto. Mas ela já havia aceitando isso, se teria que conviver com ele, não iria deixar a presença de Naruto impactar o verão do filho.

—Eu tenho que voltar a cidade, para resolver algumas pendências da transferência de bens. Se precisar de mim Hinata...

—Eu ligarei para Temari e ela te achara em um minuto.

—Por favor não faça isso.

Hinata riu, conhecia a Temari e sabia que ela tinha um gênio bem difícil, chegava a ser engraçado ver a cara de Shikamaru quando fazia essa brincadeira.

—Eu te ligo, Shikamaru. Agora vá antes que fique muito tarde.

Hinata o observou, ir embora, e se sentiu por um instante sozinha demais. Shikamaru e Tsunade eram seus únicos companheiro ali, e devia confessar que não sabia o que seria dela se eles não a tivessem apoiado durante esses dias.

—Jiraya, como pode...-sussurou pra si mesma.

Naruto ainda se recusava a acreditar no que estava acontecendo. Ele estava ali, admitiu a caminho do banheiro para a cama, depois de acordar no escuro do quarto estranho tão desorientado entre o passado e o presente que antes que pudesse se impedir esticava a mão, esperando encontrar Hinata, a mão já preparada para segurar-lhe o seio quente e macio e esfregar a ponta do dedo no mamilo numa carícia que ela lhe dissera tantas vezes ser incapaz de resistir. Ele nunca conhecera uma mulher tão sensível a seu toque, que reagisse de forma tão incontrolável e imediata. Mas ele também não se lembrava de jamais ter se sentido tão cheio de energia. Havia vezes em que o desejo por ela o levara a analisar a possibilidade de dispensar a tripulação do iate e ele mesmo pilotá-lo só para poder possuí-la quando e onde quisesse.

A princípio, ela havia hesitado quando ele sugeriu que ela usasse uma de suas camisas por cima de uma roupa de banho sensual que comprara para ela em vez de usar a saída de praia. Mas quando ele lhe disse, explicitamente, que a queria nua e pronta para ele por baixo daquela camisa, o olhar tinha sido de pura excitação, não de recusa. Naruto não era o tipo de se excitar com outros presenciando sua intimidade – pelo contrário, – mas precisava saber que ela estava ali e que podia se servir da doçura de todos os frutos sem obstáculo. Diferente de sua juventude, quando as necessidades básicas da vida lhe eram negadas. Adorava saber que bastava enfiar a mão por baixo da camisa e subi-la pela coxa para que ela ficasse ruborizada.

Muito antes de os dedos separarem os lábios de seu sexo ela já se debruçava sobre ele, os olhos fechados, o corpo tremendo violentamente. Houve vezes em que lhe dava mais satisfação vê-la atingir o orgasmo com o toque de seus dedos e saber que ela era escrava do desejo que sentia por ele do que sentir o próprio corpo alcançando o clímax dentro dela. Algumas vezes. Mas a própria carne não conseguia se conter sem sentir os músculos firmes quando ele a penetrava, quando se acariciavam e ela o impelia mais fundo, tão fundo que, às vezes, o ato de possuí-la dava a sensação de que ela fazia parte dele.

Naruto franziu a testa: a maciez da carne de Hinata não estava ao alcance das mãos. Debaixo da mão a cama era fria e vazia. De repente, estava desperto e ainda mais consciente. Maldisse a si mesmo e o rosto ficou vermelho de uma irada determinação. O orgulho não ficaria satisfeito até levar Hinata a implorar-lhe que a possuísse, quando nada mais importasse exceto ser possuída, quando seria ele quem a abandonaria. Há anos não acordava de noite. Só podia ser porque seu subconsciente sentia que ele estava próximo de puni-la pelo que lhe fizera. Só isso. Nada mais. Como podia haver algo mais?

Ele foi para o meio da cama e, decidido, fechou os olhos. Só quando seu orgulho fosse satisfeito seria capaz de encarregar-se da responsabilidade perante o filho de Jiraya e protegê-los do mal que ter Hinata como mãe poderia lhes causar.

Um caminho conduzia da casa até a praia. Parou no alto e viu Hinata e o filho caminhando à beira d'água. Eles ainda não o tinham visto, dando-lhe a oportunidade de analisá-los. O sol matinal aquecia a areia e brilhava no mar.

De vez em quando Hinata ou Boruto parava e pegava uma concha ou um seixo. Hinata parecia uma menina, não uma mulher, de camiseta com um binóculo pendurado no pescoço, bermuda jeans e rabo-de-cavalo. Podia ouvir o som da conversa, mas não as palavras. Ocasionalmente, risadas indicavam estarem se divertindo. Hinata olhou o mar e disse algo ao filho, levando o binóculo aos olhos e depois se agachando ao lado dele.

Naruto protegeu os olhos com a mão e olhou o mar. A distância, pôde vislumbrar um pequeno grupo de golfinhos. Hinata sempre se sentira atraída por esses animais. Boruto devolveu a Hinata os binóculos. Ela lhe deu um beijo no topo da cabeça.

Sentiu uma cólica, uma dor familiar que de repente transformou-se num espasmo dolorido. Quando criança, nunca sentira o carinho de um abraço maternal, mesmo que não fosse da mãe. Só o desprezo do avô que o tolerava por não ter escolha.

Na praia, Hinata deu um último abraço no filho e o soltou. Essas caminhadas matinais faziam parte do ritual de férias, hoje ainda mais agradável, graças a terem avistado os golfinhos. Essa era a única atividade que Shikadai não participava.

Não sou muito de acordar cedo Tia Hinata.

Hinata riu do comentário, pois sabia que isso o garoto puxara do pai. Lembrando que o mesmo só foi a noite para a cidade para evitar ter que acordar cedo.

Estava se levantando quando o filho gritou:

— Olha o primo Naruto! — e correu pela areia, saltando em cima dele. Não havia motivos para preocupação: o filho não fazia objeção à presença dele em sua vida. Boruto ainda estava agarrado a Naruto, os rostos levantados enquanto falavam sem parar, contando sobre a caminhada e a excitação de ter visto os golfinhos.

— Vou escrever no meu livro da vida que vi os golfinhos

—Você podia primeiro fazer pesquisas sobre eles — sugeriu hinata. — Talvez eu encontre algumas fotos na Internet para vocês colarem nos livros da vida.

— Eu já escrevi no também que Naruto vai ser nosso tutor — disse Boruto a Hinata. — Talvez eu coloque uma foto dele no meu diário também.

— O que é um livro da vida? — perguntou Naruto.

— É uma espécie de diário — respondeu Hinata com frieza. — Ele mantém um desde que aprendeu a escrever. Anota as boas lembranças...

— E quando fico triste também, como quando papai morreu — disse Boruto.

— Mãe posso ir até aquelas pedras? Quero ver se consigo ver algumas tartarugas, Shikadai disse que tinhas algumas ali ontem. Depois vou pro hotel, acordar o preguiçoso e tomar café. Tudo bem?

—Claro, Mas tome cuidado.

Aparentemente, Hinata era tudo que uma boa mãe devia ser, reconheceu Naruto. Envolvida com o filho, preocupada, protetora, mas ao mesmo tempo encorajando-o à independência. Aparentemente. Mas a verdade é que era uma boa atriz, representando seu papel tão bem que dava a impressão de ser real. Ele sabia.

Com a partida do filho, Hinata manteve distância dele. O corpo inteiro estava tenso, como se a respiração estivesse constantemente presa e os músculos contraídos. Mal tinha dormido nas últimas três noites, desde a chegada de Naruto, e sabia que o sistema nervoso estava afetado pelo medo.

Depois de um tempo viu Boruto correr, louco pelo café-da-manhã. Automaticamente, acelerou o passo, para que pudesse alcançá-lo, deliberadamente mantendo o olhar focado no filho quando passou por Naruto.

— Está perdendo seu tempo, sabia? Não pode me enganar. Conheço você bem demais. Sei o que a motiva, o que a excita.

A afirmação em voz baixa só podia ser ouvida por ela. O coração começou a palpitar em ritmo irregular, pesado. Como ele sabia o efeito sexual que lhe causava? Nem mesmo a alegria do passeio na praia com o filho tivera o poder de apaziguar o palpitar de desejo. Como era possível sentir-se assim? Acreditava, de fato, que depois de enfrentar as longas semanas após deixá-lo, sentindo-se muito mal de saudade tanto física quanto emocional e sendo cuidada por Jiraya como se fosse uma inválida, como se tivesse retirado Naruto de sua vida para sempre. Mas e se estivesse enganada? E se, como uma viciada em drogas ou álcool, não pudesse nunca se libertar do vício? Estava livre disso, disse a si mesma. Tinha aprendido a diferença entre a natureza destrutiva de uma ligação física e emocional doentia, como seu relacionamento com Naruto, e a que constituía um relacionamento saudável. E ela ainda o desejava fisicamente? Não!

— Você pode achar que me conhece, Naruto — retorquiu, tão calma quanto possível. — Mas a menina que conheceu não existe mais. Jiraya me deu...

— Jiraya lhe deu o quê? — Ela recuou ao ouvir o tom da voz. — Prazer sexual? Ele a fez gemer de prazer ao tocá-la com as mãos velhas, quando a penetrava com a carne murcha,Hinata? Ou você fechava os olhos e pensava no dinheiro e na aliança no dedo? Foi isso que ele lhe deu?

Em seguida, os dedos seguraram-lhe a cintura e ele a puxou para perto, uma das mãos imediatamente prendendo-lhe os punhos nas costas enquanto a outra agarrava seus cabelos, segurando-a para que ela não pudesse virar a cabeça e evitar o beijo.

Boruto tinha desaparecido dentro da casa e o som ritmado das ondas misturou-se à batida do próprio sangue correndo nas veias. Foi invadida pelo perfume familiar da pele de Naruto: a potente masculinidade, a forma como o próprio corpo instantaneamente recebeu a perna dele entre as suas, a sensação dos seios intumescidos quando a língua dele roçou a sua numa dança lenta e erótica que demoliu suas defesas. Seu corpo já antecipando o toque da mão. O desejo a consumindo tinha se tornado avassalador. Uma gaivota cruzou o céu e imediatamente Naruto a soltou.

— Você pode achar que pode me enganar agindo como uma viúva devotada, mas não pode. Sei que está fingindo. — A respiração dele era pesada, o peito subindo e descendo enquanto falava.

Ela notou o movimento enquanto lutava por entender o que acabara de ocorrer. Ela estava enjoada. Sentia náusea e uma culpa que a fazia desejar feri-lo, magoá-lo, como ele fizera. Levantou a cabeça e o fitou, os olhos escuros de emoção.

— Sabe de uma coisa, Naruto? — perguntou agitada. — Sinto pena de você. Você se acha muito forte, mas na verdade me causa lástima. Não compreende ser possível uma pessoa mudar porque você não pode mudar. Não compreende ser possível existir amor e respeito num relacionamento porque você nunca vivenciou isso. Tudo que pode fazer é refletir como um espelho a dor de sua infância. Graças a Jiraya, aprendi a ser emocionalmente saudável. Foi esse o presente que me deu e o presente mais precioso que tenho a dar a meu filho. Eu mudei. Não sou mais a garota que conheceu.

Mantendo a cabeça elevada, passou por ele e entrou na casa. Naruto podia sentir a raiva explodindo, a fúria o tomando. Então, Hinata tinha pena dele, não é? Bem, muito em breve ia se dar conta que podia guardar sua preciosa pena para si mesma – porque ia precisar dela. Podia sentir o tumulto das emoções o consumindo. Como ousava? Uma mulher que vivera como ela, acusá-lo de causar lástima? E quanto a ter mudado – era impossível.

Mas por algum motivo uma imagem tinha se alojado em sua mente e se recusava a ser apagada: a da maneira como abraçava o filho quando admiravam os golfinhos. Não importa o que tivesse sido, mas hoje era uma mulher com um filho a quem amava com uma intensidade que ele quase podia sentir e ver. Mas se aceitasse estar julgando-a erroneamente, a que isso o levaria? À dor? Ao arrependimento? A admissão de que perdera algo insubstituível, infinitamente precioso? Isso não podia acontecer. Não importavam as evidências, precisava prosseguir acreditando que ela não era confiável, que estava representando.

Não podia esquecer que ela se envolvera com outro homem antes dele, com outros homens, dizendo abertamente que preferia o que ele tinha a lhe oferecer. E o havia abandonado pela mesma razão. Ele devia isso a Jiraya e ao garoto: estar ali no dia em que ela decidisse mudar novamente e trocar o amor por eles por um novo amor.

Não importa o que dissesse, não podia confiar nela. Em breve, ela ia começar a procurar outro homem rico e tolo para ocupar o papel de Jiraya em sua vida. Podia agir como mãe devotada o quanto quisesse, mas isso não ia alterar o fato de que ela colocara o filho num colégio interno para atender às suas necessidades, para poder viajar para Nova York.

Como podia ser a mãe amorosa que representava com tanto sucesso e ter agido assim? Principalmente quando o pai dele estava morrendo e ele devia precisar dela mais do que nunca? Não era possível.

Duas horas mais tarde, Naruto afastou-se do computador e olhou pela janela da suíte principal, que usava como escritório. As exigências dos negócios eram tamanhas que não deveria dar espaço para que pensamentos a respeito de Hinata emergissem, mas, de alguma forma, isso aconteceria. Apesar da pretensa raiva e desprezo, ele sentia a resposta inconfundível do corpo.

Será que tivera amantes durante o casamento? Essa sensação, com certeza, não era de dor. Era simplesmente raiva. Quando Hinata o abandonara, ele se recusava a pensar nela ou no que ela podia estar fazendo, mas agora, morando sob o mesmo teto, privando de sua presença física, isso não era possível. A presença enchia a casa, e mesmo quando não estava visível, podia senti-la por perto. Voltou a atenção para o computador. Vários e-mails tinham chegado, incluindo um de seu advogado em Florença, instruído para achar um professor capaz de avaliar os pontos fracos e fortes de Boruto para que ele pudesse tomar uma decisão quanto ao futuro dele.

Certamente, não ia permitir a Hinata enviá-los para um internato. O outro e-mail, de um arquiteto, capaz de transformar o hotel em residência. Ele possuía propriedades espalhadas pelo mundo, mas nem elas nem o iate eram o ambiente adequado para um garoto de 9 anos. Rapidamente leu os e-mails e instruiu o advogado para mandar os dois homens no topo da lista voarem para a Sardenha para serem entrevistados.

Hinata, é óbvio, não aprovaria seus planos. Sem dúvida, ia preferir viver à custa dele no tipo de lugar que mais apreciava: um ambiente com lojas de grife e restaurantes sofisticados. Provavelmente, acreditava estar no controle por ele ter lhe permitido permanecer na Sardenha sendo bancada por sua fortuna, e que ele continuaria a fazê-lo. Mas não havia a menor chance de bancar seu estilo de vida. Mesmo que fosse, sem sombra de dúvida, a melhor cama que ele tivera. A melhor de todas. Tão boa que nenhuma chegara perto da intensidade da química sexual que compartilharam. Não que ele tivesse originalmente planejado fazer sexo com ela na noite em que a pegou. Mas ela deixara evidente estar disposta. E ao dar uma rápida olhada em seus braços bronzeados verificara que, ao contrário de tantas das garotas que perambulavam em lugares como Saint Tropez, na alta estação, a pele não revelava marcas de agulhadas. E não parecia ter bebido. Então a levara para o iate, observando com cinismo sua surpresa e excitação, exclamando sem fôlego:

Você quer dizer que é seu? — Como se não fosse essa a razão pela qual ele tinha sido o alvo. Em geral, ele não saía com garotas como ela: bonitas, vulgares, disponíveis, garotas descartáveis, dispensadas pelos homens que freqüentavam o lugar. As mulheres com quem dormia eram mais velhas e profissionais – mais experientes também. Mas ela pulara no carro e, sem pretender, acabara por convidá-la a embarcar no iate. O sorriso tinha iluminado o rosto dela, que, sem dúvida, ouvira que homens gostavam de mulheres fogosas ou agradecidas, e decidira ser as duas coisas.

Então, o que você está fazendo em Saint Tropez? — perguntou a ela. Não que não soubesse, é claro.

Vim com umas amigas.

Mentalmente substituiu a palavra "amigas" por "homens", mas fez uma pergunta inocente:

Não vão se preocupar por não saber onde você está?

Acho que não — respondeu de pronto. — Não são exatamente amigas. São conhecidas.

Como o diretor de cinema? — sugeriu. Percebeu de imediato que ela não ficou à vontade com a pergunta. Brincou com a alça da bolsa e recusou-se a olhá-lo.

Ele agora não tem importância.

Agora, por quê? Porque ela achava ter encontrado um negócio melhor?

Mas ele vai querer saber onde você está — insistiu.

Eu disse que não estava interessada.

O brilho em seus olhos quando ela levantou a cabeça provou que ela estava interessada nele. Ele se levantou, pronto a chamar um dos membros da tripulação do iate para desembarcá-la. Estava aborrecido em Saint Tropez e já avisara o capitão que partiriam de manhã para a Itália, para a costa amalfitana. Mas, em vez disso, e para sua surpresa, ele se pegou perguntando se ela queria comer alguma coisa. Ela comeu rápido, esfomeada, mas não quis o champanhe. Quando terminou, ele perguntou se ela queria "se refrescar". Ela franziu a testa, mostrando-se confusa, antes de dizer, sem fôlego:

Ah, você quer dizer que vai para a cama comigo?

Ela dissera isso? Sua falta de tato quase o fez mudar de idéia. Estava acostumado com mulheres sofisticadas o suficiente para compreender as regras do jogo. Por outro lado, elas não o teriam olhado como ela, demonstrando encantamento e expectativa. Sem dúvida, pois ela estava pensando no dinheiro que iria ganhar, riu de si mesmo. Na suíte principal do iate, encostado na porta, observou Hinata parada, deslumbrada com o luxo que a rodeava.

Não posso acreditar que isso seja um barco — exclamou.

Não é — ele a corrigiu com indiferença. — Não é um barco, é um iate. E o banheiro é por ali.

Quando ela começou a andar para a porta por ele indicada, ainda segurando a pesada cesta de palha, ele disse, impaciente:

Pode deixar a bolsa aqui.

Meu passaporte e meu bilhete de avião estão dentro.

Bem, vão estar seguros aqui.

Ela colocou a cesta em uma das cadeiras de espaldar alto de seda; a pobreza da cesta contrastando com o luxo da cadeira. Ele lhe deu alguns minutos antes de segui-la no banheiro. Ela estava no chuveiro, de costas para ele. Era magra, mas de corpo esguio, cintura fina, quadris arredondados, pernas finas e compridas. Ela havia lavado a cabeça, a água fazendo com que seus cabelos ficassem mais escuros, suavizando as mechas louras. Os cabelos caíam-lhe nas costas e o sabonete escorria pelo corpo nu, acariciando a perfeita maciez da pele. E, então, ela se virou e o viu, e o leve desejo que crescia ao olhá-la pela primeira vez tornou-se intenso.

Ele mal se lembrava de ter tirado as roupas e entrado no chuveiro com ela, mas se lembrava da pele molhada em suas mãos. Também do que lhe despertara vê-la estremecer de prazer quando ele segurou-lhe os seios e brincou devagar com os mamilos eretos. Ela não tinha se revelado imediatamente, deixando-o sentir e ouvir a crescente excitação de um jeito único, sensual. Primeiro, não a beijara. Raramente beijava as amantes na boca, a não ser que elas pedissem. Ele preferia os estímulos táteis e visuais.

Observar as reações no rosto de Hinata, enquanto ele apertava e acariciava seu corpo nu tinha sido excitante. Não apenas o rosto, mas o corpo inteiro revelava como ela se entregava. Primeiro, ele se perguntou se ela estaria fingindo, mas sabia que os tremores não podiam ser falsos. Mas o que finalmente abalara seu controle tinha sido o jeito como ela estremecera, quando ele deslizou a mão dos quadris e massageou com os dedos sua parte mais íntima, demonstrando estar à beira do orgasmo. E ele a beijou.

Levado a isso por algo incapaz de ignorar. Um beijo apaixonado, possessivo, demorado, enquanto ela estremecia e se encostava nele. Ele se lembrava de ter levado as mãos dela para seu corpo, dizendo, áspero:

Agora é minha vez.

Ela o olhara com olhos turvos, apavorados, até começar a ensaboar-lhe o peito com mãos trêmulas. Quando a água do chuveiro tinha feito escorrer a espuma, ela o surpreendeu, colando-se a ele e beijando-lhe o pescoço, as mãos ensaboando mais embaixo, causando-lhe uma contração de excitação no estômago. O que não tinha previsto, entretanto, foi o suave toque dos lábios no mamilo. Só de pensar nisso, o corpo inteiro se retesava.

Eu é quem deveria estar fazendo isso em você. — Ele segurou-lhe o rosto. Ela nada respondera, simplesmente ajoelhando-se à sua frente e cuidadosamente colocando o sexo dele na boca, o gesto transpassando-o com o mais intenso prazer do mundo. Ele não compreendera o motivo que a levara a deixá-lo enlouquecido de prazer, e ainda não compreendia. Algo no suave toque dos lábios, na forma como ela o envolvera e o olhara, o levara a um diferente nível de excitação. Ele a levantara e a carregara para a cama, e antes que a água tivesse secado na pele dela, já a fizera atingir o orgasmo com o toque da mão, retardando seu próprio prazer para contemplar o dela.