Harry Potter™, personagens e lugares, não me pertencem.
CÁRCERE
Capítulo I
Adentrou o cômodo desacompanhado da habitual bandeja. Agitava um livro com uma das mãos e dizia a ela, sorrindo:
- Consegui!
Qual fora a última vez que dera um sorriso tão sincero? Sequer lembrava-se. Se é que já o fizera. Ela sentou-se, visivelmente amimada, mordendo o lábio inferior, revelando apreensão.
- Mesmo?
Ele balançou a cabeça em tom afirmativo e ela sorriu. O loiro acomodou-se ao seu lado e a grifinória não demonstrou espanto. As visitas se prolongavam gradativamente e o verde e o vermelho passavam a coexistir de maneira harmoniosa. Mostrou-lhe os papéis que trazia e pôde ver os olhos da menina brilharem.
- É do nível mais difícil? - Perguntou; ele assentiu. - Que demais! - Retirou o caderno de atividades das mãos dele para analisá-lo. - Como conseguiu?
- Eu tenho meus métodos. - Ergueu uma das sobrancelhas, sorrindo de canto. - Não somos exatamente proibidos de sair daqui. As restrições são para nossa própria segurança, mas sempre há um jeito de burlá-las.
- Qual é a sensação de entrar em contato com mundo lá fora de novo?
- A pior possível. - Respondeu, lacônico, para em seguida mudar o rumo da conversa. - Vamos tentar? - Indagou, apontando com a própria cabeça o caderno que ela segurava.
Ela concordou. Aprendera a reconhecer alguns sinais que ele emitia, ainda que sutis ou não intencionais. Londres provavelmente sucumbia à implacável guerra. Trouxas, sangue-ruins, sangue-puros, traidores, não importava. Eram vítimas, todos eles.
Draco caminhava pelos corredores vazios. Se os carcereiros já eram poucos quando o projeto teve início, agora eram tão raros que o sonserino chegava a cogitar se não era o único que restava. Hermione acordou, assustada, quando este invadiu a cela, com certo desespero.
- O que houve?
- Descobri!
- O que?!
- Soçobrar. O sinônimo de ruir é soçobrar!
- Tem razão. Lembro-me de já ter lido esta palavra.
- Você estava dormindo? - Questionou envergonhado, tomando pela primeira vez consciência da situação; ela concordou. - Me desculpe. Pode voltar a dormir.
Levantou-se para ir embora. Mas não o fez. As mãos quentes da garota de cabelos lanzudos o impediram.
- Fica. Eu tenho o dia todo para dormir.
- Certeza?
Ela assentiu. Ficou. Tomou para si o livro e passou a solucioná-lo, sempre consultando-na, como se sua vida dependesse da resolução do enigma. Tinha finalmente algo a que se dedicar.
Hermione fitava-o. Talvez estivesse a beira da insensatez, mas não mais o via como o menino mimado e preconceituoso que ele fora durante os seis anos de convívio escolar. Não. A personalidade complexa de Draco Malfoy desdobrava-se diante de seus olhos e sua presença era cada vez mais apreciada.
- Olha, acho que descobri essa outra palavra também. Você não vai acreditar. Acho que por ser tão fácil que não pensamos nela.
Ele riu. Ficava tão lindo sem aquela expressão pesada que costumava carregar, observou. Encontrou-a a encará-lo. Cinza no castanho. O contato visual quebrado apenas quando os olhos se fecharam, instintivamente, ao encontrar dos lábios. Quente no frio. As bocas abrindo-se e possibilitando um contato mais profundo. Amargo no doce. As línguas encostando-se, receosas. Uma antítese.
O sonserino afastou-se de repente. O que fizera?! Passou as mãos pelos cabelos platinados e levantou-se. Fora longe demais. Enlouquecera. Repetindo o gesto, deixou o recinto.
Hermione fechou os olhos e deitou-se. Era uma sangue-ruim e não havia palavras-cruzadas que mudassem esse fato. O puro e o sujo jamais se uniriam.
Espero que estejam gostando da fic (e a única maneira de eu saber disso, é através dos comentários, portanto, comentem!). Obrigada por todo o carinho e pelos elogios. Beijos.
