... E o McGee...
"Então, você é uma profiler?"
"Especializada em Psicologia e Comportamento Psicopático."
Ah...
"Não falo disso em primeiros encontros."
"Por que não?"
"As pessoas reagem de uma forma estranha quando descobrem que estão falando com uma médica de doidos em potencial." Buchanan para McGee.
O silêncio que cobriu o escritório aos poucos foi sendo substituído pelo barulho de dedos nos teclados de computadores. A equipe do Gibbs fingia que estava trabalhando, ao mesmo tempo que olhavam de soslaio um para o outro tentando adivinhar o que se passava na cabeça do Chefe. O indivíduo em questão, depois de olhar feio para a nova agente por alguns segundos, se levantou e com um suave - Vou buscar café - deixou a sala a passos largos.
Tony imediatamente se levantou e começou a interrogar o seu colega.
- Tá bom, novato, pode falar.
- Agora não, Tony.
- Como foi que você conheceu a Senhora Bolas de Ferro, ein?
- O que você está escondendo, McGee? Ziva perguntou.
- Pessoal, por favor, eu...
- Vocês sabem que eu posso escutá-los, não?
Os três agentes se calam e andam para o outro lado da divisória para olhar a novata.
- Alguma pergunta?
- Sim, como você conheceu o McGee? Ziva toma a frente do interrogatório, deixando Tony pra trás.
- Tomamos uma bebida juntos.
- Ah, mas o McGee não bebe... muito. - Tony reclama, causando um pequeno sorriso para Buchanan.
- Eu disse que tomamos uma bebida juntos. Não que tomamos um porre.
- Verdade, novato?
- Sim. McGee imediatamente ficou vermelho, ficando todo ruborizado.
- Ah, novato. Essa estória deve ser muito boa... - Tony não ia perder a chance de ouro para zoar com o agente mais novo.
- Tive a impressão que o nome dele é McGee. - Buchanan o interrompe, observando a interação dos dois homens.
- Meu nome é McGee. Mas o Tony me chama de novato...
- Ou McGoo, McNerd, McGênio, McSono, ou... – Ziva completa.
- De hoje em diante, você somente o chamará por McGee.
- Por que eu faria isso? Ele não se importa, certo McGoo. – Tony fala com um sorrisinho maroto.
- Claro que eu me importo.
- McGee, - Buchanan chama.
- Sim.
- Não era pra você. – diz para McGee e volta-se para Tony – O nome dele é McGee.
- Qualé, estagiota, você não pode chegar e ficar se achando...
- Eu disse ... - Havia fúria em sua voz ao pronunciar bem devagar cada palavra, - o nome dele é McGEE!
- Por que eu deveria fazer isso, estagiária Buchanan?
- Vamos deixar uma coisa bem clara, - ela se levantou e o encarou friamente. – Zoou com o nome dele, vou zoar com o teu, DiNutzo. – Ela pronuncia o nome dele errado de propósito.
- Hey, o nome é DiNozzo.
- Ou poderíamos chamá-lo de DiDi, Dezão ou... o meu favorito, - com um olhar lascivo, igualzinho ao que ele tinha dado em cima dela apenas alguns minutos atrás, ela fixa seu olhar em suas partes íntimas – Dezinho...
- Pra sua informação, não há nada pequeno em...
- DiNozzo, - Ziva o interrompe, - informação demais!
- Tá, tá, já entendi.
Tony volta pra mesa resmungando sobre estagiários cheios de si.
Ziva olha para McGee e surpreende-se com o que vê: McGee está olhando surpreso para nova agente, o que imediatamente faz Ziva perceber que está é a primeira vez que qualquer pessoa saiu em defesa de McGee em muito muito tempo.
Antes, McGee olhava a nova agente como um homem olha para uma antiga amante. Agora, ele a olhava como se ela fosse um copo de água sendo oferecido a um homem sedento após dias no deserto.
Ah, mas isso vai ser muito interessante.
- Bem vinda à equipe, sou Ziva David.
- Shalom Ziva.
- Shalom, - Ziva não pode conter sua surpresa. Depois de trocar algumas saudações simples em hebraico, ela nota que Buchanan não hesita em responder. A pronúncia é ótima e Ziva faz questão de mencionar o fato.
- Você fala hebraico muito bem.
- Meu pai insistiu que deveríamos saber a língua na qual a Bíblia foi escrita – um sorriso sincero aparece em seu rosto – e também acabei passando um verão em um Kibbutz em Israel enquanto estava na faculdade.
- Mas... você não disse pro Gibbs que o seu pai era da Força Aérea? Um coronel, se não me engano. – disse McGee.
- Ele foi. Aposentou-se já faz um bom tempo. Aí ele virou capelão da Força Aérea na base em Glasgow, Montana. Quando a Base decidiu se mudar no final dos anos setenta, meu pai ficou. Agora ele atua como pastor auxiliar em uma pequena igreja batista.
- Ah... bem... seja bem vinda à equipe.
- Obrigada Ziva.
Ziva volta para sua mesa com um sorrisinho irônico para o Tony, que observa os dois estagiários com cautela.
- Então... McGee olha para os documentos nas mãos, depois pra ela.
- Puxa uma cadeira, McGee.
Buchanan senta-se e começa a carregar alguns gráficos e programas em seu laptop. McGee traz uma cadeira e senta do lado dela, entregando-lhe as fotos impressas da cena do crime.
- Então...
- Eh...
A gente realmente precisa parar de fazer essas pausas desconfortáveis, pensa McGee, engolindo a seco.
- Então, você é uma profiler?
- Especializada em Psicologia e Comportamento Psicótico.
- Ah...
- Não falo disso em primeiros encontros.
- Por que não?
- As pessoas reagem de uma forma estranha quando descobrem que estão falando com uma médica de doidos varridos em potencial.
McGee sorri pra ela.
- Mas isso na realidade explica muita coisa.
- Como o que?
- O truque com a bebida.
Eles se olham e nenhum dos dois está pensando em bebidas naquele momento. Ele sorri tímido e ela retribui, por apenas um segundo, antes de ficar séria de novo. Ele também pára de sorrir.
- Alguma vez você já trabalhou com um profiler?
- Por pouco tempo.
Ela o questiona com os olhos.
- Quando eu entrei pra equipe, tínhamos uma profiler. Ela tinha sido do Serviço Secreto. Mas morreu por um tiro de fuzil no meu primeiro ano aqui, morta por um psicopata. - McGee ainda sentia falta da Kate, e sua dor é facilmente notada em sua voz, mesmo depois de tantos anos.
Ziva e Tony param tudo o que estão fazendo e esperam a reação da nova agente. A morte de Kate tinha sido dolorosa e ambos estavam curiosos para saber qual seria a sua reação.
- Eu sinto muito. Mas era de se esperar.
- Como é que é?
McGee não conseguia esconder a incredulidade em sua voz. Buchanan então explica seu ponto de vista.
- Estatisticamente falando, profilers tendem a morrer 39% mais do que qualquer outra atividade em forças de segurança. Isso quando se compara os números de nós com os números por atividades exercidas por forças policiais e as mortes não naturais demograficamente.
McGee mal podia esconder o seu horror diante de tal notícia, - Por quê?
- McGee, - ela pausa e olha, realmente o olha, e naquele momento ele vê o mesmo ar de desolação que tinha notado no rosto dela três dias atrás quando ambos se conheceram no bar. – Você não pode fazer bungee jumping no abismo sem uma corda de segurança. O tipo de trabalho que se faz aqui, o tipo de análise que os profilers fazem... isso consome a mente e a alma de uma pessoa. Muito poucos agüentam a pressão. E a maioria de nós somos mortos pelos monstros que estamos caçando.
- Isso é horrível.
- É sim. Mas é a verdade.
Uma vez que ela volta sua atenção para as fotos, ele decide voltar pra mesa dele.
- Bem... se precisar de algo, é só avisar...
- Vocês têm um quadro de assassinatos?
- Quadro de... assassinatos?
- Sim, no escritório de NCIS LA tínhamos um quadro inteligente, touch screen, última geração, na qual se podia inserir informações, fazer pesquisas, etc...
- Ah sim... isso... – McGee quase baba lembrando a tecnologia do escritório de LA, e sua voz assume um tom sonhador – a tecnologia do escritório de LA é tudo de bom. Eu pedi uma tela daquelas, mas até agora ...
- Nada.
- Nada. Disseram que não cabia no orçamento deste ano. Talvez ano que vem.
- Certo... - ela olha de novo para as fotos em suas mãos, - tem algum lugar que eu possa espalhar estas fotos? Preciso de mais espaço para trabalhar.
- Eu acho que posso te ajudar nisso.
