Capítulo Três

Andava de um lado para o outro, ainda perturbado com a visita que havia recebido. Ele não conseguia imagina o que aquela mulher tinha na cabeça para lhe pedir aquilo. Em que mundo ele seria um garoto de programa? Isabella Swan possuía sérios problemas mentais.

Mas Edward não podia se iludir, ou muito menos deixar de pensar, o quão encantadora a moça é. Ele ainda se recordava da pele branca – que parecia ter a textura da mais suave de todas as pétalas de rosa –, ainda se recordava das pernas lisinhas e definidas que escapavam pela delicada e juvenil saia floral do vestido que ela usava. Ainda recordava-se dos cabelos castanho caindo pelos ombros nus em cachos largos. Lembrava-se da expressão facial que ela fazia. Lembrava-se dos lábios cor de cereja que ela tinha. Das bochechas levemente róseas e dos olhos expressivos e castanhos. Ele lembrava-se muito bem do cheiro doce e provocador que exalava dela. Sim, definitivamente Edward Cullen tinha uma boa memória em relação a pequena Swan.

Mas tudo nela o intrigava. Começando pelo fato de ela desejar pagá-lo para sair com ela. Quem, em sã consciência, faria algo assim? E porque justo ele? Seria algum truque? Provavelmente não… Isabella parecia inocente demais para arquitetar algum truque. Mas, caso fosse um truque, seria uma pena ter que acabar com ela depois.

Soltou um riso fraco, e lembrou-se da cara de espanto de Isabella ao ver uma de suas dançarinas de apresentando. Parou de andar, escutando o barulho de alguém bater em sua porta.

Ao contrário do dia em que recebera Isabella Swan, agora Edward Cullen não estava mais em uma das salas privadas da Freakshow, mas sim em sua sala presidencial, onde comandava os negócios. Murmurou um entre e um de seus funcionários entrou no quarto com uma expressão cansada.

- Aqui está tudo o que o senhor pediu, Sr Cullen.

Edward observou o grosso envelope marrom na mão do homem, e hesitou antes de pegá-lo. Não sabia o motivo de ter pedido tal coisa, mas agora que já estava feito…

- Você já pode se retirar – disse em um tom seco, assim que pegou o envelope.

Assim que estava sozinho novamente, Edward jogou o envelope em cima de sua enorme mesa de madeira. Ele havia escolhido a dedo a madeira, que veio diretamente de uma grande exportadora indiana. Caminhou até o outro da sala, onde começou a preparar sua bebida.

Já com a bebida em mãos, sentou-se e pegou o envelope após dar um gole no whisky. Abriu o envelope e sorriu ao ler as primeiras palavras: Isabella Swan.

Isabella tomou uma respiração profunda e procurou se concentrar antes de falar mais alguma coisa. Não queria parecer idiota, muito menos desesperada.

- Quem fala? – indagou.

- Edward Cullen.

É claro que ela já sabia muito bem quem estava falando. Havia reconhecido a voz no primeiro segundo. Ela esperou por cinco dias aquela ligação, e agora, quando ele finalmente ligava, Bella não sabia o que falar.

- Isabella? – indagou, provavelmente imaginando que ela havia desligado a ligação.

- Desculpe-me. Então, Edward, você já tem uma resposta para mim?

- Sim, Srta Swan. Mas, se não se importa, não é algo que gostaria de discutir por telefone. Além do mais, precisamos esclarecer algumas coisinhas antes.

- Certo. Deseja encontrar-me agora?

- Se possível. Ficaria honrado se você me fizesse companhia no Alain Ducasse no Plaza Athénée.

- Chegarei logo.

Bella finalizou a ligação, ainda meio atordoada e avisou ao motorista o novo destino. Respirou fundo algumas vezes e pegou o pequeno espelho na bolsa apenas para chegar se estava apresentável. Naquele momento ela se xingava por ter escolhido uma roupa que a deixava com cara de adolescente, e não de uma mulher.

O carro parou em frente ao fabuloso hotel Plaza Athénée e Isabella esperou até que o motorista viesse abrir a porta. Agradeceu com um sorriso e saiu do veiculo, parando em frente ao hotel, hesitando antes de entrar.

Olhou para o magnífico hotel a sua frente; a arquitetura peculiarmente francesa, remetendo ao luxo e à elegância. As pedras de granito fosco cobriam toda a estrutura do hotel, todas as janelas com um pequeno toldo vermelho e alguns detalhes esculpidos ao granito podiam ser visto, assim como as delicadas flores que decoravam as pequenas varandas. O toldo principal era maior, porém de vidro.

Com passos firmes, tornou a caminhar em direção ao hotel e um homem alto, usando o uniforme do hotel – que Bella julgou ser o porteiro – abriu a porta para que ela entrasse e ela sorriu levemente em agradecimento, enquanto caminhava em direção ao restaurante.

Com poucos passos chegou ao mesmo, e logo observou a mulher pálida, que estava parada logo na entrada, com um enorme sorriso no rosto. Aproximou-se da mesma e ela sorriu ainda mais.

- Posso ajudar a senhora? – indagou.

- Hm… sim. Tem uma pessoa me esperando no restaurante.

- Qual o sobrenome, por favor?

- Cullen – respondeu sem hesitar e se surpreendeu por isso. – Edward Cullen.

Agradeceu por não ter tido nenhuma reação constrangedora ao pronunciar o nome de Edward e acompanhou a hostees que a levava até a mesa que Edward estava. Surpreendeu-se novamente quando chegaram a parte aberta do restaurante e segurou um suspiro quando o viu sentado numa mesa mais ao fundo.

Bella agradeceu a hostees e disse que já havia encontrado a mesa. Não sabia o motivo, mas não queria que aquela mulher a acompanhasse até a mesa em que Edward se encontrava. Balançou a cabeça e continuou a andar.

Xingou-se mentalmente de novo, assim que Edward se levantou da mesa e ela pode observar o quão lindo ele estava usando aquele terno risca de giz cinza. Os cabelos estavam da forma tipicamente bagunçada que o deixava com aquela aparência extremamente sexy que só ele possuía. Os lábios entreabertos em um sorriso torto e presunçoso faziam com que Bella sentisse seu corpo dar uma leve estremecida. Recusou-se a olhar nos olhos dele, pois sabia que se fizesse isso, todo o autocontrole que havia estabelecido.

Ela não sabia ao certo o motivo de Edward causar tanto efeito sob ela… talvez fosse a forma como ele sorria torto e debochado; como se fosse o rei do mundo, ou então a forma como ele passava a mão pelos cabelos desgrenhados. Talvez fosse o olhar penetrante e hipnotizador que ele possuía. Quem sabe poderia ser também a maneira como ele falava baixo e rouco, deixando um tom misterioso e sedutor…

Respirou fundo mais uma vez, e aceitou quando Edward puxou a cadeira para que ela se sentasse. Esperou que ele voltasse ao seu lugar, para suspirar auditivamente.

- Devo dizer que adorei seu vestido – ele comentou casualmente, logo após alguns minutos em silêncio –, mas estou extremamente curioso sobre o que você usará no nosso próximo encontro.

Bella segurou a respiração por alguns segundos. Próximo encontro?

- Pro… - começou a contestar, mas foi impedida quando Edward fez sinal para que começassem a servir-los.

- Espero que não se importe, mas programei um cardápio especial para nós dois.

Isabella fechou a cara quando notou que Edward a havia ignorado completamente e bufou. Quem ele pensava que era? Mas não pôde negar para si mesma que a forma como ele parecia sempre estar no controle a deixava completamente… derretida.

O primeiro prato servido era composto apenas por alguns vegetais, e foi devorado em silêncio. Quando o prato principal chegou – uma maravilhosa lagosta ao vapor servida com caviar – Bella resolveu criar coragem e acabar com aquele silêncio, mas antes que pudesse pronunciar uma palavra, Edward falou:

- Espero que goste de vinho verde – sussurrou com a voz rouca e no segundo seguinte uma garrafa de vinho verde chegou, e a taça de Isabella fora preenchida. – Esse vinho é importado direto de Portugal.

- Eu adoro vinho verde – respondeu-o. – Obrigada. Agora, será que podemos ir direto ao que interessa?

- Está ansiosa? – murmurou, começando a degustar a lagosta. Isabella apenas bufou, irritada, e ele achou aquilo formidável. Soltou uma risada musical e tomou um gole do vinho. – Adoro a acidez desse vinho, você na adora?

Isabella bufou novamente.

- Veja bem, Isabella – começou e ela sentiu seu estômago revirar –, eu não sou um garoto de programa, ou algo do tipo. Para falar a verdade, a Freakshow é minha. Mas confesso que sua proposta me intrigou bastante. O que lhe fez pensar que eu seria um garoto de programa?

- Você é dono de um… puteiro? – sussurrou a última palavra com medo de que alguém a escutasse.

Ele sorriu ao ver a cara de espanto de Isabella, e tomou mais um gole do vinho antes de prosseguir.

- Eu prefiro que você use o termo cabaré. E sim, eu sou o dono de um. Como você pode ter percebido ao estar lá, apenas pessoas realmente importantes freqüentam minha Freakshow. E você não respondeu minha pergunta. O que a fez pensar que eu era um garoto de programa?

De repente o tom de Edward estava autoritário e Isabella sentiu um leve tremor percorrer sua espinha. Estranhamente ela estava se sentindo excitada com aquela arrogância e superioridade que o homem a sua frente carregava.

- Minha amiga Rosalie – respondeu automaticamente. – Eu estava farta do meu ex-noivo indo atrás de mim, e disse que estava a ponto de matá-lo, pois ele não saía do meu pé. Então Rosalie sugeriu que eu fingisse estar namorando alguém, sugeriu que eu fosse atrás de você.

- Eu não sou um garoto de programa, como pode ver.

- Certo. Você poderia ter dito isso por telefone, não precisava ter marcado um jantar… - disse, tentando não demonstrar o quão chateada havia ficado. Não que ela quisesse, de fato, que Edward fosse um garoto de programa, mas, sabendo que ele não era, anulava as chances que ela tinha de sair com ele.

- Mas isso não quer dizer que eu recusei sua proposta.

A única herdeira dos Swan ergueu as sobrancelhas em sinal de confusão. Mas se ele não era um garoto de programa…

- Você me deixa confusa – assumiu.

- De tantas maneiras que eu poderia deixá-la, você me diz que eu a deixo confusa? – indagou, fingindo um tom casual.

Bella engasgou com o vinho que tomava, mas procurou respirar fundo. Ele está apenas querendo irritá-la, disse a si mesma. Edward riu suavemente, sabendo que havia causado a reação certa no momento em que notou a coloração vermelha nas maçãs do rosto da morena a sua frente. Adorável.

- Eu a ajudarei a se livrar do seu ex-noivo – esclareceu. – Irei com você nos lugares e fingirei ser seu namorado, mas eu tenho algumas condições. Na verdade, eu tenho uma condição.

- E qual seria? – indagou receosa.

- Você também terá de me acompanhar. Levarei você nos meus eventos e você agirá como a perfeita e apaixonada namorada que é.

Bella parou por um momento, avaliando toda a situação. Edward era sarcástico, prepotente, adorava provocar, tinha uma voz que fazia com que Bella esquecesse seu nome por alguns minutos. Além de ter um maldito sorriso convencido no rosto e um corpo de dar inveja em qualquer homem – não que ela o tiveste visto nu, mas podia imaginar muitas coisas com ele usando aquele terno. – Aceitar esta proposta e posar de namorada dele, não podia ser algo tão ruim assim.

Bella sabia que aquilo podia não ser a coisa mais inteligente a se fazer, mas parecia ser a única saída. Além do mais, ela gostava de estar perto de Edward. As coisas que ele falava – mesmo que os dois tivessem tido apenas dois encontros –, a deixava fora de órbita. E por mais que ele a irritasse na maioria das vezes, aquilo parecia ser o certo ao se fazer. Mas ela não conseguia entender o motivo que levava Edward Cullen, um homem que parecia tão seguro de si e ter muitas garotas ao seu pé, a querer isso.

- Você sabe os motivos para eu estar precisando disso, mas e você, Edward, quais são seus motivos?

- Eu preciso de alguém que possa me acompanhar em alguns eventos sociais e não é do meu feitio pagar uma garota de programa. Eu não seria tão baixo em levar alguém desse tipo para o convívio da minha família. Além do mais, algo me diz que esse acordo poderia ser divertido.

Mas e se… balançou a cabeça e antes que pudesse pensar em se arrepender de algo, sorriu largamente para o homem sentado a sua frente e murmurou:

- Eu aceito.

Edward retribuiu o sorriso que Isabella lhe dera e fez sinal para o garçom trazer o champanhe que ele havia escolhido mais cedo. Alguns segundos depois, um homem alto serviu as taças e Edward fez sinal para que ele os deixasse a sós.

- Um brinde a nossa união – ele sorriu levantando a taça.

Ainda que nervosa e praticamente arrependida do que acabara de fazer, a jovem herdeira da família Swan levantou o braço direito em que segurava uma delicada taça de cristal cheia do champanhe que, provavelmente deveria ser o mais caro daquele restaurante, e brindou junto a Edward Cullen.

O sol daquela manhã de sábado fez com que feches dos raios solares invadissem o quarto de Isabella Swan, que acordou em seguida. Espreguiçou-se lentamente e fitou o teto creme de seu quarto. Ainda não acreditava que acabava de firmar um acordo com um homem que praticamente não conhecia, mas havia algo persuasivo em Edward Cullen, e Bella sabia muito bem disso.

Soltou um suspiro baixo e resolveu que era hora de levantar. Provavelmente Rosalie a mataria por não ter aparecido no encontro de ontem, e certamente seu celular estaria cheios de mensagem agora, querendo saber onde ela estava, ou onde ela está agora. Pensando exatamente isso, Isabella apenas pegou seu telefone e resolveu ignorar as oito mensagens que havia ali de Rosalie e mandou-lhe apenas uma, convidando-a para um café da manhã no café favorito delas.

Não esperou alguma resposta, e encaminhou-se para o banheiro onde pode tomar um banho calmo e relaxante. Desligou o chuveiro e enrolou-se numa toalha felpuda branca. Secou-se calmamente e procurou por algum lingerie para vestir. Acabou escolhendo um conjunto verde-água de renda simples. Deixou a toalha em seu devido lugar, e deu uma rápida olhada em seu celular, constatando que Rosalie havia aceitado o convite.

Sorriu e começou a se arrumar. O sol estava quente lá fora, por isso Isabella optou por usar um curto short social de cintura alta cinza e uma blusinha creme de renda com um delicado laço preto. Calçou um par de sapatos altos nude e passou uma maquiagem suavemente verde nos olhos, sendo marcada por um rímel preto nos cílios. Deixou os cabelos caírem naturalmente por suas costas e ombros, o que ofuscava levemente o par de brincos que a jovem Swan usava. Passou um perfume suave e sabendo que Rosalie nunca se contentava com encontros rápidos e que, provavelmente, ficaria frio depois, vestiu uma jaqueta boyfriend verde-água e pegou sua clutch. (Look da Bella)

Enquanto encaminhava para fora de casa, digitou uma mensagem para Rose falando que chegaria em cinco minutos mais ou menos. Guardou o celular no bolso e sorriu quando viu o pai sentado no sofá com um jornal em mãos.

- Bom dia, papai – disse dando-lhe um beijo no rosto.

- Bom dia, minha querida. Já está saindo?

- Sim, estou indo encontrar Rosalie para tomarmos café da manhã juntas.

- Oh, eu também preciso sair agora, tenho um compromisso no escritório – revirou os olhos de forma entediada.

- Os mesmo franceses chatos de sempre?

- Não sei o porquê de gostarem tanto de marcar reuniões aos sábados! Não vejo a hora de poder tirar minhas férias… Mas venha comigo, eu digo a Philipe para deixar você ao encontro de Rosalie e depois ele me deixa no escritório.

- Obrigada, papai.

Isabella sorriu para o pai e eles entraram no carro juntos. Sentaram um ao lado do outro e foram conversando praticamente o caminho todo e Bella agradeceu pelo pai não tocar no assunto Mike.

- Vejo que está usando o anel que lhe dei – comentou quando estavam próximos do café.

No último ano Charlie havia mandado fazer um anel de ouro para a filha. O anel se consistia em uma delicada borboleta de outro e um pequeno diamante branco cravado nela. Isabella sabia o significado daquela borboleta: liberdade. E era tudo o que Bella mais prezava na vida; a escolha de ser livre. E seu pai não se importava com isso. Ele sabia muito bem o tipo de sociedade em que viviam, sabia que o emprego exigia muito dele e que ficava muito ausente, mas ele só queria que a filha fosse feliz.

- Eu sempre estou com ele, mesmo que seja guardado em minha bolsa – sorriu. – Obrigada pela carona, papai.

A jovem herdeira deu um pequeno beijo nas bochechas rosadas do pai e desceu do carro.

Já sentada na mesa de sempre, encontrava Rosalie Hale usando um delicado vestido salmão e os lábios com um batom coral. Os cabelos da loira estavam presos em uma trança lateral embutida e ela sorria alegremente para a amiga. (Look da Rose)

Cumprimentaram-se com um abraço apertado e um beijo na bochecha e logo se sentaram.

- Desculpe-me por não ter ido ontem – começou. – Mas tive um compromisso de última hora e tudo ficou muito corrido.

- Tudo bem – a amiga sorriu. – Emmett e eu decidimos ir encontrar com o amigo dele e a namorada.

- E como tudo está indo entre vocês dois? Sinto saudades de sair com vocês… prometo compensar no próximo final de semana.

- Está tudo indo bem, o encontro duplo foi bastante divertido. Mas falando em namorados… como está tudo com o Mike?

- Eu já estou cuidando disso – respondeu, omitindo o fato de ter ido encontrar com Edward. Aquilo podia ser constrangedor, além do mais, ela queria fazer uma surpresa.

- Algo me diz que o compromisso relâmpago que você teve ontem tem a ver com isso…

Isabella apenas sorriu e pediu um pouco de chá verde com leite.

- Bom dia, família – Mike saldou, enquanto chegava a área da piscina da mansão dos Newton.

Todos, inclusive Cameron e Madeline, estavam sentados em uma maravilhosa mesa farta das mais deliciosas comidas da culinária francesa. Sentou-se em seu lugar logo após dar um beijo na testa de sua irmã que parecia um pouco triste esta manhã.

- Está tudo bem, Mad? – Mike indagou, notando o clima estranho.

- Está sim, Mike. Eu só estou um pouco cansada ultimamente. Meus braços estão doloridos – parou para dar um suspiro –, mas deve ter sido apenas porque dormi de mal jeito.

- Precisa de uma massagem, querida? – Cameron indagou aos sussurros.

Madeline sentiu um frio na barriga e se levantou.

- Acho que vou dar um mergulho – disse, pulando na piscina em seguida.

Cameron deu uma desculpa qualquer, e logo teve que ir também, dando apenas um selinho na noiva e deixando a casa em seguida. Assim que estavam apenas Mike e Charlotte sentados a mesa, a última suspirou pesadamente e encarou o filho de forma censurada.

- Ainda não se resolveu com a Isabella? – indagou.

- Mãe…

- Não, Michael! Você sabe que essa situação não pode continuar assim – esbravejou-se. – É absolutamente inaceitável que um noivado tão bonito quanto esse termine assim!

- Noivado perfeito? Mamãe, sabemos que não é bem assim…

- Não, não sabemos. Diante da sociedade vocês eram o casal perfeito, e é apenas isso o que importa! Quando é que você vai botar isso na sua cabeça?

Por que, de fato, era apenas isso que importava naquela sociedade; ser perfeito para ela, por mais que nos bastidores não fosse assim. A lógica era essa: não importa se a maçã mais bonita da árvore é completamente podre por dentro, tudo o que enxergaremos e precisaremos enxergar, estará do lado de fora.

Mike suspirou pesadamente, não agüentando mais toda aquela pressão de ser perfeito que caía sob ele. Encarou a mulher a sua frente, que aguardava uma atitude do filho, e disse com pesar:

- Eu tentarei falar com ela.

- Tentará? – insistiu.

Charlotte não estava tão convicta da palavra do filho, e Mike sabia muito bem disso. Precisaria frisar, por isso suspirou e disse:

- Eu vou falar com ela, mãe. Não se preocupe.

- Fabuloso!

- É.

Serviu-se com um pouco de suco e tomou um gole, sentindo os olhares atentos da mãe sob si.

- O que foi agora?

- Amanhã terá um evento importante promovido por Louis Barkes, aquele banqueiro amigo de seu pai, e eu estou certa de que a família Swan estará presente, incluindo nossa doce Isabella. Acredito que será uma boa oportunidade para vocês conversarem. Esteja pronto.

Mike deu de ombros e observou sua irmã ainda na piscina, para logo em seguida ver os olhos do jardineiro atentos sobre cada movimento da família. Respirou fundo e encarou o suco de laranja a sua frente.

- Perdi a fome – avisou levantando-se e saindo dali com passos largos.

Isabella, que agora se encontrava em seu quarto, observava a calma noite em Paris. O céu estava pouco estrelado, e a lua não estava tão bonita assim. Bufou, entediada e fechou as cortinas. Voltou para sua cama e suspirou pesadamente lembrando-se de que amanhã haveria um evento promovido por um banqueiro famoso de Paris e não poderia perder de maneira alguma ou sua mãe a mataria. Um evento desse porte indicava que Charlotte estaria lá, e conhecendo como conhecia a família Newton, sabia muito bem que Mike também iria comparecer. Provavelmente ele tentaria falar com ela, a não ser que…

Puxou uma lufada de ar e encarou o telefone a sua frente, não sabendo como começaria a conversa com Edward. Estaria muito em cima da hora um evento no dia seguinte, sendo que ela só avisara na noite anterior? Mordeu o lábio completamente inquieta e se sentou. Precisava decidir logo o que fazer.

Olhou o telefone novamente e levantou-se, começando a andar de um lado para o outro. Ligar, ou não ligar. Ela não sabia o que fazer. Passou a mão nos cabelos, completamente nervosa e pegou o telefone mais uma vez.

Talvez ela não precisasse chamar por Edward. Mas, por outro lado, também não queria ter que aturar Mike a irritando com as mesmas coisas de sempre. Como se o evento já não fosse chato o suficiente para precisar de alguém como Mike no seu pé. Além de Mike teria Charlotte…

Seria uma boa ideia chamar Edward. Mas seria tão estranho se eles já se portassem como namorados, uma vez que havia tão pouco tempo desde o rompimento de seu noivado com Mike. Talvez ela pudesse apresentá-lo apenas como um amigo…

Balançou a cabeça e discou o número de Edward. Chamou uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes… nada. Bufou e ligou de novo. Novamente chamou uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes… nada. Pensou em ligar de novo, mas não queria parecer desesperada, por mais que estivesse.

- Hm… o que fazer agora? – indagou para si mesma. – Talvez se eu fosse até a Freakshow…

De jeito nenhum, pensou. Se dependesse dela não voltaria nunca naquele lugar. Mas sabia que aquele era o único lugar que poderia encontrar Edward. Mas se ele não estava atendendo ao celular, podia ser que estava ocupado. Ou, quem sabe, algo tivesse acontecido…

- Chega!

Pegou sua clutch verde e saiu do quarto, ao passar no corredor notou que ainda usava as mesas roupas que usara para encontrar a amiga mais cedo, mas não se daria ao trabalho de trocar; não pretendia demorar muito lá. Deu uma rápida olhada no relógio: quinze para as nove. Não era tão tarde assim. Philipe já estava a sua espera, como o de costume.

- Qual o lugar de hoje, Srta Swan?

- Me leve para a Freakshow, por favor.

Não foi um destino comum vindo de Isabella que Philipe era acostumado a ouvir, mas não disse nada. Depois do término do noivado com o Sr Newton, a Srta Swan estava estranha, mas não de uma forma ruim, e ele sabia disso.

- Como a senhora quiser – disse e fechou a porta, indo para o banco do motorista e ligando o carro.

O caminho até a Freakshow não foi longo, mas Bella pode pensar bem durante o trajeto. Ela estava procurando uma boa desculpa para quando ela e Edward fossem vistos em público pela primeira vez. O que ela diria a todos quando eles perguntassem o que Edward fazia? Dono de uma casa noturna não era algo que parecia apropriado. Talvez ela apenas pudesse dizer que Edward era um empresário, o que não seria mentira. Ela apenas estaria omitindo coisas que não se eram necessárias dizer.

Ao longe Bella já pode ver o letreiro escrito Freakshow e sentiu um leve frio na barriga, mas este era diferente do frio que a tomara na primeira e única vez que estivera ali antes. Era algo como ansiedade.

Não demorou mais do que cinco minutos, e logo Philipe havia parado o carro e veio abrir a porta para que Bella descesse.

- Pode esperar aqui mesmo, Philipe. Eu não pretendo demorar – disse suavemente.

- Sim, senhora.

Bella sorriu se sentindo estranha por ser tratada com tanta formalidade, mas como já estava acostumada, não disse nada, apenas manteve o sorriso e entrou. Como o de costume, ela teve que pagar a entrada e logo seus olhos foram preenchidos pelo mesmo ambiente de outrora. Suspirou, já sabendo aonde ir.

A casa estava completamente cheia esta noite, e Bella imaginou que algo especial estivesse acontecendo. Pela visão periférica pode ver uma enorme gaiola dourada no lugar onde as garotas costumavam dançar, e a mesma dançarina de antes sentada de costas em uma espécie de balanço. Ela usava um vestido rosa; que se você reparasse bem veria que era apenas um magnífico corpete e uma saia imitando o rabo de um pássaro

A música animada começara a tocar, e a morena começou o show, movendo-se suavemente no balanço e logo fazendo movimentos sensuais com os braços enquanto retirava a primeira luva.

Bella suspirou baixinho de frustração, vendo que boa parte dos homens que estavam ali, eram conhecidos e todos casados. Maldita hipocrisia. Não se surpreenderia se visse alguém realmente próximo dela ali…

Varreu rapidamente o local com os olhos, e voltou a andar, mas antes que pudesse dar três passos, foi obrigada a paralisar com a cena que via pouco a sua frente.

O que diabos Cameron fazia ali?

O choque não seria tão grande se não houvesse duas garotas – provavelmente dançarinas da Freakshow – praticamente sentadas em seu colo enquanto o serviam com algo que provavelmente deveria ser vinho ou champanhe. Não que ela não esperasse tal ato de Cameron, ainda mais depois de conviver com ele durante todo o noivado com Mike e saber a forma como ele a tratava. Mas ainda assim…

Piscou os olhos para certificar-se de que não estava vendo coisas e resolveu sair dali antes que fosse vista. Seria no mínimo trágico se isso acontecesse. Deu as costas para Cameron e começou a andar, novamente sendo impedida poucos passos depois. Mas dessa vez não fora por algo que ela havia visto, mas sim por uma voz.

- Ora, ora, que maravilhosa surpresa! Não esperava vê-la tão cedo, querida.

Sei que não tenho atualizado aqui, mas a falta de leitor e comentários não animou. De qualquer forma, eu comecei a postar e vou postar. Quem comentar ganha preview do próximo capítulo. Volto ainda essa semana com o capítulo 4. :)