- Alemanha, 3 dias atrás -
Os ventos batiam em seu cabelo mas seu rosto não recebia a brisa graças a sua máscara. O céu sobre o local onde estavam estava tingido de vermelho, provavelmente pela essência do cosmo de Apolo. Cosmo este que junto ao de seu salvador havia desaparecido. Ela esperava que para sempre.
June se perguntava o que havia acontecido e como aquele homem surgira ali, "Ele não estava morto?" ela se questionava. Suas mãos cuidavam do ferimento de seu companheiro que perdera o braço há poucos instantes. A ferida não sangrava muito já que havia sido forçadamente cauterizada pelo ataque inimigo mas ainda sim havia o risco de infecção ou pior. Ao menos é o que imaginava, seus conhecimentos de medicina eram bem rasos para falar a verdade. Seus olhos sob sua máscara lacrimejavam e mexiam com seu tom de voz.
- Por favor, Shun! Por favor, não morra!
De repente um estalo veio a sua mente e passou a detectar três cosmos agressivos vindo até ela de direções distintas. Não tinha dúvida, eram cosmos parecidos com os que Shun e ela haviam sentido nas proximidades das ruínas do castelo. Estava claro de que foram enviados até ali para concluir o que seu Deus havia começado.
- Droga... – Disse em baixo tom para si mesma. Ela ainda não estava com cabeça para lutar graças ao que acontecera. Não bastasse ter ficado em choque teve também sua mente paralisada por alguns momentos.
Ela se levantou e retirou seu chicote da cintura, dando alguns passos de onde o cavaleiro de ouro se encontrava. Rapidamente retirou a sua máscara apenas para respirar fundo e aproveitar aquela brisa, talvez pela última vez. Três inimigos... Talvez não fosse capaz.
Assim que notou a aproximação recolocou a máscara e se virou para o primeiro a chegar. Este utilizava uma espécie de armadura completa que escondia até mesmo o seu rosto. Ela era negra com detalhes vermelhos, possuindo espinhos e escamas na parte traseira, se assemelhando a um réptil ou algo do gênero. O segundo surgia do lado oposto e tinha uma armadura muito similar, tendo mais espinhos e poucas escamas e com o elmo aberto revelando um homem negro sem sobrancelhas. Seus olhos brancos lhe causavam arrepios e lhe passava a impressão de que ele não estava são ou mesmo consciente.
O terceiro aparecia a sua frente porém trajava uma armadura diferente, tendo como cor dominante o vermelho e portando asas em suas costas. Seu elmo mais se assemelhava a uma tiara e seu rosto era jovem porém carregava uma expressão que demonstrava maturidade e experiência. Seus cabelos encaracolados e loiros, sua pele branca e seus olhos azuis lhe davam a aparência de um anjo de fogo.
- Quem são vocês? – Ela indagou.
- Isso não lhe interessa, bonitinha. – O homem com a máscara coberta disse enquanto avançava contra ela.
June desviou e o atacou com o seu chicote que já estava previamente carregado com seu cosmo. O golpe fora desferido nas costas de seu inimigo após uma esquiva lateral. O impacto fizera a armadura dele se quebrar, arremessando-o para longe.
O segundo viera com menos sede ao bote, atacando-a com cautela e se desviando de seus contra ataques. Seus olhos brancos e inexpressivos ainda a incomodava, mas isso não era hora para frescuras. Ela saltou alguns metros para trás criando uma distância entre os dois e novamente concentrou seu cosmo em sua arma, moldando-o de uma forma diferente desta vez. June achou que o homem iria falar algo mas apenas ficou ali encarando-a como um zumbi. Ela então "atacou o vento" a sua frente, batendo-lhe inúmeras vezes como se fosse este fosse físico e tivesse a forma de uma parede ou algo similar.
- Chicote de Camaleão!
E de cada batida uma lâmina cortante de vento criada por seu cosmo era disparada contra o oponente que a princípio conseguia se desviar sem problemas dos ataques. June prevendo isso aumentou a velocidade e por fim encerrou a sequência com um golpe bem mais forte e rápido do que os anteriores gerando uma lâmina gigantesca que fora lançada na diagonal. Um ou dois golpes entraram e feriram o inimigo, deixando-o exposto para ter o torso atingido em cheio pela última lâmina, também arremessando-o para longe enquanto seu sangue jorrava.
Ela respirou fundo novamente e direcionou sua atenção para o "anjo", julgando que este teria um poder muito superior aos outros dois, imaginando que ambos não passavam de peões para fazer número e talvez evitar que o líder sujasse suas mãos. "Idiotas" pensou.
- Vou perguntar novamente. – Sua voz demonstrava sua irritação. – Quem são vocês?
Ele a encarou com seus profundos olhos azuis, demonstrando nojo e repulsa. – Não somos nada além de armas de nosso senhor Apolo. Vocês, humanos, foram julgados culpados. Nosso senhor aplicará a punição necessária para esse planetinha miserável, começando por Athena e seus moleques. – Sua voz fazia juz a sua aparência, sendo encorpada mas contendo um leve tom angelical.
Ele estendeu a mão na direção da amazona e imediatamente uma bola de fogo gigantesca criada pelo seu cosmo surgiu avançando em uma velocidade incrível contra a amazona.
- Cinco Picos Antigos de Rozan, algumas horas atrás -
Ventos fortes sopravam por entre as montanhas e os famosos picos de Rozan fazendo companhia ao sol que acabara de nascer e agora iluminava aquele maravilhoso lugar localizado na China e repleto de cachoeiras, fauna diversificada e grandes belezas naturais. Tal local, no entanto, era apenas apreciado por uma pequena família que morava em seu centro, família esta bastante ligada à Athena e ao Santuário, sendo este o motivo de Farel de Touro se encontrar ali já há cerca de um mês. Hoje, porém, era o dia que iria retornar, apesar dele ainda não saber disso.
Em frente a maior cachoeira dali, estavam dois garotos de aparência similar. Ambos de negros cabelos lisos e compridos e de aparência típica chinesa. O mais velho possuía a pele mais escura, puxando a seu pai, com cabelos ligeiramente espetados e os olhos azuis de sua mãe. Seu corpo era maior que o de seu irmão e também mais musculoso e definido. Já o irmão mais novo era bem semelhante a sua mãe, tendo o cabelo liso e com uma aparência mais frágil, puxando de seu pai apenas os olhos.
Há alguns metros da dupla a mãe observava ao lado de um grande homem de cabelos negros que carregava uma urna dourada nas costas.
- Shoryu e Ryuho. – A voz vinha de cima da pequena montanha acima do lago onde terminava a cachoeira. – Meus filhos, o treinamento de vocês finalmente chegou ao final. Este é o último desafio. Sei que são capazes.
O mais novo, Ryuho, dava um passo para frente e era seguido por seu irmão. Ambos fechavam seus olhos e se concentravam, buscando controlar seus cosmos com a maestria necessária para concluir o teste. O punho direito de cada um brilhava intensamente graças ao cosmo que era emanado dos mesmos. A água ao redor ondulava de uma maneira diferente, como se estivesse sendo empurrada. Os garotos iniciaram uma conhecida e importante coreografia que trazia nostalgia ao antigo Dragão, eles levavam seus punhos a tocarem o ar de uma forma que simbolizasse um toque em todas as estrelas que formavam a constelação de dragão.
- Cólera do Dragão! – Ambos gritaram enquanto abriam seus olhos, lançando seus punhos contra a cachoeira e disparando dois enormes dragões criados por seus cosmos. O dragão do mais jovem tinha uma coloração esverdeada enquanto do mais velho era de um azul forte.
Ambos os dragões percorreram a cachoeira e a dividiram em três faixas, duas na extremidade onde o fluxo da cachoeira fora revertido e o centro que continuava normal. Essa era a prova do poder de controle dos jovens. Shiryu sorriu e deu as costas, caminhando por um caminho que o levava até lá enquanto os garotos comemoravam juntos. Farel e Shunrei limitaram-se a se entreolhar e sorrir um pro outro, comemorando de forma discreta o sucesso das crianças.
Em instantes Shiryu havia chegado ao local ainda com um grande sorriso aberto e com uma expressão que exaltava o orgulho que sentia naquele momento. Se pusera entre os dois meninos, colocando a mão em seus ombros e os fitando.
- Estou orgulhoso de vocês. Eu sabia que eram capazes. – Em seguida seu rosto ganhava tons mais sério, dando alguns passos em direção a cachoeira. – Agora... Este é o resultado do treinamento. Com todo esse poder e determinação que conquistaram irão servir a Athena e me ajudar a manter esse mundo seguro para sua mãe e para a irmãzinha que vocês terão em pouco tempo.
Nesse momento Farel arregalou os olhos e olhou para Shunrei, alternando seus olhares confusos entre o rosto e a barriga da mulher. Era óbvio que ela estava grávida, como poderia ter sido tão desatencioso de não notar isso?
Já os dois jovens não escondiam sua felicidade e sua satisfação de finalmente completar o treinamento após anos e anos de dedicação. Tudo o que sempre quiseram desde pequenos era poder lutar ao lado de seu pai e serem honrados cavaleiros de Athena.
Shiryu que não havia visto a reação de Farel agora direcionava sua mão em direção a cachoeira, lançando uma rajada de cosmo sobre a mesma e a fazendo se dividir como uma cortina d'água, revelando uma pequena abertura onde repousavam duas urnas negras adornadas com dragões. Isso trouxe a atenção de Farel de volta para lá, fazendo-o questionar sobre.
- Shiryu. – Ele disse enquanto se aproximava. – Isso por acaso seria...
- Sim. Pedi para Kiki me ajudar com elas e desde então venho treinando os garotos.
- Mas essas são armaduras negras.
- As mesmas usadas na batalha contra Ikki assim que nos tornamos cavaleiros de Bronze. Eu lutei contra os irmãos gêmeos que trajavam essas armaduras. *¹
- Athena sabe disso?
- Sim. Eu não cheguei a conhecer os outros cavaleiros negros, mas... Havia bondade ali. Ela sabia disso, assim como havia bondade no próprio Ikki. Eles apenas... – Shiryu fechou os olhos amaldiçoando o destino de todos os que haviam treinado na extinta Ilha da Rainha da Morte.
- Entendo... Acho que não há muito o que se fazer já que a verdadeira armadura de Dragão fora destruída em outra era.
- Não se preocupe, Senhor Farel. – Shoryu, o irmão mais velho, falava – Em breve eu roubarei seu posto de cavaleiro de ouro. A armadura negra é apenas o meu primeiro passo – Ele sorria para o cavaleiro de ouro. Ambos os garotos haviam feito amizade com o brutamontes.
- Só por cima do meu cadáver, baixinho. – Farel riu.
Foi quando Shiryu e o próprio taurino estremeceram, caindo no chão de joelhos por alguns segundos. Seus rostos pálidos e a sua expressão demonstravam que algo extremamente sério havia acontecido. Ambos haviam sentido um cosmo tremendo vindo de muito longe que estava exercendo uma monstruosa pressão sobre os dois cavaleiros de ouro. Um cosmo que assustara até mesmo Shiryu que uma vez havia encarado o corpo verdadeiro de Hades. Isso era algo muito além.
Shoryu e Ryuho de fato percebiam algo estranho mas como ainda não dominavam completamente o cosmo não era possível sentir algo tão distante assim. Ambos os garotos se ajoelhavam procurando saber o que havia de errado com seu pai.
- Farel... – Shiryu gritava abafado. – Era disso que... Você estava falando?
- S-Sim... Acho que Sim...
Shiryu após alguns instantes já se acostumara com a pressão e aos poucos conseguia levantar. Um estalo passava em sua mente e um rosto conhecido surgia de suas memórias para acalma-lo e depois desaparecer.
- Sh-Shaka?!
Pouco tempo depois o poderoso cosmo desaparecia e Farel então conseguia se levantar, tomando fôlego e fitando Shiryu preocupado.
- Shaka?
- Deixa pra lá.
Shiryu não saberia explicar no momento. Ele então voltou sua atenção para Shunrei com um triste olhar de quem já sabia que algo terrível estava por vir. Sua mulher limitou-se a balançar a cabeça como se lhe desse "permissão" para ir, apesar de também ter o mesmo olhar triste. Tudo ainda pioraria com não apenas seu marido mas seus filhos em meio a batalha. No começo ela queria e tentou impedir, mas... Esse era o destino dos homens de sua família. Primeiro seu pai adotivo, Mestre Ancião, depois Shiryu e agora seus dois meninos. Ela rezava para a garota não seguir os mesmos passos.
- Farel. Vamos partir.
O antigo dragão observava o céu pensando em Athena e seus antigos companheiros. Se sentia mal por não ter atendido o chamado de Saori imediatamente, mas o treinamento de seus filhos era necessário. O pior estava por vir e pela primeira vez ele não se sentia confiante em relação a uma vitória ateniense. Tristeza e preocupação era tudo o que poderiadescreve-lo naquele momento.
- Alemanha -
Chegando ao fim da batalha os corpos de dois dos inimigos estavam jogados no chão sem vida e com suas armaduras completamente destruídas, em seus corpos hematomas provocados pelo chicote e cortes pelas lâminas de vento se espalhavam por toda a extensão dos mesmos.
June tinha boa parte da sua armadura e de sua máscara destruídas, seu corpo estava ferido e queimado em inúmeros locais, sangrando o suficiente para escorrer e pingar. O olhar cansado e dolorido podia ser visto por um de seus olhos agora amostra. O homem a sua frente, o anjo, também não estava nas melhores condições. Uma de suas asas tinha sido destruída junto de sua ombreira e do punho, ambos do lado esquerdo. Seu elmo não mais existia e de sua boca escorria sangue. Seu olhar, agora menos arrogante, demonstrava raiva pela amazona que cambaleava.
- Você mal consegue ficar de pé. Desista, idiota!
- Por Athena... Eu nunca... Vou... Desistir! – Uma explosão de cosmo era causada por ela, fazendo o inimigo recuar alguns passos mas causando seu desabamento em seguida, ficando de joelhos. Não tinha mais forças para se mover.
- Acho que o seu corpo não concorda com a sua boca.
O loiro caminhou lentamente em direção a June observando-a com um odioso olhar que misturava sua raiva com o nojo que tinha dos humanos e a humilhação que julgara sofrer com aquele combate. Ele era considerado um poderoso guerreiro de Apolo. Como poderia ter sido tão ferido contra uma simples amazona de bronze? Imperdoável.
Ele pusera sua mão no rosto da jovem, segurando sua cabeça de uma forma que a machucasse propositalmente. Em seguida passara a concentrar seu cosmo nesta mão, queimando-a com a ponta dos dedos graças a natureza do mesmo.
- Eu vou explodir sua cabeça, ser imundo. Está me ouvindo? – Estendeu seu braço para o lado, apontando com o indicador para Shun que ainda estava desacordado. – E depois vou levar a cabeça desse verme para meu Deus.
Foi quando um feixe de luz passara pelo seu braço. Uma luz tão rápida que nem mesmo seus olhos puderam acompanha-la ou ao menos ver de onde viera. Ele olhou para o seu braço e o viu cair no chão. Com seus olhos arregalados ele não entendia o que havia acontecido, soltando June e recuando alguns passos. Ele fitava seu braço no chão tendo alguns poucos espasmos musculares. Olhou para a ferida e viu que ele havia sido cortado. Um corte perfeito. Tentou balbuciar alguma coisa mas as palavras não saiam. Levou seus olhos para o que sobrou de seu braço com a respiração ofegante e então para o seu redor, procurando alguma explicação lógica para isso. Foi quando ele sentiu um cosmo quente tão poderoso que queimava até mesmo ele, esse cosmo estava em suas costas. Ele se virou o mais rápido que pode mas sem poder reagir teve seu coração perfurado pela mão em chamas de um cavaleiro de ouro.
- M-mal...dito...
E estas foram as últimas palavras que conseguira dar antes de cair no chão sem vida a exemplo de seus "companheiros". O homem que o matara então corria em direção de Shun, ignorando completamente a amazona por hora.
- Shun!
Se ajoelhou ao seu lado e levantou um pouco seu torso, observando a mutilação que sofrera e reconhecendo o golpe mental que levara apenas por sua expressão. Para ele era fácil identificar algo assim uma vez que também era um usuário deste tipo de golpe.
Olhou para trás, observando outro cavaleiro de ouro pegando June no colo, finalmente notando os graves ferimentos da amazona. O rapaz era alto e esguio e com uma aparência típica de um verdadeiro estereótipo espanhol, com a pele parda, os olhos escuros e o cabelo castanho e desgrenhado de comprimento médio. Os dois se entreolharam seriamente até que o Leão também pegou Shun no colo, o levando na direção da amazona e de seu companheiro.
- Ikki. – Ele observou Shun que ainda trajava a armadura de ouro nos braços do irmão. – Shun não deveria ser o cavaleiro de ouro mais poderoso do santuário? Como algo assim pode ter acontecido com ele?! – Suas palavras não desmereciam o virginiano, pelo contrário, mostrava o quão frustrado ele estava, revelando todo o seu respeito por seu veterano.
- ... – Ikki não tinha palavras para descrever o que acontecera a seu irmão. Ele se lembrou de Sorento e da batalha que causou sua morte. Não deixaria que aquilo acontecesse novamente, nem com Shun e nem com June. – Ávila, vamos voltar ao santuário imediatamente.
Apesar de tudo aquele era um momento raro. Três cavaleiros de ouro juntos em um local afastado do Santuário. Virgem, Leão e Capricórnio, um deles completamente derrotado. Talvez isso mostrasse o quão grave era a situação.
- Fizemos bem em ter vindo até aqui. Os dois certamente estariam mortos agora. – Ávila falava enquanto caminhava na direção que sentiram aquele imenso poder. – Sabe de onde veio?
- Infelizmente sim. E isso significa problema. Seu poder certamente foi ampliado por causa daquele local e por isso fora manifestado como um cosmo desta magnitude. Nem Shun nem ninguém teria chance.
- Grécia, dois dias depois -
Já era noite quando Bedrich guardava a entrada principal do santuário ao lado de vários soldados sem patente definida. Era a segunda noite seguida que ele ficara mais de duas horas esperando a troca de turno e a chegada de um dos cavaleiros de ouro e dos outros cavaleiros de bronze e prata. Estava irritado, afinal, seus colegas do turno anterior o deixavam ali sem nem mesmo questionar se ele queria isso. "Babacas" ele pensou.
Ele era um rapaz que possuia cerca de 16 anos, tendo a pele escura e traços joviais. Não possuía muitos músculos definidos e nem mesmo era alto. Seu destaque maior era sua armadura de prata de Baleia que refletia a luz da lua.
- Senhor Bedrich! – Um dos soldados exclamava apontando para a estrada a frente deles. – Olhe!
Quando o rapaz olhou ele observou três cavaleiros de ouro vindo naquela direção, sendo que um deles aparentava estar gravemente ferido e era carregado por outro. O terceiro carregava uma mulher que apesar de ferida ainda trajava o que sobrara de sua armadura, caracterizando-a como uma amazona. O jovem cavaleiro de prata fechava seu rosto mais uma vez, mas desta por um motivo sério e que valia seu esforço e atenção.
- Vocês dois. – Apontara com olhares dois dos vários soldados presentes ali. – Procure imediatamente o senhor Hyoga e o traga aqui. Conte a situação. – Olhou para outros quatro soldados. – Vocês vão até Rodório e tragam Seika para cá imediatamente. E algum outro de vocês mande o recado para o senhor Seiya através do senhor Kiki.
- Sim, senhor! – Todos concordaram com suas respectivas ordens e foram cumpri-las.
Deu passagem para que os dois cavaleiros de ouro passassem sem problemas e adentrassem o santuário. Fora nesse momento que Hyoga chegou.
- Meu Deus! Ikki, o que aconteceu?!
- Eu não sei exatamente, mas tenho uma boa ideia. Nós os resgatamos de um ataque inimigo, mas... Não foi isso que feriu Shun. Vocês também conseguiram sentir daqui, não foi? Aquele cosmo...
- Sim...
- June lutou contra três inimigos para protege-lo. Eu consegui atacar o líder deles antes que ele a matasse. – O capricorniano entrava na conversa.
- Fui informado que Seika já foi chamada. Ela chegará em instantes. Levem os dois até os aposentos da casa de virgem, Seiya provavelmente os encontrará lá.
Ikki e Ávila voltaram a caminhar, seguindo na direção das doze casas. Hyoga os observou por algum tempo até voltar sua atenção para o jovem cavaleiro de prata. Ele se aproximou do rapaz e tocou seu ombro.
- Você fez bem. Suas ordens foram precisas. Athena certamente se orgulhará quando souber. – Apesar de sorrir ele estava realmente preocupado com o futuro da Terra e de seus companheiros.
O jovem cavaleiro, no entanto, explodia de felicidade por ser elogiado daquela forma. Sua comemoração no entanto fora interna e breve uma vez que ele estava bem incomodado e receoso com toda aquela situação.
Hyoga observou a lua e se lembrou de como se sentira há dois dias. Shun havia o enfrentado de frente enquanto os cavaleiros de ouro do santuário nem mesmo aguentaram a pressão que fora exercida sobre eles. Ao longe podia ver Seika vindo correndo com a escolta de alguns soldados. Shun e June já estavam naquele estado há dois dias, aparentemente inconscientes desde o ataque. A vida deles corria um sério perigo. O nórdico tocou o cento de seu peito onde o crucifixo de sua mãe repousava por dentro de sua roupa e sob a armadura e rezou rapidamente por seus companheiros. Por mais que sua religião fosse incerta após receber o conhecimento de tanta coisa e de tantos deuses, ele se sentia grato por ter sido doutrinado por sua mãe que agora jazia em suas lembranças lhe dando conforto para este momento tão desesperador.
"Mamãe..."
*¹ - No mangá original de Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya) existiram dois Dragões Negros durante a batalha pela armadura de Sagitário e não apenas um como mostrado no anime. Shinadekuro que foi adaptado para o Anime e Fukuryu que era cego e agia nas sombras do irmão.
