Capítulo 04

Agosto de 1981

Faziam duas semanas que Snape havia se mudado para o castelo. Ele e Florence não se separavam, nunca. Tomavam café, passeavam, almoçavam, passeavam, jantavam e iam para os aposentos de um ou de outro para tomar um vinho ou chá, jogar xadrez de bruxo ou, quem sabe, apenas jogarem conversa fora.

Mas já no quinto dia que estava em Hogwarts, Snape se via perturbado pela presença de Florence. Perturbado de uma forma incrível, apaixonadamente perturbado! Percebera isso quando, num selinho de boa noite, sua vontade foi invadir os lábios quentes e macios dela com a língua, sentí-la por completo, envolvê-la em seus braços e dormir com ela sobre seu corpo, depois de amá-la incansavelmente. Assustou-se com a sensação maravilhosa que tomara conta de seu corpo ao imaginar-se acordando todas as manhãs ao lado dela.

Ele sacodiu a cabeça, tentando afastar o pensamento.

Não, ele não podia estar apaixonado por Florence. Isso era ridículo! Ela era sua melhor amiga, sempre fora!


Noite seguinte aos primeiros devaneios e sonhos com Florence nua e em posições diversas, com ele dentro dela...

Ele estava sentado no Três Vassouras esperando por ela, já na terceira dose dupla de firewhisky. Ele a convidara para jantar ali, percebera que ela andava muito cheia de trabalho na última semana, devido as cartas dos alunos, e pensou que seria bom para ela sair um pouco do castelo.

"E isso é o que um amigo faz: cuida do outro. É apenas por isso que eu a convidei: porque Florence é minha melhor amiga!"

Ergueu o copo para o garçom indicando que queria uma quarta dose dupla, quando seus olhos recaíram sobre Rosmerta, que lhe sorria há tempos. Ela estava deliberadamente se atirando pra cima dele. Era isso! Tudo o que ele precisava era de uma noite de sexo para parar de pensar em Florence de maneira indevida.

"Parar de pensar no quão gostosa e linda ela é... e na sua presença suave, que me acalma e..."

Sacodiu novamente a cabeça. Levantou e caminhou até Rosmerta.


Florence sabia que estava mais de meia hora atrasada para o jantar com Snape e que isso significaria ter que aguentar pelo menos vinte minutos de sermão e cara feia dele. Mas ela não se importou. Ele a convidara para jantar!

Entrou no Três Vassouras, mas não o viu em lugar algum. Perguntou ao garçom:

- Com licença, por acaso Severus Snape não esteve por aqui?

- Ah, sim, ele ainda está aqui. Lá em cima, com a Madame Rosmerta. - e ele sorriu maliciosamente.

"Lá em cima...?"

Seu coração se apertou com o que aquilo poderia significar.

- Ahm... pode me informar o quarto?

- 107, mas creio que eles não gostarão de ser interrompidos. - acrescentou o garçom.

Florence engoliu em seco antes de subir os degraus da escada que levava ao primeiro andar. Não, aquilo não podia significar o que ela estava pensando. Alcançou o corredor e foi até o número 107, parou em frente a porta. Bateu. Demorou mais de um minuto para que ela ouvisse barulhos de alguém dentro do quarto se aproximando da porta.

E Rosmerta abriu a porta, vestida em um roupão mal fechado, os cabelos bagunçados, os lábios inchados e a respiração levemente ofegante.

- O que deseja?

- S-severus... ele está aqui? - não pode evitar sua voz de tremer.

- Sim, só um minuto. - disse Rosmerta e ela se virou para dentro do quarto. - Severus!

- O que foi...? - disse ele.

Florence sentiu seu coração se partir ao ver Snape saindo do que parecia ser um banheiro, apenas uma toalha amarrada na cintura.

Ela o encarou, quase em choque, juntou os cacos do seu coração e saiu dali, sem mais nenhuma palavra.

- Florence! - ele chamou.

Mas ela não o ouviu.

Ele saiu pelo corredor atrás dela, e ela já havia sumido nas escadas. Ia ir atrás dela, quando lembrou que ainda estava apenas de toalha.

"Maldição!"

Voltou para o quarto, Rosmerta estava sentada no sofá em frente à lareira, o roupão aberto. Ele passou reto para o quarto, pegou a varinha sobre o criado-mudo, vestiu-se magicamente e foi para a porta.

- Não, você não vai ir atrás dela! - disse Rosmerta, levantando.

- E você pretende me impedir como? - uma sobrancelha arqueada.

- Assim. - e ela permitiu que o roupão deslizasse pelo corpo indo ao chão.

E Snape apenas rolou os olhos de cima a baixo pelo corpo dela.

"Vagabunda."

E ele saiu para o corredor, descendo as escadas, atravessando o bar e saindo para a rua. Aparatou para os portões de Hogwarts.

Entrou nos terrenos do castelo, caminhando a passos largos. Podia ver um vulto caminhando lentamente mais à frente. Era ela.

- Florence! - chamou.

Ela o ouviu chamando-a e percebeu quão perto ele estava. Apressou o passo, mais lágrimas rolavam.

Snape percebeu que ela passara a andar mais rápido. Ela estava fugindo.

"Mas por quê?"

E ele pôs a mão na consciência, refletindo:

"Mas por quê que eu estou correndo atrás dela, pra começar? Florence é minha amiga, não devo explicações à ela sobre quem eu levo pra cama!"

Mas de onde vinha aquele aperto desconhecido que ele sentia no peito ao lembrar da dor que vira nos olhos verdes dela? Ele realmente não entendia! Nunca se sentira assim, como se saber que ele era a razão da dor dela fizesse doer nele!

Apressou ainda mais o passo, tentando alcançá-la.

- Florence, espere!

- Me deixe, Snape!

"Snape?"

Sempre que ela o chamava assim era porque estava magoada ou muito furiosa com ele.

Florence alcançou a porta de entrada do castelo e correu até o terceiro andar. Entrou em seus aposentos, batendo a porta a tempo de ver Snape aparecendo no corredor. Se escorou na porta fechada, deslizando até o chão, aos prantos.

Ele batia na porta.

- Flor, por favor, abre a porta!

- Vá embora, Severus! Me deixe sozinha!

Ele podia perceber, pela voz embargada, que ela chorava encostada na porta.

- Eu não... - ele respirou fundo. - Eu não posso ir e te deixar assim... chorando. Me diga ao menos o motivo de seu choro!

- Por favor, Severus, vá embora! Me deixe sozinha, eu estou te pedindo!

- Não! Eu vou me sentar aqui na sua porta e esperar até que você abra pra mim. - disse ele, teimoso.

- Pois vai dormir no corredor esperando, então! - gritou ela.

E foi o que aconteceu.


Sim, amadas leitoras, eu adoro fazer o Sev dormir no corredor! E amei a maneira cafajeste com que ele deixou a Rosmerta-vaca no vácuo, vocês não?

Atualização mega-rápida, afinal o capítulo ficou pronto e eu não suporto mais estudar anatomia.

Respondendo às reviews:

Rossonera: eu sempre dedico um capítulo para minhas leitoras novas, especialmente quando elas são "importadas"! Você é a segunda leitora de Portugal que lê minhas fics! Obrigada!

Yasmin Potter: pois é... Sev mentiu um pouquinho, mas a Lily já não significa mais tanto pra ele depois de alguns dias com Florence... nem ele sabe exatamente o que Flor significa pra ele, agora! "morra Lily, maldita, morra." rsrsrsrsrs amei a frase! Eu queria também poder dar selinhos no Sev... e tudo o mais que ele quisesse!

Coraline D. Snape: eu não pretendo matar o Sev, mas vou seguir as páginas finais de RdM, ele vai sair bastante ferido da última batalha, mas não vai morrer (ainda não escrevi o último capítulo, mas acho que a Florence vai salvar ele – que romântico!).

Muitos beijos!

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