Secretária

Resumo: Rin consegue um emprego para poder ajudar no pagamento da sua faculdade. Mas não esperava ela que permanecer nesse emprego seria tão difícil, ainda mais com um chefe tão misterioso.

Atenção: Essa fic foi baseada no filme "Secretária", mas não é parecida com a história, apenas o título e o fato de Rin ser uma secretária...

No cap. anterior...

"Arigatou, Sesshoumaru-sama, Por tudo..." – disse dando o mais belo sorriso que conseguira produzir. Andou em direção a porta, a abriu e olhou novamente para o advogado – "Sayonara" - e se foi.

"Tédio, não mais..." – ele falou sentando novamente na poltrona.

Capitulo Quatro – "Entre ternos e gatos"

"Nani?" – a garota indagou incrédula, tentando ao máximo não alterar o tom de voz, que não passava de um mero sussurro. Seus olhos arregalaram e ela abriu levemente a boca enfatizando ainda mais a confusão.

A mais nova olhou de relance para o homem nanico e gorducho, em frente a enorme lousa branca na parede da sala. Ele continuava a falar brandamente; seus pequenos braços movimentavam insistentes, num ato quase desesperado de que todos da sala o vissem devido a sua estatura. Ele ainda não havia percebido a conversa das duas. Rin voltou a olhar para a outra, abrindo um pequeno sorriso de satisfação.

"Isso mesmo Sango-chan! Agora sou secretária de Inokuma Sesshoumaru! Não é o máximo?" – murmurou empolgada; seus olhos brilhando de felicidade.

"Su-sugoi! Isso é... É... Maravilhoso, Rin!" – Sango tentou esboçar um sorriso em meio à confusão que estava em seu cérebro. – Er... Ele te contratou mesmo?".

"Hai!" – confirmou balançando a freneticamente a cabeça – "Aquela conversa que ele marcou foi justamente para isso: Me contratar..." – completou com os olhos perdidos em um ponto da sala, deixando escapar um pequeno suspiro.

"Alô! Terra chamando Rin!" – Sango balançou as mãos próximas do rosto da garota, a fazendo despertar dos seus devaneios – "Engraçado Rin, você falando assim do Inokuma-sama, parece tão... Empolgada, sabe?" – Sango substituiu sua expressão antes confusa, para uma completamente irônica, levantando uma sobrancelha e deixando que um sorriso torto tomasse conta de seus lábios.

"Sango-chan!" – Rin falou alto num tom de censura, esquecendo-se completamente de onde estava. Pôs a mão nos lábios quando encarou toda a classe a mirando e o professor com uma expressão interrogativa e zangada estampada na cara.

"Algum problema, Yoshida-san?" – O mestre indagou batendo seguidas vezes o pé no chão. Se Rin não estivesse tão envergonhada naquele momento, provavelmente estaria as gargalhadas da cena cômica que era o nanico professor fazendo tal ato.

"Nenhum, Myouga-sensei" – disse abaixando o rosto e evitando olhar para qualquer um presente.

"Então, Se concentre... Onegai!" – dizendo isso e lançando um último olhar para a garota voltou ao seu insuportável monólogo.

Rin esperou alguns segundos para certificar-se de que não tinha ninguém a observando. Olhou de esgoela para a amiga ao seu lado. Sango tentava de todas as formas abafar o riso que teimava sair por seus lábios. Levou as mãos à boca, mordendo levemente uma delas. Lágrimas formavam-se no canto de seus olhos e cada vez que ela olhava para a outra, uma nova onda de risos se formava.

"Arigatou, Sango-chan!" – Rin falou com desdém.

"Go-gomen, Rin... É que... É que... Foi muito cômico" – Sango respondeu enxugando com as costas das mãos as gotículas que caíam de seus olhos – "Pronto... Pronto, já parei..." – completou antes que Rin falasse mais alguma coisa sobre o seu comportamento.

Rin apoiou o rosto em uma das mãos e levou o cotovelo à carteira, fingindo estar prestando atenção na aula e ignorando por completo a outra morena.

"Ah... Vamos Rin... Eu já me desculpei... Foi só que... Eu não pude evitar..." – Sango falou com a cara de suplica mais perfeita que conseguia fazer, tentando segurar novamente o riso que insistia em retornar.

Rin voltou a olhar a amiga de canto de olho com uma cara zangada.

"Foi tão engraçado assim, foi?" - ela perguntou com um meio sorriso brotando em seus lábios...".

"Hai..." – Sango confirmou.

"Nhá... Deve ta todo mundo achando que eu sou uma completa baka..." – comentou manhosa fazendo um biquinho.

"Ah... Não liga pra isso, Rin" – disse Sango – "Mas você também não precisava fazer esse escândalo todo por uma coisa tão pequena, ne?" - completou apontando o lápis para Rin e o balançando seguidas vezes, como se repreendesse uma criança.

"Coisa pequena?" – Rin perguntou descrente – "Você é quem fica insinuando coisas absurdas...".

"Eu?" – Sango riu baixinho – "Eu só falei o que vi, minha cara Rin, e ainda repito: Sempre que você fala em Inokuma Sesshoumaru fica e-m-p-o-l-g-a-d-a" - completou com um sorriso maroto, fazendo questão de soletrar a última palavra.

"Em-empolgada, eu?" – Rin hesitou, corando levemente – "Impressão sua, Sango...".

"Mesmo?" – Sango arqueou as sobrancelhas, alargando o sorriso infantil.

"Mas é claro!" – a garota balançou freneticamente a cabeça em positivo – "Eu apenas admiro o trabalho dele...".

"E como você pode admirar tanto assim, se nunca trabalhou com ele?" – Sango continuou com as perguntas, divertindo-se cada vez mais.

"Ora Sango-chan... Pelo que dizem, ne? E... E... Como eu poderia estar tão empolgada assim como você diz, se nem o conheço direito?" – Rin rebateu a primeira coisa que veio a mente.

"Eu é que pergunto..." – Sango continuou.

"Ah... Eu só estou ansiosa Sango... Só isso..." – Rin voltou a atenção para o quadro branco e o minúsculo professor.

"Então é bom controlar a ansiedade, Rin... Hoje ainda é sexta... Restam dois longos dias pela frente" – Sango também se virou e começou a copiar no caderno as anotações que o professor havia feito no quadro, sem tirar o sorriso malicioso dos lábios.

Rin engoliu em seco. Será que era verdade tudo aquilo que Sango estava dizendo? Será mesmo que ela estava tão empolgada assim? Ora... Eu só estou ansiosa... Apenas isso. Pensou suspirando demoradamente. Eu nem o conheço direito, ele...Ele... Será meu chefe apenas.

"Admito que foi uma boa resposta..." a frase que ele pronunciara naquela mesma manhã voltara como relâmpago a sua cabeça. Ele devia ser provavelmente um homem incrível... E muito imprevisível também... Com certeza a testaria sempre que lhe fosse necessário.

Devo estar sempre pronta então... Sempre com uma boa resposta. Sim... Tinha que sempre saber o que responder. Não podia errar na frente dele, tinha que mostrar que ela era competente e que ela fora uma boa escolha. Essa era sua chance... Um emprego assim não se consegue de um dia para o outro...

Um sorriso brotou em seus lábios. Será que ele ficaria orgulhoso dela? Isso seria... Seria...

"Ainda pensando em Inokuma-sama, Rin?" – Sango a despertou novamente de seus devaneios, mas agora ela se encontrava parada na frente da garota com a bolsa no ombro e os livros nas mãos.

"O que aconteceu?" – Rin indagou sem compreender.

"Rin... O sinal tocou... A aula acabou de acabar... Vamos embora?" – Sango divertia-se com a falta de atenção da outra morena.

"Já? Mas... Eu nem escutei..." – explicou-se levantando e arrumando suas coisas.

"É mesmo... Creio que estava muito ocupada pensando numa certa pessoa..." – continuou com a brincadeira, começando a andar para a fora da sala acompanhada da mais nova. Estava adorando abusar a outra.

"Pare com isso Sango-chan... Já disse que não é nada disso..." – Rin já estava ficando sem graça com os comentários.

"Hum... Ta bom então..." – respondeu com um tom de descrença, observando o acanhamento da outra. Inúmeros alunos passavam por elas, indo e vindo. A faculdade era sem sombra de dúvida um lugar bastante movimentado onde você podia encontrar todo tipo de pessoa.

"Rin-chan? Como você está pensando ir trabalhar?" – perguntou curiosa, olhando atentamente para a garota, como se a examinasse.

"Como assim como eu irei?" – Rin indagou confusa – "Ora... Irei pegar o metrô e depois andarei um pouco até chegar a...".

"Não, não" – Sango riu baixinho – "Digo, como você está pensando em ir vestida... você já tem os terninhos?".

"Terninhos?" – Rin parou de andar subitamente arregalando os olhos – "Eu preciso usar aqueles ternos femininos?".

"É o correto... Você não tem nenhum?" – Sango indagou parando de andar para esperar a outra.

"Hai... Quer dizer... Só umas duas os três saias e blusas sociais , mas... Nada assim... Como ternos..." – Rin voltou a andar.

"Bom... Lá na loja que eu trabalho, têm alguns em promoção... E estão muito bons mesmo..." – Sango disse empolgada.

"Jura? Ah... Arigatou Sango-chan... Já estava até me preocupando..." – murmurou aliviada saindo do portão da enorme faculdade.

"Dê uma passadinha lá amanhã..." – Sango disse, virando seu corpo para a direção contrária que Rin iria seguir – "Tenho certeza que ficará linda de terno... E que o Inokuma-sama irá gostar muitíssimo de ver sua secretária linda".

"Arigatou, Sango-chan... Te vejo amanhã então... Ja ne" – disse acenando e corando levemente pelo ultimo comentário.

"Sayonara...".

E virando as costas, andaram cada uma para um lado.

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Era só o que faltava... A garota pensou exaltada. Parou de andar por um instante e respirou fundo, tentando se acalmar. O barulho insistente de pessoas conversando, discutindo e até brigando, passava pelos seus ouvidos como uma perfeita sinfonia torturante que a impedia de raciocinar direito. Várias pessoas esbarravam-se nela e murmuravam pedidos de desculpas quase inaudíveis para o estado nervoso da morena.

Voltou a andar rapidamente, olhando esperançosa para todos os lados e todas as lojas ali presentes. Ela via de tudo, menos o que realmente queria. Mas não tinha do que reclamar, tinha? Daquele verdadeiro formigueiro de pessoas, a sorte iria parar para dar suas graças apenas para ela? Ela dentre milhões de criaturas famintas pelo consumismo desnecessário. Ela dentre milhões de criaturas que saíam e entravam em lojas e mais lojas, olhando tudo que poderia ou não gastar. Ela dentre milhões de pessoas que resolveram ir para um Shopping Center em pleno sábado à tarde.

Não... A sorte não iria a escolher... Não mesmo. Por que logo ela? Se tinham muito mais pessoas interessantes para ajudar... Claro... A sorte poderia ajudar qualquer um dali... Menos ela...

Bufou cansada, batendo com força o pé no chão. Passou a mão pela testa, que dava pequenos indícios de suor. Jogou o cabelo para trás num ato no mínimo bruscoe apertou com força a alça da bolsa.

Cadê? Continuava a olhar para os lados e nada. Uma ponta de desespero já surgindo no seu interior. Seria melhor ela chamar os seguranças? Não... Não... Ele não iria gostar que seu nome fosse pronunciado para quase toda Tókio, solicitando seu aparecimento, pois Yoshida Rin estava muito preocupada.

Mas... Mas... Isso lá importava? Era a segurança dele que estava em jogo... E se ele tivesse sido raptado! Não poderia ficar sem fazer nada. Não podia ficar sem agir sabendo que naquele exato momento, poderia estar acontecendo algo de ruim com ele.

Respirou fundo tentando se acalmar. Pensamentos negativos atraem conseqüências negativas. Devo pensar positivo, ela pensava, embora isso não a ajudasse muito. Eram rostos e mais rostos, lojas e mais lojas e nada dele. Sua vontade era de gritar. Mesmo que não gostasse muito de demonstrar sua verdadeira afeição por ele. Queria que no meio daquele inferno, ele estivesse ali, perto dela e...

"Rin! Por acaso você é surda?" – Uma voz estridente invadiu seus tímpanos, já alterados pelo barulho do shopping, a assustando.

Virou rapidamente e olhou para baixo, encontrando com os grandes e brilhantes olhos verdes.

"YOSHIDA SHIPPOU! Onde foi que você se meteu?" – Rin gritou a plenos pulmões, chamando a atenção de algumas pessoas em volta. Shippou olhou para os lados indignado e voltou-se para a irmã, com um falso sorriso nos lábios.

"Se controle Rin! Sei que você não sai muito, mas esse não é o comportamento adequado para um ambiente público..." – sussurrou para a garota com a mais perfeita cara de deboche.

"Eu estou a quase quinze minutos te procurando feito uma baka, e você ainda pede para eu me controlar?" – dessa vez, Rin também sussurra, lançando um olhar assassino para o irmão mais novo, esse não pareceu se abalar.

"Estava me procurando porque quis... Sei muito bem me cuidar sozinho minha cara onee-chan... Não preciso de ninguém para me comandar..." – Shippou cruzou os braços e arrebitou o nariz, virando levemente seu rosto para o lado esquerdo.

"Ah sim... Você sabe se cuidar muito bem..." – Rin também cruzou os braços, falando com desdém.

"Sei sim" – ele falou.

"Não sabe!" – ela rebateu.

"Sei sim, e me cuido melhor do que você" – ele disse, lhe mostrando a língua.

"Ai... Sinceramente... Da próxima vez, não te trago comigo..." – Rin descruzou os braços, desistindo da briga e pegando o pulso de Shippou, o puxando até a loja onde Sango trabalhava.

Mais olhares curiosos direcionavam-se para os irmãos. Shippou dava um sorriso sem graça para várias pessoas, tentando se desvencilhar da mais velha. Rin andava a passou largos segurando o garoto, sem ligar para ninguém.

Avistou no fim do corredor o nome da loja escrito em vermelho. Deu um grande suspiro ao chegar à porta do estabelecimento e a abrir.

Era um lugar simples, mas muito bem organizado; várias prateleiras de vidro seguravam inúmeras roupas, uma decoração rosa-bebê muito bem feita e o cheirinho de rosas deixavam o lugar muito aconchegante. Não havia muito movimento, umas duas pessoas estavam sendo atendidas e um senhor de cabelo grisalho e meio corcunda esperava sentado num pufe no canto da loja.

Rin olhou para Sango com um largo sorriso. A outra estava atendendo uma das senhoras, ela retribuiu o gesto de Rin, muito empolgada.

"Posso ajudar senhorita?" – Uma mulher alta e magra perguntou a garota.

"Ah... Arigatou... Mas estou esperando a Sango-san... Ela disse que iria me mostrar umas coisas" – Rin deu um sorriso sem graça.

"Sem problemas. Fique a vontade, sim?" – A atendente sorriu e mostrou o outro pufe ao lado do velho. Rin, ainda agarrada ao braço de Shippou, se direcionou para o confortável acento e apontou para o irmão sentar.

A contra-gosto o garoto sentou. Não estava gostando nada de estar rodeado de tanto rosa e tantas coisas femininas. Cruzou os braços e se afundou no pufe, com a melhor cara de desprezo que conseguia fazer, e que claro, foi totalmente ignorada por Rin.

A mulher que Sango atendia, pareceu finalmente se decidir e escolher o que queria, murmurou um "obrigada" para a garota e se direcionou ao caixa. Sango foi saltitante e empolgadíssima ao encontro de Rin.

"Pensei que não viria..." – Ela murmurou radiante para a mais nova dando-lhe um forte abraço – "Olá Shippou-kun, tudo bem?" – ela disse depois de soltar Rin.

"Poderia estar melhor..." – ele disse sarcástico, lançando um olhar assassino para a irmã mais velha.

"Shippou!" – Rin o repreendeu – "Não liga Sango, o Shippou levantou com o pé esquerdo hoje..." – Rin retribuiu o olhar do irmão a altura.

"Pois é... Com o esquerdo... Eu sou canhoto, esqueceu Rin?" – Shippou rebateu. Rin havia esquecido completamente desse detalhe, isso significava que Shippou estava ganhando a batalha.

Sango abafou uma risada. Achava muito engraçado as brigas dos dois. Lembrava-se da primeira vez que fora na casa de Rin, quando ela quase jogava uma panela na cabeça do irmão, porque ele dissera que ela era uma marmota psicodélica.

"Er... Rin-chan... Vamos ver as coisas então?" – Sango decidiu intervir, já que aquela discussão parecia que ia demorar muito para acabar. Rin acenou sorridente para a amiga, assustando-a com a brusca mudança de humor que ela sofrera. – "Er... Shippou-kun... Fique a vontade, sim?".

"Vou tentar..." – ele respondeu suspirando derrotado.

As garotas se dirigiram para as prateleiras de vidro. Sango pegou algumas peças de roupas e depositou na mesa.

"Olha Rin-chan" – ela desdobrou um terno vermelho e o estirou na mesa – "confortável, bonito e básico" – disse mostrando as partes da roupa.

"É sim..." – Rin olhava atenta – "Mas acho que vermelho não combina muito comigo...".

Sango analisou Rin de cima a abaixo com um pequeno sorriso no rosto.

Deixou o terno vermelho de lado e pegou um preto – "E que tal... esse?".

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Mansão Inokuma. Belo Casarão cor de creme, repleto de quartos e mais quartos, cômodos e mais cômodos, tudo do bom e do melhor que poderia proporcionar conforto. Porém não era isso que o jovem Inokuma estava sentindo no momento.

Seus dedos passavam ágeis pelo teclado do laptop, e seus olhos corriam absortos pela tela de vidro. Passou a mão na franja rebelde para que ela deixasse de empatar a sua visão e amaldiçoando-se por ainda usá-la.

Debruçou-se no objeto para ler com mais atenção o que tinha escrito e deletou com raiva o que acabara de escrever.

Uma música irritante penetrava pelos seus ouvidos impedindo-o de se concentrar. Alto e maldito ritmo sufocante, que estavam a infestar a casa de atrapalhadas e barulhentas ondas sonoras, como uma perfeita tempestade de furações furiosos destruindo tudo que viam no caminho. Mas nesse caso não estava destruindo casas ou prédios e sim, seu trabalho.

"InuYasha" – Sussurrou o nome entre dentes e cerrou os olhos. O som parecia aumentar cada vez mais, e gradativamente a fúria do jovem advogado também – "Moleque desgraçado".

Sesshoumaru levantou-se bruscamente da cadeira e foi em direção da origem da odiosa sinfonia. Uma nova onda de notas graves passou como uma pedra em seus tímpanos, fazendo-o apertar com força os dentes.

"Sessssshoumaru-ssssaaaama" – seu criado o chamou correndo ao seu encontro. – "Que diabossss é isssso?".

"Saí da frente, Jaken" – Sesshoumaru nem se limitou a olhar para o nanico homem e continuou o seu caminho. Parou na segunda porta de um dos corredores e a abriu bruscamente.

Encontrou o responsável do barulho, em pé na cama, com uma guitarra na mão, um boné para trás e mascando um chiclete de boca aberta.

"Insolente..." – foi apenas o que disse o mais velho, olhando com ar assassino para o outro.

"Feh... Não pode mais se ter paz aqui?" – O outro disse parando de tocar.

"Eu é que pergunto, InuYasha. Onde você pensa que está?" – Sesshoumaru cruzou os braços e levantou uma sobrancelha.

"Que tal... Na minha casa..." – InuYasha fez questão de enfatizar o "minha". Fez uma bola com o chiclete e a estourou, ato esse que ele sabia que seu irmão odiava.

"Não, InuYasha, você está na minha casa, então é bom você fazer total silêncio, pois eu estou fazendo um trabalho muito importante..." – Sesshoumaru falava sem demonstrar nenhuma emoção.

"E o que vai acontecer se eu não fizer?" – InuYasha provocou.

"Eu não respondo pelas conseqüências... Se quer tocar essa porcaria, vá para outro lugar bem longe de mim"

InuYasha desceu da cama com raiva, deixando a guitarra cair no chão.

"Você está me ameaçando?" – ele perguntou para o irmão mais velho.

"Entenda como quiser..." – Sesshoumaru saiu do quarto fechando a porta com força. Andou alguns passos e a música voltou a invadir a casa.

"Eu avisei..." – sussurrou antes de voltar para o quarto do irmão, tirar a guitarra de sua mão, arrancar o fio da tomada e quebrar algumas cordas.

"Minha... Guitarra..." – InuYasha falou quando o irmão a devolveu – "Eu... Eu... Vou te processar Sesshoumaru" – Inuyasha apontou o dedo indicador no rosto do irmão.

"Vai?" – Sesshoumaru levantou uma sobrancelha novamente.

InuYasha pareceu se lembrar que estava falando com um dos melhores advogados de Tókio; sentou-se na cama emburrado e de braços cruzados...

"Feh..." – foi o que murmurou.

"Pense muito bem antes de fazer qualquer coisa para me prejudicar, maninho" - Sesshoumaru apenas sorriu maldosamente e saiu do quarto. Tinha que terminar o trabalho o quanto antes...

"Que falta me faz uma secretária..." – sussurrou cansado. Mas outro sorriso voltou aos seus lábios ao lembrar que na segunda-feira tudo voltaria ao normal.

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"Aqui está!" – A mulher do caixa entregou sorridentes as sacolas para Rin.

"Ah... Arigatou!" – Rin as pegou meio desengonçada. Sorriu satisfeita com as compras. Havia comprado muitos ternos e por um ótimo preço, além de que iria arrumada adequadamente para o trabalho. Será que o Sesshoumaru-sama ficará orgulhoso? Pensou. Mas logo reprimiu a si mesma, balançando fortemente a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos.

"E então, Rin-chan? Tudo certinho?" – Sango perguntou.

"Hai" – respondeu Rin, suspendendo as sacolas para mostrá-las a amiga.

"Hei, Rin... Que tal fazermos um lanchinho, hein? Está no horário do meu intervalo" - A mais velha convidou empolgada. Estava adorando ajudar Rin com as coisas do novo emprego, se sentia feliz por ela ter o conseguido e queria lhe dar algumas dicas para o primeiro dia.

"Claro Sango-chan!" – Rin deu vários pulinhos, fazendo com que uma das sacolas caísse de sua mão. – "Droga..." – disse se abaixando para pegá-la, mas Sango pegou primeiro.

"Eu te ajudo..." – sorriu a outra divertida. – "Iku-chan? Vou sair para um lanche, sim? Estou no meu intervalo" – Sango avisou a uma das outras atendentes, recebendo um sorriso como resposta – "Vamos?" – Sango voltou-se pra Rin.

"Claro... Vou chamar o Shippou" – Rin foi até os pufes onde havia deixado o irmão mais novo. Ele parecia estar muito empolgado. Conversava com o senhor corcunda que ainda estava sentado no outro pufe ao lado do dele.

"Shippou?" – a garota o chamou.

"Onee-chan... Ele assistiu todos os filmes de Guerra nas Estrelas e 007, isso não é o máximo?" – Shippou apontava freneticamente o dedo para o velho que ria com a reação do menino, seus grandes olhos brilhando de satisfação e admiração.

"Nossa, é sim..." – Rin falou maravilhada para o senhor. Adorava Guerra nas estrelas. O senhor acenou com a cabeça sem tirar o sorriso do rosto enrugado. – "Mas... Já temos que ir, Shippou...".

"Bom... Tchau... A gente se vê por aí" – Shippou se levantou e apertou a mão do velho. Era claramente visível sua mudança de humor. Era comum isso acontecer quando ele se deparava com coisas que gostava. E alguém que sabia de tudo de Guerra nas Estrelas e 007, era uma coisa que ele realmente gostava.

Os três saíram da loja em direção da praça de alimentação. Se batiam sem querer em muitas pessoas que andavam de um lado para o outro no shopping. A praça de alimentação estava lotada. Não havia nenhuma mesa visível que por milagre de Deus estivesse vazia, apenas inúmeras mesas ocupadas por pessoas que degustavam seus lanches.

"Cadê a sorte quando eu preciso dela?" – Rin murmurou, esticando o pescoço e ficando na ponta dos pés para ver se conseguia enxergar algo de útil.

"ALI!" – Shippou gritou do nada, apontando para o centro do montueiro de mesas ocupadas, onde jazia uma pequena mesa vazia. Ele correu desesperadamente por entre as mesas, se esbarrando em algumas pessoas que se encontravam nelas. Sentou-se bruscamente numa das cadeiras da mesa que ele avistara. Sango e Rin continuavam no mesmo lugar onde estavam olhando impressionadas pela a rapidez do menino.

"O que vocês estão esperando?" – ele gritou, mas ninguém se limitou a olhá-lo, aquilo dali era uma verdadeira zona de pessoas e mais pessoas conversando e comendo tão concentradamente que nada poderia abalá-las. As garotas pareceram cair na real e irem para onde o garoto se encontrava, depositando as sacolas numa cadeira.

"Bom... Shippou, você fica aí guardando a mesa, enquanto eu vou pegar os lanches com a Sango, ok?" – Rin falou, olhando penetradamente nos olhos do menino – "Não saia daqui por nada desse mundo, não quero passar mais quinze minutos te procurando..." – ela completou.

"Ok... Onee-chan" – Shippou engrossou a voz, fazendo uma continência, como se Rin fosse um capital do exército e ele um mero soldado.

Rin lançou um último olhar para o irmão e foi com a mais velha fazer os pedidos para o lanche. Foram para um dos estabelecimentos, pegaram uma pequena fila e fizeram seus pedidos; Demorou alguns segundos e eles chegaram. Se dirigiram para a mesa onde estavam e...

"Cadê o Shippou?" – Rin falou entre dentes segurando fortemente a bandejas com os sucos. Sango olhou preocupada para Rin, mordendo de leve o lábio inferior, elas depositaram as bandejas na mesa e já iam começar a busca.

"Shhhhh!" – elas ouviram o barulho. Olharam para os lados e nada – "Aqui em baixo" – elas se entreolharam confusas. Sango apontou discretamente para o chão e as duas se abaixaram, olhando de baixo da mesa.

"O que você está fazendo aí, Yoshida Shippou?" – Rin perguntou tentando a todo o custo se controlar, seus olhos se estreitaram em censura e ela umideceu os lábios se preparando para repreendê-lo do comportamento infantil de se esconder debaixo da mesa. Sango levou a mão aos lábios abafando uma risada, nunca se divertira tanto num sábado à tarde em um shopping center.

"Calma, onee-chan... Não estou aqui para me esconder de você..." – ele falou baixinho.

"Então de quem está se escondendo?" – Rin já estava se irritando com essa brincadeira de esconde-esconde, tudo o que queria era que sua ida ao shopping com seu adorável irmão fosse tranqüila. Mero sonho...

"É... dela..." – Shippou murmurou ainda mais baixo, as garotas tiveram de se inclinar para ouvir. Os olhos das duas seguiram o dedo indicador do menino, esticado para a direção de uma bela garotinha de cabelos negros na altura dos ombros, sentando com uma mulher. As duas estavam comendo um sanduíche.

"E quem é ela?" – Rin perguntou curiosa com um meio sorriso no rosto.

"Sua namorada, Shippou-kun?" – Sango também indagou com um sorriso maroto nos lábios.

"NÃO!" – Shippou exclamou, ficando muito exaltado e se esquecendo de onde estava, suspendeu seu corpo para se levantar rapidamente, mas acabou por bater sua cabeça na mesa. – "Ai...".

"Saia daí, Shippou. Vai ficar se escondendo de uma garotinha?" – Rin sorriu divertida.

"Ela não é só uma garotinha, Rin... Ela é Nakamô Rima, a menina mais...Mais..." – Shippou hesitou, corando levemente. Rin e Sango se entreolharam novamente, as duas com um sorriso maroto nos lábios.

"O Shippou está apaixonado!" – elas exclamaram juntas. Shippou arregalou os olhos, colocando as mãos na boca de cada uma. Olhou para onde a Rina estava verificando se ela havia escutado que por sorte não havia.

"Eu não estou apaixonado, não falem essas coisas! Se ela ouvir..." – ele falava rapidamente, com uma expressão um pouco preocupada.

"Ah... Shippou, meu ototo-kun está apaixonado..." – Rin apertou fortemente as bochechas rosadas do irmão. Sango levantou-se ajeitando a saia e olhando discretamente para a garotinha com um pequeno sorriso nos lábios. Rin também se levantou, mas diferente da outra, olhava para a tal Rima com um sorriso radiante no rosto jovial.

"Vamos Shippou... Vamos dar um 'oi' para ela..." – Rin disse ainda olhando a menina, que limpava a boca com um guardanapo e voltando a comer seu sanduíche.

"Não... Eu vou ficar aqui..." - ele disse se encolhendo ainda mais debaixo da mesa.

"Kawaii, amor de primário..." – Sango falou sentando numa das cadeiras, agindo normalmente. Pegou um dos refrigerantes, pondo o canudo na boca, e abafando uma risada.

"Então ta bom... Fique aí em baixo, tomara que ela te veja e te ache um completo baka" – Rin também se sentou, pegando um dos sanduíches e dando uma mordida; deu uma piscadela para Sango que tomava rapidamente o refrigerante para não rir.

Shippou engoliu em seco. Era verdade... Se Rima o visse ali em baixo seria ridículo. A imagem dela o olhando duvidosa apareceu na sua mente. Ele respirou fundo, e saiu de onde estava sentando na cadeira de cabeça baixa olhando discretamente para a menina.

"Kawaii" – Sango pronunciou novamente levando um guardanapo à boca, para que seu comentário saísse abafado.

"Ah... Shippou... Se você ficar assim, não vai conseguir nada com ela... Olha: Por que você não vai lá e a cumprimenta?" – Rin continuava a comer seu sanduíche.

"Não..." – Shippou murmurou.

"Shippou-kun... A Rin tem razão, você não precisa ir e ficar lá batendo-papo. É só falar: Oi, tudo bem?" – Sango pegou sua torta de morango e também começou a comer.

"Não..." – falou novamente, pegando seu refrigerante e levando a boca.

Rin suspirou cansada. Shippou era realmente um cabeça dura. Não ouvia ninguém.

Rima pareceu acabar sua refeição. Levantou-se da mesa junto com a outra mulher. As duas caminharam na direção da mesa onde eles estavam para ir embora. Seus olhos cor-de-mel encontraram com os de Shippou. Ela sorriu e deu um tchauzinho com a mão para o garoto. Shippou arregalou os olhos, corando fortemente. Ela levou a mão à boca abafando uma risada, desviou o olhar e saiu com a mulher para fora da praça de alimentação.

"Sugoi" – Rin e Sango falaram juntas novamente. Shippou continuava vermelho e estático, seguindo a menina com o olhar.

"Era pra você ter dado um tchau pra ela também, Shippou" – Rin falou alegre.

Shippou nada respondeu, continuou quieto, um pequeno sorriso começando a brotar dos lábios finos.

"Shippou?" – Rin balançou a mão na frente dos olhos do garoto, que continuou do jeito que estava. Rin deu de ombros e voltou-se para seu sanduíche.

"Ele está parecendo uma pessoa que eu conheço, não é mesmo Rin?" – Sango falou ironicamente, levando uma colher de bolo à boca, que esboçava o mesmo sorriso maroto, antes dirigido a Shippou.

Rin se engasgou com o sanduíche, corando levemente.

"Não sei de quem está falando, Sango-chan..." – murmurou depois de se recuperar evitando olhar para a amiga.

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E mais uma vez ela suspirou ansiosa. Estralava os dedos nervosamente e batia seguidas vezes o pé no chão. Encontrava-se sentada na cadeira em frente à mesa que Higurashi Kagome, a recepcionista, dissera que seria a sua, na primeira sala à esquerda do último andar. Olhou para a porta do escritório de seu chefe que ficava na direção da sua mesa e pela centésima vez olhou para a porta que dava acesso a sua sala.

Havia chegado cedo, e estava a esperá-lo. Seus nervos estavam à flor da pele. Qual seria sua primeira tarefa? O que ele pediria para ela fazer? Como reagiria aos testes que ele poderia propor? Seu coração batia descompassado e ela não conseguia de hipótese nenhuma se controlar. Passou a mão pelo cabelo e ajeitou a saia, não conseguia ficar calma. Por que não conseguia ficar calma?

Devo me controlar. Pensava, mas parecia que estava acontecendo o contrário. O que falaria para ele assim que ele entrasse? Para de pensar essas coisas sua baka, haja naturalmente...

"Oi Sesshoumaru-sama" – ela falou baixinho, treinando o que iria dizer – "Muito informal..." – falou balançando a cabeça negativamente – "Ohayo Sesshoumaru-sama, Como está? Como foi seu fim de semana?" – ela falou novamente com um meio sorriso no rosto – "Ai... Você não está o interrogando, Rin" – o sorriso desapareceu e ela fechou os olhos fortemente; as batias do pé no chão de madeira aumentaram – "Baka, baka, baka, baka, baka, baka, baka...".

A porta abriu de repente, assustando a garota que deixou escapar uma exclamação de surpresa.

"Te assustei Yoshida-san?" – Sesshoumaru perguntou, com uma sobrancelha levantada, fechando levemente a porta atrás de si; segurava uma maleta preta em uma das mãos.

"I-Iie Sesshoumaru-sama..." – Mentiu Rin levantando rapidamente do acento. Seu coração batia forte e seu rosto ficara numa tonalidade rosada – Ohayoo – cumprimentou fazendo uma pequena reverência. Estou assim por causa do susto, apenas por isso, ela pensava enquanto tentava controlar sua respiração, que estava um pouco descontrolada.

"Ohayoo" – ele falou sério, observando a garota. Estava vestindo um terno azul-claro, seu cabelo estava preso em um belo coque com pequenos cachos caindo na testa e em seu rosto uma expressão de nervosismo. Sorriu intimamente. Boa escolha, pensou. Dirigiu-se ao seu escritório, sendo acompanhado pelo olhar tímido da garota. – "Espere um segundo que já te orientarei em algumas coisas" – disse antes de entrar.

Sua Baka, ela pensou. Nem bem começara e já fizera uma mancada daquela. Esperou alguns segundos até ele aparecer novamente na sala.

"Bom Rin-san" – ele começou ficando de frente para a garota, estando apenas a mesa entre eles. Rin se espantou um pouco ao ouvir seu primeiro nome sendo pronunciado por ele – "Sobre os seus horários..." – ele a olhou de um jeito interrogativo, mesmo que não deixasse transparecer.

"A Higurashi-san me informou. Começarei ás 7:30 e sairei às 18:00" – ela os repetiu. Sabia que ele só havia tocado no assunto para saber se estava informada.

"Certo..." – ele falou – "Quero que saiba que por enquanto está em faze de treinamento. Se não me agradar pode a qualquer momento ser demitida" – ele falou friamente, observando a garota acenar com a cabeça positivamente – "Por isso, trate de me agradar, já falei que sou muito exigente e não gosto de repetir ordens mais de uma vez" – ele andou para um canto do escritório onde ficava um armário com inúmeras gavetas – "Poder vir aqui?" – ele indagou.

Rin rapidamente saiu de onde estava indo ao encontro do advogado, ficando próxima dele. Nunca estiveram tão perto, um arrepio percorreu seu corpo ao inalar o forte perfume masculino que emanava dele; sentiu seu rosto queimar quando seus olhos se encontraram novamente.

"Aqui é onde ficam as fixas dos meus clientes, todos os casos estão aqui, organizados por tipo e os nomes dos clientes estão em ordem alfabética. Sempre quando um novo cliente vier me procurar quero que faça a ficha, dizendo os dados e o caso e mais o que ache necessário. Alguns podem não querer lhe informar o caso, se isso acontecer não se preocupe. Eu colocarei depois" – ele falava abrindo uma das gavetas e revelando seu conteúdo. – "Se já for meu cliente quero apenas que separe a sua ficha e me entregue".

"Hai!" – ela acenou a cabeça novamente. Sesshoumaru fechou a gaveta e olhou-a nos olhos, continuando a falar.

"Muitas vezes presenciará choros, escândalos, brigas, enfim o que for... Quero que continue sentada na sua cadeira, fazendo o que tem que fazer, sem opinar ou intervir, certo?".

"Hai!" – ela respondeu novamente, imaginando todas as cenas que ele falara. Tentava gravar todas as palavras ditas pelo seu chefe. Queria agradá-lo a todo custo, e fazendo tudo o que ele mandasse seria uma ótima formar de começar, não?

Sesshoumaru continuou a orientá-la em vários aspectos e dizer tudo o que ela deveria fazer. Era realmente muita coisa, mas Rin acreditava que ela daria conta; ela tinha que dar conta, se não iria perder o emprego sem nem ter começado. Ouvia atentamente e de vez em quando perguntava algo que julgara necessário.

O advogado estava gostando da atenção e das breves indagações de sua nova secretária. Parecia ser responsável e prestativa. Ele falava calmamente o que deveria ser feito e como ele gostava que fosse feito de maneira clara e breve.

"Bom... Agora quero que veja o que tenho agendado para hoje, está tudo no computador" – ele concluiu apontando para o objeto – "Leve para minha sala quando terminar".

"Hai" – Sesshoumaru se retirou novamente. Rin respirou fundo. Certo, é só levar os compromissos para ele. Ela sentou em sua cadeira e ligou o computador do lado esquerdo da mesa. Procurou os horários, o achando facilmente. Mandou imprimir. Ele é realmente organizado, pensou vendo a máquina engolir o papel em branco e devolvê-lo cheio de informações digitadas. Pegou-o levantando-se. Deu leves batidas na porta, ouvindo uma resposta breve, a abriu.

"Aqui está" – disse estendendo o papel ao homem sentando na cadeira atrás da mesa

"Certo..." – Sesshoumaru pegou-o e deu uma breve olhada, contraído levemente a testa ao ler: reunião com Nakamura ás 15:00h.

"Algum problema, Sesshoumaru-sama?" – Rin perguntou receosa. Será que fiz algo errado?

"Não" – respondeu depositando o papel na mesa e pegando alguns papeis os estendendo a garota – "Quero que digite isso"

"Certo" – sorriu levemente – "Licença" – pronunciou educadamente antes de sair da sala.

Rin estava se saindo bem até ali. Estava digitando um dos papéis que ele entregara e ainda não havia cometido nenhum erro. Embora acabasse de começar era uma grande vitória ainda não ter gaguejado ou falado algo incorreto. Ela sorriu levemente. Tomara que continue assim!

O toque do telefone a despertou de seus pensamentos. Ela olhou assustada para o aparelho ao seu lado. O que diria? Como deveria atender? Pegou receosa e falou a primeira coisa que julgara apropriada.

"Escritório do Sr. Inokuma"

"Rin-san? Estão subindo alguns clientes do Sesshoumaru-sama, sim?" – Rin reconheceu a voz. Era a recepcionista, Higurashi Kagome.

"Hai, Kagome-san" – respondeu e desligou o telefone ao ver que a outra já havia desligado. Calma. É só fazer o que o Sesshoumaru-sama falou, pensou tentando se acalmar. Organizou rapidamente os papéis que havia deixado espalhado; devia dar boa impressão.

De repente a porta se escancarou. Rin assustou-se ao se deparar com um gato siberiano que pulou rapidamente na sua mesa.

"Kiwi, meu bebê desça daí!" – uma mulher entrou afoita na sala, pegando o gato de cima da mesa.

"Seu bebê, não! Ele é meu gato!" – um homem pequeno e gorducho entrou atrás da mulher, com uma expressão raivosa e puxando o animal das mãos dela.

"Hahaha, vamos ver querido. Você não vai ficar com o meu gato e muito menos com a minha casa. Você verá! Meu advogado vai resolver tudo" – ela falou rindo pegando o gato de volta. O animal respondeu com um miado estridente, não gostando nada de ser puxado de um lado para o outro.

"Seu advogado? Ele é o meu advogado! Eu já o conhecia antes de me casar com você! Eu o vi primeiro!" – ele falou levantando o dedo indicador para o outro. Sua face vermelha e seus cabelos meio grisalhos um pouco despenteados.

"Er... Com licença? Posso ajudá-los?" – Rin falou receosa, dando um falso sorriso quando os dois a encararam.

"Pode!" – eles pronunciaram juntos, se encarando desgostosos.

"Por favor, gostaríamos de falar com o Inokuma-sama, sim?" – ela falou alisando o felino freneticamente.

"Claro. Seus nomes, por favor" – ela falou, olhando com pena para o pobre gato nas mãos da mulher.

"Utada Ichiro" – o homem falou olhando de canto de olho para a mulher que continuava a acariciar o gato.

"Sato Akiko" – a mulher fez questão de enfatizar o sobrenome.

"Certo" – Rin pegou o telefone. Lembrando-se das palavras de Sesshoumaru quanto ao número que ela discaria para falar com ele – "Cinco" – murmurou baixinho apertando o número

"Pronto" – Sesshoumaru atendeu.

"Sesshoumaru-sama. A Sra. Sato e o Senhor Utada, estão aqui fora. Podem entrar?" – falou observando o homem tentar tirar o gato das mãos da mulher.

"Sim" – ele respondera e desligou o aparelho.

"Podem entrar" – Rin falou aos dois, sorrindo levemente. Eles rapidamente entraram na sala. O que devo fazer agora?, ela pensou. Ah! Sim... As fichas. Rin fez como Sesshoumaru havia lhe falado: Digitou o nome no computador, no sistema de procura. O nome da mulher não foi encontrado, porém o resultado da busca do homem fora: Sr. e Sra. Utada. Divórcio.

"Eu percebi..." – Rin murmurou para si mesma, levantando-se da cadeira e indo para o armário pegar a ficha dos clientes na parte de divórcios.

"Sr. e Sra. Sr. Higuro, Sra. Keido, não..." – ela passava devagar as pastas dentro da gaveta a procura da que queria – "Sr. Mihara... ai... cadê? Sr. e Sra. Sayoru... Aqui! Sr. e Sra. Utada" – disse pegando a pasta. Ela foi até a porta do escritório do advogado, batendo novamente.

"Entre" – ouviu.

Ela entrou murmurando um pedido de licença. Os clientes discutiam brandamente, enquanto Sesshoumaru continuava impassível. Ele lembrava muito bem daquele caso, o caso do gato. Arrependia-se infinitamente de não tê-lo resolvido logo. Mas uma coisa estressante para o seu dia. Já não bastava a reunião com Naraku, e agora havia duas criaturas loucas brigando na sua frente. Era normal eles brigarem pela posse da casa, mas brigar pelo gato já era demais, não?

"Sesshoumaru-sama, você é o meu advogado deve me defender. Eu que construí aquela casa e fui eu quem comprou o gato" – o homem falava exaustado apontando para o animal, que lambia despreocupadamente sua pata.

"Mas você comprou o gato para mim e a casa foi construída pelos dois! E além do mais você é o meu advogado, Sesshoumaru-sama, não dê ouvindo a esse infeliz! Você sabe que eu tenho razão!" – ela falava já aos prantos. Rin entregou rapidamente o papel a Sesshoumaru, querendo logo sair dali para não atrapalhar.

"Certo... Brigar aqui não adianta" – Sesshoumaru falou calmamente – "Yoshida-san pegue um copo de água para os dois" - Rin rapidamente, saiu da sala para pegar o que foi pedido. Voltou um tempo depois, segurando uma bandeja e dois copos de vidro vazios e um bule com água. A discussão aparecia ter amenizado. Ele é realmente o máximo. Pensou servindo os copos e entregando aos dois, mas prestando muita atenção no que eles falavam. Parecia que já havia resolvido sobre a casa.

"Certo... Agora sobre o gato. Vocês têm alguma queixa de mau trato?" – ele perguntou escrevendo rapidamente algo no papel. Os clientes se entreolharam e os dois balançaram a cabeça negativamente, enquanto Rin depositava o bule em cima da mesa de Sesshoumaru, no caso deles quererem mais.

"Proponho primeiro um teste: Vamos ver quem o animal escolhe. Esse será um bom começo" – ele olhou de um para o outro. Os dois concordaram. Rin se afastou um pouco, observando os três levantarem. Sesshoumaru pediu para que eles ficassem num canto da sala. O advogado pegou o gato e o pôs em outro canto. Orientou para que eles chamassem o gato ao mesmo tempo. Seria uma prova de quem o gato mais se apegava.

Rin começou a se retirar da sala segurando a bandeja agora vazia, para não atrapalhar. Os dois começaram a chamar o animal de nomes carinhos e estralando os dedos freneticamente. Mas o inesperado aconteceu. O gato correu para a direção contrária dos dois donos, pulando nos braços de... Rin, que largou a bandeja para segurar o felino, fazendo um barulho agudo no chão.

Os clientes olharam abismados para a garota, que olhava com uma expressão assustada e ao mesmo tempo duvidosa para o chefe, sem saber o que fazer. Sesshoumaru deixou que um sorriso de lado tomasse conta de seus lábios e balançou a cabeça negativamente, olhando para o animal, que agora lambia o queixo delicado de sua secretária.

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Vocabulário desse cap.:

Ototo: irmão mais novo

Gomen: Desculpa

Sugoi: Legal

Kawaii: Fofo

Ohayoo: Bom dia!

N/A: Ok... Antes de qualquer coisa, eu peço um milhão de desculpas por ter abandonado a fic. Não estava com tempo para escrever e sinceramente já estava pensando em deletá-la. Se não fosse pelos reviews e pela insistência da Loli (minha beta), acho que esse capítulo não sairia. Vou tentar me dedicar mais a fic e postar quando puder, ok?

Bem... fiz esse cap um pouco maior que os outros para compensar o tempo perdido. Na cena do desaparecimento do Shippou no shopping me baseei num episodio que ocorreu comigo e meu irmão mais novo. Ele desapareceu no shopping e eu fiquei desesperada o procurando, quando eu o encontrei ele tava numa loja de vídeo game... ¬¬'

Agradeço a Sacerdotiza, Raissa Azevedo, Kagome ch, Misao, Palas Lis, Hyuri Higurashi, Amanda, Lady Rin-sama e Hinata-chan pelos reviews do capitulo três.

Então... Me mandem reviews dizendo o que acharam do cap, ok? Tentarei não demorar com o próximo.

Beijos

Cath D

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