— Rachel! - uma voz gritou através do comunicador e acabou por assustar a garota que acordou. Mas alguma coisa não parecia certa, assim que ela ergueu a cabeça e coçou os olhos para tirar um pouco do sono ela percebeu que tinha adormecido na estação de trabalho... de novo.

— Rachel, vem aqui agora mesmo. - seu pai Leroy gritou pelo comunicador de novo. Então ela ouviu batidas fortes na porta do porão no alto da escada atrás dela.

A morena grunhiu quando se alongava, tinha adormecido enquanto trabalhava de novo, pelo menos ela não estava usando a máquina de solda, quase tinha acabado com umas queimaduras feias, ou colocado fogo no porão... de novo. Dessa vez ela só estava desmontando uma protótipo de luva, tinha calculado que os impulsores das botas não seriam o suficiente para mantê-la equilibrada e então percebeu que os impulsores dos braços poderiam ir para as mãos... e até mais.

Ela não sabia como tinha esquecido disso antes, provavelmente porque estava focando tanto em fazer a coisa andar, voar seria uma etapa posterior.

— Rachel, você poderia por favor se reunir ao seu pai e a mim, aqui em cima? Nós precisamos falar com você. - a voz de Hiram atravessou o cômodo num tom mais gentil do que o outro pai tinha usado.

Ela se ergueu e se alongou mais uma vez enquanto se preparava mentalmente para qualquer coisa que pudesse estar esperando por ela no andar de cima. Ela olhou ao redor do cômodo para checar se as coisas ainda estavam do jeito que ela tinha deixado. Essa pessoa que tinha deixado o cartão assinado 'NF' tinha deixado ela um pouco paranóica.

Ela mal tinha saído do porão quando Leroy começou. — Porque tem $2000 sumidos da sua conta? - ele tinha um pedaço de papel amassado em sua mão conforme ele perguntava exaltado.

— Desculpa? - ela perguntou enquanto arqueava uma sobrancelha, como ele poderia saber do dinheiro "removido". — Está bem aqui! - ele disse ao praticamente enfiar o papel na cara dela. — Você retirou 2000 dólares da sua conta! - Ah, então era assim que ele sabia. — Você abriu minha correspondência? - ela respondeu num tom acusatório.

— Porque você tirou esse dinheiro?- Leroy ignorou ela ao responder. — Você está com problemas? Nós podemos ajudar Rachel. - Hiram assegurou ela, ele realmente parecia preocupado, Leroy também mas o mesmo estava usando raiva para forçar a resposta dela. Por acaso ele tinha esquecido como sua garotinha podia ser teimosa?

— Eu não estou com problemas pai. — ela tentou reassegurar o pai mais alto antes de virar para o mais baixo. — Eu não posso acreditar que você abriu minha correspondência! É minha conta e eu faço o que quiser com o dinheiro. - ela disse. — Esse dinheiro é para a faculdade e você ainda não tem 18. - Leroy respondeu sem se acalmar.

— Você nunca colocou nenhuma restrição na conta, então eu posso pegar o que quiser. - ela falou ao dobrar os braços no peito e colocar seu peso em uma perna, como se para mostrar sua atitude rebelde.

— Para que você precisa de 2000 dólares? - Hiram perguntou muito mais calmo que seu marido. — O que você está fazendo? Para que precisa desse tanto de dinheiro? - ele perguntou.

— Não é da sua conta. - ela se sentiu mal por responder mal educadamente para o pai que ela preferia naquele instante mas ela não poderia arriscar que os dois soubessem, se eles soubessem só iria trazer coisas ruins e eles tomariam tudo dela.

— Nós somos seus pais e você é menor de 16, nós temos o direito de saber. - Leroy disse, finalmente adotando o método de aproximação de seu marido. — Nós só queremos te proteger.

— Eu tenho 16. - ela disse com um suspiro, ela só queria que eles esquecessem. — E vocês nunca ligaram pra mim em todos esses anos, porque agora? - ela perguntou cansada.

— Nós sempre ligamos para você. - os dois falaram. Ela balançou a cabeça, qual era o ponto disso tudo, o que ela poderia falar? Qualquer coisa, qualquer argumento que ela usasse só começaria uma discussão nova. Ela podia entender que eles estavam preocupados mas eles não compreenderiam, ninguém o faria. Leroy andava diferente ultimamente, quase paranóico e Hiram estava tentando manter a casa calma. Ela tinha mudado tanto que um deles ou os dois tinham mudado completamente? Aparentemente sim.

— Eu vou pra escola. - ela disse secamente antes de dar meia volta para o porão e bater a porta atrás dela. Ela ouviu ambos os pais falando com ela mas os ignorou, travou a porta e desceu a escada. Ela desconectou o comunicador, contente que tinha instalado essa função.

Então Rachel caminhou até a armadura, sua criação e a encarou com fascinação. Ela ainda estava maravilhada por ter conseguido fazer isso. Quando ela acordou com aquela nova motivação que compeliu... por falta de melhor termo, seu lado nerd. Ela era uma nerd científica, sempre tinha sido mas escondeu por anos para não sofrer mais bullying e devido ao seu sonho da Broadway.

2000 dólares ou um pouco menos que isso fora uma barganha pelo que estava na frente dela. Ela tinha usado o dinheiro para pagar pela sucata que ela tinha achado no ferro velho. Também tinha usado um pouco do dinheiro para pagar por materiais mais caros, como o alumínio que precisava para algumas peças.

Ela usou o resto para comprar alguns equipamentos perto do ferro velho. Eles tinham crisol, não um dos grandes, o tamanho certo para ela. Ela conseguiu usá-lo, não era difícil depois de fazer um pouco de pesquisa. Ela purificou os metais e foi capaz de usar o material fundido imediatamente, ela passou semanas antes de fazer os moldes exatos.

Cada peça da armadura tinha sido feita com cuidado meticuloso, cada molde feito no milímetro exato. Ela não podia ter uma única imperfeição ou não funcionaria. Isso não era uma armadura medieval, é um super robô computador com espaço para um piloto. Era sua obra prima e seu bebê, atualmente era seu tudo.

...

Assim que Rachel sentou na sua aula de espanhol não conseguiu evitar um suspiro. Ela sua terceira aula do dia e ela não tinha visto Quinn em lugar nenhum... bem, ela tinha visto ela no primeiro período mas a loira a tinha evitado completamente.

Naquele momento a loira que estava em sua mente entrou na sala de aula. Rachel se ajeitou na cadeira como se tentasse chamar sua atenção. Ela viu Quinn pausar no meio de um passo, ela olhou diretamente para Rachel antes de olhar para seus pés e escolher o assento mais próximo da porta.

Tinha sido só um comentário idiota, Quinn não podia esquecer? Elas eram amigas, pensou Rachel, ótimas amigas considerando que tinha sido só algumas semanas. Mas não, ela não era digna do tempo de Quinn ou de sua atenção, de novo.

Mr. Schue ainda tinha que aparecer e Rachel percebeu que ela nem precisava estar ali. Ela já sabia falar espanhol, era bem fácil para ela acompanhar, além disso Mr. Schue era um professor ruim.

Ela pegou sua mochila para guardar seu caderno quando viu o cartão, o cartão que ela tinha achado colado na armadura. Estava preso no topo de um livro qualquer na mochila.

Ela já tinha planejado sair, agora ela sabia para onde ir na tarde de folga. Ela guardou seu livro e canetas na mochila e empurrou sua cadeira para trás fazendo com que o barulho de metal contra o piso soasse alto. Ela colocou a mochila sobre os ombros e pegou sua jaqueta antes de caminhar direto para a porta.

Ela teve certeza de passar diretamente ao lado de Quinn em seu caminho, não ligando se a loira tinha notado ou não... okay isso foi uma mentira total, ela queria que Quinn soubesse o quão irritada ela estava com ela, mas não ao ponto de confrontá-la ali e agora e fazer uma cena... alguém talvez chamasse de briga de casa e elas ficariam pior do que já estavam.

...

Rachel teve que olhar mais de uma vez o endereço no cartão quando olhou para o galpão enorme. Era perfeito, pelo menos pelo que podia ver do lado de fora. Era um prédio velho e ela esperava que estivesse vazio por dentro, então seria realmente perfeito.

Ela poderia testar o mecanismo de voo quando estivesse pronto e ainda ficar escondida de olhos alheios até que pudesse figurar as manhas e também ficasse confortável com os controles antes de ficar finalmente pronta.

Não querendo atrasar outro minuto ela foi até a única porta que podia ver no momento, uma porta do tamanho de uma pessoa em um dos cantos da frente. Já tinha um molho de chaves pendurado na fechadura e um cartão estava pendurado do pedaço de metal grudado na chave.

-Está tudo pronto Senhorita Berry

NF-

O que aquilo queria dizer? Pensou para si... Bem, descobriria logo.

Rachel destravou a porta, tentou achar um interruptor de luz mas não parecia ter um no alcance da porta. Não importou, assim que ela fechou a porta de metal atrás de si as luzes automaticamente se acenderam. E ela ficou instantaneamente chocada com o que estava vendo. As paredes do lado de dentro não eram do mesmo material do lado de fora. Eles eram brancos e suaves e não de metal enferrujado. E parada no meio do galpão estava sua armadura, tinha que ser a dela, ela correu até lá e confirmou com todos os arranhões e marcas que era de fato a sua.

Por um momento ela estava preocupada com o fato de que alguém talvez tivesse feito uma cópia... então outro pensamento ruim a atingiu. Como eles conseguiram sua armadura? E seus computadores? Ela nem tinha os notado de primeira. Seus computadores assim como outras formas de tecnologia que ela não reconheceu estava em diversas mesas espalhadas por uma parede. Ela viu algumas mesas de trabalho com rodas para que ela pudesse movê-las.

Na parede mais distante ela podia ver janelas. Parecia que uma casa tinha sido construída juntamente do galpão. Era tão incrível quanto preocupante. Porque ela tinha recebido isso? E porque tinham movido as coisas do seu porão... ela não tinha certeza se gostava do ambiente aberto do galpão oposto do seu porão isolado. 'Não é a mesma coisa', ela pensou com tristeza enquanto pensava 'não é a mesma coisa!' porque era um progresso.

— Boa tarde Rachel.

— Eita! - ela sussurrou ao olhar para cima como se pudesse ver a voz. Mas ao invés viu um sistema de caixas de som espalhados pelo teto da sala. — O sistema está pronto para seu uso, a segurança pode ser melhorada assim que você acessar seus computadores e a segurança da porta também pode ser melhorada com um leitor biométrico. Esse sistema também é quase a prova de som e completamente equipado para uma vivência comum. Bem vinda ao nosso novo lar.

— Hm, obrigada. - ela conhecia a voz, era a que ela tinha programado para sua armadura, apenas uma voz metálica. Ela ainda não tinha certeza, lar era com seus pais. Mas talvez melhorasse para ela. Por enquanto ela apenas passaria a noite trabalhando em sua armadura e tentaria se acostumar com o novo ambiente.

Ela foi para a casa de seus pais aquela noite e entrou no porão. Estava estranhamente vazio, apenas sua cama simples no canto e as mesas de trabalho sem computadores e ferramentas, sua armadura também estava sumida. Pelo menos ela tinha ido para o galpão primeiro ou teria tido uma surpresa desagradável.

...

SÁBADO

Porque importava? Porque ela ligava?

Porque Quinn estava completamente sozinha. E ela tinha a amizade de Rachel quisesse ou não. Elas poderia passar por alguns idiotas e suas ideias na escola. Talvez porque a amizade das duas tinha se formado tão rápido e tinha sido tão surpreendente que chamou atenção; mas era somente isso, uma amizade. E Rachel se importava com essa, provavelmente porque era sua primeira amizade verdadeira. E isso era tudo no que ela conseguia pensar enquanto trabalhava em sua armadura a noite toda no galpão.

Então é por isso que ela se achou dirigindo para a casa de Santana Lopez. Ela precisava falar com Quinn mas não sabia onde ela morava agora. Já tinha mandado uma mensagem para a loira mas não tinha recebido uma resposta, então ela tentou ligar para o celular dela mas não foi atendida, então Quinn estava realmente a evitando.

Ela só sabia onde Santana morava porque ela já tinha passado por ali vezes o suficiente quando alguma das várias festas da escola que ela não tinha sido convidada estavam acontecendo... não que ela ligasse. Isso e porque ela também reconheceu o carro de Santana que sempre estava parado ali na frente. Ela tinha a suspeita de que os parentes da garota não eram tão presentes.

Ela estacionou na frente e passou alguns instantes acalmando seus nervos antes de sair do carro e caminhar até a porta. Conforme ela tocou a campainha percebeu que não tinha nenhuma história para explicar o porquê de estar ali.

Para seu alívio Santana abriu a porta, então ela evitaria a conversa estranha e apenas iria direto ao ponto ao falar com a garota. Não escapou para ela que a felicidade nos olhos da latina evaporaram assim que pararam sobre ela. — Berry, mas que diabos está fazendo aqui? - a latina perguntou.

— Eu só vim aqui para perguntar se sabe o novo endereço da Quinn. - ela perguntou diretamente, não é como se Santana fosse querer prolongar a conversa de qualquer maneira.

Mas a latina decidiu que iria fazer isso difícil. — Problemas no paraíso?

— Cala a boca Lopez, você tem um endereço ou não? - talvez se ela falasse como a latina ela conseguiria passar por isso mais rápido.

— Porque você quer tanto? E pelo jeito você realmente quer muito. - ela disse com um sorrisinho.

— Você acha que essas insinuações fracas vão me fazer ir embora? Bem, ela não vão. Você tem o endereço dela ou não? Só queria falar com ela. - respondeu Rachel.

— Ela ainda não está falando com você?

— Não Santana, ela não quer falar comigo, mas ela é minha amiga e eu preciso tentar consertar isso.

— Sério Berry, ela foi uma vadia com você pelo que? 2 anos? E você quer mostrar piedade? Por favor. - ela disse zombando. — Você só quer ela por perto para ser seu escudo e eu não vou deixar isso acontecer.

— Você liga pra ela? - Rachel disse ao arquear uma sobrancelha cética. — Então porque você não disse nada quando suas Cheerios começaram a fazer aquelas acusações? - Santana vacilou com as palavras de Rachel, ela falhou em deixar isso discreto quando seus olhos foram para longe de Rachel e ela dobrou os braços protetoramente na frente dos seios. — É verdade, você não pode. Você é a H.B.I.C agora e não pode perder isso. Já é difícil o suficiente manter o título e ficar no glee club, você não pode proteger ela também

— Isso não é sobre você? - Santana soou surpresa. Ela achou que Rachel só queria a amizade por razões egoístas, como se esconder ou proteção para Slushies... o que evidentemente não estava funcionando.

— Não diga Lopez. - por um segundo foi como se as funções tivessem sidos invertidas. — Eu sei o que é ficar sozinha, mas não como ela. Eu só queria estar ali por ela e por causa de algum comentário idiota de sermos namoradas ela está me ignorando de novo. - Rachel disse com frustração. — E eu sei que atingiu você também. - então a morena abaixou a voz para que ninguém escutasse. — Porque você está com medo de cair do mesmo jeito da pirâmide dos populares porque as palavras ditas para Quinn e para mim são verdade para alguns outros.

Apesar do volume baixo da voz Santana ainda olhou sobre seu ombro antes de surtar com a morena baixinha. — Escuta aqui Berry, não sei que merda você pensa que é mas-

— Ah, por favor, eu vi o jeito que seu resto ficou quando me viu. Está esperando uma certa loira de olhos azuis a qualquer minuto?

— Isso não é problema seu, então mantenha essa sua tromba gigante fora disso.

— Ha, outra piada sobre nariz... Que original. - ela disse seca. — Você tem o endereço da Quinn ou não, me dá que eu vou embora.

— Ta. - disse a outra antes de desaparecer na casa por um tempo, deixando Rachel na porta. Alguns segundos depois ela estava de volta com um pedaço de papel. — Não magoe ela. - ela disse rudemente.

Conforme Rachel pegou o papel das mãos da latina sua mão tocou a dela. Alguma coisa estava errada, sua pele estava quente, muito quente. — Santana você está bem? - ela só perguntou depois que o papel estava seguro em suas mãos.

— Do que você tá falando? - a latina zombou. — Sua pele tá muito quente, você talvez esteja com febre ou algo assim? - Rachel perguntou genuinamente preocupada.

— Eu to bem, você conseguiu o que queria e agora vai embora. - disse Santana, e ela realmente se sentia bem.

— Tanto faz. - Rachel murmurou antes de fazer uma saída rápida para seu carro. Santana definitivamente tinha trocado algumas vezes de personalidade hoje, ela não poderia parar para pensar se Santana estava doente ou não agora.

Próxima parada... Casa da Quinn.

...

Rachel não conseguiu acreditar na sua sorte quando achou o bloco do apartamento de Quinn. Ela tinha visto as nuvens de mais de uma milha de distância, e a maneira que se aglomeravam sobre o bloco da loira não ajudaram a dar uma boa impressão. Mas parecer ser okay, não era a pior área e parecia seguro, também parecia quase novo, então era outro pró para a lista.

Ela achou um lugar para estacionar o carro numa rua lateral dos apartamentos. Ela olhou o pedaço de papel que Santana tinha escrito para verificar novamente o número do apartamento que Quinn vivia: 4B.

Assim que ela saiu do seu Lexus ela sentiu o toque suave de gotas de chuva sobre sua cabeça. — Que incrível. - ela nem tinha acabado de fechar a porta do carro quando começou a chover mais rápido e forte. — Era tudo o que eu precisava. - ela disse antes de decidir correr, como uma lunática com medo de água e tudo porque não tinha comprado um casaco ou um guarda chuva.

Uma mulher com um cachorro estava saindo quando ela chegou na porta, ela parou para mantê-la aberta para Rachel que a agradeceu e entrou. Ela não sabia o que era mais louco; o fato da mulher estar levando o cachorro para passear na chuva ou o fato de que ela deixou uma estranha entrar no prédio.

Mas não importa, ela conseguiu chegar depois de uma jornada estupidamente complicada, bem, era complicada considerando que tudo o que ela queria era falar com uma amiga. Ela descobriu que o 4 no 4B indicava o andar e ali ela viu que o prédio não tinha elevador, então ali vai um contra para a lista. Deve ter sido uma inconveniência para Quinn, ainda mais com Beth.

Quando ela parou em frente ao suposto apartamento de Quinn ela ficou nervosa de repente, ela não tinha certeza do porque mas não era porque ela tinha acabado de perceber que Santana podia a ter enganado.

Ela chegou tão longe, ela pelo menos devia bater na porta. Ela segurou a respiração enquanto esperava, então ouviu movimento do outro lado da porta e então uma pausa antes de um som que pareceu ser o de uma corrente sendo destrancada. Enfim o clique de uma trava sendo desfeita e a porta estava finalmente aberta.

— Rachel o que você está fazendo aqui? - a voz de Quinn soou meio grogue quando ela colocou a cabeçå para fora da porta, abrindo só metade. Rachel tinha um discurso preparado mas assim que ela viu os olhos de Quinn uma pergunta escapou de sua boca. — Você estava chorando?

Mas ao mesmo tempo Quinn perguntara. — Está chovendo?

— O que? - perguntou a morena.

— Você está encharcada. - Quinn disse, olhando vagamente para os jeans e suéter encharcados de Rachel.

— Ah sim, começou a chover bem forte. - ela respondeu como se não fosse nada. — Você estava chorando? - perguntou novamente.

— Não. - respondeu a loira ao mesmo tempo em que olhou para os pés.

— Não minta para mim Quinn, seus olhos estão vermelhos. Porque você está chorando? - Rachel perguntou com um pouco mais de vontade. — Não é nada. - respondeu a outra tentando mudar de assunto, ela abriu mais a porta para que a morena pudesse entrar, ela não queria ficar batendo papo no corredor de um jeito que seus vizinhos pudessem ouvir. — O que está fazendo aqui?

— Eu queria falar com você. Você me evitou ontem. - Rachel respondeu calmamente, e quando a loira tentou falar alguma coisa a morena a interrompeu. — Eu entendo tá. O que eles disseram não foi muito legal... Eu sei que foi humilhante mas foram só palavras. - ela tentou apontar conforme seguia Quinn para dentro do apartamento.

Não parecia muito ruim do lado de dentro também, era só um cômodo com uma pequena cozinha, no lado oposto da porta da frente três portas levavam para outros cômodos, supostamente dois quartos e um banheiro.

Quinn deu uma risada em tom de zombaria e se afastou de Rachel, deixando a garota sozinha no meio da sala enquanto foi para a cozinha. — Você acha que eu estava te ignorando por causa daquilo? Por causa de um comentário estúpido. - ela disse enquanto esperava pela resposta da morena, seus olhos parados nela.

— Bem... sim, o que mais poderia ser? - Rachel perguntou dando de ombros.

— Rachel, não é isso. - ela disse surpreendentemente suave. — Talvez devêssemos sentar. - ela disse gesticulando para o sofá na frente de Rachel. A morena rapidamente tomou um assento enquanto Quinn sentou na cadeira de descanso do lado oposto. — Olha. - a loira começou. — Eu não ligo para o que eles me chamam mais. Eu realmente não. Mas eu fico triste que você está se machucando por ser minha amiga.

— Eu não entendo. - disse Rachel, balançando a cabeça para combinar com suas palavras.

— Olha, eu sei como você estava ano passado, porque eu escolhi ficar com a Beth. - ela explicou enquanto tentava não quebrar o contato visual com Rachel. — E eu nunca vou me arrepender de ficar com ela mas eu me arrependo deixar você se machucar quando só estava sendo legal comigo. Você foi corajosa por revidar contra eles mas então o Karofsky... ele te socou. - ela finalizou fracamente.

— O soco foi só uma retaliação e eles me jogaram um slushie no momento em que eu pisei de novo na escola. Nós só não tínhamos nem mesmo conversado...

— Eles não jogam slushie no Glee Club, até o Kurt não é mais abusado por eles, mas eu sou. Porque eu tinha tudo, tudo o que poderia querer e agora não tenho, e eles estão retribuindo pelo ano passado. Se você ficasse com o glee club eles talvez te deixem sozinha. - disse Quinn.

— Mas eu não quero andar com eles. Finn ta me assustando e o resto nem tentou falar comigo quando eu voltei. Kurt e Mercedes olharam para mim como se estivessem mais preocupados que eu fosse roubar o spotlight e os outros nem pareceram incomodados. - ela parou sua divagação. — Meu ponto é, eu gosto de ser sua amiga.

— Eu gosto de ser sua amiga também, mas não gosto de te ver machucada porque somos amigas.

— Eles me machucariam mesmo se não fossemos amigas Quinn. E eu não quero nenhum deles machucando você também, então eu vou ficar por perto, para te proteger. - ela deu uma piscadela e logo em seguida se arrependeu.

— Você acabou de piscar? - Quinn perguntou com uma risadinha.

— É. Foi mal por isso. - ela encolheu-se e então algo veio a sua cabeça. — Onde está a Beth?

— Puck está com ela, ele a busca todo sábado a tarde e a traz no domingo de manhã. - ela explicou simplesmente. — E normalmente eu trabalho no meu segundo emprego hoje... mas eu meio que fui demitida.

— O que? Porque? - Rachel perguntou preocupada o que na verdade escondia o fato que ela estava aliviada. Ela não gostava de Quinn com tanto nas costas e descobrir que agora ela só tinha um emprego era um alívio.

— Eu cheguei atrasada por três sábados seguidos, porque Puck chegou para buscar Beth mais tarde do que planejado.

— Isso não é justo. - ela disse antes de mudar o tom para mostrar o que sentia de verdade. — Talvez foi pra melhor.

— Sério? Eu precisava do dinheiro. - disse Quinn em um misto de escárnio e sarcasmo.

— Eu posso ajudar. - a morena disse avidamente.

— Isso é fofo. - Quinn disse com um sorriso tímido. — Mas não é sua responsabilidade... Eu preciso achar uma maneira de fazer as coisas darem certo. - ela assegurou a outra e antes que Rachel pudesse falar qualquer coisa Quinn ofereceu para ela um copo de café que a morena aceitou.

— Você sente falta dela? - a morena perguntou enquanto Quinn estava na cozinha fazendo café. — Mais cedo quando você mencionou que o Puck estava com a Beth... Você parecia com um pouco de ciúmes.

— Eu tenho ciúmes de qualquer um que passe tempo com ela sem mim. - Quinn disse com uma risada sem humor. — Ela é... - ela parou, como se pensasse no que dizer. Então se virou e olhou para Rachel. — Ela é minha luz, minha coisinha fofa.

— Com você e Puck como pais eu imagino que ela seja linda. - Rachel disse como um elogio.

— Eu esqueci. - Quinn não tinha percebido antes que Rachel fora a única que não estava no nascimento. — Você nunca a conheceu.

— Não. Mas se vamos ser amigas talvez eu possa ter a chance de conhecer essa coisinha fofa da sua vida.

— Talvez possamos sair depois da escola algum dia. - disse Quinn.

— Eu gostaria disso. - Rachel respondeu.