Autor: Lestrange

Título: Fire Enchanter

Capa: http : / / i161 . photobucket . com / albums / t233 / DarkAngelSly / fire . jpg

Ship: Tom Riddle/Ginevra Weasley

Classificação: M

Gênero: Angst / Drama

Spoilers: 2

Formato: LongFic

Status: Incompleta

Idioma: Português

Observação: Universo Alternativo

N/A: Esta fic continua a ser para o Projecto Pandora do 6V. Continua a ser também dedicada à Dark K. Como todos os capítulos têm uma sub-dedicação especial, este é dedicado ao Lucas Cefeu ^^ Espero que gostes.

Item: Noite


Capítulo 3

O silêncio era envolto por uma aura de tensão. A luz tinha dificuldade em trespassar as janelas. Penumbra. Havia um ar austero naquilo tudo. Um ar irrespirável. Uma pressão nas almas daqueles que permaneciam vivos.

4:00 am

O Sol teimava em não romper o horizonte e a lua insistia em iluminar o céu. Mais silêncio. A casa estava fria sem um único vestígio de calor. Faziam duas semanas e tudo mudava.

As pálpebras selavam os olhos de todos aqueles que não queriam encarar a realidade. Tom nunca teve medo de a enfrentar.

A água caía-lhe nos ombros e escorria pelo corpo. Fria, mas reconfortante. A única forma de Tom fugir da falsidade e da condenação de ter que viver com aqueles que não eram seus, nem que se aproximavam disso.

Nada o marcava, nada o emocionava, nada o mantinha preso a recordações ou lembranças… Apenas aquilo que era selado na sua pele jamais podia renegar: as provas de uma desgraça, as evidências de uma revolta.

E voltava para dentro, para o seu único refúgio, por mais custoso que fosse.

8:00 am

O burburinho do despertar. A cozinha ficava saturada de tanta gente viva. O sangue pulsava nas veias de cada um a uma velocidade estonteante, mas ninguém se apercebia de tais pormenores, a não ser ele.

Todos os dias, à mesma hora, chamavam-no. Todos os dias, á mesma hora, ele se recusava. Uma simples rotina. Contudo, para ele, uma tortura.

Repulsa. O que estava ele a fazer ali? Como poderia estar-se a sacrificar tanto só por ele, um Potter, que nenhum esforço merecia?

Sentava-se na cama e começava a percorrer, com um pedaço de seda, delicadamente, a superfície do violoncelo. Quase conseguia ouvir as partículas de pó a livrarem-se do verniz do instrumento, mas eram sempre interrompidas pelo barulho ensurdecedor dos talheres que conseguia chegar ao quarto mais alto.

-x-

- Tom? – uma voz sempre o chamava. Delicada e sempre originada de um medo desconhecido.

- Ginevra.

- Junta-te a nós – quase suplicava.

- Estou bem.

Eram palavras duras para ela, mas completamente insignificantes para ele. E mais um dia passava e mais uma vez ele ia até ao Salão. O seu disfarce tinha que continuar e de certa forma ele gostava do que fazia. Não agradar aos outros, mas a si mesmo. Sentir-se envolvido por uma música que todos ouviam, mas uma harmonia que apenas ele sentia. Uma melodia misturada com o viver das almas e o bombear dos corações.

-x-

Tinha ouvido uma conversa, uns dias antes.

- Ginny, recebi uma carta – a voz de Arthur conseguia revelar felicidade.

- De quem?

- Do Harry. Ele diz que poderá passar cá uns dias. Parece que a família dele o dispensou.

- Oh! Isso é óptimo. – Palavras sem vida, palavras mortas, palavras de decepção. Mesmo assim, um contentamento começava a invadi-la. – Mas quando chega ele?

- Pelo que me pareceu, acho que será daqui a dois dias.

Um sorriso reflectido no vidro era desenhado. O coração batia acelerado. Uma ansiedade de obsessão e de morte era tão evidente que quase não se conseguia conter. Era ele. Finalmente ele. Harry Potter, à sua frente. Vivo, tanto quanto ele.

Foi interrompido, como sempre, pelo toque sublime no seu ombro. E sempre se desviava. Um medo. Uma revelação. Sempre ela. Teria que continuar a sorrir, mas porquê? Ele queria-a morta, assim como todos os outros. Não mereciam a vida que lhes fora atribuída.

- Finalmente, Tom, vais conhecê-lo – a contestação de um facto feliz, deixava-o tenso.

- Quem? – Questionou-a a fim de revelar o seu falso desconhecimento.

- O Harry!

Sim, finalmente e infelizmente para todos.

- Que bom. Vou tentar perceber quem tão maravilhosa essa pessoa é – não precisava perceber, pois já sabia. Sempre soube.

A mesma rotina revelava-se mais demorada. Os segundos passavam como horas e os dias como anos. Impaciência. Mas sempre a calma se sobrepunha. Seriam umas simples perguntas, teria as suas respostas e deixariam tudo para depois. Não agora…Nada vais fazer. Terás tempo. Lembra-te disso. Auto-controlo tinha sido sempre necessário para ele.

Sentava-se e fechava os olhos. Tentava anular todos os seus sentidos a fim de nada experimentar. Mas um sentido nunca era inibido. Conseguia ouvir o tic tac de um relógio a metros de distância, ou uma gota de água a embater no chão. Tudo tão audível. Um refúgio, sobretudo.

-x-

O dia tinha nascido nostálgico e húmido. O sol deixava-se cobrir pelas nuvens e as nuvens deixavam ser trespassadas pelos pálidos e lutadores raios. O ar era abafado e as brumas do céu revelavam a aproximação de uma grande tempestade. A noite caía mais cedo e Tom recolhia ao seu quarto. Afinal a espera seria mais longa. Não seria apenas dois dias, mas, provavelmente, mais. Fechou os olhos e desligou-se do mundo.

Não sabia o tempo que tinha passado, mas abriu os olhos com o bater da porta misturado com o som da chuva a bater nas vidraças e misturado com a respiração quente dela…

Ginevra Weasley estava sentada ao lado dele. Tinha-o estado a observar, e parecia faze-lo já há algum tempo. A sua mão deslizava pelos cabelos negros dele. Fios de imensidão.

Foi apanhada desprevenida, local errado, à hora errada. Tom sobressaltou-se e desviou-se dela, contrariando, assim, a sua vontade de encontrar na palma das suas mãos o encaixe do pescoço quente dela.

Ela apenas se levantou e desatou a correr para abrir a porta, sem uma única palavra.

Barulho. Algo se celebrava. Só podia ter sido ele. A chegada do famoso Harry Potter. Não podia perder um segundo. Era a sua única oportunidade. Desceu apressadamente pelas escadas. Queria vê-lo. Queria ver os traços da face que se sumiriam no futuro.

- Harry! Pensávamos que já não vinhas – Arthur abria os braços ao seu encontro. – Como foi a viagem? Cansativa, imagino. É melhor descansares.

- Muito obrigado, Mr. Weasley – agradeceu o rapaz com uns olhos verdes penetrantes.

- Querido! – Mrs. Weasley interrompeu por entre a multidão de vermelho que se agrupava. – Estás todo molhado! Anda, vou dar-te uma roupa do Ron. Ainda ficas doente. E da maneira que os ares andam por aí, é preciso ter muito cuidado!

- Eu estou bem. A sério. Obrigado. E desculpem a demora.

- Não tem mal nenhum Harry – a voz de Ginny sobrepôs-se ao barulho. Correu até ele e abraçou-o. – Finalmente chegaste. Ansiava por esta hora.

- Eu também, eu também – e selou a conversa com um beijo na testa dela.

Depois de falar um pouco com todos e de ter contado as novidades, principalmente a Ron, desistiu de cansaço e dirigia-se ao quarto do melhor amigo.

Tom aguardava-o no fundo da cozinha. Encostado aos pilares que sustentavam o tecto.

- Oh! Quem és tu? – questionou Harry.

- Querido – interrompeu Molly. – Este é o nosso novo hóspede. Mr. Tom Riddle.

Harry estendeu-lhe a mão e, com um esforço detectável, Tom conseguiu elevar a sua também, e cumprimentá-lo.

- Prazer – a palavra saiu-lhe da boca com grande dificuldade.

- É todo meu –retorquiu o recém-chegado. - Agora, se não se importa, vou subir. A viagem foi deveras cansativa.

E mais nenhum som foi proferido dos lábios de Tom. Este subiu, igualmente, para o seu quarto e sabia que tudo iria correr como ele esperava. Não haviam falhas. Avaliou os gestos e atitudes, conseguindo definir uma personalidade. Sabia com o que estava a lidar.

-x-

Um novo dia raiou e mesmo com uma diferença na casa, a rotina manteve-se. Mas desta vez não foi só a chegada de Harry Potter que tudo mudou. A presença de Tom na cozinha pela manhã, juntando-se a todos, foi também uma grande surpresa. Encaravam esta atitude como uma tentativa de aproximação com o novo hóspede, porém ninguém sabia os verdadeiros propósitos.

Ginny tinha saído com Harry. Queria mostrar-lhe as modificações na cidade e sobretudo, queria passar mas tempo com ele a fim de esquecer os pensamentos sobre Tom que insistiam em perturbar a sua mente.

A noite caiu com um céu estrelado e uma Lua brilhante. Tom tinha saído mais cedo do jantar. Era barulho a mais e assuntos que nada lhe diziam e que repeliam a sua vontade de os ouvir. O ar fresco trazia-lhe paz e sossego. Fazia-o pensar e reflectir em coisas esquecidas e que jamais deveriam ser relembradas.

Ouviu a porta da entrada a abrir-se e a bater contra os limites ao mesmo tempo. Conhecia os passos. Bastou ouvi-los uma vez por entre as vozes. Um arrepio invadiu-o. Ordenava-se a ele próprio a sair dali para se conter, ou acabar com tudo de uma vez por todas.

- Mr. Riddle, certo? – a voz era trémula. Talvez de medo, talvez de frio. Mas só Tom sabia do que era.

- Sim, Mr. Potter – assentiu Tom, esforçadamente.

- Por favor, apenas Harry – pediu.

- Não me dou ao descaramento de tratar as pessoas pelo seu primeiro nome, quando nas as conheço minimamente.

- Cá não temos dessas modéstias, Tom.

- Mr. Riddle, por favor – pediu revelando uma ideia de ordem.

O silêncio uniu as conversas por baixo da luz que incidia sobre os campos.

- Noite fria, mas com melhor tempo do que a de ontem.

Tom ignorou o comentário e partiu logo para o ponto crucial de toda aquela conversa.

- Está a estudar no norte, pelo que soube – tentando ter os seus próprios factos, Tom queria fazê-lo falar.

Harry não percebeu o contexto da pergunta, mas mesmo assim quis responder. Acima de tudo, queria travar uma amizade, mas nem ele sabia porquê.

- Não, sir – negou. – Estudo em Oxford… Com a avultada economia que os meus pais me deixaram, consegui ter as melhores condições para estudar. Sei que era isso que eles queriam.

Londres. Tanto tempo por lá e nunca houve sequer uma pista ou um rasto para seguir. Teve que viajar tantas milhas, quase para nada. E claro… O dinheiro. As grandes poupanças de ouro. Dinheiro nascido em sangue e tragédia.

- Oxford – acentuou.

- Sim. E o senhor?

- Oh! Apenas um viajante acompanhado por uma melodia indetectável por todos. Tal como a minha vida. E os seus pais? – Tom sabia o que estava a perguntar. Pormenores para ele seriam sempre bem vindos. Pormenores são valiosos. Podem mudar um futuro e condenar um passado.

- Estão mortos – a tristeza na sua voz era presente e dolorosa. A verdadeira melodia para Tom. – Num incêndio, há dezasseis anos atrás. Era eu um recém-nascido. Já agora, Mr., que idade tem?

- Dezanove – a mentira era tão presente mas tão indetectável. Os dez anos somados àqueles ditos anteriormente eram de certa forma envoltos em segredo e nem se revelam nos traços desenhados na sua face.

Treze anos tinha ele. Apenas e só treze. Os lençóis caíam da janela e a criança deslizava por eles. Companheiros que o aguardavam. Ele queria ser livre. Ainda se lembrava da sua satisfação quando soube onde viviam os tão destinados Potters. Tão perto do seu contacto… Quase lhe bastava estalar os dedos e encontrá-los-ia, mas apenas com ajuda dos seus parceiros, não amigos, soube o verdadeiro paradeiro.

A origem da sua desgraça ainda pulsava quente nas veias que não mereciam a vida que sentiam a todo o momento. O plano era perfeito, uma pequena chama, uma pequena recompensa e uma grande mudança.

- Mr. Riddle? – Harry tocava ao de leve no ombro de Tom. Este insistia em olhar para o infinito. – Mr. Riddle! – Despertou e virou-se encarando as verdes íris do jovem. Sentiu o toque e encheu-se de repugnância. A sua mão encontrou a dele e retirou-a do seu ombro repentinamente. – Desculpe, mas parecia que se tinha desligado do mundo.

- Desliguei-me de tudo e de todos. Ainda me lembro do verde-esmeralda a desvanecer-se e a lutar pela vida que jamais poderia ser recuperada…

Harry levantou-se depressa e afastou-se.

- O quê?! – a voz assustada invadia o silêncio da noite. – Quem é o senhor?

Tom tinha cometido um erro. Não controlou as suas emoções. Sabia que seria difícil. Agora, tudo teria um preço. Teria que acabar com aquilo o mais depressa possível.

- Oh! Mr. Potter, estava apenas a pensar em algo que comecei a escrever. Algo sem qualquer futuro. Não se preocupe. Mas incomodou-o assim tanto?

Harry gaguejava. A calma começava a invadi-lo.

- Revelou-se assustador – afirmou. – Acho que não gostaria de ler tal coisa.

- Óbvio que não gostaria – consentiu. – A noite põe-se e as estrelas vigiam. Tenha uma noite pacífica – desejou Tom, contrariando de dizer exactamente o que queria dizer.

- Assim espero. Muito boa noite.

Assim, Tom levantou-se e entrou nos limites da casa deixando Harry Potter em lembranças e palavras mal ditas e escondidas. Apenas sabia que os seus olhos tinham sido herdados da mãe.

O vento uivava e intensificava-se envolvendo a noite e tornando-a mais gélida e menos vivida. Era hora de recolher.

16 anos atrás…

- Tirem-no dali! – ordenava uma voz forte.

- Ele está preso. O tecto ruiu. As chamas vão consumi-lo e a nós também se não sairmos daqui.

- Bando de covardes.

A coragem invadiu aquela figura trémula que se revelava em mais um dos seus incompreendidos pesadelos.

Sentiu os braços fortes a encontrarem os seus ombros e puxarem-no do calor infernal que alimentavam cada chama. Tom tinha dominado o fogo, mas tudo teve um custo.

-x-

Agora podia lidar com qualquer coisa, mas sempre ciente que tudo tinha um preço a pagar. Para Tom, para qualquer fim, interessavam os meios. O meio daquilo tudo era Ginevra Weasley.


N/A: Aqui está o terceiroo capítulo ^^ Sorry pela demora.

Agradecimentos à Miss Krum pela betagem. Obrigado a todos aqueles que estão a acompanhar. Fico muito feliz que tenham lido e tenham dado a vossa opinião.

Eu sei. Mais mistérios ficaram neste capítulo, mas no final vão perceber que até revelei muita coisa até agora ^^ Até lá, digam-me o que acharam ^^ Comentários fazem muito bem ao ego de um ficwriter HAHAHAH

Por isso, REVIEW!!!