Lois e Jimmy esperavam aflitos no hall de entrada do edifício onde ficava um dos escritórios da Secretaria de Defesa Nacional em Metrópolis, e para onde haviam levado Chloe, segundo informações que conseguiram obter através de um telefonema do General Sam Lane para um conhecido em Washington, DC.
De repente, um homem vestido num terno escuro saiu do elevador que desceu ao térreo e atravessou as catracas de segurança, onde havia dois guardas fortemente armados.
"Srta Lane?" perguntou ele ao se aproximar de Lois e Jimmy.
Lois nada precisou dizer, aproximou-se também do homem, acompanhada de Jimmy:
"Agente Adler?" devolveu, ao ler no crachá o nome do sujeito com quem havia falado pelo interfone da recepção.
"Meus superiores estão analisando o pedido do General Lane" revelou ele.
Lois e Jimmy trocaram olhares confiantes.
"Ainda que se trate da sobrinha de uma autoridade do auto escalão, é uma situação um tanto quanto inusitada na qual sua prima se envolveu" completou ele.
"Tenho certeza que o General explicou o ocorrido aos seus superiores, e que tudo não passou de um pequeno mal entendido" remendou Lois.
O homem sorriu.
"Um pequeno mal entendido?" repetiu ele.
"Sim, é o tipo de coisa que acontece" disse ela.
"Imagino que a senhorita esteja sugerindo que o departamento do qual faço parte comete erros"
E antes que Lois dissesse qualquer coisa, Jimmy interferiu, imaginando que ela o confrontaria:
"Não foi bem isso o que ela quis dizer"
"Bom, seja como for, meu trabalho aqui está feito" disse Adler, afastando-se.
"Espere!" chamou Jimmy. "Podemos vê-la enquanto seus superiores analisam o pedido?" indagou, ansioso.
"Lamento, mas é inviável" respondeu o agente.
"Por que não? Ela não deveria estar encarcerada sem indiciamento numa prisão federal e sem qualquer direito de visita como se fosse uma terrorista" insistiu Lois.
"Bom, o que sua prima fez é considerado um ato terrorista" devolveu Adler.
"Mas ela não é, e mesmo que o fosse até mesmo terroristas tem direito a um telefonema e a falarem com seus advogados!" protestou Lois.
"Sua prima representa grande perigo devido aos vários crimes federais nos quais está enquadrada" disse o agente.
"O que não é motivo para privá-la de qualquer contato com familiares ou advogados" interrompeu Lois, indignada.
"Temo que não é bem assim, Srta Lane" disse ele, com a mesma tranquilidade.
"Sabia que somos da imprensa?" perguntou Lois.
"Sim, foi a primeira coisa que me disse quando telefonou insistentemente para o meu gabinete" disse ele, calmo, e com um pequeno sorriso, que deixou Lois ainda mais enfurecida.
"O que seus superiores diriam se levássemos esse assunto para a primeira página do Planeta Diário?" sugeriu ela, em tom de ameaça.
Jimmy nada mais dizia, apenas observava a reação do agente federal.
"Acho que a repercussão do caso da sua prima na mídia não será favorável a ela" respondeu ele. "Só irá prejudicá-la ainda mais"
Lois o fuzilou com os olhos, e cruzou os braços, sabendo que ele estava certo.
"Precisamos ter a certeza de que ela está bem" insistiu novamente em vê-la.
"Lamento Srta Lane, mas enquanto meus superiores analisam o pedido do General Lane, e recebem telefonemas insistentes de uma senadora do Estado do Kansas que está intercedendo a favor da Srta Sullivan, nada mais podemos fazer"
Lois suspirou e trocou olhares com Jimmy.
"Pode ao menos dizer que estivemos aqui?" pediu Lois, mudando o tom, sabendo que nada mais conseguiria do agente.
"Talvez" respondeu ele.
"Alguma previsão?" perguntou Jimmy, antes que Adler lhes desse novamente as costas para se afastar.
"Sobre o que?" perguntou ele.
"Sobre a análise da petição do General Lane?"
"Infelizmente, isso não depende de mim" respondeu. "Só posso adiantar que ela será transferida para a prisão federal de Washington no prazo de 24 horas caso nada seja decidido até lá" completou Adler.
"Como? Mas isso não faz sentido!" protestou novamente Lois.
"Sinto muito, mas o que Chloe Sullivan fez também não faz sentido para os meus superiores" disse o agente Adler, dando-lhe as costas e voltando para o elevador.
Jimmy suspirou.
"Então nada nos resta fazer a não ser esperar" resignou-se.
"Não necessariamente" disse Lois.
Jimmy arqueou as sobrancelhas.
"Não escutou o que o homem disse? Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Seu pai está ajudando, e até a Sra Kent está tentando mexer os pauzinhos em Washington!"
Lois rolou os olhos com o conformismo de Jimmy.
"O que?" indagou ele à reação dela. "Acha que Chloe pode não conseguir sair dessa?"
"Claro que vai!" reagiu Lois, furiosa mais consigo mesma do que com Jimmy pelo pensamento de que talvez a prima não o conseguisse.
Lois então notou que os guardas os observavam, de modo que disfarçou, puxando Jimmy em direção à porta de saída.
"Precisamos saber se ela está bem" disse, quando já estavam na calçada do lado de fora do prédio.
"E como pensa que vai fazer pra entrar lá? Viu o tamanho daquelas guardas?" apontou Jimmy, exasperado.
Lois então viu que um caminhão com placas do governo subia pela rua e se aproximava lentamente, conduzido por um funcionário de uniforme oficial acompanhado do que parecia ser o seu parceiro no banco do passageiro. O veículo então parou e o condutor se preparou para começar uma manobra para entrar na garagem do edifício. Não havia guardas, mas havia uma câmera de vigilância.
"Tive uma idéia" disse ela, com um sorriso.
Jimmy se virou para ver o que chamava a atenção de Lois, e também sorriu, ao que ela o puxou pela camisa, e ambos correram atrás da carroceria do caminhão, e entraram junto com o mesmo na garagem, sem que pudessem ser vistos pelas câmeras de vigilância que estavam do lado de fora e do lado de dentro da garagem.
Continua...
