Sem Culpa: Capítulo III - Que diabo foi isso?
— O que você pensa que está fazendo, moleque?—Dean já estava em pé frente ao pequeno Sam que o fitava com um olhar de medo completamente exposto. Mas medo de quê se ele mal sabia que aquilo que havia feito era algo negativo? Em sua mente estava tudo normal, um amor de irmão, qual o problema de um beijo? Alguém tão pequeno que não tinha malícias em sua mente poderia ver maldade em um beijo?
— Desculpa te acordar, Dean. Eu não queria te incomodar, desculpa. —O mais velho por um momento parou e pensou mais vezes antes de soltar uma bronca no menor, já que estava bem claro pra si que ele não havia feito no sentido que achou. Mas foi um ato suficiente para ele saber que seu irmão estava começando a mostrar efeitos da flechada.
— Eu estava em um sono bom, porque tinha que me acordar logo agora?—Disfarçou e não quis tocar no assunto do beijo, além do mais, como uma criança de oito anos de idade iria maliciar tanto um ato como esse, não é mesmo? –Vou descer e tomar um pouco de água e você vê se vai dormir, teremos que acordar cedo amanhã novamente.
— Mas eu não estou com sono agora...
— Não importa, deita e fecha os olhos que o sono vem. –Dean o cortou imediatamente e caminhou para fora do quarto rumo ao andar de baixo.
Como pôde isso ter acontecido? Meu irmãozinho não pode ficar nessa, preciso achar com meu pai e o tio Bobby um jeito de livrá-lo desse efeito maldito. Pobre Sammy, eu juro que vou te tirar dessa. Tão pequeno e já em situações complicadas como essas, caçadas e suas consequências.—Dean segue pensativo enquanto toma um copo de água na cozinha, seus pensamentos estavam avoados e preocupados com tudo o que estava acontecendo no momento, ele estava determinado a achar um jeito de curar seu irmão dos efeitos da flecha encantada.
— Dean? O que aconteceu? –Bobby aparece de repente naquele cômodo afim de também beber um pouco de água. Vestindo apenas roupão de dormir, ele caminha para próximo da geladeira e a abre pegando em seguida uma garrafa d'água.
— Oi, Bobby. Nada, apenas senti sede e vim aqui me saciar. –Mentiu, pois não poderia falar com alguém sobre o que havia acontecido anteriormente, não por agora. —E como foram as buscas desde que eu subi? Encontraram alguma coisa que possa ajudar o meu irmão?
— Não, pequeno, nós não encontramos nada. Está muito difícil e realmente parece que não tem uma cura em si, nem com adultos, tampouco para crianças. Mas pela lógica o efeito de uma flecha de cupido age diferente em determinada pessoa independente da idade, pois existem crianças bem desenvolvidas que são precoces em tudo, seja fisicamente ou mentalmente e então isso pode ajudar a variação do efeito. Mas não encontrei um relato sequer de uma criança atingida o que dificulta muito achar uma solução. —O mais velho já havia bebido seu copo de água, se aproximou do adolescente e repousou a mão sobre seu ombro. –Mas a gente vai conseguir tirar seu irmão dessa, Dean, não se preocupe.
— Por favor, tio Bobby, a gente precisa muito tirar ele dessa, tão pequeno que seria injusto ele ser afetado por isso. –Dean enruga sua testa enquanto fala e o outro sabia o que isso significava, era a amostra do fardo que estava carregando consigo e a preocupação por seu irmão estar nessa situação sem solução aparente.
— Eu prometo garoto, a gente vai salvar seu irmão... —Bobby puxa o mais novo para um abraço e ao se distanciar ele se despede a fim de ir dormir e acordar bem cedo para continuar as buscas. –Bom sono, Dean, amanhã as coisas podem melhorar.
— Até mais, tio Bobby!—Dean fica por mais um tempo ali parado próximo à mesa de madeira na cozinha perdido em seus devaneios, mais especificamente no seu irmão e no que ele havia feito.
Não demorou muito e o rapaz subiu e foi continuar a dormir, no andar de cima Sammy já estava dormindo com a televisão ligada no canal de desenhos. Ele a desliga e então ajeita seu irmão na cama de solteiro o chegando um pouco para o canto virando-o para o lado da parede e se deitou ao seu lado ficando de conchinha com o menor, assim poderia sentir se caso ele quisesse sair pela manhã. Minutos a mais Dean também estava dormindo.
...
— Mas que porr... —Dean se espanta ao acordar e perceber que estava excitado e de conchinha com seu irmão caçula.
O mais velho se levantou rapidamente e olhou no relógio de parede que mostrava exatamente seis e meia da manhã, já era possível escutar um barulho vindo do andar de baixo o que deixava claro que John e Bobby estavam acordados. Dean se apressa e corre para o banheiro, dentro do mesmo ele se encara no espelho velho e descascado preso à parede logo acima da pia.
Onde estava com a cabeça, Dean? Que diabo estava fazendo? —Seus pensamentos lhe martirizavam fazendo com que ele se sinta mal consigo mesmo e no mesmo instante o faz se questionar se Sammy estava acordado, o que tornaria tudo mais estranho e confuso.
Ele abre a porta do banheiro deixando apenas uma brecha suficiente para espiar seu irmão mais novo deitado na cama, precisava checar se ele estava dormindo mesmo. Com um pequeno espaço para ver ele nota que sim, seu irmão estava dormindo e seguia na mesma posição de quando o colocou antes de se deitar ao seu lado. Seu peito esvazia com o alívio que sentiu ao se dar conta de que o pequeno não havia percebido nada.
Mas sua mente não iria esquecer esse acontecido tão facilmente, embora seja normal todo adolescente acordar excitado pela manhã ele sabia que não acordou apenas excitado e sim havia sonhado com o acontecido da noite anterior, o beijo que seu irmão lhe dera. Ainda que inocente aquilo ficou em sua mente.
— Que droga, que droga! –Exclama para si enquanto fita seu reflexo no espelho após ter fechado novamente a porta do banheiro.
