Capítulo 4
O carro chegou ao fim da rua. A Rua das Américas era à direita. Viu o letreiro do Café Carmen na metade da rua, um típico café para turistas. Mas não era o tipo de lugar onde deixaria seu carro passar a noite, se conseguisse uma vaga, o que era improvável. Claro que podia dizer para ela pegar sua escova de dente, porque a levaria para seu castelo nas montanhas...
Ela iria? Sorriu para si mesmo. Tinha certeza de poder dissuadi-la. Não chegou aos trinta e quatro anos sem saber quando uma mulher estava atraída por ele. Podia sentir à distância. Quanto à sua irritação por julgá-la uma mulher da vida, aquilo também podia ser muito erótico. O desejo pairava entre eles e logo explodiria!
— Aqui está ótimo. Deixe-me sair aqui. Você nunca conseguirá fazer a volta com esta coisa.
A voz dela cortou o seu sonho. Sasuke sorriu internamente. Garotas inglesas, com todo aquele "não me toquem", na verdade, queriam ser tocadas. E esta inglesa não era diferente.
Parou o carro deixando-o em ponto morto e virou-se para ela.
Dios era incrível! A luz fraca suavizou a maquiagem e tornou seus olhos enormes e claros. A brisa do mar havia tirado a maior parte do volume de seus cabelos, que caiam em suas costas em ondas selvagens. Ela virou-se para ele e seus olhares se encontraram. Ah, estava ciente dele!
Sorrindo, perguntou:
— Você realmente quer sair?
Hinata ficou mais tensa.
Uma barreira tinha caído — a barreira dele pensando que era promíscua. O desprezo com que a olhou quando pensou que era uma das garotas de Kiba tinha sumido e o que havia naquela hora era...
Desejo.
Podia não ter namorado muito, mas não era tola.
E um homem destes...
A sensação de ter o estômago dando cambalhotas voltou. Não devia estar ali. Tinha mais com o que se preocupar do que um homem que quase fazia o seu queixo cair.
Em sua vida precisava apenas ganhar dinheiro. Dia após dia, semana, mês. Até estar livre do que a afligia.
Não tinha tempo para romance.
Nem com um homem como Sasuke Uchiha, que tirava o seu fôlego com seus olhos cheios de desejo.
Perguntar se ela realmente queria sair do carro...
Manteve o olhar.
O que aconteceria se ficasse ali?
Não precisava ser adivinha. Iria direto para a cama dele...
Não! Impossível. Mesmo estando ao lado de um homem que fazia seu corpo tremer, ficar sem respiração, a pele ardendo de desejo, querendo que a tocasse.
Como seus olhos pareciam tocá-la. Poderoso, forte.
Sentiu que o tempo se esgotava e apertou a bolsa em seu colo. Ele curvou um braço sobre a direção como se esperando uma resposta.
— Não posso — ela sussurrou.
— Tente — disse-lhe Sasuke deslizando a mão pelos cabelos dela, tocando sua nuca com a ponta dos dedos, puxando os lábios dela na direção dos dele. — Tente.
Seu beijo foi gentil. Hinata fechou os olhos como que para saborear mais.
Os lábios dele eram quentes, viciadores, habilidosos, suaves e fortes, como se provocando... Provando.
Ficou fraca. Seus lábios moveram-se sob os dele e ela suspirou enquanto a língua dele acariciava a dela.
O tempo parou. Uma dor a atingiu pelo vazio deixado quando ele afastou-se.
— Esta foi uma boa tentativa, querida. Mas... — ele afastou os dedos de sua nuca e falou com a voz rouca, se inclinando novamente para ela —... Pode ser melhor na próxima vez.
Ela afastou-se, enrijecendo.
— Não!
Sasuke ficou imóvel. Ela quis mesmo dizer aquilo?
Era o oposto de como havia lhe respondido segundos atrás. Tinha sido suave, desmanchando-se e agora se virava para a porta como se ele estivesse lhe apontando uma arma.
— Muito obrigada pela carona. Agora preciso ir!
As palavras saíram apressadas acompanhadas de uma rápida busca pelos seus sapatos e um rápido movimento em direção à maçaneta.
Ele pegou o seu pulso e ela ficou tensa.
— Não quero que você vá.
Era verdade, não queria. Alguma coisa nesta mulher fazia com que quisesse prendê-la para não perdê-la.
Sua voz era baixa, persuasiva e ela sentiu a respiração falhar, mas recuperou-se logo.
— Bem, dá para ver. Mas se queria pagamento pela carona, devia ter deixado claro antes. Eu teria recusado.
A expressão em seu rosto endureceu. Ela percebeu que ele estava com raiva, mas não se importou. Queria sair depressa do carro.
— Não se comporte como a mulher da vida que pensei que fosse! — A voz dele era dura e ela estava em pânico, precisava sair. Porque, se não saísse agora...
— Ok, então foi apenas um pequeno beijo de boa noite. Ótimo. Então, boa noite, señor Uchiha. Obrigada pela sua gentil carona e espero que gângsters não cruzem seu caminho novamente. Prometo tomar cuidado para não fazê-lo também.
Ele estava de novo sem respiração.
— Por quê?
— Por que o quê?
— Não vai cruzar mais meu caminho?
Havia incredulidade em sua voz, pois a recusa dela não fazia sentido. A raiva se foi, mas sua mão continuou segurando o pulso dela.
— Por quê? Está claro. Não é o tipo de lugar que frequento. Não tenho dinheiro para jogar e já lhe disse que não tenho o costume de ir lá com homens!
— Estou contente de ouvir isto. O único homem com quem a quero ver, sou eu, Señorita Hyuuga.
Sentiu que ria dela. Ficou com raiva, sem fôlego. Puxou o punho.
— Bem, o que você quer não importa, porque não o terá! Não sou uma prostituta e nem alguém com quem se fica por uma noite, logo, não há nada que possa fazer por você, señor Uchiha, nem nesta noite ou em qualquer outra. Lamento, mas é isto. Conheço muitas garotas inglesas que agem diferentemente, mas estou aqui por quase três anos e nunca fui mulher de só uma noite. Então, como eu disse obrigada pela carona e tudo mais... E boa noite!
Saiu apressada do carro sem olhá-lo, tentando se sentir indignada pelo modo com que ele a tratou, mas conseguindo sentir apenas que estava se afastando de algo... Alguém... Que talvez jamais fosse cruzar o seu caminho novamente. Bateu a porta do carro e foi em direção ao precioso refúgio que era a entrada lateral do café.
Podia sentir os faróis do carro espetando suas costas como lanças e só quando trancou a porta atrás dela ouviu o ruído dele se afastando. Em silêncio começou a subir a escada estreita, aliviada ou com remorso.
Ergueu a saia e subiu os degraus para seu quarto em cima do café tentando não lembrar-se de como se sentiu ao ser beijada por aquele homem...
Sasuke Uchiha.
