Disclaimer

Hoho! Pessoas! Demoramos mas voltamos! Ki e Mimy, sempre ocupadas, mas sempre fazendo sacrifícios pelos leitores! Mas deixemos de lenga-lenga, vocês não querem saber como estamos e sim o que escrevemos, né?

Muitos beijinhos e boa leitura!

___________________________________________________________________________

Terça-feira, nada de chuva. Poderia dispensar a equipe contratada para armar o toldo, não havia mais necessidade. Todos os empregados da casa retiravam com rapidez as peças caras e quebráveis, uma precaução que sempre tomava antes de qualquer festa, mesmo de pequeno porte. Passeava pela casa tomando seu lauto café da manhã, um copo de cappuccino com muito chantilly e um sanduíche de presunto e mostarda, inspecionando cada cantinho, conferindo as bebidas, a decoração, tudo deveria estar impecável.

Na cozinha, Wei, seu mordomo desde quando nem conseguia falar o próprio nome, temperava alguns carpaccios, que ele tentou pegar sem sucesso. O tapa na mão foi mais rápido.

- Termine a sua gororoba antes. Nada de comida de festa...

- ... antes da festa, já sei, já sei... – completou a frase do mordomo.

- Ainda não entendo onde errei vendo-o comer isso. – no rosto de Wei, ao invés de repreensão, um sorriso amistoso – Mostarda a essa hora da manhã, Li-bochama?

- Acho engraçado ver você falar japonês com tanto sotaque. – Syoran ria – Viemos morar aqui há tanto tempo e ainda não esqueceu o chinês!

- Não tente mudar de assunto, mocinho! – afagou sua cabeça, tentando arrumar um pouco o cabelo totalmente desgrenhado do rapaz – Viu as roupas que separei para o senhor?

- Você sabe que eu não gosto de usar roupas formais... – coçou a cabeça desfazendo a parte do cabelo que Wei tinha arrumado.

- É o aniversário do seu melhor amigo.

- Eles não me obrigariam...

- Que tal uma recompensa? – Wei viu o olhar de Syoran se iluminar pela proposta – Já sabe o que vou propor, Bochama?

- As moedas brasileiras de 1994! – parecia uma criança frente a um brinquedo muito ansiado.

- E assim completaria o ano de 1994 na sua coleção... – Wei deu uma piscadinha – O que me diz?

Syoran coçou a barba por fazer, era uma decisão muito difícil: ficar engomadinho e ganhar as tão sonhadas moedas ou vestir-se com conforto e manter a coleção incompleta?

- Separe as moedas, Wei... Eu vestirei o que você separou. – deu as costas ao mordomo, sussurrando entredentes – Ao menos uma parte dela...

Correu ao quarto, tomando o cuidado de não derramar nenhuma parte do que ainda restava de seu desjejum. As escadas não ajudavam na tarefa.

O quarto era simples, ou ao menos tão simples quanto o quarto de um homem que pode ter tudo podia ser. As paredes brancas contrastavam com os móveis escuros, uma estante cheia de livros antigos, uma grande cama de casal completamente revirada e uma escrivaninha. Roupas espalhadas, papéis amassados e alguns restos de comida completavam o ambiente.

Jogou-se na cama, vasculhando cada pedacinho de pano que ainda a cobria, finalmente encontrando o controle remoto. Um clique e a parede à frente do móvel se abria. A enorme TV de LCD se revelava sob a pintura singela, as caixas de som saíam de seus compartimentos nos cantos do recinto e Syoran se acomodava sobre a cama, chutando alguns travesseiros que ainda restavam. Sempre guardava aquela hora da manhã pra assistir seu programa favorito, que passava à noite mas Wei nunca permitia que ele permanecesse acordado para ver... Tratava-o como se ainda tivesse 10 anos e morassem na China!

As batidas na porta indicavam que ele não conseguiria vê-lo tão cedo... Deu pause no Blu-ray, levantou-se com alguma dificuldade, colocou o copo sobre a escrivaninha e abriu a porta.

- Não fui eu, eu juro! – o sorriso no rosto era brincalhão, recebendo o mesmo sorriso de Wei, na porta – O que foi que eu não fiz dessa vez?

- Bochama sempre de bom humor... – Wei retirou-o do caminho, balançando a cabeça em negativa frente a bagunça do quarto – E reclama quando o trato como criança... Vai dizer que não foi o senhor quem deixou o quarto assim, Li-bochama?

- Um homem precisa demarcar seu território, Wei, e você sabe disso melhor que eu... – riu da piada que viria em seguida – É homem há mais tempo!

- Uma maneira sutil de me chamar de velho, Bochama, eu reconheço... – Wei avançou pelo quarto, puxando o lençol da cama, que cobria pouco mais que uma beirada do colchão – Mas eu ainda sei diferenciar entre o quarto de uma criança e o de um homem de 26 anos, senhor... E esse me pareceu o da criança.

- Culpado! – Syoran havia levantado as mãos, como se surpreendido em algum ato ilícito – Eu trouxe comida clandestinamente para o quarto ontem e fiquei vendo pornografia no laptop até tarde, mamãe... – abaixou as mãos e recebeu um olhar sério de Wei – Tudo bem, é só brincadeira... Quer dizer, a parte da comida é verdade...

- Acha que eu não ouvi as músicas do Dance Dance Revolution, Bochama? – Syoran ficara vermelho – Toda a criadagem gostou muito de YMCA. – touché, o garoto agora parecia um tomate – Pensava que ninguém sabia que Li-bochama ainda brincava disso?

Estava derrotado. Wei sempre conseguia vencer seu humor matinal, aliás não só o matinal, como o do dia inteiro.

- Quer que prepare a banheira, menino Li? – recolhia a sujeira do chão enquanto falava – Bochama tem uma reunião na empresa daqui a exatos 15 minutos, se bem me lembro.

- Reunião? – não reprimiu o bocejo quando deitou-se novamente na cama.

- Sim, senhor, reunião. Divisão de bases pediu uma reunião para a aprovação dos novos produtos.

Syoran anuiu com a cabeça, já livrando-se da calça de pijama que usava. Wei dirigiu-se para uma pequena porta ao lado da escrivaninha, revelando um ambiente novo, tão grande quanto anterior. O closet, formado por dois puffs ao centro e inúmeros armários espelhados, tinha a magnitude que faltava ao cômodo anterior. Ligado a ele, o banheiro tinha o tamanho do quarto e do closet unidos. Levemente dourado, era composto por uma grande poltrona de madeira rústica, apenas envernizada, uma bancada em mármore branco, onde jaziam aparentemente intocados produtos de toda espécie, desde loções pós-barba até perfumes das maiores grifes francesas. Um box, de vidro fosco negro, localizava-se ao lado de um tapume de madeira, que separava essa área da banheira, de mármore negro, e as dependências sanitárias, igualmente negras.

Wei dirigiu-se inicialmente aos pequenos armários acima da banheira, aonde eram guardados os sais, ligando a torneira da banheira e despejando pequenas quantidades de uma mistura cor-de-rosa.

- Energético de novo, Wei?

- Bochama tem de estar acordado quando sair desse banho. – mexeu um pouco a água, logo desligando a torneira – Nada de bagunça na hora do banho, sim?

- Esqueceu de uma coisa...

- Seu patinho já está na água, menino Li... – a piada fizera Syoran olhá-lo de cara feia – Já vou pegar as toalhas, senhor.

_______________________________________________________

- Cueca, Wei? Por que eu tenho de usar cueca? Ninguém vai me ver sem calças mesmo... E se me vir, não vai querer cuecas, pode acreditar.... – ele coçava a cabeça, andando de um lado pro outro, apenas de toalha, seguindo o mordomo pelo closet.

- Desde pequeno eu tenho lhe respondido a mesma coisa, menino Li: homens usam cuecas. Claro como água, criança. – ele continuava segurando os jeans que Syoran insistia em vestir – Não vai tirar nenhum pedaço, eu garanto.

- Mas aperta, Wei! – ele sentara, na esperança de obter a atenção do subordinado – igualzinho a essa camisa aí...

- Essa camisa aí é uma Armani legítima, Bochama. A maioria de seus amigos estaria implorando para ficar apertado dentro desse algodão de alta qualidade. – colocou a camisa na frente de Syoran, que colocou a língua pra fora assim que Wei o olhou – Branco, definitivamente.

- Já disse que não vou usar!

Já pronto, sentara-se à beira da piscina. Devidamente encuecado e encamisado, ao menos conseguira de Wei a permissão para a calça jeans e conseguira usar as sandálias clandestinamente, antes que o mordomo inspecionasse. O colete pertencera ao avô e ainda carregava suas medalhas, de quando lutara na guerra do ópio. Desfizera cuidadosamente a arrumação do cabelo e dobrara as mangas da camisa, ao menos que a usasse como bem queria! Dedilhava uma melodia antiga no violão, uma maneira de manter-se longe da porta e da chegada dos convidados, nunca fora um exemplo de anfitrião... Os amigos haviam chegado e faziam esse papel sem a necessidade de sua presença.

- Bebida, senhor? – um empregado lhe trazia um copo de água, provavelmente obra de Wei.

- Obrigado. – bebeu calmamente, colocando o copo novamente na bandeja – Diga a Wei e aos outros empregados que podem se recolher, os convidados podem se servir sozinhos.

- Sim senhor.

As pessoas chegavam aos montes, tinha certeza de que a maioria sequer sabia de que se tratava a festa. A piscina começava a se tornar atrativa, era hora de beber algo. Passou vagarosamente entre os convidados que se aglomeravam na área externa, rumo a um cantinho escuro ao lado dos vestiários. Uma pequena porta dava para as casas secundárias, destinadas aos empregados. As luzes ainda estavam acesas na casinha de portas azuis, Wei estava acordado. Bateu de leve, sendo recebido pelo mordomo de roupão e, ao que parecia, um pijama de flanela.

- Deseja algo, Bochama?

- Suco de laranja, Wei. Não encontrei nenhum na festa... – encostou-se na lateral da porta, passando a mão no cabelo – Não vai me deixar entrar?

- Li-bochama, eu deixei seu suco onde sempre deixo, ao lado dos sanduíches naturais que ninguém come... – olhou o garoto novamente, passando a mão sobre sua cabeça e rearrumando-lhe o cabelo – Não há como fugir da festa, Bochama. Volte para lá e divirta-se. – fechou a porta sem importar-se com o rosto desolado de Syoran.

Teve de dar meia-volta. A área da piscina parecia ainda mais cheia do que quando havia saído, mas seu violão felizmente não havia saído do lugar e, para melhorar, seus amigos estavam sozinhos e à vista. Conversavam sobre amenidades, nada que lhe dissesse respeito.

- Obrigado por me deixar usar sua casa, Li, eu nunca poderia ter feito uma festa desse tamanho na minha... – Luiz dava-lhe tapinhas nas costas – Não caberia tanta gente!

- A casa nem é sua, Luiz! – Syoran ria animadamente – Casa de intercâmbio não pode ser considerada sua casa...

- Li e sua habitual gentileza... É por isso que você tem tantos amigos!

Todos riam ruidosamente sem sequer incomodar o andamento da festa. Cada vez mais gente, mais espaço invadido, mais risco de quebrarem coisas... Olhou para a janela de cima, na direção de seu quarto. Uma mulher vislumbrava a piscina e a área ao redor. Pareceu incomodada pela súbita atenção e se afastou da janela balançando a cabeça. Mais uma que não ia entrar pro seu hall de conquistas, sem dúvida...

___________________________________________________________________________

Hoho! E então, o que estão achando?

Reviews pra responder, ok?

Megas kisses!

Ki e Mimy