Capitulo 4 – A festa de Saga
-Miri acordou, Camus!
Aiolia, que ali estava vigiando a garota, sai gritando, chamando o mestre da jovem. Camus chegou afobado, junto com os demais, até mesmo Fê, que tinha acordado recentemente.
-Miri! Você voltou por acaso... – tentou perguntar Fê, mas recebeu de resposta a grosseira de Aquário:
-É... Parece que sim... – Miri deu uma pausa, olhando o teto. – Infelizmente...
-Do que estão falando? – indagou Dohko, não entendendo as palavras sem sentido, trocada pelas amigas.
Fê se levantou e olhou o seu mestre no fundo dos olhos. Por fim respondeu:
-Nada de importante... – e terminou num gigante sorriso.
Miri se levantou e tocou no ombro de Fê antes de sair.
-Todas ainda não retornaram?
Fê balançou a cabeça em negativa e saiu, junto com os outros, ficando somente Camus e o recém chegado Hyoga. Miri ficou olhando o grupo sair do corredor e voltou para os dois amigos. Hyoga olhava a mão direita de Miri com estranheza.
-Quando você fez essa tatuagem? – indagou Hyoga.
-É tatoo de henna... Sai logo, menos de um mês. – respondeu Miri. Ela fechou a mão observada e passou no meio dos dois olhando a paisagem pela janela. – Vou embora, para casa, me arrumar para a festa a fantasia que o Saga preparou...
-Estão dizendo que Saga ta gastando a grana de Shion... Coitado, enquanto ele viaja de férias, os irmãozinhos geminianos só gastam a grana dele... – gracejou o Cisne.
-É verdade... – respondeu suspirando a amazona enquanto olhava o céu. – Saga e Kanon só sabem gastar o dinheiro do velho Shion...
(:U
Fê, Sarita, Yuki, Lu e Leli estavam na casa de Leão. Fê era uma garota séria, mas não tanto quanto agora. Imersa num mundo de pensamentos, desligada do mundo real.
-O que foi, Fê? Está tão distante... – indagou Yuki, preocupada com o silêncio da amiga.
Fê deu uma última olhada em sua mão direita. As marcas que lembravam uma tatuagem de henna, e no centro, um símbolo misterioso ali estava. Ela então ergueu a cabeça e respondeu com uma pergunta:
-Vocês ainda não recuperaram isto? – e ergueu a mão.
As outras quase caíram para trás vendo a marca misteriosa na mão de Fê, mas ao que tudo indicava, aquela marca trazia lembranças e não mistérios... Sarita balbuciava palavras que mal queriam sair.
-Mas, mas... Ela tinha... Nos dito que... que...
-É... Ja-jamais voltaríamos... a... – continuou Lu.
-Lutar... Com isso... – completou Leli.
Fê fechava as mãos. Se era preocupação ou raiva, era difícil dizer, as duas sensações pareciam percorrer nas cinco almas ali presentes. A amazona de Dragão tremia junto com seus punhos e por fim, soltou:
-Será que mundo precisa das Ronins de novo?
E um silêncio pairou no ar. As jovens amazonas não queriam que tudo o que falavam saísse do imaginário.
;)
Já anoitecia no Santuário. No Salão do Grande Mestre tudo preparado para a festa. Os cavaleiros e convidados chegam com suas fantasias e prontos para uma boa farra, como há muito não tinham.
Mu vinha de "Matrix", juntamente com Kiki, que estava uma fofura de palhacinho. E para fazer par com a fantasia de Mu, Shura também vinha, quando os dois se encontraram lançaram olhares furiosos, um acusando o outro de ter copiado a idéia.
Aldebaran estava de capoeirista. Original, mas nem tanto. Saga e Kanon, que haviam tido uma briga por querem vir iguais, se decidiram em o primeiro vir de Grande Mestre (situação nada original, segundo o siciliano) e o segundo de "James Bond", que segundo o comentário lançado por Kiki, parecia mais palhaço do que ele.
Máscara da Morte vinha com roupa tradicional da Itália (hora de Saga retribuir o "carinho" do canceriano) e os irmãos Aiolia e Aiolos vinham juntos de MIB. Shaka, sem idéia para fantasia, veio dele mesmo, com sua tradicional roupa de meditação. Miro veio de roqueiro, nada melhor para o cavaleiro de um signo tão danado.
Dohko também não foi original, veio de príncipe chinês (a falta de originalidade veio do "chinês"), idéia seguida pelo seu pupilo Shiryu. Afrodite veio de cupido, levando vaia de quem passasse e por pouco o cavaleiro de Peixes não saiu chorando da festa. Hyoga veio de pirata, aproveitando o fato de ser caolho. Shun veio de mágico, Ikki de samurai e Seiya de jogador de futebol. Saori vinha de rainha, Marin e Shina de odalisca.
Logo após chegaram Leli, Lu, Yuki, Fê, Sté, Ci, Sarita, que vinham respectivamente de Will do WITCH, de judoca, de gueixa, de grega, de pato, de vaca e de Emília. Ainda não havia chegado Camus e Miri, que eram esperados ansiosamente. Miri era pela demora, mas Camus pela curiosidade de todos. O que o cavaleiro mais fechado de todos viria?
Finalmente, um deles apareceu: Camus vinha com um sobretudo meio marrom, cheio de medalhas douradas. A blusa por baixo do sobretudo branca, onde passava uma faixa azul. Calça social branca e sapato social preto. Era fácil perceber que ele viera de príncipe, mas no rosto, sua eterna expressão fria. Miri veio em seguida. Tinha emprestado um vestido da loja de roupas de noivas e daminhas de um parente. Ela emprestou um de daminha cor-de-rosa bebê, uma coroa de pérolas e sapatinho de boneca de mesmo tom, com um saltinho baixo. O cabelo solto, a não ser por duas tranças pequeninas que se prendia atrás da cabeça. Seria acaso mestre e pupila terem se combinado?
Os olhos de Camus brilhavam com a visão da garota que gostava. O destino os fez vir com aquelas fantasias talvez para que fique provado seu sentimento. Ele se aproximou da amazona e lhe estendeu a mão, convidando-a para uma dança. Ele sorria discretamente, mas sorria e muito feliz.
-Não sei dançar outra coisa senão jazz e sapateado... – respondeu a amazona de Aquário. Camus fez uma careta e tentando convence-la respondeu:
-Para ser sincero, não sei dançar nada... Vamos nós dois enrolar, o que acha?
Estava tocando uma música calma. Aiolia tinha tirado Marin, Seiya era disputado por Saori e Shina, a derrota foi para a amazona, que não queria enfrentar a fúria de Atena.
Afrodite tentava convencer Máscara, mas nem ligou. Shunrei, que tinha chegado de fininho com uma simples roupa chinesa, dançava alegremente com Shiryu, que se revezava com Dohko.
Leli, para fazer a alegria de Kiki, dançava a contragosto. Ela queria mesmo ter sido tirada por Aiolia ou Hyoga. Mas o nosso Cisne a chamou e ela acabou empurrando o pobre aprendiz de cavaleiro do lado. Shun estava desanimado por June não ter aparecido, e chorando, era consolado por Ikki e Yuki. Fê ficava num canto, junto de Ci, Sté e Ka, que acabara de chegar, fantasiada de bruxa.
Camus e Miri estavam dançando quase que no centro do salão, realmente enrolando. Miri não via a hora de um bate-estaca ou um drum'n bass. Daí sim, ela se sentiria melhor, mas pelo jeito ia demorar. Mas daí, vendo o sorriso de seu mestre, não tinha coragem de abandona-lo, raramente se via feliz e com um sorriso o cavaleiro de Aquário. Aiolos, Mú, Aldebaran e Saga viam o mestre e sua pupila dançando e ficavam de queixo caído a cada segundo, afinal, quem imaginaria Camus, o senhor "freezer", dançando e pior, sorrindo? Shaka escuta os "hããn", "huuuum" dos colegas sem entender bulhufas. Também, quem manda ter de ficar com os olhos fechados? E ele foi empurrado para o lado por Aiolos e companhia e lhe explicaram.
-AAAAAAAAH, ta, agora entendi. – respondeu Shaka, de forma até engraçada.
Saga revirava os olhos ante a "tapadice" do cavaleiro mais próximo dos deuses...
O francês parecia nas nuvens. Por mais corajoso numa luta que ele era, ele suava frio na possibilidade de se declarar. Não tinha coragem. Miri pousou sua cabeça no peito de Camus, fechando os olhos e sorrindo. Camus se assustou um pouco com a ação da jovem e deitou sua cabeça na dela e assim ficaram. Então ele falou:
-Tem uma coisa que gostaria de dar para você... – ele ergueu sua cabeça ao mesmo tempo em que ela. – Não quero dar aqui, os outros vão fazer uma tremenda fofoca...
-Tá...
Eles saíram e foram para a divisa do Jardim da casa de Peixes e o Salão do Grande Mestre.
-Eu já lhe comentei que acho você um pouco parecida com minha mãe?
Camus falava num tom nostálgico. Seus olhos cintilavam e Miri cada vez menos conhecia seu mestre.
-Esta roupa que, como você disse – ele deu uma risada. – costumizei, era do meu pai... – Camus tirava algo do bolso.
Era uma caixinha de veludo preto com um pequeníssimo fecho dourado. Aquário deixou bem a vista da menina.
-Minha mãe nasceu no mesmo dia que você, isso era dela... Mesmo você sendo Miri de Aquário, você é uma canceriana... E dizem que coisas assim, combinam com esse signo. – Camus então, abriu a caixa. Era um colar de pérolas genuínas, Miri até levou um susto.
-Mas... Mas, Camus, eu... Não posso aceitar. É a lembrança que você tem da sua mãe e isso... É um colar de pérolas, vale muito dinheiro – retrucou Miri.
-Miri, eu disse que você lembra um pouco a minha mãe, não? Estando com você me fará bem. Você me ensinou também muitas coisas, e entre elas que minha mãe está sempre no meu coração...
Miri emudeceu com as palavras de seu mestre. Seus olhos tremiam com os lábios que tanto queriam retrucar outra vez. Ela tinha sempre o hábito de querer debater inutilmente.
-Você, Miri, é a pessoa que atualmente mais amo...
Camus na empolgação finalmente se declarara. Miri sentiu-se congelar, e não era por causa de um Pó de Diamante. Nunca, ninguém lhe dissera (a não ser parentes, claro) que a amava. Seu rosto enrubescia e sentiu o corpo fraquejar. Seu coração batia mais que a bateria de uma escola de samba. Camus tocou-lhe o rosto e o susto fez com que ela não o empurrasse como de costume.
-Você aceita meu presente?
-Camus, você vai se desfazer de um precioso elo com a sua mãe... Só por que me ama? – ela balbuciava, na verdade, não conseguia sequer formular palavras. Estava confusa.
-Sim, novamente repito, você me ensinou que minha mãe está no meu coração...
Camus passou por trás de Miri, colocando o colar majestoso. Quando terminou de fecha-lo falou:
-Obrigado por aceitar...
E então, retornaram a festa.
P-)
-O que está fazendo, Fê? – indagou Sté, reparando que a amazona de Dragão trocava o CD de música.
-Colocando algo que a Miri gostaria de dançar... – respondeu sorridente a amazona.
-E onde ela está? – perguntou Ci.
Fê apertou o play e apontou para Miri que entrava naquele instante. Assim que Miri ouviu a música correu para o centro do salão, puxando Camus e mais uma cambada de cavaleiros dourados e alguns de bronze.
-Essa é fácil, o "Ragatanga"... É assim, ó!
E Miri foi dançando a música. Alguns cavaleiros pegaram rápido, outros enrolavam. Afinal todos estavam dançando, um ou outro na festa não entrou ritmo. Mas no calor da dança...
"Miri..."
Uma voz ecoou na mente da amazona. Miri virou para o lado, disfarçando na música.
-Quem está aí?
"Estou com você..."
-Onde?
Desta vez, Miri olhou num escudo dourado de uma das estatuetas e ao invés de seu reflexo viu uma garota quase igual a ela, só que com cabelos longuíssimos dourados, olhos castanhos e um sorriso maléfico no rosto.
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!!
Miri soltou o maior berro de sua vida, tropeçando e caindo sentado no chão, tremendo feito bambu verde. Sua expressão era de eterno pavor, congelado naquele grito. A única coisa que parecia formar nas suas palavras era:
-Kasumi...
O reflexo voltou a ser o que era, mas do nada a mesma figura parecia abraçar Miri por trás e Miri, com cara de nojo e espanto simultâneo mais uma vez gritou. Camus veio a seu socorro, Miri o empurrou com mais força.
-Não, você não vai me possuir de novo... NÃO MESMO!!
"Tem certeza?" – falou o reflexo. – "eu ainda não desisti..."
Os cavaleiros boiavam, mas as amazonas mais próximas a Aquário sabiam do que podia ser tratar.
O símbolo da mão direita de Miri queimava como seu cosmo. Ela apontou o facho para o escudo, que sumiu em milhões de fragmentos.
-Miri, pare com isso!! – se aproximou afobadamente Sarita. – Ela já se foi, ela se foi!!
-Ela é um fantasma que ousa a dormir no meu corpo ainda... – e olhando com um olhar tenebroso e louco terminou a sentença. – E o Louie, ainda mora no seu coração, não?
Miri andava devagar, assustando a pobre amazona.
-Miri?!...
De repente, Miri parou e fez pedaços do mármore quebrados na explosão do fecho num canto e dele surgiu Dezi.
-Você... Já tinha então esse poder... – murmurou a amazona de Escorpião. E apareceu Dudu de Pégaso, Mister-Pum de Câncer e IBA de Peixes.
-Os traidores são vocês... – falou baixo Miri. – Não devia ser só a burra da Dezi, sozinha não ia conseguir tudo isso...
-Cale a boca! AGULHA ESCARLATE!!
Miri se esquivou mais velozmente. De repente, como se pertencesse ao elemento, penetrou na terra rapidamente. Apareceu atrás de Dezi, dando-lhe um soco fortíssimo.
Fê também resolveu usar seus antigos poderes e mais veloz do que uma amazona de bronze geralmente chega, se aproximou de Dudu e com forte vento o elevou até o teto, fazendo-o desmaiar. Leli, Sarita, Yuki e Lu repararam que suas mãos também brilhavam.
Sarita e Yuki atacaram com fogo e água, respectivamente, Mister-Pum e Leli usando uma flecha de luz e Lu usando várias adagas surgidas de suas mãos atacavam IBA.
Miri então abriu os braços e uma força, um campo de energia se fez em volta do envolvidos do bem e os que não brigavam.
-BARREIRA EXPANSIVA!!
A misteriosa força empurrou os traidores, atirando-os para bem longe. Miri arfava e caiu de costas nos braços de Camus. Mas ficou por pouco tempo e logo se levantou. Caminhando cambaleante se aproximou de um vitral.
-O vidro veio da areia... A areia é terra... – ergueu sua mão direita e fechando-a quebrou o vitral. – Os vidros... eles também ouvem meu chamado...
Um caco, quebrado em formato de uma adaga, veio até a amazona... Ela pegou e apontou para sua garganta.
-De novo essa crise não!! – gritou Fê. E levantando sua mão, num gesto simples, fez uma corrente de ar passar pelas mãos de Miri, tirando o caco de suas mãos.
-Me deixa fazer o que não fiz há tempos! Acabo de descobrir que o que vocês fizeram com Kasumi não deu certo!
-O que?
Miri voltou-se para a amiga, chorosa:
-Se eu não morrer, ela vai ter o que quer, não entende? - e com isso todos os cacos pontiagudos flutuaram, apontados para Miri, prontos para atirarem como flechas.
Fê não permitiu com a resistência do ar.
-Vai fugir da luta, assim, na boa? Miri, você enfrentou tudo aquilo por nada?
-A morte sempre nos leva... Quer nós queira, quer nós não... Qual a diferença de adiar a morte...?
-Ou um problema? Miaka não descansará e reencarnará quantas vezes for preciso até Kasumi for derrotada. Se matando não vai adiantar nada, pior, só vai arranjar encrenca!
Miri cambaleou. Chorando caiu no chão, ao mesmo tempo em que os cacos flutuantes. Os cavaleiros assistiam a cena boiando. Mas Camus se aproximou da pupila, dando-lhe um abraço apertado, trazendo a cabeça da menina para junto de seu peito.
-O que é tudo isso...?
E chorando, Miri respondeu num sussurro:
-E ainda te contarei... Camiu...
Continua...
