Desculpem a demora... já vou avisando, nada neste capítulo saiu do jeito como gostaria T T
E, o mais importante, obrigada pelas boas vindas e comentários! = )
Cap. 3
Um suspiro profundo sai de sua boca. "O que devo fazer? Rei foi fundamental pra minha recuperação, mas eu não tenho a capacidade de fazer o mesmo por ele se for necessário...".
- Hiwatari?- vem a voz braba de Tala, e o fato de tê-lo chamado pelo sobrenome confirma a sua suposição.
- O que?- mostra sua irritação, não deixando se abalar. O outro só fica mais brabo. Parece que era a sua vez de ficar de olho no Rei. Só para a própria segurança do chinês ele não ficaria sem supervisão por algum tempo, até decidirem o contrário.
Passando pelo ruivo sem dizer nada, Kai se dirige até seu quarto encontrando quem procurava dormindo na cama com a expressão calma e relaxada. Sentando na cadeira de frente para o neko-jin, o russo adormece com imagens do chinês sendo torturado ocupando seus sonhos.
Cap. 4
A sensação de algo mexendo em seu braço acorda o russo, dando de cara com um rosto moreno e olhos amarelados a apenas um palmo de seu próprio rosto.
Percebendo, de repente, seu reflexo naqueles estranhos olhos vermelhos, o neko-jin dá um pequeno salto para trás assustado.
Os olhos vermelhos piscam algumas vezes antes de se fixarem nele.
O moreno, passado alguns segundos, mais confiante do que costumaria estar, entorta um pouco sua cabeça para o lado dando alguns passos em direção a pessoa.
Parando perto das pernas dobradas do homem de cabelos azulados, e não recebendo nenhuma reação negativa dele, ele se agacha, coloca uma das mãos no joelho a sua frente, não percebendo os músculos se tensionarem sobre ela, e com cuidado aproxima seu rosto dele. Quando estava a alguns centímetros dele, seu nariz quase encostando no queixo do homem, ele dá duas inspiradas profundas.
Satisfeito com o cheiro conhecido, mesmo não lembrando de onde o conhecia tão bem para saber que não representava perigo para ele, ele fica de pé e retorna a investigar o local ignorando o homem, perdendo momentaneamente o interesse nele.
Hiwatari mantinha uma expressão de choque e surpresa em seu rosto. "...Ele... me cheirou? Rei Kon me cheirou como se... como se fosse um gato doméstico?" Uma pequena risada sai de sua garganta antes que pudesse impedir atraindo a atenção do neko-jin. Kai lhe dá um meio sorriso, sua expressão tornando gentil enquanto observava o outro que agora se encontrava do outro lado da cama explorando o ambiente. "Você nunca deixou de me impressionar Kon, mesmo quando você não fazia nenhum esforço para isso."
Depois de dez minutos, tendo dado tempo o suficiente para o outro saciar a curiosidade, Kai se levanta e sai do quarto com passos calmos e vagarosos, fingindo não prestar atenção no moreno quando este o segue bem de perto.
O chinês reparou que o lugar era grande, bem maior do que o último em que esteve todos estes dias, enquanto olhava atento ao seu redor sem se distanciar do homem a sua frente.
Eles param em um lugar bem mais claro, onde o chão esfriava os seus pés e um aroma delicioso tomava o lugar.
Kai pára a uma boa distância do fogão, onde Tala fazia omeletes, sabendo que o curioso moreno a suas costas ainda não percebera a presença do ruivo.
Ouvindo um som de surpresa os dois russos viram para a fonte do barulho, Tala mais rapidamente do que Kai por não saber que tinha companhia. Kai mantém suas costas para Rei mantendo-o um pouco escondido.
- Kai? – Tala pergunta vendo uma cabeça com cabelos negros sair de trás do ombro do Fênix e olhos amarelos o observarem. Ele franze a testa e pergunta irritado. – Qual é o motivo disso? Ele não deveria estar aqui. Nós não sabemos como ele pode reagir depois de tão pouco tempo- mas ele fecha sua boca parando no meio de sua fala quando se vê a poucos centímetros do neko-jin, uma mão morena em seu tórax e um rosto exótico a meros centímetros de seu pescoço. Ele procura a resposta para a situação em que se encontra com o amigo, mas só encontra olhos cor de rubi rindo de seu desconforto.
Logo que retorna a atenção ao moreno, Tala sente seu corpo esfriar com a distância dele. Rei agora vasculhava com o olhar o lugar onde se encontrava, pondo instantaneamente toda a sua atenção de onde vinha aquele aroma delicioso.
Sem entender nada, o ruivo se vira para Kai. O outro dá de ombros e responde, com um ar de diversão, enquanto seguia todos os movimentos do chinês como quem observa um gatinho brincar com uma bola de papel.
- Ele confia em nós. Aparentemente meu cheiro lhe dá uma sensação suficientemente boa para se sentir seguro comigo, e agora nós sabemos que ele pensa o mesmo de você... – ele dá um meio sorriso de deboche – apesar de não parecer ter nenhum senso do que é invadir o espaço pessoal de alguém. – Seu sorriso some em segundos enquanto corre para o fogão. Segurando com firmeza os pulsos do moreno ele o impede de se queimar com a comida ao fogo.
O chinês se tensiona, seus olhos arregalam e as pupilas se contraem. Mostrando os dentes com violência ele é liberado.
Em microsegundos os dois russos passam a lidar com um Rei agressivo e assustado, olhos amarelo-dourados os observando com ferocidade, esperando a qualquer momento para atacar.
Por impulso, Tala fica imóvel. Ele sente uma presença ao seu lado. De canto de olho percebe Kai se aproximar do neko-jin vagarosamente com o rosto impassível.
- Está tudo bem Rei, se acalme. – fala Kai, ficando aliviado quando vê as pupilas dos olhos amarelo-dourados voltarem ao tamanho normal e se focarem nele e em Tala. Mais alguns segundos parados e Rei já se acalmara o suficiente para reconhecê-los como os humanos em quem confiava.
Kai se aproxima e segura de leve um dos ombros do moreno ao ter certeza que não se assustaria e o distancia do fogão. Tala solta um pequeno suspiro, solta um xingamento em russo para o amigo ficando ao seu lado para verificar as mãos do neko-jin. Vendo nada além dos pequenos ferimentos anteriores ele retorna ao fogo se segurando para não dar um tapa bem dado atrás da cabeça daquele Fênix arrogante que parecia ter um dom em atrair perigos.
- Você tem muita sorte Hiwatari – a ameaça era óbvia, mas anos de convivência já os acostumaram com seus jeitos, às vezes, brutos e ácidos com que agiam.
O outro o olha de cara fechada, o ordena para terminar logo a comida e sai da cozinha, em segundos sendo seguido de perto pelo chinês depois de dar uma última olhada para o ruivo.
Tala só grunhi e balança um pouco a cabeça, voltando a atenção à comida, imune ao jeito rude do outro, na maioria das vezes.
Sabendo que os dois não desceriam tão cedo novamente, o ruivo termina a comida, grato por não tê-lo queimado, e serve os pratos à mesa.
Com a comida nos dois pratos que segurava, Tala entra no quarto e vê Kai sentado na cama, lendo, e Rei apoiado no parapeito da janela com o rosto quase grudado no vidro embaçado.
Colocando os pratos no criado mudo, e indo em direção ao neko-jin, ele pára antes de encostá-lo. Pelo reflexo da janela, observa a animação do outro com a vista do lugar. Olhando pra baixo, o chinês tendo a mesma altura que Kai, ou seja, alcançando a altura de suas sobrancelhas, ele aprova a roupa que vestia, apropriadas para o neko-jin. Uma larga calça preta, um moletom azul escuro e um par de meias pretas, todas de Kai.
Não querendo incomodar o entretenimento que o moreno estava tendo com os estímulos visuais da vista do quarto, Tala passa pela cama, pega um dos documentos que percebera só agora ao lado do amigo e volta para a cozinha onde sua comida o esperava.
O primeiro dia passou rápido. Os dois amigos russos descobrindo, para alívio de ambos, que Rei mantinha uma noção de como utilizar e fazer coisas básicas como utilizar garfos e copos, assim como utilizar o vaso sanitário, apesar de não entender como abrir torneiras e dar descargas deixando essa tarefa para os dois russos.
E antes do sol se pôr Rei já se encontrava dormindo profundamente, como não dormia há muito tempo.
curto, eu sei... T T
