Oi! Desculpem a demora, mas aqui vai mais um capítulo.
Espero que gostem!
Bjs
Capítulo IV – O Reencontro (Parte II)
O encontro estava a decorrer lindamente. Algo que estava a superar as espectativas do novo rei do planeta Terra. Sem dúvida que estes mesmos encontros estavam a ser benéficos para os três planetas, uma vez que os seus representantes estavam-se a dar às mil e uma maravilhas.
Naquele momento todos estavam a conversar entre si de forma bastante animada. As mulheres de um lado e os homens de outro.
- E então, Endymion – começou o Taiki a puxar conversa – como é ser rei?
- Sim. Como é que é dizer "adeus" à liberdade?
- Seiya! Vê mas é se páras de dizer disparates! – resmungou Yaten, dando um cascudo na cabeça do irmão caçula.
- Porra, Yaten! Estás sempre a fazer isso! Já não somos crianças!
- Não, não somos. Mas a meu ver continuas a ser uma. Só dizes disparates!
Ao ver aquela cena, Endymion começou a rir-se, enquanto Taiki só abanava a cabeça em negação. Aqueles dois só causavam problemas.
- Taiki. – disse, por fim, assim que parou de rir – Respondendo à tua pergunta, devo dizer que ser rei tem as suas vantagens e desvantagens. Tens a mesma vida de príncipe, só que com mais responsabilidades em cima.
- Isso quer dizer que não é mau de todo.
- Exato!
[…]
- E tu, Serena? – começou por perguntar a rainha Kakyuu à mais nova – Como vais de amores?
Serena corou.
- E-Eu…ainda não penso...nisso…
- Serena é uma jovem pura e muito tímida, Kakyuu. – justificou a mãe desta – Por isso é que ela ainda não se envolveu com nenhum rapaz. – antes que a outra rainha dissesse qualquer coisa, continuou a falar – Fiz questão disso. Por isso é que ela tem quatro guardiãs que a protegem. Quero que a minha filha se case pura.
- Hum…entendo… Mas depois não será mau? Ela assim não estará preparada para o que acontece entre um homem e uma mulher depois do casamento.
- Kakyuu! – recriminou-a a rainha da Lua.
- Não te preocupes, mãe. – disse Serena envergonhada – Eu sei o que a rainha Kakyuu quis dizer. Posso ser pura, mas não sou assim tão…tontinha. Acho que não terei medo de o fazer, se for com aquele que eu amar. – pôs um ar sonhador – O que se há de fazer? – suspirou – Sou uma romântica incorrigível.
Levou mais uma vez as duas rosas que segurava nas mãos ao nariz, cheirando-as com vontade.
- Serena. – chamou-a Serenity – O rei Endymion não pára de olhar para aqui.
- É. Acho que ele só tem olhos para ti pequena.
- O Endymion?
Serena olhou na direção onde ele estava e, quando os seus olhares se cruzaram, desviou logo o dela com um ligeiro rubor nas faces.
- Acho que ele gosta de ti, filha.
- Não mãe…deve ser imaginação tua. Eu e ele somos só amigos.
- Da tua parte até pode ser assim, mas da parte dele…acho que é outra coisa bem diferente.
- Filha. A Kakyuu tem razão. Por que se assim não fosse, como é que explicarias o porquê dele te ter dado essas duas rosas?
- Porque gosto delas. São uma recordação do tempo em que éramos crianças. Do nosso último encontro.
- Querida. Eu andei a pesquisar. Há dez anos o rei Mamoru disse-me que cada uma das cores de uma rosa tem o seu significado. – apontou para as flores – A branca significa "Sou digno de ti" e a vermelha "Amor" ou "Paixão".
- Dessa não sabia. – afirmou Kakyuu – Mas agora tudo faz sentido.
Serena levantou-se de repente.
- Desculpem. Mas tenho de ir, Vou passear um pouco.
«Filha…», pensou Serenity com um ligeiro aperto no coração.
[…]
Seyia avistou Serena a ir-se embora. Como estava aborrecido com a conversa que os mais velhos estavam a ter, levantou-se e tomou a mesma direção que ela tomara.
Endymion, apesar de estar atento ao que o Taiki dizia naquele momento, reparou no seu afastamento. Podia sentir desagrado por isso, pois tinha uma ideia para onde ele estaria ir, mas, mesmo assim, não disse nada, nem fez nada. Como rei, o seu trabalho era ficar com os convidados e fazer com que estes ficassem o mais cómodos possível.
[…]
Serena caminhou e caminhou até encontrar um lago. Chegou à beira deste e sentou-se ali, admirando as suas águas cristalinas. Inspirou fundo de olhos fechados. Sentia o ar puro que a rodeava.
Suspirou.
- Porque é que elas vêm coisas onde não existem? Duvido que um rapaz como ele goste da minha pessoa dessa maneira. Afinal, nós mal nos conhecemos.
- Falando sozinha, Serena?
- Seiya! – exclamou surpresa ao vê-lo atrás dela, de pé e com as mãos nos bolsos. Não estava à espera que ele a seguisse até ali. – Não… - desviou o olhar para o lado oposto ao dele – Estava apenas a falar alto…
- Entendo. – tirou as mãos dos bolsos e sentou-se ao pé dela. Os dois passaram a não dizer uma única palavra sequer. Apenas ouvia-se a ligeira brisa a passar pelo meio deles e a qual balançava ligeiramente as folhas das árvores. – Serena. – pronunciou-se, por fim, fazendo com que ela o passasse a encarar curiosa – Até que é um sítio bonito para refletir. – sorriu – Bela escolha.
Serena retribuiu o sorriso.
- Obrigada.
- Posso saber o que foi que aconteceu para te deixar nesse estado? Triste. Isto se mo quiseres dizer. Não és obrigada a nada.
A jovem olhou-o de lado. Ele sabia que algo se passava com ela, por isso, não valia a pena esconder nada dele.
Respirou fundo e depois passou, então, a contar-lhe tudo. Tudo aquilo que a pusera naquele estado de reflecção.
- E porquê que achas que ele não gosta de ti? Quero dizer…mais do que amiga? – ela não respondeu, virando a cara para o lado – Serena. – pegou-lhe no queixo com o indicador e o polegar da mão direita e virou-o delicadamente na sua direção – És linda, alegre e, com certeza, bondosa. Com estas qualidades todas, achas que algum rapaz era capaz de não gostar de ti? Só se fosse maluco! Ou, pior, um cego!
Serena começou a rir-se. Aquilo até pareceu-lhe um dejá vu. A mãe há 10 anos atrás, antes de conhecer os outros príncipes, também lhe havia dito algo do género.
- Di-lo de verdade?
O príncipe mais novo da Estrela sorriu, sem tirar os olhos dela.
- Sim.
- Até mesmo tu?
- Até mesmo eu.
Um certo clima começou a surgiu entre eles. Os dois não conseguiam desgrudar os olhos um do outro. Era como se tudo à volta deles desaparecesse, existindo apenas eles os dois.
Seiya, aos poucos, ia aproximando o seu rosto do dela.
- Serena. Fecha os olhos. – pediu com amabilidade – Prometo que não te farei nenhum mal.
- Confio em ti. – sussurrou em resposta, fazendo então o que lhe pedira.
Respirando fundo, ele foi-se aproximando mais um pouco dela. O seu nariz tocou ao de leve no dela. Inclinou ligeiramente a cabeça, enquanto semicerrava os olhos. A sua boca estava a centímetros da dela. E, no momento em que ela estava quase a tocar nos seus lindos botões de rosa, uma voz grave se fez ouvir ao longe.
- Serena!
Seiya abriu os olhos de rompante, seguido de Serena, que o olhava sem entender nada do que se estava a passar.
A voz se estava a aproximar.
- Serena!
- É o Endymion…
- Seiya!
Uma segunda voz. E desta vez era de uma mulher.
- E a minha mãe. - disse Seiya, bufando de frustração – Com certeza devem andar à nossa procura. – levantou-se e estendeu-lhe uma mão – Vamos?
Serena, antes de aceitar a mão deste, encarou-a durante algum tempo. Ainda estava um bocado aturdida pelo que acabara de acontecer. O doce aroma que emanava dele, não a deixara raciocinar direito. Pareceu mesmo ter sentido algo suave a roçar-lhe nos lábios.
Os dois, então, caminharam. Deixaram-se guiar pelas vozes até encontrarem os seus respetivos portadores.
- Serena! – exclamou Endymion aliviado, indo logo ter com eles – Tu estás bem?
A princesa da Lua respondeu que sim com a cabeça, com um sorriso tímido nos lábios.
- Claro que está! Ela estava comigo e não propiamente com um estranho! – interpôs-se Seiya – E também estou bem. Se é que o meu bem-estar te preocupa.
- Seiya! – recriminou a mãe do mesmo.
Serenity, que também tinha vindo com eles, sentiu um calafrio. Com todo aquele momento tenso é que ela percebia o que realmente se estava a passar. Que os dois homens, que se encaravam com dureza, gostavam da mesma mulher. Mulher, essa, que olhava para os amigos, sem saber o que se estava a passar.
- E-Endymion… - aproximou-se dele e tocou-lhe no ombro – Agora que sabemos que eles estão bem, não seria melhor irmos comer qualquer coisa? Aquela comida que preparaste para nós parece ser deliciosa!
Tudo o que ela queria era desviar a atenção de todos. Não queria nada que aquele encontro de paz entre reinos virasse numa disputa, na qual a sua filha estava incluída.
Endymion, passado um bocado, deitou cá para fora todo o ar que até então tinha contido nos seus pulmões.
- Tens razão rainha Serenity. – olhou para as duas rainhas e para as duas pessoas que estavam diante de si e deu-lhes um pequeno sorriso – Vamos dar então comer qualquer coisa.
[…]
Assim que descansou, após sentir-se satisfeita pela refeição tomada, Serena começou a reflectir sobre o que havia sucedido anteriormente. Não entendia o porquê do Seiya ter-se dirigido para Endymion daquela forma… Será que o que a mãe e a Rainha Kakyuu lhe disseram sobre o soberano terráqueo gostar dela era verdade?
«Ó Kami! O Seiya quase me beijou na boca!», pensou aflita, lembrando-se do que havia acontecido quando estavam diante do lago. Ainda lhe era presente o seu quente hálito próximo da sua boca… «Mas, pensando bem, o que isso tem de mal? Já tenho 15 anos! Para além de que…ele trata-me bem. Valoriza-me. Sinto-me realmente em paz quando estou na sua companhia. Será que isso é o mesmo que estar a começar a apaixonar-me por ele?».
- Serena. Serena. Serena!
Ao terceiro estalar de dedos, diante dos olhos dela, é que Endymion conseguiu tirá-la dos seus pensamentos e obter a sua atenção.
- Endymion! – exclamou surpresa.
- Parecias meio distante. A comida não esteve do teu agrado?
- N-Não! Não! O que comi estava divinal! Eu é que ando mesmo um pouco pensativa.
- Ok. - «Aposto que ela deveria estar a pensar naquele momento a sós que teve com o Seiya. O que será que eles andaram a fazer?» - Queres vir dar uma volta?
- M-Mas…e os teus convidados? Não devias ser o anfitrião?
Endymion sorriu.
- Não te preocupes. Eles não fogem. – gracejou, perante a perplexidade dela –É certo que sou o anfitrião Serena, mas isso não quer dizer que não me possa divertir. E o que pode ser mais divertido do que levar a minha querida amiga a dar um passeio? – baixou a cabeça e sussurrou-lhe ao ouvido – Prometo que vai ser até a um lugar bem mais bonito do que há dez anos atrás.
A cara de Serena iluminou-se. Haveria paisagens mais belas do que aquelas que conhecia?
- A sério? Que bom! – levou a mão à dela, deixando que ele a ajudasse a levantar-se – Do que estamos à espera? Vamos!
Endymion deu o braço a Serena e, juntos, foram em busca do lugar maravilhoso que o rei terráqueo havia-lhe prometido mostrar.
[…]
- Obrigado por terem vindo. Espero que tenham gostado.
- Eu gostei.
- Também sou da mesma opinião da Kakyuu. Neste momento o teu pai deve estar muito orgulhoso de ti.
- Obrigado, rainha Serenity – agradeceu, beijando-lhe a mão.
- É. – interveio Yaten - Não é todos os dias que podemos dizer que temos um amigo que é rei.
Todos se riram. Até mesmo o sério do Taiki sorriu. Nesse momento, Seiya aproximou-se de Serena e sussurrou-lhe qualquer coisa ao ouvido, enquanto lhe dava um pequeno papelzinho para a mão. Depois deu-lhe um beijo na cara e juntou-se à família. Serena também foi ter com a mãe. Era o momento da partida.
[…]
Serena, assim que chegara ao seu palácio, foi direta para o seu quarto. Estava cansada. Isto fez com que as guardiãs começassem a suspeitar de algo, porque era raro ela não querer a companhia delas, tal e qual como naquele momento.
Entrando no quarto, a princesa da Lua tratou de fechar as portas. O quarto era espaçoso. Todo em branco, com uma grande janela de cortinas rosa claro, mesmo de frente para a porta, e uma grande cama de dossel, rodeada por tecidos e de lençóis de cor-de-rosa, do lado esquerdo desta.
Jogou-se na cama e deitou-se de barriga para cima. O papel que o Seiya lhe tinha dado ainda estava na sua mão. Guardara-o o caminho todo sem que a mãe o suspeitasse. E agora queria muito abri-lo e ver o que nele estava escrito.
Devagar, começou a abri-lo. Sorriu assim que viu o seu conteúdo. Nele estava escrito a forma de como contactá-lo. Pelos vistos ele não queria só conviver com ela nos encontros, mas também fora deles.
Feliz, apertou o pedaço de papel junto ao peito. Depois do que aconteceu nesse mesmo dia, também ela estava desejosa de o conhecer melhor.
[…]
Já era de noite no planeta Terra. Endymion descansava nos seus aposentos. Estava deitado na cama, com os braços cruzados atrás da cabeça e olhar fixo no teto, tendo como vestimenta uns únicos e singelos boxers azúis escuros.
Assim que chegara ao castelo, foi logo ter com os pais dar-lhe todos os detalhes do encontro. Como esperado, eles ficaram orgulhosos dele. No entanto, houve uma única coisa que lhes havia ocultado. O seu passeio com Serena. O quanto aquele passeio havia-lhe sido especial. Nele pôde confirmar o que pensava dela, que era uma moça prendada e bondosa.
Acreditava em amor à primeira vista? Sim! Desde que pusera os olhos nela, ainda quando eram crianças, algo dentro dele a reconhecera como alguém especial na sua vida.
Fechou os olhos. Lembrava-se tão bem desse dia como se fosse ontem. O palpitar do coração assim que a vira.
Abriu os olhos. Sim. Depois de hoje tinha a certeza. Ela era a sua alma gémea.
Levantou-se e caminhou calmamente até à janela da varanda, abrindo-a. Ao colocar um pé na varanda, sentiu logo o ar fresco da noite a bater-lhe suavemente no corpo, na pele que começou a ficar eriçada.
Virou a cabeça para o alto, passando a olhar fixamente para um pequeno planeta que se destacava no céu noturno. A Lua.
- Serena. Minha amada Serena. – sussurrou – Depois de hoje, já sei o que vou fazer. – um sorriso surgiu nos seus lábios – Falarei com a tua mãe e irei pedir-lhe a tua mão em casamento. Tu e eu seremos um só, Serena. Um só.
Agora é que a história vai realmente começar. Até agora foi apenas uma introdução. ;)
Até ao próximo cap. pessoal! xD
Bjs
