Capítulo 4
Elena POV
Logo que saí pelo portão de desembarque, vi a silhueta enorme de Hobbs de costas, na sua corriqueira posição de general, com as duas mãos reunidas atrás do corpo. Eu continuei a caminhar até alcançá-lo e, antes mesmo que eu pudesse me aproximar, ele percebeu minha presença e virou-se para me cumprimentar. Eu sorri levemente, acenando com o rosto. Hobbs abriu um meio sorriso e acenou de volta, desfazendo a pose. Embora estivéssemos trabalhando juntos, eu achava que as formalidades oficiais eram desnecessárias. Eu não bateria continência pra ele.
"Como foi a viagem?" Ele perguntou, pegando uma das minhas malas nas mãos.
"Está tudo bem, eu posso levar" Falei e ele me ignorou, continuando a andar. Não importa quão por baixo Hobbs estivesse, ele nunca perderia a pose de chefe; mesmo que eu não estivesse batendo continência. Segui os passos largos dele, carregando somente uma mochila e outra mala de mão. "Consegui muitas informações, alguns documentos e poucos equipamentos. Meu distintivo não vale muita coisa por aqui".
"Eu imaginei que fosse ser assim" Disse.
"Falei com Dom também" Avisei, vendo Hobbs interromper as passadas. Ele me olhou por cima do ombro. "Ele não sabe que eu estou vindo pra cá. Eu disse que ficaria no Rio" Expliquei, parando ao lado dele. "Também não disse nada sobre Shaw".
"Ele ainda não percebeu?" Hobbs perguntou, voltando a seguir pelo caminho até o estacionamento.
"Não. Ele continua em Los Angeles com o resto da equipe. Dom montou uma oficina e, aparentemente, eles ficarão por lá". Ajeitei a alça da mochila no ombro e olhei em volta, procurando a porta do estacionamento. Embora meu condicionamento físico estivesse em dia, era difícil acompanhar o ritmo de Hobbs.
"Ótimo, isso significa que, por enquanto, Shaw está de olho somente em Han" Ele acenou positivamente com a cabeça e continuou a andar até sairmos por um portão que dava no enorme estacionamento. Eu olhei em volta, reparando nos contrastes de Tóquio. A cidade não tinha nada a ver com o Rio de Janeiro, mas era absolutamente fascinante.
"Gisele está bem?" Perguntei, voltando a olhá-lo.
"Sim, já voltou ao trabalho" Ele explicou e eu respirei fundo, preferindo não insistir no sentido que eu esperava da resposta.
Chegamos ao jipe que Hobbs havia conseguido e eu coloquei todas as malas, que continham os papéis que consegui e os poucos aparelhos, no porta-malas. Dei a volta e entrei pela porta do passageiro – que, aliás, era do lado esquerdo, o lado da porta do motorista no Brasil – e continuei a me atentar aos detalhes das construções de Tóquio. A paisagem oscilava dos prédios grandiosos às casas minúsculas e simpáticas. Estávamos na primavera e o sol estava lá naquela manhã, mas um vento frio também soprava. Não demoramos a chegar no pequeno hotel em que eles estavam hospedados e eu comecei a subir os lances de escada. Assim que entrei pela porta que dava em uma pequena sala, eu encontrei um computador e uma infinidade de papéis rascunhados. Hobbs parecia estar virando madrugadas a fio naquela sala para conseguir alguma coisa.
"Onde ela está?" Perguntei, vendo-o fechar a porta atrás de nós.
"Com Takahashi" Hobbs explicou, colocando as duas malas de documentos e rastreadores na mesa. Eu levei minha mochila e a mala de roupas ao quarto em que Gisele estava instalada.
"Quem?" Perguntei.
"O sócio de Han. Ela está de olho em Takahashi para captar as movimentações dele" Ele começou a espalhar os documentos sobre a mesa de vidro e eu me aproximei, ajudando-o na tarefa. "Enfim, Shaw está fazendo pequenas movimentações com distribuidores de peças de equipamentos de telecomunicações. Meu palpite é que ele quer seguir o mesmo plano de Owen, construindo o mesmo tipo de bomba tecnológica".
"Não seria muito óbvio?" Perguntei, colocando minhas pastas de documentos em cima da mesa.
"Não para quem acha que está fora de cena" Ele disse.
"Será que ele acha?" Peguei um documento do meio de uma pasta e coloquei sobre o teclado do computador de Hobbs. "Ian está negociando, por meio de empresas fantasmas, com fornecedores na Índia, na China e talvez em Israel. Estes mesmos caras vendem equipamentos para empresas aéreas, institutos aeroespaciais e, claro, para os setores de segurança de cada governo. São equipamentos de ponta de localização, negociados sem chamar muita atenção".
"Sem a fiscalização das agências destes países?" Perguntou, tomando os relatórios em mãos.
"Na Índia, parece que ele está sendo acobertado por alguém muito importante. As operações financeiras não foram discretas, mas a polícia está fazendo vista grossa. Não consegui muitas informações sobre a China, por motivos bastante óbvios. Em Israel, as operações parecem bastante estratégicas. É como se ele soubesse demais" Expliquei, tirando outro relatório da mochila. "Não dá para saber exatamente o que ele está comprando ou se ele está realmente construindo uma bomba, mas são equipamentos caros, usados para defesa. Pra mim, parece bastante óbvio que Shaw está se preparando para um provável contra-ataque".
"Ele provavelmente quer nos localizar antes de ser localizado" Hobbs disse, jogando os documentos em cima da mesa de novo. "O que você trouxe?"
"Não consegui nada de muito importante. Consegui poucos rastreadores e algumas estações de pesquisa de informações, mas tudo isso é coisa de criança perto do que eu imagino que Shaw tem" Abri a mala de equipamentos, revelando o pouco conteúdo guardado ali. No fundo, eu havia conseguido algo melhor que alguns aparelhos GPS e permissões para levantar a ficha de algumas pessoas por aqui. Nada daquilo nos ajudaria muito, no entanto. "Se ele quisesse só atingir Dom, não seria necessário tudo isso".
"Gisele ainda está no plano; ela é nosso elemento surpresa" Ele remexeu brevemente a mala, colocando os equipamentos de volta no lugar.
"Nós vamos precisar muito mais que um elemento para pararmos Shaw, Hobbs" Eu puxei os equipamentos para cima, revelando um fundo falso com algumas poucas armas que consegui.
"Elena, Gisele é uma Mossad" Hobbs cruzou os braços, apoiando-se na enorme mesa de madeira com os documentos.
"Acredite em mim, é muito mais que uma vingança pessoal pela morte do irmão" Cruzei os braços também, olhando-o diretamente.
Gisele POV
Estávamos em uma saleta claustrofóbica desde o início da tarde, somente recebendo os "sócios" de Takahashi que deviam algo a ele e vinham realizar os pagamentos. No geral, donos de casas de chá, armazéns e pequenos negócios. Ele, aliás, havia me ligado no início daquela manhã, pedindo que eu o ajudasse nessa operação, mas tudo que eu estava fazendo era ficar sentada em um sofá espaçoso, assistindo Takahashi transitar da poltrona enorme de couro até o cofre instalado na parede. Eu sabia que estava sendo testada, então fiquei calada durante todo o tempo, prestando atenção nas poucas palavras trocadas de forma discreta. Olhei Takahashi sentado, contando notas e mais notas de dinheiro, com um óbvio sorriso estampado no rosto.
"Posso te fazer uma pergunta?" Interrompi, vendo-o levantar os olhos pra me encarar. As mãos ágeis pararam de folhear as notas e ele curvou-se sobre a cadeira, colocando os dois pés sobre a mesa.
"Só se eu puder fazer outra pra você, gaijin" Ele levantou uma das sobrancelhas e eu troquei a cruzada de pernas, abrindo um dos braços sobre o encosto do sofá.
"Parece justo" Afirmei. Respirei fundo antes de continuar, olhando vez ou outra para a porta. "Seu pai também era da máfia?"
"Meu pai foi o yakuza mais respeitado de todo o Japão. Foi ele quem ensinou tudo que meu tio sabe, embora eu me lembre de pouca coisa. Eu já tinha doze anos, mas meu pai me queria fora daquilo até que eu tivesse idade suficiente" Os olhos negros ganharam um reflexo turvo e eu podia ver, claramente, como ele estava imerso nas poucas lembranças que tinha.
"E então?" Perguntei.
"Ele tinha um único ponto fraco: uma mulher chamada Tamara. Minha mãe morreu quando eu era criança e, desde então, só me lembro de ele ter olhado pra ela" Takahashi respirou fundo, com o olhar solto. "Ela era uma prostituta" Outra respiração de desgosto e ele finalmente fixou os olhos em mim. "Tamara era a mãe de Neela".
A menina era filha da amante do pai de Takahashi? Bom, aquilo talvez explicasse a obsessão que ele tem por ela.
"Ele ficou com ela?" Questionei, levantando-me para pegar duas garrafas de cerveja no frigobar. Abri a tampa com a barra da minha blusa branca, entregando outra, já aberta, para ele.
"Não, claro que não. Ela era uma prostituta e ele o homem mais temido de Tóquio. Isso nunca poderia acontecer" Takahashi deu um gole na cerveja e levantou-se pra depositar as notas da arrecadação do dia no cofre. "Ela era igual à Neela; os mesmos olhos brilhantes, a pele morena, os cabelos ondulados. Só consigo achar essa explicação para o sentimento do meu pai por aquela vadia" A expressão dele se contorceu em desgosto novamente e eu comecei a pensar mais ainda em como Takahashi estava herdando o karma do pai. "Ele foi encontrado baleado em um hotel e ela foi a última a vê-lo. Tínhamos certeza que foi Tamara". Ele justificou. Daí pra frente, eu já podia imaginar o que havia acontecido. Meu estômago deu uma volta e eu deixei a cerveja de lado, colocando-a sobre uma mesa de vidro que ficava ao lado do sofá.
"Tamara foi morta pela máfia?" Perguntei, em um tom bastante retórico.
"Meu tio o fez pessoalmente. Ele estava com tanta raiva, que eu não posso nem imaginar como ela morreu" Takahashi dizia aquilo sem a menor emoção, embora meu estômago estivesse cada vez pior. Eles mataram a mãe de Neela. "Depois de alguns dias descobrimos que, na verdade, não havia sido Tamara. Minha avó ficou penalizada com a situação de Neela, que ficou sozinha no mundo e a trouxe para casa. Eu me lembro perfeitamente de quando ela chegou" O vazio dos olhos foi preenchido com algo que eu não sabia dizer o que era. Ele venerava a menina, mas também a odiava.
"E quem matou seu pai?" Questionei, vendo-o olhar pra mim novamente.
"Você já fez muito mais que uma pergunta, gaijin" Ele alertou, abrindo um meio sorriso em seguida. "Minha vez".
"Vá em frente" Incentivei, sorrindo também.
"Como é que você veio parar aqui?" Ele instigou e eu respirei fundo, tentando parecer tranquila.
"Sou filha única, mas tive uma educação bastante rígida. Meus pais sempre foram bastante tradicionais com a nossa cultura, então eu estava convencionada a me casar e ter uma família o mais cedo possível" Contei, prendendo meu pingente da estrela de Davi entre os dedos. "Eu não havia nascido pra cumprir aquele papel, eu sempre tive certeza. Resolvi, então, seguir com meus próprios passos" Disse. Bom, eu não havia mentido em nada; apenas omiti minha ida para o Mossad, minha carreira com Braga e sobre minha nova família. "Conheci o mundo todo e agora estou aqui".
"Por que você escolheu Tóquio?" Ele perguntou, tirando os pés de cima da mesa.
"Você já fez a sua pergunta" Sorri, voltando a pegar a cerveja de cima da mesa.
Takahashi rolou os olhos de forma divertida, instigado pelo meu controle na conversa. "Foi um agente infiltrado. O desgraçado que assassinou meu pai fingiu que era um dos funcionários do hotel" Disse. Bom, era bem a cara de um serviço de um agente secreto.
"Neela sabe?" Indaguei, levando a garrafa à boca.
"Não. Se soubesse, nunca teria morado sob meu teto; acho que teria preferido ficar na rua". Disse, tomando dois longos goles da cerveja. "Vai finalmente me responder, Natalie?"
O nome soou áspero nos meus ouvidos e eu quase demorei um instante para perceber que Natalie era eu. Olhei-o com uma das sobrancelhas erguidas e mordi o lábio suavemente, tirando o braço do encosto. "Eu não sei exatamente responder o que me trouxe aqui. Viajei pra tantos lugares desse mundo, mas nunca tinha vindo pra cá. Acho que foi isso".
"E de onde vem tanto dinheiro?" Ele instigou, levantando-se.
"Do meu trabalho impecável" Poupei a modéstia e sorri, sentando-me na cadeira em frente à mesa de madeira. "E então? O que vai ser hoje?"
"Meu principal sócio vai fazer sua festa de aniversário aqui esta noite. Pensei que você pudesse ficar para conhecê-lo" Uma pedra pareceu cair na minha cabeça quando eu me lembrei que dia era hoje. Os meses que fiquei em coma me desligaram do calendário e eu havia esquecido totalmente que Han fazia 29 anos hoje. O último aniversário dele, aliás, foi a última celebração que passamos juntos antes de irmos encontrar Toretto em Londres. Meu coração estava em pulsos e eu me obriguei a respirar fundo e formular uma resposta para Takahashi.
"Não acho que seja a minha cara me misturar com as vadias que circulam por aqui, mas eu passo aqui mais tarde" Ri de forma nervosa, vendo-o levantar-se da cadeira.
"Como você quiser" Ele disse.
"Até daqui a pouco" Dei um aceno de cabeça e me levantei, indo até a porta. Passei pelo exército de seguranças e yakuzas, até chegar à pequena porta que dava em um beco. Continuei até alcançar a rua e percebi que a noite já começava a cair, mostrando um céu escuro em meio a poucas nuvens daquela noite fria. Assim que meus olhos voltaram para a rua, eu vi uma limusine preta encostando na calçada e cinco yakuzas descendo para abrir a porta do passageiro. Um senhor de sobretudo longo e chapéu negro desceu, entrando pelo beco escuro até a porta que levava ao prédio em que Takahashi estava. Eu não tinha dúvidas: aquele era o tio dele.
Segui até a minha moto, coloquei o capacete e segui até o hotel, chegando em poucos minutos. Estacionei na rua de trás e passei pela pequena recepção, subindo as escadas. Passei o cartão pelo leitor da porta e entrei, encontrando Elena sentada à mesa de vidro, com os olhos fixos em alguns documentos. Ela me olhou logo que eu surgi pela porta e eu sorri, caminhando até ela.
"Gisele!" Exclamou, me abraçando. "Que bom te ver bem!"
"Considerando que na última vez em que você me viu, eu estava em coma, devo parecer melhor" Sorri, abraçando-a também. "Obrigada por estar aqui".
"Eu não deixaria minha família pra trás" Ela disse e eu a apertei com mais força, feliz por ela estar ali.
"Como foi a viagem?" Perguntei assim que soltamos do abraço.
"Conversei com Dom; estão todos bem. Estou com Hobbs, passando todas as informações que consegui sobre as movimentações financeiras de Shaw e gostaria que você desse uma olhada nisso" Elena me entregou uma pasta com uma etiqueta com o nome 'Israel' na capa e eu rapidamente abri, encontrando uma infinidade de documentos. Espalhei as folhas pela mesa e comecei uma leitura dinâmica, encontrando nomes de fornecedores que eu conhecia bem.
"Ele está comprando dessas empresas?" Questionei, sem tirar meus olhos dos papéis.
"Ao que tudo indica, sim. São movimentações bastante pontuais, que não estão chamando a atenção do governo. Parece que ele está sendo discreto, mas..." Ela ponderou.
"É óbvio que ele está tendo acesso a informações muito privilegiadas. Essas empresas são conhecidas por manter contratos extremamente discretos com as agências de inteligência, mas principalmente com o Mossad" Falei, percebendo que Hobbs havia se juntado a nós, em silêncio, na sala. "Quando precisávamos de dados confidenciais de figuras importantes ou equipamentos que jamais constariam na lista de nenhuma outra agência, recorríamos a estas empresas e a estas pessoas". Respirei fundo, colocando os papéis na pasta novamente. "Shaw comprou alguém do Mossad. Algum agente está fazendo este intermédio". Concluí, voltando a olhar Elena. "Como você conseguiu isso? Os comprovantes dessas operações são quase impossíveis de se conseguir".
"Consegui com outras agências que estão de olho nisso, mas ao que parece, Shaw está sendo visto como alguém que só quer comprar influência no meio político, ganhando prestígio com a lista de fornecedores. Ele não está na lista de terrorismo, até porque, essas operações acontecem há mais de um ano e meio. Estamos falando de bilhões". Ela explicou e eu fiquei um instante em silêncio, pensando.
"Então ele estava ajudando Owen a roubar e a comprar equipamentos e informações para a primeira operação, em Londres, claro. Mas eu não consigo imaginar como algum agente estaria cooperando há tanto tempo, sem ser pego pelo Mossad. É impossível; eles nunca deixariam isso passar. Uma traição é levada muito a sério".
"Talvez seja algum ex-agente de alta patente, exatamente como você. É por isso que está tão difícil encontrar Shaw. Ele se cercou de gente de escalão" Hobbs disse e eu me mantive quieta, encarando aqueles nomes no papel. Um frio subia e descia pela minha coluna conforme eu me lembrava dos tempos que fui agente. Depois que me envolvi nos negócios de Braga e muito mais quando conheci Toretto, a equipe e principalmente Han, eu havia me esquecido daquela vida. Trazer tudo à tona doía por tantos motivos, que era impossível pensar em desistir do plano de manter minha família a salvo e pegar aquele desgraçado que estava sendo acobertado por algum traidor.
"Ele ainda está fazendo movimentações parecidas na China e na Índia, onde tem uma influência escancarada sobre as agências de fiscalização. Estão fazendo vista grossa pra tudo que Ian Shaw está fazendo" Elena continuou e eu respirei fundo.
"Ele tem dinheiro de sobra, aparentemente" Comentei.
"Muito mais que podemos imaginar" Hobbs disse. "Ou ele está vendendo seus serviços para essas pessoas".
"O que é muito mais preocupante, já que, a rigor, Shaw é um terrorista" Elena complementou, reunindo os documentos novamente. "A impressão que eu tenho é que ele vai atrair Dom até aqui, usando Han como isca e depois vai revidar com toda essa artilharia que ele está montando. Só pode ser essa a explicação para todas essas movimentações e para o tempo em que ele está aqui, somente observando".
"Você estava certo" Eu fixei meus olhos em Hobbs, vendo-o cruzar os braços. "Não temos nenhuma chance se não pegarmos Shaw de surpresa".
"Agora que sabemos tudo que ele está fazendo, precisamos apertar o passo, Gisele" Ele disse, olhando Elena. "Você precisa ficar colada em Takahashi e em Han, para perceber qualquer movimentação de Shaw".
"Eu ficarei". Prometi. "Preciso voltar pra lá. Takahashi quer que eu esteja na festa de aniversário de Han" Fechei os olhos por um instante e encarei o carpete escuro da sala em seguida. Elena colocou uma das mãos sobre meu ombro, tentando prover alguma forma de conforto.
"Precisamos segui-los mais de perto. Elena trouxe alguns rastreadores militares; você pode instalá-los no carro dos dois" Hobbs recomendou, olhando-me por baixo do largo queixo.
"Eu pensei nisso, mas não sei se vai ser tão simples. Takahashi é inofensivo, mas é muito mais sangue azul que pensávamos" Disse, pegando os dois pequenos dispositivos de dentro da mala que estava sobre a mesa.
"Faça o melhor que puder" Ele disse.
A música alta começou a vibrar nos meus ouvidos assim que eu atravessei os andares de fachada até alcançar um mar de modelos japonesas de minissaias. Era impressionante como eu não precisava mais me identificar para as dezenas de seguranças e mafiosos que guardavam o prédio. Eles já sabiam quem eu era. Fiz o melhor que pude para me infiltrar, quando vi Han, abraçado por dezenas delas e acompanhado do garoto que destruiu seu carro naquela noite. Não consegui sequer sentir raiva de Han por ele estar pendurado naquelas vadias. A memória de nós dois, sentados na areia de uma praia da América Central no seu último aniversário ocupou minha mente e minha respiração se suspendeu por um instante. Eu não podia sequer culpá-lo por seguir em frente, mas eu tinha raiva do tempo que estava perdendo. E eu tinha certeza que sentiria aquilo toda vez que o visse na minha frente. Segui os passos dos dois, conforme eles seguiram até a sala em que, eu supunha, Takahashi estava. Fiquei do lado de fora, a uma distância razoável, escondida nas sombras do corredor escuro. Tudo que eu via, agora, eram duas garotas se beijando em um dos cantos e ouvia somente um pequeno eco da conversa que acontecia dentro da sala.
Eu não sabia dizer com certeza quanto tempo se passou, mas eu imaginava que estava ali parada há, pelo menos, uma hora. Ouvi a porta se abrindo e entrei por outra porta lateral, que dava em um pequeno banheiro. A voz de Han ficou distante e, assim que eu parei de ouvi-lo, saí pela porta e fui até o fim do corredor, abrindo a porta da sala de Takahashi. Ele parou de contar o bolo de notas que tinha nas mãos e olhou para mim, com um olhar descontente. Alguma coisa havia acontecido.
"Você está muito atrasada, gaijin" Disse.
"Eu não queria atrapalhar, então fiquei lá embaixo" Expliquei, sentando-me no sofá de canto da sala. "E então? Onde está o seu sócio?" Perguntei, cruzando as pernas.
"Achei que vocês tivessem se cruzado, porque você entrou logo que ele saiu" Takahashi comentou, inclinando a cabeça para me olhar.
"Acho que sim" Respondi, despretensiosamente. "Passei por ele e por aquele cara que correu com você na noite que te conheci. Se é que dá pra chamar aquilo de correr" Ri levemente, voltando a olhá-lo.
"Ele está com meu sócio agora e isso, talvez, tenha me dado uma ideia" Ele levantou-se, sentando ao meu lado, no sofá. "Encontrei uma utilidade pra você, além de enfeite de sala" O rosto dele estava próximo ao meu e eu sentia a respiração de Takahashi contra meu rosto. Fiquei tensa feito uma pedra, mas não movi um centímetro sequer do meu corpo; nem para me afastar, tampouco para me aproximar. "Agora que Han está usando o moleque de motorista, você pode fazer algumas corridas para mim".
"Você sabe que eu sou muito melhor do que aquele pivete e que sou mais exigente que Morimoto" Eu disse, encarando-o diretamente.
"Você vai ser a minha carta na manga" Ele riu de forma sarcástica e eu quase não pude evitar um riso ao perceber que Hobbs achava o mesmo. "E se você fizer sua parte, vai ter o dinheiro e a diversão que quer".
"Parece justo" Comentei, sorrindo também. Levantei do sofá, sentando sobre a mesa de madeira da sala. Cruzei as pernas novamente, encarando Takahashi. "Quando eu começo?"
"Quando eu te chamar". Ordenou, com uma expressão amarrada. Entendi que era hora de deixá-lo sozinho, então levantei, saindo pelo corredor.
Fiz o mesmo caminho de sempre e encontrei o carro de Takahashi estacionado em frente aos caça-níqueis de fachada, ao lado da minha moto. Olhei para os dois lados, procurando qualquer sinal de vigia. Não havia nenhum segurança ou de yakuzas por perto, então eu abri o compartimento da moto e tirei o pequeno rastreador que eu tinha ali. Agora que Takahashi não estava mais em uma boa relação com Han, eu imaginava que ele perderia também o seu melhor mecânico. Não seria fácil ele encontrar aquele aparelho minúsculo por conta própria.
Olhei para os dois lados mais uma vez e caminhei devagar até dar a volta no Nissan. Abaixei-me perto da traseira e entrei embaixo da lataria, prendendo o aparelho no protetor de cárter sem muita dificuldade. Arrastei minhas costas pelo asfalto gelado até sair dali, voltando para a moto. Subi e voltei para o hotel, sentindo o vento frio bater contra o meu corpo.
Oi gente!
Sei que demorei uma eternidade pra postar – e peço mil desculpas –, mas estive muito atolada no trabalho e virei titia, o que está me consumindo muito tempo! hahaha
Estou com a cabeça cheia de ideias, mas pouco tempo pra passá-las para o computador. Prometo que, agora que está tudo se acalmando de novo, vou voltar a postar com frequência.
Gostaria de agradecer todos que deixaram reviews e todos que não desistiram da fanfic, mesmo com a demora. Espero que vocês gostem!
Beijos
