Esperar pelo último espírito era a única coisa que Tom podia fazer.

O rapaz ficou parado no meio de seu dormitório, olhando em volta e tentando adivinhar como seria o fantasma do Natal futuro. Na história original, a última assombração era a pior, mas ele não se deixaria intimidar por um espírito mal-humorado... Não, não ele.

Riddle foi arrancado de seus pensamentos ao ver uma sombra esquisita nas cortinas de sua cama. Com certeza não era a sua própria sombra, pois a figura parecia estar usando uma capa.

- Fantasma do Natal passado?

A sombra não se mexeu.

"Ótimo"

Virou-se para poder ver o espírito. Ele (ou seria ela?) tinha a mesma altura que Tom e estava usando uma capa negra, o rosto estava escondido com um capuz. Diferente dos dois fantasmas anteriores, este não fez o menor movimento ao perceber que o jovem sonserino o encarava.

- Certo... O que você...?

O espírito apontou para alguma coisa atrás de Riddle. Suspirando, o garoto se voltou para onde a figura encapuzada apontava...

O dormitório havia desaparecido, dando lugar para uma aconchegavel sala de estar decorada para o Natal. Um casal estava sentado no chão, perto do pinheirinho, conversando e sorrindo. O homem estava soltando pequenas fagulhas coloridas com a varinha, divertindo um bebê que a mulher estava segurando. O garotinho tinha cabelos pretos, como o pai, e olhos verdes, iguais aos da mãe.

- Feliz Natal, Harry! – ela sorriu e ergueu a criança.

- Nosso primeiro Natal como pais – o homem sussurrou e beijou a bochecha da esposa – Feliz Natal, Lily... – virou-se para o menininho e bagunçou os cabelos negros dele – Feliz Natal, garotão!

A criança riu com gosto. Tom não conseguiu conter uma pontada de inveja... Aquilo era tudo o que ele desejara durante toda a sua infância: uma família com quem ele poderia se reunir em datas importantes, como o Natal.

- Certo, quem são essas pessoas? – o rapaz perguntou, mesmo achando que o vulto não responderia.

Como esperava, o espírito ignorou a pergunta e apontou para outra coisa. Novamente, quando o sonserino se virou para ver o que o outro apontava, o ambiente mudou... Os dois estavam parados no hall de entrada de uma casa bem ajeitada. Do mesmo jeito que fizera com a casa de seu pai, Tom supôs que aquela era uma residência trouxa.

- Você vai demorar muito com isso, moleque?!

- Já estou indo, Tio Vernon – um garotinho apareceu na porta da cozinha.

O menino estava usando roupas grandes demais para o seu corpo magro, o que lhe dava uma aparência quase doentia. Os cabelos negros e revoltos caiam-lhe sobre a testa, quase cobrindo uma cicatriz em forma de raio que havia ali e seus olhos verdes...

- Esse garoto é aquele bebê que acabamos de ver? – sem resposta – Nem sei porque me incomodo perguntando.

Dizendo isso, o rapaz atravessou o corredor e foi até a cozinha, querendo ver o que o menino estava fazendo.

- Ajude a sua tia com o arroz – um homem com um bigode enorme falou, apontando para uma mulher alta e loira – E vá rápido.

- Sim, tio Vernon.

- O que aconteceu com os pais dele?

- Não me faça essa cara de emburrado! Você deveria ser mais agradecido, garoto - o trouxa resmungou – Se não fosse por nós, você estaria sozinho no mundo! Sem pais, sem amigos, sem familiares...

Então ele era um órfão... Um jovem bruxo vivendo com trouxas,assim como Tom.

- Marge chegara daqui a pouco, quero que tudo esteja perfeito – Tio Vernon falou e olhou feio para o menino – Trate de se comportar! Se alguma coisinha estranha acontecer, você ficara preso naquele armário até o Ano Novo, entendido?

- Sim, Tio Vernon.

Será que o garoto não sabia falar outra coisa!? Por que ele não fazia alguma coisa contra aquele grande idiota? Se Riddle estivesse em seu lugar, aquele trouxa já teria se arrependido de todas as ameaças que havia feito.

A cena diante deles mudou novamente. Agora eles observavam uma garotinha ruiva sentada em uma cama, com um caderno aberto em cima dos lençóis. A menina escrevia desesperadamente na página em branco, grossas lágrimas escoriam pelo seu rosto infantil e pingavam no papel.

Ao perceber que o fantasma não faria nada, Tom se aproximou da menina para ver o que ela estava escrevendo e levou um susto ao reconhecer aquele caderno.

"Eu não sei o que está acontecendo comigo, Tom! Hoje eu tive mais um daquele apagões... Ron disse que me procurou por todo o castelo para me desejar 'Feliz Natal' e não me encontrou, mas eu não me lembro de ter saído da Torre da Grifinória!"

A ruivinha desatou a chorar em cima do caderno. A pena tremia em sua mãozinha, borrando toda a página... Mas logo a tinta ia sumindo, como se estivesse sendo absorvida pelo papel velho.

"Não se preocupe, Ginevra", as palavras se formaram na folha. Ele conhecia aquela caligrafia, "Não deve ser nada grave..."

"Mas, Tom... Os ataques! Eles acontecem quando eu tenho esses...!"

"Ginevra, se acalme. Não é você... Eu a conheço bem, sei que você não seria capaz de cometer tais atos, pequena"

Um sorrisinho triste se formou nos lábios da garota.

"O melhor que você pode fazer é se acalmar... Me conte tudo o que aconteceu, isso a ajudará a se sentir melhor, querida"

A menininha ruiva e o diário de T. M. Riddle sumiram.

- Fugiram.

- Como?

- A garota o levou...

Um homem estava parado no meio de um quarto imundo, acariciando uma enorme cobra que se enroscava em seus ombros. O rosto do bruxo era a coisa mais estranha que Tom já vira... Uma mistura de homem com cobra... Olhos vermelhos, pupilas de fenda, as narinas também eram apenas duas fendas, pele pálida... Com certeza aquilo não era humano.

- Nós o tínhamos tão perto – a cobra sibilou – Podemos tentar achá-lo... Mande os seus comensais! O Malfoy pode fazer isso, não?

- Você acha que ele seria capaz de ir atrás do garoto?! Lúcius Malfoy é um incompetente... Não muito diferente do pai.

Lucius Malfoy... Seria ele o futuro filho de Abraxas?

- O que você irá fazer, mestre?

- Potter irá aparecer – o homem sussurrou – Uma hora ou outra, ele terá que aparecer... E LordVoldemort estará esperando por ele.

Lord Voldemort! Aquele era o seu nome, o seu apelido! Como aquele homem tinha aquele nome?

- Esse... Esse sou eu...

Ficar encarando Lord Voldemort e tentando imaginar como ele chegara àquele ponto fora a única coisa que Tom Riddle pôde fazer. Certo, era fascinante ver como aquele bruxo parecia poderoso... Mas ao mesmo tempo, era perturbador pensar que, um dia, ele ficaria daquele jeito.

"Pelo menos terá poder"

"Sim, e a única criatura que irá te apoiar na vida será uma cobra"

Ainda com os olhos fixos no rosto ofídico de Voldermort, o rapaz viu a cena diante de si mudar. O que ele via agora o fez ficar de boca aberta...

Era um casal, mas não qualquer casal. Tom podia jurar que o rapaz era o menino órfão criado por trouxas e a moça era a menina ruiva que escrevia em seu diário... Ambos pareciam aliviados, sorrindo tranquilamente e olhando em volta na sala com decorações natalinas.

- Ron, Mione! – o rapaz acenou.

Um rapaz ruivo e alto entrara na sala, seguido por uma garota mais baixinha, de cabelos armados e olhos castanhos...

- Hermione? O fantasma do Natal passado... É ela! O que ela está fazendo aqui?

- Oi, Harry... Ginny! – Hermione sorriu, sentando-se ao lado do ruivo no sofá – Oi, Neville! Oi, Luna.

Só agora o rapaz percebera que havia mais duas pessoas na sala. O tal Neville, um garoto de cabelos castanhos um pouco mais alto que Harry, e Luna... Era a mesma Luna que ele havia conhecido como o Fantasma do Natal presente.

Os seis conversaram animadamente,até um deles tocar em um assunto que, aparentemente, era delicado.

- Já perceberam que esse é o primeiro Natal sem Voldemort? – Neville perguntou, bebendo um gole de Cerveja Amanteigada.

- O primeiro Natal sem ter que nos preocupar com aquele idiota – dessa vez foi o ruivo que falou.

- Graças a Merlin – Hermione, a mesma doce Hermione que o havia tratado tão bem, pareceu bem satisfeita com o fato de que o Lord das Trevas fora derrotado – Mas... Vamos parar de falar disso! Está tudo bem agora... Estamos nos recuperando de todo o mal que ele causou.

- O que eles querem dizer? Eu fui preso... Em Azkaban? O que houve? – o sonserino perguntou para a figura encapuzada atrás de si.

O espírito estendeu-lhe um exemplar de O Profeta Diário e, mesmo sem entender o motivo, Tom pegou o jornal, sem perceber que o ambiente em volta deles mudara novamente.

"LORD VOLDEMORT MORRE EM BATALHA NA ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS:

HARRY POTTER, O MENINO QUE SOBREVIVEU, FINALMENTE DERROTA O LORDE DAS TREVAS!"

- Não... Não é verdade – o garoto sussurrou, arregalando os olhos – Não posso ser derrotado por um pirralho daqueles! NÃO POSSO!

Jogou o jornal no chão e se virou para encarar o espírito. Riddle se assustou ao ver que o fantasma havia tirado o capuz, revelando um rapaz de cabelos negros, olhos verdes e com uma cicatriz na testa...

- V-Você! Você é o idiota que vai... Que vai...!

- Eu não fiz nada com você, Voldemort – o outro garoto falou, aproximando-se do sonserino – Você fez isso com você mesmo.

- Não, não, não, não!

- Esse seu desejo por poder levou você à isso. Você não queria amar, certo? Porque amor é para os fracos... Você conseguiu. Você não queria ser humano, porque ser humano é ser mortal... Ser mortal é ser fraco.

- Que bom que você entendeu... – Riddle falou, contendo-se para não demonstrar nenhum traço de medo na voz.

- Parabéns, Tom, você conseguiu – o espírito estava próximo o bastante para tocá-lo.

O rapaz olhou para trás e viu que estava em um cemitério. Uma elegante lápide se erguia atrás dele, havia três nomes ali...

THOMAS RIDDLE

MARY RIDDLE

TOM RIDDLE

- Você conseguiu deixar de ser humano, Voldemort... – outro nome começava a aparecer na pedra enquanto Harry falava – E foi isso que o levou ao seu fim.

TOM MARVOLO RIDDLE

Tom sentiu o ar faltar ao ler o seu nome na lápide e, no momento seguinte, sentiu o chão debaixo de seus pés desaparecer. Agora ele estava caindo dentro do túmulo, indo de encontro a um caixão aberto onde, pelo o que ele pôde ver, estava o corpo morto de seu pai...

Ele não podia ficar daquele jeito! Não podia ir parar naquele buraco imundo!

- Não!

A última coisa que Tom Riddle pôde ver foram os olhos azuis de seu pai vidrados nele, antes de sentir seu corpo bater com força no interior do caixão.

***

N/A: "Pqp, Ariane! Parar nessa hora?!" ... Hm, é 8D Mas não e suspense,povo, todo mundo já conhece a história.

Então, nesse cap. vocês conheceram o "amigável" Fantasma do Natal futuro, Harry Potter. Esse fantasma divide lugar com o do Passado como meu favorio 8D ... Ele é tão quietão e du mal... adorooo 3

O que falar do cap? Tom viu os natais futuros. Viu os Potter, viu Harry pequeno na casa dos Dursley [e achou que ele era parecido com si mesmo], viu Ginny quando ela ainda estava com o diário, viu ele mesmo com sua fiel escudeira, Nagini... E viu todo o povo feliz depois que ele morrera.

Não sei o que falar D:

Falta um cap. 8D

Nununununuunu.... até o próximo 8D

Beijos ;*