Ok, como podem perceber, esse capítulo é o primeiro embate oficial dos dois. Espero que não se importem em como ele se desenrola.
Ah, eu não tenho grandes problemas com reviews. Havendo uma, eu já posto o capítulo seguinte. O ibope de Kristina Frey's Case foi muito além do meu normal, não espero aquilo de todas as fics : D
Ah, o fato do House resolver pegar a Lisbon é o ponto mais importante pra essa fic, pelo simples fato de que as conseqüências disso dão o nome da fic em si : ) acho que vão gostar do capítulo em que isso se explica.
Cap. 4 – The doctor x The Mentalist
Demoraria mais cinco dias para que todas as amostras fossem testadas. No meio tempo, a equipe ia até o hospital todos os dias verificar se a empregada estava em condições de prestar depoimento. Segundo House – e Jane não acreditava nisso – ela podia melhorar a qualquer dia, então que viessem sempre.
Mas era claro, ao menos para Jane, que House queria apenas que Lisbon fosse até o hospital sempre para ter a chance de persuadi-la.
E esse era mais um desses dias.
Isso porque House precisava ocupar a mente com alguma coisa. E por mais que não admitisse, Lisbon poderia lhe dar uma pequena amostra do que seria dormir com Cuddy. Portanto deixar que ela lhe dissesse um não estava totalmente fora de questão.
Além do mais, seria extremamente divertido esfregar isso na cara de Patrick Jane.
Cuddy passava pelo local quando viu a equipe da CBI parada em frente à sala da empregada. Bufou nervosa e foi à sala de House, que tentava pela terceira vez identificar o que tinha sua paciente.
- House, por que chamou a polícia aqui de novo?
- A empregada pode melhorar a qualquer minuto! – disse, ironicamente.
- Não, não pode. O estado dela ainda é grave e não vai acordar por um bom tempo. Mande-os embora.
- Claro. Mando aqueles policiais todos embora em instantes.
- A policial também, House.
- Ah, essa não dá. Aliás, não dá mesmo. – achou graça internamente.
- House, se quer transar com ela, peça para sair com você. – disse, preparando-se para sair.
- Não, dá trabalho. Custa dinheiro.
- Então vai fazê-la vir pro hospital todo dia?
- Sabe, ela me lembra você. Quanto tempo deveria insistir para que aceitasse dar pra mim?
Revirando os olhos, Cuddy saiu da sala.
Ouviu uma movimentação vinda da ala de recuperação. Duas enfermeiras passaram correndo seguidas de dois seguranças. Como House estava em sua sala, imaginou que fosse algum paciente causando problemas. Correu até lá, de qualquer forma.
Deparou-se com alguns seguranças segurando Patrick Jane enquanto Teresa Lisbon gritava com o mesmo.
Alguns médicos tentavam conter um ataque da empregada.
- Que diabos está acontecendo aqui? – perguntou Cuddy.
Lisbon correu até ela pedindo um milhão de desculpas.
- É minha culpa, eu não devia tê-lo deixado sozinho, desculpe, Doutora Cuddy.
- O que aconteceu, por Deus!
- Jane desligou os aparelhos da mulher para acordá-la e fazê-la prestar depoimento.
- O que? – Cuddy disse, inconformada. – Ele poderia tê-la matado!
- Ele está profundamente arrependido e não fará nada mais de novo. – afirmou Lisbon, tentando acalmá-la.
- Hey Lisbon! – chamou Jane, ainda sendo segurado pelos seguranças – Uma ajuda aqui!
Lisbon revirou os olhos e suspirou.
- Diga para soltarem-no. – disse Cuddy. – Mas precisarei falar com você. Vá pra minha sala.
- Sim senhora.
Cuddy não estava exatamente nervosa. Era uma questão de procedimentos. Estava realmente acostumada a ver alguém fazendo algo completamente irracional e botando a vida do paciente em risco. Mas esse alguém era sempre House, um médico formado que, no fundo, sabia o que estava fazendo. O que aquele consultor fazia? Tentava apressar a recuperação da paciente… matando-a? Que tipo de idiota fazia uma coisa dessas?
Quando Lisbon entrou na sala, Cuddy sentiu até pena. Ela estava de ombros caídos, provavelmente assumindo toda a culpa do que acontecera.
- Você precisa conversar com o seu consultor. – disse Cuddy, apontando a cadeira para que se sentasse.
- Mais uma vez? – ela suspirou – Não adianta. Não faz idéia do que é conviver com Patrick Jane. Tenho sorte de ainda ter meu emprego.
- Então por que o mantém na equipe?
- Porque com ele somos a unidade número um da Califórnia. Pegamos muitos bandidos.
Cuddy quase riu.
- Já vi esse filme antes.
- Como assim?
- O doutor House também não é um exemplo de etiqueta. – ela tirou da gaveta uma pasta grossa e pesada, repleta de papéis – Esses são os processos que House está enfrentando no atual momento. Ele nos custa muito dinheiro.
- E… por quê o mantém aqui?
- Porque também nos trás muito dinheiro. House é um gênio e não há médico bom o suficiente para substituí-lo.
Lisbon soltou um "ah" longo, como se entendesse.
- Jane já foi seu próprio advogado quando foi acusado de dar um peteleco num promotor.
Cuddy riu.
- Um peteleco? Isso é crime?
- De certa forma é agressão.
- House quis ser seu próprio advogado quando enfiou um termômetro anal num policial e o deixou na mesma posição por horas. Mas nós não deixamos.
- Um policial? Melhor eu tomar cuidado. – disse Lisbon, sorridente e achando graça.
- Ah, não se preocupe. Ele não faria isso a uma mulher. Colocaria outra coisa no lugar.
- São dois miseráveis. House e Jane.
- De qualquer forma, não podemos viver sem eles. – Cuddy admitiu. – Agora só falta dizer que o seu também toma remédios como balinhas de hortelã.
- Não… quer dizer, o Jane toma remédios para dormir. Constantemente. Ele tem uma insônia muito forte.
- House tem uma dor na perna. Longa história, mas ele teve um infarto na perna. Hoje dói horrores e ele se entope de Vicodin.
- Isso não é perigoso?
- É. Mas ele já passou da época de tomar por dor. Hoje é dependente. – após um curto silêncio, Cuddy continuou – Vocês devem brigar o tempo todo.
- Já foi pior. Jane e eu somos bons amigos.
Cuddy sorriu.
- Gosta dele?
- Não! Quer dizer, eu gosto dele, mas não… não dessa forma. – deu um intervalo para continuar – Você… gosta do House?
- Oh, não se preocupe. House é o homem mais complicado para uma mulher se relacionar. E eu sei que ele está tentando te convencer a dormir com ele, mas não se preocupe mesmo. Você não é a primeira e não será a última.
Lisbon estava parcialmente chocada por uma mulher poder sentir qualquer tipo de sentimento por alguém tão desprezível quanto House. E mais ainda por saber sobre a tentativa dele de dormir com ela.
- Isso não vai acontecer. – afirmou Lisbon. – Nunca. Eu não vou dormir com ele.
- Não estou preocupada com isso. Mesmo.
- Sim, mas eu não…
- Não precisa me dar satisfações. Se quiser faz, se não quiser, não faz.
Enquanto isso, House havia sido guiado pela correria repentina de Cuddy a ir até onde agora a movimentação já havia diminuído bastante. Não viu nem sua chefe nem miss headache. Por outro lado, viu o loiro ensebado falando com uma porção de seguranças.
Aproximou-se e o cutucou com a bengala.
- Qual o nível de estresse de Cuddy?
Jane o encarou com enorme desprezo e preferiu ignorar. Continuou falando com o segurança e explicando que podia sim ficar sozinho e não ia repetir o que fizera, No entanto, House não suportaria ser ignorado. O segundo cutucão foi uma forte pancada na altura da canela.
- Eu perguntei – resmungou House enquanto Patrick pulava num pé só – qual o nível de estresse de Cuddy.
- Ficou louco? Perdeu o juízo? O que diabos está pensando?
- Você fez alguma coisa muito idiota e agora Cuddy está se resolvendo com a miss Headache. Quero saber se Cuddy está estressada demais pra me permitir fazer um exame que provavelmente matará a paciente, sem prova alguma.
- Por que iria querer fazer isso?
- Olha só quem fala. O que você fez? Tirou a mulher da entubação? Melhor parar de tomar esses remédios pra dormir. Vão te fazer mal.
- Você toma remédios a cada cinco minutos e eu tenho que parar de tomá-los?
- Eu sou médico. Acredite quando digo que vai ficar ainda mais lesado se continuar.
- Eu não acredito em médicos.
- Oh, eu também não. – disse House, em tom de encenação. – Quem eles pensam que são, estudando o quê? Cinco, seis anos só pra salvar a vida das pessoas. Não são dignos de confiança.
- Você não salva vida alguma. Você simplesmente infla seu próprio ego miserável resolvendo quebra cabeças usando doenças como peças.
- Diga-me que não faz o mesmo com criminosos e ficarei surpreso.
- A minha vida tem um sentido. Eu estou aqui por um motivo.
- Um motivo nobre, tenho certeza, como justiça para todos. Oh, não, espere. Acho que é para vingança pessoal. Um miserável feito você é digno de acusar os outros de fazer a mesma coisa que você.
- Vingança pessoal ou não, o que faço tem um propósito. Você simplesmente brinca com as pessoas e torna a vida dos outros tão miserável quanto a sua.
- O que você faz?
- Que?
- O que você faz? No seu trabalho.
- Mando criminosos pra cadeia.
- Pois é. Você os condena. Eu os curo. Qual de nós faz a vida dos outros mais miserável?
Dizendo isso, House se virou e foi em direção à sala de Cuddy.
Ok, House 1 x 0 Jane.
Não se preocupem com isso. Sério.
(na verdade essa fic é também um pedido de desculpas à Lisbon que sempre se ferra nas minhas fics)
