Não, não, não.
Ele correu, arfante, subindo as escadas com desespero evidente. Estava escuro e, no final do corredor, havia uma porta entreaberta, mal iluminada. O coração dele bateu mais forte, medo o inundando.
No último quarto, ele viu Voldemort, branco, louco e sanguinário. No último quarto, ele viu Lily e Harry no chão, mortos.
Ele estava sozinho, sentado na cama, olhando para a parede branca. Há um bom tempo ele estava assim, aéreo. Sua cabeça vagava a milhas daquele recinto, sem conseguir deixar de se angustiar; na verdade, ele passou as últimas horas em completa angústia. Seus dedos brincavam com as fotos antigas, os rostos sorridentes acenavam para ele, alheios ao esmagamento que ele aplicava sobre eles.
James não podia ser pai.
Ele lutou durante anos para que outros pudessem crescer e serem pais. Ele lutou para que crianças nascessem em segurança. Era no que ele gostava de acreditar. Mas, às vezes (muitas vezes), ele se lembrava dos rostos deles. É muito fácil conjurar o inimigo como uma figura ruim e desprovida de emoções, mas, contudo, nem todos são como Bellatrix Lestrange e ele sabe disso. Ele encontrou pessoas. Ele matou pessoas. Ele matou pais, mães, filhos, irmãos...
James não conseguiria ser pai.
O que ele poderia ensinar a uma criança? Tudo o que ele sabia, com exceção de Quadribol, era sobre guerra. E, na grande maioria, apenas a parte prática. Ele não se lembrava dos livros que leu, do que aprendera na escola, das brincadeiras adquiridas. O que ele poderia ensinar a um filho?
Ele estava coçando a cicatriz. Ela não o incomodara durante um bom tempo até que, há dois dias, descobriu que era pai. Ele nem se lembrava de Lily direito. Havia os sonhos, os flashes momentâneos, as sensações... No entanto, fora isso, ele não a conhecia em tudo. Do que ela gostava? Quais seus livros favoritos? (ele se lembra – ou sonha – que ela ama ler) O que ela gostava de comer?
James não estava pronto para ser pai.
Não que ele precisasse saber sobre isso, afinal, ele tinha certeza de que ela não estava planejando iniciar um relacionamento com ele. Seria ridículo. No máximo compartilhar uma guarda e ser amigáveis uns com os outros. Não passaria disso, ele só tinha de se certificar em não se apaixonar ou algo assim. Ou nem isso, não é como se ele está considerando essa questão toda sobre paternidade.
James estava aterrorizado em ser pai.
Ao sentir um movimento na cama, ele despertou do seu pequeno transe, olhando em contemplação para Remus e Sirius, os quais tinham depositado uma bandeja com comida sobre os lençóis. Ele tinha certeza de que havia comido hoje. Ou ontem. Não se sentiu irritado, apenas confuso e resignado. Confuso porque ele tinha quase certeza de ter trancado a porta (pelo visto não o fez) e resignado porque, bem, isso não era nada comparado à notícia de ter um filho de sete anos que mal o conhecia.
_Vamos lá, coma alguma coisa. Ou eu mesmo vou te alimentar – Sirius pontuou, sem nenhuma hesitação. Sua voz estava baixa e ele não conseguia esconder a preocupação.
Uma ideia estranha atravessou a mente de James.
_Fui sempre eu que deu mais trabalho assim?
Ele sempre tinha sido esse peso?
Remus pulou para o outro lado da cama, sua aparência um pouco menos pior do que no dia em que ele chamara James para o bar. E Sirius ainda precisava de um corte de cabelo.
_Na verdade, não. Normalmente era eu. Lua Cheia e tal.
Sirius bufou, pegando um pedaço de chocolate da bandeja e o colocando rapidamente na boca, antes que Remus conseguisse bater em sua mão.
_Foram anos lidando com sentimentos depressivos e emocionais até que ele finalmente entendeu que não era um fardo – James podia ver o chocolate sendo deglutido na boca do amigo.
_A comida não é pra você, Padfoot. E não, não foram anos. Eu só tive alguns momentos ruins, é só. Peter normalmente ficava ruim por causa do que comia e você...
_Lily Evans, é claro – Sirius fez um gesto de desprezo com as mãos – eu era o único são.
James revirou os olhos, Remus bufou. Sirius sorriu de forma inocente, tentando roubar um pouco de pão. Eles ficaram em silêncio por alguns instantes, James mordiscando o chocolate, Remus torcendo o lençol em nós, demonstrando claramente o quanto estava ansioso.
_Eu ainda estou com raiva de vocês – James se viu dizendo, mas suas palavras não tinham nenhum calor. Seus amigos o conheciam bem o suficiente para não incomodá-lo logo após ele ter ficado sabendo de tudo.
_Justo. Eu também estou com raiva do Moony por ter me arrastado pra isso.
_E eu estou com raiva...
_Oh, cale-se, você não consegue odiar ninguém – Para enfatizar seu ponto, Sirius jogou um pedaço de pão em cima do loiro, arqueando as sobrancelhas em desafio.
Remus, por sua vez, murmurou que o outro era um idiota e colocou a comida de volta na bandeja.
James suspirou, voltando a coçar sua cicatriz. Ele esticou as pernas, inclinando o tronco para trás e respirando fundo. No teto, havia algumas estrelas em um feitiço muito bom, de anos, que mostrava a galáxia. Esse sempre foi seu quarto e, desde pequeno, ele tinha uma predileção por estudar o universo. Era algo que o acompanhou mesmo após o acidente, assim como Quadribol. Era pouca coisa, mas já era alguma coisa.
_O que você vai fazer? – Remus perguntou, felizmente, indo direto à questão que trouxe os dois ali.
_Bem, vocês obviamente sabem melhor do que eu, então, me contem vocês o que eu deveria fazer.
Sirius abriu a boca, pronto para despejar a lista de coisas que James deveria fazer, mas Remus o calou com um olhar.
_É sua decisão, você sabe disso.
_Mas você deve ficar com Harry, aquele menino é incrível – Sirius exclamou – o quê? Não me olhe assim, Prongs, é claro que eu ficaria animado com a notícia de que há mini-James ao redor. E, veja só, ele te adora. Isso não vai ser tão difícil.
James não comentou sobre as palavras de Sirius. Ele nem quis dar muita atenção ao incômodo (leve, mas ainda existente) que sentiu por Sirius ter passado tempo com Harry. Ele suspirou, um pouco derrotado. Seus amigos deveriam entender sua hesitação, eles deveriam saber que James estragaria tudo em algum momento. Era inevitável.
_E quanto a um trabalho? Como eu vou manter uma criança sem um emprego?
Manter uma criança, isso era tão estranho saindo de seus lábios. A sensação era irreal. Remus se inclinou para frente, soltando o lençol, este agora amarrotado.
_Você tem um emprego. Você é um auror.
James estreitou os olhos, surpreso pelos dois não saberem de nada ainda. Ele realmente achou que eles estavam envolvidos nisso.
_Não mais. Meus "serviços" não são mais necessários.
_Que porra é essa? – Sirius saltou de um pulo, choque assumindo suas feições – quem... Dumbledore, naquele dia? Não posso acreditar que o velhote fez isso.
_Sirius... – Remus começou.
_Não, nada de Sirius pra mim, Moony. Isso é ridículo, James. Bem, foda-se eles, você é rico, pare de doar parte do seu dinheiro ao ministério e invista em... Invista em Quadribol, ou em strippers. Eu não sei.
James soltou um riso desdenhoso, embora as palavras do outro tenham tocado em seu ouvido. Não, ele não iria investir em strippers, mas, realmente, ele era rico. Podia se dar ao luxo e tirar um tempo para pensar. E, sim, talvez parar de doar 10% ao ministério. Era preferível aplicar esse dinheiro em Hogwarts, ainda mais porque, um dia, Harry iria para lá.
_Eu acho que nunca fui tão grato por ter tanto dinheiro. É claro que não se compara a você, Sirius, mas...
_Eu não tenho nenhum dinheiro e você sabe disso.
Remus bufou, claramente divertido e nem um pouco convencido. Sirius renegava a sua família e, embora fosse a ovelha negra dos Black – ou a ovelha branca, no caso – ele não tinha sido excluído do dinheiro da família. Eles olharam, com um misto de apreensão e divertimento, James se mover pelo quarto, guardando um par de objetos e jogando uma camisa e um jeans limpos sobre a cama.
_Você vai sair?
_Nós vamos sair?
Remus viu com interesse como James parou, olhando de forma surpresa para os dois. Era como se ele tivesse esquecido que eles estavam ali. Remus pdia ver que ele tinha tomado alguma decisão, pois, quando era assim, James sempre ficava agitado, as mãos inquietas e ele tinha de se ocupar com algo.
_Eu acho que... – ele esboçou um sorriso que mais parecia uma careta – eu acho que deveria ver Harry hoje. E falar com Lily.
Pela expressão de desgosto de Sirius, era óbvio que ele não considerava a última parte uma boa ideia, mas Remus sabia que era necessário. James e Lily teriam que aprender a conviver e, pra isso, eles teriam que passar tudo em panos limpos. Eles tinham que se resolver. Assim, por mais que ele duvidasse que Sirius diria algo, Remus se adiantou.
_Não se preocupe, vai dar tudo certo – ele não se intimidou diante da expressão nem um pouco convencida de James – de qualquer forma, eu tenho que voltar pra Hogwarts, então...
_Sim, sim, eu vou mantê-lo informado – Sirius fez um gesto de desdém com as mãos, nunca tirando os olhos de cima de James – okay, se você vai fazer isso, deve me levar.
O moreno se levantou, ajeitando a roupa que usava. Ele iria do jeito que estava e isso já era bom o suficiente.
_O quê? – ele se defendeu – eu tenho que distrair o cão de guarda. MacKinnon consegue ser um baita de um pé no saco.
_Você não pode culpá-la por não gostar de você – Remus apontou.
_Isso é verdade. Eu te conheço há anos e ainda é difícil – James tentou sorrir, seus dentes brancos em alta exibição – qual é a história dela, afinal?
Sirius suspirou, de forma dramática, e argumentou que não era uma história muito longa, mas ele contaria tudo no caminho. James assentiu, no entanto, sua atenção já tinha se voltado completamente para as únicas duas pessoas com as quais ele se importava naquele apartamento. Ele tinha que se controlar e tentar não estragar tudo. Assim, talvez, Lily permitiria que ele ficasse ao redor e ele poderia acabar descobrindo o que fazer consigo mesmo.
Era uma doce, iluminada e tola esperança. Mas ainda era esperança.
~O~
Foi um dia corrido e ela estava exausta. Houve uma explosão a algumas quadras do hospital – cortesia de algum ex-comensal da Morte – e muitas pessoas ficaram feridas. Lily correu de um lado para o outro a manhã inteira, sendo necessária em todos os lugares. Ainda faltavam recursos para o hospital, mas a situação já estava bem melhor do que nos anos da guerra. Pelo menos, em comparação com os dois anos em que ela trabalhou ali.
Depois do almoço, no qual ela não teve como folgar, ela conseguiu sair mais cedo e, antes de voltar pra casa (e passar na casa da senhora Figg pra pegar Harry), ela e Alice foram tomar um café. Era coisa rápida e relaxante.
Sem entrar em muitos detalhes, a ruiva contou sobre os acontecimentos da semana, sobre a ansiedade de Harry em saber se James estava bem, e se este iria aparecer ou não. Alice, como a grande ouvinte que ela era, prestou total atenção. A loira sempre tinha sido pequena, petite, com grandes olhos azuis e expressão inocente, a única das três que tinha os melhores conselhos.
_Não se preocupe, Lily, eu tenho certeza que James vai aparecer.
As duas estavam tomando um cappuccino, Lily com canela e chantilly, enquanto Alice gostava dos que vinham com pedaços de chocolate junto.
_Jura? – a ruiva puxou o cabelo vermelho para o alto, em um rabo de cavalo curto – eu não sei, ele está diferente. Não é o James que eu conheço.
Diante desse comentário, Alice riu. Ou talvez fosse porque a ruiva estava ostentando um bigode branco.
_Mesmo que ele não tivesse sofrido o acidente, vocês ainda seriam diferentes. Ele só tem que estar aqui pro Harry, você sabe – mas, antes que Lily pudesse dizer algo, a loira se adiantou – o que eu duvido que ele fará. Você tinha que ver o modo como ele olhou pra você naquele dia, no hospital. Foi muito bonitinho.
Lily bufou, revirando os olhos para o beicinho que a amiga estava fazendo. As palavras de Alice a fizeram se lembrar do que Black tinha dito a ela na outra noite. Ela teria que pensar nas consequências, ela teria que pensar muito bem antes de agir (mas não foi o que ela fez sempre? Com exceção da noite do baile, no qual ela não pensou em nada).
_Não que eu a culparia se você... Você sabe. Oh, não me olhe assim! Faz muito tempo que você não tem um encontro e, vamos ser sincera, aqueles rapazes não crescem e ficam menos bonitos, huh? Eu confesso, Lily, que olhei descaradamente para a bunda do pai do seu filho.
_Alice! – as pessoas poderiam ver as bochechas vermelhas de Lily Evans lá da Austrália – você está agindo igualzinho a...
As palavras morreram na boca dela. O comportamento da morena vinha ficando cada vez mais arisco, principalmente conforme a demora de James em aparecer se estendia. Alice apenas sorriu, tomando as mãos da ruiva nas suas.
_Não se preocupe, eu já falei com Lene. Nós sabemos sobre como ela gostava do Sirius e sofreu por isso, mas o que ela está fazendo não é justo. Qualquer idiota podia ver o quanto James adorava você e o quanto Sirius não ligava muito para as meninas. E eu disse a ela pra parar de ser uma puta estúpida.
Lily riu, seus olhos traidores lacrimejando um pouco nos cantos. Ela sabia que Lene tinha gostado muito, muito, de Black e que, mesmo a morena negando, havia um pouco de sentimento ainda. Se ela não estava enganada, havia acontecido no sexto ano. Lily estava tendo um tempo difícil em conciliar seu ódio por James e o fato de que estava começando a achá-lo muito atraente (foram tempos difíceis), Frank e Alice tinham começado a namorar e Lene fingia odiar Black.
Estava tudo ok. Aquele último passeio em Hogsmead mudou tudo. Após ter seu encontro com Gideon estragado – até hoje ela suspeita de James – ela perambulou por perto da Casa dos Gritos, andando com mais dificuldade por causa da neve. Lene estava ali, em um canto meio isolado, puxando a vida de Black pela boca. Aparentemente, eles vinham se encontrando há algum tempo, discretamente, é claro, porque Black nunca era de expor as garotas com as quais saía. Depois desse dia, ele passou a sair com outra garota. E, numa manhã qualquer James estava reclamando com o outro por deixar calcinhas penduradas na cama deles. Quando acordou, havia uma com um desenho de um cisne segurando uma rosa em cima da cama dele. Lily tem certeza, embora Marlene discorde, de que James não sabia que esse era o brasão dos MacKinnon. Mas a ruiva tinha confiança nesse fato, James poderia ser um idiota, mas ele nunca havia tratado uma garota com grosseria.
De qualquer forma, as pessoas ao redor olharam para Marlene com risos e incriminação. Black apenas riu, dizendo que eram souvenires e piscou para a morena de forma conspiratória. Depois disso, a morena odiou todos eles de uma forma inimaginável.
Lily gostaria que tudo tivesse terminado de uma forma mais agradável, mas ela entendia porque a outra desprezava os marotos e também entendia que Lene deveria ter sido mais cuidadosa. Elas conheciam Sirius Black e ele não era exatamente um cavalheiro.
_Eu só espero que ela não me faça escolher um lado, caso James apareça. Se isso acontecer, ela não vai gostar da minha reação.
_Ela não vai – Alice assegurou – ela pode estar sendo difícil, mas ela sabe que isso é importante por causa do Harry.
Lily assentiu, um sorriso começando a se formar em seus lábios.
_Chega disso. Como é que você está, Lice?
Ela passou algum tempo ouvindo a loira falar sobre si e sobre Neville. As duas se apoiavam muito, devido à situação comum que compartilhavam. Era por causa dessa situação que elas tinham uma ligação diferente. Ambas se tornaram bem mais próximas depois de toda a tragédia envolvendo Frank. Lily torcia pra que Alice encontrasse alguém que cuidasse dela e do filho e agradecia pela avó Longbotton estar por perto para ajudar.
Mais tarde, ela passou na casa da senhora Figg, a babá do Harry. Depois de agradecer por tomar conta do menino, ela puxou Harry pela mão, ouvindo-o falar brevemente sobre a escola. Sim, Duda continuava insuportável, mas ele não tinha vindo mexer com ele desde que James o assustou na escola, semanas atrás. Lily suspirou, a voz de Harry era reverenciadora ao falar sobre James.
_... E a Emme tem um cachorro chamado Bolinha. Podemos ter um cachorro, mãe?
_Você já sabe a resposta, Harry. Nós não temos espaço...
_Para abrigar um animal. Eu sei. Mas e se... Oh! – a criança começou a correr, puxando a mãe, pulando e acenando Deus sabe para onde – James, oi. James! Você veio aqui me ver?
Lily manteve o passo do filho, olhando para casa. James estava lá, sentado na escadaria, os braços apoiados sobre as pernas, o cabelo (idêntico ao de Harry) ainda mais rebelde, cheio de vida. Ele estava olhando para os dois, um pouco apreensivo, mas um sorriso genuíno brincava em seus lábios. Quando ele olhou para ela, a ruiva viu o suficiente para deixá-lo entrar.
_Hey, sim, eu vim. Sirius disse que você tem uma coleção de carrinhos impressionante.
Lily não achou que fosse possível Harry sorrir mais. O menino lançou um olhar suplicante para a mãe – ela já sabia o que ele queria – antes de voltar e, soltando a mão dela, puxar James pela mão. James hesitou por alguns instantes, olhando para Lily em busca de alguma orientação. A ruiva sorriu, inclinando a cabeça e indicando que ele deveria entrar.
Não estava escuro ainda, mas estava quase lá. Lily sempre gostou do pôr-do-sol, sempre a fez se sentir quente e esperançosa. Dessa vez, a paisagem não tinha muito a ver com o sentimento.
Harry monopolizou a atenção de James durante toda a visita. Ele mostrou sua coleção de carrinhos, os brinquedos dos quais ele não se envergonhava no momento (Lily quase chorou quando ele não quis mais os ursos de pelúcia) e contou tudo, tudo, sobre o que ele fazia. Escola, o período com a senhora Figg. Lily sabia porque ela os verificou de meia em meia hora, mas James não pareceu ficar chateado. Na verdade, quando ela aparecia, ele sorria como se fosse uma presença bem vinda. A ruiva nunca tinha visto Harry agir assim com ninguém, fosse o que fosse, o período em que eles conversaram, antes que Harry ficasse doente, foi o suficiente para seu filho colocar sua fé infantil no homem que estava atualmente ao seu lado.
Lily fez o jantar. Não foi nada sofisticado, ela não tinha tempo, apenas macarrão. Mas o seu melhor macarrão. Ela sabia que James ficaria, ela queria isso também, assim eles poderiam conversar depois que Harry fosse dormir. Eles precisavam conversar.
Marlene chegaria daqui a pouco e isso a preocupava. Ela iria chamar Harry e James para jantar e iria esperar pela amiga na varanda. Ela precisava preparar a morena. Seus passos não faziam quase nenhum barulho, desse modo, ela conseguia pegar fragmentos da conversa entre os dois.
Ela podia ouvir a voz de Harry, cheia de reverência.
_... Era dele. Eu encontrei na caixa de coisas bonitas da mamãe, junto com um anel da vovó e uma foto da tia Petúnia. Meu pai devia jogar Quadribol também. A bolinha é do apanhador, não é?
Harry estava segurando seu pomo como se ele fosse uma joia preciosa e Lily se perguntou quando ele poderia tê-lo encontrado. James estava respondendo à pergunta dele, mas Lily podia ver confusão em suas feições. Ele não sabia se o pomo era um presente dele, principalmente porque James não era um apanhador, ele era artilheiro.
Ela engoliu em seco. Sabia que poderia esclarecer isso mais tarde, mas as palavras pularam de sua boca antes que ela pudesse se conter.
_Seu pai não era um apanhador – ela sorriu, apesar da borda de nervosismo querer engoli-la – ele ganhou o pomo quando tinha treze anos, de um dos nossos professores, e ele não teve coragem de dizer que era um artilheiro, então, não era sua função capturar o pomo. Além disso, ele gostou muito do presente.
Harry estava fascinado; James, ela não poderia dizer. Ele tinha uma expressão indecifrável, seu olhar focado no pequeno pomo dourado, como se tentasse decifrá-lo.
_Quando ele deu o pomo pra você, mãe?
A pergunta fez seu coração apertar um pouco. Ele sempre parecia faminto por qualquer coisa que se relacionasse ao seu pai misterioso que esteve doente. Lily lambeu os lábios, focando toda a sua atenção em Harry.
_Eu o roubei dois dias depois do Natal.
Um vinco se formou na testa de James, mas Harry... Harry estava chocado, o que a fez rir. Ele a conhecia, sabia o quanto sua mãe gostava de fazer tudo direitinho.
_Na verdade, ele me deixou roubá-lo – ela ainda podia se lembrar desse dia – ele fingiu que estava dormindo.
Harry riu, voltando o olhar admirado para o objeto em suas mãos, mas logo ele estava de cabeça erguida, cheirando o quarto.
_Mamãe fez macarrão! Vamos, James, eu quero te mostrar um truque muito legal que a tia Alice me ensinou.
Lily gemeu. Era um truque muito legal que sujava toda a roupa dele com molho bolognesa. Graças a Deus pela magia que a permitia se livrar de lavar roupa na mão. Ela esperou que os dois passassem por ela e uma mão no seu ombro a fez olhar diretamente para os olhos de James. Neles, havia gratidão.
Foi nesse exato momento que Lene entrou, exclamando alto e rindo até que o riso morreu ao ver James ali. Lily suspirou, um pouco doída, mas decidida. Ela colocou a panela na mesa e sorriu para Harry.
_Eu e tia Lene vamos conversar um pouco. Você tem que cuidar do convidado.
Ele assentiu, uma expressão muito solene no rosto, mas logo se quebrando em um sorriso de satisfação ao pegar um punhado de macarrão e por no prato. Lily deixou os dois sozinhos, decidida a resolver esse problema ainda hoje.
~O~
Era estranho. Ele se lembrava de Harry, das coisas que conversaram antes e, mesmo assim, era como se o visse pela primeira vez. O cabelo que Sirius e Remus juraram ser igual ao dele (ele teve que rir ao se lembrar de como achara o cabelo de Harry esquisito na primeira vez em que se viram), o nariz um pouco achatado para o lado, o queixo quase quadrado... Poderia ser tudo dele, com a exceção óbvia dos olhos? Ele não sabia.
No transcorrer da noite, James garantiu que iria falar com Lily para que ela e Harry o visitassem da próxima vez e, assim, eles poderiam jogar Quadribol. Não foi tão ruim quanto ele pensava que seria. Harry era muito inteligente e, dessa vez, nem um pouco tímido. Ele já tinha feito alguma pesquisa sobre o jogo, além do que Sirius havia dito a ele, mas perguntou quase tudo de novo para James.
A cor favorita dele era cinza. O que era inusitado, mas explicava a abundância de camisas dessa cor.
Ele queria um cachorro peludo para chamá-lo de Macio, porque os pelos deles eram confortáveis. E ele não queria um sapo, eca, como Neville.
Ele perguntou se poderia ter uma coruja também, mas James disse que só quando fosse mais velho e pudesse cuidar dela, pois, corujas davam mais trabalho do que cachorros.
Ele tinha um sinal na nuca, uma marca de nascença, e informou que mamãe havia dito que era porque ele tinha caído do céu, como uma estrela cadente.
Sua tia favorita era tia Lene, porque ela era engraçada e sempre deixava ele comer pizza. Com olhos brilhantes, ele disse que Sirius era muito legal também.
Sirius tinha dado a ele um apelido. Ele foi chamado Prongslet.
James meio que bufou-gemeu-riu diante dessa pequena informação. Harry tinha se encontrado com Sirius apenas duas vezes e, com Remus, uma.
_Eu acho que quero ser um goleiro. Não, não, eu tenho que ser apanhador que nem o meu pai – Harry sorriu antes de dar um olhar significativo para James – e você.
Eles já haviam acabado de jantar e, depois que James limpou os pratos, ocuparam a sala. Harry estava desenhando algo que a professora o mandou fazer, depois de mostrar suas fitas cassetes favoritas. James olhou com certa cautela para a porta, Lily ainda não havia voltado. Era uma pena que Sirius tivesse sido chamado pelo ministério no meio do caminho, o amigo tinha razão, a morena era um cão de guarda.
_Você pode descobrir quando a gente jogar.
Harry assentiu, baixando a cabeça para voltar a desenhar. James estava fazendo o mesmo, sem lápis de cor, contudo, apenas fazendo esboços de um desenho.
_Nós poderíamos jogar futebol também. Você já jogou?
James passou a mão pelo cabelo, tentando se lembrar de qual esporte trouxa Harry poderia estar falando.
_É aquele no qual você tem que correr e correr até chegar em uma linha branca?
Harry riu, negando de imediato.
_Nããão! – ele pegou o lápis azul, pintando o céu, mas deixando um monte de espaços em branco – esse é o futebol americano. É chato. Futebol é só com os pés e você tem que fazer gol. Mãe me deixa assistir, às vezes, quando eu me comporto.
_O que, então? Quase nunca?
Harry riu, todo menino e faceiro. Os lábios de James se curvaram de forma quase involuntária ao vê-lo rir, os ombros chacoalhando. Isso ele sabia que era dele, James. O riso de Harry, embora ainda contivesse aquele tom infantil, já apresentava o som semelhante ao de James.
_Quase nunca.
Mas James duvidava. Harry era muito vivo, muito menino e, ainda assim, ele não parecia dado a mau comportamento. Mas, afinal, o que James sabia? Nada.
Ele levantou os olhos para ver MacKinnon passando. Ela não parecia feliz e não hesitou em demonstrar seu descontentamento ao encarar James com ódio quase absoluto. Ela jogou o cabelo para trás, sua testa formando um vinco em puro desgosto. James bufou. Ele não poderia se importar menos com o que ela estava sentindo ou pensando. A única preocupação era se isso afetaria Harry. E Lily. Ele tinha de ser honesto, ele se preocupava com a mulher ruiva. Muito mais do que deveria, muito mais do que seria aceitável para sua própria sanidade.
James se voltou para Harry, este ainda pintava com sofreguidão o desenho irreconhecível que tinha feito. James não tinha a menor ideia do que poderia ser. Quando ele ergueu os olhos de novo, foi para pousá-los em Lily. Ela estava com os lábios comprimidos em uma linha dura, os olhos continham um desalento que não pertencia a eles, ela devia sorrir sempre. Quando íris verdes o encontraram, a tensão dela se desfez e, com um sorriso, ela caminhou até onde os dois estavam.
_Harry, querido...
O menino suspirou, decepcionado, mas também resignado. Ele soltou seu lápis, olhando para James com expectativa.
_Você pode voltar amanhã? Eu tenho que dormir agora. É um saco.
_Linguagem, Harry!
_Desculpe, mãe.
Ele não parecia muito pesaroso, contudo, o que quase - quase - fez James bufar. Lily também não estava convencida, mas ela era irredutível, uma mulher focada em uma missão.
James não sabia o que responder. Ele gostaria de voltar? Sim, ele gostaria, mas isso não dependia apenas dele. Seus olhos se voltaram para Lily, em busca de orientação. Ela pareceu momentaneamente perdida, antes de recobrar sua expressão confiante.
_Eu e James vamos conversar sobre isso. Agora, já pra cama.
Não era a resposta que eles estavam esperando, contudo, ninguém retrucou. Harry se levantou, cambaleando um pouco para o lado (ele já estava com sono) antes de sorrir para James. Um sorriso que poderia ter iluminado toda Londres.
_Obrigado pela visita, James. Eu... Oooh, o que você está desenhando?
James olhou para o papel em suas mãos, com seu desenho inacabado piscando para ele. Ele não tinha refletido muito sobre o que estava fazendo, mas, ali, rabiscado com um lápis azul escuro, estava os esboços do que poderia ser Harry em uma vassoura. Ele rapidamente dobrou o papel, não perdendo a expressão decepcionada que a criança fez.
_Não está pronto ainda, é um presente - e piscou para ele, sorrindo.
Foi o suficiente para Harry deixar de lado sua decepção. Ele pegou na mão de Lily, a qual olhava para James com uma carranca atordoada, e a puxou para seu quarto.
James não estava tentando ouvir, mas as palavras de Harry pelo corredor foram muito nítidas.
_Hoje foi muito legal, mãe. James é meu amigo.
Aquilo não deveria tê-lo aquecido como fez. Mas ele era fraco demais para se impedir de sentir e sentir. Ele esperava que Lily colocasse alguns freios porque, mais do que tudo no mundo (foi desesperador e emocionante descobrir isso), ele não queria machucar Harry. E ele sabia que isso tinha altas chances de acontecer.
Ele esperou por alguns minutos, sem jeito e sem saber se levantava ou permanecia no chão. Seus olhos vagaram pelas paredes e pelas fotos ali penduradas. Havia um casal mais velho - os pais de Lily, provavelmente -, Lily e MacKinnon e a loira do hospital (Alice?) sorrindo e acenando, um casal antipático com aquele menino gordinho da escola de Harry (James sentiu que esse quadro deveria quebrar misteriosamente), Harry com o rosto cheio de sorvete, segurando entradas para Star Wars (Guerra nas estrelas, James estremeceu, ele queria ficar bem longe de guerras, não importa onde acontecessem). Era pequeno, o lugar, mas aconchegante. Isso ou era a lareira acesa que o estava aquecendo.
Ele não tinha como definir exatamente o que sentia, era algo que faria mais tarde, sem tempo para dormir. Era uma mistura de angústia e calor, dor e apreço, ele não poderia definir com certeza.
_Você quer? - Lily apareceu na soleira, segurando uma caneca. James não se assustou um centímetro - é chocolate quente.
Verdade seja dita, a única coisa que ele andava bebendo ultimamente era água. Ah, sim, e álcool, muito álcool, lotes de vodka e uísque. Ele iria recusar, mas, por trás dela, em cima da mesa, havia outra caneca. Ela tinha feito dois copos.
_Seria ótimo, obrigado.
Com um acordo tácito e silencioso, ele a seguiu até a cozinha. Seus olhos viajaram por toda a figura dela, mas Lily não apresentava nenhum sinal de nervosismo. Ela parecia uma mulher bonita e confiante (além de inteligente e com olhos fantásticos), longe de ser intimidada. Ah, isso fazia tudo mais difícil.
_Eu sinto muito pela demora em retornar. E por aparecer de surpresa. E por, você sabe... - perder a memória e ficar longe por oito anos. Era o que ele gostaria de dizer.
Lily tomou um gole do seu chocolate quente. Ela havia trocado de roupa, ele percebeu (seu olhar minucioso não registrou apenas como ela se sentia, ele tinha de admitir), usava agora uma blusa cinza de lã e calças que não eram jeans.
_Está tudo bem, não é uma notícia fácil de assimilar. Você está aqui agora, é isso o que importa.
Ele não deveria ter se sentido tão ridiculamente quente. Não deveria.
_Você desenha?
Era um pergunta simples, mas com alguns significados mais ocultos. Se ele desenhasse antes, ela saberia. Assim, tentando tratar o assunto como se fosse blasé, ele deu de ombros, bebendo da sua caneca pela primeira vez.
Merlin e Morgana dos pelúcios! Aquilo era muito bom.
_Comecei depois do acidente, foi uma forma de, eu não sei, registrar as coisas caso eu me esquecesse delas de novo.
Lily assentiu, dando-lhe em troca um pequeno sorriso. Ela soltou a caneca em cima da mesa, tirando do bolso o pomo de ouro que ela havia "roubado" dele. James franziu a testa, momentaneamente confuso com o motivo do objeto estar ali.
A ruiva tinha uma expressão cautelosa ao estender o pomo dourado na direção dele. James não precisou de palavras para entender o que ela queria e, antes que ela pudesse falar qualquer coisa, ele se adiantou, fechando sua mão sobre a dela, fazendo-a recuar o braço.
_É seu, Lily. Eu posso não me lembrar, mas isso não cancela as minhas ações passadas, certo? Eu deixei você pegá-lo. É seu.
A ruiva assentiu, a boca formando um pequeno O. Seus olhos verdes se suavizaram e um sorriso leve se instalou nos lábios vermelhos nem um pouco tentadores.
_Você ganhou o pomo do professor Slugohrn, quando tinha treze anos. Ele era nosso professor de poções e fazia uma festa para alguns alunos quase todo mês. Você odiava as reuniões. Quase nunca ia, eu ainda posso contar nos dedos as vezes que você apareceu, sempre tornando a festa mais agitada. Era inevitável.
Era diferente. Quando Remus ou Sirius levantavam questões sobre o passado, ele se sentia mal. Parecia haver cobrança (mesmo que não houvesse), um desejo para que ele se lembrasse e nunca conseguia. Com Lily, era sorrisos doces e envolventes (muito perigosos), sem nenhuma exigência. Mas ele nunca, nunca desejou ser o velho James tanto quanto hoje, no mesmo cômodo com seu filho e com a mulher por quem ele foi louco um dia. Com a qual ele ainda sonha.
James pareceu perceber que ainda estava segurando a mão dela e, como se tivesse chumbo no estômago, ele se afastou, perturbado, esperando que ela não se chateasse pelo seu deslize. Ela era suave, mas ele já sabia disso. Ele se lembrava disso, não que ajudasse em algo, mais atrapalhava na verdade. Algo puxou na memória de James. Algo recente, envolvendo Dumbledore e um homem de meia idade, bem acima do peso, com uma expressão assustada. Ele viu esse homem morrer e nunca era bonito, mas a dor, o desespero e a resignação do homem o chocaram. Não foi a primeira pessoa que ele viu morrer, mas as que exibiam tais expressões de puro desalento eram as piores. E as crianças...
_Eu gostaria que Harry fosse na minha casa. E você também, é lógico.
Lily assentiu, mas ela parecia procurar alguma coisa nos olhos castanhos dele e isso estava deixando-o um pouco alerta e desconfortável. Só assim, ela parou, como se soubesse exatamente a forma como ele se sentia.
_Eu tenho uma folga no sábado, então, se você não estiver ocupado... Seria um bom dia.
Sábado era bom. Não era amanhã, mas também não estava muito longe. James assentiu, disposto, pensando em velhas vassouras e balaços. Quando Harry já estivesse jogando bem, ele o levaria aos Weasley. Eram tantos que eles poderiam formar dois times quase completos. Ele já podia ver a animação de Harry diante disso e até mesmo teve dificuldade para baixar a sua.
James se despediu, desconcertado, sem saber direito como fazer. Ele se decidiu por acenar, feito um estúpido, mas a ruiva não riu dele. Lily sorriu e tocou em seu braço, um toque leve, descontraído, puro. Quase o matou. Ele queria tocá-la. Muito. Muito mesmo. Apertando os dentes com força, ele sorriu de boca fechada, seu coração disparado de uma forma quase vergonhosa. Ela estava feliz porque ele tinha vindo. Ela estava feliz e ele estava pensando em coisas nada inocentes, pelo menos no momento. Ele olhou para a pele nua do seu pescoço, da sua clavícula, e engoliu em seco. Era como uma pintura, ele podia vê-la se mexer embaixo dele, suspirando de prazer.
Graças a Merlin, ele não dormia à noite ou esta seria uma perdida. Ele precisava de uma cerveja, de um pincel e de um banho.
O'O'O'O'
Eu não sei quando essa obsessão começou. Já é difícil admitir que eu me sinto atraída justo por você, ainda mais colocar uma data onde tudo começou. Eu acho que era em dia de jogo, contra o time da Lufa Lufa. Havia um ex namorado lá meu, um estúpido que só quis brincar e não deu o menor valor em mim e nas minhas opiniões. Doeu. Doeu o meu orgulho também. Nós tínhamos terminado há três dias quando descobri que eu não era a única namorada que ele tinha.
Você não tinha dito nada sobre isso, o que era estranho. Eu nunca pedia sua opinião, mas você sempre a dava de qualquer maneira. Não queria ir ao jogo, mas Lene e Alice me arrastaram. Vê-lo perder seria um bom presente, ainda mais no dia do meu aniversário.
Foi um jogo difícil. Bem acirrado. Mas você parecia inspirado naquele dia. A multidão inteira e o locutor comentaram, não paravam de falar no monstro do Quadribol que você poderia se tornar e da partida inesquecível que você estava jogando.
Eu nunca tinha parado para vê-lo, particularmente. E era um pouco doloroso admitir que eles todos tinham razão, você era muito talentoso. Mas, novamente, no que você não era talentoso? Tudo sempre pareceu tão fácil para você. E isso foi algo que eu achei sempre injusto.
Eles dizem que foi um balaço enfeitiçado, eu ainda não sei como você fez, mas, quando meu estúpido ex namorado se esquivou de um balaço mandado por Black, as vestes dele mudaram de cor, para vermelho e preto, e em sua testa apareceu os dizeres: "Perdedor". Eu me lembro do barulho, das risadas, da irritação. Todos os olhos caíram sobre você e Black, mas ninguém podia provar nada. Quase houve briga contra os jogadores do outro time.
Depois, no final do jogo, após todas as felicitações pela vitória da nossa casa, você andou até mim. Eu me preparei para dizer não, eu não gostaria de sair com você, Potter, mas algo em sua expressão me fez vacilar. Não era a expressão de quando você vinha me atormentar, era algo mais genuíno, beirando a uma alegria nervosa (você não sabia como eu poderia reagir, afinal). Sua boca entortou em um dos cantos, a mão voou direto para o cabelo, seus óculos quase caindo do nariz.
"Esse foi o meu presente, Evans". E piscou, afastando-se logo para junto do seu time.
Foi a primeira vez em que não detestei uma brincadeira sua. Foi a primeira noite - eu acho - na qual sonhei em ir até o campo de treinamento, depois de uma partida exaustiva e você estar todo suado e brilhante por causa disso, e puxá-lo para mim. Os sonhos variavam, alguns mais castos ou indecentes do que os outros. Foi a partir daquele dia que eu comecei a cair pra você.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Bem, amigos do fanfiction, que lindo dia! O que acharam da interação entre nossos três queridos personagens? Pobre James, tendo flashes indecentes em momentos como esse... Eu faria coisas indecentes com ele, era só pedir kkkkkkkkkkkkkkkkk (Isso aí foi uma dica, caríssimos, Lily não está vindo pra brincar... Ou sim, depende do ponto de vista).
Obrigada pelos comentários! Eles me fizeram imensamente feliz! Foi uma alegria em meio a provas e estudos e uma semana do cão.
Jubs Black: Nem é tanta tortura assim! Ou é? O.o kkkkkkkkk Isso eu já posso adiantar, James não vai recuperar a memória :/ Triste, mas ele vai construir novas e felizes também! *-* Beeeeejs*
Ada: Mais um presente agora! *-* Não se preocupe, nega, Lily vai saber disso. Ela vai suar um pouco pra fazer James sair da fossa, mas ela é uma menina determinada! ;) O que achou desse encontro deles? Beeeejs*
Stra. Dark Nat: Você achou muito angst? Pelo menos terminei com um pouquinho de esperança, né? *-* (Porfavor, dizquesim) O começo vai ser meio inapto e constrangedor, mas minha Lily é uma mulher que sabe o que quer. E ela quererá o James (quem pode culpá-la?). Lene vai entender sim, ela é um pouco - muito - rancorosa, mas, ao perceber que é o melhor pro Harry e até mesmo pra Lily, ela vai se aquecer para o James. Para o Sirius agora... Eu não prometo nada. Sim, você acertou, ele está pintando! E pintando exatamente, como você disse, uma ruiva de olhos verdes. Bem verdade, ele só vê os ferimentos do seu rosto, sem ver além disso, e perdeu a semelhança entre ele e Harry. Sim! Harry/James quero escrever pra fazer todo mundo vomitar arco-íris kkkkkkkkkkkkkkkk Beeeeeejs, gata*
KarinneS: Oiiie, estava tudo uma bagunça! O.o Foi sofrimento essas últimas semanas, graças a Deus, acabou! Imagina só, ele que não está acostumado a nada mais do que dor, guerra, guerra, morte e sangue. Você vai perceber que, embora ele queira ficar com Harry, ele sempre terá muito medo de machucá-lo ou de não ser suficiente. Ainda mais quando... Oooopa, sem spoilers! ;) Não se preocupe, minha cara, minha Lily é uma mulher determinada e ela sabe o que quer. James não terá a menor chance! ^^ (Aindabem). Nem demorei muito dessa vez, huh? O.o Beeeejs*
Maria Emilia: kkkkkkkkkkk Difícil de decidir, né? Feliz ou triste, feliz ou triste? ;) Claro! kkkkkkkkkkkkkkk Impossível que ele fosse saltando pra decoração de quarto, nada a ver! Não dá pra engolir aquelas histórias em que o cara descobre que é pai do nada e já ama profundamente o filho. Isso existe onde? Tem cada coisa... ^^ Sim, Lily tem mais bom senso que a amiga, graças a Deus. Na verdade, James até tentará fugir, mas a nossa ruiva não vai deixar isso acontecer! *-* Beeeejs*
CarolineMiller: Eu juro, quando li seu nome, fiquei assim: Eu conheço essa pessoa de algum lugar... As suas fanfics, Tentando Evans, Decode, Tentando Madowes, foram as primeiras que eu li, antes mesmo de ter uma conta! Oh, meu Deus! Desculpe-me pelo arroubo, mas eu posso ter quase caído da cadeira ao ver que você estava lendo minha história! Isso significa que eu tenho que voltar à sua página e ver as fanfics que você continuou! *-* Okay. Respirei fundo, vou responder: Somos duas! A melhor realidade é aquela na qual eles sobrevivem (ou voltam do além), porque o mundo bruxo é melhor com Jilly e os marotos nele ;) kkkkkkkkkkkkkkkkk James não ficaria sem consolo, huh? Também, quem não quereria tal pedaço de mau caminho? (cicatrizes são sexies, só dizendo). Beeeeej, gata*
Ninha Souma: Não consigo fazer um James que não se preocupe com a Lily, mesmo que ele não se lembre dela! ;) Imagina, você pode antecipar um moooonte, eu adoro isso! Vamos vê-los sim e, farei o meu melhor, haverá muitas faícas! Uuuuuh ^^ Beeeejs*
