- As leis de Murphy -
Inaclara, Patiiiie, Jana Pepita, e Ana Krol, muito obrigada pelos reviews, viu? ^^
Capítulo 2 – "Nada é tão ruim que não possa piorar."(81)
Ponto de Vista de Bella
Eu não conseguia entender direito o que estava acontecendo. As imagens na minha cabeça estavam confusas. Havia dois olhos incrivelmente verdes me encarando com intensidade. Não conseguia ver seu rosto direito. Só sabia que ele estava se aproximando cada vez mais. Eu senti sua mão apertando a minha cintura com força e o calor do seu corpo próximo ao meu. Aquilo era tão real.
Mas eu sabia que não era possível. Não podia ser.
Comecei então a abrir os olhos lentamente e o que vi, me fez soltar um grito estridente de espanto e medo.
O que estava acontecendo? Onde eu estava? Quem era aquele garoto deitado ao meu lado com a mão na minha cintura? Porque eu estava usando essa camisa? E pior, de quem era essa camisa?
Comecei a me afastar assustada enquanto o garoto abria os olhos espantado com o meu escândalo. Eu estava tão confusa que não percebi que a cama tinha acabado até cair de bunda no chão.
AI! Doeu!
— Você está bem? – ele perguntou e eu tive uma estranha sensação de deja-vú. Tinha impressão de que não era a primeira vez que ele me perguntava aquilo.
— Quem é você? Onde eu estou? Onde estão as minhas roupas?
— Calma, Bella. Meu nome é Edward e você está na minha casa.
— Como você sabe o meu nome? Por que eu estou na sua casa? Oh, meu Deus, o que nós fizemos? – Levantei-me agitada enquanto suposições milaborantes passeavam pela minha cabeça. – O que você fez comigo?
— Bella...
— Como você pôde? Eu estava indefesa!
— Bella...
— Eu nem te conheço! Não podia fazer nada.
— BELLA! – Eu o olhei. – Não aconteceu nada! – disse ressaltando cada palavra como se estivesse falando com uma incapacitada.
— Não?
Eu o olhei sem entender. O que diabos estava havendo aqui?
— Mas então...? Eu não entendo.
— Você veio correndo para cima de mim ontem na festa e pediu a minha ajuda. Tentei descobrir o seu endereço, ou saber se você tinha vindo com alguém, mas você não conseguia me dar nenhuma informação que prestasse...
Ei!
— O hospital ficava muito longe da casa do Mike, então te levei para cá. Minha mãe é enfermeira e te ajudou. Só que ela teve que ir trabalhar e me pediu para ficar de olho em você. Mas como eu não tinha dormido nada, acabei pegando no sono, quando tive a infeliz ideia de recostar na cama só para descansar um pouco.
Hum... Sabe, eu estava começando a me sentir envergonhada por ter feito aquela cena trinta segundos atrás.
— E... e as minhas roupas? – perguntei pianinho não conseguindo não corar ao olhar para ele.
— Você... Hum... – Ele estava hesitando. Aquilo não era bom sinal... – Vomitou nelas...
Puta merda! Deixa eu enfiar a minha cabeça no buraco. Não, melhor, eu vou ali rapidinho me jogar de cabeça pela janela e já volto, ok?
— E nas minhas também... – ele continuou.
— Ok! Não precisava ser tão honesto – o interrompi completamente vermelha.
— Você não precisa ficar assim, não foi sua culpa.
— Tudo bem, então vomite na sua própria roupa e na de um estranho e aí a gente conversa, beleza?
Sentei-me começando a sentir tudo girar. Depois do susto inicial, acho que os efeitos da "ressaca" estavam começando a aparecer. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo.
— Tudo bem com você? – ele me perguntou.
— Só estou um pouco enjoada e minha cabeça está doendo. Parece que eu bebi todas e o pior é que eu nem bebi... – suspirei.
— Minha mãe disse que você poderia se sentir assim mesmo. – Ele se levantou pegando alguma coisa numa mesinha perto da cama. – Toma, esse remédio vai te ajudar.
Ele me deu um comprimido e um copo com água.
— Obrigada... – agradeci.
— De nada, Bella – respondeu me dando um sorriso torto que fez uma batida do meu coração falhar.
Eu hein, reação estranha...
Olhei para a janela, o sol já tinha nascido.
— Que horas são? – quis saber.
— Hum... Devem ser umas nove horas.
— O QUE? – Dei um pulo ficando de pé. – Meu pai me matar!
Droga, droga, droga! O que eu faço agora?
— Calma, é só você explicar o que aconteceu.
— Ah, claro, simples. Olha só, pai, eu estava numa festa ontem mas o seu queridinho Jacob resolveu pôr as asinhas de fora e me drogar. Mas não precisa se preocupar, não, porque um cara que eu nem conheço me levou para casa dele e nós dormimos juntos. Ah, e essa camisa que eu estou usando é dele. Fácil!
— Tudo bem, então eu vou para falar com ele.
— Está maluco? Se você aparecer lá em casa, vai acabar levando um tiro!
— Nossa, seu pai é tão bravo assim? – se surpreendeu.
— Não, mas a minha avó é bem capaz... – me interrompi vendo que estava piorando as coisas.
Ele me lançou um olhar estranho. Acho que devia pensar que eu era louca.
— Será que eu posso usar o telefone? – Achei melhor mudar o foco da conversa.
— Claro! Ahm... Eu tenho uma extensão no meu quarto, está ali – Ele apontou para algum ponto atrás de mim.
Fui até a mesinha onde estava o telefone, já sentindo minha dor de cabeça voltar em antecipação e disquei o número de casa.
— Alô – a voz rouca da minha avó soou do outro lado da linha.
— Oi, vovó – comecei hesitante. – Hum... Eu estou ligando para avisar...
— Bella? Bella, onde você estava? – me interrompeu.
— Vó, calma, não precisa se preocupar, eu estou bem.
— Como não precisa se preocupar? – berrou. – Você saiu ontem dizendo que voltava às três e até agora não apareceu! Nem sequer se deu ao trabalho de nos dar uma satisfação! Seu pai e eu ficamos muito preocupados. Onde você está?
Droga! Ela fez a pergunta que não devia... E o pior era que minha avó era o mais potente detector de mentiras que eu já conheci.
— Eu... Estou... com um amigo.
— Amigo? – duvidou.
— É.
— Eu o conheço? – perguntou com aquela voz de descrença.
— Hum... Não, ele... chegou a pouco tempo – menti.
— Sei – respondeu sem acreditar. – E esse seu... amigo tem um nome.
— Mas é claro que tem!
— E qual é? – Droga, ela tinha que perguntar, né?
— O nome dele é... é... – Ai, não... Porcaria, eu esqueci! Qual era mesmo? Droga, droga, droga!
Hum... Começava com 'e'. Era... Edmund? Não.
— Bella? Você está aí?
Calma, vó, não me apressa!, pedi por pensamento já suando frio.
— 'To', vó – respondi forçando a minha cabeça e já sentindo a dor de cabeça da minha não-ressaca voltar.
Já sei, era Eric!
Não... Não era. Droga! Qual era o nome dele mesmo? Como eu não posso lembrar?
Apertei os olhos e forcei ainda mais a minha cabeça. Se ele me disse, eu tinha que lembrar. Mas... Será que ele me disse como se chamava?
— Bella, você está com algum problema para lembrar o nome do seu amigo? – Odiava quando ela fazia aquilo. Era como se pudesse ler a minha mente. Mesmo sem nem olhar para mim.
— Não, vó – respondi rápido rezando para minha voz não sair esganiçada. – Eu só... Hum...
Edward! Oh, meu Deus, lembrei! Senhor, eu só não me ajoelho aqui agora porque senão tenho certeza de que não levantaria sem um guindaste.
— Bella, porque não me diz logo...?
— Edward, vovó – a interrompi quase dando saltinhos de alegria. – O nome dele é Edward.
— Hum... – respondeu sem saber o que dizer.
Toma na cara!
Que horror, olha como estou falando com a minha avó! Ah, ela mereceu...
— E qual é o sobrenome desse Edward? – perguntou.
Pô, vó, assim você está querendo me derrubar, né? Eu nem lembrava o nome, vou saber o sobrenome?
Suspirei em derrota e raiva.
— Porque todas essas perguntas? – quis saber.
— Como, por quê? Eu quero saber com quem a minha neta passou a noite!
— O que? – berrei. – O que você quer dizer com passou a noite?
— Você não vai querer que eu te explique como os bebês são feitos, vai?
— Vó, eu não estou grávida!
— Eu sei querida. Mas você não vai querer que eu acredite que, nos dias de hoje, você passou a noite na casa de um rapaz sem rolar nada, vai?
Eu fiquei muda. Atônita. Paralisada. Sem reação. A minha avó de mais de sessenta anos de idade não estava sugerindo o que achava que estava sugerindo, estava?
— Não precisa se envergonhar, querida, eu sei como as coisas acontecem – ela continuou aquele absurdo. – Mas você sabe que eu não sou tão moderninha quanto a sua mãe era, então espero para o bem desse Edward que ele venha te pedir em namoro adequadamente mais tarde.
— Namoro?
— Óbvio! Não espera realmente que saia transando com qualquer um por aí, não é?
Transando por aí? Ela estava louca? Eu nem transei pela primeira vez, quanto mais por aí!
— Vovó – comecei respirando fundo para estar calma antes de chamá-la a razão -, QUER PARAR DE FICAR FALANDO BESTEIRA E ME OUVIR! – Ok, não consegui manter a calma. Mas quem conseguiria? – Ontem na festa, colocaram alguma coisa na minha bebida e o Edward me ajudou e me levou para casa dele – expliquei lentamente para ver se ela entendia. – Por causa da droga, eu acabei dormindo, mas não aconteceu nada além disso.
— Nossa, minha filha, toda essa história só para não admitir que dormiu com ele?
— Eu não...! – Ah, esquece! É inútil discutir com ela. – Olha só, vó, eu vou desligar, ok? Quando eu chegar em casa, a gente conversa direito.
— Está certo, Bella, mas vê se não faz mais esse tipo de coisa.
Ela está falando sobre dormir com um estranho ou desaparecer sem dar notícias? Achei melhor não perguntar para não dar corda e desligar logo antes que eu tivesse que aturar mais alguma maluquice ela.
— Bella? – Dei um salto de susto ao ouvir aquela voz.
Ah, não! Ele estava aqui! Como eu pude me esquecer do Edward? Merda, merda, merda! Tudo sempre dava errado na minha vida!
Respirei fundo tomando coragem. Bem, o jeito é me fazer de sonsa.
— Sim? – perguntei virando com minha melhor cara inocente.
— Você... Hum... Está tudo bem?
— Com certeza! – Ok, acho que exagerei um pouco.
— Ahm... Está certo então... Você quer tomar café?
Claro, você tem veneno para eu poder me matar? Ah não, não precisa, a vergonha já vai fazer isso por mim.
— Tudo bem – concordei.
Se eu iria levar bronca em casa, pelo menos iria de barriga cheia. Além disso, ia dar trabalho explicar para minha avó que eu não tinha transado com Edward.
Dei um suspiro profundo de cansaço.
É, meu dia tinha começado realmente muito bem. Ainda bem que hoje era domingo.
. . .
Como prometido, aí está o capítulo 2, espero que tenham gostado.
Beijos!
