Estou vivendo sem James Potter há exatos quinze dias e, mesmo que não possa dizer que não sinta falta de algumas coisas (talvez muitas), eu estou me saindo muito bem. Ontem mesmo eu sai para almoçar sozinha no Julio's, nosso restaurante preferido, e o local estava, como sempre, lotado de casaizinhos apaixonados. Adivinhem quem conseguiu não chorar dessa vez? Isso mesmo, EU! Estou superando James, viram?
Minhas amigas (no caso, uma amiga e os marotos) me dizem que eu causei todo este sofrimento para mim mesma e que eu posso desistir a qualquer momento e voltar com James, mas realmente não sei do que elas estão falando. Lily Evans está dando a volta por cima e em menos de um mês.
Quantas pessoas no mundo podem dizer que esqueceram o Furacão Potter em menos de um mês?
- Lily – Marlene era minha melhor amiga. Ela havia ido me visitar e impedir que eu cometesse um suicídio na terça feira passada, acabou me encontrando me empanturrando de pipoca doce, ouvindo Lionel Ritchie no volume máximo e cantando-chorando desafinadamente. E naquele momento estavamos almoçando. Não no Julio's, mas num restaurante perto da escola de Curadores onde estudávamos. – Pelo amor de Deus, acaba com essa palhaçada. Aceita se casar com o James, vocês se amam. – Ela me olhava com piedade, embora eu não precisasse mais disso: Eu passei completamente da minha fase Lionel.
- Lene, não é palhaçada. – tentei soar com o máximo de distinção - Ele é infantil demais pra mim.
- Há, e você não é, Lily Evans!
- Claro que não – me ofendi. Eu não sou infantil, eu sou a pessoa mais madura que conheço. – Se você acha que seria tão bom assim pra eu namorar alguém tão infantil, por que não aceita sair com o Sirius?
- O Black é um caso diferente – ela revirou os olhos – Ele não é só infantil, é um canalha.
Sirius não começou a chamar Marlene para sair logo no quarto ano, quando James começou a me convidar, mas ele já o fazia a muito mais tempo agora. Eu realmente acho que ele pode estar apaixonado pela minha amiga e acho também que eles teriam filhos com uma ótima genética.
- Bom, o James não é só infantil também. Ele tem muitos defeitos.
- Você também e ele te atura mesmo assim. – eu tenho uma melhor amiga maravilhosa. – Francamente, Lily, pra mim você ta com medo é de assumir um compromisso sério. Se apavorou com o pedido de casamento e acabou desmanchando tudo com o coitadinho.
- Medo de assumir um compromisso com ele. – Não menciono mais o nome de James em voz alta quando posso evitar, já que isso me deixa um pouco emotiva – Eu não quero passar o resto da minha vida me sentindo como se fosse mãe do meu marido, Lene. Eu vivo tendo que dar ordens nele.
- Você sente que deve dar ordens em todo mundo, é mandona mesmo.
- Não sou não! – Emburrei – Olha, se essa é sua idéia de como animar sua amiga, é melhor ir embora, viu...
Lene revirou os olhos, pediu a conta e foi embora. Sem nem me dar nem um tchau, eu juro.
Minha única amiga mulher não fica do meu lado quando tenho crises de relacionamento: Perfeito. E adivinhem só? Minha mãe também não fica do meu lado. Nem meu pai.
'Mas ele era um rapaz tão bonito, tão educado, tão bonzinho, tão divertido, tão engraçado, tão gentil, tão romântico, tão agradável...'
Isso é tudo o que ouço quando visito meus pais. É como se James tivesse morrido. Sabe, quando as pessoas morrem os outros não enxergam mais seus defeitos e só se lembram das coisas boas. É isso que vem acontecendo. Meus pais simplesmente esqueceram de tudo o que costumavam reclamar sobre James quando nós estávamos há dois pés do paraíso no nosso namoro.
Mas o mais longe que meus pais foram com essa história de 'James Potter: O genro perfeito' foi quando completávamos vinte dias de separação. Fui visitar meus queridos progenitores, como costumo fazer no primeiro domingo de cada mês, mas quando toquei a campainha e esperava que minha mãe me recebesse com o abraço esmagador costumeiro, tive uma surpresa terrível:
- Oi, Lils.. – me deparei com aquele sorriso tristonho de lado. Esse é o pior sorriso de James. Os sorrisos galanteadores são bons, os de deboche são charmosíssimos, os de felicidade são uma graça, mas os tristonhos... especialmente os tristonhos de lado... transforam o meu coração num pedaço de pudim!
- Ja-james – senti minhas pernas fraquejarem. Depois de vinte dias sem ver James e passando mais da metade daqueles dias aos prantos, era golpe baixo ele me receber assim: na casa dos meus pais e com aquela carinha de cãozinho sem dono – O que está fazendo aqui?
- Seus pais me convidaram para o Jantar. Hoje é dia dos namorados, lembra? – Claro que lembrava, afianl a rua estava infestada de pombinhos - Eles acharam que deveriam me convidar numa ocasião especial assim...
Dia dos namorados? James nunca ligou pra essas datas , ele só considera oficiais três delas: Meu aniversário, Natal e o Aniversário dele. Estas são as únicas que ele memoriza e considera o ato de trocar presentes algo plausível.
- Eu trouxe isso pra você – ele estendeu uma caixa embrulhada em papel durado e com uma fita prata brilhante para mim, aproveitando o meu silencio de choque.
- Obrigada – foi tudo o que consegui dizer e aceitei a caixa.
- Você não vai entrar? – ele sorriu de um jeito um pouco mais otimista, vendo que ainda não tinha começado a gritar, xingar ou acusar – Deve estar congelando aí fora.
Foi aí que eu vi. James usava um avental de cozinha. Um avental de cozinha e luvas combinando.
Entrei na casa olhando fixamente para os patinhos estampados no avental e até deixei que ele me ajudasse a tirar o casaco pesado que eu usava, tamanho era meu atordoamento.
- James, por que está usando o avental da mamãe...?
- Ah – uma expressão diferente se instalou em seu rosto – Estou ajudando com o jantar! Na verdade fiz quase tudo sozinho e acho que está ficando muito bom! – ele parecia muito orgulhoso de si mesmo.
- Você? Cozinhando? – Mérlim, por que você me odeia tanto, por que? Por que quando este indivíduo me namorava era um inútil e pão duro e agora que chutei ele, ele está se tornando o principe encantado? Você está tentando me castigar?
- Sim, o seu preferido : Salmão ao molho tártaro. Sem aspargos, é claro.
E ele lembrou meu prato prefeiro. E que sou alérgica a aspargos. Só pode ser o fim do mundo...
- MÃE! – eu gritei em desespero – MÃE, VEM CÁ, MÃE! – James me olhou um pouco assustado com a minha reação, mas quando viu minha mãe chegando nos deixou a sós ( Agora ele também sabe o que é privacidade... Por Merlim...).
- Florzinha! – Minha mãe me agarrou em um abraço apertado antes que eu pudesse dizer alguma coisa – Minha florzinha está tão crescida, olhe só para você... Lily, que olheiras são essas? Não está dormido bem? O que a mamãe falou sobre...
- MÃE! – eu a interrompi histérica – O que está acontecendo aqui!
- Ah, Florzinha, eu pensei em convidar o Jamie para o jantar. Afinal, hoje é dia dos namorados! Não ia deixar o pobrezinho ficar sozinho esta noite!
- Mamãezinha, preste bem atenção, está bem? – eu usei a voz que costumo usar com as crianças que chegam no hospital da escola de curandeiros – Eu e James terminamos. Nós não somos namorados. Pessoas que não namoram não comemoram o dia dos namorados. E eu sou sua filha, não ele. Você deveria estar me ajudando a passar por isso e arrumar minha vida, não trazer meus problemas de volta. Capiche?
- Aiai, isso tudo é bobagem, minha flor! Logo logo vocês vão superar esses desentendimentozinhos e você irá se arrepender de não ter comemorado o dia de hoje com o seu namorado.
- Ele não é meu namorado.
- E o pobrezinho teve tanto trabalho! – ela me ignorou – Acredita que ele passou o dia todo na cozinha? E ainda me ajudou a limpar a casa todinha, Flor! São três andares, não é mole não, Lily...
- Hm, aí tem coisa. – não era possível. Ninguém muda tanto em tão pouco tempo, só podia ser uma armação. James queria me fazer de trouxa, ia me seduzir com toda essa propaganda de "olhe pra mim, eu sou prestativo, sou bonito, ajudo em casa e dou presentes" e depois que eu caisse na conversa voltaria ao James imprestável de sempre.
- Florzinha! Pare de resmungar e vá para a sala de estar. Seu pai e seu namorado estão te esperando junto com a sua Gim Tônica.
Eu acho que vou preferir uma dose de Vodka no melhor estilo cowboy esta noite. Uma dose não, muitas...
