3.
- Kal-El... Então você finalmente chegou... – disse Brigitte, emocionada. – Lionel fez tudo para escondê-lo de nós. Você é a razão dos Veritas existirem.
- Tô ligado. – Clark cruzou os braços. – Lionel bloqueou meu acesso à Fortaleza do Ártico.
- Obviamente ele o quer sobre seu controle. Típico de Lionel. – resmungou Brigitte.
- Mas você sabe que não precisa ser assim. – disse Virgil. – Você tem que tomar as rédeas da sua vida, Kal-El. Não pode permitir que ninguém além de você mesmo decida seu destino.
- Eu sei. Por isso que eu cortei relações com os Luthor, mesmo que o bode velho continue no meu pé. Eu tive que dar um grande despiste nele pra chegar aqui. – disse Clark, sério. Ele abriu a mochila e mostrou o artefato kryptoniano à Virgil. – O senhor sabe o que é isso?
Virgil segurou a pedra e a olhou com cuidado.
- Veio do seu planeta. Pelo que estudei, é um símbolo da sua família. Provavelmente deve ser do seu pai, Jor-El, que deixou pra você. Já conseguiu ativá-lo?
- Não, essa bosta não faz nada! Eu tirei da Fortaleza. Lionel descobriu que eu estava fuçando por lá e reforçou as defesas tecnológicas contra mim. Eu ia quebrar tudo mas Lex chegou e eu quebrei ele. – Clark bufou. – Foi ai que eu decidi fazer as coisas do meu jeito, longe do bode velho.
- Fez bem , Kal-El. – aprovou Virgil. – Eu não sei como ativar isso mas se é da sua família, só você pode fazer com que ele mostre para que serve. – entregou o artefato à Clark, que guardou na mochila. – Mas eu lembro que nas cavernas kawatche havia uma abertura nesse formato...
- Talvez isso se encaixe lá. – achou Barry.
- É uma possibilidade. – disse Virgil. – Mas tome cuidado, Kal-El. Lionel Luthor não vai desistir de você assim tão fácil. Muitos morreram para proteger o seu segredo. Os Teague, os Queen, minha filha Patricia... – ele contou, com um olhar triste.
- Eu sinto muito. – disse Barry.
- Fica frio, Dr. Swan. Lionel não vai botar as patas em você. E pode crer que eu vou fazer ele pagar por cada crime que cometeu. Eu tenho muitas contas a acertar com aquele desgraçado.
- Tudo que eu sei sobre o Viajante está aqui. – Virgil deu um pen drive para Clark. – Você não veio para cá diretamente das estrelas à toa. Há uma missão a se cumprir. Seu destino é maior do que todos nós, Kal-El.
- Pode ser. – Clark duvidou e guardou o pen drive. - Mas essa loucura toda vai acabar. Lionel não tem o direito de ficar fazendo merda por aí só porque é obcecado por mim. Eu faço o que quero e quando quero.
- Você ainda terá muitos inimigos pela frente à vencer. Lionel não é o único. Lex Luthor também não. Quando você se revelar ao mundo, as coisas tenderão a ficar mais complicadas, mas acredito que terá aliados para ajudá-lo. – ele falou e olhou para Barry. – Vocês são pessoas especiais.
- Não pretendo me revelar ao mundo. – garantiu Clark.
- Mas Clark... – Barry e Brigitte falaram ao mesmo tempo, discordando da decisão dele.
- Clark... – Brigitte segurou a mão de Clark.- Você não nasceu para viver nas sombras. Pessoas como você, como o Sr. Allen, são especiais, destinados a proteger aqueles que não podem se defender.
- Eu não sou babá de ninguém! – Clark exclamou. – Escuta, eu agradeço a ajuda e a preocupação de vocês. Sério. Lamento pelas perdas que vocês tiveram só porque meu pai adotivo é um psicopata obcecado! Mas eu to bem do jeito que to! Não sou herói e nunca vou ser! Eu me defendo sozinho, as pessoas também podem!
- Clark existem ameaças no mundo que nenhum humano é capaz de combater. – afirmou Virgil Swan.
- Nós mesmos já combatemos alguns. – disse Barry. – Lá em Central City, de vez em quando, aparece algum meta-humano. Eles não tem problema nenhum em ferir pessoas indefesas. É para evitar que gente inocente se machuque que existem pessoas como nós.
- Falou, mas eu não sou time dos superamigos. Nem fui criado pra isso. Não tenho a menor vocação de pegar a Humanidade e colocar no colinho não. Eu vou descobrir pra que serve esse artefato e dai resolvo minha vida.
- E o que você vai fazer? – perguntou Virgil.
- Ainda não sei! Não ando com uma programação de férias,cacete! – Clark bufou. – Mas sei que preciso acertar minhas contas com Lionel.
- Pelo menos me deixe contar pra você tudo sobre o que descobri. E depois, o que for decidido por você, não vou contestar.
- Nunca gostei muito de aula não. Não sou um aluno cdf.
- Imagino que não. – Brigitte riu. – Mas o que o Dr. Swan vai lhe falar, com certeza irá te interessar. Pense, Clark. Você está nessa busca para descobrir quem é. Deixe que ajudemos você nesse caminho.
Clark olhou para todos e depois assentiu.
- Tá bom. Eu topo! Desde que não demore muito! E... mudando de assunto... Tem um rango aí? To morrendo de fome!
- Você acabou de comer duas tortas no Talon! – Barry exclamou.
- Não foram duas, você também comeu!
- Uma fatia! Você rosnou pra mim quando tentei pegar outra! – Barry contou e Brigitte riu.
- Eu não divido comida! Nunca! E já faz horas que eu sai daquele fim de mundo, preciso me alimentar! - Clark teimou.
- Tem lasanha se você quiser... – Brigitte sugeriu.
- Tá bom pra começo de conversa! – Clark sorriu. – Onde fica a cozinha, Dona Brigitte?
Clark e Brigitte foram para a cozinha e Barry e Virgil acharam graça.
Lana estava pegando uma cadeira quando Clark entrou no Talon e não deixou que ela derrubasse o móvel.
- Uma menina tão delicada não deveria pegar peso.
- A cadeira não é pesada. – ela sorriu.
- Mesmo assim, não quero que você machuque as suas mãozinhas. – ele sorriu. – Arrumando o lugar?
- Sim, amanhã temos um dia cheio. – ela varreu o chão. – Não tem mais tortas da sra. Kent, mas ela prometeu trazer amanhã. Onde está o seu amigo?
- Barry teve que voltar pra cidade dele. – Clark deu de ombros. – Não está muito tarde pra você ir pra casa não? Uma garota sozinha no meio da noite?
- Eu tenho spray de pimenta. – ela terminou de varrer. – E aqui é Smallville. Nada acontece. Teve só uma estúpida chuva de meteoros quando eu era criança, mas depois disso, nada mais.
- Chuva de meteoros? – Clark repetiu, interessado. – E você lembra exatamente o que aconteceu na época?
- Eu fui capa da Time. – ela disse, com um olhar triste. – Meus pais morreram atingidos por um dos meteoros. A vida de todos mudou. Smallville deixou de ser a capital do milho e virou dos meteoros. Até os Luthor voltaram pra cidade, abriram uma fábrica, mas depois de alguns anos a família foi embora. Lex era bem simpático.
Clark deu uma risada irônica.
- Jura? Ele brincava de boneca com você?
- Ele sempre foi legal comigo, mas aquele pai dele, Lionel Luthor, era esquisito.
- Bota esquisito nisso... E foi só isso? Os meteoros atingiram o lugar e mais nada?
- Você acha pouco mortes de pessoas inocentes? – ela o questionou.
- Não, não foi isso que eu quis dizer. Lamento pelos seus pais. Mas porque os Luthor iriam querer montar uma fábrica numa cidade no meio do nada?
- Os meteoros caíram principalmente nos campos de Smallville... Até caíram perto da propriedade dos Kent, coitados. Levaram anos para restabelecer tudo... – ela suspirou e depois deu uma risadinha.- Você está parecendo aquela repórter enxerida que apareceu por aqui, só que você é mais simpático. – ela lhe deu um olhar doce.
- Que repórter é essa? Do Planeta Diário? – indagou Clark.
- Essa mesma. Não entendo qual o interesse do Planeta Diário em Smallville... A chuva de meteoros foi há 23 anos atrás, depois disso, nada mais aconteceu.
Clark assentiu, pensativo. Se tinha uma repórter fuçando algo que envolvia o seu passado, era certeza que Lionel Luthor estava por trás disso, afinal ele era o dono do Planeta Diário. Ia ter uma boa conversa com seu pai adotivo. Lana observou a expressão tensa de Clark.
- Você parece preocupado.
- To legal. – ele meneou a cabeça e depois sorriu. – E aí? Posso te levar em casa? No caminho, a gente come um cachorro quente...
- Eu adoraria mas meu noivo vem me buscar. – ela disse, mostrando a aliança no dedo. – Ele está atrasado.
- Vai ver ficou preso em algum lugar...
- Whitney treina o time de futebol do Smallville High School, não é o tipo de trabalho que vai mudar o mundo e requeira horas e horas de treino.- ela falou, com certo menosprezo.
- Você sonha com algo maior do que isso. – Clark adivinhou. – E porque está com esse perdedor então?
Lana suspirou, hesitou mas resolveu falar.
- Eu não conheço ninguém que possa me tirar daqui. Acho que o meu destino é mesmo Smallville.
- Papo. Quem faz o destino somos nós. Não fica esperando ninguém que tu vai ficar mais atolada do que está. O que você tem que fazer é levantar a bunda e lutar pelo que quer.
- Você é um pouco... grosseiro.
- Pode ser, mas sou realista também. Não sou de ficar de nhém-nhém-nhém não.
Lana assentiu e fechou o Talon. Ela olhou para Clark.
- Acho que você vai ter que me levar em casa, Whitney não vem.
- Beleza. Tomara que tenha algum lugar com comida aberta.
- Você tem um grande apetite. – Lana riu.
- Tudo em mim é grande. – ele deu uma piscadela maliciosa e Lana segurou um suspiro. – Monta aí que eu te levo. – ele apontou para a moto.
Lana sorriu como boba, fascinada pelo forasteiro e montou na moto. Whitney viu os dois saírem juntos e ficou furioso. Clark parou a moto em frente à casa de Lana. Ela saltou da moto.
- Obrigada. Minha tia Nell está me esperando. Ela quem cuidou de mim depois da morte dos meus pais.
- Legal ter quem se preocupe com a gente.
- Sim... – Lana concordou e o olhou. Deu um beijo no rosto dele mas queria mesmo era beijá-lo na boca. – Obrigada.
- Lana! – Whitney saiu do carro e foi até a noiva. – O que significa isso?! Quem é esse cara?! Eu chego pra te buscar no trabalho e te vejo saindo com esse daí?! Você acha que eu sou algum palhaço?!
- Whitney, calma! Não é nada do que você está pensando! Clark só me trouxe até em casa! Foi uma gentileza!
- Oh, que graçinha! – Whitney ironizou e empurrou o ombro de Clark. – E você?! Não sabe que ela tem um noivo?!
Clark desceu da moto e encarou o loiro.
- Escuta aqui ô sujeito... Encosta em mim de novo e tu não vê a luz do dia. – ameaçou.
- Não tenho medo de ameaças. Vou te ensinar a não se meter com a mulher dos outros! – ele deu um soco em Clark e sua mão doeu. – Você é o que?! De aço!
Clark deu um sorriso malandro e torceu o braço de Whitney.
- Vamos ver quem quebra quem aqui!
- Não! Por favor! Clark, deixa ele ir! Por favor! – pediu Lana.
- Falou. – Clark soltou Whitney, que caiu no chão. – Se tu cruzar o meu caminho de novo, só vão sobrar as cinzas pra contar a história. Tá avisado.
- Essa foi a gota dágua, Whitney. – Lana tirou a aliança e jogou no chão. – Acabou.
Lana entrou dentro de casa, Clark montou na moto e foi embora. Whitney continuou no chão, cheio de dores.
- Você acha mesmo que eu sou algum tipo de super cara, não é? – Clark olhou para Virgil.
- Seus poderes se alimentam do sol amarelo. Assim foi com o seu pai, Jor-El e acredito que com qualquer um do seu planeta que possa ter pisado aqui.
- Não existe mais ninguém, pelo menos é o que a mensagem de Jor-El deixou diz. Eu sou o Último Filho de Krypton.
- É fascinante. Você responde a todas as perguntas se estamos ou não sozinhos no universo.
- Fascinante, mas chato. – Clark se ergueu da cadeira e pegou a jaqueta. – Vou dar um passeio por aí. Depois volto.
- Tudo bem. Estudar demais acaba enfadando o individuo. Apesar de você ter uma incrível capacidade de assimilar as coisas, é óbvio que por ter sido criado por humanos, você adquiriu hábitos e trejeitos nossos.
- E ainda assim, sou melhor do que todo mundo. – Clark se gabou.
- Apenas em habilidades extra-humanas. Todos somos iguais perante Deus, Clark.
- Acontece que Deus me fez foda! Não é culpa minha! – ele insistiu. – Mais tarde eu volto!
Clark saiu dali e Brigitte se aproximou de Virgil.
- Você acha mesmo que ele será o salvador que os Veritas esperavam que seria? Aquele que usará suas habilidades para ajudar a todos? Ele me parece muito indisciplinado. Para os Veritas, o Viajante era como um deus.
- Mas já vimos que não é. Ele veio de um planeta distante do nosso e foi criado. Ele tem as nossas mesmas qualidades e falhas humanas. O que o diferencia dos demais são seus poderes.
- E a falta de humildade.
- O tempo irá ensiná-lo. A vida é a melhor professora que existe.
- Eu tenho medo de Lionel Luthor tê-lo estragado por completo.
- Se fosse assim, ele jamais se livraria do jugo de Lionel. Clark está trilhando o próprio caminho, o destino está tomando as rédeas dessa história e logo Clark irá espantar o mundo. Para o bem.
- Que Deus te ouça. – disse Brigitte, ainda em dúvida.
