4
BELLA
Pov Catherine
Eu sorri para Alice. Estava atrasada para o nosso almoço, e ela parecia zangada, mas só quando eu me aproximei percebi que era mais estranheza, que raiva.
— Cathe, você está bem? — Ela pareceu mais que preocupada quando me abraçou fortemente.
— Nós estamos — Eu apontei para a Nora sorridente, que abraçava as pernas de Alice.
— Eu realmente esperei você um tempão. Vamos entrar.
Eu não respondi. Nós estramos no restaurante, que tinha vista para as docas. Nora estava saltitante, querendo correr até o píer. Mas eu disse que primeiro teríamos que almoçar. Mas a feição de Alice estava me deixando angustiada.
— Algo deu errado na integração? — Questionei, ela sorriu forçadamente quando disse que não.
— Tudo certo. Só não será fácil. Acho que nos veremos tão pouco... — Ela suspirou — Ao menos nesse começo. Por que você demorou?
— Eu disse para você. Nossa vizinha apareceu com a mãe dela. Nora e ela ficaram amigas.
— Esme! Minha nova amiga! — Nora me interrompeu e soprou felizmente para Alice — Ela amou a Zola e nós brincamos de Polly!
— Esme, hein? — Ela sorriu e fingiu-se animada para Nora — E você amostrou para ela aquele seu tobogã que você ganhou da mamãe de presente de aniversário?
O presente de aniversário adiantado. Eu sorri para Alice quando ela comentou com Nora, que tinha seus olhinhos brilhando.
— Ela amou! — Ela aprendeu essa fala com Alice e então repetia o tempo todo.
— Ela realmente amou tudo — Eu brinquei.
— Ela não foi indelicada com você? — Alice questionou.
— Elas foram estranhas no começo... Eu não sei. Deve ser coisa dos americanos, Alice.
Nós fizemos nosso pedido e Nora sorriu quando pediu uma porção grande de batata frita com arroz – sem legumes e eu ri grandiosamente e por isso. Mas perdi alguns vegetais para ela.
Nós almoçamos e Alice contou um pouco sobre seus colegas de trabalho e como eles pareciam totalmente animados para começarem no emprego novo e como ela estava animada também para começar. Ela teria que fazer alguns exames médicos ao longo dessa semana, e levar alguns documentos ao Rh, fora isso, estava apta para assumir suas funções de doutora.
Eu contei Alice sobre a proposta de Rosalie e depois nós duas procuramos pela empresa e realmente descobrimos ser famosa. Emmett é um dos sócios, e eu realmente estava esperançosa que meu vizinho me chamasse para uma entrevista.
Após o almoço, nós caminhamos pelas docas. Nora teve sorvete e algodão doce. E depois Alice e eu resolvemos que era a hora de comprinhas básicas.
Numa loja de decoração, nós escolhemos coisas que não poderíamos viver sem por nem mais um segundo. Nós tínhamos pratos, talheres, copos, panelas e diversos assessórios no nosso carrinho de compras. Nós compramos mais toalhas e roupa de cama. E algumas decoradas para Nora. Adquirimos novas cortinas da moranguinho e cortinas para nossos quartos e sala. Alguns tapetes para toda a casa, e alguns objetos mais necessário para nossos banheiros. Engoli em seco, quando Alice passou tudo em seu cartão de crédito.
Ainda tinha boa parte das minhas economias, a rescisão que James me pagara e alguma coisa do auxilio, mas eu precisava segurar tudo para Nora e suas necessidades. Alice disse que dividiríamos as despesas assim que possível fosse, e eu concordei.
— Acho que só falta supermercado, de inicio — Eu disse, enquanto embalávamos tudo e chamávamos um táxi.
— Nós iremos à noite. Agora acho que tem alguém com sono.
Alice apontou para Nora que fechava os olhinhos, deitada no meu colo, já a caminho de casa.
Deixei Nora dormir em seu quarto enquanto Alice e eu faxinamos a casa. Foi tão mais fácil desocupar as caixas com Nora dormindo. Eu enchi sua caixa com seus brinquedos e ocupei seu guarda-roupa branco com suas roupas, e tentava não fazer barulho algum. Deixei uma bagunça no meu próprio quarto, mas o resto da casa parecia impecável. Estava cheirando maravilhosamente bem.
A noite, nós fomos ao mercado e enchemos a despensa. Eu cozinhei para Alice e Nora comida de verdade. E fiz o nosso esquema para o resto da semana, agradecendo pelo freezer da geladeira nova ser grande suficiente para os potinhos de pequenas porções.
Alice colocou Nora na cama e eu percebi porque minha pequena filha estava tão fluente. Alice lia em inglês para ela e fazia Nora repetir cada palavra e interagir em inglês. Aquela parecia ser uma ótima ideia.
Eu arrumei meu closet sozinha, e suspirei quando vi que havia um monte de roupas em cima da cama. Coloquei em cabides e pendurei uma por uma.
— Ela dormiu — Alice disse — Ela disse muito sobre como Esme fala bem francês.
— É. Ela é bem fluente — Eu concordei e Alice suspirou.
— Eu vou para cama também, boa noite Cathe. Amo você.
Nós nos abraçamos e Alice pareceu melancólica. Eu deixei ela ir e suspirei fundo.
Os dias se passaram com uma rapidez inimaginável. Eu mal via Alice, nós nos falávamos mais por telefone que pessoalmente. Eu saía com Nora de dia, nós corríamos pelos parques pela manhã e comíamos na rua. Então ela estava sempre exausta na volta para casa e só queria saber de tirar uma soneca no sofá entre os intervalos de seus desenhos.
Eu recebi uma ligação de Emmett um dia depois de ter enviado meu currículo. Ele parecia tão animado e disse que havia gostado das minhas qualificações e estava ansioso por uma entrevista. Ele parecia tão informal, que eu estava um pouco temerosa. Então ele só perguntou quando seria bom para mim, por causa de Nora, e eu respirei fundo, sabendo que seria praticamente impossível.
Eu encontrei Emmett no elevador no dia seguinte da sua ligação, ele estava animado e rodopiou Nora em seus braços, era a segunda vez que ele a via, e dessa vez ela estava acordada e ele parecia ser bem animado. Nora não estranhou e aquilo não era nenhuma surpresa para mim, eu temia sobre isso. Ela não tinha medo de ninguém e isso era perigoso para crianças da idade dela. Emmett perguntou sobre o horário da entrevista na sexta e eu havia mordido meus lábios. E então, inesperado, ele me disse "Ah, eu tenho um escritório aqui em casa, Cathe. Se facilitasse para você uma entrevista aqui. Rose poderia ficar de olho em Nora por uns minutos" eu não soube o que responder. Mas eu sabia que ele estava fazendo isso por mim. Mas eu não entendia. Eu realmente não entendia.
Eu logicamente concordei. Eu respirei fundo, agora, sexta-feira, duas da tarde, enquanto fechava o zíper da minha saia. Eu concordei com isso, mas disse para ele que deveria ser como em qualquer ambiente de trabalho. O que ele prontamente concordou. Isso significava salto alto e roupa social. Currículos, e cartas de recomendações. E até meu óculos de armação escura, que me deixava ainda mais séria, e sem minhas habituais lentes de contato.
Eu toquei a campainha, segurando minha bolsa fortemente, enquanto Rosalie abria a porca e resfolegava um pouco.
— Oi Nora! — Ela disse animada, voltando-se para minha filha — Venha ver o que eu tenho para você.
Nora me olhou na expectativa e eu sorri assentindo. Então ela me soltou e entrou, acompanhando Rosalie.
Eu sorri com a visão da piscina de bolinha bem no meio da sala de Rosalie. Nora pareceu ir ao delírio com aquilo.
— Olá, Catherine — Eu sorri timidamente quando vi Emmett.
Ele realmente parecia no espirito da coisa.
— Sr. McCoy — Eu e vi Rosalie revirar os olhos para nós dois.
— Vocês simplesmente podem ir, por favor. Nós vamos brincar um pouco.
Eu olhei para Nora e eu sabia que ela estava lembrando sobre a nossa conversa de comportamento. Mas eu fechei os olhos e sorri em despedida, seguindo Emmett. Ele abriu a porta de uma sala e eu logo vi o amplo escritório, então o segui.
Seu apartamento era claramente maior que o meu. Ou melhor, bem mobiliado, já que Alice e eu não sabíamos o que fazer com nosso espaço livre. Ou quartos, ou escritório, ou um quarto de brincar. Ou tudo.
— Você pode se sentar. Por favor — Emmett disse.
Eu me sentei, sentindo meu coração acelerar.
— Obrigada — Eu sorri — Eu trouxe algumas coisas que talvez o senhor queira ver.
Emmett assentiu, sentindo-se confortável com aquilo. Eu retirei da minha bolsa as cartas de James, meus certificados de curso, alguns relatórios de clientes. E meu currículo.
— Você veio da França, certo, Catherine? — Ele perguntou calmamente.
— Sim, da França.
— Qual lugar? — Ele disse, enquanto analisava os papeis.
— Eu vim de Marselha — Ele suspirou.
— Você fala inglês muito bem... Já esteve nos Estados Unidos, ou isso foi dedicação total ao curso? — Emmett pareceu analisar — Mas... Dois meses?
Eu estremeci um pouco. Como contaria isso a ele? Era uma informação muito relevante, e eu sabia disso.
— Eu realmente... Não sei — Suspirei. Emmett levantou seus olhos do papel e pareceu pensar.
— Qual era o seu trabalho na Brandon Construtora? — Ele perguntou calmamente.
— Ah. Eu era assistente pessoal do CEO. Eu cuidava de toda sua agenda. Atendia suas ligações, cuidava de alguns contratos. Estava inteiramente responsável por toda a documentação sobre projetos. E eu levava o seu café toda a manhã — Eu ri no final, Emmett também riu.
— Certo. Isso parece bom — Ele completou — Você apenas saiu da empresa pela oportunidade de estar aqui?
— Sim. A minha amiga Alice...
— Vocês não são irmãs? — Ele me interrompeu rapidamente.
— Como se fossemos... — Conclui, encolhendo os ombros — Alice recebeu a oportunidade de trabalhar em um grande hospital aqui. Ela é uma médica.
— Certo... E você não deixou nada para trás, Catherine? Uma família? Um marido...?
Eu suspirei pesadamente... Como eu explicaria para ele? Era só Nora, Alice e James. Alguns amigos do escritório. Mas eu definitivamente não tinha cabeça para relacionamentos com ninguém. Eu não me via, ou sentia atração por ninguém. Nenhuma mínima faísca. Nada.
— Não — Disse simplesmente, não querendo me afundar no assunto.
— A nossa empresa, Catherine, atua no ramo por mais de vinte anos. Eu sou associado há bem pouco tempo, três anos apenas. Mas todos nós somos uma grande equipe, nós temos um espirito muito unido. Tanto que nos tratamos todos pelo primeiro nome, sem muita cordialidade... — Emmett disse, então soltou um sorriso — Na sua carta de recomendação, seu antigo chefe diz que você tem um espirito de liderança incrível. E que seu trabalho em equipe é como de formiguinhas.
Eu segurei uma risada. Era a cara de James falar algo assim.
— Na construtora o nosso maior foco era a união. Então todos trabalhávamos juntos para o crescimento da empresa. Eu realmente entendo como um trabalho de equipe faz a diferença.
— Faz — Emmett concordou — Eu estou realmente impressionado com a sua habilidade de aprender inglês em dois meses. Você outros idiomas, além de francês?
— É... Acho que não — Eu ri. Eu nunca havia tentado outros — Realmente não. É... Eu sofri um...
Eu parei de falar, enquanto encarava Emmett. Nós dois ficamos em silêncio, quando um grito surgiu. Eu me levantei automaticamente, enquanto eu ouvia a mulher gritar um pouco mais.
— Espere um pouco...! — E o grito ficava mais alto — EDWARD! APENAS ESPERE...
A porta fora aberta rudemente, eu olhei sem entender, sentindo meu coração acelerar pela adrenalina.
Eu encarei o homem que me olhava e seus olhos era pura confusão. Enquanto meu cabelo era preso em um coque firme, sem um fio fora do lugar, os cabelos ruivos dele eram uma bagunça. Caiam descoordenadamente por sua testa. E seus olhos verdes estavam incisivos. Ele respirava com dificuldade.
— O que... Diabos... — Ele balbuciou.
E o incrível aconteceu. Eu vi os joelhos do homem a minha frente ceder, então ele caiu num baque surdo. Ajoelhado. Seus olhos derrubaram algumas lágrimas, enquanto estranhamente meu coração continuava a bater.
Nora.
Uma vozinha no meu subconsciente gritou.
— Isabella... — Ele disse. Enquanto chorava um pouco mais — Isso não é possível. Eu... A enterrei...
Eu não entendi, enquanto homem a minha frente chorava.
— Rosalie, vá verificar Nora — Ouvi Emmett dizer.
Ele já tinha dado a volta em sua cadeira e fechado a porta. Ele andou até o homem, tentando coloca-lo de pé, enquanto sem entender nada eu fitava aquela cena. Eu queria correr e gritar com eles, chama-los de loucos e voltar para a França. Mas eu não conseguia. O homem chorava tão desesperadamente com Emmett, que eu simplesmente não conseguia sair.
— Como é possível? — Ele perguntava com desespero.
— Há uma razão lógica. Você tem certeza que ela não tinha uma irmã? — Emmett perguntou.
Minhas pernas funcionaram. Simplesmente. Algo me despertou e eu recuperei meu folego, andando apressadamente para a saída. Eu ouvi o choro intensificar e o homem chamar uma tal de "Isabella" diabos, ele pensava que eu era a Isabella? Louco! Insano! Todos eles.
Eu encontrei Nora encolhida no sofá, enquanto Rosalie passava as mãos pelo cabelo dela.
— Nora! Vamos! — Eu gritei. Rosalie se levantou.
— Por favor, por favor... — Ela pediu — Um minuto, por favor. Eu vou explicar. Um minuto.
Nora a essa altura estava no meu colo, enquanto uma Rosalie apressada andava até a estante da sua sala. Ela pegou um porta retrato e trouxe para mim.
Eu coloquei Nora no chão. Eu estava sem ar. Eu queria muito gritar, quase que desesperadamente, mas eu não conseguia. Eu fiquei a mulher vestida de noiva. E ela tinha um sorriso tão enorme em seu rosto. Ela parecia tão... Feliz. Ela tinha enormes cabelos castanhos, que caiam em cachos perfeitamente modelados. E ao lado dela... Ele... O homem. Ele a segurava orgulhosamente em seus braços, e ambos tinham aquele enorme sorriso. Casados.
— O quê...?
— É a minha cunhada — Rosalie disse, chorando — Ela morreu há quase quatro anos. Mas vocês duas são tão... Iguais.
Eu toquei meus cabelos, que batia um pouco abaixo do seu ombro. Senti a textura e então olhei para os da mulher da foto. A mulher parecia tão mais bonita, era um reflexo meu, visivelmente mais jovem. Suspirei pesadamente. Eu não lembrava daquilo. De nada. Apagão. Simplesmente. Mas... Como diabos aquilo seria possível? Como. Era tão surreal! Tão surreal!
— Nós viajamos para a França... — Ela ouviu a voz que vinha do corredor de onde ela havia saído fugida — Nós estávamos tão bem. Comemorando que teríamos um filho... Mas, enquanto voltamos para casa em uma noite, após jantarmos em um restaurante. Estava chovendo... A pista estava escorregadia — Ele chorou um pouco, enquanto eu levava a mão para a cabeça e sentia uma marca. Uma cicatriz, onde eu havia levado muitos pontos. Era dali que vinham minhas dores insanas — Eu perdi o controle do carro. Eu capotei. Rosalie e eu fomos cuspidos para fora do carro... Mas ela...
Ele parou. Eu encarei Rosalie, porque ele parecia muito torturado para falar.
— O carro pegou fogo. E Isabella foi dada como morta. Nós voltamos para casa e enterramos o que havia sobrado do corpo...
Então... Ela não era eu. Havia um corpo. Por alguns segundos, eu queria sair gritando, frustrada. Eu via aquela família chorar e eles estavam tão confusos. Eu pensei que por um segundo eu era alguém. Eu tinha um nome e pessoas que me amavam.
— Aquilo malditamente podia não ser um corpo —Emmett arrulhou — Podia ser um pedaço de estofado que vocês velaram e choraram. Eu nunca acreditei em coincidência ou destino, mas... Puta que pariu, uma mulher igual minha cunhada – que eu não conheci, se muda para o apartamento da frente. Ela tem uma filha da idade que seu filho teria, — ele parou e apontou para Edward — E a menina tem aqueles olhinhos verdes tão lindos... E tão seus. Que Jesus. Se essa não é a Bella, é a irmã gêmea de um mundo paralelo.
O silêncio pairou, enquanto minha cabeça soltou uma pontada.
— Eu não sei quem eu sou... — Eu murmurei tão baixo — Eu acordei em Marselha, sem lembranças. Sem qualquer informação. Eu estive por todos os jornais... Ninguém apareceu procurando por mim.
O homem se aproximou, ele se aproximou e segurou minha mão. Eu quase a puxei, mas eu olhei em seus olhos. Aqueles olhos tão conhecidos, olhos que eu amava, olhos de Nora, e então não pude puxar.
— Eu não entendo... Se você é a Bella, Deus é muito ruim. Ele me odeia — Ele grunhiu e eu quis abraça-lo.
— Eu não sei nada sobre mim. Eu estava grávida e sozinha. Eu tive Alice e James. Eles me deram tudo. Eles me ajudaram com uma identidade nova. Eu sempre me olhava no espelho e tentava adivinhar meu nome... Alice disse que pareço com Catherine...
— Você parece com Isabella — Rosalie, ao meu lado, soprou.
Eu fiquei quieta. Pela primeira vez testando aquele nome. Sentindo algo estranho no meu interior. Não era reconhecimento, era aceitação.
— Ela sempre odiou Isabella. Era Bella e somente Bella — Bella...
Bella... Eu sorri. Eu realmente gostei de Bella.
Eu vi o homem se abaixar e encarar Nora, ela estava ali, o encarando curiosa, ouvindo toda a história.
— É através dela que saberemos tudo — Emmett disse rapidamente — DNA. É o método mais rápido.
— Oi... — Nora disse timidamente — Eu sou a Nora.
Eu vi o homem se emocionar.
— Certo, Nora. Eu sou Edward. Eu posso ser seu amigo?
— Eu tenho um amigo... — Ela sussurrou de volta, ainda segurando minha perna — Ele se chama Seth. Ele era da minha classe.
Eu vi o homem torcer o nariz e vi Emmett rir. Eu quase rosnei para ele não fazer aquilo. Edward não gostou quando Nora disse isso.
— Mas você também pode ser meu amigo — Ela explicou — Os seus olhos são como os meus...
Ela sussurrou, confidenciando, Edward choramingou um pouco, estendendo a mão para ela.
Ela hesitou antes de apertar.
— Eu adoraria ser seu amigo, Nora — Ele disse, visivelmente emocionado.
— Nós deveríamos ligar para Charlie e Renée.
Eu olhei para Rosalie, enquanto ela secava suas lágrimas. Eu queria perguntar quem eram essas pessoas, então Rosalie sorriu para mim, numa tentativa de me tranquilizar.
— Você não acha melhor esperar o DNA, Rosalie? Acho que é muito para ela. — Emmett disse.
Eu não respondi. Eu estava tão confusa.
— Sim, não é justo com Renée e Charlie. Dentro de dias nós teremos um resultado. — Foi Edward que disse, já se colocando de pé.
Eu peguei Nora de novo, apertando-a firmemente em meus braços. Eu encarei todas aquelas pessoas, e reparei que ainda segurava o porta-retratos. Eu não tinha nenhuma intenção de devolver. Eu ficaria com ele, era a forma de explicar a confusão para Alice, quando ela chegasse em algum horário em casa. Eu apenas peguei minha bolsa da mão de Emmett e encarei profundamente os olhos vermelhos do homem a minha frente. Era isso? Eu sabia quem eu era agora? Ele havia sido meu marido?
— Nós vamos chamar uns amigos do meu pai para vir coletar. Nós bateremos na sua porta, Bell- Cathe — Rosalie disse com a voz embargada.
— Eu vou esperar. Diga adeus, Nora.
— Até logo — O homem me corrigiu. Eu assenti. — Até logo, pequeno anjo.
Nora sorriu para ele.
Eu não olhei para trás quando saí. Eu apenas fechei a porta com força e a tranquei. Eu deixei Nora no sofá, enquanto sorria falsamente e dizia para ela assistir TV, que a mamãe já voltava.
Então eu me tranquei no banheiro e chorei. Chorei muito.
Rosalie realmente trouxe pessoas que de acordo com ela eram de um laboratório confiável. Eles haviam colhido fluidos da bochecha de Nora, de Edward e das minhas. Eu não quis ser rude, quando disse que nós estávamos cansadas e tentaríamos dormir. Eu os vi entristecer um pouco, mas eles foram sem protestar. Os olhos do homem não desgrudaram dos meus até que a porta se fechou.
Eu tomei dois comprimidos aquela noite, quando desisti de esperar Alice. Dessa vez era para a dor, e para o próprio sono, que pareceu desaparecer.
