AMANHÃ
por Nina Neviani
Capítulo IV – Athina
Julho de 2007
– O quê?
Primeiro de tudo, como ele conseguira o número de telefone dela.
Mas, o mais importante, por que a filha dele precisava dela?
– Athina está tendo uma crise nervosa. Ela está chamando por você. Só você pode acalmá-la, Marin.
– Faz tempo que ela está assim?
– Algumas horas.
Nenhum dos dois falou nada até que Aiolia decidiu se explicar melhor.
– Se eu tivesse alternativa, qualquer outra solução, eu a tomaria ao invés de incomodar você. Mas não existe.
– Qual o seu endereço?
Ele passou o endereço e Marin percebeu a ironia da situação. Durante todo o tempo em que foram namorados, ela nunca fora ao apartamento dele, e agora iria para ajudar a filha que ele tivera com outra mulher, filha que fora concebida enquanto, ela, Marin, ainda era namorada dele.
O mundo dava voltas, e infelizmente, muito mais rápido do que Marin gostaria.
10 de dezembro de 2000
O professor Aiolia Priamos estava no bar do hotel onde tinha sido realizada a formatura dos seus alunos. Formatura de quase todos os seus alunos, já que ela não se formara. Estava distraído quando a colega de profissão disse:
– Pensando nela, Aiolia? – A professora de Matemática sentou-se ao lado dele.
– Desculpe-me, Thalassa. Não entendi o que você quis dizer.
A loira deu uma breve risada antes de dizer.
– A oriental. Marin. Você está pensando nela, não está?
– Talvez, eu esteja.
– Eu já imaginava que vocês tinham um caso. Esse ano você esteve mais feliz do que nos outros, e hoje você não está feliz. E ela, coincidentemente, não está aqui. Vocês terminaram o caso?
– Nós não tivemos um caso. Nós namoramos. – Em circunstâncias normais, ele provavelmente não teria feito aquela confissão, mas os drinques que ele tomara já começavam a fazer efeito.
– Sim. Mas não estão mais juntos?
Ele negou com um movimento.
– Melhor assim. – A professora continuou – Você merece uma mulher mais experiente e não uma aluna ansiosa por notas altas.
Aiolia ainda não acreditava que Marin estivera com ele apenas por interesse. Mas tudo o levava a crer que fora exatamente isso.
– Creia-me, Aiolia, você está melhor sem ela. Entretanto, um homem como você só fica sozinho se quiser. – E dirigindo-se ao barman, Thalassa disse – Mais duas doses, por favor.
Julho de 2007
Era só o que Aiolia lembrava. A lembrança seguinte já era do dia seguinte, quando tinha acordado na casa de Thalassa. Quando entendera o que tinha acontecido, explicara para Thalassa que um novo relacionamento amoroso não estava anos seus planos. Não tão cedo, pelo menos. Ele não admitiria, mas ainda tinha esperança de se entender com a Marin.
Dois meses mais tarde, porém, os seus planos de continuar solteiro tiveram que mudar drasticamente.
Fevereiro de 2001
Aiolia tentava aproveitar os últimos dias das suas férias. Na verdade, essas férias tinham sido as piores da sua vida, ficara em casa tentando ler um ou outro livro, mas só o que conseguia fazer mesmo era pensar na sua ex-aluna e ex-namorada oriental.
Foi no final de fevereiro que ele recebeu uma visita inesperada. Thalassa.
A visita o surpreendeu, pois desde o dia em que acordaram juntos, não tinham se falado mais.
– Olá, Thalassa.
– Olá, Aiolia.
Ela pensou por um instante até responder.
– Tudo bem?
– Eu estou grávida, e ainda não sei se isso é estar bem ou não.
O rosto do professor perdeu a cor.
– Grávida? Aquela noite...
– Óbvio que foi naquela noite, Aiolia. Do contrário, eu não estaria aqui. E antes que você venha com a pergunta clássica. Sim, você é o pai.
– A notícia me pegou de surpresa, Thalassa... Eu não esperava... Mas eu vou apoiá-la, participarei o máximo que puder da gravidez...
– Aiolia, eu acho que não fui suficientemente clara... – Ela respirou fundo e explicou – Eu estou grávida, e só terei esse filho se eu me casar.
– Thalassa, não seja precipitada. Essa não é uma decisão que se toma de uma hora para outra. Nós não nos amamos – Aiolia julgou ter visto uma ponta de rancor no olhar da mulher, mas continuou falando. – Um casamento assim, ao contrário de ajudar, pode só complicar as coisas.
– Não tem outra solução. É casamento ou aborto. E você escolhe.
– Você está falando do meu filho, Thalassa.
– Por isso mesmo, pense bem. Vou esperar por uma resposta sua até amanhã.
– Não precisa esperar. Nós... vamos ter esse filho.
Julho de 2007
Athina poderia não ter chegado ao mundo da forma mais tranqüila e nem mesmo da maneira mais planejada. Mas a filha era a razão pela qual Aiolia acordava todo dia. Sentia-se o homem mais feliz do mundo cada vez que a filha sorria, infelizmente a menina não sorria tanto quanto ele gostaria, mas quando o fazia era capaz de encantar qualquer pessoa.
Era esse amor que ele sentia pela filha, que o fazia aguardar ansiosamente a chegada da mulher que já ao abandonara uma vez. E ele esperava que ela não o abandonasse novamente.
Aiolia sentiu o coração falhar quando escutou leves batidas na porta.
"Pense apenas na Athina. Apenas na Athina".
Com as mãos suando, Aiolia abriu a porta.
De perto podia ver que Marin mudara muito nesses anos. Para aumentar o seu tormento, ela continuava tão linda como era aos dezoito anos, mas havia uma aura de determinação que não havia na Marin estudante. Contudo, aquele não era o momento de analisar como estava a sua ex-namorada, e sim de cuidar da sua filha.
– Obrigado por ter vindo, Marin.
– Eu não o fiz por você.
– Eu sei que não.
Ele indicou o quarto da filha e a acompanhou até lá.
Marin sentiu o coração se enternecer quando viu Athina suando e se virando na cama. Pensou que choraria quando ouviu a criança dizer o nome dela. "Por que ela tem que ser filha dele!".
Chegou mais perto de Athina, afinal estava ali para ajudar a garotinha e não para se lamentar por ela ser filha de quem era.
– Marin...
Aiolia fez um gesto, a incentivando a falar com a menina.
– Eu estou aqui, querida.
– Marin?
– Sim. Vamos, anjinho, acorde e nós poderemos conversar.
A menina lentamente foi abrindo os olhos até que pode ver Marin sentada ao seu lado na cama.
– Você está aqui! – Athina lançou um daqueles raros sorrisos que faziam Aiolia feliz, entretanto esse não o deixou tão feliz quanto os outros, pois ele sabia que o devia a Marin.
– Sim, estou. – Afagou carinhosamente o cabelo da menina, que era uma versão mais longa dos cachos loiros do pai. O gesto incentivou a menina a abraçar a Marin.
– Eu queria... ver você de novo. Você foi boazinha comigo.
– Você pode me ver sempre que quiser, Athina.
Escutou Aiolia resmungar, obviamente descontente com as palavras da japonesa.
– Como... se nós fôssemos... amigas?
– Exatamente. Eu serei sua amiga se você quiser.
Para o desconforto de Aiolia, sua filha tinha dado outro sorriso luminoso. E novamente destinado a Marin.
– Dia vinte é o meu aniversário. As amigas vão no aniversário uma das outras não vão?
– Sim, querida. – Marin disse.
– Não, querida. – Aiolia falou ao mesmo tempo.
Athina olhou para o pai. Tinha uma expressão confusa. Marin também olhou para ele, ela no entanto, ela estava visivelmente irritada, e ele sabia que não era com a sua filha.
– O que eu quis dizer, Athina. É que a Marin pode ter outros compromissos. E talvez ela não possa comparecer no seu aniversário.
Os grandes olhos azuis agora estavam voltados para Marin.
– Você tem outro compromisso?
– Não, querida. Não tenho. Eu estarei presente no seu aniversário.
Outro resmungo descontente vindo de Aiolia. O que Marin, deliberadamente ignorou, enquanto abraçava novamente a filha dele.
– Mas, agora é hora de dormir. Aliás, já passou da hora de dormir.
A criança riu.
– Meu pai também fala assim comigo.
Marin sorriu, mesmo estranhando o fato de a menina não ter falado ainda no nome da mãe. Junto com Aiolia, Marin ajeitou a menina na cama.
– Boa noite, papai. Boa noite, Marin.
– Boa noite. – Eles responderam
Quando saíram do quarto da menina, Aiolia já estava totalmente irritado.
– Você não devia ter feito isso! Não devia ter prometido algo que não vai cumprir!
– Quem é você para falar em cumprir promessas, Aiolia?
– Sou alguém que as cumpre muito melhor do que você, com certeza.
Marin deu uma risada curta.
– Eu estarei presente no aniversário da sua filha. Mesmo você e sua mulher não gostando.
Aiolia ficou em silêncio antes de dizer.
– A sua presença no aniversário da Athina, para mim, é indiferente. Eu só pediria para você não falar a respeito da mãe dela.
– Por quê? Aliás, onde ela está que não está aqui cuidando da filha.
– Thalassa morreu há quatro anos.
Continua...
N/A: Finalmente o reencontro dos dois. Agora vocês já conhecem a mãe da Athina. E um pouco mais sobre a Athina.
Espero que tenham gostado!
Recadinho 1: A comunidade do Orkut do casal Shiryu e Shunrei, está organizando o seu primeiro desafio!!! Assim, quem estiver interessado em enviar fics para o desafio, por favor, fique a vontade. O link para o download das regras do desafio está no meu profile. E para "maiores informações" é só mandar um email para:
desafioshiryushunrei(arroba)yahoo(.)com(.)br ---- O não permite colocar email.
Enfim, todos estão convidados!
Recadinho 2: Já que estamos falando em Orkut... A Miko fez uma comunidade pra mim! (Obrigada, Minu!) O link também está no meu perfil! Todos também estão convidados a participar!
Beijoooos!
Nina Neviani
