Avisos: Saint Seiya,e etc não me pertencem. Direitos, créditos e dindim para o senhor Masami Kurumada e cia.

Gente... já estamos no quarto capitulo. Tenho mesmo que falar que essa fic contém yaoi e, quem não gosta, não prossiga a leitura? Bem, já esta dito


Capítulo IV –Sentimentos reprimidos

Mime praticamente não dormira durante a noite. Ao voltar para o quarto, após um bom banho quente, encontrou Sorento praticamente na mesma posição, em ar pensativo. Foi ao pequeno closet vestir seu pijama e, ao retornar, o austríaco já estava de pé, o olhar indecifrável em seu rosto.

–Está mesmo melhor? –perguntou em voz baixa enquanto o norueguês ajeitava-se sob as cobertas.

–Estou sim... –murmurou, a voz fraca –Agradeço a preocupação.

Sentiu o olhar de Sorento fixo em si. Por um momento imaginou se ele se ele saberia que andara chorando, mas o pensamento desvaneceu-se assim que o austríaco virou o corpo, caminhando em direção a porta.

–Boa noite –disse ele apagando as luzes –Durma bem –fechou a porta, deixando o quarto no mais absoluto breu.

Virou-se inúmeras vezes durante a madrugada, o sono agitado, muitos pensamentos preocupantes em sua cabeça, que não o permitiam um sono tranqüilo.

Quando o despertador finalmente tocou, ele já havia acordado a pelo menos duas horas. Sua mente estava toda envolvida em apenas um pensamento: "Eles sabem. Sabem onde estou e com quem moro. É capaz de estarem me seguindo sem que perceba".

Ergueu-se de um salto, indo ao apertado closet. Vasculhou minuciosamente todas as suas roupas e pertences, talvez pensando achar um microfone ou câmera escondida, um objeto de rastreamento qualquer. Não encontrou nada. Sentou-se na cama e suspirou aliviado.

Decidiu sair logo do quarto, era sua vez de preparar o café da manhã.

Não tardou muito para que Sorento acordasse também. Entrou na cozinha a passos leves, ainda de pijama, os olhos pesados de sono. Sentou-se à mesa, onde Mime sorvia lentamente uma xícara de café. Examinou o rosto do norueguês. Parecia extremamente cansado e apreensivo, o rosto pálido, cabelos ligeiramente desgrenhados e olheiras sob seus belos olhos, que estavam opacos.

–Você vai para a faculdade? –perguntou, um tanto abismado enquanto servia-se de café e leite.

–Preciso. Tenho um trabalho para entregar –murmurou.

–Fique em casa. Descanse. Mais tarde você vai para o trabalho, se estiver melhor. Posso passar na faculdade e deixar seu trabalho lá. É caminho –aconselhou Sorento.

Mime apenas assentiu com a cabeça, sem forças para discutir. Foi rapidamente a seu quarto e entregou o envelope pardo ao austríaco, que já se trocara para sair.

–Espero estar de volta na hora do almoço. Aviso se não puder vir. –disse Sorento já a porta do apartamento. –Tchau.

–Tchau –murmurou Mime enquanto a porta se fechava.

Apertou o botão do elevador quase mecanicamente. Por mais que se esforçasse não conseguia compreender. O que raios teria deixado Mime daquele jeito? A palidez que ele se encontrava quando chegara, na noite anterior, o ataque que tivera após o jantar, a forma brusca como ele se levantou, avisando que iria tomar banho, as marcas de lágrimas em seu rosto, o estado lastimável que se encontrava hoje...por quê? Entendia que ele não quisesse contar para ele seus motivos, afinal os dois não se conheciam há tanto tempo assim, mas mesmo assim sentia-se preocupado. Queria poder ajudá-lo, ampará-lo, queria...

Saiu do prédio e praticamente não via o caminho que trilhava, algo dizia que não era necessário, chegaria aonde teria de chegar.

Era bem vívido ainda o sentimento que se apossara dele ao ver o norueguês tão debilitado noite passada. Sentira uma vontade de abraçá-lo, de fazê-lo contar tudo o que o afligia, explicar o porquê de tanta melancolia em sua alma. Os rostos tão próximos...se esticasse a mão encostaria na pele sedosa de suas faces, se vencesse a ínfima distância seus lábios se uniriam. Mas não teve coragem. Era uma sensação inteiramente nova, apesar de estar ciente de que o sentimento não era. Já brotara há muito tempo atrás, embora não soubesse precisar com exatidão.

Se não tivesse de trabalhar nem teria saído do apartamento. Não o deixaria sozinho. Ficaria ali, nem que fosse apenas para fazer companhia. Já ficara deprimido algumas vezes e sabia que a solidão não era boa conselheira.

Chegou a faculdade, deixou rapidamente o trabalho, explicando que o aluno Mime Benetnasch acordara indisposto e não poderia comparecer. Pegou o ônibus até o teatro no qual trabalhava no período da manhã. Fitou o relógio do celular e suspirou.

"Hoje o dia vai demorar a passar..." –pensou aborrecido.

OooOooO

Alberich acabara de sair da biblioteca para almoçar quando, sem querer, acabou escutando a conversa de um grupinho no extremo do corredor.

–Que pena que o Mime não veio hoje, queria tanto pedir uma ajudinha com uma pesquisa... –disse uma garota loira à outra de longos cabelos negros.

–É Tétis, mas o que será que aconteceu? –perguntou a outra garota –Você sabe Orfeu?

–Na verdade não Pandora –respondeu o homem de cabelos azul-céu –Mas quando nos despedimos ontem ele estava bem pálido. E o Lune, que trabalha com ele, disse que também o achou estranho.

–Vai ver pegou uma gripe –respondeu um homem de cabelos negros, num exótico corte triangular em tom entediado.

–Nossa, Faraó...quanta sensibilidade –disse Tétis em ar sarcástico.

Alberich afastou-se do grupo em ar triunfante. "Tá com medinho, tá...Mime? Você ainda não faz idéia do que é o medo" –pensou com um sorriso maldoso.

OooOooO

Abriu silenciosamente a porta do apartamento, uma sacola de supermercado em uma das mãos. Fechou a porta, pendurou as chaves, tirou o pesado moletom que usava e ajeitou a camiseta laranja. Olhou em volta e reparou na belíssima figura adormecida no sofá. Aproximou-se lentamente e sentou-se na beira do sofá, deixando seus olhos correrem por cada contorno de seu corpo. Os cabelos caiam de forma displicente pelo rosto e ombros. A boca entreaberta, a respiração densa e pesada, encolhido no sofá, um dos braços pendendo para a borda. Parecia um anjo que dormia o sono dos justos. Sentiu dó de acordá-lo. Afagou de leve os fios alaranjados e ergueu-se, um leve sorriso no rosto.

Levou as compras até a cozinha, pôs a comida congelada no forno, ajustou o "timer" e voltou para a sala, onde Mime ainda dormia. Olhou em volta, indo até o aparelho de som. Pegou um cd e colocou-o para tocar baixinho. Os primeiros acordes começaram a ecoar levemente pela extensa sala.

Tornou a sentar-se na borda do sofá, velando o tranqüilo sono do norueguês. Sentia-se hipnotizado pela forma que seu peito subia e descia a cada inspiração e expiração. Aproximou cuidadosamente sua mão do alvíssimo rosto, a vontade de tocá-lo era praticamente irresistível. Sentiu seus dedos roçarem de leve a bochecha delicada. Tirou carinhosamente os fios que estavam sobre o rosto e finalmente viu-o mexer-se. Ouviu-o murmurar algo ininteligível, por a mão sobre os olhos e abri-los em seguida. Seus olhares se encontraram e notou-o enrubescer.

–Que horas são? –perguntou Mime em voz sonolenta, ajeitando-se no sofá.

–Já são quase 12:30 –respondeu Sorento em voz terna –Daqui a 5 minutos o almoço estará pronto –mirou-o fixamente, reparando que as olheiras em seu rosto sumiram –Como se sente?

A apreensão tornou a surgir no semblante do norueguês –Melhor...e você? Como foi o ensaio?

–Ótimo. Estão ensaiando uma nova apresentação: "Cinderela". A personagem principal, na verdade é um ator muito bonito, chamado Afrodite. Mas quem assistir a peça nem reparará que não é uma mulher.

–Interessante –murmurou Mime em ar de aprovação –E o que você faz lá mesmo?

–Auxilio na parte sonora e às vezes ajudo o Milo na iluminação. A estréia é daqui há duas semanas... –ouviu o timer soar na cozinha –Ah, está pronto –ergueu-se –Vamos.

O norueguês assentiu, seguindo o austríaco enquanto o cd ainda tocava no aparelho de som.

–Vai para a loja hoje? –perguntou Sorento que colocava a assadeira sobre a mesa.

–Vou sim...já estou bem –respondeu Mime pegando pratos e talheres.

–A que horas você sai hoje?

–As oito, por quê?

– Hoje saio mais cedo, se quiser eu vou te buscar...

–N-Não seria um incômodo para você? –perguntou ruborizado.

–De forma alguma –sorriu, simpático enquanto servia-se.

OooOooO

–Mime! Hoje de manhã na faculdade todo mundo estava perguntando o que teria acontecido com você –comentou Lune assim que o norueguês adentrou a loja.

–Sério? –perguntou surpreso –Não aconteceu nada de mais. Já estou bem melhor –escolheu bem as palavras pois estava ciente de que Lune era do tipo de pessoa que não conhecia a palavra segredo. Além de possuir o péssimo hábito de julgar os demais.

–Ah...entendo –respondeu um tanto decepcionado. Apenas não prosseguiu com o assunto pois o dono da loja acabara de chegar.

Parou ao lado dos dois, os olhos analíticos fixaram-se em Mime. Correu levemente a mão pelos longos cabelos de tom azul-petróleo –Olá Mime, vejo que está melhor –afirmou em seu tom de costumeira impassividade.

–Sim senhor Kamus –respondeu o norueguês –Pronto para o que o senhor mandar.

–Hoje receberemos uma grande encomenda. Teremos muito trabalho, quando ele for concluído, les messieurs estarão dispensados, oui?

–Certo –responderam.

As horas passaram-se em ritmo acelerado e repleto de trabalho. Já eram praticamente 20:10 quando finalmente concluíram tudo o que tinham a fazer.

–Até amanhã senhor Kamus –disse Mime ao francês que falava de forma quase amável ao celular.

Saiu da loja que acabara de baixar suas portas e viu que Sorento o aguardava do outro lado da rua, as mãos nos bolsos, um cachecol negro no pescoço e uma touca de mesma cor na cabeça. O austríaco, ao avistá-lo, sorriu e o norueguês sentiu o coração palpitar e o sangue correr quente por todo seu corpo. Esperou o farol fechar e juntou-se a ele.

–Desculpe a demora –pediu enquanto tomavam o caminho até o apartamento.

–Tudo bem, eu também me atrasei –respondeu o austríaco em tom tranqüilo.

–Muito trabalho? –perguntou um tanto curioso.

–Sim e houve uma confusão entre o filho do dono da loja, Julian Solo e o gerente, Kanon Gemini.

–Confusão?

–É, assim que cheguei para trabalhar os vi discutindo. O senhor Julian acusava o Kanon de ter sido relapso nos demais atendimentos por conta de um garotinho vulgar para quem ficou cheio de segundas intenções. A discussão só parou perto da minha hora de ir embora, sendo que não conseguira terminar tudo pois o serviço do Kanon sobrou para mim.

–Que confusão... –comentou Mime- Eles, o tal Julian e o gerente...

Sorento baixou a voz –Estão juntos há um bom tempo. Mas o senhor Julian é muito ciumento e o Kanon é assim mesmo, joga charme para todo mundo.

O norueguês deu uma risadinha abafada, apesar de ter sentido uma pontinha de ciúmes com a forma que o austríaco falara do tal Julian. –E, por causa dos dois, quem ficou com todo o serviço foi você.

–Não apenas eu, mas não tem problema, o senhor Solo, dono da loja, disse que vai pagar pelo serviço extra. É um homem muito generoso...

–O meu chefe, Kamus de Verseau também é. Alguns funcionários reclamam que o senhor Kamus é muito rígido e impessoal mas eu não concordo. Ele possui um ar de rigidez constante porém é justo. Nunca dá broncas desnecessariamente e seu "pupilo", que é como ele chama o Hyoga, também é muito competente no serviço.

– Hum... –Sorento fez uma expressão pensativa –Não era esse o nome no namorado do seu colega...

–Do Shun? –viu o austríaco assentir –É sim, eles se conheceram lá na loja. Conversavam muito e começaram a andar juntos. Descobriram amigos em comum e, com o tempo, o sentimento foi quase inevitável. Foi isso o que ele me contou –concluiu o norueguês fitando a pontezinha que ligava as duas margens do rio que circundava os arredores da cidade.

–Uma bela história –murmurou Sorento.

Mime concordou com um aceno, sem fazer qualquer outro comentário. Seguiu o austríaco em silêncio, por vezes fitando-o de soslaio. Suspirou e seus olhos correram o céu noturno que, apesar das baixas temperaturas, encontrava-se pontilhado de estrelas, a lua cheia a brilhar com uma leve coloração amarelada. O vento gélido correu por seus cabelos, arrancando-lhe um leve tremor. Pensou na história de Shun, que acabara de contar. Não havia dúvidas de que sentia uma vontade de vivenciar algo assim, tão belo. Contudo, muitos fatores tornavam tal desejo impossível. Tantos...tantos desejos, sonhos e vontades não passariam disso: sonhos inalcançáveis. Nunca será capaz de amar alguém de forma tão absoluta e despreocupada pelo simples fato de ser o que era. Nem poderia dar-se ao luxo de ser amado por alguém, pois tal pessoa apenas sofreria por gostar de alguém como ele.

"Tudo o que toco vira pó" –pensou e lembrou de quem lhe dissera essa frase cruel. Dissera-lhe com um sorriso nos lábios. Outros vislumbres vieram-lhe à mente numa velocidade absurda: um velho castelo medieval coberto de gelo, um quarto frio e úmido, vozes, palavras sussurradas ao ouvido, seu corpo prensado contra uma coluna de pedra, lábios exigentes tocando os seus... Um calafrio subiu-lhe pela espinha. Sacudiu a cabeça para tentar espantar tais lembranças incômodas. Virou o rosto e percebeu que Sorento o encarava, sua expressão denotava preocupação, porém ele nada disse. Prosseguiu a caminhada, a testa franzida.

"Se ao menos eu pudesse..." –pensou Mime, a cabeça baixa, desanimado – "Se eu pudesse..."

O clima de desanimo não se dissolveu nem quando chegaram ao apartamento. Comeram rapidamente uma coisa qualquer, ficaram cerca de uma hora na sala, Sorento ao piano e Mime a harpa, tocando as mais diversas músicas, cada um absorto em seus próprios pensamentos, e pouco depois de trocaram breves palavras de boa noite, cada um foi a seu quarto.

O norueguês sentou-se em sua cama, arrasado. Vestiu o pijama, enfiou-se sob as cobertas e no breu do aposento pôs-se a pensar. Toda aquela bondade, aquela preocupação constante com seu bem-estar, aquela sensação de alívio e contentamento que sentia toda vez que se encontrava em sua presença, como se nada pudesse atingi-lo enquanto estivesse ali, aquele olhar tão profundo que parecia querer decifrar cada canto de sua alma, absolutamente tudo era praticamente irresistível. Era impossível precisar o quanto desejava tê-lo para si, enroscar sua mão por entre as sedosas ondas azul-arroxeadas e beijar-lhe os róseos lábios repetidas e incontáveis vezes.

Revirou-se na cama e recordou-se de quando despertara no sofá e ele o fitava tão, tão próximo. O que estivera a fazer? Será que o observara dormir?

"Pare de se iludir Mime, nunca poderá tê-lo, mesmo se o sentimento fosse recíproco" –repreendeu-se severamente – "Nunca poderá tê-lo" –tal frase repetiu-se várias e várias vezes em sua mente antes de, finalmente vencido pelo cansaço, adormecer.

OooOooO

Sorento virava-se de um lado para o outro na cama sem conseguir adormecer. Sua mente parecia cheia demais e, mesmo que estivesse cansado, seu cérebro recusava-se terminantemente a desligar-se dos pensamentos que inundavam-na. Perguntas e mais perguntas martelavam-lhe a cabeça. Que horrores o passado do norueguês esconderia? Por que tocar no assunto de seus pais lhe causava tanto desconforto e melancolia? Por que sentia-se incrivelmente atraído por todos esses mistérios que cercavam Mime?

Recordou-se de quando estivera no quarto do norueguês e avistou dois porta-retratos de moldura prateada sobre a mesa de cabeceira. Em um havia uma foto de um belo casal. A mulher possuía longos cabelos alaranjados e segurava um lindo bebezinho no colo. Era óbvio que se tratavam dos pais de Mime. Na outra havia um homem de grande estatura e massa muscular, cabelos negros e ondulados, olhos de tom púrpura e a seu lado o norueguês, cerca de 6 a 7 anos mais novo. Os cabelos mais curtos, as profundas orbes rosadas sem traço algum de tristeza, um inocente sorriso no rosto.

Sentira-se ainda mais confuso ao fitar tal foto. Quem seria aquele homem? O que teria feito para que o Mime de agora possuísse tamanha tristeza e descrença em sua alma? Mais do que nunca sentia uma profunda vontade de ajudá-lo, ampará-lo de alguma forma. Não o forçaria, contudo,a revelar-lhe o que acontecera. Teria paciência pois assim seria a melhor forma de se agir. Respirou profundamente, virou-se de lado e cerrou os olhos, adormecendo sem mais demora.

OooOooO

Parou em frente a uma casa de aparência imponente. Tocou a campainha e aguardou.

"Ainda não entendo por que a senhorita Polaris quer que venha aqui" –pensou – "Não preciso de ninguém para me ajudar, posso muito bem me virar sozinho" –estufou o peito em ar arrogante.

A porta abriu-se lentamente, revelando um homem vestido inteiramente de negro, cabelos verdes e espetados que o fitou com ar entediado.

–Ah, é você Estrela Delta... o que faz aqui? –perguntou, cedendo espaço para que o outro entrasse.

–A senhorita Polaris mandou-me procurá-lo Estrela Zeta, afinal você é membro do alto escalão de Asgard e é o vice-líder da missão que nos foi designada.

–Não é preciso dizer algo que já sei, ó "cérebro mais brilhante de Asgard" –disse o homem com profunda ironia, sentando-se em uma poltrona –Diga logo a que veio e pare com este falso ar de educação e respeito.

Alberich lançou-lhe um olhar de profundo ódio, sentou-se na poltrona em frente a do dono da casa e curvou-se para a frente –Creio que a senhorita Polaris deve tê-lo avisado de que me encontrei com a Estrela Eta, não? –sibilou, o veneno jorrava de cada palavra. Viu os olhos do outro brilharem malignamente ao proferir o nome da Estrela Eta.

–Na verdade, não estava sabendo deste fato... –comentou ele com ar de tranqüilidade –Há alguns dias que não entro em contato com a senhorita Polaris –seus olhos faiscaram –Então...encontrou-se com a Estrela Eta..?

–Sim –comentou em ar superior,afinal tinha uma informação que um membro da elite desconhecia –As informações que a Estrela Gama arrancou de suas vítimas eram verdadeiras, ele está pelos arredores. Encontrei-o na faculdade, está estudando música –sorriu maldosamente –Ainda não tive como segui-lo mas é certo que mora pelos arredores pois até trabalha lá perto, segundo informações que coletei.

–Hum... –murmurou o outro, a mão nas têmporas, num gesto reflexivo –E como ele está? Não tentou mudar a aparência...? –perguntou, os olhos semicerrados, como se cochilasse.

–Aparentemente não tentou, mas desde a última vez que o vimos ele mudou um pouco. Os cabelos estão mais longos e parece estar um pouco mais alto, mas o que mais mudou foi seu olhar... –interrompeu-se ao ver o outro balançar afirmativamente a cabeça, os olhos ainda fechados, uma expressão de aprovação crescente em seu rosto. Lançou-lhe um olhar que dizia claramente "Não acredito que tenho que lidar com um louco desses" e prosseguiu –De resto, continua com o mesmo rostinho de boneca e não parece ter adquirido massa muscular alguma. Enfim, ele pareceu bem assustado ao me ver. Gostaria de saber a cara que ele vai fazer ao saber que você está por aqui.

O homem deu uma risada –Também gostaria de saber, mas creio que, se ele realmente tem contato com uma certa pessoa a quem estou vigiando, provavelmente ele já recebeu a notícia –concluiu com um sorriso sádico no rosto.

–Poderia saber de quem se trata?

–Assuntos da elite, não dizem respeito a classes intermediárias como a sua –respondeu satisfeitíssimo ao ver a expressão de fúria do outro –Era somente isso? Não vi necessidade alguma de você ter de vir pessoalmente me contar se a própria senhorita Polaris poderia tê-lo feito, mesmo que fosse por intermédio das Estrelas Alpha ou Beta –fez um gesto de desdém com a mão –Já que era apenas isso pode ir –viu Alberich levantar-se lívido de fúria e prosseguiu –Ah, tente nos manter informados. Tenho um interesse pessoal pela conclusão da missão.

O outro apenas acenou com a cabeça e saiu a passos largos e pesados. O dono da casa ouviu um ruído de algo sendo quebrado do lado de fora e riu. Era um prazer tão grande tirar alguém metido a esperto como Alberich do sério. Reclinou-se na poltrona e molhou os lábios.

–Ah Mime, que vontade de aparecer na sua frente só para ver sua expressão de pânico ao encarar-me. Seria uma delícia vê-lo pedir clemência, vê-lo de joelhos aos meus pés –murmurou deliciado, sorvendo um gole de whisky que acabara de servir –Mas você voltará a ser meu antes do fim, ah se voltará...

Continua...


Comentários da autora: Demorou, mas no embalo da The Rage Beat acabei digitando o 4º cap da Um certo alguém também XD.

Algumas dúvidas já estão começando a se esclarecer???Ou só surgiram mais dúvidas?? Bem, só sei que juro que quando escrevi os dois primeiros caps da fic não imaginava nada disso. Seria apenas uma historinha fluffy de dois caras dividindo um apê e tendo como ponto comum a paixão pela música, mas olha o que a fic acabou se tornando. Tá virando um monstrinho!

Como já disse há séculos, já tenho até parte do cap 7 escrita, então é provável que essa fic demore um tempinho pra acabar.Nem dá pra acreditar que faz dois meses que comecei a escrever no meu caderninho, quando mal pensava no que seria realmente da história.

Obrigada pelos reviews :Lamari, Minami's Mask, Litha-chan, Narcisa Le Fey, Enfermeira-chan e Hana no Yuki.

É tãooo bom ver que cada dia mais gente está lendo minha fic. Só espero que esse cap também esteja no agrado de vocês.

Kissus para todos que acompanham a fic, inclusive os que tem vergonha ou por algum motivo não deixam reviews.

Espero atualizá-la em breve.

Au revoir!!

Scorpius no Mila /Mi-chan/