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Retratações: Nada me pertence além deste enredo.


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Desafio Gundam Wing 2010 – Amores Possíveis

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Fanfic: Futile Resistance

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Gênero: Yaoi, Romance, Comédia, Ficção Científicai, Angústia Leve, Universo Alternativo

Casal: 6x2

Censura: M – NC-17

Avisos: Essa fic foi escrita a pedido de uma pessoa especial

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Epílogo

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Oito meses depois...

Senti lábios tocarem meu pescoço, numa trilha de beijos suaves. Obviamente, eu me arrepiei, despertando quase imediatamente, mas preguiçoso demais pra abrir os olhos. Eu não era uma pessoa matutina, todo mundo e suas tias sabem disso. Mas aqueles beijos suaves, juntamente com o corpo quente e forte atrás do meu – além do fato que o tal corpo se mexia – me fizeram grunhir em uma mistura de prazer e descontentamento. Odeio ser acordado, mas adoro quando ele me acorda assim. Vai entender. Sou adolescente, não sou obrigado a fazer sentido.

– Você vai perder a hora... – Um sussurro sexy em meu ouvido. Se ele continuasse com isso, eu adoraria perder a hora. – Relena não vai te esperar de novo, você sabe.

Merda. Aquilo sim me fez abrir os olhos e me sentar. O sorrisinho cínico daquele loiro maldito quase me fez querer grunhir, mas me segurei e arranquei os lençóis, correndo até o banheiro adjunto ao quarto de Zechs pra me arrumar. Graças a São Pedro das chuvas, ele possuía um chuveiro, não muito parecido com o da Terra, mas ainda assim um. Eu não precisaria ficar indo pra casa de banhos toda vez que precisasse me lavar.

A água caía pelos meus ombros com força, enquanto eu tentava lavar o corpo e o cabelo ao mesmo tempo. Em minha pressa, sequer notei a outra presença no cubículo, quase pulando de susto quando mãos surgidas do nada tocaram meu couro cabeludo.

– Deixe-me ajudá-lo. – A voz maligna de Zechs se fez presente em meio ao ruído da água e eu quase suspirei em alívio. Se ele não tentasse me molestar, eu poderia terminar aquele banho em tempo record. Meu cabelo não ajuda, mas Zechs sabe como lidar com cabelos.

– Vai fundo, mas nada de gracinhas. – Avisei, abrindo um olho para fuzilá-lo e, consequentemente, fazê-lo rir.

– Nem sonharia.

Sei.

Mas bem, ele continuou lavando meus fios calmamente, enquanto eu me ensaboava e enxaguava. A verdade era que eu queria que ele me molestasse, mas não tinha tempo! Se Zechs me acordou dizendo que Relena não ia esperar era porque eu já estava em cima da hora!

Ele me ajudou a secar a juba também, algo que agradeci loucamente. Eu não dava conta daquele cabelo todo, preferindo trançar e deixar secar. Mas o loiro-cobra gostava quando eu deixava solto, por isso fazia questão de me ajudar a pentear também. Eu me sentia uma boneca nas mãos dele, mas não era algo realmente ruim. Aliás, podia se tornar algo realmente bom.

Quando eu já estava vestido e pronto, ele me puxou pra um beijo rápido, porém intenso, antes de me desejar um bom dia e me deixar ir. Eu sorri. Gostava desse ritual, dessa preocupação que ele exibia com meu bem estar. Mas não tinha tempo pra ficar pensando, então corri feito uma gazela louca até o salão de refeição, e encontrei a minha cunhada – risos – ainda tomando sua refeição.

– Duo! Você tem cinco minutos pra comer algo. Não vou me atrasar de novo por sua causa. – Ela declarou, me censurando com o olhar e me fazendo corar. Bem, se aquele irmão delicioso dela não tivesse me deixado acordado a madrugada toda, talvez eu acordasse mais cedo. Obviamente eu não ia dizer isso pra ela.

– Desculpa aí!

Enfiei umas mil frutinhas-picles na boca, comendo feito um porco, enquanto buscava as outras coisas que eu gostava na mesa. Um criado encheu meu copo de chá e eu agradeci, bebendo rapidamente enquanto estufava a boca com mais comida. Relena me olhava completamente enojada e eu sorri pra ela, mesmo com a boca cheia de comida, o que foi o suficiente pra fazê-la me dar um tapa. Ouch! Esses ETs são todos fortes, puta merda!

– Chega de nojeira e vamos embora, Duo. Pagan já está nos esperando. – Ela declarou, se levantando da mesa enquanto eu enfiava algumas frutinhas e bolinhos em um guardanapo e corria atrás dela.

Pagan, o motorista, abriu a porta do carro – luxuoso, louco, futurista, alien – e nos entregou nossas mochilas. Praticidade é a palavra-chave desse lugar. Quando nos sentamos e ele fechou a porta, eu voltei a comer, recebendo um olhar reprovador da loira ao meu lado. Relena era bem fresca, mas uma fresca gente boa.

– Eu não sei como Milliardo não reclama dessa sua falta de educação. – Ela alfinetou, me fazendo rir.

– Deve ser porque pelo menos ele gosta de mim do jeito que eu sou. – Retruquei, falando de boca cheia propositalmente.

– Haja amor!

– O que você queria que ele fizesse? – Questionei, mordiscando uma das minhas frutas e a olhando com uma sobrancelha erguida. – Me colocasse no colo e me desse umas palmadas?

Ela sorriu, maliciosamente, o que era raro pra Relena. Ela era daquelas mocinhas vestidas de rosa que se comportavam feito princesas. Bem, ela era uma princesa, então vê-la dar indicações de falta de pureza era algo assustador.

– Você gostaria disso. – Ela disse, me fazendo corar. – Tenho certeza que meu irmão é um ótimo disciplinador.

Uh, ela não faz idéia do quanto. Mas resolvi não comentar e me resumir a terminar o resto da minha refeição. Era melhor assim.

Chegamos em poucos minutos, mas o suficiente para que eu já não mais estivesse mastigando. Pagan nos desejou uma boa aula, algo que agradeci, e eu e Relena seguimos para dentro do prédio com pressa.

A caminho da sala, fomos interceptadas pela melhor amiga de Relena, Dorothy. Posso acrescentar que Dorothy – uma loira de sobrancelhas negras medonhas – era uma das aliens mais estranha de todos os tempos. Ela a definiria como a cascavel perfeita. Traiçoeira, fofoqueira, venenosa e sádica. Acho que meio louca também. Ela tinha um relacionamento estável, algo bem próximo ao BDSM, com o meu melhor amigo. Se você o visse, não diria que ele era desse tipo de cara. Mas bem, ele era.

Heero Yui era um cara passivo na cama. Pelo menos, pra mulher dele. Assustador.

– Bom dia, Duo. Você está andando direito hoje, presumo então que o nosso querido príncipe tenha sido misericordioso essa madrugada. – Dorothy comentou e eu corei, querendo me esconder em algum canto. Entende agora o sádica?

– Deixe-o em paz, Dorothy. – Relena ralhou e eu quase a abracei. Deus, alguém tira essa cascavel de perto de mim antes que ela comece com mais comentários sobre a minha vida sexual?

– Relena, querida, Duo não deveria se envergonhar por ter um amante vigoroso. – Ela continuou, sorrindo cinicamente pra mim. Maldita.

Mas, para a minha salvação, outro ser de cabelos loiros surgiu do outro lado do corredor, sorrindo pra mim e vindo me cumprimentar. Jesus ainda me ama.

– Duo! – Ouvi-o exclamar e o abracei agradecido.

Ele, o salvador, o anjo, o ser mais puro do universo, era meu segundo melhor amigo. Quatre Winner. Irmão de Irea Winner, a médica que estava cuidando dos meus... bem, ovos. Os filhotes. O loirinho era a personificação de tudo o que era bom na galáxia inteira e tenho certeza que os pintores e escultores da Terra haviam se inspirado na aparência dele pra fazerem aqueles anjinhos lindos e fofos.

– Loiro, me salva. – Sussurrei, não precisando elaborar para que ele me arrastasse pra longe dali depois de cumprimentar as meninas.

Fomos para a sala de aula, onde encontramos o resto do grupo. A parte boa de chegar mais tarde era que a galera já tava toda ali! Quatre se sentou do lado do cara que ele era apaixonado, Wufei, um réptil esquentadinho que parecia gostar dele também, mas era prega-presa demais pra chegar junto. Eu ainda ia dar um jeito nisso... tava ficando chato ver os dois flertarem sem nenhum dar o primeiro passo. Ridículo.

Heero também estava ali e me cumprimentou com um aceno breve de cabeça quando eu dirigi meu belo sorriso Maxwell em sua direção. Ao lado dele estava Trowa, o namorado de Relena. Veja bem, pelos padrões terrestres, o romance desses dois seria algo impossível, já que Trowa era irmão de Catherine, uma serviçal do palácio – a maldita que me ignorou no meu segundo dia aqui. Hoje quem não fala com ela sou eu! –, e não possuía muitas condições financeiras. Mas aqui, na ET-lândia, isso não fazia a menor diferença. A grana da família de Relena podia alimentar a população inteira e mais um pouco, por isso, não importava se o cara era pobre, rico, nobre ou não. Ele tinha boa genética, segundo o que me disseram, e isso sim era o visado em busca por um parceiro aqui.

E Zechs gostava bastante de Trowa, pra melhorar a situação.

O legal desse lugar era que o sexo dos parceiros não importava muito também, já que os computadores poderiam misturar qualquer tipo de DNA pra fazerem filhotes. Isso me lembra de Noin... Lucrezia Noin.

Noin é o braço direito de Zechs. Ela arruma os papéis dele, marca as conferências, reuniões, escolhe o que ele vai comer, enfim, tudo. Então, ele passava uma quantidade absurda de tempo com ela. No começo, eu não sabia o que ele fazia tanto tempo dentro de um escritório e resolvi investigar. Qual não foi a minha surpresa ao encontrá-lo abraçado fortemente a uma moreninha de cabelos curtos, com um olhar preocupado no rosto.

Vamos deixar algo claro: eu sou tudo menos 'a outra'. Não nasci pra ser amante, pra ser trocado, então, obviamente, eu dei um ataque. Quem aquela vadia achava que era pra ficar agarrando homem dos outros assim? Entrei na sala, enfezado, exigindo explicações, arrancando a vagabunda dos braços dele e armando um barraco. Para a minha total surpresa, a morena estava chorando feito uma criança e eu quase me senti mal. Ainda mais quando ela saiu da sala às pressas, tão confusa quanto Zechs.

O loirão me explicou que não estava tendo um caso com ela, que Noin era sua amiga de infância e estava triste pelo fim do namoro com Sally Po, a chefona da equipe médica. Foi então que eu notei que relações homo naquele planeta eram algo normal. Eu saía nas ruas com ele e as pessoas do mesmo sexo se comportavam como se não tivesse nada de errado com isso, o que me deixou exultante. Mas enfim, Sally e Noin voltaram, eu não era o amante, e tudo era lindo.

O professor entrou na sala e todo mundo se ajeitou imediatamente, pronto pra mais uma aula. O engraçado era que aqui eu gostava das aulas; elas eram interativas – 3D, holograma, aulas práticas! – e os professores pareciam realmente amar o que faziam. Dentro da classe, você se sentia parte do assunto ensinado, era simplesmente deslumbrante.

Aliás, a minha vida nova era simplesmente deslumbrante. Eu não esperava que fosse me adaptar assim. Depois de abrir a cabeça, de aceitar que tudo havia mudado, as coisas fluíram tão mais fáceis. E eu fiz amigos, o que me ajudou lindamente. Amigos maravilhosos, devo acrescentar. Não substituíam Solo e os outros, mas eram especiais à sua maneira.

Eu podia passar o dia no telefone com Quatre, ouvindo-o falar dos sofrimentos amorosos e inseguranças, ou no quarto de Relena, fazendo o dever de casa e trocando informações ocultas sobre Zechs que não estavam no meu chip. Heero, às vezes, passava no palácio pra praticar a luta alien, que mais lembrava um jiu-jitsu louco de drogas, ou estudar comigo e com Relena. Eu podia ver que ele e Zechs não se bicavam muito, mas meu loirão se recusava a falar sobre o assunto. Ciúmes, entende?

Sorri ao pensar nos meus amigos, olhando entretido para o holograma da aula de anatomia alienígena. Aliás, foi engraçado no dia que o professor pediu pra que eu apresentasse algo sobre o meu planeta e eu mostrei as cobras. Ninguém queria acreditar que os animais existiam, mas eu usei o computador fodão deles pra buscar as infos sobre cobras. A galera quase teve um ataque. Todos, sem exceção, queriam uma cobra de estimação. Aqui elas eram como os macacos na terra.

Enfim, eu estava lá, assistindo a minha aula, quando de repente a porta se abriu. Assim, do nada. E eu vi uma figura que esperava nunca mais ver na vida.

– Preciso que libere Duo Maxwell. – A voz pavorosa me chamou, interrompendo a aula toda e me fazendo querer correr. Ou voar.

– Coronel Une, a que devo a honra de sua presença? – O professor tentou argumentar, fazendo-a olhar feio em sua direção. Organizei logo as minhas coisas, preparado para o pior. Nunca se sabe.

– Preciso de Duo Maxwell. Ordens do príncipe. – Ela justificou e eu franzi o cenho. Zechs? O que havia de errado?

Relena olhou pra mim na hora e nós trocamos olhares significativos. Ela também começou a organizar as coisas e se levantar, mas a jararaca a impediu, dizendo que o príncipe havia convocado somente a minha presença. Eu assenti pra ela, tentando tranqüilizá-la, mas Relena parecia realmente preocupada. Ela não deixaria isso barato, disso eu tinha certeza, mas por enquanto não poderíamos fazer nada.

Segui Une para fora da sala e ela se recusou a falar comigo. Aliás, a própria jararaca parecia preocupada. Algo catastrófico devia ter acontecido.

– Ele está bem? – Perguntei, deixando minha confusão transparecer na voz, o que a fez olhar em minha direção quando já estávamos no carro.

– Não sei, Maxwell. Ele pediu que eu o levasse de volta com urgência. – Foi a informação que ela me deu. Valeu, cobra! Ajudou muito!

Fui o caminho inteiro de volta pro palácio roendo as unhas em medo e ansiedade, imaginado mil coisas diferentes que não faziam qualquer sentido. O silêncio daquela maldita só servia pra me deixar ainda mais nervoso, mas, em dez minutos – tempo record! – nós já havíamos chegado. Meu ímpeto de correr para dentro de casa e procurar o loirão foram interrompidos quando Une simplesmente me pegou pelo braço e saiu me levando em direção à ala médica. Oh não. Não. Não vem me dizer que Zechs está no hospital! Isso não! Meu coração se comprimiu em terror e eu senti um suor frio começar a cobrir meu corpo.

Acho que devo ter grunhido alguma coisa, porque Une olhou pra mim de uma forma que eu pude ver novamente o lampejo de pena que pensei ter visto no primeiro dia. Dessa vez, foi bem claro. Mas eu estava com tanto medo, tão nervoso, que sequer busquei entender aquilo. Que Deus salve a minha alma, mas eu estava rezando pra nada de ruim ter acontecido com Zechs. Eu não conseguiria lidar com isso.

Porém, antes de dobrar para os quartos de internação, Une me levou diretamente para a entrada da incubadora, onde meu loirão me esperava com a expressão transtornada. Eu me soltei da jararaca e corri em sua direção, abraçando-o como se pra ter certeza que ele estava vivo e bem.

– Zechs? – Questionei, sem nem saber o que dizer enquanto tocava o rosto e os cabelos dele. Ele estava bem, ele estava vivo, então o que cacetes eu estava fazendo ali?

– Irea me avisou que um dos ovos... não está normal. Não me deu detalhes, mas mandou que eu o chamasse. Eu não sei se vão conseguir salvar o filhote. – Ele atestou, com um tom de voz tão morto e sombrio que fez com que um arrepio me tomasse.

Foi como se ele jogasse um balde de água fria em mim. Ok, os filhotes não eram tão importantes pra mim quanto pra ele, mas pica, eram meus filhos! Os ovinhos de páscoa que eu visitava todo dia depois da escola, que tentava imaginar que tipo de surpresa tinham dentro!

Tive certeza que empalideci, pois Zechs ordenou que Une trouxesse um copo de água pra mim. Ele se sentou e me colocou em seu colo, tentando me consolara tanto quanto a si mesmo, e eu o abracei forte. Um dos nossos bebês ia morrer! Seria o meu gene? Será que meu DNA era incompatível com o dele e tinha matado nosso filho?

A jararaca voltou com um copo e o estendeu a minha, que o sorvi imediatamente, sentindo meus olhos nublarem. Meu bebezinho ia morrer... Será que o maldito computador deles não poderia salvar o filhote? Pra quê servia aquela merda então se não salvaria o bebê?

Em minha revolta, demorei pra perceber a porta da incubadora se abrir, revelando a presença de Irea. A médica tinha uma expressão estranha e surpresa, algo que me fez erguer uma sobrancelha em confusão. Qual era o problema dela?

– Não há algo de errado com o ovo. Ele só está rachando antes do tempo. Isso nunca aconteceu antes, eu nunca vi isso, mas o filhote está saudável e forte. – Ela disse, com o tom de voz assombrado, e acho que quase desmaiei de alívio. – Podem vir vê-lo. Ele já está começando a sair do ovo.

Eu corri atrás dela sem nem olhar pra trás, sabendo que Zechs estava no meu encalço. Meu filho estava bem, meu filho estava bem, meu filho estava bem... meu filho estava bem! Acho que sai cantarolando pelo caminho, porque era exatamente isso que tocava em minha cabeça. Meu bebê ia sobreviver!

O loirão segurou minha mão quando nos aproximamos da nossa incubadora, e realmente, um dos ovos – o maior – estava aberto. Uma pequena mãozinha era vista do buraco, fazendo força para se livrar do ovo, e eu arregalei os olhos em espanto. Os filhotes humanos nunca teriam forças pra fazer isso, nem em um milênio! Mas o meu filho com Zechs estava simplesmente arrancando as cascas com a mão, num instinto de se livrar daquele lugar indesejado.

Eu olhei pro loiro do meu lado e ele sorriu pra mim, parecendo estar bastante orgulhoso. Mas eu me assustei quando as cascas do ovo começaram a cair e uma máquina se adiantou e as recolheu de cima do bebê, terminando de quebrá-las e libertando-o.

A visão diante de mim simplesmente fez meu coração inchar.

Enormes olhos violetas, como os meus só que com as pupilas verticais, me fitaram. Os cabelos, da cor dos de Relena, eram um tufo adorável no topo da cabeça do filhote, e o corpo – tão firme quanto o de uma criança humana de seis meses – se encontrava sentado e ereto, as mãozinhas se balançando, como se tentando ainda arrancar o ovo de seu redor.

Era uma menina. Minha filha.

Eu ri e chorei ao mesmo tempo, sentindo os braços de Zechs me envolverem num abraço afetuoso. O computador pegou a nossa filhotinha, tirando-a da incubadora e a levando pra algum lugar desconhecido. Eu tentei ir atrás, mas o loiro me impediu, negando com a cabeça enquanto eu me virava e o olhava nos olhos.

– Eles vão banhá-la e cuidar dela antes de nos deixarem vê-la. Os médicos precisam saber o que levou o ovo a romper antes do tempo. – Ele explicou, me deixando mais aliviado.

– Bem, às vezes as mulheres humanas têm filhos antes do tempo também. Não é tão raro assim lá na Terra. – Acrescentei e ele pareceu surpreso. Foi me levando até Irea e repetiu a ela o que eu havia dito, ganhando outra expressão assombrada da mulher. Que tonta!

– Isso é bom saber. Exclui possíveis anormalidades com a fecundação. – Ela declarou e Zechs assentiu, aliviado.

– Quando poderemos vê-la? – Perguntei, ansioso, e ela sorriu pra mim.

– Em uma hora, mais ou menos.

Era tempo demais, mas eu esperei. Zechs se mantinha abraçado comigo, parecendo tão ansioso quanto eu; e Une, por incrível que pudesse parecer, tentava nos acalmar com copos de água e uma presença sólida. Acho que eu ainda não surtei porque a jararaca estava ali, me censurando veladamente com aqueles olhos terríveis dela.

– Como vamos chamá-la? – Questionei ao loiro e ele me soltou por um segundo, parecendo pensar.

– Você tem alguma idéia de nome? – Ele respondeu com uma pergunta, algo incomum pra ele.

Bem, eu até tinha. Minha avó, Helen, era a única pessoa da família que tinha olhos como os meus. Aliás, ela parecia comigo, não só fisicamente, mas de personalidade também. Eu sentia muito a falta dela depois de sua morte e achei que uma homenagem seria uma boa idéia.

– Que tal Helen?

Zechs ponderou, sorrindo e assentindo em confirmação, voltando a me abraçar e apoiar o queixo em minha cabeça. Maldito gigante esnobe!

– Helen então.

Quando a enfermeira voltou com um embrulhinho violeta, eu simplesmente avancei em cima dela e arranquei o bebê de seus braços. A mulher riu, divertida, enquanto eu tentava acomodar a criança grande e pesada nos meus braços não tão fortes. O loirão me ajudou a achar uma posição decente, olhando pra mim e pra Helen com tanta ternura que me deu vontade de chorar.

– Ela se parece com você. – Ele declarou, tocando o rosto do bebê com a ponta dos dedos. – Linda...

Eu sorri pra ele, de verdade, e abracei a criança contra mim. Ela era uma parte de mim... e dele também. Eu nunca achei que pudesse amar tanto algo que eu nem conhecia direito, só porque vinha de mim. Meu coração batia cada vez mais rápido quando eu olhava praqueles olhos tão parecidos com os meus e ela fazia algum ruído típico de bebê. Deus do céu, acho que vou explodir de felicidade. Ela era linda, perfeita, cobra, humana... ela era minha.

Um soluço emocionado se rompeu por meus lábios e eu dei um foda-se na Une, surtando mesmo com ela ali. Eu era pai! Pai! E não podia estar mais feliz.

– Acho que você não vai querer deixar ela nas mãos das fêmeas, não é? – Zechs questionou e eu olhei pra ele, confuso.

– Tá bem louco? Claro que não! Quando eu tiver na escola, tudo bem, mas fora isso? De jeito nenhum! – Repliquei, franzindo o cenho e esperando por alguma discussão.

– Que bom.

A resposta dele me deixou atônito o suficiente para que ele me beijasse antes que eu pudesse reagir. Eu retribui, rapidamente, rompendo o beijo logo em seguida devido ao pudor. Une estava ali, afinal, e a enfermeira também.

– Vamos levá-la para o quarto dela. – Ele murmurou, me fazendo segui-lo enquanto voltávamos para o andar superior do palácio.

O quarto dos bebês tinha sido decorado de vários tons de azul, violeta e amarelo, dando uma aparência de algo que eu chamo de infanto-psicodélico. Eu realmente gostava daquele quarto. Os berços eram todos azuis, já que não sabíamos o sexo das crianças, por isso eu escolhi o mais próximo da parede violeta e a coloquei lá dentro. A enfermeira veio junto e observou tudo, me dando algumas dicas sobre como equilibrar o bebê no colo. Ela me ensinou também como alimentar, trocar as fraldas e colocar Helen pra dormir, algo que eu realmente agradeci; ser pai de primeira viagem pode ser assustador. Era bom saber também que ela estaria ali nas primeiras semanas pra me ajudar no que fosse necessário. Fazia com que eu me sentisse mais seguro.

Logo depois que a mulher vazou, o loirão simplesmente me arrastou pro nosso quarto e basicamente me engoliu inteiro, me beijando, excitando e acariciando de forma faminta. Eu podia ver o quanto ele estava feliz ao fazermos amor, e aquilo me deixou ainda mais contente do que eu já estava. Eu me sentia tão realizado que parecia mentira.

– Por que 'Zechs'? – Eu perguntei, quando ele saiu de dentro de mim e me abraçou. Era algo que eu queria perguntar há tempos, mas achei que ele acabaria falando sobre quando quisesse. O que não aconteceu.

O loiro pareceu surpreso com a minha pergunta e tocou meu rosto, me beijando suavemente antes de responder.

– Todo mundo tem máscaras, Duo. Milliardo é a minha. Eu queria que você me conhecesse como eu realmente sou.

Ele então me contou a historia de como ele precisou inventar um nome pra si mesmo pra poder viver uma vida normal no exército alien, sem ser favorecido por ser o príncipe. Que aquela fora a única forma de ser a pessoa que ele realmente era, sem o peso de um nome pra julgar e comandar suas atitudes e personalidade. Era engraçado, porque as únicas pessoas que o chamavam de Zechs eram Noin e eu, o que me dizia que era algo bastante especial pra ele ser chamado assim. Eu me senti lisonjeado.

Quando ele adormeceu, pouco tempo depois, me vi incapaz de permanecer na cama. Me vesti rapidamente e sai do aposento, caminhando pelo corredor com um destino certo. Eu queria ver minha filha. Queria estar perto, observá-la dormir... Abri a porta do quarto dela, silenciosamente, e a fechei, aproximando-me do berço com o coração acelerado.

Para a minha surpresa, os grandes olhos de Helen estavam abertos e alertas e, quando ela me viu, ela... sorriu. Ela me reconheceu e sorriu! São Sebastião do Alto, como aquela criança me fazia virar uma manteiga derretida daquela forma? Meu peito transbordou de um calor gostoso e eu toquei o rosto dela, sorrindo também. O sorriso dela me lembrava o de Zechs, aquele que iluminava o rosto inteiro, que fazia os olhos brilharem. Perfeita.

– Você é mesmo uma menininha linda, não é? A menininha do papai! – Eu falei, com aquela voz de retardado que todo mundo usa pra falar com criança. Eu não pude evitar, foi automático.

Peguei-a e a aconcheguei no meu colo como a enfermeira tinha mostrado, rumando para a confortável poltrona do quarto e me sentando. Apoiei-a em meu ombro, aspirando o cheirinho gostoso de bebê que ela emanava e deixando que ela reconhecesse o meu. Não tardaria pra Helen começar a usar aquela língua insana e pensar nisso me fez querer rir.

Apesar de não ter adormecido, Helen parecia cansada, por isso eu tentei niná-la, desajeitadamente, mas ela protestou com um grunhido choroso. Eu realmente não sabia o que fazer, por isso, parei e a olhei por uns segundos.

– O que você quer, meu amor? – Perguntei, esfregando o narizinho dela com o meu. – Quer que o papai cante? Não, acho melhor não. Que tal uma historinha?

Com a cabeça feita, comecei a recitar uma das histórias que minha avó costumava me contar quando eu era pequeno. Minha mãe nunca o fizera, mas eu me lembrava bem das da vovó. E contar uma delas pra minha filha era basicamente como reviver a minha infância novamente. Tenho certeza que minha avó estaria orgulhosa de mim se pudesse me ver agora.

A história era sobre uma princesa que havia sido presa em um castelo por um príncipe louco e obcecado, que tentara se casar com ela e não aceitava uma recusa. Ao contrário dos contos de fadas normais, quem salvou a princesa não foi outro príncipe, mas sim um dragão, que sentiu pena da tristeza da jovem e a tirou daquele lugar. Era um dos meus contos preferidos, porque não falava de amores impossíveis e guerras lendárias, mas sim de uma amizade profunda. Mesmo que no final o dragão se transformasse num cara gato e desse uns créus na princesa.

Quando dei por mim, Helen já havia adormecido e meus olhos estavam pesando de exaustão. Fechando-os, suspirei, me rendendo ao sono enquanto sentia o coraçãozinho dela bater e sua respiração ritmada contra o meu rosto. Era uma sensação maravilhosa de completude, de simplesmente paz.

No limiar de minha consciência, eu senti lábios tocarem a minha testa e mãos fortes tirarem-na de cima de mim. Abri um olho, confuso, e vi o meu loirão colocar nossa filha no berço, antes de voltar pra mim e me levantar no colo. Ele me carregou até o nosso quarto, algo que eu não protestei, já que estava mais pra lá do que pra cá. Quando Zechs me deitou na cama, eu me enrosquei nele, suspirando alto quando ele me envolveu e enterrou o rosto em meus cabelos. Um pouco mais desperto, eu beijei o pescoço dele e mordisquei o lóbulo de sua orelha, carinhosamente. Ele era meu, assim como Helen. Só meu.

– Eu te amo. – Sussurrei, declarando pela primeira vez em todos esses meses o que eu sentia por ele.

Percebi-o ficar rígido igual uma vara em meu abraço e temi pela minha vida por alguns segundos, até ele erguer meu rosto e me olhar com a expressão totalmente aberta e vulnerável.

– Repete. – Ele pediu. Aliás, seus belos olhos azuis me imploraram por aquela confirmação.

– Eu te amo, Zechs. – Repeti, sorrindo ternamente pra ele e vendo o rosto dele se iluminar de uma forma que eu nunca havia visto antes.

– Eu esperei tanto para ouvir isso de você...

Dito isso, os lábios dele cobriram os meus e ele beijou meu rosto inteiro em adoração. Sim, eu o amava. Sim, eu havia me apaixonado por ele durante todo aquele tempo. A verdade era que, por dentro, eu sabia que aquilo seria inevitável. Zechs sonhara comigo antes mesmo de me conhecer – e me mostrara as memórias. Algumas coisas bem gráficas, devo dizer – e eu... bem, eu me derretia a cada vez que ele me tocava, sorria pra mim, olhava pra mim e até quando ele falava comigo. Ele me causava uma mistura de medo com excitação, que evoluiu pra excitação com carinho e depois pra amor e luxuria. Ele era, simplesmente, tudo o que eu sempre quis, mesmo sendo um alien-cobra cheio de escamas e venenos loucos.

Ele me amava pelo que eu era e eu realmente acho que nós dois fomos feitos pra ficarmos juntos, por mais clichê e brega que isso possa soar. Pela primeira vez na minha vida, eu estava satisfeito por ser quem eu era, por fazer alguém feliz simplesmente por existir.

Eu só tinha a ele pra agradecer por isso, por virar a minha vida de cabeça pra baixo, por me fazer sentir como se eu fosse a única pessoa que importasse em toda a galáctica.

Por me fazer ser especial.

E Jesus, Deus e a galera do céu que me perdoassem a ingratidão.

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FIM

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DESAFIO GW 2010 – AMORES POSSÍVEIS


.Você acabou de ler: Futile Resistence

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Leia também:

(1) Algo que falta
(2) All That You Can't Leave Behind.
(3) Caffe Esmeralda
(4) Catch My Breath
(5) Dreams of Rainy Days
(6) Fragrâncias
(7) New perspective
(8) On the Road
(9) Retrato Falso
(10) Tácito
(11) Verdadeira História dos Dragões Míticos, A

E vote! XD

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# SISTEMA DE VOTAÇÃO:

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1) O público terá de 27/06/2010 (domingo) até 01/08/2010 (domingo) para ler e votar nas fanfics publicadas de acordo com as regras publicadas nesse edital.

2) As fanfics serão publicadas ANONIMAMENTE, ou seja, os nomes das autoras não estarão expostos ao público para que se evitem privilégios.

3) Será somente o público quem dará as notas às fanfics do Desafio publicadas no Fanfiction, à partir do sistema de reviews;

4) As leitoras deverão votar em todas as 12 fanfics obrigatoriamente.

5) Se a leitora deixar de votar em uma única fanfic que seja, mesmo que tenha votado nas demais, seu voto não será computado, ou seja, não deixe de votar em todas as fanfics, você terá um mês para isso.

6) A leitora deverá conferir notas de 06 (seis) a 10 (dez), sendo 06 a mais baixa e 10 a mais alta.

7) Os critérios a serem avaliados serão os seguintes:

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a) Originalidade do roteiro: O objetivo é que as tramas sejam ousadas;

b) Coerência da trama: O roteiro não pode ser sem pé nem cabeça. É importante que haja início, meio e fim;

c) Evolução: O texto não pode ser atravancado ou muito 'rápido'.

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8) Cada critério deverá ter sua nota individualizada. Exemplo: Originalidade: 10; Coerência: 08; Evolução: 09.

9) Em caso de empate, os ganhadores receberão os mesmos prêmios destinados àquela colocação.

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Observação:

Questão importante é a feitura de fakes que podem fraudar concurso.

Bem, aí vai da consciência de cada um.

Se você não tem senso de moral, nós da Organização, em nome de todo o Fandom, só poderemos lamentar pelo ser humano desprezível que você é.


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REFORÇO: VOCÊ DEVE VOTAR EM TODAS AS FANFICS PARA SEU VOTO SER COMPUTADO AO FINAL.

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