Capitulo III
Transformação
- Sim...
Ele encarou a lua.
- Eu não sou o que tu pensas que eu sou. – Disse
- Como assim?
Encarou-me.
- Nunca reparas-te que mais pareço um cubo de gelo?
Acenei-lhe com a cabeça.
- Não ves que eu tenho os olhos um pouco mais escuros do que uma pessoa pode ter?
Acenei-lhe com a cabeça. Encarou novamente a lua, onde ele queria chegar?
Ele suspirou e olhou novamente nos meus olhos.
- Catherine... há uma coisa que eu já te devia ter dito desde segunda. – Disse pausadamente analisando todas as minhas reacções. Mantive o meu rosto cuidadosamente vazio e deixei-o continuar. – Eu, juro que tentei afastar-me ainda hoje à tarde, para te manter a salvo. Mas eles não me deixaram...
- Que se passa Richard? – peguei na sua mão, mas ele retirou-a logo.
- Eu... eu... sou um monstro, eu não sou um humano, Catherine. Eu sou um vampiro.
Eu não conseguia respirar, só queria que ele me dissesse que aquilo era mentira, que ele estava a pregar-me uma brincadeira. Não... Não... o meu fim estava quase. O que seria dos meus pais? Começei a chorar, parecia uma madalena.
- Catherine... – Disse pondo uma mão no meu ombro
- Pará Richard... Eu... eu... como foste capaz? Quer dizer... porquê eu?!
- Eu nunca deveria ter voltado no dia a seguir, mas não fui capaz. Precisava de te ver novamente. Com estas ondas de homicidio e...
- São eles não são? Com quem vieste para cá.
- Sim, são.
- Eu vejo-te como um irmão que nunca tive, Richard. E agora vais-me matar?!
Pela sua expressão, tive a sensação que se ele pudesse chorar, estaria a faze-lo neste preciso momento.
- Por favor, Richard... Deixa-me sair daqui... por favor! – Implorei
- Catherine, não percebes? Se te deixar ir, eles vão-te procurar... e matar-te de vez. Assim terás uma segunda oportunidade, estarei sempre ao teu lado.
- Pois, e por causa disso... estou nas portas da morte.
Pelo seu olhar, arrependi-me por ter dito aquelas palavras, magoei-o. Mas como ele queria que eu reagisse? Que lhe desse logo o meu pescoço?! Oh, meu Deus eu devia ter desconfiado da sua beleza sobrenatural...
- O que estás a pensar? – Perguntou-me a passar com a sua mão na minha bochecha.
- Que devia ter desconfiado da tua beleza sobrenatural. – Fiz-lhe uma careta e ele deu-me um sorriso fraco.
- Desculpa-me por favor... eu sei que não tenho perdão. Mas eles são fortes...
- O que eles querem ao certo?
- Não sei bem, um exercito para matarem uma familia de vampiros...
- Eu vou fazer parte desse exercito?!
- NÃO!! – Ele pegou nas minhas mãos e olhou bem nos meus olhos – Catherine, quero que fujas.
- Como?!
- Tu em vampira terás velocidade extra, não serás vista a olhos de humanos. Não andes ao sol porque faz a nossa pele brilhar como diamantes. Quero que fujas de Seattle, eu cá me arranjo com eles...
- Os meus pais...
- Deixarei um bilhete, a tua transformação será durante três dias, eu ficarei contigo, não te abandonarei... Tens de fugir... tenta encontrar uma floresta, esconde-te lá. Desculpa – Passou a mão no meu cabelo – Desculpa – Puxou-me para ele e abraçou-me com força, mesmo que estivesse a controlar um pouco das suas forças, voltei a chorar... nem sei bem o tempo que estivemos ali abraçados... será que não haveria outra solução?
- Richard, vai-te acontecer alguma coisa por eu fugir?
- Umas pequenas torturas, mas eles precisam de mim. Não era capaz de te ver a morrer pela segunda vez, quero dar-te esta oportunidade já que te pus a vida em risco. Foge por favor!
- Prometes que te vais salvar? E que depois me procuras?
Ele olhou para mim, mas não consegui decifrar os seus olhos.
- Eu estou prestes a matar-te e tu queres que te procure?
- Sim, tu estás a dar-me uma oportunidade de viver, tu és um irmão que quis ter em toda a minha vida, e agora vou puder ter em toda a minha eternidade. Por favor Richard, promete-me!
- Prometo! – Abraçou-me de novo.
Beijou-me o cimo da cabeça, a testa, a bochecha até que chegou até ao pescoço, eu tremia por todo o lado, eu estava prestes a morrer e a virar um monstro. Como seria capaz de me salvar assim num mundo tão grande? Não queria matar pessoas inocentes como eu. Não Catherine, ele não te está a matar mesmo, só a salvar dos outros e dando-me uma vida de outra forma. Ele ficou um pouco comigo nos seus braços com a boca encostada ao meu pescoço, sentindo o meu cheiro, ouvindo as batidas aceleradas do meu coração. Eu começei a trazer a memoria todas as minhas memorias felizes que queria levar para a minha nova vida. Senti os seus dentes perfurarem o meu pescoço e eu gritei, gritei com todas as minhas forças.
Deixei-me morrer. Alias eu só queria que me matassem, que acabessem com aquela tortura, eu estava a ser queimada, sentia a mão de Richard a segurar a minha com força, enquanto a outra passava no meu cabelo. Por quanto mais tempo eu estaria a sofrer, a queimar? Senti as minhas pernas a queimarem, depois os braços, meu Deus, alguem que acabe com isto?! Que me mate? Gritei de novo.
Até que senti a ultima batida do meu coração.
Não sei quanto tempo aquilo durou, talvez horas, dias, semanas. Não sei quanto tempo estive ali deitada a sofrer, a queimar. Mas agora começava a sentir o controlo do meu corpo a voltar para mim, tentei mexer os dedos das minhas mãos. Humm, era bom sentir o meu corpo novamente. Ganhei coragem para abrir os meus olhos e contemplei o ceu cinzento, sentei-me e olhei em volta, estava sozinha. Senti-me um pouco triste pelo facto do Richard ter-se ido embora, mas sabia que ele tinha de o fazer.
Assustei-me quando começei a ouvir os carros de uma forma como nunca tinha ouvido. Eu estava entre mato, como poderia ouvir os carros? Corri em direcção do barulho e senti uma liberdade a crescer dentro de mim à medida que o vento me batia na cara, era uma sensação tão fantastica, acho que me podia habituar bem aquela vida. Mas de repente senti a minha garganta a arder, estava com sede... não podia ir para a cidade assim, tinha de caçar alguma coisa... não, não eu não quero ser um montro! Virei para leste... Passado um tempo a correr senti um cheiro delicioso, e a minha garganta começou a arder. Lembrei-me de Richard, será que era aquilo que ele sentia quando esteve ao pé de mim? Vi um homem a arrastar uma criança para o mato onde me encontrava, hum o cheiro da criança era delicioso, mas o do homem ainda mais... observei-os. O homem mandou a criança deitar-se enquanto ele tirava o cinto... oh, não! Não podia deixar que aquilo acontecesse!
Sem pensar duas vezes avançei calmamente para o local onde eles se encontravam. O homem olhou para mim e recompôs-se, a criança aproveitou aquele momento, levantou-se e fugiu. Não o podia deixar que ele saisse dali, outras crianças podiam ser apanhadas. Senti a minha garganta a arder. E se matasse a minha sede a fazer justiça? Não estava a matar nenhum inocente.
- Olá doçura. – Disse o homem caminhando na minha direcção, reparei que estava parada. Sorri-lhe, senti o seu desejo a crescer e então corri, fazendo o homem cair no chão.
- Adeus fofinho! – Disse ironicamente enquanto os meus dentes perfuraram o seu pescoço sem dó e sem piedade, o homem gritou até que se calou ao mesmo tempo que o seu coração bateu pela ultima vez. Limpei a boca à camisola dele e levantei-me com um sorriso no meu rosto. A sede tinha acalmado um pouco e tinha poupado as vidas a crianças inocentes, tinha feito justiça. Poderia procurar por mais, assim não seria um monstro!
Começei a correr novamente em direcção a Seattle...
Novo capitulo! Espero que gostem! Comentem!
Lizzie Anne Cullen - Fico feliz por estares a gostar, aqui tens a continuaçao, espero que gostes deste capitulo. Comenta.
Ale Cullen - Aqui tens querida mais um capitulo, espero que gostes e comentes.
Dani - Querida, claro que es, tens me ajudado muito aqui com as fic's. GDT
