Até As Estrelas Cairem

I'll never know
What made it so exciting;
Why all at once
My heart took flight.
I only know when he
Began to dance with me
I could have danced, danced, danced all night!

Tinham sido quinze longos meses. Quinze loucos meses. Quinze divertidos meses.

E, agora, iria acabar. Ginny nunca tinha esperado por outra coisa - não tinha cedido nem um pingo à Malfoy, mas não perderia a oportunidade de jogá-lo nas mãos de outro calouro. Tinha aprendido muito, mas tinha passado por tantas enrascadas e tinham brigado tanto... Aquele era como um trote interminável.

A não ser pelo fato que na tarde seguinte estaria liberada para sempre de ter que lidar com a chateação que era ser parceira de Draco Malfoy.

Ela chegou em casa e aproveitou cada momento de seu longo banho, deixando a água massageá-la e aliviar seus músculos doloridos. Aproveitou bem a toalha felpuda, agradecendo pelo fato que teria mais tempo para ela em breve, e vestiu seu roupão quase com pesar, pois sabia que agora teria dias muito mais tranquilos - muito mais chatos.

Mas não toda noite.

Não aquela noite.

Porque ao abrir a porta do banheiro, Draco estava parado, encostado no batente da porta da sala, olhando-a com o mesmo quase pesar.

"Amanhã você se livra de mim."

"Achei que já tinha me livrado. O que está fazendo aqui?"

"Uma última noite?" Ele perguntou, e havia carência em seus olhos, e ela não pode deixar de aceitar.

"Vista o seu melhor, Ginevra, porque hoje eu vou te levar ao céu."

Ela riu, sem dar atenção, sabendo que era mais uma das cantadas baratas ao qual estava acostumada, mas vestiu-se bem mesmo assim. E com um apertar de botões, eles estavam em outro tempo, outro mundo, outro universo. Mas todos conheciam aquela imagem, e a Torre Eiffel no brilhando antes do horizonte a fez perder o ar.

"Quando estamos?" ela perguntou, controlando o suspiro.

"Século XX" ele respondeu, e a levou mais para frente. Estavam em um terraço, e as luzes da casa abaixo eram avermelhadas. A música começou a tocar, e ela nunca tinha ouvido nada parecido.

"Uma dança" ele falou, e tomou-a pela mão.

Mas aquilo não era dança, e não eram cantadas baratas - ela conhecia o suficiente dos dois. Aquilo era uma sedução nada velada em quatro tempos, girando-a e inclinando-a, quase beijando seu pescoço e afastando-a de si. E, pela primeira vez, Ginny sentiu-se confortável de apenas seguir os passos de Draco, esquecendo-se do perigo, esquecendo-se de que sempre soube que ele era problema.

Era a última noite, e ela podia se dar ao luxo de dançar tango em Paris, pois no dia seguinte, tudo teria acabado.

E ela quis que a manhã nunca chegasse.

E ela quis estar logo livre daquela tentação.

Ela quis dançar até as estrelas cairem do céu, perdida em um estupor de quase-desejo.

(E esqueceu que Draco era uma constelação, e que estrelas queimam, e que o fazem lentamente).