Capitulo 4

O Chá das nove

O barulho escandaloso e irritante do despertador acordou shaoran que dormia mais uma vez sobre a papelada da mesa, levantou o rosto com um deles grudado na bochecha e por fim já despertava zangado. Levantou tirando os óculos e esfregando a face mal humorado dirigindo-se para o banheiro no seu quarto e tomou o banho mais quente daquela semana com a esperança que diminuísse o estress e principalmente o sono.

Enquanto isso em um quarto próximo ao dele, o ambiente claro o delicado fez Sakura acorda com a luz do sol que penetrava a janela de seu aposento aos poucos parecia que os passarinhos cantavam para suavizar a preguiça que ela estava tendo para se levantar, a jovem havia despertado com um ótimo humor, havia dormido tanto e tão bem fora o sentimento de ter um irmãozinho novo que nunca teve. Trocou de roupa e foi pro seu banheiro em seu quarto para se aprontar. Quartos tão próximos, no entanto, quem visse não poderia imaginar que era se quer na mesma casa a personalidade forte de ambos tomavam o próprio ambiente mostrando a distinção entre eles.

Sakura ainda se perdia andando naquela casa, sempre se perguntando o porque de só ela ter que dormir no andar de cima e sua mãe e avó não, se não estivesse tudo arrumado iria insistir para fica junto das duas. Com ajuda das empregas conseguiu chegar a sala de refeições. Era algo até espantoso, além da mesa enorme a quantidade e variedade de alimentos era imenso, afinal ela estava acostumada com o típico café com pão com manteiga e vendo aquela fartura mal acreditou que supostamente seria só para sete pessoas.

_Quem está vindo tomar café da manhã com a gente?_Perguntou ela vendo Fujikata e o Jovem mestre que se sentou no lugar oposto do dela ficando de frente, fitou-a descrençado.

_Graças a Deus ninguém, por quê?_A pergunta saiu tão desinteressada quanto a resposta.

_Com esse tanto de comida... _murmurou ela.

_Oh..._Wang tomou a frente apontando para as comidas de uma parte próxima do Li._ sтª Kinomoto essas mais da ponta perto do Jovem Mestre não possuem açúcar, alguns alimentos parecem repetidos, porém, esses mais de cá não contém e nem são adoçados_ Explicou ele.

_Ah você é diabético?_perguntou ela inocentemente, ele sorrio da expressão assustada dela.

_Não sтª, o Sr. Li não ingere açúcar que não seja natural dos alimentos...

_Por quê?_Agora sua atenção se virou sobre o garoto bebendo suco nem dando moral para conversa deles, fitou ele o mais perto que seu corpo alcançava se aproximar por causa da mesa, isso fez sua curiosidade mudar o foco. Shaoran parecia cansado, zangado, com olheiras e estava com jeito de alguém que desmaiaria a qualquer momento de sono, a menina podia ser desatenta com as coisas em volta, mas possuía uma facilidade inusitada para percepção quando o assunto eram pessoas. O amor se tornaria a única coisa imperceptível as rápidas observações dela, teria que ser algo óbvio pra ela captar. Com isso refez a pergunta sem esperar resposta da outra, geralmente ela nunca esperava mesmo. _ Você está bem?_Seu tom saiu tão suave que por pouco ela e o garoto não foram os únicos que ouviram.

O homem atrás dele o mirou também agora preocupado, não tinha notado isso antes, Shaoran virou o rostos pros dois afastando os olhares deles.

_Estou ótimo!_Falou em um último gole do seu suco amargo de tangerina, ele levantou e ajeitou a roupa_ Lei comporte-se! Não é porque está teoricamente de férias que vai ficar atoa e fazer bagunça, quando eu voltar do trabalho quero no máximo sete palavras novas e não pense que eu esqueci as que você já disse!_ O pequeno fez bico mais não contestou e continuou comendo o bolo de chocolate todo lambuzado.

_Trabalhar?_Questionou a jovem.

_É, sabe é isso que geralmente pessoas normais fazem no dia a dia!_falou em um tom gozador.

_Sim, mais você é uma cria..._Sakura só interrompeu a frase por ter visto Wang fazendo gestos com as mãos para que ela não continuasse, ao olhar em volta viu a cara de temor das serviçais apavoradas "eu disse algo de errado?" se perguntou.

A ira nas orbes esverdeadas daquele garoto mostrou que pelo visto tinha sim dito algo grave, e acabou por entender a causa do susto delas.

_Jovem Mestre vamos, se não nos atrasaremos_chamou Fujitaka sem jeito puxando o menino pelos os ombros levemente, o garoto em um ultimo bufão saiu dali pisando forte.

Sakura ouviu os suspiros aliviados das jovens atrás dela e uma sussurrou para outra "foi por pouco", mas o que diabos estava acontecendo ali? A menina não entendeu absolutamente nada o que realmente ela havia dito de tão grave? O engraçado era que o único despreocupado na mesa era Lei que ligava somente para o bolo enorme que comia.

Depois do café Katarine e Margo acompanharam Sakura até o quarto e lá explicaram sobre a "palavra proibida".

A verdade era que ao falecer o Sr. Liang deixou tudo para Shaoran tomar conta, sendo antes o velho seria presidente da empresa assim o garoto também queria assumir esse cargo o problema era que ninguém aceitou essa possibilidade alegando que ele não era experiente nem inteligente o suficiente para comandar uma empresa daquele porte sozinho. Mas o que ninguém lá dentro sabia é que ele tinha esse direito de assumir caso tivesse uma espécie de responsável com ele, e foi ai que Wang entrou. Ele já era o braço direito do Sr. Li e estava disposto a ser do neto também, Shaoran causou um terror naquela empresa despedindo o maior número de pessoas já registradas, sempre com a desculpa de não ter recebido respeito, ele não ligava para cargo, beleza ou importância que a pessoa tivesse desrespeitado o garoto era rua. Assim os velhos que faziam também parte de lá onde alguns não tinham como ele demitir estavam sempre chamando ele de moleque e pirralho pelas costas. Foi Shaoran criou uma espécie de ódio por qualquer sinônimo que tivesse haver com criança, ser tratado com infantilidade. O que nenhum deles esperava era que o garoto fosse mais inteligente e preparado que a grande maioria dos acionistas, eles esqueceram do fato do o Sr. Liang sempre o carregar para onde fosse com a intenção de ensinar tudo para comandar uma empresa, inclusive sobre direitos, então ele sabia o que podia e não podia fazer lá dentro e eles aceitando ou não a empresa estava subindo de nível cada dia mais.

A menina pensou bastante sobre essa historia e agora entendia o jeito grosseiro dele de agir, ele não tinha tempo para perde conquistando o respeito de todos então criou um ambiente assustador para que o temesse, o medo seria tão útil quanto o respeito, pelo menos na situação dele. Em quatro dias ela resolveu não confrontar Shaoran como antes havia feito, enquanto nenhuma afeição com ele se tornava menor ainda a que tinha com o pequeno só aumentava, já tinha a liberdade de banhá-lo e por ele para dormi, no começo achou que Li não iria gostar, no entanto, ele passava mais tempo fora de casa ou trancafiado no quarto. E a cada dia parecia que estava mais nervoso, e mais estressado e trabalhava cada vez mais.

Em uma noite de sexta Sakura colocou Lei para dormi ainda que seu sono estivesse longe de chegar. "Chá" pensou ela, na sua casa ela sempre fazia um chá bem quente que a fazia dormi como um anjo.

Aquela mansão era mais assustadora de noite que de dias praticamente todas as luzes estavam apagadas, as luzes dos abajures que ficavam nas mesinhas de decoração eram as que ficavam ligadas depois das dez. Desceu e procurou a cozinha, sua luta maior seria encontrar ingredientes naquela imensidão de armários e gavetas. Depois de meia hora encontrou uma erva cidreira e assim fez o chá resolvendo tomá-lo no quarto.

Da ultima vez que havia olhado no relógio marcava onze e meia desceu até a cozinha novamente com a intenção de levar a xícara, mas quando chegou próximo ao fim da escada ela ouviu o som de um piano. A música parecia uma de ninar, ela já tinha ouvido, mas por mais força que fizesse não se lembrava onde.

As notas suaves encantaram Sakura que se sentou na escada fechando os olhos prestando atenção no som calmo que tocava, ela não tinha dúvida, conhecia aquela música de algum lugar. Uma imagem de uma caixinha de música foi a única coisa que sua memória recordou, algumas palavras pareciam querer acompanhar o som do piano, mas ela não soube quais usar. Que estranho sentimento de paz tomava seu coração, em passos leves andou e viu aquela porta da direita que no dia em que chegou estava fechada agora estava entreaberta com uma luz tomando o pouco do salão de entrada.

Espiou por aquela abertura e lá avistou Shaoran de olhos fechados tocando o piano branco, ele também sentia a paz que a música trazia pois aquela expressão zangada não existia no rosto dele, não havia nada além de um jeito calmo e suave de tocar as teclas como se mais sentisse as notas do som do que realmente tê-las decorado em uma partitura. Como alguém tão rude conseguia tocar com tanta leveza e tranqüilidade? Como alguém tão mal conhecia uma música tão bonita? Talvez o problema nunca tivesse sido ele e sim a situação que muitas vezes não lhe eram favoráveis, mas a menina ainda podia ver o cansaço estampado na face dele. Tentou se colocar no lugar dele e se viu sozinha tendo que cuidar do próprio irmão menor com um monte de pessoas loucas para te passar para trás e uma casa e uma empresa para administrar, contando somente com a ajuda de uma pessoa, já que ninguém mais era confiável.

Saiu de fininho quando percebeu que a música parecia estar acabando e voltou para o quarto pensando no que tinha visto, ela não queria ser um estorvo, nem queria deixar que a sua família fosse ao dia seguinte pensaria em uma forma de fazer algo de útil para ele, mas pontos de vista são sempre diferentes.

O dia chegou e passou e Sakura ainda não sabia ao certo o que fazer, depois do jantar voltou a colocar Lei na cama e esperar ele dormi. Quando deu oito e meia, já não tinha nada para fazer, vestiu o pijama para dormi recordando da noite anterior e uma idéia que parecia brilhante na sua mente fez ela levantar e correr até a cozinha.

Chá era a resposta, todo mundo gostar de chá a menina só precisava se lembrar que ele não ingeria açúcar por isso não colocou nada além das ervas, na mente da jovem aquilo seria de grande ajuda, assim Shaoran não dormiria mal e não acordava de mau humor.

Levou com cuidado as canecas, ela não iria ficar sem bateu na porta do quarto dele e sem esperar uma resposta de "entra" entrou lá dentro e riu da expressão zangada de sempre do garoto.

_Você nunca ri?_Perguntou antes de colocar o copo em um espaço pequeno da mesa dele. Ele arqueou uma sobrancelha e fitou a caneca cheirando.

_O que é isso?

_Chá! Tome vai te fazer bem!_Respondeu bebendo o seu.

_Eu não...

_Não tem açúcar!_retrucou antes dele terminar.

_Por disso? Não precisa me bajular se quer dinheiro... _Voltou a mexer no computador, mas logo parou quando a menina começou a rir.

_Dinheiro? Pra que? Eu só trouxe por que você não parece ter dormido esses dias.

_Ta envenenado? Por que meu testamento manda tudo pro meu irmão!_Ela voltou a rir não sabia se ele era paranóico ou se estava curtindo.

_Larga de ser chato garoto! Eu tenho cara de quem faz isso?_Ele não respondeu não confiava em ninguém mesmo, entretanto Sakura não tinha mesmo.

_Eu não quero! Agora leva isso que eu tenho que trabalhar!_A cadeira que a menina estava sentada era daquelas giratórias e ao perceber isso começou a girar feito criança, ignorando ele._Quer parar com isso?

_Você se incomoda com tudo?_Perguntou ela ainda rodando.

_Por mim você pode vomitar no corredor de tanto rodar essa cadeira, mas aqui não!_O jeito que ele sempre falava parecia divertido para ela, era um zangado irônico ou sarcástico. Quando ele viu que a bronca dele não ia dar certo pensou rápido. _ Se eu tomar você vai embora? _Ela parou de rodar e fitou ele que estaca com cara de desistência era tarde demais para começar uma briga com a menina.

_Feito!_Respondeu ela sorrindo. Ele levou a caneca nos lábios Sakura tentou fazer um aceno de aviso mais já era tarde ele havia queimado a boca no primeiro gole.

_Tá quente!_Gritou Jovem Mestre, enquanto a menina quase chorava de tanto rir.

_Claro que está! É Chá... _falou entre um sorriso e outro.

_Hora e não podia ter me avisado?_Tapou a boca.

_Eu pensei que você soubesse geralmente pessoas normais sabem... _Falou no mesmo tom curtidor que um dia ele usou.

_Ha Ha Ha_ Fingiu uma risada _No contrato não dizia que os Kinomoto eram comediantes e vingativos... _Ele tinha achado engraçado a expressão zangada dele havia suavizado, mas Sakura ainda sorria.

_Eu não sou vingativa, você que ficou de má vontade. _Sossegou pegando um dos papeis na mesa, que foi logo tomado por ele.

_Não seja enxerida, isso aqui não é da sua conta. _Ele voltou a pegar a caneca e ficou assoprando.

_O que são essas coisas que você tanto faz?

_Contas, registros, avalio merchandising, se tem alguém pegando o que não devia enfim praticamente tudo. _ Explicou ele.

_Deve ser um saco...

_Em alguns pontos, mas eu mando o Wang resolver os que eu não tenho cabeça _Disse num ar vitorioso.

_Coitado... _ ele deu um sorriso modesto para ela.

_Acredite ele ganha bem para fazer isso. _concluiu.

Ela queria muito perguntar da música que ele havia tocado, só que ficou envergonhada de dizer que tinha espiado o garoto. Observou o ambiente, estranho não parecia tão assustador quando na primeira vez que tinha entrado assim como o dono a aparência assustadora dele tinha sumido enquanto tomava em um só gole o chá da menina. Colocou a caneca na mesa depois e não disse ainda que ela esperasse um "agora já pode ir". Mas ela não estorvaria mais, pegou o copo e se levantou.

_Viu não tinha nada de mais!_ Ele soltou um sorriso largo fingido e infantil, fazendo ela ri. _Boa noite Shaoran, amanhã se lembre de assoprar... _dirigiu se para a porta enquanto ele a fitava espantado.

_Que historia e essa de amanhã? Nem pense nisso!_Ela sorriu e saiu fechando a porta._ Se fizer isso eu tranco a porta!_gritou ele.

No dia seguinte ele não tinha trancado, nem no próximo e não iria tranca, era interessante conversar com ela, vê-la dizer coisas sem sentido, fazer coisas inesperadas e estar sempre apta a derrubar algo lá dentro, usar o sarcasmo dele contra o próprio. O que era para ser somente um agrado acabou virando rotina, um hobby, um consenso entre eles mostrando que as diferenças nem eram tão grandes e pelo contrario era aceitável. O preto e o branco podiam ser cores opostas, mas combinavam sempre um com o outro e não se sabe se era o chá ou a companhia, no entanto, estava deixando ele mais calmo e ela mais confiante de que a sorte podia no momento estar do seu lado.


Qual musica Shaoran esta tocando? Kobato- Ashita kuru hi piano

para quem quizer conferir

wwwyoutube

.com/watch?v=rtANk0XADhg

agradeço aos reviews =*

t+