Olá pessoal ! Primeiro quero pedir que, por favor, deixem reviews ! Preciso saber se meu trabalho está bom ou não e apenas os reviews podem me dizer isto. Aceito críticas construtivas com muito prazer ! Bem, quero que aproveitem a leitura !
Kagome
estava tendo um sonho inquieto.
Uma sacerdotisa está
parada num vilarejo. "Eu já tive este sonho antes." Kagome
consegue perceber. A mulher carrega consigo um grande arco, uma
aljava e um objeto estranho, que Kagome agora identifica como uma
bolinha de vidro. Estava distraída e parecia muito feliz.
Subitamente, um rapaz de cabelos prateados e olhos dourados, vestindo
um kimono vermelho, e com curiosas orelhas animais posicionadas no
alto da cabeça, o que novamente chamou a atenção
de Kagome, se aproxima das costas da mulher. Kagome tenta avisar a
mulher, mas não consegue se mexer. O rapaz atacou a
sacerdotisa, rasgando-lhe o ombro. Ela caiu e ele parecia radiante ao
ter nas mãos o objeto que a mulher carregava. Ele foi embora
rapidamente e a mulher ficou caída, mas, com um esforço
sobre-humano, conseguiu levantar-se e seguir o rapaz. A mulher
parecia extremamente furiosa e decepcionada.
Há um corte
brusco na cena. A mesma mulher agora está perseguindo o rapaz,
mas não possui nenhum ferimento. O rapaz parece não
entender o motivo de estar sendo atacado daquela maneira e parece
confuso. Ele corre em direção ao vilarejo e a mulher
desaparece. Ele entra num templo, pega a mesma bolinha de vidro que
Kagome vira com a mulher anteriormente e sai. A mulher, agora com o
ferimento que Kagome vira, retesa o arco e mira. Grita o nome do
rapaz, mas Kagome não consegue ouví-lo. O rapaz olha
para trás e ela atira, prendendo-o numa árvore. Morre
em seguida. A bolinha de vidro é queimada junto com seu
corpo.
Há outro corte. Uma risada maligna ecoa na mente de
Kagome. Aos poucos, uma imagem começa a se formar. É um
homem vestido de babuíno que ri. A imagem do rapaz, quando
atacou a sacerdotisa, e a imagem da sacerdotisa, quando atacou o
rapaz e este ficou confuso giram ao redor do homem. Kagome sente uma
aflição muito grande.
A garota acorda. Estava
completamente suada. Ainda faltava meia hora para que o despertador
tocasse, mas ela não conseguiria mais dormir. Desligou-o e
ficou pensando.
"Por que aquelas imagens ficavam ao redor
daquele homem É estranho... Aquele rapaz parecia
verdadeiramente surpreso quando a sacerdotisa veio atacá-lo.
Mas, principalmente, há dois erros : se o rapaz havia tirado a
bolinha de vidro da mulher, como é que ele depois foi roubá-la
? E, se a mulher havia sido ferida, como ela estava plenamente curada
quando atacou o rapaz da primeira vez ? A não ser
que..."
Kagome refletiu um pouco. De repente, tudo pareceu muito
óbvio em sua mente.
"É claro ! Aquele homem
vestido de babuíno era, na verdade, o rapaz que atacou a
mulher e, depois, a mulher que atacou o garoto primeiro, antes dele
roubar a bolinha de vidro ! Ele fez esta intriga toda apenas para que
eles se matassem ! Que cruel e desumano ! Se eu encontrasse um homem
assim, certamente o mataria."
Kagome despertou um pouco de seus
pensamentos e foi se aprontar para ir ao colégio. Rapidamente
seus pensamentos saíram do sonho e chegaram a Trunks. Queria
estar perto dele todo o tempo. Tinha inveja de Arashi no fato de que
o amado dela estudasse na mesma classe, assim poderia vê-lo por
mais tempo – não a invejaria no resto, pois Kurama não
parecia ter interesse na garota.
Demorou mais tempo no percurso
para ir ao colégio. Ficou admirando a cidade enquanto ia de
bicicleta e acabou chegando em cima da hora. Entrou na sala e sorriu.
Arashi e Kurama conversavam animadamente próximos a janela.
Colocou suas coisas silenciosamente, mas eles perceberam sua
chegada.
- Ohayô, Kagome-chan ! – Arashi deu sorriso.
-
Ohayô ! – Kagome respondeu.
- Vocês estavam tendo
uma conversa muito animada ! Falavam sobre o que ?
- Ah, estávamos
conversando sobre filmes. – Kurama respondeu.
- Não sabia
que gostavam tanto assim disso...
- Bom dia ! – entra na classe
uma mulher loira, com cabelos presos num coque, e de óculos. –
Melhor seria, good morning, class ! We have music class today
!
Enquanto se sentavam, Kagome perguntou.
- Qual a música,
sensei ?
- Em inglês, please, srta. Higurashi. A
música é Iris, do Goo Goo Dolls.
Arashi deu um
imenso sorriso a Kurama, que retribuiu. Mas a garota notou que ele
ficara estranho novamente quando ouvira o nome da música.
-
Mas antes de começarmos, gastaria de lhes perguntar onde se
encontra a srta. Kaiou. Ela raramente falta e percebo que ela não
está aqui agora.
A sala fica em silêncio. Kagome e
Arashi se entreolham rapidamente.
- Bem, já que ninguém
pode me informar, srta. Higurashi, você pode levar as lições
para ela, please ?
- Claro. – Kagome aceitou, mas sabia
que seria impossível cruzar com Michiru depois do ocorrido.
O
dia transcorreu normalmente. No fim das aulas, no meio da tarde,
Kagome pergunta.
- Arashi, você quer ir almoçar lá
em casa ? Acho que você não tem comido direito...
-
Bem, eu estava pensando em ir estudar na sua casa, Arashi. Assim,
posso te ajudar com o almoço. – Kurama sorriu.
Por
aquela, Arashi não esperava. Kurama estava se convidando para
ir a sua casa ? Kagome não conseguia disfarçar o
sorriso.
- Tudo bem, Kurama. – Arashi respondeu.
Kagome
seguiu em direção oposta, indo para casa. Arashi e
Kurama foram caminhando tranqüilamente. Em um determinado ponto
do trajeto, Kurama segurou a ao de Arashi. Eles estavam andando de
mãos dadas, o que fez Arashi corar. Kurama sentiu a mão
fria de Arashi e sorriu.
Depois de algum tempo, chegaram a prédio
de Arashi. Subiram as escadas. Arashi morava no terceiro andar.
Kurama nunca havia entrado no apartamento da garota, então se
impressionou com o que viu. O apartamento era médio,
diferentemente do que ele imaginava, de uma decoração
muito simples e, ao mesmo tempo, muito bonita. As paredes eram
brancas e os móveis eram de madeira amarela. De frente para a
porta havia um corredor que dava em quatro lugares : a primeira
porta, do lado esquerdo de quem entra no apartamento, dava na sala de
estar e na copa; a segunda, do lado direito, dava no banheiro; a
terceira, também à direita, dava no quarto de Arashi; a
última, dava no antigo quarto da mãe da garota.
Kurama
entrou na sala de estar, deixando seus livros no sofá e se
sentou à mesa, na copa.
- Eu vou me trocar no quarto, fique
à vontade. Se você quiser trocar de roupa, posso te
emprestar alguma roupa do meu irmão, que ele deixou aqui.
-
Não precisa, Arashi. Trouxe uma roupa comigo.
- Então
pode usar o banheiro, não tem problema Volto logo.
Arashi
saiu. Kurama se levantou, foi até o sofá e abriu sua
pasta. Realmente havia uma roupa lá. Pegou-a e foi em direção
ao banheiro, quando deteve-se num porta-retrato. Arashi sorria, ao
lado de um garoto de cabelos castanhos e olhos azuis – num tom
facilmente confundível com o castanho – que parecia bem mais
novo que a menina. Atrás deles havia uma mulher muito parecida
com Arashi. Sorriu e foi até o banheiro. Trocou-se rapidamente
e voltou para a copa. Arashi ainda não havia voltado.
Depois
de uns cinco minutos, Arashi apareceu na porta. Kurama ficou um tanto
impressionado. Ela vestia uma espécie de kimono azul marinho
folgado, onde as laterais não ficavam nos ombros, mas no meio
do braço. Tinha os cabelos presos num coque, apenas a franja e
algumas mechas que não se prenderam tocavam o rosto da
garota.
- Desculpe a demora, é que esta foi a única
roupa que achei com as mangas mais curtas e que eu possa sujar à
vontade.
- Não precisa se desculpar. Você ficou muito
bonita com esta roupa. Parece um anjo.
Arashi corou. Sentia que o
olhar de Kurama estava diferente. Um ar meio nostálgico,
melancólico e ao mesmo tempo sedutor. Resolveu quebrar aquele
silêncio.
- O que você quer comer ?
Kurama pareceu
pensar muito antes de responder. Fechou os olhos, sorriu
gentilmente.
- Apenas o que você quiser.
- Ah, Kurama, se
toda vez que eu te perguntar o que você quer comer você
me der esta resposta, não vai ter graça.
- Tá,
então que tal um macarrão ? – Kurama estava rindo –
É o prato mais prático que consigo pensar...
- O
mais prático seria macarrão instantâneo, mas
vamos fazer macarrão normal mesmo.
Arashi se virou e
começou a encher uma panela com água. Kurama a
observava atentamente.
- Ei, venha me ajudar, Kurama !
Kurama
pareceu despertar de um transe. Sorriu e foi até a cozinha,
preparar o macarrão.
Trunks
estava apressado. Corria por entre as ruas de Tokyo, esbarrando em
muitas pessoas. Teve vontade de colocar uma placa com os dizeres
"Desculpe-me, tenho pressa.", mas ele ainda tinha senso de
ridículo. Estaria voando se não fosse assustar toda
aquela gente.
Estava correndo por causa de sua mãe. Ela lhe
pedira para ir buscar uns papéis importantes numa firma ali
perto. "Tinha que ser a minha mãe... Eu até que
estaria de carro, mas a quantidade de retornos que iria tomar para
chegar neste lugar, apesar de tão perto, não
compensaria... Que saco !". Chegou apressado, pegou os papéis
e voltou correndo. Entregou os papéis à mãe que,
vendo o olhar do filho, deduziu que ele ia para casa mais cedo.
Acertou.
Trunks entrou no carro e foi para casa. Tinha saudades de
Kagome. Passou o trajeto inteiro pensando em encontrá-la à
noite, para conversarem. E pra ele sentir aqueles lábios
quentes novamente. Chegou e foi tomar um banho. Quando saiu, olhou-se
no espelho e teve um espasmo de terror.
"O colar ! O colar que
Kagome me deu ! Ele não está no meu pescoço !".
Começou a procurá-lo entre suas roupas. Em vão.
"Devo tê-lo perdido quando trombei com aquelas pessoas...
Preciso achá-lo rápido, ou Kagome me matará"
Trunks
se trocou e ficou pensando num jeito de reaver o colar.
Arashi
e Kurama estavam almoçando.
- O molho que você fez
ficou ótimo, Kurama.
- Então estava duvidando dos
meus dotes culinários, Arashi ? Saiba que cozinho melhor que
muitas garotas.
- Acredito, acredito. – Eles riram – Agora
espere aí enquanto lavo os pratos.
Ela se levantou.
Recolheu os pratos e os levou até a pia. Lavava-os sob os
olhares atentos de Kurama. Quando terminou de lavar, molhou o rosto e
pegou uma toalha para secá-lo. Quando colocou a toalha em cima
do balcão, sentiu dois braços em sua cintura. Kurama
colara seu corpo no dela. Ela corou violentamente. Kurama virou a
garota e viu suas faces rubras. Seu olhar era misterioso e isso
atraía Arashi.
Kurama foi se aproximando lentamente. Quando
seus lábios quase se tocaram, ele sussurrou :
- Meu
anjo...
Tocou seus lábios nos dela. Arashi mal
conseguia acreditar, seu coração quase parou de bater.
A língua de Kurama pediu passagem, e ela deixou. Kurama
explorou-lhe toda a boca e ela foi acometida de uma submissão
que nunca antes pensara ter. Quando Kurama permitiu, ela explorou a
boca dele. Ficaram assim por um tempo, travando uma guerra em que
ninguém queria vencer.
Kurama soltou a boca da jovem e
passou a sugar o lóbulo de sua orelha. Arashi passou os braços
pelo pescoço dele e acariciava-lhe a nuca. Kurama desceu para
o pescoço, mordendo aquela pele alva até torná-la
vermelha. Arashi gostava.
Kurama passou as mãos pelos
cabelos da garota, soltando-os. Eles caíram meio bagunçados,
dando a ela um ar sensual. Ela começou a desabotoar a camisa
de Kurama, enquanto ele recomeçara a beijar seu colo,
arranhando seus ombros. Os dois começaram a caminhar
lentamente em direção ao corredor.
Arashi beijava o
pescoço de Kurama ao mesmo tempo em que alisava o tronco dele.
Ele dava pequenos apertos na cintura dela quando ela acertava os
locais que ele mais gostava. As mãos dele deslizaram para as
costas do kimono, onde havia a faixa que o prendia e procurou
desamarrá-la. Estavam na porta do quarto de Arashi quando ele
conseguiu. Eles entraram e ele trancou a porta.
Kagome
voltava para casa. Tinha esperanças de que Arashi e Kurama se
acertassem. Seria uma ótima oportunidade, afinal ela morava
só. Deixou de pensar neles para pensar em si. Fazia tempo que
não se dedicava à família, desde que aquela
história começara. Tinha saudades de brigar com seu
irmão. Afinal, se os irmãos brigam é sinal que
tudo vai bem na família.
Foi subindo as escadarias do
templo com calma. Agora pensava em Trunks. Ainda não
acreditava que era namorada dele. Logo ele que, no começo, só
tinha olhos para Arashi ! Tinha curiosidade de saber há quanto
tempo ele a amava, mas ainda não o havia perguntado. Talvez à
noite, quando ele viesse vê-la. Então ela estremeceu.
Ouviu um grito. Um grito de criança. Mais precisamente, um
grito de seu irmão. Correu e não acreditou no
que viu.
Michiru, com umas vestes esquisitas parecidas uma
fantasia de marinheiro, atacava Souta. A criança tentava se
esquivar, mas parecia que desta vez ia levar o ataque. Ele estava
encurralado na árvore sagrada.
- Pare já com isso,
Michiru !
Ela olhou para Kagome, mas ignorou o pedido.
-
Maremoto de Netuno ! – Uma bola saiu das mãos de Michiru e
foi em direção a Souta.
Na verdade, a bola se
transformou numa rajada fortíssima de água. Kagome
correu e empurrou Souta, recebendo todo o ataque. Bateu com as costas
na árvore sagrada e não conseguia se levantar.
-
Irmã, você está bem ? – Souta perguntava,
preocupado.
- Vá embora daqui, Souta ! Mas, antes, faça
um favor : entre e pegue meu arco e algumas flechas. Vá rápido
! – Kagome mandou e o irmão obedeceu. Michiru ria.
- Sua
idiota ! Não precisava ter ficado na frente, apenas queria ver
se seu irmão estava com o amuleto.
- Michiru, por favor,
pare com isso. Você não é assim !
- Não
sou assim ? Quem é você para dizer isto ? – Michiru
preparou um novo ataque – Maremoto de Netuno !
Kagome só
teve tempo de rolar. Estava deitada no chão, toda suja.
Michiru ria. Souta veio correndo entregar o arco à irmã
com três flechas.
- Vá embora, Souta ! Rápido
! – Ele obedeceu.
Kagome se esforçou como pôde para
ficar de pé. Retesou o arco com uma flecha e mirou.
-
Interessante... Quer disparar contra mim ? Você não
seria capaz, minha cara.
- Michiru, por favor, não vê
que está errada ! Ainda é tempo de voltar !
- Minha
cara, você é mesmo muito estúpida. Não
percebe que tudo não passou de representação ?
Aquela não era eu, apenas um papel que interpretava para obter
algumas informações. Depois vocês se tornaram
inúteis, mas pelo menos podia detectar meu inimigo. Embora eu
saiba que existe uma pessoa entre o grupo de vocês que não
consegui descobrir quem é.
- É verdade... Você
não é a Michiru que eu conheci. A Michiru que eu
conheci morreu naquela apresentação de violino.
Prepare-se !
- Você teria coragem de disparar este seu
brinquedinho ridículo ? – Michiru riu.
Kagome disparou. A
flecha atingiu o rosto de Michiru, de raspão.
- Maldita !
Maremoto de Netuno !
Kagome desta vez não conseguiu correr
e levou o ataque em cheio. Bateu novamente e caiu sentada no chão.
Segurava o arco e as duas flechas restantes firmemente, mas parecia
desmaiada. Michiru veio se aproximando.
- Você até
que morreu rápido para uma pessoa com tanto poder
interno...
Foi então que Kagome, surpreendendo Michiru,
retesou o arco e atirou, quase que sem mirar. Atingiu a barriga de
Michiru em cheio. Michiru cambaleou para trás e Kagome se
levantou. Apoiava-se no arco para andar. Michiru urrava de dor, mas
andava junto, fazendo com que as duas andassem em círculos,
invertendo as posições.
- Michiru, apesar de tudo,
não quero matá-la. Pare !
Michiru respondeu ao
pedido preparando mais um ataque. Kagome sabia que não
suportaria receber mais um daqueles e pegou o arco.
-
Desculpe-me... – lágrimas escorriam dos olhos de
Kagome. Ela atirou.
A flecha atingiu o coração de
Michiru numa força tal que a empurrou contra a árvore
sagrada. Se Kagome tivesse demorado mais um segundo, Michiru teria
lançado o ataque. Michiru olhava para ela.
- Isso tudo...
Está parecendo o meu sonho... – Kagome falava.
- Você
não muda mesmo... Sempre burrinha... – Michiru olhou uma
última vez para Kagome e fechou os olhos.
Kagome olhou para
a garota morta na árvore e chorou. Desabou sobre seus pés,
não agüentava mais ficar de pé. Chorava
violentamente e não parava de sussurrar "Desculpe-me,
Michiru-chan.".
Passos foram ouvidos. Kagome procurava ver
de onde eles vinham. Subiram as escadas três pessoas : Eriol,
Trunks e um homem que Kagome na conhecia. Trunks, ao ver o estado da
garota, veio correndo abraçá-la. O homem desconhecido
rumou até o corpo de Michiru e o desprendeu, colocando-a no
colo.
- Kagome, tenha calma. – Eriol falava.
- Calma ? Você
me pede para ter calma ? Eu acabei de matar uma amiga e você
apenas me diz "calma" ? – Kagome tinha raiva, mas não de
Eriol. Tinha raiva de si pelo que tinha feito.
Trunks a apertou
junto ao peito. Teve tanto medo de perdê-la que não
conseguia mais soltá-la.
- Não se preocupe, Kagome.
– o homem desconhecido começou a falar. Tinha uma voz
diferente, meio doce. – Michiru sabia que poderia morrer e tenho
certeza de que não tem raiva de você.
- Quem é
você ?
- Sou Haruka Tenou, namorada de Michiru. – Afinal,
era uma mulher !
- Ela veio aqui levar o corpo de Michiru.
Sentimos que ela estava morta há pouco, quando cruzamos com
ela. Não é nossa inimiga, não se preocupe. –
Eriol explicou.
- Tome muito cuidado, Kagome. E eu não
tenho raiva de você. Isso tinha que acontecer. Já
estava escrito...
Haruka foi embora. Eriol também.
-
Minha Kagome, não foi culpa sua. Foi culpa da Michiru, ela que
escolheu morrer. Não fique assim... – ele beijou a testa da
garota e a colocou nos braços. Kagome não tinha forças
para andar.
Souta abriu a porta de casa e Trunks entrou com
Kagome. Colocou-a sentada numa cadeira.
- Souta, você
poderia pegar uma toalha ?
Souta fez que sim com a cabeça e
foi. Kagome tremia de frio, estava toda molhada por conta dos ataques
de Michiru. Souta entregou a toalha a Trunks e foi fazer um chá.
Trunks começou a enxugar os cabelos de Kagome, que apenas
observava e chorava.
Souta serviu o chá quente e Trunks
praticamente obrigou Kagome a bebê-lo. Alisava a mão
dela, confortando-a. Quando terminou de tomar o chá ela se
animou a falar.
- Trunks... Eu tive tanto medo...
- Eu também
tive. Tive medo de chegar e te encontrar morta. Estava desesperado !
Mas ao devemos falar deste assunto. – ele puxou a cabeça da
garota para seu ombro.
Ficaram assim por um tempo, até que
Kagome deu um selinho no namorado.
- Obrigada, meu amor. Se não
fosse você, não sei o que teria feito.
Trunks deu um
abraço apertado na garota e falou baixinho, em seu ouvido.
-
Agora suba e vá trocar de roupa. Não quero que você
fique gripada. Você precisa descansar, então depois
subirei e farei você dormir.
Kagome sorriu e obedeceu.
Trunks esperou que ela terminasse para entrar em seu quarto. Afagou
os cabelos da garota e sussurrou em seu ouvido :
- Quero fazer de
você a minha esposa depois deste tormento.
Kagome sorriu e
recomeçou a chorar.
- Não, por favor, não
recomece a chorar ! – Trunks falava todo atrapalhado.
- Eu estou
chorando de felicidade agora, seu bobinho !
- Então você
quer ?
- Mas é claro que sim !
Trunks sorriu e a beijou.
E afagou seus cabelos até ela dormir.
Chizuru
estava sentada. A porta abriu e fechou. O mesmo homem entrou e se
sentou na poltrona a seu lado.
- Demorou hoje, meu caro.
-
Precisei fazer uma coisa. – ele sorriu. Chizuru não sabia o
que era, mas sentiu que era algo importante.
- Posso continuar a
minha história ?
- Deve...
- Bem, eu encontrei o tal
youkai e o encurralei, como havia dito. Mas foi aí que um fato
interessante aconteceu : eu perdi a vontade de prendê-lo. E ele
perdeu a vontade de fugir. Quando nos encontrávamos,
acabávamos conversando muito. E isso se repetiu por mais seis
meses. Apaixonamo-nos.
- Engraçado... Acabei de comprovar
que os opostos se atraem !
- Engraçadinho... – Chizuru
sorriu – Então mandaram me chamar. Estranharam a demora e eu
não tinha como mentir.
- Não tinha e nem podia,
minha cara.
- Sim, você está certo. Então
tomei uma decisão em conjunto com meu youkai : eu perderia a
minha essência e tudo poderia se resolver. Ah, você não
sabe como foi difícil dizer isso ao meu irmão ! Ele
teve espasmos de ódio.
- Ódio ? Não pensei
que...
- ...Pensou errado, meu caro. Era ódio. Mas não
de mim. Perguntava-me se eu tinha certeza e, quando se convenceu de
que era realmente aquilo que eu queria, ele mesmo fez questão
de extrair a minha essência. Olhou-me nos olhos com profunda
tristeza e me disse para nunca mais procurá-lo, ele havia
acabado de perder sua única irmã. Não sabes como
chorei...
- Imagino, você sempre foi muito piegas.
- Sou
obrigada a concordar. Então, quando fui atrás de meu
amado para enfim ficarmos juntos, aconteceu algo terrível. Ele
não me escutara e se aventurara a roubar mais um artefato
mágico. Só que desta vez não teve sucesso.
Encontreio-o morto, com uma flecha no coração.
-
Isso foi há 17 anos...
- Sim, isto foi há 17 anos no
mundo das trevas. Há uma diferença temporal entre o
mundo das trevas e o mundo dos homens. Na prática, isto foi há
mais de 500 anos no mundo dos homens.
- E por que existe esta
diferença ?
- Naquela época, não havia
barreiras entre os dois mundos. Mas, depois disso tudo, o mundo
espiritual resolveu fechar a barreira. Muitos youkais, como eu,
voltaram para o mundo das trevas. Alguns poucos ficaram. E acabou
surgindo esta diferença temporal devido à falta de
cuidado daqueles que criaram a barreira entre os dois mundos.
Um
momento de silêncio se seguiu. De repente, um grande poder
espiritual pode ser sentido. Chizuru fez uma careta.
- Esse poder
é... – o homem refletia.
- Eu não consigo
acreditar ! Só pode ser ! – Chizuru exclamava, atordoada –
Kotoko !
A persocom apareceu.
- Mostre de onde vem este poder
espiritual ! Agora !
Kotoko se conectou à televisão.
Depois de um tempo, uma imagem apareceu. Kagome retesava o arco e
atirava, chorando. A flecha atingia o coração de
Michiru.
- Já foi o suficiente. Pode ir, Kotoko.
- Sim,
mestra.
Kotoko foi embora. Chizuru enterrou o rosto nas mãos
e começou a chorar. O homem começou a admirar aquela
cena, encantado. Aproximou-se de Chizuru e levantou seu rosto pelo
queixo. Olhava-a, encantado.
- Não sabia que era tão
lindo ver um anjo chorar...
- Meu amigo ! – Chizuru o abraçou,
chorando.
O homem sentiu aquele abraço e não
resistiu. Olhou para Chizuru e tocou os lábios dela com os
seus.
- Isto não está certo, meu amigo. Eu não
amo a ti e tu não amas a mim...
- Não sabia que você
era tão pleonástica... Deveria ter adivinhado isso...
-
Não brinques... – Chizuru se afastou. O homem sorriu.
-
Foi apenas um gesto amigo, você sabe. – o homem disse,
afagando-lhe os cabelos.
Chizuru não resistiu e repousou a
cabeça no colo do rapaz, chorando convulsivamente.
Arashi
e Kurama estavam dormindo no quarto da garota. Ela o abraçava
com suas pernas e braços, repousando a cabeça no tronco
do rapaz. Por volta do fim da tarde, ambos se acordaram com um
sobressalto.
- Você sentiu este poder espiritual, Kurama ? –
Arashi perguntou, cobrindo seu corpo com as cobertas.
Kurama
estava pálido. Muito pálido. Olhou bem para a garota e
murmurou um "sim" tão baixo que ela mal ouvira.
Preocupou-se. Mas precisava ligar para alguém primeiro.
Colocou a mão no criado-mudo e tirou um telefone. Discou.
-
Alô ? Arashi ?
- Eriol ! Onde você está
?
- Estou indo até a casa de Kagome.
As pernas de
Arashi tremeram.
- De quem era o poder que acabamos de sentir ?
-
Era de Kagome. Mas como assim, acabamos ?
- Kurama está
aqui. – Arashi sentiu seu rosto corar – O que aconteceu ?
-
Kagome matou Michiru com uma flecha no coração.
-
O quê !
- Preciso desligar.
Arashi emudeceu.
-
O que aconteceu ? – Kurama estava voltando ao normal, mas ainda
estava muito pálido.
- Kagome matou Michiru com uma flecha
no coração.
Ela viu as pupilas de Kurama diminuírem
e ele ficar cada vez mais pálido.
- Você está
bem, meu amor ? – Arashi segurou a cabeça de Kurama, que
estremeceu quando ouviu estas palavras.
- Sim.
Ela o beijou
delicadamente.
- Preciso tomar um banho. Tome um também. –
Kurama fez uma cara meio esquisita – Use o banheiro do corredor,
vou ao do antigo quarto da minha mãe.
E saiu.
Kurama
parecia tentar se acalmar, sentado na cama. Sua respiração
estava descompassada, milhares de coisas vinham e iam de sua mente.
Depois de algum tempo, foi relaxando. Levantou-se e foi ao banheiro
indicado.
Arashi estava muito preocupada. Primeiro com Kagome, que
devia estar arrasada depois do que aconteceu. Depois com Kurama, que
parecia muito perturbado. Não conseguia entender, mas, ao
invés de sentir Kurama cada vez mais próximo dela, ela
o sentia cada vez mais distante. Era como se a intimidade física
os afastasse, não unisse. Mas ela precisava daqueles beijos,
principalmente depois de prová-los. Faria o que necessário
fosse para que ele a continuasse chamando de meu anjo.
Saiu
vestida com uma saia simples e uma camiseta. Encontrou Kurama em pé,
com a toalha ao redor do pescoço, com seus cabelos cor de
sangue molhados caindo sobre a blusa branca que estava usando antes.
Olhava a janela, distraído. Ela chegou bem próxima ao
ouvido dele, pronta para dar um susto, quando ele a agarrou pela
cintura. Ela foi quem tomou o susto, que foi abafado com um beijo.
-
Nem pense em me assustar, mocinha.
Arashi sorriu.
- Somos
namorados de verdade agora... Acho que tenho direito a mais beijos
como uma indenização pelos dias de fingimento...
-
Muito espertinha, a senhorita !
Kurama riu, mas fez o que a garota
pediu.
- Agora preciso ir, Arashi. Tenho umas coisas para
resolver...
- Que peninha...
Despediram-se. Arashi fechou a
porta sentindo-se a mulher mais feliz do mundo.
Kurama
entrou na biblioteca de Eriol.
- Kurama ! Muito bom você ter
vindo aqui ! Que história é essa de você estar na
casa da Arashi ?
- Qual o problema ? Somos namorados...
- Deixe
de besteiras, meu rapaz ! Não foi você que disse que
tudo não passava de fingimento ?
- Ah, Clow, qual o
problema em tentar ?
- O problema, meu amigo, é que agora
que você já encontrou quem procurava, pensei que não
teria tempo para estas coisas.
- Muito pelo contrário. Você
não sabe o quanto torci para que não fosse esta maldita
pessoa. Agora que sei que é ela, apenas me estimulo mais a
tentar.
- Kurama... Se você fizer algum mal àquelas
garotas...
- Não me olhe assim, Clow. Kagome já
descobriu a verdade ?
- Ainda não. Não sei como ela
não enxerga o óbvio.
- Era isso que eu precisava
saber. Tchau !
Kurama se foi. Eriol o observou.
- Não
cometa o mesmo erro duas vezes, Kurama...
Comentários
finais da autora : este ficou bem curto, né ?É que
depois do capítulo "Melodia Demoníaca", não
dava pra escrever nada gigante... A fic já deve estar pelo
fim, acho que tem, no máximo, mais dois ou três
capítulos...
Quanto à roupa da Arashi, quando ela se
troca em casa, eu imaginei algo como a Yumi, de Rurouni Kenshin, usa,
mas sem as mangas compridas. Mudei apenas a cor da roupa. A manga da
roupa de Arashi deve ir no cotovelo ou um pouco do início do
antebraço, ou seja, muito pequena se percebermos que a manga
se inicia na metade do braço. Eu me inspirei tanto na Yumi,
que fica com um ar desleixadamente provocante com a roupa, quanto num
wallpaper da Chii, de Chobits, que está no meu desktop. A
roupa da Chii é decididamente mais provocante e a deixa com um
ar muito sexy, algo que eu queria que Arashi emanasse.
Bem, a
explicação sobre a distorção do tempo
entre o mundo dos homens e o mundo nas trevas não existe
originalmente em Yu Yu Hakusho. Foi apenas uma adaptação
minha. E, mais uma vez, digo que, à exceção de
Chizuru, o restante dos personagens não são meus, etc.
