FALTOU DIZER EU TE AMO
CAPÍTULO 4: Inimigos e aliados
Era tarde da noite quando Botan abriu os olhos, ela estava com a cabeça apoiada sobre o peito de Kurama, sentia sua respiração lenta e ritmada, bem como os batimentos cardíacos. Ele estava imerso em um sono profundo.
Ela levantou o olhar para melhor admirá-lo adormecido. Tinha uma expressão serena, tranquila e inocente até em seu rosto, onde se podia perceber que os lábios se inclinavam em um pequeno sorriso.
Ele havia dito que iria se casar com ela. Que precisava dela...Se fosse em outra ocasião estaria exultante de alegria, mas em nenhum momento, nem quando estavam entregues ao ato sexual, ele disse que a amava. A preocupação dele a comovia, mas sabia que era por causa do bebê.
Suspirou desanimada. Embora o amasse, não poderia se casar com Kurama sabendo que esse sentimento não poderia ser recíproco. Claro que havia a atração física, mas um casamento envolve muito mais do que a cama.
Com cuidado, tentou levantar sem despertá-lo, mas ele a abraçou com mais força, mantendo-a mais perto de si, emitindo um som de protesto. Mas mesmo assim, ela conseguiu se desvencilhar dele e levantou-se. Tateando o chão, Botan vestiu a primeira peça de roupa que encontrou, a camisa de Kurama e a vestiu. Foi para a cozinha, estava faminta!
Caminhou pelas dependências imaginando como seria morar ali, esperando que ele voltasse do trabalho todos os dias, com o filho deles. Um sorriso se formou em seus lábios pensando nisso, e alisou o ventre. Como seria essa criança? Com quem ela mais iria se parecer?
De dentro da geladeira, retirou um pote com morangos e começou a come-los, sentada encostando-se na mesa. Seus pensamentos estavam longe.
—Que visão tentadora!
Era Kurama parado à porta da cozinha, usando apenas uma calça de pijamas, de peito nu e descalço. Botan imaginou se havia alguma possibilidade do Youko ser mais sensual ainda.
—Desculpa se invadi sua geladeira, estava faminta!
—A casa é sua também. Precisa se alimentar. -ele se aproxima e pega um dos morangos, comendo-o. -Precisa de todas as forças...para o resto da noite.
—Kurama...acho que isso não está certo.
—O que não estaria certo? -ele falava ao mesmo tempo em que a envolvia em seus braços e beijava eu pescoço.
—Pare com isso... -ela murmurou, arrepiada.
—Parar com o que? -perguntou, passando a mão por sua coxa, mordiscando sua orelha.
—Com isso...
Ele a calou com um beijo ardente e apaixonado, e, foi correspondido com a mesma intensidade. E sobre a mesa da cozinha voltaram a amar.
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Naquele momento, Hiei procurava pelas ruas da cidade qualquer pista sobre Kuroi. Saltava de telhado em telhado com incrível agilidade e velocidade, de repente parou ao sentir uma energia estranha.
—Hunf! Ele nem sequer se dá mais o trabalho de tentar esconder sua energia sinistra. -sorriu. -Ele quer uma briga? Vai ter uma.
Com alguns saltos, Hiei alcança seu objetivo. Avista Kuroi em um prédio, com as mãos nos bolsos e um sorriso divertido em seu rosto. Hiei parou diante dele com uma expressão séria e desconfiada.
—Por que não para com esses jogos idiotas e nos enfrenta cara a cara? -o koorime indagou.
—E perder toda a diversão? -Kuroi ri. -Ainda não me diverti o bastante.
—Idiota! -Hiei saca sua espada. -Não importa mesmo...vou matar você e agora.
Kuroi esboçou um sorriso de desdém e nem se mexeu quando Hiei avançou contra ele, determinado a corta-lo ao meio com sua espada. Mas, antes que a lâmina sequer chegasse perto do Youkai, uma sombra surgiu interpondo-se entre eles. Então, sem que pudesse se defender, Hiei é golpeado por um punho poderoso.
O koorime é jogado longe, mas ele se recupera rapidamente, caindo em pé e encarando quem o atacou. Um youkai que usava um pesado casaco e chapéu que escondia um rosto disforme e um olhar alucinado.
—Não achou mesmo que eu viria do Makai ao Ningekai para enfrentar o lendário Youko sozinho, achou? -comentou Kuroi irônico. -Ainda mais com os aliados que ele possui. Conheça meus associados. O que eles tem em comum? Um ódio mortal por Kurama Youko!
Aparecem quatro youkais com aparências humanas, mas pela energia que emanavam, não eram simples adversários.
—Eu sou Muteo. -apresentou-se uma youkai com aparência de uma mariposa, longos cabelos prateados e olhos do mesmo tom e frios.
—Shunsaku. -falou o grandalhão, com aparência mais bestial que lembrava um felino.
—Prazer...eu sou Rikuo. -falou um rapaz de aparência bem humana, mas com um olhar que lembrava um réptil.
—E é claro, Nolt. -Kuroi apresentou o último Youkai. -Ele é o único que tem um ódio especial por você, Hiei. E ele está louco para testar sua força contra você.
—Hunf! -Hiei sorri. -Não me lembro de ter visto alguém tão feio antes!
—Parece-me que a atual aparência dele se deve a você. Certamente você não se recorda dele, pois era um simples e fraco youkai quando se conheceram e o desfigurou, mas sabe, foi o ódio que o fez sobreviver e procurar outras formas de ficar forte e se vingar.
—Tanto trabalho só para morrer de novo? –Hiei diz com desprezo. -É um idiota mesmo.
—Nolt, acabe com ele. Tenha a sua vingança. – Kuroi se dirige aos demais. -Vamos.
—Kuroi! Não terminei com você! -avisou Hiei, mas foi ignorado.
—Ah...se sobreviver a Nolt...avise Kurama que em breve irei buscar a companheira dele. -falou sem se virar, sumindo nas sombras com os outros youkais.
Quando tencionava em ir atrás do Youkai corvo, o chamado Nolt se interpõe novamente em seu caminho.
—Sai do meu caminho, idiota! -avisou, mas Nolt apenas sorri. -Certo. Então eu tiro você do meu caminho.
Mais rápido que o pensamento, Hiei desaparece diante do olhar de Nolt para reaparecer novamente na sua frente e com um movimento vertical de sua espada, corta o corpo do youkai em dois. O Koorime olha com desprezo para o que sobrou do seu oponente e já tencionava seguir e eliminar Kuroi, dando as costas para Nolt, quando é atingindo violentamente por trás.
Surpreso, Hiei se recompõem e observa quem o atacou traiçoeiramente. Nolt estava se regenerando, diante do seu olhar.
—Hum...já vi truques parecidos. -Hiei se ergue. -Não me impressiona com isso. O que eu te fiz?
Nolt não responde.
—Talvez eu tenha arrancando a sua língua. -sorriu com desdém. -Vou arrancar o restante dos seus órgãos.
De repente, os braços de Nolt se transformam em milhares de tentáculos, e avançam todos sobre Hiei.
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Kurama despertou sobressaltado. Havia tido um pesadelo perturbador, onde Kuroi tirava a vida de Botan diante de seus olhos e ele não pode fazer nada. Olhou para o lado da cama onde ela estava adormecida, com o semblante sereno e satisfeito. Com um suspiro de alívio, ele volta a deitar, puxando-a para mais perto.
Em seu sono, Botan o abraça e suspira aconchegando-se em Kurama. O Youko tenta relaxar e voltar a dormir, mas uma desagradável sensação não o abandona.
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Hiei desviava-se como podia dos ataques de Nolt, cortava-lhe vários tentáculos, mas centenas substituíam os que eram destruídos. O youkai disforme não lhe dava trégua, tornando impossível formular um contra ataque com suas chamas negras.
Cansado de ficar perdendo tempo com esse youkai, Hiei utiliza sua velocidade e se afasta o máximo que pode, tentando avistar uma brecha...um ponto fraco que fosse...para derrotar logo o seu oponente.
—Hum...ele me lembra muito o mais novo dos irmãos Toguro. -refletia. -Será que tem os mesmos pontos fracos?
Então decidiu arriscar tudo em um ataque. Visualizou o local onde seria o coração de Nolt e lançou sua espada. Como esperava, o youkai se defendeu dando a Hiei preciosos segundos.
Nolt sorriu confiante, depois arregalou os olhos de espanto o ver o koorime aparecer diante dele, jogando sua capa longe para facilitar seus movimentos e sacando uma segunda espada e com ela realizar uma sequência numerosa de cortes, literalmente retalhando Nolt.
—Tenho certeza que devo ter cortado seu coração ou seu cérebro diminuto. -falou, olhando o que sobrou de seu oponente. -Agora, Kuroi...
Voltou sua atenção para a sua espada. Há alguns anos optou em usar duas katanas, sempre era bom ter uma segunda arma em casos como esse. Caminhou alguns passos e sentiu uma energia sinistra, virou-se viu incrédulo Nolt se recompondo.
O Youkai se preparava para atacar Hiei novamente, mas deteve ao ver um floco de neve, e depois outro. Logo estava nevando. Ambos os youkais estranharam, pois estavam no fim do verão, e não poderia nevar.
Ambos perceberam a presença de outras pessoas.
Viram uma youkai, de longos cabelos prateados, presos por uma trança, e olhos azuis claríssimos, frios e inexpressivos. Usava uma espécie de roupa chinesa, formada por uma blusa e calça branca e com flores azuis desenhadas.
Além da beleza incomum da youkai, Hiei notou a tatuagem de um dragão no braço direito da mulher. Seria inimiga?
Ao lado da mulher estava um adolescente com roupa de estudante colegial, preta. Ele tinha os cabelos negros e rebeldes, e olhos violetas.
Hiei logo percebeu que aquele garoto e a youkai eram os substitutos de Urameshi como detetives sobrenaturais.
—Nolt. -o menino falou. -Se renda e retorne ao Makai ou serei obrigado a engrossar.
—Ah, ele ficou realmente com medo do seu discurso, ningen. –Hiei fala em tom debochado.
—Você é o enviado de Mukuro? –diz a garota –Sua ajuda era necessária durante nossa ausência, mas agora não precisa interferir mais.
—Yuki, não precisa falar assim com um aliado! –o rapaz pediu e a jovem virou o rosto. –Peço desculpas pela minha parceira. Mas pode deixar esse criminoso conosco agora, senhor.
Ele sorri, guardando as espadas e encostou-se a uma parede, observando apenas. Queria ver se tinham poder ou ser eram mais inúteis para atrapalharem seu dia.
—Eu cuido dele, Takaki-kun. -a jovem pediu.
—Fique à vontade, Yuki. -o rapaz concordou.
Yuki se aproximou de Nolt, com um andar gracioso e sem demonstrar qualquer reação em seu semblante, quando o outro resolveu ataca-la. Com um leve movimento de sua mão, cristais de gelo começaram a aparecer e cobrir o corpo de Nolt, que aos poucos foi se congelando.
Em um ataque desesperado, Nolt transformou seu braço em um aríete mortal e lançou contra Yuki. Hiei que até aquele momento só observava, fez menção de ajudar, mas parou ao ver a expressão despreocupada da mulher.
E apenas a alguns milímetros do rosto de Yuki, o ataque cessa. Envolvido pelo gelo, imóvel e inofensivo, Nolt estava aprisionado.
—Sou Takaki Sukuyama, detetive sobrenatural e...-diz o garoto se aproximando de Hiei.
—Quem disse que estou interessado em saber seu nome, ningen. -retrucou, caminhando para a borda do prédio, se preparando para saltar. -Não pedi ajuda de vocês!
—De nada. -falou Yuki. –Na próxima vez deixamos te matarem.
Hiei olhou para a youkai e viu que ela esboçou o que seria um sorriso de deboche. Isso o irritou. Fechando a cara saltou, prometendo se encontrasse ela de novo, lhe daria uma lição.
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Amanheceu na cidade, e Shuuichi Minamino não havia dormido novamente. Permaneceu acordado, sentado na janela, vigiando a noite e velando o sono de Botan. Olhou para a mulher nua, enrolada nos lençóis da cama, como pode ter demorado tanto para perceber o quanto ela era especial?
Não conseguia mais visualizar sua vida sem Botan ao seu lado. Se já era complicado para ele demonstrar seus verdadeiros sentimentos pela ex-guia espiritual. Era pior ainda, sabendo que sua vida corria perigo. E havia além de tudo o fato dela estar convencida que todo o cuidado dele era apenas pelo bebê, e que apenas uma atração física havia entre eles. Iria provar a ela que estava enganada.
Botan foi despertando. Espreguiçou-se languidamente na cama, sem notar que com esse gesto tão corriqueiro havia despertado em Kurama um súbito desejo de possui-la novamente. Mas controlou-se.
—Dormiu bem? -ele perguntou.
—Sim. -ela respondeu com um suspiro.
—Vou preparar um café da manhã reforçado para nós. -ele avisou. -Depois iremos para outro lugar.
—Onde? Que lugar? -ela perguntou já desperta e sentando na cama, ao mesmo tempo que tenta cobrir sua nudez com o lençol.
—Um que seja seguro. -respondeu simplesmente.
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Na residência da Família Urameshi.
—Ahhhhh...Pai... -Yutaro e Koji reclamaram em coro.
—Sem reclamação! Vão pra casa da vovó! -avisou um irredutível Yusuke. -E a mãe de vocês vai junto.
—Isso não é justo! -Yutaro, o mais velho reclamou.
—A vovó tem cheiro de cigarro e saquê. -disse Koji com uma careta. -E fica apertando minha bochechas.
—É. Mas ela não te chama de 'xerox do meu Yusuke' todas as vezes que ela te vê.
—Se forem sem reclamar...eu dou um bônus na mesada dos dois. -cochichou para os meninos, que sorriram e concordaram.
—Tudo bem? -perguntou Keiko aparecendo pronta para sair.
—Tudo bem, amor! -Yusuke respondeu prontamente. -Eles estão doidinhos pra ver a vovó.
—Quanto pagou a eles? -ela perguntou seriamente.
Yusuke ia retrucar, mas o som da porta da frente sendo aberta chama a atenção do casal. Hiei acaba de entrar.
—Vamos conversar, Urameshi. -ele diz e olha para Keiko e os meninos. -Lá fora!
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—Como é? Não é só o cara de corvo que tá atrás do Kurama? -Yusuke fica furioso com a informação que o amigo lhe passava.
—Quando era o lendário ladrão do Makai, Kurama fez muitos inimigos. Hiei confirmou. –E ele se preparou para o caso de interferirmos.
—O que sugere que façamos?
—Eu diria um ataque direto aos inimigos.
—Também concordo. –Yusuke suspira. –Ia mandar a Keiko e as crianças para a casa de minha mãe, agora não sei se é uma boa ideia. Talvez eu deva levar eles ao antigo templo da Genkai. Ele tá meio vazio desde que...
—Acredito que ficarem perto seria arriscado, mas ao menos estamos perto caso aquele idiota do Kuroi e seus capangas reapareçam.
—Sei não. –Yusuke fica pensativo.
—Melhor avisar o Kurama.
—Kurama sabe se defender muito bem sozinho. Mas o que me preocupa é a Botan. -Yusuke coloca as mãos nos bolsos. -Essa pressão não é nada boa pra ela.
—Eu sei... -Hiei se lembrou do novo detetive e de sua parceira youkai e cerrou os dentes. -Apareceu o moleque que tá no seu lugar como detetive sobrenatural e uma youkai muito convencida também.
—Ih, moleque. Já se estranhou com eles? -Yusuke zombou.
—Cala a boca!
—Obrigada pelo convencida.
—E pelo moleque.
Yusuke e Hiei mal tinham percebido a presença da youkai e do jovem detetive até que eles se manifestaram. Com um olhar gélido, ela encarou Hiei e depois se dirigiu a Yusuke.
—Urameshi, descendente de Raizen?
—É...esse sou eu. Quem são vocês?
—Sou Yuki do clã dos Dragões de Gelo. -apresentou-se e entregou a Yusuke uma pasta. -Fui designada para proteger a ex-guia espiritual.
—Sou Takaki Sukuyama. É meu dever agora, proteger a sua família. -o rapazinho completou.
—Por quem? -Yusuke espantou-se.
—Pelo senhor Koenma. -respondeu Takaki. –Ele está muito preocupado com o senhor e seus familiares.
—Quer queiram... -e Yuki olhou para Hiei.- ...ou não.
Continua...
