Capítulo 4: O Pedido

Quando o almoço terminou, Bill decidiu ir dormir uma sesta para o quarto principal da casa. Naomi decidiu voltar aos estábulos, porque apesar de não gostar muito do cheiro, queria ver novamente os cavalos e pensar que, se tivesse aulas de equitação, qual montaria. Melvin e Allison foram dar uma volta a pé. Brianna ficou na sala a ler um livro que trouxera consigo e Rosemary foi conhecer, por conta própria, parte da quinta.

Rosemary começou a caminhar pela quinta e encontrou alguns trabalhadores, que lhe acenaram, pelo que Rosemary se aproximou deles e lhes falou um pouco.

"O trabalho aqui é bastante intenso, mas compensador." disse um dos trabalhadores. "Já viu como estão as nossas árvores e os animais? Crescem que é dá gosto ver."

"Pois, ainda vi pouco, mas já vi qualquer coisa." disse Rosemary. "A vida no campo tem os seus pontos de interesse, se bem que a vida na cidade também. Estou agora a dar uma volta para conhecer melhor a quinta."

"Nós vamos para o pomar agora. Se nos quiser acompanhar até lá, podemos explicar-lhe algumas coisas da quinta." disse outro homem.

Rosemary acenou afirmativamente e foi com eles.

A Vida da Família Lewis

Naomi encontrou Randy nos estábulos, a escovar um cavalo preto. Ao vê-la aparecer, Randy cumprimentou-a com simpatia.

"Vim ver os cavalos novamente e já agora, perguntar se seria possível ter aulas de equitação." disse ela.

"Penso que sim, mas não temos nenhum professor aqui na quinta." respondeu Randy. "Claro que talvez, se o patrão deixar, possa alguém encarregar-se de lhe ensinar algumas coisas."

"Óptimo. Seria para mim e para a minha amiga Allison, a filha dos patrões. Talvez você pudesse ensinar-nos." disse Naomi, sorrindo. "A não ser, claro, que haja algum problema de ensinar mulheres. Talvez a sua namorada não goste."

"Ah, não tenho qualquer problema em ensinar mulheres a andar a cavalo, se o patrão deixar." disse Randy. "E não tenho namorada."

"Ah, não tem. Então óptimo. Quer dizer, óptimo que não há problemas." disse Naomi. "Mas já agora, só a título de curiosidade, como é que um rapaz tão atraente não namora com ninguém?"

"Bom, hum, dedico-me muito ao trabalho e não tenho tempo para essas coisas." respondeu Randy, embaraçado.

"Estou a ver. Estava apenas curiosa, não fosse você ter outras ideias da vida, como ser homossexual ou querer ser padre ou algo do género."

"Não, não, nada disso. Estou sozinho porque quero, mas não é por nenhuma dessas razões. Como disse, tenho muita coisa para fazer e não dá para andar por aí a namorar."

Naomi acabou por se ir embora pouco depois, estando contente. Notara que Allison ficara interessada em Randy, mesmo que o negasse. E ela, Naomi, não estava realmente interessada nele, mas sim em Melvin.

Visto Melvin estar a namorar com Allison, mas Allison não gostar verdadeiramente dele, talvez Allison e Randy se entendessem e assim Naomi ficava com o caminho livre para conquistar Melvin.

"E assim, ficamos todos a ganhar." pensou ela. "O Randy é atraente, mas o Melvin tem algo especial à sua volta. Não é que eu esteja realmente apaixonada por ele, mas despertou-me o interesse por completo, portanto, acho que se namorar com o Melvin, ficarei completamente rendida a ele. Claro que isso só acontecerá se a Allison o deixar e não quero que o faça contrariada, nem nada do género. O mais importante é a nossa amizade. Mas se ela deixar o Melvin de livre vontade, então…"

A Vida da Família Lewis

Melvin e Allison tinham parado de andar e estavam a olhar para um carvalho que parecia bastante antigo.

"Allison, estou a sentir que estás bastante distante hoje." disse Melvin, olhando para a namorada. "Passa-se alguma coisa?"

"Não, não se passa nada." respondeu Allison. "Mas eu não sou uma pessoa do campo e estar aqui não é a mesma coisa que estar em casa. Sinto-me deslocada."

"Compreendo, querida. Mas tens-me aqui contigo."

Melvin aproximou-se e beijou Allison. Ela retribuiu o beijo, mas não conseguiu sentir entusiasmo. Anteriormente, ansiava por estar com Melvin, mas há algum tempo que isso deixara de acontecer. Quando quebraram o beijo, Melvin sorriu.

"Vamos continuar o nosso passeio, Allison. Vais ver que com o tempo, vais habituar-te ao campo ou mesmo que isso não aconteça, esta não é a tua casa. É apenas um investimento do teu pai. Não tens de ficar por cá ou vir aqui muitas vezes."

Allison abanou a cabeça, em assentimento. Os dois continuaram o seu passeio.

A Vida da Família Lewis

Algum tempo depois, Rosemary entrou na sala de estar, trazendo Faith agarrada por um braço. Brianna viu-as, deixou o seu livro de lado e levantou-se.

"Encontrei-a enquanto estava a dar o meu passeio pela quinta." disse Rosemary. "Estava a falar com alguns empregados."

"Ah, finalmente apareceu, empregada." disse Brianna, encarando Faith. "Então, o que se passou? Foi-se embora, não ajudou a Rosemary e anda por aí a falar com os outros empregados?"

"Peço desculpa…" começou Faith por dizer.

"Não me venha agora com pedidos de desculpa! Eu bem sei como isto é. Você é uma empregada abusadora. A minha amiga Tifa teve uma empregada assim, que não queria fazer nada. Depois até ameaçou a minha amiga e quando a Tifa a despediu, a empregada ainda lhe tentou asfixiar. Agora a doida da empregada está presa."

"Pois, mas eu não sou essa empregada." disse Faith. "Tenho uma razão muito válida para o que aconteceu."

"Ai sim? Então diga lá razão é essa." disse Brianna.

"Recebi uma notícia grave. A minha mãe foi internada de urgência e tive de sair de repente. Foi por isso que não pude ajudar aqui em casa. E quando esta senhora me encontrou, estava apenas a contar aos outros empregados o que se passara com a minha mãe." mentiu Faith. "Peço desculpa por não ter avisado."

"Quando você foi estúpida para mim, não foi por causa da sua mãe, com certeza." disse Rosemary, aborrecida. "Dona Brianna, eu acho que ela está a mentir."

"A sua mãe foi mesmo parar ao hospital?" perguntou Brianna, olhando para Faith.

"Juro que sim. Agora já está melhorzinha, mas ainda vai lá ficar uns dias. Desculpe se a tratei mal Rosemary, mas estava nervosa com o que aconteceu à minha mãe." disse Faith.

"Você pensa que me engana a mim?" perguntou Rosemary, nada convencida. "Acho que você está a mentir com todos os dentes que tem na boca, isso sim. A sua mãe foi internada? Não acredito nada nisso."

Brianna mandou Rosemary calar-se e ela assim fez, cruzando os braços, zangada. Faith olhou para a patroa, com uns olhos suplicantes.

"Patroa, não me vai despedir, pois não?"

Brianna hesitou, tentando perceber se Faith a estava a enganar ou não. Rosemary abanou a cabeça, convencida de que o que Faith dissera era mentira.

"Pronto, se realmente a sua mãe foi parar ao hospital, compreendo que tivesse ficado nervosa e respondido mal à Rosemary e que tenha saído sem avisar." disse Brianna. "Portanto, não a vou despedir, mas que isto não se repita. Se tiver uma emergência novamente, avise antes de desaparecer."

"Prometo que assim farei." disse Faith.

"Óptimo. Não quero este tipo de coisas a acontecer novamente. E se sair mais vezes, mesmo avisando, começo a descontar-lhe no ordenado, porque não vou andar a pagar-lhe no tempo em que não está a trabalhar. Há que poupar!" exclamou Brianna. "Pode ir, Faith. Rosemary, pode ir também."

Rosemary e Faith saíram da sala de estar e foram até à cozinha. O gato Yuri estava deitado pacificamente numa caminha que Rosemary trouxera para ele. Rosemary encarou Faith.

"Mas que raio de desculpa que você inventou!" exclamou Rosemary. "É tudo mentira e mesmo assim acabou por conseguir dar a volta à dona Brianna. Eu pensava que ela era mais inteligente e conseguia perceber que você estava a mentir, mas afinal…"

"Ai estou a mentir? Então prove." disse Faith, com um olhar desafiador.

"Isso é fácil de provar. Primeiro, falo com aqueles trabalhadores com quem você estava a falar e..."

"E eles vão dizer o que eu lhes disse a eles." disse Faith, sorrindo. "Ninguém conhece a minha mãe, portanto, não me podem desmentir, porque eu realmente disse-lhes que a tinha ido ver. Agora, se acha que eu não fui, problema seu."

Rosemary abanou a cabeça.

"Muito bem, desta vez foi espertinha. É a sua palavra contra a minha, mesmo que eu fosse ter com a dona Brianna e insistisse que está a mentir." disse Rosemary. "Mas não tem problema. Se você não fizer tudo bem a partir de agora, a dona Brianna manda-a para a rua. Ela não gosta nada de erros e pessoas que a fazem gastar dinheiro em ordenados quando não os merecem. Eu vou estar de olho em si."

Faith fez um sorriso malicioso, de quem não se importa nada com ameaças.

"Então esteja de olho em mim. Pode ser que ao ver como eu sou linda e esbelta até lhe faça bem e você pense em fazer uma dieta, por exemplo. Está a precisar."

Rosemary ficou vermelha de raiva, enquanto Faith saía por uma porta, desaparecendo de vista.

"Estes jovens cada vez estão piores." pensou Rosemary. "Eu sempre fiz o meu trabalho o melhor que podia, desde jovem. Mas esta é má rês. Eu vou estar de olho nela, mesmo que seja só até amanhã, já que passaremos cá apenas um fim-de-semana. Estúpida de um raio, a chamar-me gorda. Eu sou uma pessoa consistente, isso sim! Não sou gorda."

A Vida da Família Lewis

As horas passaram rapidamente. Faith ajudou Rosemary a fazer o jantar, mas mal falaram, lançando olhares aborrecidos uma à outra.

Depois do jantar, Allison pediu para falar com Naomi e ambas foram para o quarto onde Allison se tinha instalado. Fecharam a porta e sentaram-se na cama.

"Então Allison, o que é que tinhas para falar comigo?" perguntou Naomi.

"Acho que tomei uma decisão importante." disse Allison. "Estive indecisa, mas agora chegou a altura de acabar com isto de uma vez por todas."

A porta do quarto abriu-se lentamente e sem fazer barulho. Melvin tinha inventado que ia descansar para o seu quarto pois pressentira que Allison iria dizer algo importante a Naomi e queria ouvir o que era, pelo que assim pudera sair de junto de Bill e Brianna sem levantar qualquer suspeita ou perguntas. Agora, ali estava, tentar ouvir toda a conversa.

"Ok, acabar com o quê, Allison?" perguntou Naomi.

"Vou acabar tudo com o Melvin." disse Allison. "Ele é querido e tudo o mais, mas eu realmente não o amo, portanto tenho de acabar tudo com ele."

"Bom, na verdade, já não era sem tempo." disse Naomi. "Não te queria pressionar mais, mas realmente tinhas tantas dúvidas que o mais provável é que decidisses que deviam terminar tudo. Quando é que lhe vais dizer?"

"Amanhã." respondeu Allison, abanando a cabeça. "Vou contar-lhe o que decidi e, por mais que seja doloroso para ele, será melhor assim. Não posso estar com ele não o amando. Não é certo para mim, nem para ele."

"Também acho que sim. E estou a ver que com isto quem fica a ganhar são os centros comerciais, porque vais fazer imensas compras como terapia."

Melvin cerrou os punhos, furioso com o que acabara de ouvir Allison dizer.

"Ela quer acabar o namoro comigo?" perguntou-se ele. "Nem pensar! Depois de todo o trabalho que tive para me aproximar dela, nos tornarmos namorados e eu conseguir, um dia ter acesso a todo o dinheiro, ela quer acabar tudo? Não vou deixar. Hum, acho que já tenho uma ideia. Estava a guardar isto para quando fosse necessário e agora é, definitivamente, necessário."

Melvin encostou a porta e afastou-se pelo corredor, decidido a tomar aquela medida em que estava a pensar, para não perder Allison e o acesso à fortuna da sua família.

A Vida da Família Lewis

Na manhã do dia seguinte, Allison levantou-se cedo da cama. Foi até à janela do quarto e abriu-a. Estava bastante calor. O sol já brilhava no céu. Ela sorriu.

"Hum, isto até nem é tão mau como eu pensava. Pelo menos, está um dia agradável e aqui o ar até é mais puro, pelo menos se não nos aproximarmos muito dos locais onde estão os animais." pensou ela. "Mas este quarto podia ter melhor vista. Dá para ver os estábulos daqui, o que não é uma vista muito agradável, visto que está cheio de cavalos fedorentos e... oh!"

Allison arregalou os olhos. Agora que olhava com mais atenção para os estábulos, conseguia ver que Randy estava à porta dos estábulos, a escovar o pêlo de um cavalo. O que chamara realmente a atenção de Allison fora o facto de Randy estar sem camisa. Ficou subitamente com ainda mais calor e afastou-se da janela.

"Ai, uf, ele é tão... não! Não posso pensar nestas coisas." pensou Allison. "Tenho de acabar tudo com o Melvin hoje e eu não quero nada com o Randy. Que estupidez. Apesar de ele ser todo giro e musculado, não tem nada a ver comigo. O que é que eu ia fazer com um homem daqueles? Não podia ir às compras com ele nem nada. Ou até podia, porque lhe mudava aquelas roupas todas… ou nem precisava de roupas… ai, mas em que é que eu estou a pensar. Devo estar a ficar maluquinha."

Allison hesitou um pouco e depois aproximou-se da janela novamente. Discretamente, pôs-se a observar Randy à distância.

"Ok, somos diferentes e não quero nada com ele, mas também não há mal nenhum em apreciar a beleza dele. Ao menos se ele não cheirasse a cavalo e fosse rico e se vestisse bem e fosse culto..."

Enquanto Allison olhava pela janela do seu quarto, Naomi saiu do seu quarto, pronta para mais um dia. Estava ansiosa pelo que aconteceria nesse dia e como se resolveriam as coisas entre Allison e Melvin.

"Não devia estar tão feliz com isto. Afinal, a minha amiga vai terminar tudo com o namorado. Mas também, vai fazê-lo porque quer e está certa dos sentimentos, portanto, não é como se eu estivesse contente por a ver infeliz. Depois disto, as coisas vão mudar. Posso ir com a Allison fazer imensas compras para ela se animar e depois talvez eu e o Melvin possamos ir sair juntos, conhecermo-nos melhor…"

Naomi caminhou até ao quarto de Allison e bateu à porta. Não houve resposta. Naomi voltou a bater e alguns segundos depois, Allison veio abrir a porta.

"Então Allison, ainda estás assim? De pijama?" perguntou Naomi. "Devias já estar vestida. E esse pijama não te favorece nada."

"É verdade, mas trouxe-o por engano. Tens estas flores verdes feiosas, mas devo ter pensado que condizia com o campo e coloquei-o na mala. Devia ter trazido aquela camisa de dormir que comprei a semana passada, aquela roxa muito chique, porque está imenso calor e… bom, agora isso também não importa Naomi. Eu... bom, acordei só agora, contigo a bater à porta." mentiu Allison.

Naomi olhou para a amiga e abanou a cabeça.

"Mentirosa. Se tivesses acordado agora, estarias ainda toda sonolenta. Não é o caso. Fartaste-te de falar ainda agora, sem hesitações, sem bocejos, sem queixas de que eu te acordei." disse Naomi, entrando no quarto. "Então, o que é que passa afinal? Não conseguiste dormir, por causa do que vais dizer ao Melvin hoje?"

Allison hesitou, mas fechou a porta do quarto e fez sinal à amiga para ela se aproximar da janela.

"Não é nada disso, amiga. Ok, não quero que gozes comigo, nem te rias de mim nem nada assim." disse Allison. "Mas olha pela janela. Para a entrada dos estábulos."

Naomi assim fez e depois assobiou, rindo-se de seguida.

"Estou a perceber com que é que te distraíste. E não foi com certeza com o cavalo." disse ela. "Tu estás mesmo a ficar apanhadinha pelo Randy."

"Não estou nada!" exclamou Allison. "Mas pronto, ele é atraente e eu não sou cega. Lá por eu poder apreciar a beleza de um homem, não quer dizer que esteja apaixonada por ele."

"Então é só algo físico?" perguntou Naomi.

"O quê? Mas quem é que tu pensas que eu sou, Naomi? Eu não sou dessas, que se metem com um e com outro. Aliás, eu ainda estou a namorar com o Melvin, portanto, nunca o trairia. Só depois de terminar com ele é que vou pensar em mais alguém. Mas não estou a dizer que é no Randy."

Allison puxou Naomi para longe da janela.

"Agora tenho de me ir arranjar. Quero falar com o Melvin o mais rápido possível."

Naomi acenou afirmativamente e saiu do quarto.

A Vida da Família Lewis

Quando Allison entrou na sala de jantar, para tomar o pequeno-almoço, Bill, Brianna e Naomi já estavam sentados à mesa. Faith estava de pé, perto da mesa. Allison deu os bons dias a todos e sentou-se.

"Esta noite não dormi quase nada." queixou-se Brianna.

"Ai, mamã, por favor, não tenha essas conversas ao pequeno-almoço. Aliás, não as tenha!" exclamou Allison. "Se você e o papá se mantiveram acordos à noite isso é lá com vocês..."

"Ó querida, mas o que é que está a dizer?" perguntou Brianna. "Eu estava a dizer que não dormi quase nada porque estranhei a cama."

"Acho que a nossa filha estava a pensar outra coisa." disse Bill.

Bill e Naomi riram-se e Allison corou imenso. Faith revirou os olhos e serviu café a Allison.

"Hum, onde está o Melvin? Ainda não se levantou?" perguntou Allison.

"Já se levantou há algum tempo. Pediu-me a carrinha emprestada, porque tinha de ir até à aldeia mais próxima." respondeu Bill. "Disse que voltava para o almoço."

Allison não ficou nada satisfeita ao saber aquilo, pois isso faria com que só pudesse falar com Melvin mais tarde. Quando terminaram de tomar o pequeno-almoço, Naomi sugeriu que ela e Allison fossem até aos estábulos.

"Porquê?" perguntou Allison. "Não tenho nada para fazer lá."

"Senhor Bill, será que é possível eu e a Allison termos aulas de equitação?" perguntou Naomi, encarando Bill.

"Ah, claro que sim. É uma óptima ideia. Só que hoje a maioria dos trabalhadores está de folga, já que é Domingo. Mas depois posso tentar arranjar alguém para vos ensinar." disse Bill.

"Eu nem sei se quero ter aulas de equitação." disse Allison. "Isso deve ser muito complicado e temos de estar em cima do cavalo e isso faz-me confusão."

"Não seja assim, filha, você é nova e a equitação é algo nobre e que é adequado ao nosso estatuto." disse Brianna. "Já que temos os cavalos aqui, há que aproveitar, visto que não traz custos adicionais. Se calhar eu e o seu pai também vamos aprender a andar de cavalo e depois vamos dar voltas juntos."

"Essa é uma óptima ideia, Brianna." disse Bill, sorrindo à esposa.

Allison acabou por encolher os ombros, indiferente sobre se iria ter aulas de equitação ou não. Pouco depois, Naomi quase que arrastou Allison até aos estábulos. Mas quando lá chegaram, Randy já não estava lá.

"É pena o Randy já não estar aqui." disse Naomi. "Afinal, tu e ele fazem, de certeza, um belo casal."

"Não fazemos nada! Ele até pode ter namorada e tudo."

"Não, não tem. Ontem falei com ele e, mais ou menos discretamente, fiquei a saber que ele não tem namorada. Devias aproveitar."

"Não! Não e não! Pára com isso, Naomi. Eu ainda estou, oficialmente, com o Melvin. E isso disto tudo."

"Mas quando terminares tudo com o Randy…"

"Tu és mesmo insistente." disse Allison. "Vamos parar já com esta conversa, porque estou a ficar enervada e depois ainda é capaz de no futuro isto causar rugas. Vamos mas é embora daqui. Nem devíamos ter posto aqui os pés."

Allison marchou rapidamente para fora dos estábulos. Naomiu encolheu os ombros, riu-se ligeiramente e foi atrás dela.

A Vida da Família Lewis

Bill e Brianna tinham ficado na sala de estar, a conversar. Faith, que tinha terminado de retirar a mesa do pequeno-almoço, lançou-lhes um olhar frio.

"Eles ali sem fazerem nada e eu aqui a ter de trabalhar e a ganhar uma ninharia." pensou Faith. "Mas isto vai mudar! Já percebi que o tal Melvin não tem dinheiro nenhum, portanto vou ter de me focar no patrão. Um bocado velho para mim, mas o que importa é que tem dinheiro."

Faith levou os últimos pratos para a cozinha. Rosemary estava lá, a tomar o seu pequeno-almoço e ignorou Faith.

"Esta gorda de um raio também veio para aqui para me aborrecer." pensou Faith. "Mas quando eu conseguir conquistar o patrão, faço com que ele a despeça. E então, ficarei a ser eu a senhora da casa. A dona Brianna vai à vida dela, mais a filha, mais a amiga preta, o tal Melvin e a empregada gorda. E o gato da gorda! Depois contrato eu montes de empregados para me servirem a mim."

Melvin surgiu apenas à hora do almoço, pelo que Allison decidiu que seria melhor almoçarem primeiro e depois falar com ele. O almoço decorreu calmamente.

"Então, para que é que saiu tão cedo, Melvin?" perguntou Brianna, curiosa.

"Tive de ir fazer umas coisas." respondeu ele, vagamente.

Na realidade, sabendo que Allison queria acabar tudo com ele, Melvin fora passear e só voltara aquela hora pois já tinha um plano. Executado à hora do almoço, com toda a gente por perto, teria muito mais impacto.

"Bom, deixem-me dizer-vos que afinal há muitas coisas a tratar aqui na quinta, portanto, vou ter de ficar cá mais uns dias." anunciou Bill. "Vocês também querem ficar?"

"Eu não sou assim muito apreciadora do campo Bill, mas não vou para casa sem que você vá comigo, portanto, fico cá o tempo que você ficar também." disse Brianna.

"Bom, se vocês ficam, eu também fico." disse Allison, encolhendo os ombros. "Não é que o campo seja o melhor lugar para viver, com certeza, mas também não me apetece voltar para uma casa vazia."

"Se o convite se estender a mim também, terei todo o gosto em ficar aqui mais uns dias." disse Melvin.

"Claro que o convite se estende a si, Melvin. E também a si, Naomi." disse Bill.

"Ah, eu não posso. Tenho um trabalho e não posso faltar senão despedem-me." respondeu Naomi. "Mas obrigada pelo convite. Talvez venha cá noutras alturas, como os fins-de-semana, para poder ter as aulas de equitação."

"Exactamente, pode vir sempre que quiser." disse Bill. "É amiga da minha filha e já sabe que é sempre bem-vinda aqui e na nossa outra casa também, claro."

De seguida, Bill virou-se para Rosemary, que continuava perto da mesa, de pé, para algo que os patrões necessitassem.

"Rosemary e tu? Podes ficar aqui connosco?" perguntou Bill.

Rosemary encolheu os ombros.

"Pode ser, é-me indiferente estar a trabalhar aqui mais uns dias ou na vossa casa principal, senhor Bill. Mas claro, temos de ir buscar algumas coisas à nossa cidade. Falo por mim e por todos, porque trouxemos só coisas para dois dias." disse Rosemary. "E tenho de falar com a minha irmã para ela me regar as plantas."

"Então amanhã podem ir buscar as coisas que necessitarem e voltam. A Brianna traz as minhas coisas também." disse Bill.

Quando o almoço estava a chegar ao fim, foi Rosemary que veio trazer a sobremesa. Melvin colocou-se de pé e todos olharam para ele.

"Tenho algo importante a dizer." disse ele, virando-se de seguida para Allison. "Querida Allison, sei que não namoramos ainda há muito tempo, mas o que sentimos é forte, por isso..."

Melvin tirou uma caixa de veludo do bolso e estendeu-a a Allison. De seguida, ajoelhou-se. Brianna soltou uma exclamação de surpresa e contentamento. Naomi ficou com a boca aberta de espanto.

"Allison, tu aceitas casar comigo?" perguntou Melvin.

Allison ficou sem reacção durante alguns segundos. Não estava nada à espera daquilo. Queria acabar tudo com Melvin, mas agora ele estava a pedi-la em casamento.

"Filha, o rapaz está à espera de uma resposta." disse Bill.

"Exactamente. Diga logo que sim e ficamos todos contentes." disse Brianna. "Não demore muito que eu tive uma conhecida minha que foi pedida em casamento e demorou uns minutos a responder e o namorado teve um ataque de coração e morreu antes que ela dissesse que sim. Claro que o namorado era um velho de oitenta anos e sofria do coração, mas mesmo assim…"

Faith estava a espreitar pela porta da cozinha e tinha ouvido o pedido de casamento de Melvin. Rosemary abanou a cabeça.

"Eu espero bem que a menina Allison seja suficientemente esperta para não aceitar." pensou Rosemary. "Aquele rapaz não é boa rês. Nunca a faria feliz. Nem sei como é que toda a gente parece achar que é boa pessoa. Todos menos eu, que já conheci muitos tipos de pessoas e sei reconhecê-las."

Allison pareceu finalmente reagir. Olhou para o pai, depois para a mãe, de seguida para Naomi e por fim encarou Melvin e abanou a cabeça.

"Melvin, levanta-te." pediu ela.

Melvin assim fez, mas continuou a estender a caixa de veludo a Allison.

"Melvin, eu gosto de ti... como pessoa, mas não te amo. Desculpa, mas não posso casar contigo."

"Allison, tens a certeza? Seriamos muito felizes." insistiu Melvin. "Mesmo muito felizes. Seriamos o casal mais feliz do mundo, a rivalizar com os maiores casais da história mundial."

Allison acenou negativamente com a cabeça.

"Lamento, mas não posso. Não te amo. Não posso mesmo casar-me contigo."

Brianna abanou a cabeça tristemente. Gostava de Melvin e achava que ele fazia um bom par para a filha. Naomi teve pena de Melvin, assim rejeitado, mas realmente Allison não podia aceitar casar com ele se não o amava.

Rosemary manteve-se silenciosa, mas sorriu por dentro. Pelo menos Allison não tinha aceitado casar-se com aquele vigarista, que só queria o seu dinheiro. Faith mordeu o lábio.

"Isto é que foi mesmo mau para ele." pensou ela. "Quer dizer, nem o conheço, mas é mau alguém pedir outra pessoa em casamento e ser rejeitado. Bom, é a vida..."

Melvin estava com um semblante que não transmitia qualquer tipo de emoção, mas por dentro estava furioso. Apesar do que ouvira na noite anterior, pensara que a jogada de pedir Allison em casamento iria funcionar.

Contava que Allison não tivesse coragem para recusar o pedido. Mesmo não o amando, Melvin contava que Allison acabasse por ceder, já que seria pedida em casamento à frente de todos. Allison gostava muito de ser o centro das atenções, de coisas românticas e ser pedida em casamento era algo muito romântico. Mas afinal o plano de Melvin saíra ao contrário.

Allison levantou-se da cadeira onde estava sentada.

"Desculpa Melvin." disse ela, saindo rapidamente da sala de jantar.

"Espera, filha, volta aqui." pediu Bill.

Bill levantou-se e foi atrás dela. Melvin virou-se para Brianna.

"Dona Brianna, tem de convencer a Allison a casar comigo." disse ele. "Nós temos de ficar juntos. A senhora sabe que eu e a Allison fazemos o par perfeito."

Brianna abanou a cabeça, com uma expressão triste.

"Melvin, eu acho realmente que vocês fazem o par perfeito, mas se a minha filha não o ama, não posso fazer nada para o ajudar." disse Brianna. "Não se podem controlar os sentimentos. Lamento. Espero que encontre uma outra rapariga que o ame como merece ser amado."

"Não pode estar a falar a sério!" exclamou Melvin. "Não vai fazer nada?"

"Eu posso falar com a minha filha, mas se ela não o ama, não vai dar em nada."

Melvin contornou a mesa e aproximou-se de Brianna. Faith abanou a cabeça. A expressão de Melvin não era nada amigável. Agarrou Brianna por um dos braços.

"Você vai falar com a sua filha e convencê-la a casar-se comigo, ouviu?" perguntou Melvin, de modo ameaçador. "Tem de a convencer, seja como for. Arranje uma maneira. É mãe dela, portanto obrigue-a a casar-se comigo, se for preciso."

"Largue-me, Melvin. Está a magoar-me!" exclamou Brianna.

Rosemary aproximou-se rapidamente de Melvin, mas com o outro braço ele empurrou-a. Naomi levantou-se.

"Melvin, pára já com isso!" exclamou ela. "O que é que pensas que estás a fazer? Larga a dona Brianna."

"Cala-te, preta de um raio!" exclamou Melvin, voltando a focar a sua atenção em Brianna. "Ouviu, você vai falar com a sua filha, senão vai arrepender-se!"

Faith hesitou. Deveria intervir? Bom, não era nada com ela e já tinha confusões suficientes na sua vida. Faith decidiu deixar-se ficar onde estava., a ver o que acontecia a seguir, mas sem interferir. Rosemary pegou num prato que estava em cima da mesa e, com toda a força, partiu-o em cima da cabeça de Melvin. Ele cambaleou para trás e largou o braço de Brianna.

"Não volte a magoar a dona Brianna, ouviu?" perguntou Rosemary, em tom ameaçador.

Com um grito de fúria, Melvin saltou para cima de Rosemary. Caíram ambos no chão e Melvin começou a apertar-lhe o pescoço. Brianna levantou-se e começou a gritar a plenos pulmões. Naomi aproximou-se de Melvin e tentou que ele largasse Rosemary, mas ele empurrou-a com força e Naomi foi contra a mesa, caindo no chão de seguida. Faith deixou-se ficar no mesmo lugar, a ver tudo sem fazer nada.

Nesse momento, Bill e Allison estavam na sala. Bill estava a falar com a filha, quando ouviram os gritos de Brianna. Entreolharam-se e correram os dois de volta à sala de jantar. Ao chegarem lá, viram o que Melvin estava a fazer.

"Bill, faça alguma coisa, ele vai matá-la!" exclamou Brianna.

Bill aproximou-se rapidamente de Melvin e deu-lhe um murro. Melvin caiu para o lado e largou o pescoço de Rosemary. Bill ajudou Rosemary a levantar-se do chão.

"Mas que raio aconteceu aqui?" perguntou Allison.

"Este malvado estava a tentar matar-me!" exclamou Rosemary, apontando o dedo a Melvin, que se estava a levantar do chão. "Ele ficou furioso por a menina Allison não querer casar com ele e quis que a dona Brianna a convencesse. Como a dona Brianna disse que não podia fazer nada, ele agarrou-lhe um braço e estava a magoá-la."

"É verdade." disse Brianna, acenando afirmativamente. "E então a Rosemary partiu-lhe um prato na cabeça e ele começou a apertar-lhe o pescoço."

Bill, furioso, virou-se para encarar Melvin. A calma que costumava caracterizar Bill desaparecera.

"Você atreveu-se a magoar a minha mulher e a tentar matar a Rosemary, seu canalha?"

Continua…