Capítulo 4 – Same mistake
Rin encarava o telefone há mais de meia hora, pensando e repensando nas possibilidades. Depois de mais uma noite de pesadelos com o irmão e de reflexão sobre seus caminhos, resolveu que ligaria para os pais. Mas como? Há anos mandava somente e-mails, ocasionalmente, para contar poucas coisas. Não mencionava Sesshoumaru de forma mais clara, nem falava sobre o processo. Precisava, agora, contar que estava grávida há 3 meses e ainda não havia tocado no assunto. Talvez os sonhos que estivera tendo eram nada mais que a culpa perturbando sua mente...
Levantou-se, ajeitando o laço do robe creme acima da barriga. A mesma chuva do dia anterior caía, agora com mais força. As grossas gotas batiam na janela do quarto, fazendo um caminho até o parapeito de madeira. Tocou a janela, lembrando-se dos dias chuvosos em sua antiga casa de Nagoya, onde viveu até mudar-se para Tóquio e fazer a faculdade. Mesmo assim, naquela época, sempre voltava para casa quando era possível, considerando aquele seu lugar. Não era uma casa tão grande e luxuosa como a que ela e o marido tinham em Tóquio, mas sabia que a pequena e aconchegante casa dos pais seria, para sempre, seu lar. Lá, seu quarto e o quarto de seu irmão permaneciam intocados, como uma boa lembrança da presença deles ali. Sentia-se culpada por deixar os pais sozinhos e excluí-los de sua vida. Eles haviam perdido Shuji e agora a perderam também, por conta de sua negligência.
Respirou fundo, olhando o telefone por cima de seu ombro. Já estava na hora de encarar a verdade e tentar amenizar a saudade que sentia. Caminhou até a cama, sentando-se na beira. Discou os números de casa – cujos ainda sabia de cor – e esperou que alguém atendesse. A voz doce de sua mãe ecoou em seus ouvidos e Rin fechou os olhos, franzindo o cenho. Como sentia falta dos pais...
- Oi mamãe. – Disse finalmente, soltando a respiração em um fôlego só.
- Rin-chan? – A voz embargada denunciava a emoção do outro lado da linha, acelerando ainda mais o coração da mãe. – Oh, como você está?
- Eu estou bem, e você e papai? – Rin levou uma das mãos aos olhos, amparando uma fina lágrima que se formou.
- Estamos bem. – Mai respondeu, com um tom vacilante. Via notícias sobre Rin todas as semanas nos jornais, retratada sempre de forma muito negativa. Não entendia como sua doce filha estava sendo encarada como cúmplice de um crime, não sabia até onde isso iria exatamente. – Aconteceu algo?
- Eu estou grávida.- Em uma coragem que quase não acreditava que era sua, Rin soltou a notícia de uma vez. Um instante de silêncio precedeu o soluço de Mai do outro lado da linha. – Por que está chorando? Está tudo bem.
- Não, não está. Nós não estamos com você. Ele te deixa muito sozinha e...- Respirou fundo, tomando fôlego.- Venha para cá, Rin. Venha, por favor; nós vamos cuidar de você.
- Hahauê, eu te prometo, está tudo bem. Sesshoumaru está comigo, Sango também; vai ficar tudo bem. – A morena conteve o choro, tentando não preocupar mais a mãe.
- Venha passar uns dias conosco, pelo menos. São só alguns dias, por favor. – Mai estava agora aos prantos, deixando o coração da filha mais apertado ainda.
- Eu não posso sair do lado de Sesshoumaru agora. – Por um instante, as imagens do perturbado marido no dia anterior vieram à sua mente. Se dissesse para ele que visitaria os pais, talvez aquilo soasse da forma errada. Não podia ir a lugar algum naquele momento. Respirou fundo, pensando. – Bem, por que... por que você e papai não passam alguns dias aqui comigo?
- Você sabe que seu pai não ficaria confortável na casa de Sesshoumaru.
- É minha casa, mãe.- Corrigiu, respirando fundo. Seu pai tinha muitas restrições com o youkai, já que pensava que seu marido jamais seria capaz de fazê-la feliz. – Vocês são bem-vindos aqui.
- Eu sei... – Mai respirou fundo, ponderando. – Talvez possamos passar o fim de semana com você, vemos um bom hotel e aproveitamos para revisitar Tóquio. Há anos não vamos à capital.
- Estamos tão próximos, um fim de semana será ótimo. – Rin sorriu, tentando afastar o nó de sua garganta. – Estou com saudades de vocês.
- Nós também, minha flor...
- Mãe?
- Sim?
- Tenho tido pesadelos com Shuji... – A voz vacilou um instante, falhando ao pronunciar o nome do irmão. Mai suspirou do outro lado da linha, pensando por um instante.
- Ele está cuidando de nós e muito feliz por ganhar um sobrinho. – O costume em falar de Shuji no presente era comum na casa de Rin. É como se seus pais ainda o tivessem por perto.
- Eu sei.- Rin mordeu o lábio inferior, tentando prender o choro. Era doloroso lidar com aquela aterrorizante memória, mas saber que o irmão zelava por todos, de onde estivesse, dava um certo conforto ao seu coração.
Assim que entrou pela porta da sala, Sesshoumaru ouviu o suave cantarolar de Rin da cozinha. Ela estava feliz, ele pensou. Ficou por um instante parado, apenas apreciando aquele doce som, depois de mais um dia difícil. Não sabia exatamente o que dizer para a mulher, já que não se falavam desde a discussão do dia anterior. Sango o lembrou – por diversas vezes ao longo do dia, inclusive – de que ele havia sido um total imbecil. Entretanto, sua posição quanto a não deixar Rin longe continuava a mesma. Não perderia a mulher de vista por nenhum instante.
Deixou as coisas na sala, no mesmo ritual diário, e caminhou até a cozinha. Encontrou a morena em cima de um banco de madeira, arrumando a prataria no armário de cima. Talvez Rin estivesse tão entediada a ponto de arrumar tarefas durante o dia. Pensou, então, que era tolice uma mulher grávida se equilibrar em cima daquele banquinho, correndo risco. Um tom de reprovação passou por seus olhos, mas preferiu continuar calado.
Assim que a presença dele fez volume na visão periférica de Rin, ela virou-se para ele. Não sorriu, como sempre fazia, mas resolveu por ignorar a mágoa.
- Oh, você está aí... mamãe e papai talvez venham para cá... – comentou, ocasionalmente, voltando a olhar o armário.
A falta que o sorriso dela o fazia fez com que o peito de Sesshoumaru ardesse em culpa. Ela estava magoada com ele, era claro. E tinha razão para tal.
- Desça daí, é perigoso. – Ditou com certa frieza, irritado pela indiferença da mulher.
Os dedos de Rin se apertaram contra a caixa de madeixa que guardava os talheres de prataria. A raiva subiu ao rosto, deixando suas bochechas avermelhadas. Sesshoumaru estava se comportando da mesma forma que se comportava quando o conhecera: frio e impassível. Quase podia ver a mesma grosseria e mágoa em seu comportamento como vira no dia em que conversaram, na cafeteria. Resolveu não discutir, não queria mais se aborrecer com aquilo.
Guardou a caixa na prateleira novamente, fechou o armário com calma e desceu. Recolheu o pequeno diário que estava em cima da mesa da cozinha, apagou a luz e saiu. Subiu para o quarto, reparando que Sesshoumaru já havia entrado no banho. O perfume da roupa dele impregnava o ar do cômodo, deixando-a zonza. Céus, que estupidez. Achou que tivesse curado o youkai daqueles lapsos de humor, quando a frieza de Sesshoumaru ficava à flor da pele.
As trêmulas mãos procuraram a saída para a varanda, buscando um pouco de ar fresco. Assim que a brisa atingiu seu rosto, ela respirou fundo, tentando clarear seus pensamentos. Estava tão feliz com o fato dos pais virem a Tóquio, que havia até deixado de lado a discussão do dia anterior. Sentou-se na cadeira de madeira, buscando conforto. Não sabia ao certo quanto tempo ficou encarando as luzes da rua, quando ouviu os passos de Sesshoumaru atrás de si. Olhou-o brevemente por cima do ombro e então voltou o olhar para a mesa molhada pela chuva de mais cedo, respirando fundo.
Ele ficou parado, em silêncio, por alguns momentos, apenas encarando os longos cabelos morenos espalhados sobre os ombros de Rin, que se mexiam levemente conforme ela respirava. Percebeu, então, que a respiração da mulher estava levemente alterada, bem como a tremulação em suas mãos.
- Você está bem? – Ele perguntou, trancando as mandíbulas.
- Estou. – Respondeu simplesmente, sem sequer olhá-lo.
- Olhe para mim, Rin. – Pediu, em um tom taxativo.
- Qual é o problema, Sesshoumaru? – Ela levantou-se, ficando de frente a ele. – O que está acontecendo com você? – Os olhos castanhos marejaram levemente, conforme Rin tentava controlar a raiva do momento.
Mais uma vez, ele ficou calado, apenas encarando-a. Rin não era, realmente, de perder a paciência. Porém, com todas as coisas que vinham acontecendo e talvez até pelos hormônios da gravidez, aquilo estava realmente a chateando.
- Tudo bem, então. – Ela soltou o ar de seus pulmões em um fôlego, travando as mandíbulas. Virou-se, passando ao lado do youkai para entrar no quarto.
A forte mão segurou o braço dela, fazendo com que os pés de Rin travassem no chão. Ela virou-se para ele, mais irritada ainda, com os lábios cerrados em uma linha.
- Eu estou te protegendo, não seja tola em se enraivecer comigo por conta disso. – A voz fria saiu em um tom quase inaudível e os olhar continuava impassível.
- Estou farta de ignorar minhas frustrações para ter que lidar com as suas, Sesshoumaru. – As lágrimas escorriam pelo rosto dela, deixando as bochechas ainda mais rosadas.
- Você sabia que assim seria.
- Eu só esperava que ficássemos juntos e que você não me visse como mais uma coisa sua.- Ela puxou o braço, livrando-se dos dedos dele. Virou-se em direção ao banheiro, apoiando-se no batente. – Ou que me enxergasse através a imagem de...- Respirou fundo, apertando os olhos.- Sarah.
- Você não é uma coisa deste Sesshoumaru. – Ele olhou-a por cima do ombro, mais perturbado ainda. Limitou-se a negar a primeira parte somente, não conseguindo prosseguir.
Rin encarou os orbes dourados por mais um instante e então fechou a porta do banheiro, deixando um pesado silêncio no quarto.
Mais aquela semana se arrastou, com um casal que mal se falou durante os dias. Sesshoumaru estava profundamente rancoroso pelo que Rin havia dito sobre Sarah. Ela nunca foi de citar o nome de sua ex-mulher, quanto menos de compará-la a si mesmo. Sabia que algo estranho passava na mente da morena, mas não queria confrontá-la, para não gerar mais conflitos. E assim também passou para Rin. Considerou todos os últimos acontecimentos daqueles dias, ficando cada vez mais enraivecida pela capacidade de Sesshoumaru de se fechar. Quando não se sentia confortável, o youkai se trancava em uma prisão própria de silêncio, isolando-se do mundo.
Tentando ignorar os problemas com o marido, Rin vinha organizando o jantar de recepção de seus pais, junto a Sango. Eles chegariam na sexta à noite, se hospedariam em um hotel no centro de Tóquio e iriam embora no domingo. Como não podia recebê-los na estação de trem, por conta dos fotógrafos, Rin havia ajeitado um jantar na casa de Sango para reunir ambas famílias. Ali certamente seria mais discreto e não atrairia a atenção dos fotógrafos, como seria caso fosse em sua própria casa. Não que os Taisho fossem grandes amigos dos Ozawa, mas Rin considerou importante reuni-los, pela criança que esperava. Izayoi e Kagome eventualmente apareciam para ajudar com os preparativos, ajudando o tempo a passar naquela semana fúnebre.
Pela primeira vez na vida, Rin havia comprado algo pela internet. Não era muito adepta às tecnologias, mas agora que estava enclausurada em casa, tinha de dar um jeito de arrumar uma roupa para ir à ocasião. Resolveu, portanto, comprar um vestido preto longo, de seda, acinturado acima da barriga gestante, ombro único. Um detalhe com pedras negras no ombro esquerdo dava o único detalhe à simples e elegante roupa. Por mais que o jantar com os pais não fosse exatamente uma ocasião formal, a reunião das famílias tornava tudo mais sério.
Estava sentada em frente ao computador, lendo a coluna política do principal jornal de Tóquio, quando a porta da sala foi aberta. Encarou Sesshoumaru parado por um instante, acenou brevemente com o rosto e então voltou a encarar as letrinhas da tela. No mesmo ritual de todo dia, o youkai depositou a pasta no canto do cômodo, ajeitou o paletó na cadeira, desatou a gravata e dobrou as mangas da camisa preta. Caminhou vagarosamente até a mulher e depositou um breve encostar de lábios no topo dos cabelos morenos. Esperou até que os olhos castanhos o encarassem outra vez para revelar uma caixa quadrada de veludo.
- Oh...
- Eram de minha mãe, gostaria que você usasse amanhã. – Ele disse, abrindo a tampa da caixinha. Um conjunto de colar e brincos prata e dourado foi revelado, deixando Rin estupefata. Eram totalmente simples, comparado às joias de pedraria que Izayoi tinha, mas seu charme era único. Os brincos eram duas ondas entrelaçadas, uma de cada cor, formando um trançado belíssimo. O pingente do colar tinha a mesma forma, pendurado no delicado cordão de prata polida.
- É lindo... – Rin passou os dedos delicadamente pelo conjunto, encarando os orbes dourados em seguida. – Obrigada, Sesshoumaru. É muito doce de sua parte.
- Izayoi ficará feliz em vê-la com ele amanhã. Ela estava esperando para dá-lo a você no jantar, mas não aguentou a ansiedade. – Os olhos frios ainda estavam fixos nela, sem demonstrar emoção alguma.
- É uma joia de família. – Rin fechou a caixa, segurando-a. – Vou cuidar dela com bastante zelo.
- Hum. – O youkai simplesmente concordou com um suspiro, virando-se para as escadas. Rin respirou fundo, passando a mão pelo rosto suavemente, tentando ignorar aquele comportamento simplista do marido. Os olhos castanhos voltaram-se para a tela do notebook, tentando distrair-se com o artigo do jornal.
Sentia falta de escrever, há anos deixou o ofício de jornalista, mas sempre soube que aquela era sua paixão. Talvez quando todo aquele tumulto passasse, quando seu filho já estivesse maior, talvez algum jornal a aceitasse novamente. Só não sabia dizer exatamente quando seria tudo isso, nem como aconteceria. Com os acontecimentos tão nublados, começava a duvidar que sua vida entraria em seu rumo normal ou até que sua família voltaria a viver um período de calmaria.
Diferentemente dos últimos dias, aquela manhã de sábado acordou ensolarada em Tóquio. O tempo voltou a ficar abafado e mais uma onda de calor seco chegava à cidade. Rin tinha uma ultrassonografia marcada para logo cedo, agora que estava concluindo o primeiro trimestre de gravidez. Desta vez, Sango não a acompanharia, por conta dos preparativos do jantar e Sesshoumaru estaria lá. Mesmo que os ânimos não estivessem nada bons entre eles, o youkai desmarcara todos seus compromissos na empresa para acompanhar a mulher.
Rin vestia um vestido azul marinho solto, de alças, com uma simples rasteirinha. Por conta de todo estresse da semana, seus pés haviam ganhado um pequeno inchaço que causava dor e incômodo. O longo cabelo negro estava preso em um coque e ela usava um óculos de sol. Sesshoumaru vestia uma camiseta branca com uma calça jeans de lavagem clara. Os cabelos prateados haviam sido cortados recentemente e, apesar de não estarem na ordem estrita que ele os deixava em todos os dias, o leve ar bagunçado o deixava charmoso. Eles desceram até a BMW na garagem e saíram pelo portão, voltando a encontrar fotógrafos acampados na porta.
As mãos de Sesshoumaru se apertaram contra o volante, fazendo com que suas veias saltassem. A paz que a imprensa havia dado a ele acabou, com todo assédio voltando à tona. Estava começando a ficar esgotado, com a falta de definição que o processo seguia. Rin também estava; não só pela indefinição, mas também por saber que aquilo não acabaria tão cedo. Talvez aquilo se arrastasse por mais tempo que Sesshoumaru havia prometido. Ela suspirou fundo, sabendo que o segredo de sua gravidez estava acabado e os tabloides do dia seguinte estampariam isso na capa. Em um gesto vacilante, levou a delicada mão até o braço de Sesshoumaru, passando os dedos suavemente pela pele pálida dele.
Os olhos dourados alcançaram-na brevemente, deixando a postura fria por um instante. Sentia falta dos momentos felizes que tinha com a mulher, única fuga para o eterno inferno astral que estava vivendo. Embora tivesse consciência de que Rin também estava passando por um período difícil, não entendia a presença dos pais dela ali. Primeiro porque o Takao Ozawa nunca gostara dele e segundo porque isto atrairia mais ainda a sede dos urubus da imprensa. Não haveria um instante de sossego para ninguém daquela família.
Voltou sua atenção para a rua, respirando fundo. Pôde ver pela visão periférica que Rin suspirou, movimentando os ombros pra cima e para baixo. Em alguns instantes, a BMW prata estava estacionada em frente ao consultório.
Numa sala a meia luz, Sesshoumaru estava de pé, ao lado de Rin deitada na cama levemente reclinada. A charmosa barriga arredondada estava à mostra, esperando apenas pela assistente médica que realizaria o ultrassom. O ar condicionado aliviava o calor da rua, fazendo com que os olhos castanhos se fechassem por um instante, relaxando de toda tensão. Ainda estavam em silêncio; o mesmo silêncio do caminho e da semana toda, embora ainda houvesse muito a ser dito para reparar todos os erros dos últimos desentendimentos. Não seria agora e sabe-se lá quando, Rin pensou.
Logo, uma jovem baixa, de cabelos ondulados, entrou pela sala, arrumando os aparelhos do exame. Ela cumprimentou o casal, recebendo uma resposta breve e simpática de Rin. Assim que tudo estava arrumado, um gel viscoso foi derramado sobre a pele da morena, fazendo com que ela se arrepiasse por um instante. A imagem negra da tela foi substituída por um borrão claro, um pequeno ser que começava a ganhar forma na barriga de Rin, que mal podia ser visto. No entanto, os olhos castanhos logo se inundaram e o nó na garganta se estreitou. Era seu filho!
- Ele é tão pequeno... – Rin respirou fundo, sentindo a primeira lágrima descer pela bochecha. Sua mão, pousada no colchão, recebeu o choque da mão de Sesshoumaru encostando na pele quente. Ela tirou os olhos do monitor para olhá-lo e, pela primeira vez em muito tempo, viu um brilho diferente nos orbes castanhos. O youkai estava feliz, estava orgulhoso e sentia-se vivo. Por um momento, todos seus problemas fugiram de sua mente, ocupada agora por aquele que seria a razão de sua vida, ao lado de Rin, pelo resto de sua existência. Seu filho, um pequeno hanyou crescendo dentro da mulher que amava.
Ao perceber a contemplação de Sesshoumaru, Rin não conteve um riso frouxo. Estava tão feliz em saber que aquilo não era indiferente ao marido, saber que ele se importava com aquela criança. Durante os últimos dias, temeu que talvez o youkai estivesse renegando seu filho por ele ser um hanyou, assim como fizera por muitos anos com InuYasha. Sesshoumaru demorou a superar a raiva por aquela raça mestiça, coisa que, talvez, só fizera ao conhecer Sarah. Os dedos finos de Rin envolveram os do marido, apertando com toda força que tinha em seu corpo. Ele retribuiu com um suave gesto, encostando os lábios no topo da cabeça dela. Os olhos escuros se fecharam por mais um instante e o sorriso permanente ficou estampado no rosto de Rin, enquanto ela aproveitava aquele precioso momento de paz.
- Vocês querem saber o sexo? – A assistente perguntou.
- Sim. – Responderam quase em um uníssono, entreolhando-se.
- Pois bem, é um menino.
- U-um menino? – Rin gaguejou, virando-se para Sesshoumaru. Uma linha de satisfação se estampou nos traços do youkai, que voltou-se para a mulher.
- Você vai me dar um primogênito homem. – As palavras suaves saíram quase sussurradas, chegando aos ouvidos só de Rin. Ela concordou com um aceno de cabeça, passando a mão pelo alto da barriga brevemente.
- Eu vou encaminhar as imagens para o Dr. Naoto para a consulta da semana que vem. Com licença. – Assim que acabou de operar o aparelho, a jovem saiu pela porta, deixando os dois sozinhos. O clima era mais agradável que antes, mas o silêncio ainda estava ali. Eles se olhavam pacientemente, deixando de lado toda mágoa naquele instante. Era como se todo resto tivesse desaparecido.
- Vai ficar tudo bem, não vai? – Ela perguntou, tentando se agarrar a alguma segurança.
- Vai. – Ele concordou com um aceno. – Este Sesshoumaru jura que fará de tudo para que nossa vida volte ao rumo.
- Eu não quero que fiquemos assim, Sesshoumaru. Não podemos construir nossa própria infelicidade...
- Não haverá mais angústia, minha Rin. – Os dedos do youkai envolveram a mão delicada dela com firmeza. – Eu vou provar a quem precise saber que eu não sou um assassino.
A morena ficou em silêncio por um momento, enquanto se livrava do gel em sua pele. Cobriu a barriga novamente, colocando as pernas pra fora da cama, alcançando o piso claro.
- Eu não temo por isso... – Olhou-o novamente, desta vez frente a frente – Tenho medo que você não consiga provar algumas coisas a si mesmo.
- Você sabe que eu não gosto de subjetividades.
- Podemos ter esta conversa fora daqui? – Perguntou, apanhando a bolsa no cabide.
Ele abriu a porta para que ela passasse, fechando-a com um pouco mais de força que o necessário. Desceram até o estacionamento, saindo na BMW. Ao passarem pelo portão da clínica, encontraram uma quantidade relevante de fotógrafos e logo centenas de flashes estavam sendo disparados. Em um gesto automático, Rin passou a mão pelo rosto, tentando parecer impassível. Não havia nada mais a ser feito: eles estavam ali.
Sesshoumaru sentia seus nervos a flor da pele. Não aguentava mais todo aquele assédio. A paciência e passividade estavam sumindo de seu espírito, deixando-o irritado. E para melhorar tudo, o carro estava completamente cercado e nenhum fotógrafo se movia para que saíssem dali. O pé esquerdo encostou no acelerador e a mão direita buscou a marcha de força no câmbio automático. Um ronco fundo do motor soou e a lataria avançou alguns centímetros, assustando Rin e os fotógrafos.
- O que você está fazendo, Sesshoumaru? – Ela quase gritou, olhando-o.
Ele repetiu o gesto, avançando um pouco mais. Um fotógrafo foi derrubado e logo o caminho estava livre. Sesshoumaru arrancou com rapidez, saindo do portão do hospital. Rin ainda olhava incrédula, não reconhecendo as atitudes do youkai. Ele sempre agia com indiferença com os fotógrafos, sempre era ela quem perdia a calma. Nunca, em tanto tempo de processo, havia visto o marido agir impulsivamente.
- Eu não estou te reconhecendo. – Assumiu, em um sussurro.
- Talvez este Sesshoumaru que você vê não seja o mesmo de antes. – Os dedos grossos se apertaram em volta do volante, marcando as veias escuras.
- Talvez seja por isso que eu acredite que você precisa provar algumas coisas a si mesmo antes de provar a todos.- Ela admitiu, franzindo o cenho.
- Seja mais clara.
- Você está preso às memórias de... coisas que não podem voltar. – A voz dela se alterou por um instante, enquanto Rin respirava fundo. – Eu não quero ser injusta, Sesshoumaru, eu juro, mas é difícil conviver com seus altos e baixos, não me sentir segura de tudo o tempo todo... – O ar saía com força entre os dentes claros, num fluxo contínuo. – Eu queria que você estivesse comigo.
- Eu estou com você sempre que posso.
- Eu não estou falando fisicamente. – Rin passou a mão pelos cabelos, exasperada. – Estávamos lidando...
- O que você quer de mim, Rin? – Os olhos dourados finalmente a alcançaram, com frieza.
- Eu não sei, Sesshoumaru... – Admitiu, sentindo um nó subir pela garganta. – Eu gostaria de saber.
Ele ficou calado por um instante, voltando os olhos para a estrada. Respirou fundo, tentando raciocinar. Não conseguia ver sentido naquela discussão, havia muitos fios soltos naquela confusão que sua vida passava. Não havia, exatamente, um ponto crítico entre ele e Rin, embora pequenos aspectos estivessem se tornando grandes problemas, não havia uma questão central a ser resolvida. Como em uma das poucas vezes da vida, não sabia o que fazer.
Preferiu manter-se calado durante todo caminho. Os olhos de Rin transbordavam lágrimas, mas ela também se manteve em silêncio, respirando fundo. Não sentia realmente que conversar naquela hora adiantaria algo, havia muitos sentimentos e ideias a serem organizadas antes disso.
(Trilha Sonora: Take us Back – Alela Diane)
A brisa quente daquele dia de verão em Nagoya batia contra os longos cabelos morenos, espalhando-os sobre seu rosto. Por um instante, os olhos cobertos a impediam de enxergar o desenho que fazia na terra escura e a pequena Rin logo afastou as madeixas do rosto, espalhando os grãos por sua pele. Continuou atenta ao desenho que fazia até uma suave rajada de vento e folhas alcançar seus pés, destruindo todo trabalho que havia feito. Um gritinho abafado de insatisfação saiu de sua garganta e ela logo buscou o olhar dos pais, sentados a alguns metros.
Mai abriu um longo sorriso para ela, ajeitando o chapéu de sol sobre os cabelos chocolates. Todo aborrecimento logo sumiu e a terra espalhada tornou-se o novo passatempo de Rin. Juntava os dedos, moldava punhados de terra úmida, sentindo a textura áspera na palma de suas mãos e então soltava os grãos, deixando que eles se misturassem às folhas novamente.
Olhou em volta, buscando o pequeno irmão. Encontrou-o com outras crianças, brincando em uma caixa de areia. Passou as mãos levemente sobre a o tecido da roupa, retirando os resquícios de terra das palmas e colocou-se a correr na direção de Shuji. Conforme se aproximava, podia ver o irmão moldando pequenos montes de areia, formando algo que não tinha exatamente uma forma.
- O que 'cê tá fazendo, otouto-chan?
- 'Tô fazendo uma casa, onee-chan!
- Não tá parecendo uma casa, Shuji! – Ela reclamou, sentando-se ao lado dele.
- Acho que 'tá faltando argila... você sabe onde é que tem? – O pequeno pareceu não se importar com a crítica, olhando em volta.
- Acho que tem ali perto daquela caixa grande... – Rin apontou para uma caçamba cheia de pedras, recolhidas de uma obra feita em um dos altos muros que cercavam aquele setor do parque. Com a ação do tempo, o velho muro cinzento começava a ceder, passando a ser substituído por cercas verdes. Todos os dias, no entanto, os fragmentos eram recolhidos para que ninguém se ferisse. – Eu vou buscar pra você. – Ela levantou-se novamente, dando os primeiros passos.
- Não! – Shuji quase gritou, fazendo com que a irmã congelasse no lugar. – Eu posso fazer isso sozinho, nee-chan... deixa?! – Pediu, juntando as pequenas mãozinhas.
- Hahauê vai ficar zangada... – Ela mordeu o lábio inferior, passando um pé no outro, em um gesto de dúvida.
- Eu vou ser muito rápido, hahauê não vai nem perceber que saí daqui...
- 'Tá bem. Eu vou arrumando sua casa. – E então Rin sentou-se novamente, mexendo nos blocos de areia.
- Nada de fazer uma das suas casas de boneca! – Ele resmungou, voltando-se só para depositar um beijo na bochecha rosada da irmã. – Muito obrigado, onee-san. Você é a melhor de todas.
- Vai logo, vamos terminar e mostrar pra hahauê e pro chichiuê. – Ela fez uma carranca, sorrindo em seguida. As desajeitadas mãos tentavam organizar as formas da areia levemente úmida, mas os grãos acabavam escapando entre seus dedos. Estava começando a ficar aborrecida com aquilo, mas não desistiria. Quando o irmão voltasse com a argila, já teria feito um bom trabalho.
Assim que ouviu o primeiro grito da mãe, procurando pelo irmão, outro som grave invadiu sua mente. Um forte estrondo, seguido pelo grito estridente do irmão ocupou o ambiente, fazendo com que as outras crianças se dispersassem de sua volta. Antes que percebesse, seus pequenos pés corriam na direção em que o irmão havia ido, deparando-se com uma cena que jamais esqueceria em sua vida.
A caçamba de concreto estava virada em um ângulo de quase 90 graus sobre a terra úmida. As pedras que ali estavam se espalharam pelas folhas, cobrindo parcialmente o corpo de Shuji. Ele continuava a chorar, gritando com toda força que restava aos pequenos pulmões.
Rin correu até a pilha de pedras, retirando o que conseguia com as pequenas mãos. Os dedos miúdos tomaram uma coloração avermelhada conforme as superfícies do concreto feriam sua pele rosada, causando dor. Não sentia nada. Os olhos borrados pelas lágrimas finalmente encontraram a figura de Shuji, espalhado sobre o chão úmido. Não havia mais cor em seu rosto ou brilho em seus olhos, ele apenas chorava desesperadamente, gritando por ajuda.
A mão de Rin apertou a dele, segurando com força.
- Onee-chan, me tira daqui...
Outro grito estridente atrás de si e outra visão que Rin jamais esqueceria. Olhou para trás e viu sua mãe estarrecida, levando as duas mãos ao rosto. Voltou-se para o irmão, segurando sua mão com mais força. Tinha que ser forte agora. Os olhos de Shuji pararam de se apertar em choro e ele não gritava mais. Sentia como se o irmão estivesse tendo um último momento de paz.
- Eu 'tô aqui, otouto-chan, vai ficar tudo bem... – Ela não conseguia controlar as palavras, que saíam emboladas. O choro engasgava sua voz e já quase não podia enxergar nada. Sentiu, então, um último apertar em sua mão e logo os dedos de Shuji estavam entrelaçados aos seus. O pequeno corpo perdeu qualquer movimentação e os emotivos olhos castanhos dele se apagaram.
Um grito apavorante subiu por sua garganta, quando sentiu um forte braço a puxando, fazendo com que sua pequena mão se soltasse da do irmão. Gritou com mais força, sacodindo as pernas com força. Olhou, finalmente, o pai desesperado, segurando-a em seu colo. Os olhos antes tranquilos de Takao estavam agora perdidos, desamparados por não saber reparar aquela situação.
- Chichiuê, tira Shuji de lá! – Ela gritava, apoiada nos ombros do pai. – TIRA ELE DE LÁ, TÁ DOENDO!
- Rin-chan...
- ELE TÁ SOFRENDO, PAI!
Takao apertou-a mais contra seu corpo, fazendo com que Rin se debatesse com mais força. Ela girou o corpo com mais vontade, obrigando-se a olhar na direção em que seu pequeno irmão estava. Havia, agora, uma dúzia de homens, tentando remover a enorme caixa de concreto antes que a máquina que a mantinha a caçamba sólida voltasse a funcionar. Os gritos em sua volta se calaram e ela só conseguia ouvir o próprio coração e a respiração acelerada.
Procurou por cima dos ombros o busto do irmão e encontrou. Diferentemente dos cabelos lisos castanhos e os olhos arredondados chocolate que antes estavam ali, encontrou cabelos prateados e olhos alongados dourados.
O grito que fugiu dos lábios de Rin ecoou com tanta força que chegou a machucar a garganta, roubando também todo ar de seu pulmão. O corpo saltou com violência, de forma que imediatamente os músculos se enrijecessem, causando uma cãibra dolorosa. A pressão com que seu coração bombeava o sangue fazia um som grave em seus ouvidos, deixando Rin com uma dor de cabeça intensa. Levou uma das mãos à barriga, tentando respirar fundo.
Antes que o nariz puxasse a primeira quantidade de ar, Sesshoumaru já abria a porta do quarto com rapidez, fixando o olhar nela. As longas pernas alcançaram a cama com rapidez, nem se importando em acender a luz no caminho. O quarto continuava naquela penumbra de fim de tarde e o silêncio fixo era só quebrado pelo som do próprio pânico. Começou a sentir a lateral da testa e a base do pescoço latejar, provando que sua pressão deveria estar quase explodindo.
- O que aconteceu? – Sesshoumaru inquiriu, sentando-se na beirada da cama. As mãos masculinas alcançaram a pele gelada da morena, fazendo com que ela se afastasse por um instante.
- Foi um pesadelo... – Rin levou as duas mãos às têmporas, tentando aliviar a dor de cabeça. O som grave do sangue sendo bombeado em seus ouvidos ainda a atordoava, fazendo com que sua cabeça ficasse leve.
- Foi... – O youkai respirou, buscando uma garrafa d'água que estava na cabeceira da cama. – seu irmão novamente?
- Foi. – A voz embargada confirmou e logo um nó subia pela garganta de Rin. – Mas dessa vez foi diferente. Eu me senti lá mais uma vez, Sesshoumaru, e quando eu olhei de novo... – Ela respirou, tendo as mesmas imagens do sonho invadindo sua cabeça – não era mais o Shuji! Era outra criança; ela se parecia com você! Tinha seus cabelos, seus olhos...
- Shh. Já passou, minha Rin. – Sesshoumaru a abraçou, conseguindo ouvir a intensidade absurda que o coração dela batia.
- Não, Sesshoumaru. – Ela segurou os braços dele, olhando nos olhos dourados. – Eu sonho com a morte de Shuji desde meus dez anos de idade. Sempre foi doloroso, mas dessa vez era real. Eu senti tudo de novo e pior: eu vi outra criança ali. – Os lábios avermelhados puxaram o ar com força, tentando aliviar a pressão nos pulmões. – Era nosso filho... – A voz tornou-se chorosa e ela encarou a redonda barriga, passando as mãos por cima do tecido da blusa.
- Nosso filho ainda não nasceu, Rin, como poderia ser?
- Eu sei que era, Sesshoumaru. – Os olhos castanhos voltaram a encarar o rosto do youkai com intensidade. – Ele era tão pequeno...
- Nada vai acontecer a ele e nem a você. Eu te prometi isso, não lembra? – As mãos firmes dele envolveram os braços de Rin, conforme a encarava. – Eu não quebro minha palavra.
- Não, Sesshoumaru. – Repetiu, segurando os braços dele também – Algumas coisas fogem do nosso controle, você tem que entender que nem tudo compete às nossas vontades.
- Eu te prometi que vou te proteger a custo de qualquer coisa e eu farei isso, independente de qualquer outra vontade. Nada foge do controle deste Sesshoumaru. – A voz firme preenchia os ouvidos de Rin, fazendo com que ela suspirasse, umedecendo os lábios.
- Você nunca vai entender que o destino não é exato. Eu achava que quando você... – Respirou fundo mais uma vez, desviando os olhos castanhos – perdeu alguém importante, isso tivesse ficasse mais claro.
Sesshoumaru ficou em silêncio mais uma vez, soltando os braços de Rin. Ele continuou a encarar com firmeza, vendo-a juntar os joelhos ao busto, abraçando as pernas.
- Eu aprendi desde cedo que as perdas não podem ser recuperadas... talvez sequer superadas... mas você sempre pode aprender. Não trate o seu destino com tanta pretensão.
Os olhos alongados do youkai ganharam um tom gélido e intenso, que fez com que ela se arrepiasse dos pés à cabeça. Ele levantou-se, olhando-a por baixo das pálpebras claras. – Este Sesshoumaru não repete nenhum de seus erros. Todas as coisas do meu mundo estão sobre controle e vão muito além da sua mera capacidade humana.- Finalizou, deixando uma Rin estupefata sentada sobre a cama.
Não via Sesshoumaru se referindo aos humanos daquela forma há alguns anos e, por nenhuma vez, ouviu algo daquele tipo vindo do youkai. Ele nunca havia a menosprezado por ser humana, nunca havia falado com tanta rispidez com ela. Nem nos momentos de crise de ira que o marido vivia, nem durante seus períodos mais introspectivos, havia envolvido Rin daquela maneira.
Definitivamente, estava começando a pensar que não conhecia mais Sesshoumaru. Não conhecia o próprio marido, com quem dividia a vida, quem seria o próprio pai de seu filho. Abraçou-se mais aos joelhos e caiu num copioso choro, frustrada pelo caos que sua vida havia se tornado.
Os pés se esfregavam uns nos outros, em um gesto de ansiedade que mantinha desde pequena. Estava de pé, no meio da enorme sala do apartamento de Sango, esperando que os pais entrassem pela porta. Miroku havia descido para buscar o casal Ozawa enquanto ela, Sesshoumaru, Sango, InuTaisho, Izayoi, InuYasha, Kagome e Satoshi esperavam para o jantar.
Desde o pesadelo, o som de seu coração não parecia ter voltado ao normal. Ainda sentia um incômodo na base do pescoço, fazendo com que sua pele recostasse ao material frio do colar que havia ganhado de Sesshoumaru no dia anterior. Sua cabeça doía constantemente, deixando-a zonza.
- Está tudo bem? – Sango perguntou, parando atrás da morena.
- Está. Estou um pouco nervosa, não vejo meus pais há um tempo... – Mentiu, mordendo o lábio inferior.
- Oh, eu sei. Vai ficar tudo bem, vai dar tudo certo.- Sango segurou a mão da amiga brevemente, apertando com gentileza.
Rin sorriu, olhando-a por cima do ombro. Um leve som de clique fez com que seus olhos se voltassem para a porta. De um instante ao outro, lá estavam seu pai e sua mãe. A aparência cansada e os poucos fios grisalhos nos cabelos escuros dos dois lembravam Rin de que o tempo passou e seus pais já não eram os mesmos de quando ela saiu de Nagoya. Também não eram os mesmos de quando ela e Shuki eram crianças, não eram felizes e não continham a mesma vitalidade.
Caminhou com calma até a mãe, abraçando-a por um longo momento. Por um instante, seu coração sentiu-se reconfortado e seguro, como se tudo aquilo não passasse de um pesadelo e ela ainda fosse aquela menina de apenas dez anos. A mão fina de Mai passou pelos cabelos de Rin, aliviando a dor de cabeça lacerante que sentia.
Ficou ali por instantes e então passou a olhar o pai. Cumprimentou-o respeitosamente com uma reverência, abraçando-o em seguida. O modo contido de Takao não impediu que Rin se sentisse mais uma vez em casa, voltando a ter a sensação de segurança que sempre tivera ao estar nos braços do pai.
- Fizeram uma boa viagem? – Perguntou, passando a olhar os dois.
- Sim, não me lembrava de como as viagens de trem eram rápidas. – Mai sorriu, segurando a mão da filha.
- Você está linda, Rin-chan.- Takao comentou subitamente, olhando Rin. Os olhos estreitos e enrugados do patriarca brilhavam, saudosos em encontrar o olhar expressivo da morena. Ela sorriu de volta, dando a outra mão para o pai.
- Eu estava com saudades. – Os olhos castanhos se alagaram, formando lágrimas contidas.
- É bom te ter de volta, musume. – Takao disse.
- É bom estar de volta... – Sorriu novamente, passando a olhar os outros que estavam ali.
Os pais de Rin cumprimentaram brevemente a família de Sesshoumaru. O ambiente não era descontraído e havia um desconforto palpável naquele encontro. Takao nunca achou que o youkai fosse digno de estar com a filha, ainda mais por conta da desconfiança gerada pelo assassinato de Sarah. No início, ele não aceitou que Rin se sujeitasse a ficar com Sesshoumaru enquanto sua inocência não fosse provada. Por outro lado, InuTaisho temia que o filho destruísse a vida daquela outra humana, que as diferenças entre eles causasse mais problemas para a história atribulada de seu primogênito.
Mesmo com os conflitos gerados pelas duas famílias, Rin e Sesshoumaru resolveram se casar, dispondo-se a enfrentar todos os problemas juntos. Acreditavam que as diferenças poderiam ser superadas e que só seriam felizes juntos. Embora ainda se amassem, o sonho de superação do casal estava ficando cada vez mais questionável e distante.
Após os cumprimentos mais formais que o necessário e a apresentação de um aperitivo, sentaram-se para jantar. Sango havia encomendado um tradicional jantar japonês, simples e refinado ao mesmo tempo. Enquanto esperavam que os pratos fossem servidos por uma governanta contratada pela irmã de Sesshoumaru, Rin e Mai iniciaram uma baixa conversa.
- E então? Como está meu neto?
- Crescendo... a cada dia mais! – Rin sorriu, passando a mão por cima da saliente barriga. – É um menino.
- Oh, que ótima notícia. – Mai exclamou, acariciando também a barriga da filha brevemente. – Você demorou a nos contar.
- Eu sei, hahauê, me desculpe.- A morena desviou os olhos, respirando fundo. – Estive preocupada com... outras coisas. – Umedeceu os lábios, prendendo o lábio inferior entre os dentes por um instante. – Eu também não sabia como...
- Eu sei. – Mai interrompeu a filha, puxando seu queixo para que se olhassem. – Eu só quero te ter por perto de novo, Rin. Não quero que meu neto cresça longe de mim e, principalmente, não quero que você passe por tudo isso sozinha. – Ela olhou Sesshoumaru, que estava sentado do outro lado da filha, brevemente. O youkai percebeu a movimentação, mas preferiu ignorar, mantendo-se calado.
- Eu prometo, não vou mais me afastar. – Rin segurou a mão de Mai entre suas duas mãos, sorrindo em seguida.
O jantar foi finalmente servido e todo burburinho se transformou em silêncio. Eventualmente, Izayoi se pronunciava, tentando deixar a atmosfera um pouco mais leve, mas somente Mai retribuía a conversa. Takao manteve-se quieto e sério, movimentando seus hashis serenamente, atento somente ao seu prato.
- Eu e InuTaisho voltaremos à Paris amanhã, para que ele retome o trabalho na sede da Europa. – Izayoi comentou, olhando o marido brevemente.
- Oh sim. Takao e eu também voltaremos a Nagoya amanhã. Não podemos deixar a loja fechada. – Mai respondeu, voltando-se para a filha. – Talvez Rin-chan e Sesshoumaru-sama possam nos acompanhar.
Rin congelou, segurando seus hashis com mais força que o necessário. Ela não olhou a mãe, não olhou Sesshoumaru e sequer se moveu, deixando a mesa em um clima tenso. InuTaisho se movimentou na cadeira com desconforto, lembrando-se da conversa que tivera com o filho há alguns dias. Olhou o primogênito, que continha uma expressão fria estampada no rosto, com uma visível linha de descontentamento entre os olhos.
- Creio que poderemos pensar em outra data oportuna... – Rin comentou, respirando fundo.
- E por que não amanhã? – Takao interviu pela primeira vez, encarando a filha e o genro.
- Sesshoumaru está cuidando da empresa, chichiuê. – Ela explicou, virando-se para o pai. – Não é uma boa ocasião para deixarmos Tóquio.
- Certamente seu marido poderá ir a Nagoya em outra data, mas você pode nos fazer companhia. – Ele continuou, vendo Rin estancar na cadeira. Foi a vez de Sesshoumaru de mover com desconforto, soltando os hashis sobre a mesa.
- Pai, podemos conversar sobre isso em um momento mais oportuno, talvez depois do jantar. – Rin inquiriu, lançando um olhar de súplica para Mai.
- Rin-chan está certa, querido. – Mai concordou, passando a mão suavemente pelo braço do marido.
- Só gostaria de entender por que minha filha está sendo feita de prisioneira aqui. – Takao também depositou os hashis sobre a mesa, olhando o genro.
- Chichiuê!
- Eu nunca fiz sua filha de prisioneira. – Sesshoumaru finalmente se pronunciou, encarando o sogro. – Se ela não voltou a falar com vocês nestes anos, não foi por escolha minha.
- Já chega, Sesshoumaru. – Izayoi quase ordenou, encarando o filho.
- Eu conheço a filha que criei e sei que ela não é feliz aqui; você está a prendendo à sua vida miserável. – Takao respondeu agressivamente, segurando a borda da mesa.
- Pouco me importa o que você pensa da minha vida, Takao. Eu sou casado com Rin e ela está ao meu lado agora. – O youkai recompôs a postura, encarando Takao do outro lado da mesa.
- Você transformou a vida da minha filha em um inferno e vai fazer do meu neto um monstro igual a você. – Takao acusou, levantando-se da mesa.
- Pai, por favor... – Rin implorou, levantando-se também. Ela prendeu os dedos em volta do braço de Sesshoumaru, que acabou levantando-se também para encarar o sogro.
- O sangue que corre nas veias da criança que Rin espera é o meu, queira você ou não. A vida dele diz respeito a mim e sua criação também e nem você, nem ninguém vai me afastar do meu filho. – O youkai ditou, travando os maxilares em uma linha fina de raiva.
- Vamos embora, Mai. – Takao ordenou, olhando a filha. – E Rin vai conosco.
- Parem com isso. – Mai pediu, levantando-se. – Pelo amor de Deus, Rin está grávida.
- Eu não vou repetir. – O humano repetiu, retirando-se da mesa. Ele deu a volta, caminhando até o cabide onde seu paletó e a bolsa de Mai estavam depositados. A esposa o seguiu, tentando argumentar pacientemente.
- Pai, espera. – Rin fez menção de sair da mesa, mas Sesshoumaru segurou seu braço, fazendo com que o corpo da morena travasse. Ela olhou-o com os olhos marejados, levantando o braço preso. – O que é isso?
- Se seu pai quer ir embora, deixe-o. Ele desrespeitou a mim e a minha família na casa de minha irmã. – Ele ditou, olhando-a por baixo das pálpebras.
- Você não pode estar falando sério. – Rin explodiu, com raiva. – É a minha família, eu não posso deixá-los ir embora daqui assim. – Explicou, vendo que o marido não se movia. – Você foi grosseiro com ele, Sesshoumaru! Você também o desrespeitou.
- Não me importa. – Respondeu calmamente, mantendo os dedos presos na pele da morena.
- Me solta agora, Sesshoumaru. – Ela endureceu, encarando-o. – Eu não estou brincando.
- Nem eu. – O youkai estreitou os olhos dourados, travando o maxilar mais uma vez.
- Sesshoumaru, solte-a agora. – InuTaisho exigiu, levantando-se da ponta da mesa. – Você está justificando as palavras de Takao, comportando-se como um animal.
O primogênito o olhou, afrouxando os dedos do braço da mulher em um gesto quase automático. Rin buscou rapidamente o outro lado da sala, onde Mai tentava argumentar com Takao, buscando acalmar o marido. Sesshoumaru olhou-os, percebendo que o sogro estava irredutível: queria ir embora imediatamente e levar sua filha.
- Se eu estivesse no lugar de Takao-sama, eu não faria nada diferente com Sango. – O patriarca continuou, deixando Sesshoumaru cada vez mais irritado. – Você não está ao lado de Rin, você está se afastando e isolando-a do resto do mundo. Você está sendo egoísta, colocando sua personalidade acima da vida da sua mulher e do seu filho.
- InuTaisho, já foi suficiente por hoje. – Izayoi quase implorou, levantando-se também. – Não vamos complicar mais a situação.
Sesshoumaru deu as costas, caminhando em direção à porta. Sango o seguiu, segurando o ombro do irmão.
- Aonde você vai?
- Embora, levando Rin comigo. – Anunciou, voltando a andar.
- Sesshoumaru, não faça isso. – A morena continuou a segui-lo, apressando seus passos para acompanhar a caminhada larga do irmão. – Deixe Rin conversar com ele, deixe as coisas se acalmarem. Levá-la embora agora só vai gerar mais confusão, pense nisso.
- Eu vou levar Rin daqui de qualquer maneira, querendo aquele velho ou não. – Ele aumentou o tom de voz, girando os calcanhares para encarar a irmã. Sango ficou estancada, não conseguindo reconhecer Sesshoumaru naquele comportamento explosivo. Não o via assim desde as crises de raiva acarretadas pela perda de Sarah, há muitos anos. Mesmo assim, geralmente, quando o irmão se sentia enraivecido, ele se trancava em um silêncio frio e paciente.
Rin já estava na porta do prédio, tentando convencer o pai a não ir embora daquela forma. Ele, no entanto, estava irredutível em partir e levá-la consigo e com Mai.
- Chichiuê, vamos conversar, não deixe as coisas assim. – Ela implorava, enquanto o patriarca olhava em volta, tentando conseguir um táxi.
- Eu não quero que você fique aqui com este monstro. Você tem que pensar agora também no seu filho. – Takao virou-se para a filha, encarando-a diretamente. – Você quer mesmo continuar aqui sozinha, sob as grosserias e o mau temperamento de Sesshoumaru? Já não é suficiente ser acusada de cúmplice do assassinato daquela mulher?
- Sesshoumaru não matou Sarah, pai. Já chega de insistir nisso. – Rin levou uma das mãos ao ombro do pai, respirando fundo. – Ele é o homem que eu amo. Mesmo que as coisas estejam sendo difíceis, você tem que entender que meu lugar agora é aqui.
- Nunca! – Takao esbravejou, virando-se para acenar a um táxi que passava. – Se você quiser passar o resto da sua vida na sombra de um homem que não está ao seu lado, que te trata como se você fosse mais uma das coisas de seu império e que nunca vai superar a morte da ex-mulher, a escolha é sua. – Ele virou-se para a filha mais uma vez, encarando os olhos castanhos com firmeza. – Eu criei você e Shuji para que fossem pessoas de bem, para que fossem felizes. Todas as vezes que vejo seu rosto em um tabloide qualquer, acusada de ter ajudado este monstro a matar aquela menina, eu sinto como se tivesse falhado.
- Chichiuê... – Rin soluçou, prendendo os dedos no tecido do paletó dele.
- Eu já sofri por ter falhado com Shuji, sofri por não ter cuidado dele e por ter tido um filho morto como consequência. – Ele respirou fundo, tentando prender as lágrimas formadas abaixo dos olhos negros. – Agora tenho dois. Dois filhos com quem falhei; dois filhos mortos. – Finalizou, entrando no táxi.
- Takao! – Mai exclamou, horrorizada.
Rin levou uma das mãos à boca, soltando um sonoro suspiro de choro. Seu peito se estendia rapidamente, em uma respiração ruidosa e descompassada. Sua pressão explodia em seus ouvidos e a cabeça rodava, como se estivesse sendo martelada continuamente. Ela fechou os olhos, passando a mão pela testa, tentando manter-se de pé.
Mai virou-se para a filha, passando a mão pelo longo cabelo escuro.
- Nada disso foi dito com coração, Rin-chan, seu pai te ama. – Mai também chorava contidamente, tentando controlar o tremor das mãos. – Eu vou falar com ele e amanhã conversamos, com mais calma.
- Mai. – Takao inquiriu, já de dentro do táxi.
- Fique bem, meu anjo. – Mai se despediu, depositando um breve beijo na testa da filha. – Cuide dele. – A enrugada e vacilante mão passou pelo ventre de Rin e então ela partiu, entrando no táxi.
A morena ficou estancada na calçada, olhando o táxi dos pais partir. Seu corpo inteiro doía pela rigidez contida em seus músculos, causando um tremor intenso. Podia ouvir claramente o som do sangue se esforçando para passar com tanta rapidez pelas veias de seu pescoço e rosto, deixando-a tonta. Suas pernas quase falharam, não podendo se mover para lugar algum. Ficou ali, então, sentindo a brisa fria da noite batendo por seus braços descobertos, causando um arrepio agudo em sua pele.
Olhou para trás por um instante e viu Sesshoumaru parado no meio do hall de entrada do prédio, olhando-a friamente. Ele tinha o paletó e seus pertences pendurados no braço, pronto para que fossem embora daquela terrível noite.
Ela voltou-se para a rua e não viu mais o táxi que levava seus pais embora. Seu peito se apertou mais uma vez e então afundou os dedos finos pelo volumoso cabelo, desesperada por não saber pra onde ir.
Seus olhos não captaram sequer a van escura que dobrou a esquina, aproximando-se da calçada. Assim que chegou a alguns metros, a porta do veículo se abriu, revelando um interior mais escuro que a cor do próprio carro. Sua reação foi zero, embora sua cabeça gritasse para que ela corresse, para que ela se afastasse da calçada.
Sesshoumaru encarou a cena de longe, colocando-se para correr, descendo como um raio os degraus de entrada do prédio. Um grito grave saiu de sua garganta, fazendo com que Rin o olhasse mais uma vez. Os olhos castanhos estavam desamparados e uma última lágrima fina escorreu pelo rosto pálido, manchando a pele suave e delicada.
Antes que alcançasse o último degrau antes do portão, um par de braços agarrou o corpo estreito de Rin e a trouxe para dentro da van. Ela pareceu finalmente despertar, soltando um último grito abafado pelo movimento e debatendo-se com toda força que tinha. Os dedos se prenderam na borda da porta da van, tentando sair daquele cubículo. Projetou seu corpo pra frente, mas antes que qualquer força a empurrasse para fora, os braços fortes a puxaram para dentro do carro novamente, fazendo com que seus dedos escorregassem da beirada da porta. A última reação foi em vão; a porta do veículo se fechou, levando Rin e todo resquício de sanidade da vista de Sesshoumaru.
O youkai enlouqueceu, perdendo todo controle. Ele quase arrancou o portão ao passar pelo último obstáculo até a rua, colocando-se para correr atrás da van. Mesmo que suas passadas fossem mais rápidas do que a de um humano, rapidamente o veículo ganhou velocidade e dobrou a esquina mais uma vez, deixando-o para trás.
Ele estava cego. Não podia mais ver as luzes do trânsito da avenida, tudo havia ficado em silêncio e somente a última imagem de Rin olhando-o da calçada ocupava sua mente. O pedido silencioso de socorro dela foi a última imagem que teve, em um momento em que ele também havia ficado desamparado. Não sabia mais o que faria, não sabia se gritava, se corria até alcançar a van, não estava conseguindo colocar os pensamentos em ordem.
- Rin! – O grito agudo de Sango atrás de si o despertou e ele finalmente virou-se para olhar a figura da irmã chorando, agachada na calçada. Miroku tinha uma das mãos no ombro da mulher e uma expressão confusa no rosto, olhando para Sesshoumaru. Logo, toda família estava ali na calçada também, desesperados por ver a figura do youkai perdida no meio da rua, sem saber para onde ir.
InuTaisho e InuYasha correram até o primogênito, trazendo-o de volta para a calçada. O hanyou falava uma série de palavras enraivecidas sem ordem, que Sesshoumaru não conseguia digerir. O pai manteve-se calado, tentando pensar com calma.
- Vamos chamar a polícia! Foi um sequestro. – Izayoi suplicou, reunindo as duas mãos em um sinal de prece.
- Não foi um sequestro. – Sesshoumaru determinou, parecendo recuperar o raciocínio. Como um relâmpago, o instinto do youkai se aflorou e ele colocou-se a andar até o carro, estacionado a alguns metros dali.
- Onde você vai, Seshoumaru? – InuTaisho começou a caminhar atrás do filho. – Você não vai alcançá-los.
- Eu sei quem fez isso. – O youkai falava sozinho, ignorando as palavras do pai.
- De quem você está falando? – O mais velho parou, vendo o filho abrir a porta da BMW prata, entrando ali.
- Daquele desgraçado. Ele vai acabar com a minha vida outra vez. – Sesshoumaru finalmente concluiu, colocando a chave no contato.
- Você nem pense em fazer isso! – InuTaisho gritou, colocando as mãos no vidro do motorista. – Você enlouqueceu, Sesshoumaru! Saia deste carro agora!
O barulho alto dos pneus cantando no asfalto preencheu o eco da rua e logo a BMW já estava seguindo pela avenida. O patriarca afundou as mãos sobre o rosto, enraivecido. Não podia acreditar que o filho seria estúpido àquele ponto. Não podia acreditar que Sesshoumaru perderia o controle daquela forma. Precisava tomar alguma providência, antes que seu primogênito fizesse uma besteira maior. Pegou o celular e digitou alguns números rápidos, voltando-se para o seu próprio carro, estacionado também logo ali.
- Hakudoushi, precisamos encontrar Sesshoumaru; ele vai matá-la.
Capítulo longo e tenso! As coisas começam a correr, a partir de agora. Espero que gostem =))
No mais, boas festas para todo mundo =) que 2013 seja um ano ótimo para todos nós.
Beijo especial para a Cla-chan, amiga dos tempos antigos de fanfic que continua a me acompanhar! =)) fiquei muito feliz com sua review, Cla! Apareça!
