Sinopse: Como vocalista do Stage Dive, Sasuke estava habituado a ter o que quiser, quando quiser, seja bebida alcoólica, drogas ou mulheres. No entanto, quando um desastre nas relações públicas serve como um despertar para sua vida e o leva para uma clínica de reabilitação, ele conhece Sakura, sua nova assistente em tempo integral para mantê-lo longe de problemas. Sakura não está disposta a aceitar merda do sexy roqueiro e está determinada a manter seu relacionamento completamente profissional, apesar da forte química entre eles. Mas quando Sasuke vai longe demais, Sakura vai embora, e ele percebe que pode ter perdido a melhor coisa que já aconteceu com ele.


Torta de Mirtilo era obra do diabo.

Comi duas porções finas para ter certeza. Mas agora eu sabia. Sentei no canto da sala de estar dos Uzumaki, Konan de um lado e Hinata do outro. Pratos vazios estavam em todas as nossas voltas. O velório tinha sido outra coisa. Algo envolvendo comida, boa música, e quase todos os Uzumaki conhecidos. O clima triste tinha prevalecido no início. É claro que tinha. Mas a conversa e o riso calmo haviam penetrado lentamente o espaço até que se tornou mais uma celebração da vida de Kushina do que um luto pela sua morte. Agora, cinco horas mais tarde, a multidão começou a diminuir. Eu sufoquei um bocejo, piscando os olhos cansados. Tinha sido um inferno de dia com todos os altos e baixos emocionais.

Naruto se ajoelhou aos pés de Hinata. Seus lábios exuberantes estavam compreensivelmente virados para baixo nas extremidades. Não é que eu tenha o hábito de verificar a boca dos homens de outras mulheres. Às vezes, porém, as coisas eram um pouco difíceis de não notar.

— Hey. — Hinata disse disse suavemente, colocando a mão no rosto dele.

— Eu preciso ser feliz.

— O que posso fazer para você?

— Diga que me ama. — Ele se inclinou e ela o encontrou no meio do caminho, colocando um beijo suave em seus lábios.

— Eu te amo, Naruto... — Ela disse.

— Não, você não ama. Você só está dizendo isso para me fazer conversar. Isso é uma coisa horrível de se mentir para mim, abóbora. Eu não sei como você consegue dormir à noite.

— Eu durmo muito bem, deitada ao seu lado. — Ela sorriu e enfiou os braços em volta de seu pescoço. Durante muito tempo, eles se abraçaram apertado, se provocando e murmurando carinhos.

— Onde está o Sasuke? — Konan perguntou, interrompendo o show.

Acho que não deveríamos azarar o casal apaixonado. Mesmo que estivessem sussurrando palavras doces e dando uns amassos bem em nossa frente. Eles eram bonitos. Sim, eu poderia admitir a falta de ter alguém especial, às vezes. Embora os homens que tinha namorado estavam mais inclinados a causar problemas do que conforto. Daí o meu voto para ficar sem sexo e sozinha. Eu tive que me proteger do meu próprio gosto de merda para homens, mesmo estando carente de uns abraços.

— Sakura? — Konan riu. — Olá?

— Desculpe. Ah, Sasuke... Ele está lá fora com o Sr. Uzumaki. Acho que ele estava precisando de algum tempo livre da Sakura.

— Ele fez um belo discurso.

— Sim, ele fez.

— E você fez um ótimo trabalho fazendo com que ele fizesse isso.

— Obrigada. — Eu estudei meu prato vazio.

— Ele não teve um monte de mulheres em torno dele para poder depender... — Ela disse, sua voz abaixando o volume. — Como ele disse, sua mãe foi embora cedo. Embora eu acho que foi, provavelmente, uma bênção. Do pouco que Sasuke me contou, ela não era alguém que você quer por perto.

— Sasuke não tende a falar sobre ela. Ele não tende a falar sobre qualquer coisa, normalmente. — Eu fiz uma careta para o vazio novamente. Eu aprendi mais sobre ele nas últimas duas horas do que nos últimos dois meses. Era uma responsabilidade muito grande. A maneira como o vi hoje foi diferente em todos os aspectos.

— Sim, Sasuke não é o que você chamaria de tagarela.

Eu bufei.

— Isso é dizer o mínimo. Se eu conseguir duas palavras dele sobre seus compromissos, estou indo bem.

— E ainda assim você sobreviveu mais tempo que todos. — Com um pequeno suspiro, Konan passava as mãos sobre a barriga. Ela também já havia provado várias das sobremesas. — Você está obviamente fazendo algo certo.

— Hum. Eu me pergunto o que? — Eu olhei para o teto um pouco mais, com os pensamentos profundos.

— Eu não sei. Talvez ele goste de você. Talvez ele esteja solitário e apenas gosta de ter você por perto.

— Sim, certo. Nós estamos falando sobre o mesmo Sasuke Uchiha aqui? O astro do rock?

— Que vergonha, Sakura. — Ela disse, com sorriso desmentindo suas palavras. — Você tem estado em torno por tempo suficiente para saber que ser um astro do rock nem sempre significa o que representa.

— Talvez...

— Se ele é cauteloso, é por uma razão.

— Ele falou com você sobre isso? — Eu perguntei, curiosa.

Ela soltou uma gargalhada.

— Ah, eu acho que não. Estou praticamente mantendo uma distância educada como todo mundo. Mas nunca se sabe, se perguntar agradavelmente, ele poderia falar com você.

Eu franzi o nariz. Apesar dos acontecimentos sem precedentes de hoje, o pensamento de Sasuke falando comigo de uma forma mais regular ao invés de apenas latir ordens de vez em quando parecia altamente improvável.

— Ele também pode simplesmente me demitir por enfiar meu nariz nos assuntos dele.

— É verdade. Estes são os riscos que corremos quando nos preocupamos com as pessoas.

Algo na maneira de como ela disse me colocou em alerta.

— Oh, não. Sasuke e eu estamos estritamente em uma relação profissional.

— Eu sei. — O sorriso dela? Eu não confiava nele.

Escutei passos batendo e Itachi marchou até nós. Um pequeno cachorro preto-e-branco se contorcia em suas mãos, o rabo abanando loucamente. O homem não estava muito feliz.

— O cachorro mijou no meu sapato.

— Oops. — Konan lhe deu um sorriso irônico.

— Não é engraçado. — Itachi resmungou, soando tão parecido com seu irmão, que por um momento pareciam ser gêmeos. Foi fofo.

— Bem feito, Killer. — Naruto levantou o cão das mãos de Itachi. — Eu estou orgulhoso de você, filho.

— Ele não vai mudar o nome? — Konan perguntou.

Hinata deu de ombros, estendendo a mão para coçar a cabeça do cachorro.

— Eu meio que me acostumei com ele.

O filhote tinha sido um presente de aniversário para Anne, uma semana antes, embora Naruto achasse melhor dar um nome antes de presentear-lhe. Killer veio de um condomínio de luxo onde os animais eram provavelmente autorizados a fazer o que quisessem.

Com certeza, eu não iria reclamar.

Um grito alto soou do lado de fora. Outro imediatamente atrás. Só que dessa vez, o barulho continuou e continuou. Poderia ter sido um animal, se não houvesse palavras contidas e furiosas.

— Isso é uma mulher? — Eu perguntei, me encolhendo.

— Que diabos? — Naruto se apressou, entregando o cachorro para Hinata.

Naruto e Itachi correm para a porta, Konan e eu fomos atrás deles. Lá fora, o ar frio me deu um tapa no rosto após o calor da casa. Foi a cena mais estranha e cena perturbadora que já vi. Embaixo de uma árvore de carvalho, uma mulher sozinha estava ocupada gritando para Sasuke.

O que de fato estava acontecendo. Itachi correu em direção a eles.

— Mamãe. O que você está fazendo aqui?

— Seu ingrato fodido... — A mulher mais velha gritou, ignorando seu filho mais novo completamente. — Você acha que eu não vou contar tudo?

Sasuke nem piscou.

— Vá em frente. Eu não vou te dar mais dinheiro. Já lhe disse isso essa manhã. O que diabos imaginou que ia conseguir aparecendo aqui?

Ela tinha longos cabelos escuros e a maçãs do rosto saltadas. A semelhança da família era óbvia, só a pele estava afundada e seu cabelo pairava em fios atados pelas costas.

— Suas ameaças não me assustam. — Ela zombou.

— Mãe, isto é um funeral. Saia daqui. — Itachi disse, tomando uma posição ao lado do irmão.

— Ita, você sempre foi mais doce para mim do que ele. Você vai ajudar a sua pobre e velha mãe, não vai? — Sua voz era nociva, falsamente doce. — Apenas um empréstimo, baby. Eu só preciso de um pouco de ajuda para seguir em frente.

Os ombros do homem se endireitaram.

— Pelo que eu ouvi você pegou empréstimo mais que suficiente de Sas e você jogou tudo por água abaixo. Não é?

— Eu preciso do meu remédio.

— Seu remédio? Que mentira descarada. — Sasuke zombou. — O que você precisa fazer é cair fora daqui antes que eu chame a polícia.

— Sai, mãe. — Itachi disse. — Isso não está certo. Estamos aqui para dizer adeus a Kushina. Tenha um pouco de respeito, huh?

As pessoas estavam se reunindo na porta da frente atrás de nós, observando a cena horrível com seus olhos arregalados e curiosos. A vadia apenas continuava em frente com sua imitação de bruxa. Como uma mãe poderia ser tão mesquinha estava além de mim, mas o que isto deve ter causado em Sasuke era a minha verdadeira preocupação. Deus, isso era a última coisa com que ele deveria lidar hoje.

Eu silenciosamente me movi atrás dele, chegando mais perto, caso ele precisasse de mim. No momento em que tivesse a chance de pôr fim a essa merda, eu faria.

Sua mãe deu uma gargalhada.

— O que essa vadia julgadora alguma fez, além de virar os meus filhos contra mim, huh?

— Vamos lá, mãe. Dê a si mesma algum crédito. — Sasuke disse, com sua voz cortante. — Você fez tudo isso muitas vezes, antes de conhecermos Kushina.

A mulher rosnou para ele, na verdade, aumentando o lado de seu lábio como um animal raivoso. Se ela começasse a espumar pela boca, não teria me surpreendido nem um pouco. Uma potente mistura de ódio e loucura encheu seus olhos. Não é de admirar que Sasuke tivesse seus problemas. Eu não conseguia imaginar ele sendo submetido a isso quando garoto.

— Você não passa de uma viciada. — Ele disse, jogando em seu rosto, provocando-a. — Uma escória desagradável de sugadores de merda da qual temos muito azar de sermos relacionados. Agora dê o fora daqui antes que eu chame a polícia atrás de você. Diga à mídia o que você quiser porque eu não vou dar a porra de dinheiro algum a mais para você comprar drogas. E se você acha que há alguma chance de eu deixar você tentar a mesma merda com Itachi, você está ainda mais louca. — O rosto dela ficou roxo como se estivesse tendo uma convulsão. — Saia daqui.

Com a boca contorcida, ela lançou-se sobre ele. As unhas sujas arranhavam o rosto, deixando brutas linhas irregulares. Sem pensar, avancei, empurrando-o. Mas Sasuke estava muito ocupado agarrando os braços da mulher, tentando segurá-la de volta para se preocupar comigo. Seu irmão só olhava, boquiaberto. Louca de raiva, a mulher voltou para Sasuke novamente, tentando abocanhar com os dentes.

Sangue caiu do rosto de Sasuke e eu tinha há muito tempo visto vermelho. A raiva trovejou através de mim, me aquecendo, apesar do frio.

Os dois irmãos estavam juntos. Não importa. Eu empurrei para frente, firmando meu corpo entre eles. Então eu empurrei a cadela forte no meio de seu peito. Sasuke, obviamente, não esperava por isso. Seu controle vacilou e a mulher se estatelou no chão frio e duro. Seu casaco verde puído se abriu, revelando um vestido de verão desbotado. Seus membros eram magros, cheio de feridas vermelhas irritadas. Meu Deus, como essa mulher ainda estava viva?

— Eu vou processá-la. — Ela urrou para mim. — Isso é agressão. Você acha que eu não sei de nada?

Sim, certo. Mal ela sabia, que não valia nada me processando.

— Nem tente isso, mãe. — Sasuke sempre tão delicado, me deu uma cotovelada para eu voltar para trás dele. — Estou gotejando sangue aqui. Ataque instintivo. Sakura apenas me defendeu. A polícia vai rir de você se tentar.

— Vamos ver. — As características finas do rosto dela se torceram com malícia. Lentamente, a senhora Uchiha voltou a ficar em pé, envolvendo o casaco apertado em volta de seu corpo.

Nenhum de seus filhos disse nada.

— Vadia estúpida! — Ela cuspiu para mim, então tropeçou fora de todo o gramado, para a rua. Eu nunca estive tão feliz em ver as costas de alguém antes.

— Então, não há chance de eu ir para a cadeia, certo? — Eu perguntei, apenas curiosa. Tudo bem, talvez um pouquinho com medo das ameaças da mulher louca.

— Claro que não. — Sasuke olhou por cima do ombro para mim. Três linhas sangrentas estavam gravadas em sua bochecha.

A visão trouxe o frio correndo de volta.

— Precisamos limpar o seu rosto. Vamos para dentro.

A visão trouxe o frio correndo de volta.

— Precisamos limpar o seu rosto. Vamos para dentro.

— Ela me seguiu até o hotel, telefonou essa manhã.

Os lábios de Itachi nitidamente se alinharam.

— Por que você não disse nada?

— Tem coisa suficiente acontecendo para se preocupar com ela. — Sasuke disse.

— Pelo amor de Deus, cara. Ela é minha mãe.

— Sim, a minha também.

A testa de seu irmão ficou toda enrugada. Deve ser uma coisa dos Uchiha, ambos faziam isso em momentos de estresse, confusão ou apenas sobre qualquer outra emoção. Enquanto isso, Sasuke não se moveu um centímetro. Ele ficou ali, sangrando.

— Está frio. — Itachi disse.

Sasuke se virou, dando a sua mãe uma última olhada. Para todo o mundo, seu olhar devia parecer entediado, irritado. Mas os dedos mexendo na parte inferior de sua jaqueta deram uma pista, pelo menos para mim. Ele não era tão sem emoção como desejaria que todos acreditassem.

— O que você quer fazer, colocá-la em um abrigo? Ela não vai ficar. Devemos comprar-lhe algumas roupas mais quentes? Ela vai trocar por bebida e drogas em menos de um minuto. É tudo o que ela se preocupa e é tudo que ela quer.

— Sim, mas...

— Mas o quê? — Sasuke perguntou, com o sangue escorrendo lentamente de seu rosto.

— Merda. — Seu irmão passou a mão pelos cabelos na altura dos ombros. Eles realmente eram semelhantes em muitos aspectos. — Será que é realmente fácil para você simplesmente virar as costas?

— Eu sei que está frio, Ita. Eu sei.

— Porra cara, você está bem? — Naruto perguntou.

Sasuke se encolheu como se machucasse novamente.

— Sim. Sinto muito sobre isso, ela vir até aqui e tudo...

— Garotos, isso não foi culpa de vocês. — Todo mundo deveria ter um pai como o de Naruto. Sua voz era absoluta, não permitia nenhuma besteira. A boca de Sasuke abriu para protestar e o Sr. Uzumaki levantou uma mão. — Não, filho. Isso é o suficiente. Por que não vamos todos para dentro agora, sair desse vento.

Como o show terminou, os espectadores sobre os degraus da frente começaram a se mover para dentro. Sasuke acenou com a cabeça e também fez o que lhe foi dito. Segui ele e Naruto para o banheiro no andar de baixo, cada parte de mim tensa com agitação. Eu não era uma pessoa violenta normalmente. O que eu não daria para ter outra chance com a mulher, no entanto.

O banheiro era um espaço apertado e estreito. Aparentemente, os Uzumaki's não tinham utilizado a ajuda do dinheiro de seu filho. A casa era um modelo mais antigo, de madeira, de dois andares, cercada com canteiros de flores agora adormecidas. Fotos alinhadas no corredor mostravam todas as cores que cresciam lá na primavera, no entanto. Minha mãe adorava jardinagem. Ela sempre mexia nos fins de semana no inverno, nunca sabendo muito bem o que fazer com ela mesma. Normalmente, ela começava algum artesanato complicado que facilmente seria abandonado no momento em que o solo começasse a descongelar. A súbita onda de nostalgia tomou conta de mim.

O que era bobagem.

De jeito nenhum eu queria voltar para casa ainda. Depois da comedia do casamento de minha irmã, agora que todo o alarido se acalmou? Tudo bem. Então eu passaria algum tempo com os meus pais, me reconectaria, e faria as coisas direito. Eu conversaria com meus velhos amigos e veria o que foi deixado para mim em casa. Era uma promessa.

— Minha mãe guardava todos os materiais de primeiros socorros aqui. — Naruto vasculhou o armário da pia, puxando uma caixa branca velha. — Ah, ai está.

— Não é tão ruim assim... — Jimmy disse. — Eu só vou lavar.

— Definitivamente não. — Eu disse.

— E o risco de deixar esse rosto bonito se infectar? — Naruto estalou a língua, intercedendo impecavelmente. — Por favor, princesa. Por mim?

Sasuke deu-lhe um leve sorriso e aceitou a caixa.

— E eu tenho certeza que Sakura gostaria de brincar um pouco de enfermeira. Vou deixar vocês crianças. — Eu me achatei contra a parede e Naruto apertou o passo, se retirando para o corredor. — Grite se precisar de alguma coisa.

A tampa da caixa de primeiros socorros antiga rangeu fortemente quando Sasuke abriu.

— Sim.

— Obrigada. — Eu sorri para Naruto. Ele piscou.

— Certo. Sente-se na borda da banheira. — Eu instruí, assumindo o comando.

Sasuke se sentou, inspecionando as manchas vermelhas escuras na parte da frente da camisa.

— Está arruinada.

— Você tem outras.

— Eu mandei fazer essa especialmente em Saville Road, em Londres. Você tem alguma ideia do quanto custa isso?

Por favor. O homem tinha mais dinheiro do que Deus.

— Você precisa de um empréstimo? — Ele bufou. — Porque, honestamente, eu não sei se eu gosto de você o suficiente para isso.

— Não sabia que você gostava de mim de jeito algum. — Ele disse, alisando sua camisa como se isso fosse ajudar a melhorar. Ele estava certo, a coisa merecia um bilhete só de ida para um saco de roupa velha.

— Hmm. Você não é tão ruim. Eu conheci muito, muito pior. — E nós realmente não precisamos disso em qualquer momento nessa década. Eu calei minha boca e empurrei para cima os meus óculos, me ocupando, procurando algo no armário de remédios. — O que nós temos aqui?

— Olha, Sakura, sobre hoje...

Eu esperei que ele terminasse. E esperei.

— O quê?

Ele fez uma careta para a parede, evitando meus olhos completamente.

— Eu só... Eu só queria dizer, ah...

— Sim-m-m?

— Bem, isso hum, você foi útil.

— Eu fui útil? — Minhas sobrancelhas subiram em alturas perigosas, eu podia senti-las. Depois de tudo o que passamos hoje, útil foi tudo de bom que ele conseguiu?

— Sim, principalmente.

— Principalmente? Eu fui muito útil. — Lentamente, eu balancei a cabeça, reprimindo um sorriso incrédulo. Sorte de meu senso de autoestima não ser dependente dele, ou estaria destruída, triste e paralisada me escondendo em algum canto agora. Este homem, que fez a minha cabeça. Parecia justo em retribuir o favor. — Eu acho que isso foi a coisa mais legal que alguém já me disse, Sr. Uchiha. Foi simplesmente lindo, como poesia. Eu nunca vou pensar na palavra útil da mesma maneira, nunca mais.

Ele fungou com desdém, me dando um olhar severo.

— Ótimo. E foi principalmente útil.

— Sim, desculpe, principalmente útil. Uau. Eu só não sei como lhe agradecer.

— Menos conversa seria um bom começo. Vamos acabar logo com isso.

— Sim, senhor. Agora mesmo, senhor. — Parei de saudar, mas apenas por enquanto.

No final do corredor os ruídos começaram a diminuir com o velório lentamente acabando. Havia o tilintar de pratos e talheres sendo reunidos. Eu podia ouvir Naruto dizendo adeus a alguém seguido pelo estrondo de arrepiar os cabelos da porta da frente. Devia ter sido apanhada pelo vento. Alguma velha canção de Bob Dylan tocava embaixo de tudo.

— De nada, a propósito. — Eu disse, suavizando a minha voz, lhe cortando em uma pausa. O dia dele, afinal das contas, tinha sido muito pior que o meu. Além disso, é óbvio que não era fácil para ele dizer obrigado. Não que ele tivesse conseguido dizer exatamente. — Eu estou feliz que eu esteja aqui para ajudar.

Ele olhou para mim, com os olhos desprotegidos. Pelo menos, não eram frios e duros para variar.

— Eu também. — Ele disse calmamente.

Por um momento, eu realmente me esqueci de mim mesma. Nós apenas olhamos um para o outro em quase silêncio, como se estivéssemos à espera de algo ou tentando descobrir alguma coisa. Eu não sei. Foi estranho.

Então ele se virou.

— Sakura, Olá? — Ele apontou para o rosto dele. — Eu ainda estou sangrando aqui.

— Certo. — Eu rasguei um pacote novo de gaze, então estava ocupada lutando com a tampa do desinfetante. Travas estúpidas de segurança para crianças. — Vamos ver se não podemos consertá-lo. — Quando eu furtivamente levantei o olhar, ele estava olhando para o infinito novamente, e aparentemente estava totalmente fora. — Isso vai doer. — Eu disse, generosamente molhando a gaze. — Quem sabe o quão suja as unhas dela estavam. Nós precisamos limpar muito bem.

Ele torceu o nariz com o cheiro.

— Não finja que você não vai gostar.

— Você me machucou. Como você, eu apreciaria causar-lhe dor leve ou desconforto. — Eu não conseguia tirar o sorriso do meu rosto. Claro, eu não estava me incomodando. As brigas verbais com Sasuke estavam rapidamente se tornando mais divertidas do que as que eu tive na maioria com outros homens nus. O que era triste.

Verdadeiramente triste.

Cuidadosamente, eu comecei a limpá-lo, limpando o sangue de seu rosto. Eu estava tentando não pensar em coisas demais, mas minha mente se recusava a abrandar. Agora havíamos nos tocado mais em um dia do que eu jamais imaginei ser possível. A julgar pela minha condição cardíaca em andamento, isso não era bom. Eu franzi o rosto, concentrando-me. Essa nova conscientização intensificada dele estava me deixando louca. Nós não tínhamos nos conectado, não realmente. Foi só por causa de hoje ser tão impressionável e tudo o mais. Tinha havido mais drama, altos e baixos, do que eu tinha experimentado em anos e colocar tudo em perspectiva levaria algum tempo. Amanhã teremos que voltar para Portland e as coisas voltariam ao normal com Sasuke me ignorando a minha existência. Não havia necessidade de surtar.

De qualquer modo, eu não podia largar o cara agora.

Fale sobre chutar alguém quando ele está pra baixo.

Ele fez uma careta.

— Ouch.

— Não seja um bebê.

Se apenas as minhas mãos estúpidas parassem de tremer, me dando espaço. Felizmente, Sasuke não pareceu notar. Quanto mais eu cuidava do seu rosto, mais louca eu ficava. Honestamente, que merda de dia. Mal perdeu uma mãe maravilhosa, enquanto Sasuke e Itachi sofreram através de uma muito viva e profundamente ruim. Onde diabos estava à justiça nisso tudo?

Vários pacotes de gaze e um mar de desinfetante depois, terminamos. Se a cadela tiver marcado o rosto dele eu faria pior do que empurrar a bunda dela na próxima vez. Apenas por segurança, eu lambuzei creme antibiótico suficiente sobre as feridas rasgadas para transformar o lado do seu rosto em um branco boneco de neve.

— Eu gostaria de ter atingido-a com mais força. — Eu disse. — Eu sinto muito, eu sei que ela é sua mãe, mas...

— Não faça aquilo de novo. — Ele disse. — Ela não é racional, Sakura. Você poderia ter se machucado.

— Ha. Então você teria que me ver virar uma cadela.

—Como o inferno.

— Você não iria brincar de enfermeiro Sasuke comigo? Como é triste. — Eu ri baixinho. Se eu pudesse manter as coisas leves e fáceis tudo ficariam bem. Ou, pelo menos, tão leve e fácil como as coisas nunca tinham sido entre nós. O ar de miséria em torno dele, no entanto, tornava impossível manter certa distância.

— Não foi sua culpa. — Eu disse.

Ele virou-se, com as mãos apertadas em torno do kit de primeiros socorros fazendo-o ranger novamente.

— Terminou?

Cuidadosamente, eu continuava esfregando o creme. O principal problema comigo era a minha boca. É que eu tenho uma e uso muito mais do que eu provavelmente deveria. É especialmente irritante quando teimam em trazer à luz informações que só servem para me fazer parecer idiota.

— Eu namorei um cara uma vez que vendeu meu carro para comprar maconha.

Sasuke se inclinou para trás, longe dos meus dedos.

— Um monte de maconha.

— Sim. — Eu apoiei minhas mãos em meus quadris, mantendo meus dedos gordurosos longe do meu corpo. — Às vezes você tem que afastar as pessoas para o seu próprio bem.

— Você acha que eu não sei disso? — Ele perguntou em uma voz enganosamente calma.

— Lá fora, você não conseguiria se forçar a bater nela. — Eu disse. — Mas ela precisava sair. O mínimo que eu podia fazer era dar a ela um empurrão na direção certa. E eu não me arrependo.

— Da próxima vez, fique de fora.

— Haverá uma próxima vez?

— Espero que não. — A dor em seus olhos era de partir o coração.

Oh meu Deus, ele estava me matando. Isso tinha que parar.

— Você é tudo de bom. — Eu pronunciei, me virando para lavar as mãos na bacia. Mais do que suficiente com o toque. Estava alimentando essa ideia ridícula de que Sasuke e eu éramos próximos, como se fôssemos amigos ou algo assim. Nós não éramos, eu precisava me sacudir. A história ditando mais uma vez quão tola eu era por produzir sentimentos por um cara, meu coração ficava preso até o amargo fim. Minha coleção de ex-namorados idiotas era épica. Quando era para misturar pênis com emoções, eu não poderia ser confiável. Ele era meu só meu chefe, nem mais, nem menos.

Sasuke se levantou e esticou atrás de mim.

— Merda de dia.

— Sim.

— Fique feliz quando acabar e podermos ir para casa.

Ele se estudou no espelho por cima do meu ombro.

— Sakura, eu não posso ir lá fora, assim! Cristo.

— Não há uma bandagem grande o suficiente na caixa para cobrir sua bochecha. Eu fiz o melhor que pude com o que eu tinha.

— Eu estou ridículo.

— Você parece bem. — Eu zombei.

Ele murmurou palavrões.

— Será que você pode se acalmar?

— Não estava falando com você. — Ele resmungou.

Ele se inclinou e me inclinei para frente, só que não havia lugar, nenhum lugar para eu ir. Qualquer contato entre a frente dele e as minhas costas deve ser evitado a todo custo. É basicamente impossível. Confie em mim, eu tentei. Então, eu me conformei em moer meus quadris na beira do armário do banheiro, tentando ficar fora do seu caminho. Era altamente improvável eu conseguir me reduzir de qualquer jeito, mas uma garota pode sonhar sempre.

Atrás de mim, ele começou a cutucar em sua bochecha, fazendo caretas estranhas.

— Pare com isso. — Eu disse. — Você vai fazer isso começar a sangrar de novo.

Gelados olhos negros estreitaram-me no espelho.

— Por que eu não vou perguntar ao Sr. Uzumaki se ele tem uma camisa que possa te emprestar?

Ele apontou com o queixo em acordo. Nove em cada dez vezes este era o método preferido de Sasuke de comunicação. Portanto, muito mais eficaz do que perder tempo com palavras.

— Hum, Sasuke? Se você puder parar de olhar para si mesmo no espelho por apenas um minuto...

— O quê?

— É um espaço pequeno. Você pode me dar algum espaço para me movimentar, por favor?

Seu olhar passou sobre as minhas costas, até a curva da minha bunda abundante e o que tinha de milímetro de espaço entre nós. Sem comentário, ele deu um passo à esquerda, para que eu pudesse ir para a direita.

— Obrigada. — Eu disse.

— Pergunte se ele tem uma camisa branca lisa, sim?

— Claro.

— E depressa.

Sem por favor. Sem obrigado. Sem nada. Típico.

Eu encontrei o Sr. Uzumaki em pé na pia da cozinha, olhando pela janela. Música e conversa fluíam da sala de estar, mas ele permaneceu à parte, sozinho. Ninguém poderia ajudá-lo a passar por isso. Não poderia haver coisa mais devastadora do que perder seu parceiro de vida, a sua outra metade.

E se tivesse sido minha mãe ou meu pai? Merda. Minha garganta apertou. Eu empurrei o pensamento horrível para longe. Eles estavam bem, eu falei com eles no outro dia. Eventualmente, porém, isso tinha que acontecer, eles estavam ficando mais velhos. Meus pensamentos sem rumo tinham que chegar a um fim. Eu precisava voltar e vê-los mais cedo ou mais tarde, porque se algo acontecesse, eu nunca me perdoaria.

Não parecia certo interromper o Sr. Uzumaki. Sasuke teria que esperar.

Eu dei um passo para trás, meu cotovelo batendo em uma tigela de frutas sobre o balcão. O vidro soou ruidosamente, alertando a todos dentro de um raio de doze quilômetros a minha presença. O Sr. Uzumaki virou, olhando-me com surpresa.

— Sakura. É Sakura não é?

—Sim, Sr. Uzumaki. Desculpe incomodá-lo.

— Por favor, me chame de Minato. Sasuke está bem? — As rugas no rosto dele multiplicaram.

— Ele está bem. — Eu sorri. — Mas o senhor poderia emprestar uma camisa? A dele está manchada de sangue.

— Claro. Siga-me. — Ele me levou até a escada atapetada para o segundo andar em um quarto coberto de papel de parede floral. O cheiro de lírios permaneceu aqui também. Sobre a cômoda estava uma foto de casamento e ao lado dela estava uma mais informal deles a partir dos anos 70, eu acho.

— Sua esposa abalava em um par de botas brancas até o joelho. — Eu disse, agachando-me para dar uma olhada melhor. Naruto tinha obviamente herdado o sorriso dela, o brilho malicioso nos olhos. Todo o dinheiro, dizia a Sra. Uzumaki, não trazia a felicidade como as coisas simples do dia, e realmente ela viveu a vida ao máximo.

Eu esperava que ela tivesse.

— Ela abalava em tudo, Sakura. — A profundidade da tristeza na voz do Sr. Uzumaki era imensurável. Assim também como o afeto. — Ela era a mulher mais linda que eu já conheci.

Lágrimas ardiam meus olhos.

— Qual delas você acha que será aceitável? — Ele ficou na frente do guarda-roupa aberto. Metade do espaço ainda continha roupas de Kushina. Fileiras de saias e calças compridas e blusas. Um par de vestidos. Como você seguiria ir em frente, quando metade de sua vida tinha ido embora?

Peguei a primeira camisa que eu vi, precisando sair logo.

— Essa vai ser ótima. Obrigada.

— Você tem certeza? — Suas sobrancelhas subiram.

— Sim. Sasuke vai adorar. Obrigada!

Eu saí antes de começar a chorar e então nós dois ficaríamos envergonhados. O homem tinha o suficiente para lidar sem que eu ligasse o meu reservatório de água. Eu saí de volta para baixo pela escada, respirando com dificuldade.

— Aqui. — Eu segurei a camisa para Sasuke.

Ele parou, levantou a cabeça.

— Você está demitida.

— O quê?

— Sakura, olhe para isso.

Eu olhei então.

— Huh. Bem, é muito brilhante e alegre. Ninguém vai reparar no seu rosto, isso é certo.

— Sim. É por isso que você está demitida.

— Acho que rosa choque e as árvores de Natal vermelhas fazem um lindo destaque. E os veados saltitantes são bem legais... Espere, isso é um salto ou ele realmente está montando debaixo dele?

Dedos irritados voaram sobre os botões de sua camisa branca em ruínas. Ele arrancou os últimos que saíram voando batendo nos quatro cantos do banheiro.

— Oh, Deus. Há até mesmo um trio acontecendo na parte de trás. Essa camisa realmente tem tudo. Mas eu acho que se alguém consegue fazê-la funcionar, é você. — Eu deveria parar. Eu realmente deveria parar. Mas eu simplesmente não conseguia. — O Sasuke Uchiha. Quero dizer, uau. Você é basicamente o rei do estilo.

— Eu não sei por que diabos eu aguento você.

Dei de ombros.

— Nem eu. Mas você continua me pagando, então eu me mantenho por perto.

— Incrível. Vá embora.

— Você quem manda, chefe. — Eu pairava na porta, tentando não rir. — Você realmente vai colocá-la?

Ele jogou a camisa manchada no chão, trabalhando a mandíbula.

— Eu tenho, não é? Não posso insultar Minato.

— Sinto muito.

— Sim. Você teria uma porra de mais credibilidade se não estivesse rindo.

É verdade. Risos derramavam de mim. Tinha que ser devido a todo o estresse de hoje. Embora o olhar no rosto do pobre Sasuke fosse hilariante. E a maneira como ele lidou com a camisa como se fosse algo semelhante à merda de cão, a boca desenhada ampla com desgosto só tornou tudo melhor.

— Estou realmente demitida? — Eu perguntei, enxugando os olhos lacrimejantes. Isto certamente resolveria muitos dos meus problemas. Ou apenas o principal. Se eu não tivesse que vê-lo todos os dias, meus novos sentimentos infelizes iriam diminuir e desaparecer, certo? Certo.

Bem, provavelmente.

— O que está acontecendo? — Itachi caminhou sobre o corredor em sua forma legal de roqueiro. Me movi para dar-lhe algum espaço. — Como está o seu rosto e o que diabos você está vestindo?

— Pergunte a Lena. — Sasuke disse.

— Eu não posso. Sua camisa é tão feia que a fez chorar.

Eu ri ainda mais forte. Algo puxou a bainha da minha calça, e junto veio um rosnado.

— Ai, Killer. O que você acha da camisa do tio Sasuke, hein? — Peguei o cachorrinho lindo antes que ele pudesse roer um buraco na minha bainha. — É magnífica, não é?

— Hey. — Naruto se apertou por trás de Itachi e eu, olhando por cima dos nossos ombros. — O que é isso, uma reunião no banheiro? Preciso entrar, Shikamaru?

Sasuke xingou mais um pouco e colocou o paletó com uma enorme pressa.

— Oh, você está usando a maldita camisa de veado. — Naruto disse, coçando a cabeça de Killer e, gentilmente, acariciando-o. — Isso é ótimo, cara. Comprei para o meu pai como uma brincadeira há alguns anos atrás. Mas eu acho que é fantástico que você é confiante o suficiente consigo mesmo e com sua masculinidade para ir lá fora.

— Eu acho que combina. — Eu sorri. — Ela reflete sua beleza interior como poucas outras camisas poderiam.

— Combina, combina mesmo. — Naruto sorriu e, dessa vez, foi um pouco mais próximo do seu normal. Certamente a melhor tentativa de hoje. — Eu tenho que levar esse cara de volta para sua mãe. Ele deve ir para a sua casinha.

Eu entreguei o filhote.

— Tchau, Killer.

Com o filhote suspenso alto em uma mão, Naruto voltou para o corredor.

— Você o fez sorrir. — Itachi disse.

Sasuke parou de brincar com os botões do seu paletó e seu rosto se iluminou.

— Pelo menos isso foi útil para alguma coisa.

— Você fez um bom trabalho no funeral. — Itachi cruzou os braços sobre o peito, encostado no batente da porta. — Muito bom. Foi um belo discurso.

Sasuke esfregou a parte de trás do seu pescoço.

— Acha que já podemos voltar para o hotel? Eu quero ir para a academia.

Evitando completamente as palavras de seu irmão, que parecia deter mais vergonha, como se elogios não tivessem lugar no mundo de Sasuke. Estranho para um astro do rock. Alguém poderia pensar que ele ia gozar de toda a atenção dada pela forma como ele era exigente com sua aparência. O homem era uma contradição ambulante.

Nenhuma surpresa que a resposta de Sasuke não se registrou no rosto de Itachi. Em vez disso, ele sorriu.

— Claro. Eu vou encontrar Konan e Shikamaru.

— Bom.

Itachi fez uma pausa.

— Olha, mais cedo sobre a mãe. Eu não quis dizer...

— Está tudo bem. — Sasuke cortou. — Esqueça.

— Eu só... Eu não desisti de você. Parece duro não dar a ela a mesma chance.

Sasuke respirou fundo.

— Você estava pronto para desistir de mim. Inferno, você ameaçou, lembra? Todos vocês fizeram. Mas isso não vem ao caso. Eu dei a ela todas as oportunidades ao longo dos últimos anos. Tudo o que ela fez foi me procurar por mais dinheiro a cada porra de chance que ela tinha. Ela não quer ajuda. Ela é perfeitamente feliz vivendo na sarjeta.

Itachi fez uma careta.

Eu estudei os meus pés e fiquei em silêncio. Você não conseguiria cortar o ar com uma faca, seria necessário uma motosserra, no mínimo.

Estranho como o inferno.

Se Itachi não tivesse bloqueado a porta, eu teria feito uma saída rápida, dando-lhes um pouco de privacidade para resolver isso. Mas eu estava presa, forçada a testemunhar. Eu duvidava que Sasuke estava apreciando eu ver tanto dele em um dia. Não ele, no sentido físico, mas ele e seus segredos, seu passado. Essa informação tinha um jeito de ligar as pessoas e meu chefe era uma das pessoas menos propensas a querer uma coisa dessas. Ele fez os meus esforços em ficar separada e sozinha ao longo dos últimos anos parecerem brincadeira de criança. A relação tensa que ele tinha com seu irmão, com quem ele também trabalha junto, era um excelente exemplo.

— Sim. — Itachi suspirou, virando-se para ir. — Acho que ela não quer.

Esperei até Sasuke e eu estarmos sozinhos para falar. Por um longo momento, o único som era o gotejamento da torneira. Hora de quebrar o silêncio.

— Ele está certo. — Eu disse. — O discurso foi perfeito. — Sasuke olhou para mim debaixo de suas sobrancelhas escuras. Seus olhos eram como tempestades de gelo, com a mandíbula rígida. — Você fez um trabalho brilhante. — Eu disse, concentrando na parte positiva de sua conversa com o irmão. — Realmente fantástico. Assim como eu disse que faria.

A borda de sua boca se contraiu. Algo dentro de mim aliviou com a visão.

— Você tinha que colocar isso para fora, não é? — Perguntou.

— Sim, eu tinha.

Ele balançou a cabeça.

— Ótimo. Eu não disse para você ir embora?

— Você está sempre me dizendo para ir embora. Eu teria meio caminho andado até Yukon por agora se eu realmente escutasse você. — Eu bocejei lindamente. Se ele não se agitou muito divertido, havia uma boa chance de eu parar. Bem, pelo menos. — Você não me disse se eu realmente estou demitida ou ainda não.

Suas sobrancelhas arquearam, em expectativa.

— O que você acha, Sakura?

— Eu acho que, independentemente de tudo o que sai da sua boca, você continua me pagando. E o dinheiro fala. — Ele não disse nada. — Eu também acho que se eu realmente for embora, você sentiria minha falta, Sasuke Uchiha. — Por um breve momento, uma parte confusa e carente de mim ansiava que ele concordasse, o que era completamente insano. Eu deveria cortar a parte boba fora e cauterizá-la, extirpá-la do meu corpo. Sem dúvida, seria a coisa mais sensata a fazer. Qualquer desejo ridículo por algo semelhante a uma emoção mais suave de Sasuke era um grande erro. Ou ele não tinha sido feito dessa forma para começar, ou quaisquer partes mais suaves tinham sido moídas há muito tempo por essa puta épica que era a mãe dele. Além do que, por si só era melhor, eu acho que nós dois sabíamos disso. Devido à situação, só passamos a gastar o nosso tempo a sós juntos nesses dias. Eu acho que era melhor do que estar sozinho.

— Ah é? — Ele me deu um olhar frio.

— Por que você não vai embora e aí nós vamos descobrir?

Eu sorri.

— Ok, tudo bem.


Eeee foi isso.

Obviamente não consegui postar dois capítulos semana passada, mas gostaria de agradecer a quem está lendo e a leitora que deixou a primeira review (meu coração bateu muito forte, moça).

É isso por hoje!

xoxo

Holly