Escrito nas estrelas

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Narrado por Hermione

-Você sabe que eu vou morrer de saudade, não é? – Perguntou Simas jogado na cama enquanto eu terminava de fazer as minhas malas. Eu colocava coisas simples. Roupas que teoricamente eu poderia usar nos passeios do colégio ou em alguma missão que a gente pode fazer por fora.

Eu ainda achava difícil acreditar que isso aconteceria. Por mais que eu fosse trouxa e tivesse ouvido alguma coisa sobre a relatividade do tempo, nunca fui muito ligada aos conceitos de incerteza da física pós-moderna. Depois da guerra eu meio que me afastei ainda mais do mundo trouxa, apesar de ter vários aparelhos que me eram normais na infância em casa. Porém, quando você vive em um mundo, é difícil se manter atualizada em outro que era tão diferente em vários aspectos.

-Vai ser apenas uma semana, amor – Falei sorrindo para ele que pulou sentando na beira da cama me puxando com delicadeza para sentar em seu colo. Simas tirou o meu cabelo que estava na frente dos meus olhos e me beijou com uma calma que só conseguimos obter depois de tantos anos juntos. Por mais que eu não o amasse incondicionalmente, era inegável que ele sabia todos os cantos que me fazia tremer.

-Uma semana que passará terrivelmente longa – Falou Simas e eu sorri beijando seus lábios de leve antes de levantar – Você não está levando roupa demais não?

-Eu vou ter que andar muito fazendo compras e o Harry disse que ia me levar para passear – Falei sorrindo tentando ser o mais verdadeira possível.

-Só espero que o Potter não a leve para as baladas da França – Falou Simas e eu tive que rir. Tudo que não teria no lugar que eu vou é tempo para ir a festas.

-E o senhor cuidado para onde o Dean irá lhe levar – Falei fechando a minha mala e pegando um casaco leve que tanto me acostumei a usar com o passar do tempo – Hora de se despedir, carinho.

-Eu estava querendo evitar esse momento o máximo possível – Disse Simas emburrado levantando me abraçando com força. Eu sabia que aquele gesto vinha pelo fato de desde que estávamos juntos até então nunca passamos tanto tempo separados. Mas, uma parte irracional dentro de mim queria acreditar que ele estava fazendo isso por saber que eu estava arriscando o nosso relacionamento por um sonho de mudar todas as minhas dores vindas com a guerra.

Fechei os olhos respirando fundo tentando gravar na minha mente o cheiro do seu perfume. Ele acariciava os meus cabelos com carinho enquanto sussurrava que me amava. Eu beijei seu pescoço sentindo as lágrimas queimavam os meus olhos. Fechei-os com força para não dar margem a dúvidas e segurei seu rosto selando seus lábios aos meus tentando gravar na minha mente seu gosto.

-Amo você querida – Falou Simas com sua testa colada a minha.

-Eu te amo, também – Sussurrei antes de me afastar. E antes de aparantar dei uma última olhada no homem que aprendi a respeitar e gostar como nenhum outro.

* * *

Cheguei ao lugar que havíamos nos encontrado antes e apesar de já saber o que esperava encontrar a aparência continuava de abandono e descuidado. Empurrei a porta com cuidado ouvindo o barulho de ferrugem e quando entrei encontrei a Morgana Tyler sentada já demonstrando impaciência.

-Pelo jeito, somos as primeiras – Falei tentando não mostrar o meu desconforto de estar sozinha com uma pessoa que eu tinha acabado de conhecer.

-Eu sei o que aconteceu, o Draco é sempre terrivelmente pontual – Comentou Morgana revirando os olhos enquanto prendia os cabelos em um rabo de cavalo alto.

-Você o namora? – Perguntei sem conseguir refrear a minha língua a fazendo rir de modo divertido.

-Claro que não, nós somos apenas colegas de trabalho e às vezes amigos – Respondeu ela e eu levantei a sobrancelha incrédula – E nem me olhe assim. Sentir atração é bem diferente de gostar de alguém.

-E você sente atração por ele – Falei sorrindo. Fazia muito tempo que eu não tinha uma conversa dessa com alguém. Na verdade, eu não me lembro de ter conversado sobre atração com ninguém mais do meu próprio sexo. Era quase como ter uma amiga.

-Por mais que o Draco seja frio, ele é um homem muito atraente – Disse Morgana corando de leve e eu sorri me preparando para concordar.

-Nem ouse concordar com isso, Hermione – Mandou Harry em um tom divertido aparecendo pelas sombras – Eu juro que não quero essa imagem mental.

-Agora mesmo que não achasse, eu ia concordar – Falei divertida. Era isso que eu sentia falta do tempo que o Harry passou fora. Com o meu melhor amigo eu podia me deixar levar pelas brincadeiras e esquecer as tristezas do passado.

-Droga Hermione! Você concordou – Disse Harry fazendo cara de desiludido e eu ri sendo acompanhado pela Morgana – Ola Morgana! Espero não ter me atrasado muito.

-Como se atrasou menos que os outros, eu acho que reprimo minha vontade de mandar uma maldição da morte – Falou Morgana em tom descontraído e eu ri da cara que o Harry fez.

-Bom, espero que o Rony não seja o último a chegar – Falou Harry e a Morgana sorriu jogando sua franja para o lado.

-Pelo jeito o clima está ótimo por aqui – Disse àquela voz que toda fez que ouvida por mim era como se uma mão apertasse meu coração.

Narrado por Morgana

O Weasley chegou e a Hermione como um passe de mágica parou de conversar tão abertamente como antes. O Potter parecia de extremo bom humor e descontraiu o ambiente falando sobre as últimas novidades do quadribol.

No primeiro minuto da conversa eu ainda participei com um comentário ou outro. Mas, a minha preocupação logo roubou toda a minha concentração. Eu sabia o quanto essa viajem era importante para o Draco, então porque ele estava demorando tanto?

Porque não pode nem ao menos mandar uma coruja avisando que logo chegaria? Não machucaria ninguém e ainda me faria respirar com bem mais facilidade. Não que eu fosse a maior de suas preocupações nesse momento, ou em qualquer outro que poderia existir.

-Calma Morgana! Ele vai chegar – Falou a Hermione em um tom quase impossível de escutar, provavelmente para não atrair a atenção dos outros dois que estavam no cômodo.

-Eu sei que ele vai chegar, mas não há motivos para ele demorar tanto – Sussurrei e ela me sorriu como se compreendesse pelo que eu estava passando nesse momento.

-Eu sei como é ficar sem notícia de uma pessoa que para nós é importante, mas você vai ver que ele vai chegar com a cara mais lavada do mundo se desculpando pelo atraso – Falou Hermione em um tom extremamente confiante me fazendo sorrir.

Passaram-se mais alguns minutos e o Wesley começou a reclamar abertamente enquanto o Potter tentava colocar panos quentes na situação. E quando eu já estava para aparatar para a Mansão Malfoy ele apareceu.

-Espero que vocês me desculpem pelo atraso – Falou Draco em um tom extremamente formal e quando vi a parte que ficava abaixo do seu olho direito avermelhado tive que me segurar para não correr até ele.

-Você está bem, Malfoy? – Perguntou Hermione em um tom receoso.

-Perfeitamente bem – Respondeu Draco e seus olhos mais parecia gelo de tanta frieza que era expressa.

-Se você curar esse machucado as mulheres ficaram bem menos preocupadas – Comentou o Potter e ele levou a mão ao rosto parecendo preocupado. E não me segurei. Tirei a minha varinha do bolso e fiz um pequeno feitiço não-verbal curador fazendo a vermelhidão sumir.

-Obrigado – Disse Draco sem me encarar – Todos preparados para ir?

-Já que a princesa chegou – Falou o Weasley em tom maldoso e para a minha surpresa o Draco não falou nada indo até a nossa invenção. Coloquei-me ao seu lado e após uma breve troca de olhares pegamos nossas varinhas e começamos a fazer a serie de feitiços complicados que nos levariam ao passado.

Narrado por Rony

Observei-os fazendo o que parecia ser feitiços e não sabia o que pensar. O Harry já havia me explicado que era um trabalho bem em grupo entre eles, já que pelo que eu entendi era como se a Tyler começasse o feitiço e o Malfoy completasse e antes dele terminar ela já começa outro.

Os dois estavam na frente de algo que me lembrava uma porta incompleta. E quando uns cinco minutos depois quando ambos guardaram as varinhas surgiu uma coisa que lembrava plasma que imagino servir de portal.

-Vocês passaram por ele pensando claramente no ano e em Hogsmeade – Explicou a Tyler parecendo estar suando frio – É como andar de Pó de Flú só que em vez de ir parar em uma lareira estranha, só Merlin sabe onde vocês irão parar.

-Quem irá primeiro? – Perguntou Harry e seus olhos brilhavam em uma empolgação que só vi poucas vezes na nossa adolescência

-A Morgana será a primeira e eu o último – Falou o Malfoy – O resto da ordem vocês decidem.

-Isso é quase inacreditável – Comentei observando a Tyler pegar suas coisas e quase cair sendo aparada pelo Malfoy – Você tem certeza que vai conseguir fazer isso?

-Mas certeza do que nunca – Respondeu a Tyler respirando fundo pegando sua varinha falando mais um feitiço antes de passar pelo tal plasma e foi como se ela tivesse aparatado.

-Realmente deu certo? – Perguntou a Hermione parecendo extremamente preocupada.

-Quem será o próximo? – Perguntou o Malfoy dando a entender que tudo havia corrido como planejado.

-Pode ser eu – Falou o Harry sorrindo – A Morgana não parecia lá muito bem.

-Lembre de deixar a mente limpa e pensar apenas na data e no lugar – Mandou o Malfoy e o Harry sorriu para mim e beijou a testa da Hermione antes de passar pelo plasma e sumir.

-Pode ir primeiro, Hermione – Falei e ela passou alguns segundos me encarando e respirando fundo se pós na frente do plasma. Ela fez um gesto trouxa que eu sabia ser indicação de alguma fé e passou sumindo logo em seguida.

-Pode ir, Weasley – Mandou o Malfoy e me coloquei na frente do plasma. Eu sabia que poderia sumir no tempo, mas havia causas que valiam a pena arriscar.

Narrado por Draco

Eu sabia que estava terrivelmente atrasado. Mas, uma vez mais minha mãe teve um dos seus ataques de fúria. E nesses momentos era como se ela voltasse a ser um bruxo menor que não possui controle dos seus poderes. E como não poderia arriscar a minha elfa eu tinha que controlá-la. E normalmente saía machucado nesses momentos.

Normalmente deixo a Lola curar todos os ferimentos, mas dessa vez estava tão preocupado com o tempo que não me curei. E mesmo agindo como se nada tivesse acontecido não queria ter preocupado tanto a Morgana.

Fizemos os feitiços que já havíamos treinado tantas vezes. Ela sempre iniciava os feitiços, eu terminava e quando estava na última sílaba ela iniciava mais um.

-Vocês passaram por ele pensando claramente no ano e em Hogsmeade – Explicou Morgana parecendo estar suando frio. E mesmo estando preocupado eu sabia que era um efeito colateral dos feitiços – É como andar de Pó de Flú só que em vez de ir parar em uma lareira estranha, só Merlin sabe onde vocês irão parar.

-Quem irá primeiro? – Perguntou o Potter parecendo empolgado com a proximidade da viajem pelo tempo.

-A Morgana será a primeira e eu o último – Respondi tentando parecer indiferente – O resto da ordem vocês decidem.

-Isso é quase inacreditável – Comentou o Weasley e me assustei quando a Morgana quase caiu me fazendo segurá-la.

-Sente-se assim que chegar lá – Mandei e ela fez um sim com a cabeça.

-Você tem certeza que vai conseguir fazer isso? – Perguntou o Weasley parecendo assustado com a fragilidade da Morgana.

-Mas certeza do que nunca – Respondeu a Morgana respirando fundo pegando sua varinha fazendo o feitiço iniciador antes de passar pelo portal e ela sumiu como já era previsto.

-Realmente deu certo? – Perguntou a Granger parecendo extremamente preocupada.

-Quem será o próximo? – Perguntei sem responder completamente.

-Pode ser eu – Falou o Potter sorrindo – A Morgana não parecia lá muito bem.

-Lembre de deixar a mente limpa e pensar apenas na data e no lugar – Mandei e o Potter sorriu para o Weasley e beijou a testa da Granger antes de passar pelo portal e sumir.

-Pode ir primeiro, Hermione – Falou o Weasley e ela passou alguns segundos o encarando e respirando fundo se pós na frente do portal. Ela fez um gesto trouxa que eu não sabia bem o que indicava e passou sumindo logo em seguida.

-Pode ir, Weasley – Mandei e ele passou apenas um momento olhando o portal antes de passar e sumir.

Respirei fundo ser parar muito tempo para pensar. Ativei o fiel ao segredo e fiz o feitiço encerador antes de passar pelo portal pensando no ano e no lugar. A sensação era uma mistura de frio e calor que chegava a ser quase insuportável. Fechei os olhos bem fortes e só os abri quando senti caindo no chão firme.

-Funcionou – Sussurrei sem conter minha surpresa e meu sorriso.

-Realmente funcionou, Malfoy, mas a Tyler não parece muito bem – Falou o Potter me tirando da minha comemoração interna. Levantei do chão e cheguei perto da Morgana que estava sentada com a cabeça baixa como se estivesse prestas a vomitar.

-Vai ficar tudo bem – Falei pegando uma poção de dentro da minha bolsa entregando a ela que tomou sem pestanejar – Agora se deite.

-Realmente deu certo – Falou a Hermione me entregando O Profeta do Diário apontando para a data – Nunca fiquei tão feliz ao ver um desses.

-Nem eu, Granger, nem eu – Falei sorrindo de modo contido.

-Deu mesmo certo, Draco? – Perguntou Morgana se sentando e seu tom frágil me fez ajoelhar ao seu lado.

-Nós conseguimos, Morgana – Falei beijando sua testa e ela corou.

-É melhor sairmos do meio da rua, estamos chamando atenção – Falou o Potter e eu ajudei a Morgana a levantar a apoiando no meu corpo – A casa dos gritos?

-Com certeza o modo mais seguro e rápido de chegar a Hogwarts – Disse o Weasley e passamos a andar para lá.

Narrado por Harry

Eu nunca me senti tão eufórico na minha vida. Nem mesmo quando finalmente me livrei do Voldemort, aquela vitória veio manchada por muito sangue. Mas, essa vitória beirava a pura perfeição.

Eu sabia que não podia criar muitas expectativas. Contudo, mudando ou não para melhor e sendo egoísta pela primeira vez em minha vida, eu teria o direito de finalmente conhecer meus pais. Por mais estranho que fosse conhecê-los com 17 anos. Teoricamente mais novos do que eu, se bem que era melhor não pensar em idades agora se eu quisesse me manter são.

-Espero que você esteja preparado para lidar com o Dumbledore – Falou o Malfoy e eu sorri tentando mostrar que agora era comigo.

Entramos na Casa dos Gritos e passamos pelo túnel subterrâneo. Puxei o nó que pararia o salgueiro lutador e antes de sairmos fizemos todos os feitiços possíveis para passarmos despercebidos. Coloquei a minha capa de invisibilidade e fui na frente usando o Mapa dos Marotos que sempre guardei como uma relíquia que novamente se mostrou mais do que útil.

Por não ter começado ainda o ano letivo os corredores se mostraram vazios. Eu estava espantado com a facilidade de acesso a escola, mas no momento me sentia agradecido. Se bem que pelos meus cálculos a guerra ainda não tinha estourado com toda a sua grandeza.

-Qual será a senha? – Questionou a Tyler que se mostrou maravilhada com Hogwarts. E só depois me lembrei que ela não havia estudado aqui.

-Comecem a falar todos os doces que vocês conseguirem lembrar – Falei e todos começaram a falar ao mesmo tempo. E só Merlin para dizer qual abriu a passagem.

Subimos de modo receoso e quando chegamos ao topo encontramos um Dumbledore bem mais novo com a Varinha das Varinhas apontadas para nós.

-Espero que possuam uma explicação bem plausível para invadirem Hogwarts – Falou Dumbledore em um tom calmo, mas a ameaça se fazia bem presentes nas entrelinhas.

-Na verdade temos uma ótima explicação, Professor Dumbledore – Falei tirando a minha capa enquanto os outros faziam o mesmo – A história é longa, mas espero que tenha paciência para nos escutar.

-Toda paciência do mundo – Falou Dumbledore baixando a varinha fazendo um gesto mudo para que nos sentássemos nos sofás enquanto ele sentava em sua cadeira na nossa frente – Pode falar rapaz.

-Para começo de tudo, nós somos do futuro – Falei e ele não mostrou nenhuma expressão de surpresa ou incredulidade. Relatei brevemente sobre a guerra e o que havia acontecido no nosso tempo. Expliquei com a ajuda dos outros o motivo de voltar no tempo e ele parecia completamente absorvido com o nosso relato e só nos interrompeu para fazer algumas perguntas.

-Por mais que tudo pareça extremamente e surpreendentemente correto. Por mais que o senhor seja a copia do Senhor James Potter e o senhor do Lucius Malfoy, como eu saberei que estão falando a verdade? – Questionou Dumbledore e o Draco me lançou aquele olhar de "faça o que se deve fazer".

-Quando eu estava no primeiro ano, eu encontrei por acaso com o Espelho de Ojesed – Relatei com calma e com um sorriso quase nostálgico no rosto – Eu como muitos me encantei em poder ver a minha família, meu desejo mais intimo. Mas, já estava indo por um caminho sem volta quando o senhor me mandou esquecer o espelho e viver o que eu tinha já que ele seria mudado de lugar. Lembro de ter perguntado o que o senhor via quando olhava para o espelho.

-O que eu respondi? – Questionou Dumbledore e eu sorri.

-Que se via recebendo meias, já que no Natal só lhe davam livros – Respondi sorrindo e ele gargalhou – Só que depois o senhor me contou toda a sua história antes de ser o Grande Dumbledore Diretor da melhor escola de magia e bruxaria. E finalmente soube o que o senhor via o no espelho. E percebi que seu desejo era bem parecido com o meu, apesar de termos chegado a esse desejo de maneira diferente.

-E nem voltando ao tempo eu posso mudá-lo – Comentou Dumbledore me encarando enquanto todos os outros nos fitavam sem entender – Eu estou sem professor de Defesa contra as Artes da Treva, quem de você será?

-Acho que o Malfoy, ele é o que melhor pode entender o que esses jovens Sonserinos estão passando – Comentou Hermione e todos concordaram.

-Temos que mudar um pouco de sua aparecia e seu nome – Comentou Dumbledore movendo sua aparência e os cabelos loiros do Draco se tornaram castanhos e um pouco mais longos. Seus traços magros e aristocráticos se tornaram mais arredondados sem perder a arrogância e seus olhos permaneceram os mesmos – Draco Slider. Nome de bruxos noruegueses.

-Eu posso ficar sem problemas na Sonserina – Falou a Morgana com calma – E não preciso mudar aparência ou nome, já que os Tyler's são da America e há varias ramificações.

-Eu posso usar o nome Thomas – Falei com calma – Comum e posso dizer que é americano e me passar por meio a meio.

Dumbledore acenou com a cabeça e fez o mesmo gesto que antes mudando a minha aparência e quando me olhei na porta de vidro de um dos armários da sala vi que meus cabelos estavam quase tão curtos quanto os do Rony e estavam mais claros num castanho meio que avermelhado. Não precisava mais usar óculos e meus traços tinham mudado levemente me deixando apenas levemente parecido com o meu pai. Meus olhos agora estavam azul escuro.

-Isso é estranho – Comentei sorrindo para minha aparência.

-Rony, você pode usar o meu sobrenome, eu fico com Finnegan – Comentou Hermione e eu sorri ao notar seu veneno.

-Perfeito! – Exclamou Dumbledore antes que o Rony pudesse se opuser – Vocês três serão da Grifinória e serão alunos transferidos da Escola de Salen.

* * *

Narrado por Draco

Saímos daquela sala e foi como um peso tivesse sido tirado das minhas costas. A primeira parte do nosso plano havia dado certo e isso me deixava terrivelmente mais tranqüilo.

-Eu vejo vocês amanhã no banquete – Falei com calma e eles assentiram e antes que pudessem se afastar segurei o pulso da Morgana fazendo um gesto para que os outros a esperassem no fim do corredor.

-Algum problema? – Perguntou Morgana me encarando.

-Você está se sentindo bem? – Questionei e ela sorriu por um motivo desconhecido por mim.

-Estou bem melhor, aquela poção é milagrosa – Respondeu ela passando levemente as pontas dos dedos no local que eu estava machucado – Eu posso fazer a mesma pergunta não acha?

-Nós não poderemos conversar abertamente a partir de agora, então pergunte a Granger onde fica a sala precise e pense três vezes "encontrar Draco Malfoy" – Mandei e mesmo sabendo que aquelas instruções não eram normais ela vez um sim com a cabeça – Nós nos encontraremos lá todo domingo à noite para ver como anda a missão.

-Aviso aos outros? – Perguntou Morgana e nunca imaginei que aquela pergunta fosse me trazer sensações tão contraditórias. Por mais que um lado de mim quisesse que fosse apenas eu e ela como sempre, eu sabia que outros teriam que participar.

-Sim – Respondi antes de apertar quase ternamente sua mão e me afastar para onde seria minha nova sala e meu dormitório. Eu ainda teria que planejar aulas e agüentar os alunos. E eu sabia que era por isso que nunca na minha vida cogitei ser professor.

* * *

Narrado por Morgana

Observei o Draco sair pelo corredor e me reunir com os demais passando a informação dos encontros no domingo à noite. Chegamos a Hogsmeade e nos instalamos em uma pequena pensão para passar a noite. No fim da tarde chegou pacotes contendo os uniformes que usaríamos na seleção que eram da Escola de Salen e outros de Hogwarts que usaríamos durante o ano.

Logo depois chegaram os livros e pelo resto da noite passei informações sobre a minha antiga escola para evitar que algum de nós não soubesse responder as perguntas que provavelmente os alunos fariam.

-Como é que eu vou explicar essa cicatriz? – Questionou o Potter se olhando no espelho e eu particularmente ainda não me acostumei com sua aparência.

-Fala que foi uma brincadeira mal sucedida – Opinou Hermione distraída lendo um dos livros textos – O seu pai é um dos Marotos e pelo que eu sei adoram fazer brincadeiras, então vão se interessar.

-Como sempre dona das melhores idéias – Disse o Potter sorrindo e Hermione corou um pouco com o elogio.

A madrugada passou irritantemente lenta e a manhã do dia seguinte mais ainda. Parte de mim estava preocupada com o Draco e a outra estava nervosa perante a seleção que sofreríamos na frente de toda escola. E quando chegou perto da hora fomos levados para uma anti-sala onde podíamos escutar tudo que acontecia no Grande Salão.

-Bom alunos, antes que o nosso maravilhoso banquete seja servido quero dizer que a seleção desse ano ainda não acabou – Falou Dumbledore e logo os múrmuros de excitação tomaram de conta – Quero que dêem as boas vindas aos nossos quatro alunos transferidos da Escola de Salen.

Recebemos ordem para entrar e quando percebi já estava andando por um corredor entre duas grandes mesas com alunos de todas as idades quase levantando do lugar para nos observar de um melhor ângulo. E admito. Nunca me senti tão encabulada.

-Finnegan, Hermione – Chamou a professora que Hermione me avisou ser Minerva McGonnagol e a minha nova amiga se sentou em um baquinho. A professora lhe colocou um chapéu velho e logo o mesmo gritou: "Grifinória" fazendo a mesa que considerei ser dá casa começar a aplaudir.

-Granger, Ronald – Chamou a professora e foi à fez do Weasley se sentar e novamente o grito indicando Grifinória fez a mesa aplaudir.

-Thomas, Harry – Chamou a professora e eu já estava suando frio e só fui tirada dos meus pensamentos quando novamente a mesa do canto aplaudiu.

-Tyler, Morgana – Chamou a McGonnagol e eu me sentei.

-É um pena não poder colocá-la na Corvinal, mas você será da SONSERINA – Gritou o chapéu e outra mesa me aclamou e foi lá que me sentei.

Narrado por Harry

Sentei ao lado de um menino do primeiro ano que me olhava curioso assim como o resto da mesa. Passei a vista pelos alunos da Grifinória, mas não vi nenhuma ruiva dos olhos verdes que poderia ser Lily Evans. Contudo, em compensação no lado oposto da mesa, o mais distante que a extensão da longa mesa proporcionada estavam os marotos.

-Bem, boas vindas aos nossos novos alunos e aos transferidos espero que encontrem um nova casa – Disse Dumbledore – E para finalizar quero que dêem boas vindas ao nosso novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Draco Slider. E por fim, o banquete.

Como já era de costume uma vastidão de comida apareceu nos pratos, mas não consegui me alimentar muito bem. Ao fim do banquete Dumbledore deu os avisos costumeiros e percebi que sempre olhava para os marotos quando se tratava de comportamento. Algo que me lembrou os gêmeos Weasley.

Seguimos os monitores fingindo não conhecer o caminho já tão familiar e ao passar pela Mulher Gorda constatei que o salão comunal não havia mudado muito com o passar do tempo. E eu agradecia por parecer tão confortável.

-Ola! Eu sou Rachel Thompson – Apresentou-se uma bela menina de aparecia frágil, quase quebrável. Sua tez era branca quase transluzida o quê contratava com seus olhos negros. Seus cabelos eram loiros longos e estavam presos em um rabo de cavalo alto e ela era bem baixinha. Mal chegava ao meu peito – Sou a monitora-chefe da escola e imagino como deve ser difícil mudar de escola no último ano.

-Você não faz idéia – Falei sorrindo simpático – Eu sou o Harry e esses são Rony e Hermione.

-É um prazer – Disse ela parecendo bem mais animada com a nossa receptividade – Venham! Irei apresentar algumas pessoas para se sentirem mais familiarizados.

Ela como prometido começou a nos apresentar metade do sétimo ano. E admito! Não gravei metade dos nomes, apesar de vários sobrenomes me parecerem familiares no meu tempo e de alguns colegas que cursaram Hogwarts no meu tempo verdadeiro.

Rachel, mesmo com aparecia frágil, se mostrava ativa e mesmo parecendo preocupada com algo que ia além do meu imaginário, era sempre sorridente e simpática.

-Ginny!! – Gritou Rachel no meio de uma conversa que ela mantinha com a Hermione sobre os livros extras adotados. E quando me virei para ver quem ela havia chamado me deparei com a única mulher que conseguiu me roubar o fôlego.

Ela vinha na nossa direção parecendo cansada e também preocupada. Mas, isso não parecia me incomodar. Na verdade, eu sentia uma vontade, já tão conhecida por mim, de protegê-la. Seus cabelos eram ruivos e caiam repicados pelas suas costas. Seu rosto possuía traços perfeitamente harmônicos que me lembravam um anjo. Mas, seus olhos azuis faiscavam de uma raiva que não poderia ser considerada angelical. Seu uniforme escondia levemente suas curvas que me pareceram perfeitas. Mas! Eu tinha que parar com isso! Apesar de ter me prometido não pensar em idades para não enlouquecer. Essa menina ainda sim era do passado. E como o Draco disse não podemos modificar o passado assim. Não que eu quisesse me envolver com alguém do passado. Eu...

-Ginny! Como está a Lily? – Perguntou Rachel e eu fui tirado dos meus devaneios. Lily? – Oh! Desculpa pessoal! É que uns idiotas da Corvinal e da Sonserina decidiram fazer uma brincadeira no trem, só que a brincadeira foi mais seria do que o imaginado e nossa amiga Lily foi machucada.

-Tudo bem, Rachel, é mais do que normal se mostrar preocupada com uma amiga – Falou Hermione com um sorriso gentil – Espero que não tenha sido muito grave.

-Agora está tudo bem – Disse à menina que chamavam de Ginny e sua voz tinha um tom manso que mais parecia uma caricia – Ela quase caiu para fora do trem, a sorte era que o Black estava passando por lá. Mas, ela bateu a cabeça com muita força e ficou desacordada. A nova enfermeira preferiu deixá-la descansando...ela está super irritada por ter perdido o banquete.

-Ah! Ainda bem! Quando vi que nem você voltou quase tive um ataque de pânico – Disse Rachel e eu sorri de leve parando quando notei aqueles olhos me analisando.

-Desculpa, mas acho que não fomos apresentados – Comentou a tal Ginny e a Rachel gargalhou batendo a mão na testa.

-Esse banquete foi cheio de novidades, temos um novo professor de DCAT e esses são Harry Thomas, Hermione Finnegan e Rony Granger – Disse Rachel apontando para cada um de nós – Eles vieram transferidos da Escola de Salen.

-Oh! Sejam bem vindos então – Disse Ginny sorrindo – Eu sou Virginia Weasley, mas podem me chamar de Ginny.

-Weasley? – Questionou Rony parecendo mais do que surpreso. E eu não podia repreendê-lo já que estava em mesmo estado – Você é algo de Arthur Weasley?

-Sou sua irmã mais nova – Respondeu Ginny parecendo surpresa com a pergunta – Vocês o conhecem.

-Meu pai. Meu pai o conhece – Respondeu Rony sorrindo.

-Bom meninas, foi um prazer conhecê-las, mas a viajem foi terrivelmente cansativa e amanhã ainda começa as aulas – Falei caprichando em um pouco de sotaque norte-americano – Espero que possamos conversar melhor amanhã.

-Claro que sim, e boa sorte com Os Marotos – Disse Rachel sorrindo enquanto sentia os olhos da ruiva em mim.

-Marotos? – Perguntou Rony enquanto eu ainda encarava a Weasley.

-Vocês irão descobrir – Disse Rachel e nos despedimos por uma última vez antes de nos afastarmos.

-Harry! Eu nunca soube que eu tinha uma tia com esse nome – Falou Rony alarmado enquanto subíamos as escadas – Eu sei que os Weasley são numerosos, mas uma tia assim tão próxima eu saberia com certeza.

-Ela provavelmente morreu na guerra, Rony – Falei e o aperto que senti não era normal.

-Preparado para conhecer Os Marotos? – Perguntou Rony e eu fiquei olhando para a porta pensativo.

-Não tenho muita certeza – Respondi e quando a porta se abriu eu quase caí. E sem tempo para pensar, sem tempo para preparar-me lá estava ele com seus cabelos bagunçados e olhos castanho-esverdeados e rosto tão parecido com o meu normal tirando a cicatriz em forma de raio. Eu estava frente a frente com o meu pai.

* * *

N/a: Ola meus amores!!

Mais um capítulo e finalmente o que aconteceu com a Ginny!!

Desculpa mesmo o atraso, mas estava em fim de semestre na faculdade e quase para ficar louca. Mas, agora to de férias e com tempo sobrando...

Bom meus amores, espero mesmo que gostem do capítulo.

Próximo poste: 09/04

Contudo, se tiver muitos comentários apareço antes

=**

Até o próximo.

25/03/2010