Capítulo 4

Tendo decidido com Neville que a Armada de Dumbledore seria retomada, o primeiro passo para Gina foi falar com Luna. Ela sabia que a amiga concordaria e a apoiaria em todos os sentidos. E como previsto, Luna ficou felicíssima com a ideia de "ter amigos novamente". Não importa quantas vezes Gina conversasse com Luna a espontaneidade da amiga ainda a pegava de surpresa.

– Que besteira, Luna! Eu sou sua amiga! – Gina disse indignada.

– Mas é bom ter mais amigos... sabia que eu tenho pintado no meu quarto o rosto de vocês? – Luna disse fechando os olhos, como se tivesse lembrando-se da imagem em sua cabeça.

– Você pintou meu rosto na sua parede? – Gina disse surpresa...

– Na parede não... no teto! – Luna respondeu com naturalidade. – Primeiro era só o seu, porque você foi minha primeira amiga...

– E melhor! – Gina interrompeu a amiga abraçando-a com apenas um de seus braços e um sorriso no rosto.

– Não há melhores ou piores quando se é o único, Gina. – O tom de voz de Luna não era de tristeza, mas sim de honestidade, naturalidade. – Mas aí, com a AD, eu fiz novos amigos. E eu pintei os rostos dos outros também... Harry, Ronald e Hermione do seu lado direito, e Neville do seu lado esquerdo.

– E você? – Gina perguntou. – Você não pintou você mesma junto com a gente?

– Não... só dos meus amigos... – Luna respondeu como se fosse uma resposta óbvia.

– Aposto que está lindo. – Gina disse para a amiga. – Mas ficaria mais bonito ainda se você estivesse na pintura também. A gente podia fazer isso no Natal, quando a gente for pra casa. Eu dou um pulo na sua casa e te ajudo!

– E você faria isso comigo? – Luna perguntou arregalando ainda mais seus olhos.

– Ah... qual é? Eu sou ou não sou sua melhor amiga?

– É a minha melhor amiga, mas eu provavelmente não sou a sua. Você tem muitos amigos, vários outros podem ser seu melhor amigo.

– Luna, você é, provavelmente, minha única amiga que não é amigo por associação. A Hermione, por exemplo... a gente foi meio que "forçada" a ser amigas. Ela tá sempre na minha casa, tem que dormir no meu quarto, mas nosso relacionamento não é lá essas coisas. Ela é fiel ao Harry, então não pode se abrir totalmente comigo. Amizades com segredos não vão pra frente... fora que ela é mandona, quer tudo do jeito dela... às vezes a gente se estranha. Eu e você não temos esse problema. Você me conta tudo e eu a você.

– Bem, amigos, para mim, é mais amplo do que para você, mas tudo bem. Fico feliz que você acredite que sou verdadeiramente sua amiga. Porque eu sou! – Luna disse sorrindo.

– Mas... e o AD? Alguma ideia?

– Eu andei praticando o feitiço Proteu, sabia? E acho que consigo ensinar a todos, para que todos possam mandar mensagens por seus galeões... não seria ótimo assim?

– Luna, eu já te falei que você é brilhante? – Gina perguntou sorrindo para a amiga.

A loirinha deu de ombros como se nada de excepcional tivesse acontecido, e se encaminhou na direção do Salão Principal. Já era hora da janta, e as duas foram juntas. Gina começou a pensar sobre o que a amiga havia dito. Era triste pensar que uma pessoa tão genuína como a Luna sofria tanto por não ter amigos. Gina nunca tivera esse problema, pois sempre esteve cercada de pessoas, e sem fazer nenhum esforço, as pessoas se aproximavam dela. A única pessoa por quem Gina se esforçou para ser amiga, curiosamente, fora Luna. Gina é que começou a sentar-se com ela durante as matérias que faziam juntas, e Gina é quem procurava a sua companhia. Companhia, aliás, supervalorizada pela ruivinha, pelo momento em que a amizade entre elas se formou. Gina lembra bem em seu segundo ano, após a terrível ocorrência com o diário, todos apontando para ela, todo mundo querendo saber como ela tinha sido salva pelo maravilhoso Harry Potter, e tudo que Gina queria era ficar bem quietinha no seu canto, sem que ninguém lembrasse quem ela era. E nesse momento terrível de sua vida, Luna fora a única a tratá-la da mesma forma de sempre. Gina quis se aproximar de Luna, pois buscava uma normalidade que só a pessoa considerada mais "anormal" da escola pôde lhe dar.

Gina tinha mesmo muitos amigos, e em várias casas diferentes. Até na Sonserina, Gina tinha amigos. Na verdade, já tinha até tido um encontro com um sonserino, Blásio Zambini, mas não tinha ido muito bem, e ele nega até a morte, já que Gina não quis mais nada com ele. A ruivinha também não quis muito alarde, já que sabia que seu irmão explodiria se soubesse que ela saiu com um cara da Sonserina. Mas a vida era sua, e quem ela beijava ou deixava de beijar era problema dela, e não do Rony. Zambini diz até hoje pra quem quiser ouvir que nunca tocaria numa traidora do próprio sangue, mas ela sabia que isso era mentira, já que ele quis e tocou a ruivinha sem nenhum problema no passado.

No dia oito de setembro, Gina teve sua primeira aula de "Defesa" contra Artes das Trevas. O professor Amico Carrow chamava mesmo só de "Arte das Trevas", e a primeira lição foi sobre os imperdoáveis. O professor disse que queria todo mundo tinindo na maldição cruciatus, já que ela seria bastante usada dali pra frente. O tempo todo em que dizia isso, olhava para Gina com um olhar irônico. Gina já odiava tanto Amico Carrow, que tinha certeza que, contra ele, não teria problema nenhum em executar cruciatus. Por pior que isso pudesse soar, Gina sabia que era verdade. Se era a intenção de causar dor o que fazia funcionar o feitiço, contra Amico ela não teria problema algum.

Naquela semana, eles tornariam pública a reabertura da Armada de Dumbledore. Gina, Luna e Neville ainda não tinham falado com os outros ex-membros da AD. A verdade é que o clima de medo no castelo estava bem pesado. Houve boatos de que mais uma pessoa fora castigada no Domingo, mas ninguém sabia ao certo se era verdade ou não, e ninguém queria ficar falando sobre isso, com medo de ser o próximo. Neville falou que quase explodiu em sua aula de Assuntos Trouxas, mas conseguiu segurar a língua. Só não sabia por quanto mais tempo aguentaria.

Quando decidiram a favor de escrever nas paredes do castelo que a Armada ainda estava recrutando, ficou a dúvida sobre como fariam isso. Luna sugeriu que não usassem nenhum feitiço, para que não fosse rastreado a eles, e os dois amigos concordaram. Neville então sugeriu tinta em spray, e Gina ficou incumbida de consegui-la.

Depois de uma aula de Transfiguração, Gina decidiu ficar mais um pouco e conversar com a Professora McGonagall.

– Professora, será que eu poderia dar uma palavrinha?

– Pois não, Srta Weasley. – Minerva respondeu olhando-lhe por cima dos óculos.

– Eu sei que as entregas por corujas têm passado por revistas... digamos que eu tenha esquecido algo, e fosse pedir para um irmão meu... o Fred ou Jorge... – Gina fez uma pausa e olhou fixo nos olhos da professora. – se eu quisesse receber uma entrega deles... haveria alguma possibilidade?

Gina não queria dizer exatamente o que estava acontecendo, pois não sabia quem estava ouvindo, mas sabia que a Professora McGonagall entenderia que a sua encomenda com certeza seria confiscada... vinda de Fred e Jorge, só podia.

– Todas as encomendas são revistadas, Srta Weasley, não há o que fazer. – a professora olhou para a menina e voltou a olhar para suas anotações. – a Srta sabia que o primeiro fim de semana de Outubro será um fim de semana de visitação à Hogsmeade? – a professora perguntou, e Gina ficou confusa com a abrupta mudança de assunto.

– Não, não sabia, professora. Os avisos já foram postados? – Gina, apesar de não entender, continuou a conversa.

– Ainda não. – a professora respondeu sem olhar para a menina. – É que amanhã eu estarei em Hogsmeade a pedido do diretor Snape. Ele quer que eu receba alguns suprimentos que ele encomendou a pedido da escola. – Nesse momento a professora olhou para Gina. – Mais alguma coisa, Srta Weasley?

– Não, professora. É só... espero que dê tudo certo com a sua saída amanhã. Hogsmeade será uma ótima distração para os alunos... se for permitida.

Com isso Gina deixou a sala sentindo-se mais leve. Ela falaria com Fred e Jorge essa noite pela lareira da sala comunal da Grifinória quando todos estivessem dormindo, e pediria que eles entregassem as tintas para a Professora McGonagall amanhã em Hogsmeade. Se ela já não fosse a sua professora favorita, depois de hoje, com certeza ela seria.

Na quarta-feira, antes da janta, a professora McGonagall chamou-lhe ainda dentro da torre da Grifinória, e lhe entregou um pacote sem identificação alguma.

– Seja o que for, bom proveito! – disse a professora piscando o olho para Gina, enquanto saía andando, antes que alguém visse a entrega.

Gina correu para guardar a caixa em seu malão e desceu para a janta e ao encontro de Neville e Luna.

– Já estão comigo! Se quiserem, a gente pode fazer essa noite mesmo...

– Eu sabia que você conseguiria! – Neville sorriu para a amiga, e nada mais foi dito durante a refeição.

Quinze minutos antes do toque de recolher, os três se encontraram novamente, tomando muito cuidado para que nenhum monitor os pegasse juntos. Era fundamental que ninguém fosse descoberto. Os três trabalharam de forma rápida. Cada um foi para um lado, e logo todas as paredes do Salão Principal tinham frases sobre a Armada de Dumbledore estar recrutando.

– Só quero ver a cara deles amanhã de manhã... – Neville disse sorrindo.

– E se alguém passar aqui mais cedo e apagar tudo? – comentou Luna com a testa franzida... – A gente devia fazer algo... talvez um feitiço da desilusão...

– Boa, Luna! – Gina comentou sorrindo. – Assim também, a gente pode esperar o salão estar bem cheio e só aí tirar o feitiço. Todo mundo vai ver, e o Snape vai ficar pê da vida!

Assim, como se nada tivesse acontecido, os três se despediram e tomaram caminhos diferentes. No dia seguinte, Gina mal podia conter sua animação. Não via a hora da Luna retirar o feitiço e ver a cara dos professores. Ela tinha certeza de que o Snape, especialmente, odiaria as pichações, pois ele sabia bem o que era a Armada de Dumbledore. E Gina não se decepcionou com sua reação. Assim que as paredes do salão principal começaram a mudar e as palavras foram aparecendo, Gina podia jurar que os olhos de Snape saltariam para fora. E mesmo sem a menina abrir a boca, ou mostrar qualquer indicação de que estivesse envolvida com aquilo, Snape levantou-se de sua cadeira e foi em direção à Gina. Puxando a menina pelo braço, disse:

– A Srta vem comigo! Agora!

Neville levantou-se na mesma hora desafiando o diretor.

– O Sr não pode fazer isso! Não tem provas de quem foi!

– A não ser que o Sr queira cumprir uma detenção por desacato, é melhor ficar quietinho onde está!

Gina olhou apavorada para o amigo e balançou a cabeça de forma negativa, desejando ardentemente que o amigo entendesse que era para ficar onde está. Gina sabia por experiência própria o que "detenção" queria dizer. Não queria que Neville passasse por isso também.

O Salão Principal inteiro seguiu Snape e Gina com os olhos enquanto os dois se dirigiam à sala do diretor.

– A Srta acha engraçado brincar com fogo, Srta Weasley? – Snape disse bufando enquanto arremessava a menina em uma das cadeiras da sala. – Parece que não tem nada na cabeça! Você acha que eu não sei quem está por trás desse grupinho patético de vocês? O que a Srta achou que ia conseguir com isso?

Gina olhava para o diretor, mas não sabia o que dizer. Ele estava realmente bravo, e ela nunca o vira assim antes.

– Anda! Responde! Eu quero ouvir, Srta Weasley!

– Eu não pensei que...

– Não, não pensou mesmo! – o diretor a interrompeu. – Porque se tivesse pensado, tinha ficado quieta como eu mandei! Você pode não gostar de mim, mas a autoridade aqui sou eu. Você acha que os Carrow são seu pior pesadelo? Você está vendo isso aqui? – Severo perguntou enquanto erguia a manga de sua veste e apontava para sua marca negra tatuada na pele. – Isso aqui não tá aqui à toa, e eu não sou o único a tê-la!

Gina estava de cabeça baixa enquanto o diretor fazia o seu escandaloso discurso, mas seus olhos não ficaram fixos em um só ponto. A menina fiscalizou cada canto da sala, até que seus olhos se fixaram na espada de Grifinória, guardada numa redoma de vidro. Com que direito o Snape tomou para si aquela espada? Ele odiava tudo que vinha da Grifinória... aquela espada não estava ali no primeiro dia de aula. Gina com certeza perceberia. E agora, além de o Snape tomar posse da espada, ainda a colocou numa redoma de vidro para proteção e admiração? O que ele queria com isso? Aquela espada pertencia aos Grifinórios... pertencia ao Harry!

– A Srta está ouvindo? – Snape gritou chamando sua atenção.

– Sim, sim! – Gina respondeu sem ter ideia do que o diretor vinha falando. – Eu não quero mais saber dessas palhaçadas que você e seus amiguinhos estão pensando em fazer. Há coisas muito mais importantes acontecendo por aqui, e não quero acrescentar seu sangue aos números, entendido? Se Amico ou Aleto te colocarem em detenção de novo, você vai! Passar pelas brincadeirinhas deles não é nada comparado ao que poderia estar acontecendo com você. Começa a valorizar um pouco mais o seu sangue... talvez você não estivesse mais viva se não fosse por ele!

Gina sentiu o tom de dispensa na voz do diretor Snape e levantou-se para se retirar e ir para sua primeira aula do dia. Ela só esperava que alguém tivesse feito a delicadeza de levar suas coisas para a sala de aula. Seria bem ruim se além de tudo, ela ainda tomasse uma detenção por atraso, ou por não estar com o material necessário à aula... Como a sua primeira aula de quinta-feira era Poções, e o professor Slughorn a adorava, fez vista grossa ao seu atraso, ao qual Gina lhe foi grata, e suas coisas a esperavam em seu lugar costumeiro.

As duas aulas da manhã demoraram a passar, mas finalmente a hora do almoço chegou, e Gina não via a hora de conversar com Neville e perguntar como foi a reação dos alunos. Deixou suas coisas no seu quarto, e em um instante já tinha descido novamente. A sala já estava quase vazia, e nada do Neville. Avistando Simas, Gina questionou o amigo:

– Ei, Simas, você viu o Neville? – Simas estava sério, e essa não era uma visão muito comum.

– Ninguém sabe onde ele tá agora, Gina... – a ruivinha ergueu as sobrancelhas, querendo que o amigo continuasse. – e a gente tá preocupado...

– Mas o que aconteceu, Simas? Fala logo!

– Durante a aula de assuntos trouxas, Aleto tava falando sobre os trouxas, dizendo que eles são animais, e que não deveriam existir... a mesma ladainha de sempre! – Neville não aguentou, e perguntou sobre a porcentagem de sangue trouxa que ela tem. A mulher ficou roxa de raiva, e acertou ele com um feitiço bem no rosto. Ele começou a sangrar e saiu correndo da sala... ninguém mais o viu... você sabe onde ele pode estar?

Gina não podia acreditar no que tinha ouvido. Agora eles acertavam sangues puros também... E Neville foi a primeira vítima, e agora estava desaparecido. Ela precisava encontrá-lo... de qualquer forma!

Notas da Autora: Obrigada à nina e mais uma vez à Lia Croft pelos reviews. Sempre respondo aos reviews. Tenta deixar um pra ver! ;)