A Escolha

Capítulo 4 - De volta às aulas

No início do dia, Christine acordou bem cedo para se vestir. Achava que era um desperdício de magia trocar-se utilizando feitiço quando não havia ninguém olhando. Apesar de todas as garotas estarem dormindo, Christine vestiu-se rapidamente para se prevenir, e saiu para tomar café da manhã.Ao chegar, reparou que seus pais já estavam ao lado do diretor.

Christine decidiu se sentar novamente na mesa da "Sonserina", com o mesmo motivo anterior. Viu quando seus amigos chegaram às mesas, cada um mantendo-se na casa escolhida no dia anterior. Porém, Dhrimian sentou-se longe de Christine.

'Será que estamos mesmo brigados?' Pensou Christine enquanto comia seu café, sentindo-se culpada. Gostava muito de Dhrimian e não queria magoá-lo.

Quando terminou, Christine levantou-se de uma maneira muito elegante e balançou seus cabelos para trás, demonstrando todo seu charme. Para seus amigos, aquele era o sinal.

Enquanto saía do salão, parou rapidamente perto de Dhrimian e sussurrou um "me desculpe" em seu ouvido. Apesar de ter sido rápida, Christine viu um sorriso brotar nos lábios de Dhrimian. Satisfeita, seguiu pelo corredor e saiu até chegar a uma baixa varanda, onde havia uma saída para o campo. Sentou-se e começou a checar seu material.

Não demorou muito para seus amigos aparecerem, portando as mesmas expressões de sempre:

Dhrimian, com seu sorriso misterioso;

Richie, com seu orgulho mal escondido;

Helena, com seu rosto insondável;

E Alice, com seu costumeiro estado de excitação contida.

Se aproximaram completamente mudos, até que Richie quebrou o silêncio.

- E então, Chris, quem é desta vez?

Christine sorriu ao estilo de Dhrimian. - Desta vez, eu possuo um interesse pessoal em nossa vítima.

- Acho que sei quem é. - Disse Dhrimian, sem perder o astral.

- Sim, Dream, é ele. Eu quero que vocês investiguem sobre aquele professor de cabelos negros.

- Por quê? - Perguntou Alice.

- Já disse que tenho interesse pessoal nele, só contarei o resto quando tiver as informações em minhas mãos.

- Será melhor nos separarmos entre as casas. - A voz de Helena estava em tom baixo e misterioso.

- Pensei assim também, e foi por isso que nos sentamos separados antes. Quero que cada um vá investigar numa casa. Eu vou ver se consigo algo com os professores, já que sou a filha do diretor. Iremos nos encontrar no almoço na mesa da Sonserina.

- Eu tenho medo daquela casa, Chris. Será que não pode ser na mesa da Lufa-lufa? - Disse Alice.

- Como assim, você tem medo? Eles são bruxos, Alice! Eles que deveriam ter medo de você! Imponha-se! - Exclamou Richie, orgulhoso e irritado.

- Ok, Alice. Então que tal em frente àquele Salgueiro Lutador, depois do almoço? Ou vai me dizer agora que tem medo de árvores também? - Disse Christine.

Alice corou ligeiramente e concordou com a cabeça. Todos então se entreolharam, como se estivessem em uma reunião muda, fecharam os olhos, deram um leve suspiro e saíram, cada um para um caminho diferente. Tudo estranhamente coordenado com perfeição.

Christine ajeitou seu vestido preto e foi para sua aula. Apesar de não estar no colégio, as matérias eram dadas em salas especiais que tinham contato "telepórtico" com a escola Diamante Negro, ou seja, ao mesmo tempo em que a sala estava em Diamante Negro, ela também estava em Hogwarts.

Christine seguiu por um corredor até parar em uma parede, onde bateu três vezes e esperou. Um quadro que observava tudo disse:

- Perdão, minha filha, mas não há nada nessa parede.

- Talvez. - Corrigiu Christine com um olhar enigmático. Mal terminara a fala quando uma porta apareceu.

- Talvez não. - Com um olhar sarcástico em direção ao quadro, Christine entrou.

Dentro, viu várias garotas usando roupas curtas e leves, todas com os cabelos presos por elegantes rabos de cavalo. Christine esticou os braços e deu uma pirueta: quando parou, seu uniforme havia se transformado em um top preto e uma mini-saia vermelha, e seus cabelos haviam se prendido em um alto rabo de cavalo.

- Está atrasada, Christine. - Disse uma mulher dez anos mais velha e que usava roupas do mesmo modelo, porém mais recatas.

- Desculpe o atraso, eu me perdi. - Mentiu Christine.

- Hoje passa, pois (e deu um suspiro), todas chegaram atrasadas. - Dito isso, as garotas deram risadinhas, que pararam quando a professora as encarou.

- Vá logo para seu lugar. - Ela disse de mau humor.

- Sim, Sra. Marks. - Christine foi rapidamente para o ponto indicado, pois o que menos queria era comprar briga com uma professora e ficar retida depois da aula.

-Bom, como eu estava dizendo, os diretores vão dar um baile daqui a dois meses, e a "mulher do diretor" - disse em um tom de deboche - quer que nós mostremos como os feiticeiros dançam. Indo direto ao assunto: Errem o tempo ou um passo sequer e faço vocês repetirem de ano. Muito bem, vamos começar.

- Huh, belo discurso de motivação, não acha? - Sussurrou uma voz no ouvido de Christine, que não conseguiu deixar de rir com o comentário. Olhou para o lado e encontrou Camila Rogers, uma garota de cabelos negros e olhar rebelde.

- Será que o ciúme por sua "mãe" é tão grande a ponto dela cumprir a promessa?

- Se a conheço bem, provavelmente sim - disse Christine - afinal, ela só é uma boa professora por causa do ciúme. - E ambas riram.

A aula foi normal, o que queria dizer que enquanto várias meninas "morriam", outras (incluindo Christine) apenas suavam MUITO. Quando a aula terminou, todas as garotas dariam sua magia por água.

Após saciar sua sede em um dos cinco bebedouros da sala, Christine viu Raíssa, uma garota hiperativa, correr em sua direção.

- Chris, você não sabe o que estão falando por aí!

- Em primeiro lugar, pare de pular. Só de ver já me cansa, e ainda por cima, te deixa mais vermelha que o necessário. Em segundo lugar, eu não preciso saber o que estão falando porque você sempre me diz.

- OK, então lá vai. Parece que o gato do Macavity quer te convidar para dançar neste baile!!!

- Huh, Raí, eu ando com o Dhimian e o Richie o tempo todo. Gatos não me atraem.

- Tá, mas você não pode negar que ele é um pé de valsa.

- De valsa, de tango, de lambada... - Riu Camila.

- E quem disse que eu nego? - riu Christine - Mas tenho que ir logo, vocês sabem, aula.

- Claro.

- Manda um beijo pro Gray por mim!

- Ta certo. - Disse Chris, rindo. Ao mesmo tempo em que saiu da sala, seus trajes voltaram a ser seu uniforme. Ajeitou seu vestido, soltou os cabelos e foi até a sala de Arte das Trevas Orientais.

Enquanto estava no segundo andar, viu ninguém menos que Alice controlando um rodamoinho com seus olhos azuis claros. Ainda usava seu uniforme de handgel, o esporte dos feiticeiros. Seu pequeno furacão perseguia um fantasma que os bruxos chamavam de Pirraça, este rindo e zombando enquanto fugia do rodamoinho. Christine pousou a mão no ombro de Alice, que se desconcentrou e fez o pequeno tornado se dissipar.

- Sei que está animada por causa do treino, mas não desperdice sua energia com coisas "mortas". Não merecem seu tempo.

Quando ouviu isso, "Pirraça" se encheu de raiva e começou a jogar coisas em Christine, que apenas fez uma barreira ao redor de si e de Alice. Depois bocejou ironicamente e disse:

- Se continuar com este gênio nunca irá para o outro plano. Agora, se me der licença, eu e minha amiga temos coisas importantes a fazer enquanto estamos "vivas". - Christine sentiu que tinha tocado no ponto fraco do fantasma. Mesmo quando se viraram e começaram a andar, ainda podia senti-lo tentando machucá-la (sem sucesso, pois ainda mantinha a barreira).

- Você foi má, Chris. - Disse Alice em sua ingenuidade habitual.

- Pelo menos não gastei tanta energia como você.

- Não gastei tanta energia assim.

- Ah, gastou sim. Parecia que estávamos em aula, para você se concentrar tanto. E mesmo que você tenha o "sangue leve", a magia elemental é algo que consome muita energia, por mais que o treino de handgel lhe ajude a controlar o seu poder.

- Não me dê aulas, Chris. E enquanto a você, não acha que os outros podem desconfiar?

- De que? Apenas fiz uma barreira de nível dois anti-fantasmas, qualquer um pode fazer isso.

- Você usou a magia dos olhos e das palavras. Especialidade "dele".

- Não volte a falar nisso, por favor! - Sussurrou Christine, ajeitando freneticamente seu vestido, como se tentasse esconder alguma coisa em seu corpo.

- Ok, esqueça. Você vira aqui e eu viro ali. A gente se vê depois do almoço.

- Tenha uma boa aula de Poções! - Gritou animadamente Christine enquanto via Alice desaparecer numa curva. Mas o que ela tinha dito não saía de sua cabeça. Aquilo era seu maior segredo: apenas seus pais adotivos e seus amigos sabiam, e ela estava disposta a fazer qualquer coisa para manter assim. Qualquer coisa.

'Será que Alice falou algo pra alguém? Não, ela me prometeu segredo. Mas e se alguém percebeu alguma coisa e ela sabe? Será que alguém percebeu ou alguém contou?' Christine pensava enquanto andava, até ouviu a familiar voz grave e sua cabeça:

'Pare.' Imediatamente, Christine parou de andar e pensar. 'Vire à esquerda.' Christine obedeceu como um soldado.Ao se virar, viu que se materializava uma porta em sua frente. Abriu-a e percebeu que era a sala de Artes das Trevas Orientais, sua próxima aula. Estava tão distraída que não havia percebido que sua sala estava ali.Mas mesmo assim, o assunto não saía de sua cabeça.

'Fique tranqüila, seu segredo está seguro. Ainda.' Ao ouvir isso em sua mente, Christine se acalmou, ajeitou seu vestido pela última vez e foi falar com seus amigos.

Helena lia um livro enquanto Richie e Dhrimian anotavam qualquer coisa em seus pergaminhos. Ao verem Christine chegar, correram até ela.

- Chris, que bom que você chegou. Disse Richie.

- Tu por acaso terminaste seu trabalho sobre Kyonshis? - Perguntou Dhrimian.

- Sim. Vocês não?

- É óbvio que não. - Disse Helena, virando uma página.

- E vocês estão esperando que eu entregue meu trabalho para vocês copiarem, é isso? - Perguntou Christine com indiferença. Ela olhou para Dhrimian, pronta para dizer um "não", mas quando viu sua cara de pedinte, se compadeceu. Ele era incrivelmente lindo, Christine não podia deixar de notar.

'Volte a razão, Christine, e não deixe o Gray te manipular' repetia mentalmente para si mesma até conseguir desviar dos olhos de Dhrimian.

- Olhem, deixem-me ver o que vocês fizeram pra eu completar. - Enquanto esperavam pela professora, Christine salvava aquele trabalho. Pouco antes de sua chegada. Christine perguntou a Helena:

- Como você consegue resistir ao Dhrimian?

Helena simplesmente a olhou por debaixo do livro e resmungou alguma coisa que Christine não entendeu, mas antes de perguntar novamente, a professora já havia chegado. Sra. Rodrigues, possuía cabelos pretos e lisos presos em um elegante coque. Tinha o rosto um pouco macilento (pela idade) e seu nariz aquilino sustentavam enormes óculos redondos de armação muito fina, que quando batia sol, brilhavam tanto que apagavam seus olhos. Apesar disso, tinha uma aparência bondosa e sábia. Assim que entrou na sala, as mesas se transformaram em enormes caixões.

- Muito bem - disse ela com energia - alguém sabe o que há dentro destes caixões?

- São Kyonshis. - Respondeu um Aladus.

- Muito bem. E o que são Kyonshis?

- Inferis chineses. - Disse Christine.

- E qual é a diferença entre os Kyonshis e os inferis?

- Os inferis são vulneráveis ao fogo, enquanto que os Kyonshis só param de atacar quando são retirados os amuletos que possuem nas testas.

- Nada mal, Helena. Bom, como fizeram a pesquisa dos diferentes amuletos utilizados pelos "Dohshis", os necromantes chineses, eu quero que cada um faça um amuleto e coloque nos cadáveres. Depois, façam uma luta contra os kyonshis dos colegas. Lembrem-se: será o amuleto que fará a diferença. Comecem!

A aula foi muito divertida, exceto para aqueles que ficaram enojados por manipular um cadáver, ou usaram isso como desculpa, como Dhrimian e Richie. No fim, Sra. Rodrigues recolheu os trabalhos, chamando a atenção dos garotos em sua saída:

- Espero que os trabalhos de vocês estejam melhores que seus desempenhos em aula, caso contrário, ocorrerão danos. - Um raio de sol foi refletido em seus óculos, apagando seus olhos e dando-a uma impressão de cientista louca.

- Francamente, aquela mulher me dá arrepios. - Admitiu Richie enquanto saíam da sala.

- Ora, por favor, com tantos professores para se temer, você escolhe a fofa da Sra. Rodrigues. - Disse Christine.

- Tu gostas dela por ser tão sádica quanto a ti mesma. Acaso vistes sua aparência quando a luz reflete-se em seus óculos?! - Dhrimian tremeu. – Me dá até calafrios. - Concluiu, fazendo cara de assustado.

- Ora, por favor, você vê filmes trouxas demais. - Retrucou Helena. – Uma criatura realmente apavorante é o Sr. Vans, meu professor de esgrima. Depois que se entra na sala, ninguém sabe quando ele pode atacar. Hoje, por exemplo, quando a aula terminou, eu fui para o vestiário trocar de roupa e quando abri meu armário, ele simplesmente me atacou de dentro! Ainda bem que eu estava com o sabre na cintura. - Disse ela, acariciando o cabo do sabre.

- Ah, então é por isso que você nunca larga esse sabre. - Concluiu Richie.

- Mas então este senhor é um pervertido, pois não se deve observar suas alunas de dentro de um armário. - Disse Dhrimian levemente irritado.

- Ele não é um tarado, Dream, ele é apenas obcecado pela espada e quer que sejamos como ele.

- E pelo visto você já está sendo. - terminou Christine - E por falar em sabre, não é melhor guardar o seu? Está chamando atenção.

- Ele chama menos que você. Em todo o caso, eu não uso báculos e sim meu sabre para executar magias de alto nível, lembra?

Christine suspirou, desistindo. Deu-se então um curto silencio.

- Chris, você não nos disse qual é o professor que mais te assusta. - Observou Richie.

Christine pensou um pouco e disse, indiferente: - O senhor Andrade.

- O quê?! Mas ele é o professor mais tranqüilo que nós temos! - Exclamou Dhrimian.

- Eu sei, é exatamente por isso. O que me assusta é o tédio da aula dele. - E todos riram.

- Por falar em professor Andrade, teremos aula com ele depois do almoço. - Disse Helena, séria.

- Ah, ótimo. Poções, ou melhor, culinária mágica.

Quando estavam indo para o salão principal, no horário de almoço, viram os alunos de Cannomar passando. Alice parou de andar e dirigiu-se até eles. Estava com uma expressão de raiva e frustração no rosto, comum quando acontece algo errado, paga-se por isso e não se é a culpada.

- Vocês estão indo para Poções, né? - Disse por fim.

- Sim. Você acabou de sair de lá, não é? O que aconteceu? - Christine estaca ansiosa e preocupada.

- O que aconteceu!? Aconteceu que ao invés de ser o Sr. Andrade, quem está dando aula é o SEU professor! - Gritou Alice em plenos pulmões. - Aquele cara é horrível! Dá medo só de lembrar da aula que passei. Agora sei por que ¾ desta escola odeiam ele! Ele é CRUEL!

- Bom... - disse Christine consolando-a - Veremos quem vence. Agora ele dará aula para duas turmas feiticeiras. Ele vai estar em nosso território. E eu não sou de perder.

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N/A: Oi gente, acabei de encontrar uma beta. Minha melhor amiga Haruka-sama concordou em betar meu sonho pra mim (se ajoelha e começa a reverenciar uma foto da Haruka). Ela também betou os capítulos anteriores, voltem e leiam. A Chris está menos Mary-Sue!!

Tenho mais dois capítulos em meu caderno de rascunhos, mas como naum há reviews estou ficando com preguiça de bater. Então me mande rewies nem que seja para amaldiçoar minha preguiça, por favoooooor (se ajoelha chorando) estou implorando, pelo amor dos deuses bruxos, magos, feiticeiros e trouxas também!!

MANDEM-ME REVIEWS!!!!! Obrigada.