Sora Hime – Capítulo 4

Ela se via em um castelo medieval, aqueles que eram tão comuns em sua terra natal, apesar da passagem de tantos séculos. França! Como sentia falta dos belos campos franceses, de sua paisagem bucólica e do requinte nobre que apenas aquele velho país possuía. Era filha de um casal francês de professores da Universidade de Paris. Porém desde muito nova a garota demonstrava um grande interesse pela cultura da "Terra do Sol Nascente". A curiosidade apenas cresceu com a idade e, quando chegou à adolescência, insistiu em se mudar para Tókio, onde completaria o colegial e cursaria a faculdade.

Apesar da discrepante diferença entre as duas culturas, logo se adaptou com a vida regrada dos japoneses, até gostava de toda aquela disciplina que de alguma forma controlava seu gênio desleixado. Gostava de sua vidinha pacata. Morava sozinha e um bom condomínio no centro da capital, trabalhava e estudava para se manter, mas sempre recebia uma substanciosa contribuição dos pais e quando tinha qualquer folga ia para Paris ficar com eles.

Porque tudo teve que mudar? Porque deixou a curiosidade falar mais alto e caminhou até aquela estranha luz que do nada surgiu no corredor de sua faculdade? Se tivesse ficado quietinha ou corrido assustada, como sua amigas fizeram, ela não estaria ali, naquele castelo, prestes a se casar com uma criatura que ela julgava apenas existir no imaginário folclórico das pessoas daquele país. Não estaria quase quinhentos anos longe de sua época. E jamais teria conhecido um ser tão belo e misterioso quanto Senhoumaru: o Senhor das Terras do Oeste. Não sabia como voltar, então o melhor era aceitar a peça que o destino lhe pregou.

Foi em meio a estas divagações que Hana despertou e se viu confortavelmente instalada em um lindo futon no centro de um aposento ricamente decorado. Perguntava-se como fora parar ali, pois a última coisa que se lembrava era de ter adormecido com a pequena Rin em seu colo debaixo de uma frondosa árvore. Sentiu o estomago reclamar por comida e, calçando as sapatilhas, saiu do quarto em busca de algo para saciar a fome.

Começou a caminhar lentamente pelo corredor à frente de seu quarto, apesar da minuciosa apresentação feita por Rin durante à tarde, ela se sentia completamente perdida, afinal o local era enorme e os corredores muito parecidos. Se ainda estivesse de dia, talvez as coisas ficassem mais fáceis, mas a noite todo o castelo era iluminado por pequenas tochas que, na sua opinião, não lhe ajudavam a ver muito além do seu próprio nariz. Continuou a andar até sentir o coração ser tomado por batimentos frenéticos. Podia não ter a mínima idéia de como se localizar, mas sabia exatamente onde estava, prestou a máxima atenção quando a garotinha lhe disse que ali eram os aposentos de Sesshoumaru.

Não era o fato de estar tão próxima a ele que a deixava desconcertada, eram o gemidos de prazer o luxuria que ocupavam o quarto do seu noivo que a fizeram sentir como se o chão abaixo de si tivesse desaparecido jogando-a no mais profundo vazio. "Ele está com outra! Como pode? Estamos às vésperas do casamento, não pode me desrespeitar a tal ponto! Hana sua idiota, porque se sente assim? Ele foi bem claro em dizer que nada aconteceria entre vocês acha que um homem como ele...FICARIA SEM SE DIVERTIR COM ESSE BANDO DE YOUKAIS OFERECIDAS QUE TEM AQUI?... Porque dói tanto?... Simplesmente não posso estar gostando dele, isso é ridículo!"

Sentiu as pernas falharem, o rosto estava inundado pelas lágrimas que refletiam um misto de tristeza e raiva. O corpo foi lentamente escorregando pela porta do quarto onde os sons tornavam-se cada vez mais altos e torturantes para ao coração humano.

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Sobre o corpo másculo e torneado do Sesshoumaru a serva youkai fazia uma dança sensual, gritava alto, envolvida pelo prazer em estar com seu belo Senhor. Ele em nada se esforçava, apenas deixava ser levado pela excitação da sua parceira que a cada minuto aumentava a velocidade dos movimentos ampliando o deleite de ambos. O Inuyoukai nunca agia de uma forma ativa quando estava na companhia de suas servas, seu prazer era ver o quanto elas se esforçavam para agradá-lo; eram capazes de loucuras.

O cheiro doce da humana foi lentamente penetrando pelo quarto dos amantes até ser facilmente capturado pelas sensíveis narinas de Sesshoumaru. Como gostava do perfume que a jovem ruiva possuía, seria capaz de passar horas apenas se deliciando com a inebriante sensação que o aroma adocicado era capaz de lhe proporcionar. Envolvido pelo torpor, os olhos do youkai não mais viam a serva que mantinha as estocadas firmes sobre o corpo desnudo, era Hana que ocupava seu lugar, a humana que dominava seus pensamentos desde o primeiro momento que pôs os orbes dourados sobre ela.

A miragem mudou completamente sua atitude. Movido pelo seu desejo por Hana, ele passou a dominar a situação. Tomou o seio da serva com a boca e o sugava com volúpia, as mãos desciam até as nádegas, deixando marcas pelas costas. Mais do que nunca os gritos de satisfação da serva ecoavam por todo o corredor onde a humana sentia cada vez mais a dor da raiva e da humilhação pela qual passava. Os soluços fazendo companhia às lágrimas.

De repente ele sentiu o cheiro doce que o enlouquecia ser corrompido pelo sal das lágrimas cessando por completo a ilusão. Ódio,foi esse o sentimento que teve pela pobre serva que nada tinha com os seus secretos devaneios por sua noiva. A empurrou longe antes de falar:

- Suma daqui, desapareça da minha frente! – Um tom era mais do que autoritário, demonstrava um grande desagrado.

- Fiz algo errado, meu Senhor? Parecia tão satisfeito! – A serva falava com a voz fraca sem entender a súbita mudança do youkai.

- Não me faça repetir minha ordem, vá se tem amor por sua vida!

A youkai nem pensou em contestá-lo mais uma vez, apenas pegou suas roupas e saiu correndo do quarto quase atropelando Hana, ao sair.

Sesshoumaru caminhou até a porta já vestido com uma calça azul clara. A garota estava de pé e olhava firmemente para ele, os olhos azuis refletindo toda a indignação que sentia. No rosto, as manchas dos rastros das lágrimas mostravam o quanto aquilo a deixara triste. O youkai sentiu um estranho aperto ao vê-la daquele jeito, acompanhado da vontade ainda mais estranha de confortá-la, mas não se permitiu a tamanho deslize, já havia prometido a si mesmo que não sucumbiria a vontade do pai.

A garota ergueu a mão, reunindo toda força que conseguiu encontrar em si mesma, deu um forte tapa no rosto do youkai e logo em seguida virou-se de costas e saiu a passos firmes pela penumbra do corredor. Sesshoumaru ficou estático, pela primeira vez em sua vida se viu impotente diante de uma agressão, não sabia como reagir tamanha fora a surpresa pela audácia da mulher. Tocou o rosto sentindo a ardência, era impressionante como uma mãozinha tão pequena e delicada era capaz de provocar um bom estrago na face alva que agora estava vermelha no local atingido.Voltou para dentro de seu quarto, vestiu-se e saiu novamente. Iria mostrar aquela garota que como se deve agir perante Sesshoumaru.

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- Jaken! Jaken! – Os gritos da princesa eram ouvidos por todo o lugar e o youkai sapo logo apareceu para atender ao chamado.

- O que deseja, Hime? – Peguntou mal humorado, detestava seguir as ordens da humana insolente.

- Quero que reúna todos, ouviu bem? TODOS, os servos deste lugar, principalmente as servas. – ela disse nervosa, mal acreditando no que estava prestes a fazer.

- Masss a essssa hora? Esstão todos dormindo sssnhora! – Jaken falou quase se abaixando com medo de que ao contrariar a vontade da jovem sofresse alguma punição. Ela podia ser humana, mas lhe causava arrepios.

- E o que isso me importa! Acorde quem estiver dormido. Quero que estejam reunidos no hall, AGORA!

- Sssim, como quissser.

Jaken saiu em disparada pelos corredores, mandando que todos os servos seguisse a ordem da princesa que parecia estar com péssimo humor. É evidente que a agitação que tomou conta do castelo foi percebida por Sesshoumaru que desistiu, momentaneamente, de ir ao quarto de Hana. Queria ver o que estava acontecendo.

A humana sentia que o coração saltaria pela boca, mas sua decisão já estava tomada e não voltaria atrás, por mais medo que sentisse, não permitiria que o comportamento de Sesshoumaru ficasse impune. Guardando para si todo o nervosismo que sentia tentou mostrar o melhor olhar autoritário que conseguiu fazer e lentamente começou a falar, não se calou nem mesmo quando percebeu a presença dele, pelo contrário, mantinha um forte contato visual, mostrando que aquele recado era principalmente para ele.

- Como bem sabem amanhã me tornarei senhora deste lugar! E achem vocês isso bom ou ruim o fato é que agora vocês estarão subordinados as minhas ordens. Pois bem, quero que a convivência entre nós seja a melhor possível e a única orientação que tenho a fazer é que não permitirei qualquer desobediência a uma ordem minha. Serei severa nas punições. Quero apenas que isso fique bem claro.

Todos olhavam chocados para jovem, ela não era em nada parecida com a imagem frágil que fizeram dela antes de ser apresentada durante à tarde. Ela não era uma simples humana, sabia se impor.

Hana gostou da reação que causou, sabia que havia passado seu recado, uma vez seu pai lhe havia dito que não é o porte físico que da poder a uma pessoa, mas sim a forma como ela se impõe. Ela reconheceu entre as servas, aquela que estava com seu noivo e se aproximando perigosamente da youkai voltou a falar.

- Aquela que ousar a se deitar com meu marido, será penalizada com a morte. A única fêmea que Sesshoumaru poderá ter dentro deste castelo será a mim. Espero ter sido suficientemente clara. Na minha casa, NIGUÉM (isso ela disse olhando diretamente para o futuro esposo), irá me desrespeitar. Boa noite e durmam com os anjos – ela terminou seu discurso com uma voz suave e tranqüila, dando um belo sorriso antes de tomar o corredor que pensou ser o que a levaria de volta ao seu quarto.

Sesshoumaru assistiu a tudo em silêncio e não fez nenhuma menção em retirar a ordem dada pela humana."Não sabe com que está brincando, onna". Vagarosamente ele seguiu pelo mesmo caminho que ela havia pegado. Não tinha pressa em alcançá-la, queria que ela se sentisse vitoriosa, que realmente pensasse que tinha algum poder naquela casa, quanto maior o vôo pior a queda e a dela poderia ser fatal.

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Hana só parou de andar quando se viu diante da porta da sala em que tivera a "amistosa" conversa de boas-vindas com Sesshoumaru. Estava perdida mais uma vez e não se surpreendia com o fato; para ela todos os corredores eram absolutamente iguais. Resolveu entrar na sala e ficar ali até que as coisas se acalmassem, de forma alguma queria se encontrar com o TaiYoukai. Ele deveria estar furioso.

A sala estava bastante iluminada, havia uma lareira em cada uma de suas extremidades. Agora que estava parada que ela percebia o quanto estava assustada, conseguia ouvir as batidas do próprio coração. Tentado se tranqüilizar passou a prestar maior atenção no ambiente que a cercava. Novamente sua atenção foi desviada para figura imponente de InuTaisho. Olhava para o quadro com admiração, conseguia sentir a serenidade que o olhar doce do youkai.

Segundos se passaram sem que a garota nem mesmo piscasse analisando cada detalhe do quadro. Soltou um grito e se afastou assustada quando deve a nítida sensação de que a figura no quadro havia dado um leve sorriso e piscado para ela. Não podia ser! Deveria estar realmente exaltada para imaginar uma coisa dessas. Como ele podia fazer isso? Era apenas um quadro!

O susto com a figura em movimento não foi maior do que o que levou quando sentiu que havia encostado em algo e, ao se virar para ver o que era, deparou-se com os olhos frios de Sesshoumaru.

- Este castelo não é grande de mais para que consiga se esconder de mim. Deveria, pelo menos, ter escolhido um local menos óbvio. Assim me daria o prazer da caçada.

- Não tenho porque fugir de você, e não pretendia isso quando vim para cá. Gosto do local. É muito aconchegante – Hana respondeu a provocação do youkai se afastando o máximo que podia.

- Acha mesmo que consegue me enganar? Acha que sou um idiota que você pode tratar com toda essa ironia? Pensa mesmo que sou como aqueles que acreditam em uma crueldade que você não tem? Posso sentir o seu medo mulher, ouvi os batimentos acelerados de seu coração enquanto falava aquele monte de besteiras para aquele bando de inúteis. Sabe que pagará um preço pelo que fez essa noite. Te darei do seu próprio remédio.

Com uma agilidade imperceptível aos limitados olhos humanos da jovem, Sesshoumaru venceu a distância entre eles, pegando a jovem pela cintura, colocando-a sobre a mesa em frente ao retrato do pai, se posicionando entre suas pernas.

- Quer ser a única fêmea a me saciar neste castelo? Tem idéia do que significa uma atribuição deste nível? Posso ser insaciável, humana, está se condenando a ter que me dar muito mais do que consegue. – Ele falava sussurrando em seu ouvido, passando de uma orelha para outra em uma torturante provocação. Hana sentia o rosto queimar com aproximação, a respiração tornava-se ofegante, a mente incapaz de reagir a forte presença que ele impunha.

Ele roçou os lábios nos dela causando arrepios em ambos, depois passou a lambê-los de forma sensual. Hana ansiava pelo momento em que a língua aveludada iria adentrar sua boca dando-lhe um beijo luxurioso. Mas o beijo não veio! Sesshoumaru simplesmente continuava a caricia externa que, por mais gostosa que fosse, não se comparava ao beijo que ela esperava.

"O que há com ele? Vai Ficar ai lambendo minha boca por mais quanto tempo? Parece até que ele nunca beijou antes? Ou ta com aquelas frescuras de - Você é humana, não posso contaminar minha saliva com a sua de tão baixo nível" Ruiu internamente com o pensamento e decidiu parar de tentar entender as razões de Sesshoumaru. Tomou, ela mesma, a iniciativa para o beijo.

Com delicadeza a jovem segurou o rosto do youkai com as mãos e o fitou longamente antes de reaproximar os lábios. Com a língua ela vez com que a boca de Sesshoumaru se abrisse para recebê-la. Ela o beijou apaixonadamente e logo ele passou a correspondê-la, imitando instintivamente os movimentos dela. Não demorou muito para que ele assumisse o controle da carícia mordiscando os lábios já vermelhos.

"O que isso que esta mulher está fazendo? O que ela pensa que é para beijar-me! Jamais pensei em permitir que meus lábios fossem tocados por qualquer ser, muito menos por uma humana. Como ousa fazer isso comigo? Porque me rebaixa desta forma e me deixa tão rendido?". Sesshoumaru se surpreendia com as sensações que o toque das línguas e lábios podia provocar, sentia o corpo inteiro em chama, num delírio que o fazia querer mais e mais daquela boca...daquela humana.

Hana se deliciava com a avidez com que seu lábios eram tomados pelos de Sesshoumaru e se entregava ao beijo que a cada segundo tornava-se mais intenso e desejoso. Protestou com um gemido quando ele se separou dos lábios, mas o protesto morreu ao sentir a língua e os dentes percorrerem-lhe o pescoço, as orelhas...os ombros. Ele começava a despi-la cobrindo com beijos cada parte do corpo que era exposto.

- Pare! – Com o resto de racionalidade e raiva que ainda sentia, ela disse, o empurrou e vestiu a parte retirada do kimono – O que pensa que sou? Uma daquelas servas que se entregam de qualquer jeito a você? Não vou permitir que toque em mim sendo que o suor dela ainda está impregnado no seu corpo.

- Me atiça para depois agir com falsos pudores! Quer isso tanto quanto eu!

- Não vou negar que sinto uma atração desnorteante por você, mas vamos encarar os fatos, Sesshoumaru, você não é o único orgulhoso por aqui. Boa noite! – Ela disse seca, seguindo em direção a porta, mas foi impedida de continuar.

- Se sair daqui não terá outra oportunidade, jamais a tocarei assim como disse hoje de manhã. Sabe que não agirei como Fukuyama, não gosto de forçar, gosto do desejo que provoco.

A garota se soltou e olhando fixamente para os orbes dourados antes de dizer:

- Lamento decepcioná-lo, mas você não é tão irresistível Sesshoumaru. Fico a vida inteira sem seu toque, mas essa noite você não põem a mão em mim. Aprenda a tratar uma mulher! Pois quem não terá outra oportunidade, será você!

E saiu sem olhar para trás indo direto para seu quarto como se, de repente, todos os caminhos do castelo lhe fossem óbvios. Sesshoumaru ficou na sala mais um tempo tentando entender os acontecimentos da noite e a própria reação. Qualquer pessoa já teria morrido se lhe fizesse um quinto do que a humana fazia. Olhou para o quadro do pai e deu um leve sorriso "Ainda bem que ela parou, mais um pouco eu cederia minha vida para ter um segundo com aquele corpo, mas recusa me deu forças para resistir cada vez mais. O senhor ainda não venceu e não adianta manter este sorriso cínico, é patético!".

CONTINUA...