Nunca esperei por uma epifania no meio do meu trabalho. Escrever não era complicado e uma manifestação divina de inspiração não se fazia realmente necessária para me manter em uma lista de best sellers.

Mas meu pequeno mundo de escritor, que muitas vezes se resumia à minha cama e a meu Mac, não pôde se conter quando esse momento memorável ocorreu pela primeira vez. Minha editora gritara por ajuda, escancarando a porta. A garota ruiva deitada no chão, aquela que supostamente seria uma mulher forte e que teria alguma capacidade de defender alguém no tribunal.

Não era essa a advogada mais procurada de Londres em casos de assédio sexual?

"James, você não pode me ajudar?" Marlene segurou a ruiva em seu colo e abanou seu rosto. Ela arqueou as sobrancelhas em reposta à minha inutilidade momentânea.

"Água seria mais efetiva" murmurei, finalmente encontrando minha voz e deixando que meu presente divino fosse embora, tornando-se só uma brilhante ideia não planejada.

Caminhei para o outro lado da mesa, não que eu esperasse que isso mudasse a situação, mas me fazia parecer menos inútil. Peguei o copo de água na mesa e o entreguei para Marlene - eu não conseguiria jogar água no rosto de uma pessoa desconhecida e,aparentemente, que me achava um deus da , ela poderia nunca mais secar o rosto, certo?

Sem nenhuma piedade de Marlene a advogada estava com o rosto molhado, suas pequenas sardas brilhando. Seus olhos verdes se abriram e ela aspirou tanto ar como uma pessoa que quase se afogara.

"Lilly? Você está bem?" Lene parecia preocupada, apoiando a mão nas costas pequenas da amiga como se não fosse seguro ela ficar sentada por si e fosse cair à qualquer momento.

"Eu "ela me olhou envergonhada" deveria ter comido alguma coisa antes de encontrar meu cliente, me desculpe."

Meus olhos se abriram excessivamente surpresos. Essa foi uma das melhores e mais rápidas recuperações que eu já vira. Mais rápida do que Sirius quando não queria que sua mãe descobrisse seu estado de embriaguez.

Lilly se levantou e alisou a saia preta."Vou ao banheiro. Com licença."

Ainda estava semi-boquiaberto, quando seus cabelos ruivos passaram pela porta.

Foi uma retomada de pose adorável. Eu não faria melhor.

"Eu não disse que ela faria uma cena?"Lene disse com um brilho sádico em seus olhos castanhos"Mas superou minhas expectativas"

"Não é uma reação incomum" eu sorri e mexi em minha franja escura."Ela vai conseguir fazer o seu trabalho corretamente?"

"Ela é muito competente"Ela revirou os olhos"E centrada. Só reagiu exageradamente, quando conheceu o ídolo maior e descobriu que ela era ele."

Eu não queria ser sarcástico em uma situação como essa, mas já que a companheira de apartamento da ruiva não se importava, por que eu me importaria?

"Sei. E o que ela vai fazer quando a defesa for mais incisiva ela vai fazer o quê? Entrar em coma?"

Marlene sentou-se na cadeira de couro preto da sala de reunião da rica empresa do meu melhor amigo, pôs o rosto nas mãos, preocupada.

"Eu não acredito" ela suspirou "você é culpado mesmo, James"

Não era uma pergunta, seu olhar me acusava...droga, nem mesmo a minha editora, o ser humano com quem eu tinha contato por mais horas ao dia, não acreditava na minha inocência.

"O que eu tenho que me faz parecer tão culpado?" larguei meu corpo na cadeira indignado"Sirius falou a mesma coisa!"

"Talvez você deixe uma impressão, James." Marlene usou aquele tom de professora do primário ridículo, reservado aos empregados imbecis não ao escritor bem sucedido.

"O que eu não entendo, porque eu não falei nada demais! Então, você simplesmente decidiu fazer seu juízo de valor." Apesar da minha indignação eu tentava parecer calmo, o tom baixo. Afinal, eu não queria parecer desesperado pelo fato das duas pessoas que mais me conheciam me acharem culpado.

"James, você está preocupado com a defesa! Só um culpado faria isso"

Claro que isso era o suficiente para afirmar a culpa de alguém no belo mundo de Marlene. Saber o motivo de Marlene me deixou mais seguro,mas desapontado pois eu deveria ter notado antes- lógico que não era tão óbvio quanto o de Sirius, que achava que homens normais agiam como ele.

"Em um mundo onde um julgamento é realmente justo" Passei a mão pelo meu cabelo, enquanto a editora fazia uma carranca contrariada.

Quando menos podia esperar a porta abriu-se, e por ela entrou uma ruiva nada constrangida que parecia profissional demais para desmaiar ao descobrir a identidade do cliente. Será que ela seu nome era Lilly Evans mesmo?

"Eu me surpreendi demais com a sua identidade secreta. Me desculpe de novo" ela falou calma, mas não notou o quão bobo soava 'identidade secreta'. Ela provavelmente não queria passar por mais situações embaraçosas, então não ri o mais alto que podia como eu faria. Me contentei com um meio sorriso, só para ela se lembrar pelo resto da vida.

"Não tem problema" honestamente eu queria dar mais uma chance à ela, não seria simpático porque se sabia que se eu escrevesse um poema em pedaço de papel higiênico Lilly leria. Se ela fosse feia ou pouco decidida eu não daria um recomeço à ela. Bom, deixando a hipocrisia de lado, se seu soutien fosse uns dois números menor eu ainda assim daria uma segunda chance.

Eu lhe dei meu melhor meio sorriso- só para ela ter certeza de que estava tudo bem, e que ela estava pronta para trabalhar comigo, pois se não estivesse iria com certeza desmaiar de novo-. Em resposta seus olhos verdes brilharam aliviados.

Lilly, então pegou a pasta com o arquivo que ainda estava na mesa de vidro e sentou-se, com sua melhor pose de competente para desfazer a péssima impressão. Pouco sabia minha pequena defensora que eu adorara o modo como ela trouxera à tona meu momento de epifania, como ela me deixou com vontade de escrever sobre uma garota que amava um homem ausente em sua vida, como um mágico de OZ.

Mas talvez minha heroína não fosse ruiva.

N/A: desculpe a demora, mas eu estava ocupada com um trabalho de História...

Espero que me entendam :3

Reviews fazem bem para a pele- pensem nisso!