Obsessão Assassina
La solitudine è un peccato per tutti quelli come me Que nella vita hanno perduto un grande amore dentro se A solidão é um pecado para aqueles como euQue na vida perderam um grande amor de dentro de si (Dove sei? – Laura Pausini)Você me mostra
"Bem vinda ao mundo que você pensa ser real. A realidade está escondida no fio de uma lâmina prateada." Pensou alguém, ao entrar na casa iluminada. O circo estava armado. Sorrisos distribuíam-se por todos os cantos, pessoas chegavam e acomodavam-se em lugares que lhe eram mais convenientes.
Algo estava prestes a acontecer.
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Kagome perdeu as contas de quantas vezes sorrira naquela mesma noite. A frase 'prazer em conhecê-lo, sou Kagome Higurashi.' repetia-se em sua cabeça inúmeras vezes, fazendo com que uma dor latejante aparecesse.
Acomodada em seu lugar, num dos cantos, tinha a visão de todos os presentes na recepção. Os casais espalhavam-se, fazendo um grupo mais à esquerda, de homens, discutindo política e atualidades. Mais à direita, mulheres ocupavam seu tempo trocando fofocas e técnicas diferentes sobre costura, arte, ou coisas do gênero.
Porém, entre todas aquelas mulheres, uma delas chamava a sua atenção. Não que as mulheres estivessem mal-vestidas, muito pelo contrário. Os mais diferentes e exóticos tecidos compunham seus trajes, as mais delicadas colônias perfumavam seus corpos e os cabelos eram arrumados de modos diferentes, porém não menos belos.
Ainda assim, com tantas semelhanças, aquela conseguia se destacar. 'Tem algo nos olhos dela que não é comum...' pensou a garota, que tentava ser o mais discreta possível em sua observação. A cor era normal, um castanho-escuro. O seu rosto era tão pálido quanto o pó que ela provavelmente tinha no rosto...
No entanto, ela ainda a intrigava. Kagome suspirou, cansada, e dirigiu-se discretamente para a cozinha. Tomou um longo gole de saquê, escondida, e depois que a tontura repentina passou, abriu a porta dos fundos e sentou-se na escada, olhando a floresta convidativa à sua frente.
Uma brisa arrepiou-lhe os cabelos na nuca e pode ouvir um som inteligível, abafado, mas muito suspeito vindo da mesma direção em que estava. Estreitou os olhos e apurou os ouvidos, imóvel, fingindo estar absorta à paisagem diante de seus olhos. Logo depois, o silêncio era pleno.
Sem mais conseguir conter a impaciência, Kagome levantou e bateu as mãos na barra do vestido, eliminando uma poeira imaginária. Depois, em passos felinos, aproximou-se da mesma porta que tinha entrado e passou pelo estreito corredor, dirigindo-se novamente para a sala.
Porém, a garota sequer notou a pequena fresta na porta de um dos aposentos, onde jazia, com olhos vítreos, o corpo de um dos convidados.
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"Kagome, onde você estava?" Miroku aproximou-se, acompanhado de um casal jovem.
"Tomando um ar... Aqui está um tanto abafado." Ela sorriu polidamente, tentando recordar-se novamente das regras de etiqueta que a mãe lhe ensinara. "Mas, por que me procurava?"
"Quero apresentar o casal..."
"Não é necessário que você nos apresente." O rapaz cortou-o de maneira tão educada e fria, que Miroku sorriu amarelo, sem saber o que dizer. "Sou Sesshoumaru, e esta é minha esposa, Kikyou."
Tentando demonstrar o menos de espanto possível, observou a dama curvar-se e observá-la com os olhos oblíquos e misteriosos, mas, uma expressão facial bastante tranqüila.
"Sesshoumaru de...?"
"Apenas o que precisa saber." Ele quase sorriu, com um quê de arrogância na sua voz. Certamente, o primo comentaria algo a respeito desse convidado.
"Certo. Kagome, então." Ele tomou a mão pequena e delicada entre a sua, e beijou-a demoradamente, observando com embaraço o rosto da esposa contrair-se. "Um prazer conhecê-lo, senhor Sesshoumaru."
"Encantado. Mas, eu me despeço, me estendi apenas para conhecê-la, já que seu primo é tão amável com os comentários sobre a sua pessoa."
"Hum... muito obrigada." Ela simplesmente disse, arqueando levemente as sobrancelhas com a amabilidade exagerada do rapaz.
"Até mais, Miroku, um prazer enorme conhecê-la... Kagome." Ele pronunciou seu nome como se saboreasse um fruto e deu uma rápida piscadela, antes de se afastar, com as mãos sobre os ombros da esposa. Os olhos vívidos e dourados fizeram-na estremecer pela décima vez no dia.
"Que sujeito estranho!" Ela murmurou para si mesma, procurando o primo aos arredores, sem conseguir encontrá-lo.
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Depois de algum tempo, a casa estava vazia novamente. Os vestígios da reunião eram apenas alguns copos espalhados pela mesa e o cheiro de fumo e perfumes na sala. Kagome esfregou os braços, tomando um longo gole de água e depositando o copo sobre a mesa, para dormir.
Novamente, ouviu o gemido abafado. Mas desta vez era nítido, e, com certeza, humano. Sem conseguir hesitar, pegou a vela que iluminava o caminho da cozinha e, correu, com a sua camisola esvoaçando ao movimento de suas pernas.
Chegou no quarto e, em choque, viu três corpos amontoados em uma pilha e cabelos negros voando, antes de uma silhueta feminina desaparecer na escuridão. Gritou em plenos pulmões, horrorizada.
A chama fraca e pálida aproximou-se de cada um dos rostos e, mais assustada que surpresa, viu o rosto do avô, do primo e de sua empregada, com a mesma expressão espantada que encontrara o corpo do tio dias atrás.
A lembrança do convidado suspeito veio-lhe à mente como um raio, e, mais rápido que conseguia, correu ao quarto, colocou uma roupa qualquer, calçou as sandálias e correu em disparada para a floresta.
Após alguns minutos, o corpo frágil deu sinais de exaustão e viu-se no meio as árvores, avistando a casa sombria através dos espaços entre a vegetação quase espremida. Reuniu todo o ar que pôde nos pulmões e gritou, com todo o seu ser.
"Maldito! Apareça de uma vez!"
A sua voz ecoou algumas vezes, como em uma caverna, e logo cessou. Olhando para os lados, amedrontada, esfregou os braços procurando o calor imaginário da fricção de suas mãos.
Cansada de esperar e vendo o sol aparecer timidamente no horizonte, decidiu ir à cidade e conversar com alguém para tirar aqueles corpos da casa. Mais uma vez, estava sozinha no mundo.
E, desta vez, não podia ter a certeza se seria a próxima.
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Puxa, isso tudo escrito em uma tarde T-T
Bem, caros leitores... Obsessão é uma fic bastante complexa. E, não me estendo nos capítulos justamente porque certos detalhes poderiam escapar. Estão surpresos com a aparição das personagens? Podem ter certeza que agora chegamos ao foco principal. Mas, não tenho muita certeza se esse é o foco que vocês perceberam...
Desculpem-me a demora, juro que tentarei ser mais rápida, tem um bom tempo que não atualizo, eu amooo demaaaais escrever esse fic.
Portanto, cabe a você julgar se essa estória merece um comentário seu.
Beijos!
Lally-chan
