Capítulo 4. Aula de Voo

Harry acordou se sentindo muito confortável, mais do que jamais havia sentindo antes. Estava frio, o que era estranho para a época do ano, mas o cobertor a sua volta o aquecia completamente. Ele piscou, ainda sonolento, esperando ver o verso das escadas que dava para o seu armário, mas tudo que viu foi um dossel de uma cama alta, coberta por uma cortina vermelha. Estranho! Harry olhou em volta assustado, de um lado havia uma janela alta, esculpida na pedra, dando vista para um campo branco de neve e de seu outro lado ele viu dois pares de olhos o observando por trás de lentes de óculos. A miopia de Harry não deixou que ele identificasse quem era, apesar da figura ser bem familiar.

- Onde eu estou? – perguntou o menino passando o punho pelos olhos para espantar o sono.

- Em Hogwarts. – disse o rapaz de óculos – Você não enxerga muito bem, não é?

Harry fez eu não.

- Sei como é – disse o rapaz entregando os óculos de Harry para que o menino os colocasse.

Assim que Harry pôs os óculos no rosto, o rapaz entrou em foco. Ele parecia demais com alguém que Harry conhecia, mas não sabia com quem. Ele tinha cabelos pretos que estavam extremamente bagunçados, provavelmente por ele ter acabado de acordar, ele também usava óculos e tinha um sorriso no rosto.

- Dormiu bem? – o rapaz perguntou.

- Sim – disse Harry – Obrigado, mas quem é você?

O rapaz sorriu.

- James – respondeu ele animado.

- Então não foi um sonho? – Harry questionou assustado – Onde está a moça bonita?

- Lily? – James questionou aguardando o assentimento de Harry – Ela está no dormitório das garotas, nós viemos para o dos garotos. – James viu o menino sorrir concordando e um assomo de carinho o invadiu – Você tem os olhos iguais aos da sua mãe.

- Você conheceu minha mãe? – o menino questionou animado.

- Sim – disse James simplesmente, mas se batendo mentalmente por ter citado Lily.

- E como ela era?

- Linda, além de ser a pessoa mais bondosa que eu já conheci - respondeu James com um sorriso – E seus olhos são iguais aos dela.

Harry ficou pensativo avaliando se era uma resposta adequada a sua curiosidade quando ouviu sua barriga trovejar. Ele olhou envergonhado para James, seu rosto vermelho denunciando sua temeridade da reação do rapaz, porém, ao contrário do que imaginava, ele tinha um sorriso no rosto.

- Está com fome, Harry? – perguntou James olhando para ele.

Harry não resistiu e, ignorando a educação dada por Petúnia, que dizia para sempre negar quando o fizessem esta pergunta, acenou a cabeça positivamente, fazendo seus óculos escorregar pelo rosto.

- Quando foi a última vez que comeu alguma coisa? – disse James jogando sua capa para o lado e se levantando.

- Ontem – disse Harry também sentando na cama e afastando as cobertas.

James gargalhou.

- Imagino que sim – disse ele - mas quando ontem? Você jantou?

- Não – o menino fez cara pensativo – Acho que tomei café da manhã.

- Só o café da manhã? Você está sem comer desde então? – James olhou para ele e viu Harry se encolher um pouco esperando levar uma bronca. Então James se forçou a acalmar, pelo menos na sua fala, para não assusta-lo com seu recém adquirido instinto assassino que se manifestava contra os tios de Harry. - Venha, vamos arranjar algo para comer então, você não pode ficar tanto tempo sem comida.

Harry se levantou apresando-se para não dar deixas para o rapaz ficar bravo novamente, ele parecia ser divertido, por isso, talvez, Harry não queria ver ele bravo. Mas ao se pôr de pé e olhar para James esperando que ele indicasse aonde deveria ir, percebeu um sorriso matreiro nos seus lábios.

- Você está um bocado sujo, não? – James sorriu para ele o observando o garotinho tentando arrumar as roupas largas e sujas de terra.

- D... desculpa – disse o menino tremendo um pouco sobre o olhar de James. – Eu estava brincando no jardim.

James se bateu mentalmente novamente, estava assustando o menino com suas perguntas e seu ódio mal direcionado. Ele ajoelhou, afim de ficar da mesma altura de Harry e segurou o menino pelos braços.

- Não precisa se desculpar, na sua idade eu vivia coberto de todos os tipos de sujeira, sei como é – disse James sacodindo o cabelo do menino, deixando-os mais bagunçados do que já eram – Mas você estava brincando do lado de fora neste frio?

- Não estava frio – disse Harry sorrindo.

- Claro – disse James pensando no viratempo – Bem, acha que consegue segurar sua fome por mais um tempinho? Acho melhor você tomar banho primeiro, o que acha?

Harry concordou acenando a cabeça. James sorriu brilhantemente, e estendeu sua varinha convocando silenciosamente uma toalha felpuda, vermelha e dourada. Ele estendeu a toalha para Harry e disse:

- Você sabe tomar banho sozinho ou precisa de ajuda?

- Sozinho – respondeu ele esfregando o nariz na manga deixando um rastro de terra no rosto – Só que não tenho outra roupa.

- Isso eu arranjo para você – James deu um sorriso – Tem certeza que pode sozinho? Vou saber se você não se lavar direito.

- Eu sei! – disse Harry solene – Tia Petunia me faz tomar banho gelado se não me lavo direito. Ela olha até atrás da minha orelha.

- Nem precisa tomar banho frio – disse James se levantando e direcionando Harry levemente para o banheiro – Não vou ser tão detalhista, mas lave atrás da orelha mesmo assim.

Harry sorriu e correu para o banheiro, antes de James conseguir suspirar o menino pôs a cabeça para fora.

- O que faço com esta roupa? – disse apontando para a roupa que estava vestindo.

- O que você faz quando está em casa? – perguntou James confuso.

- Ponho na máquina de lavar.

- O que é uma máquina de lavar?

- Você não sabe? – O queixo de Harry caiu, incrédulo.

- Não – respondeu James abanando a mão despreocupado – Mas isso não importa, jogue esta roupa fora, vou comprar novas para você.

- Mas... – disse Harry – Não precisa...

- É seu aniversário, não é? – disse James, Harry concordou – Então eu vou te dar roupas novas de presente.

Harry sorriu saindo do banheiro e fez sinal para que James abaixasse. Assim que o fez, Harry deu beijo estalado na bochecha dele e sussurrou um "Obrigado" que mal foi absorvido por James antes que o menino corresse novamente para o banheiro e fechasse a porta.

James piscou tentando absorver seus sentimentos, ele olhou para a porta do banheiro temendo que Harry fosse só uma ilusão, e, pela primeira vez de verdade, ele concordou com Lily que não deixaria ninguém levar aquele menino dele, nem que para isso precisasse matar ou morrer.

James conseguiu respirar novamente quando ouviu o barulho de água caindo e correu junto a Sirius, sacodindo o ombro do amigo com vigor. Sirius tentou evitar ser acordado, mas a impaciência na voz de James o fez abrir o olho.

- Almofadinhas, consegue ir nas cozinhas roubar um pouco de café da manhã para Harry? – disse James rapidamente – Ele está faminto.

- Então não foi um sonho? – Sirius se pôs de pé rapidamente.

- Não – disse James olhando para a porta do banheiro carinhosamente, onde ouvia-se Harry tomando banho – Não foi.

- E onde ele está? – Sirius se levantou enquanto James deu as costas para ele e começou a fuçar em seu malão causando uma enorme bagunça – O que você está fazendo?

- Procurando roupas para Harry – James disse puxando uma camiseta sua do Puddlemere United a avaliando e descartando de volta no malão. – Ele está tomando banho.

- Sozinho? – disse Sirius olhando para o banheiro – tem certeza que ele não vai se afogar?

- Tenho – disse James ainda concentrado finalmente puxando sua camiseta de quadribol da Grifinória mais nova e um conjunto de moletom – Ou acho que tenho – James disse confuso e levemente preocupado – Vou dar uma olhada nele se demorar muito mais.

Sirius assentiu, enquanto assistia James encolher as roupas dele para servirem a Harry e riu quando as mangas ficaram um pouco tortas.

- É o melhor que eu consigo – resmungou James estendendo as roupas e as avaliando – Deveria ter pedido para Lily fazer isso, ela é melhor em feitiços.

- Relaxa, cara – Sirius bateu no ombro de James compreensivo – Qualquer coisa é melhor do que aquelas roupas que ele estava usando.

- Vou comprar roupas novas para ele mais tarde – disse James indignado evitando que suas lagrimas viessem à tona – Ele nunca mais vai ter que usar roupas que não sejam para o tamanho dele.

- Não vai, vamos nos garantir disso – disse Sirius solene – Vou buscar café para todos nós, podemos acampar na sala comunal nestas férias, para ninguém ver o Harry.

- Leve a capa – disse James em forma de concordância enquanto Sirius pegava a capa de invisibilidade que jazia espalhada no chão, após a bagunça de James – E, Sirius... – Sirius olhou para ele – Traga bastante comida eu não sei se eles... se eles o alimentam direito.

- Pode deixar – disse Sirius concordando – Rabicho, Aluado, vamos buscar café.

Remus se levantou imediatamente, poderia estar acordado há horas ou somente ter acordado naquele minuto, seu semblante não demonstrava quais das opções era a certa. Peter demorou mais se enroscando em suas cobertas.

- Onde está Harry? – perguntou Remus

- Então não foi um sonho? – resmungou Peter tentando desviar dos empurrões que Sirius lhe dava para acordar.

- Não foi sonho – disse James com um suspiro – Ele está no banho, e teoricamente eu deveria entrar lá, ele pode estar se afogando.

- Ele não está se afogando – disse Remus rindo – Mas você deixou ele tomar banho sozinho?

- Ele quis tomar banho sozinho – disse James emburrado – E me pareceu saber fazer isso bem. Vocês já deviam estar na cozinha, ou vão topar com todo mundo indo embora para casa.

- Certo – Sirius sorriu puxando as cobertas de Peter – Vamos cambada.

Eles se levantaram, não se obrigando a se vestir corretamente, era férias, afinal. E saíram atrás de Sirius descendo as escadas em marcha. James suspirou e foi em direção a porta do banheiro batendo levemente antes de abri-la.

Assim que a porta foi aberta, James sentiu o vapor quente embaçando seus óculos quase o impossibilitando de ver o garotinho a sua frente, rindo alegremente para algumas bolhas de sabão que flutuavam sobre ele. Harry estava com os pesinhos sobre o tapete e a grande toalha dourada e grená o tampava quase inteiro, deixando somente o cabelo preto molhado e os olhos verdes para fora.

- Já terminou? – James questionou o menino com um leve sorriso no rosto por ouvir a gargalhadas de Harry. O menino concordou e seguiu James até a cama do garoto. – Por que demorou tanto?

- Bolhas – disse Harry sorrindo alegremente.

- Vou conversar com Sirius – dizia James enquanto secava Harry com a toalha – Sabe, ele tem inveja do banheiro dos monitores e instalou estas torneiras no nosso banheiro, foi legal nos primeiros dois dias, mas já era para ele ter tirado isso.

- Desculpa – disse Harry retirando o sorriso – Eu sei que não posso demorar.

- Você pode demorar o tempo que quiser, Harry – disse James se xingando mentalmente – Não precisa se desculpar, mas não deveria ter usado tantas torneiras, agora você está cheirando a flores.

- Eu gosto – disse o menino sorrindo novamente.

- Daqui há alguns anos você não vai gostar mais tanto assim – resmungou James.

Ele terminou de secar Harry e ajudou o menino a vestir as roupas magicamente encolhidas. Quando estava arrumando o casaco para colocá-lo em Harry, alguém bateu na porta e entrou, era Lily já vestida para o dia. Ela abriu os olhos espantadas quando viu James e Harry.

- Céus – disse ela se aproximando – Ele parece uma miniatura sua.

- Não tinha roupas melhores para ele, tive que encolher as minhas – respondeu James terminando de vesti-lo– Vou comprar novas mais tarde.

- Ele está lindo – disse Lily pondo a mão carinhosamente na lateral do rosto de James, compreensiva de que o maroto havia feito tudo ao seu alcance para o bem estar de Harry. Ela sentou de frente para James, na cama de Sirius, de modo que Harry ficasse entre ambos – Bom dia, Harry, dormiu bem?

Harry assentiu para ela enquanto aceitava os óculos que James oferecia.

- Você está cheirando a flores – disse Lily depois de dar um beijo na bochecha de Harry – E esta descabelado. – Virando-se para James disse - Você não vai pentear ele?

- Não adianta - disse James bagunçando mais o cabelo de Harry – Acredite em mim.

- Como você sabe? – perguntou Harry de boca aberta.

- Tenho um cabelo parecido – respondeu James apontando para a própria cabeça – Não fica penteado nunca.

- Tia Petúnia fez de tudo – Harry sorriu animado.

- Imagino que sim – disse James – Minha mãe fez de tudo também e desistiu de tentar.

- Acho que terei trabalho então – disse Lily, confundindo Harry.

- Não se você simplesmente aceitar este fato. – James respondeu com uma piscadela – Mas olhe para ele e me diga que ele não é adorável.

Lily encarou os dois a sua frente, o mesmo sorriso que indicava que podiam ganhar o mundo se desejassem estampavam o rosto dos dois. O coração de Lily perdeu um compasso com a compreensão que amava aqueles dois.

- Sim, ele é – disse Lily com um sorriso gigante.

Harry sorriu sabendo que estavam falando dele, se sentia confortável no meio dos dois. Lily era muito bondosa, era bonita e tinha uma voz muito boa para cantar. James era engraçado, espirituoso e gentil. Harry sentiu que não queria decepcionar nenhum dos dois, por algum motivo isso era importante. Talvez se ele fosse um bom menino eles não o devolveriam para tia Petúnia.

- Onde estão os meninos? – perguntou Lily olhando a disposição do quarto.

- Pedi para buscarem café para nós – respondeu James – Achei melhor não andar pelo castelo com Harry, alguém pode vê-lo.

- Não tem quase ninguém no castelo este ano para o natal – disse Lily.

- Eu sei, podemos contrabandear Harry para fora mais tarde. Gosta de brincar com bolas de neve, Harry?

- Como se brinca? – perguntou o menino curioso.

James suspirou, segurando a vontade de bater em alguém, Harry não podia achar que ele estava bravo, pois acharia que era com ele. Ele então pôs um sorriso no rosto e disse:

- Vou te ensinar. E a voar. Você provavelmente não sabe voar.

Harry fez que não.

- Ele é muito novo para andar de vassoura, Pot... James – disse Lily correndo para se corrigir.

James deu um sorriso travesso e deu um beijo estalado nos lábios de Lily.

- Não, ele não é – disse ele com um sorriso gigantesco – Além disso não vou deixar ele passar de um metro no máximo. Vamos, Lils, todo bruxo merece experimentar um voo de vassoura. Você sabe disso tanto quanto eu. Eu mesmo comecei a voar antes que soubesse andar, eu não quero perder isso, Lils, eu não posso perder isso.

Lily sorriu e concordou.

- Voar? A gente consegue voar? Como? Em aviões? – Harry perguntou visivelmente animado.

- Na verdade, nós bruxos usamos vassouras – respondeu James conspiratórios.

- Bruxos? Vocês são bruxos? – disse Harry espantado – Como em João e Maria? Vocês vão me transformar em doce?

- Como quem? – James olhou confuso. – Transformar você em doce? Por que iríamos transformar você em doce?

- É um conto infantil trouxa, James – disse Lily o acalmando. – Sim, querido, nós somos bruxos, mas não como em João e Maria, elas não eram bruxas de verdade, nós somos pessoas normais que conseguem fazer mágica e somos bonzinhos, não somos?

Harry concordou.

- Você também é um bruxo, querido – disse continuou Lily – Assim como os outros rapazes que você conheceu ontem. Por isso que Remus conseguiu concertar seus óculos – Lily continuou.

- E James fez a toalha flutuar. – concluiu Harry, suas feições iluminadas pelo entendimento.

- Isso também – disse Lily com um sorriso – Você já fez alguma magica acontecer?

- Acho que encolhi um macacão feio de Duda. - Harry fez uma careta – Tia Petúnia achou que encolheu na máquina, mas eu acho que fui eu.

James explodiu em gargalhadas, causando uma cara de indignação de Lily. Ela olhou feio para James, e depois voltou seus olhos bondosos de volta para Harry e disse que provavelmente foi ele mesmo e que crianças bruxas costumavam não conseguir controlar a magia.

- Mas tia Petúnia e tio Valter não são bruxos, são? – Harry pensou que se fossem, talvez não reclamassem tanto de ter que cria-lo. O sorriso de Lily sumiu do rosto dela por um minuto, e Harry teve a certeza que havia feito a pergunta errada.

- Não, não são. – ela respondeu carinhosamente forçando um sorriso no rosto.

- Então como sabem que eu sou?

- Seus pais – respondeu Lily meio hesitante – Eles são... eles eram bruxos.

- Você também conheceu meus pais? – Harry pareceu animado – James disse que conheceu minha mãe.

- É mesmo? – disse Lily olhando para James que permanecia sério e a encarando.

- Sim, ele falou que ela era muito bonita e boazinha. – disse Harry empolgado – E que os olhos dela eram iguais aos meus.

- Ele tem razão – disse Lily voltando seus olhos para Harry – Seus olhos são iguais aos da sua mãe. Mas você se parece muito, muito, com o seu pai. É igualzinho, na verdade.

- Jura? – os olhos de Harry cresceram espantado – E como ele era? Meu papai.

James levantou de onde estava sentado e deu as costas para os dois, desistindo de segurar as lagrimas. Ele tentou manter-se em silêncio, abafando os soluços que o acometeram. Por sorte Harry estava concentrado demais em Lily que continuou falando com ele calmamente.

- Seu papai? – disse ela pensativa – Seu papai era muito corajoso e bem levado, mas muito bonito, assim como você – disse ela esfregando seu nariz no nariz de Harry.

James deu um soluço mais forte, podia se ver seu corpo tremendo. Lily segurou a vontade de abraça-lo, mas Harry precisava mais dela agora.

- Tia Petunia disse que eles morreram numa batida de carro – sussurrou ele para Lily – Você acha que eles gostavam de mim?

- É claro que gostavam – respondeu ela abraçando ele – Eles te amavam muito.

Harry fungou no ombro de Lily, esperando não chorar. Era a primeira vez eu alguém falava de seus pais para ele e ele não ia ficar triste com isso. Para a sua sorte o abraço de Lily foi interrompido com o barulho dos três garotos voltando ao quarto.

- Comida! – gritou Sirius feliz.

Os rapazes entraram em fila, cada um trazendo uma sexta com guloseimas, Sirius na frente trazia um bolo enfeitado com glace, com velas encarapitadas no topo. Lily sorriu para ele animada, eles providenciariam uma festa de aniversário para Harry. Sirius seria um padrinho incrível.

O sorriso de Sirius sumiu quando se deparou com James, que estava ainda soluçando copiosamente. Ele fez a menção de largar o bolo em algum lugar e correr para acudi-lo, mas Lily, que não queria chamar a atenção de Harry para James, disse:

- Você trouxe bolo, Sirius?

Sirius piscou, antes de desviar os olhos aflitos de James e virar-se para ela. Lily negou silenciosamente, esperando que ele entendesse que estava tudo bem e que não deveria alardear o choro de James.

- É o aniversário de Harry, não é? – disse ele ainda hesitante - Nos aniversários temos que ter bolo.

- Excelente ideia, Almofadinhas – Disse James se virando para o amigo enquanto secava os olhos muito vermelhos.

- É de chocolate! – exclamou Remus – Você gosta de chocolate, não é, Harry?

- Claro que gosta – disse Peter animado – Quem não gosta de chocolate?

- Eu definitivamente preciso de chocolate – disse James se juntando a eles.

- Harry – Lily olhou para o menino que estava calado e parado olhando para todos ao redor – Tudo bem, querido? Você não gostou do bolo?

- Eu nunca tive um bolo – disse ele de boca aberta.

- Agora você tem, filhote – Sirius agachou e segurou o bolo na altura de Harry – Aluado, as velas.

Remus segurou a varinha apontando para as velinhas e elas acenderam com um foguinho vivo e crepitante. Antes mesmo que Harry tivesse tempo de absorver ele ouviu quatro vozes fortes e mais a voz doce de Lily cantando parabéns para ele. Harry sentiu suas bochechas quentes e provavelmente coradas, mas nunca havia sentido tanto contentamento na vida, quando a música acabou e ele foi incentivado a soprar as velas.

- Faça um pedido, querido – disse Lily para ele.

- Que este dia nunca acabe. – sussurrou o menino antes de soprar as velinhas.

- Feliz aniversário, Mini Pontas – disse Peter dando tapinhas nele.

- Feliz aniversário, Harry – Remus sorria.

- Feliz aniversário, Filhote – Sirius deu um beijo na bochecha dele.

Harry só sorria para todos eles. Enquanto Lily o abraçava apertado e James sorria orgulhoso.

- Eu acho que devíamos comer – disse James com a voz embargada demais para o seu gosto, sentia que poderia chorar novamente a qualquer momento – Harry deve estar morrendo de fome.

- Eu estou morrendo de fome – disse Sirius animado conjurando uma mesa para colocar a comida

Das cestas saíram um pouco de tudo. Harry olhava deslumbrado para uma jarra de suco de abobora, um prato com linguiças e bacons, pãezinhos de todos os tipos e formatos, torradas e ovos. Panquecas, frutas, mingau, uma chaleira borbulhante para fazer chá, biscoitinhos açucarados, bolos, queijos e uma vasilha com balinhas de menta.

- Tudo que um café da manhã de aniversario precisa – disse Peter satisfeito – O melhor dos elfos domésticos de Hogwarts.

- O que você quer comer, Harry? – disse Lily olhando para ele carinhosamente, enquanto os meninos começavam a se servir.

Harry mordeu o lábio pensando o que queria, se tivesse em casa teria apenas uma opção ou aquilo que Duda não conseguisse comer antes, então era difícil decidir.

- Não sei – disse Harry aflito, enquanto olhava para Lily.

- Você pode provar um pouco de tudo, se quiser. – respondeu James enquanto colocava uma das estranhas balinhas de menta na boca.

Harry olhou para Lily como se confirmasse que poderia mesmo fazer isso e Lily lhe sorriu concordando.

- Por que não come um pouco de ovos e torradas? – disse Lily para ele – Depois pode experimentar um pedaço do bolo que Sirius lhe trouxe.

Harry sorriu concordando recebendo um prato com uma porção generosa de comida e um copinho de suco de abobora. Enquanto Lily também comia olhando para ele pelos cantos dos olhos.

- Tudo bem, cara? – perguntou Sirius sussurrando para James – O que aconteceu?

- Harry perguntou como o pai dele era – sussurrou para Sirius enquanto mexia a comida de fato sem comê-la – Não quero que ele vá embora. Não quero deixa-lo sozinho. Não quero morrer, Sirius.

- Você não vai – Sirius respondeu tristemente.

- Vou ensinar Harry a voar a tarde, enquanto ainda tiver sol. É algo eu um pai tem que fazer. – disse James mudando descaradamente de assunto – Depois vou comprar roupas para ele em Hogsmead, e brinquedos e tudo que ele precisa.

- Vou com você – disse Sirius seriamente, os dois ficaram em um silencio pensativo, depois de um longo período Sirius falou novamente – Ele parece ser um bom menino.

- Ele é – disse James orgulhoso – É incrível, na verdade, gentil, educado e carinhoso.

- Um verdadeiro filho de Lily Evans – disse Sirius com um sorriso gentil.

James concordou com um sorriso, e se virou para ver Harry, ele ria com alguma coisa que Peter havia dito, um pedaço de maça, que Lily estava partindo e dando a ele, estava parada em sua mão fechada, esquecido no meio do caminho da boca. James se imaginou, não naquele dormitório e sim em uma casinha não muito grande, um vilarejo pequeno, talvez trouxa, Lily na mesa de café com Harry ao seu lado, seus amigos indo visitá-los. Ele poderia viver esta vida.

Lily cutucou Harry para que ele comesse a maçã. O menino a levou na boca, mas sem tirar os olhos de cima de Peter e Remus, que contavam suas aventuras por ai. James assistiu ele terminar de comer a fruta sem nem mesmo perceber.

- Acho que quero um pedaço desse bolo – James sorriu – E depois vamos descer.

Todos concordaram pegando um pedaço de bolo e comendo. Eles guardaram a comida que sobrou e começaram a andar pelo quarto se vestindo para o frio que estava lá fora.

- Acho que você precisa de meias – disse Lily olhando para Harry – e sapatos se quiser ir lá fora. Eu tenho uma galocha que se eu diminuir vai te servir.

- Eu tenho meias novas – disse Peter estendendo um par de meias para Lily – Minha mãe acha que as minhas simplesmente tendem a desaparecer e compra varias.

- O que é isso, Pete? – disse Sirius arrancando as meias de Peter – São pufosos desenhados.

- Qual a parte do "a minha mãe comprou" você não entendeu? – resmungou Peter.

- Estão ótimas para Harry – disse Lily arrancando as meias da mão de Sirius, que gargalhava – Muito obrigada, Peter.

- Eu tenho certeza que tenho uma touca por aqui – disse Remus procurando no seu malão meticulosamente arrumado – James me deu no inverno passado. Aha, sabia que estava aqui.

Remus estendeu uma toca em formato de cabeça de leão.

- Isso explica o porque estava no fundo do seu malão – Lily riu.

- James pode ser meio fanático as vezes – disse Remus com um sorriso.

- Foi um grande jogo – disse James emburrado – E as meninas adoraram a touca.

Lily olhou para ele com as sobrancelhas levantadas e fez um feitiço diminuído as roupas, muito mais facilmente que James. Ela colocou as roupas em Harry e o olhou com carinho.

- Você está muito fofo. – disse ela feliz – Vou trocar minha roupa e já voltou com seu sapato.

- Você está maneiro – disse Sirius em tom conspiratório assim que Lily saiu – As meninas não sabem que fofo não é um elogio para nós rapazes.

- Não ligue para ele, Harry – disse James se aproximando do garoto – Mas você realmente está muito maneiro, mas, se vamos voar, acho que vou ter que providenciar luvas. Você pode ficar com as minhas, não gosto de usa-las quando estou na vassoura.

James dizia isso e fazia o mesmo feitiço nas luvas e no cachecol amarelo e grená que Sirius oferecia. Ao terminar de vestir Harry ele parecia um verdadeiro mascote da Grifinória, ostentando as cores da escola e no "Potter" atrás do casaco.

Lily Voltou vestida para a neve que caia, com os sapatos de Harry nas mãos, não tardou para que todos saíssem, James fez Harry subir em suas costas enquanto Sirius os encobria a capa da invisibilidade.

- Estamos mesmo invisíveis? – perguntou Harry abismado.

- Sim. Você quer ver? – respondeu o garoto se encaminhando até um espelho de corpo inteiro.

Posicionando de frente apara o espelho, que mostrava apenas o reflexo do quarto bagunçado, James segurou Harry com apenas uma mão enquanto com a outra retirava a capa da sua cabeça e da do menino. Imediatamente dois sorrisos idênticos apareceram no espelho, as cabeças pareciam flutuar sem os corpos, que permaneciam invisíveis.

A boca de Harry se abriu em um grande "O" enquanto o menino olhava para baixo a procura do restante de seu corpo e de James. O rapaz riu e cobriu eles novamente. Todos partiram, Sirius ia na frente segurando as vassouras de James, e Lily estava logo atrás dos dois, seguida pelos outros dois rapazes.

O cortejo passou pela sala comunal que estava um pouco movimentada, apesar da guerra eminente ter levado a maior parte dos alunos para a casa nas férias de Natal. Os corredores gelados, estavam completamente vazios o que facilitou que todos conversassem animadamente sem serem interrompidos e questionados.

Os terrenos de Hogwarts pareciam pintados de branco, mas a neve havia parado de cair deixando um atípico céu azul e um frio sol de inverno aparecer. Ao longe eles podiam ver a fumaça saindo da cabana de Hagrid, sinal que o guardião das chaves devia estar em casa, fugindo do frio e possivelmente cerzindo suas meias.

Eles chegaram no campo de quadribol rapidamente, sem nenhum incidente no meio do caminho. James recolheu a capa de cima dos dois, antes de colocar Harry no chão e checar se ele estava completamente vestido. Lily fez um floreio com a varinha e criou chamas azuladas que flutuavam no entorno deles, diminuindo a sensação congelante.

- Certo, Harry – disse James se abaixando até ficar da altura do garoto – Não é o melhor tempo para aprender a voar, mas como não vamos subir muito o vento frio não deve atrapalhar. Está pronto?

Harry assentiu animado.

- Certo! – sorriu James em retorno, ele praticamente estava mais empolgado que Harry, ele pediu as vassouras para Sirius e as colocou no chão, uma ao seu lado e outra ao lado de Harry – Tudo é questão de confiança – James disse ficando mais sério – A vassoura só vai te obedecer se confiar em você e isso começa antes de voar. Estenda a mão para a vassoura e peça para que ela suba.

James demonstrou esticando a mão sobre a sua e dizendo "suba" de forma confiante, a vassoura rapidamente parou na sua mão aberta sem um átimo se quer de dúvida. Harry olhou um pouco preocupado para a vassoura dele, mas mesmo assim estendeu a mão e disse "suba". A vassoura voou para a sua mão da mesma forma que a de James, quase derrubando o menino no processo.

- Excelente, Harry! – James disse quase pulando de animação, Remus, Sirius, Peter e Lily batiam palmas com orgulho – Muito bem, mesmo.

Harry sorriu agradecido. Mas não tirou os olhos de James, esperando o próximo passo.

- Agora suba na vassoura – disse James demonstrando como na sua própria – Isso, passe a perna, segure firme. As pernas têm que ficar mais dobradas, senão você pode virar na vassoura. Muito bem, agora olhe para frente, você tem que ver onde está indo.

James saltou da sua própria vassoura, a largando no chão enquanto corrigia a postura de Harry animadamente.

- Agora dê um impulso com as penas, como se fosse pular.

- James – disse Lily ficando preocupada.

- Estou segurando ele, Lily – James mostrou que uma mão dele estava firme no entorno da vassoura e a outra segurava as costas do casado de Harry. – Vamos, Harry, de um impulso pequeno com os pés, bem de leve.

Harry fez o que James pediu e sentiu seus pés abandonando o chão. Foi instintivo para Harry, como se ele sempre fizesse aquilo. Ele sabia exatamente a força que tinha que aplicar para subir a vassoura até a altura da cintura de James, sabia como fazer a vassoura parar ou impelir que ela continuasse, era como andar ou correr para ele, ele simplesmente sabia como fazer.

- Sensacional, fil... Harry – disse James animado – Para fazer a curva você...

Mas Harry não precisou que ele falasse e fez uma curva suave, descrevendo um círculo entorno de todos que o olhavam admirados.

- Esse é meu garoto – disse James animado enquanto soltava a vassoura e as costas do menino, o deixando sozinho, mesmo que estivesse andando lado a lado – Você é um piloto nato, Harry. Vai dar um ótimo jogador de quadribol quando crescer.

- Quadribol? – perguntou Harry.

- Sim, Quadribol. É o melhor jogo do mundo – disse James com os olhos brilhando, ainda acompanhando Harry ao redor do campo – Joga-se voando em uma vassoura. Tem três atacantes que jogam a goles, que é como uma bola deste tamanho, através daqueles aros ali. Eu sou um dos atacantes. – James ia explicando – E tem um goleiro que não deixa a goles entrar.

- Como futebol – disse Harry concentrado.

- Mais ou menos... – disse James pensativo - Mas jogamos a goles com a mão. E temos batedores, que rebatem os balaços. Estes são perigosos, são bolas errantes que ficam atrás dos jogadores, então os batedores os afastam do nosso time e rebatem para o time adversário.

- Parece divertido – disse Harry pensando que as vezes seria legal rebater um desses em Duda.

- Sim, é – James respondeu com uma risada – Mas você é muito novo para eles. Para você eu indicaria esta bolinha aqui.

James tirou seu velho pomo de ouro do bolso, as asinhas douradas se abriram, um pouco mais lentas do que há dois anos atrás. Harry virou para bolinha encantado e James abriu um sorriso.

- Este, Harry, é o pomo de ouro. A bola mais importante do jogo, assim que ela é capturada o jogo acaba e o time que captura ganha 140 pontos. Somente o apanhador pode pegar o pomo. – James soltou a bolinha dourada a deixando voar um pouco e o capturou rapidamente – Ele já foi mais rápido – sorriu nostálgico.

- Posso tentar? – disse Harry olhando admirado para a bolinha.

- Pode, mas não o deixe ir muito longe – disse James soltando o pomo.

Harry avançou um pouco com a vassoura e apanhou o pomo com a mãozinha, rindo animadamente ele deixou o pomo fugir de novo, para apanhá-lo novamente, sempre acompanhado de risadinhas. James sorriu orgulhoso, observando cada captura, cada vez mais difícil que o filho fazia.

- Parece que temos um apanhador – disse Sirius com um sorriso, eles haviam percorrido o campo e voltado para onde os outros estavam.

- Parece que sim – James respondeu orgulhoso – E um dos bons.

- Puxou ao pai – disse Lily diretamente para James, com tanto carinho na voz que James se distraiu olhando para ela, perdido nos olhos verdes tão parecidos com o do filho que um dia eles teriam.

Harry também se distraiu com este comentário, ele olhou para Lily esperando que ela falasse mais de seu pai e quando percebeu ele havia perdido o pomo de vista. O garoto entrou em pânico, buscando a bolinha dourada de James. O rapaz a tinha a emprestado e havia dito para que Harry não a perdesse, e o garoto tinha feito justamente isso. Mas quando Harry olhou para cima ele a viu, voando bem no alto, mas Harry sabia que conseguiria chegar lá.

Remus, que era o único que permanecia observando o garoto, viu, segundos antes, o que ele iria fazer, mas antes que pudesse gritar, o garoto imbicou a vassoura para cima e saiu em disparada.

- Harry, não! – Remus gritou acordando todo mundo. James olhou confuso para Remus, que olhava para cima, com isso os olhos dele e dos outros também se voltou para alto onde se via o corpo pequeno e magro de Harry voando a toda velocidade em quase noventa graus.

- Oh, Merlim. James, ele vai cair – disse Lily nervosa – Ele vai cair.

- Sirius, minha vassoura – disse James no mesmo tom desesperado.

Sirius correu para pegar a vassoura e a varinha de Lily e Remus foram sacadas e apontadas para o menino.

- Vocês vão distrair ele – disse Peter nervoso.

- Não façam nada – disse James montando na vassoura – Mas estejam preparados se virem ele cair.

- Arrestum momentum deve servir – disse Sirius para os outros.

James disparou atrás de Harry, impelindo a vassoura a realizar uma corrida como nunca antes.

- Vamos! Vamos! Mais rápido – sussurrava James – Não caia, Harry, por favor não caia – As lagrimas escorriam de seus olhos, seja de medo, pânico ou frio, o vento gelado cortava o rosto de James, mas a única coisa que ele via era o pomo e o pequeno Harry, com uma das mãos estendidas.

James contabilizou os metros na sua mente, ele estava mais rápido que Harry, mas o menino tinha ganhado uma boa vantagem por ter saído antes e por ser bem mais leve que ele. James gritou com a vassoura a impelindo a ir mais rápido, seus olhos fixos nas costas do seu filho, eles foram subindo quase verticalmente, rapidamente atingindo as marcas de quarenta, cinquenta metros.

James entendeu a mão quase sentindo as cerdas da vassoura que o menino montava, mas o pomo de ouro velho e cansado resolveu mostrar que ainda tinha algum valor e desviou a rota drasticamente, descendo vertiginosamente.

Harry, longe de entender o perigo que estava correndo, ao tentar descer de uma altura de quase sessenta metros em direção ao chão, e o desespero que seus pais sentiriam, imbicou a vassoura com uma risada e desceu trás do pomo, dando um mergulho veloz. James assistiu de boca aberta o menino virando, em dúvida se esticava o braço para tentar pará-lo ou o seguia na descida.

- NÃO! – gritou James vendo Harry passando ao lado dele em sentido contrário, tendo dificuldade de virar a vassoura devido a sua velocidade, e tentando dar um mergulho atrás de Harry, ele ouviu ao longe o grito de Lily e pensou que seria um homem morto, conseguindo ou não pegar Harry.

Foi com horror que todos assistiram Harry descendo velozmente, uma das mãos permanecia estendida em direção ao pomo. Sirius corria para onde o menino estava descendo, enquanto Lily estendia a varinha, que tremia junto com a sua mão. Peter havia desistido, deixando os braços pendentes junto ao corpo, e só olhava o menino com horror.

- Faça alguma coisa, Remus – ela gemeu – Ele vai cair.

- Não posso – disse Remus nervoso, os olhos grudados no menino – Posso acertar Harry ou James. Temos que esperar.

James gritou com frustração, impelindo a vassoura a ir mais rápido, não acreditava que estava perdendo uma corrida para uma criança de cinco anos de idade. Ele assistiu Sirius conjurando um colchão e sentiu vontade de bater no amigo, que achava que um colchão iria impedir de Harry quebrar o pescoço. Mas, então, faltando menos de dois metros para chão, Harry pegou o pomo, e puxou a vassoura para voltar a horizontal, o colchão inútil de Sirius se quer balançou com a manobra do menino.

James não parou sua corrida, quando estava perto do chão saltou da vassoura correndo atrás de Harry. Ele chegou no menino, que voltara ao mesmo ritmo que estava antes do voo maluco, James o alcançou arrancando o garoto da vassoura e o apertando em seus braços.

- Nunca... mais.. faça... isso – disse James quase sem voz, a boca prensada na cabeça do garoto, os braços firmes ao entorno dele – Você podia ter caído, Harry. Poderia ter se machucado. Eu fiquei louco quando te vi lá em cima.

- Eu queria pegar o pomo, você disse para não perde-lo – disse Harry tentando levantar o pomo que segurava.

Sirius chegou correndo enquanto James absorvia o que Harry queria dizer.

- Você pegou? Sim, você pegou. – comemorou Sirius quando viu o pomo na mão do menino – Foi demais, Harry, eu nunca vi um apanhador assim.

- Sirius, não é o momento – disse James sentindo toda a adrenalina esvaindo do seu corpo e o deixando extremamente cansado.

- Mas ele pegou, James – disse Sirius ainda animado – quantos jogadores você já viu fazer uma finta dessa?

James não respondeu, pois Lily chegou correndo seguindo pelos outros dois.

- James, ele está bem? – Lily disse se aproximando.

James soltou um pouco o menino para que Lily o visse, ela pegou o menino no colo e o abraçou.

- Você me assustou, Harry – ela sussurrou para ele no meio do abraço – Nunca mais faça isso.

- Não vou fazer de novo – disse Harry –Prometo. Não fica brava comigo.

- Não estou brava com você, querido – disse Lily olhando para ele – Estou brava com seu p... com James. – e olhando para o pai do menino - Por que você soltou ele?

- Agora não, Lily, por favor, eu quase morri quando o vi lá em cima eu achei que ele... que eu... que a gente perderia ele. – gemeu James – Eu não sabia que ele ia atrás do pomo

Lily suspirou e concordou, abraçando Harry novamente com um suspiro.

- Mas eu vou poder voar de novo? – disse Harry – Um dia, quero dizer.

- Quando você quiser voar de novo terá que ser de carona com James, ok? – disse ela olhando para Harry – Pelo menos até que nós consigamos comprar uma vassoura que não vá tão alto e tão rápido.

- Deveríamos ter dado uma vassoura da escola para ele – disse Sirius – Aquelas ali conseguem ser mais lentas que a minha avó.

Todos concordaram sem muito animo, o susto tinha sido grande demais para deixá-los verdadeiramente empolgados com algo, exceto Sirius, que achava que se nada de ruim havia acontecido não deveria mais se preocupar com isso. Mas como o restante estava traumatizado o suficiente por um dia, Remus deu voz aos sentimentos de todos:

- Porque não entramos, eu estou congelando, e não quero ver uma vassoura tão cedo – disse com um suspiro.

- Concordo com Aluado – disse Peter – Pelo menos sabemos que não somos cardíacos.

James pegou Harry de Lily e abraçou o menino novamente, colocando a capa por cima deles.

- Não conte para Lily – sussurrou James para o menino depois que o grupo voltou a andar –Mas você voou incrivelmente bem.

- Jura? – sussurrou Harry de volta.

- Juro – James respondeu com um sorriso – Estou tão orgulhoso de você.

Eles voltaram para o dormitório onde se aqueceram e entreteram Harry com pequenas magias, que faziam objetos (ou pessoas, como Sirius acabou fazendo com Peter) voarem pela sala comunal, apostando corrida entre si, cansados de perderem para Lily, Remus e Sirius foram jogar xadrez o que deixou Harry fascinado, logo que um dos peões foi destruído impiedosamente.

James sentou-se com Lily, ambos de mãos dadas, apenas observando o garoto assistir ao jogo de xadrez compenetrado. Assim que Remus ganhou, mesmo que só lhe restassem poucas peças, James se levantou declarando que ia a Hogsmead. Sirius logo se voluntariou a ir junto, assim como os outros rapazes.

- Posso ir também? – perguntou Harry.

- Por que você não me faz companhia? – disse Lily olhando para ele – Podemos visitar o corujal, preciso mandar uma carta para minha mãe.

- Use a Balaço – disse James distraidamente.

- Que Balaço? – Lily perguntou

- A coruja dele – disse Remus com um suspiro como se estivesse cansado daquela história – A coruja chama Balaço.

- Por que alguém daria o nome de uma coruja de Balaço? – Lily perguntou.

- Eu tinha onze anos – resmungou James – E se você a visse voar entenderia o nome dela

- É a coruja mais temperamental que eu conheço – disse Peter irritado. Balaço já tinha tentado devora-lo quando estava em sua forma animaga.

- Ela é uma ótima coruja – disse James – Deixe que ela entregue sua carta, Lily, ela está precisando esticar as asas e a apresente-a para Harry, ela gosta de crianças.

- Então, Harry quer ver a coruja de James? – disse Lily para ele animada.

- É uma coruja de verdade? – disse Harry com os olhos esbugalhados.

- Sim, – Lily sorriu - e ela entrega cartas. Você vai gostar.

Harry concordou em ir. James entregou sua capa de invisibilidade para Lily.

- Vocês não vão precisar? – perguntou Lily

- Não cabemos mais todos juntos nela, vamos dar um jeito. – respondeu James – E, Lily, cuidado nos corredores.

Ela assentiu e pegou Harry pela mão, antes de jogar a capa neles. Os meninos saíram logo atrás, indo em direção a passagem atrás do espelho, que os levaria até o lado de fora do Três Vassouras.

Eles passaram na Trapo Belo, onde James comprou várias peças de roupas de roupas para Harry, de meias a toucas. Peter queria levar vestes a rigor só porque Harry ficaria "bonitinho", nas palavras dele, mas James não deixou por ser desnecessário no momento. Outra briga rolou quando Sirius implicou com todas as roupas verdes que foram escolhidas:

- Mas vai combinar com os olhos dele – disse James pensativo segurando um suéter verde folha.

- Mas é muito sonserino – Sirius fez careta.

- Você não pode deixa-lo vestir só vermelho, Sirius – disse Remus em muxoxo.

- Você me viu reclamando das roupas azuis? Até amarelas eu deixei passar – disse Sirius - Mas verde é tão... Ranhoso.

- James leva logo esse mesmo – disse Remus – Ou não vamos sair daqui hoje. E você, Sirius, pare de implicar com as cores que ele usa, já imaginou se ele entra na Sonserina?

- Merlim nos livre – disse Sirius – Ele vai ser da Grifinória, tenho certeza.

- Você tem razão – disse James largando o suéter – Vou levar o vermelho, melhor garantir.

- Vocês são patéticos – resmungou Remus enquanto James trocava as peças e pagava as compras.

- Aonde agora? – perguntou Peter virando para os lados.

- Zonkos – Sirius sorriu.

- Você sabe que estamos atrás de coisas para Harry, não sabe? – disse Remus olhando para o amigo.

- Pois é justamente o que eu quero comprar na Zonkos: brinquedos para Harry – disse Sirius maroto.

- Sei – disse James com um sorriso – Zonkos então.

Os rapazes foram em direção a loja de logros e, pela primeira vez, deram a atenção ao setor infantil da loja. James achava que nenhum brinquedo era bom o suficiente, Peter gostava dos brinquedos ou para crianças muito mais velhas que Harry ou para as muito mais novas, Sirius queria tudo de perigoso, enquanto Remus simplesmente podava as escolhas dos dois últimos.

- James você tem que gostar de alguma coisa – disse Remus com um suspiro.

- Eu gosto dos bonequinhos das guerras conta os duendes – disse Sirius apontando – Eu tinha um desses.

- É, ensinar que os duendes são vilões desde cedo é uma excelente ideia – Remus deu um sorriso de canto.

Sirius fez uma careta e devolveu os bonecos para as prateleiras.

- Certo, nada que um Black ache adequado para uma criança é de fato adequado – resmungou eles.

- Bem, se duendes é ruim, temos as criaturas mágicas. Todo menino gosta de uma boa criatura – disse Peter – Olha eles tem uma quimera, eu não tinha uma quimera.

- Boa ideia, Wormtail – James sorriu – Dragões, Hipogrifos, pássaro-trovão...

- Qual é dessa fixação por criaturas voadoras? – resmungou Sirius.

- Tome leve um pelucio – disse Remus – As crianças gostam dele.

- Gostam? – respondeu Sirius – Mas ele nem tem garras.

- Acho que está bom – disse James pensativo – Não tem mais nada que seja legal?

- Você não quer levar o frisbe dentado – resmungou Sirius.

- Ah claro, e ter meu filho mastigado no segundo dia que estou com ele é uma excelente ideia – sussurrou James.

- Já não basta quase ter feito ele quase cair da uma vassoura de mais de sessenta metros de altura – disse Peter com um sorriso.

James gemeu e foi em direção ao caixa enquanto era consolado por Remus. Sirius ficou para trás olhando para a sessão que eles haviam propositalmente ignorado, com um sorriso ele afundou os braços em um apanhado de ursinhos de pelúcia, procurando animadamente por algo, deixando seus amigos saírem sem ele.

- Onde você estava? – perguntou James mais tarde, quando Sirius finalmente saiu da loja.

- Comprando um presente para o meu afilhado, não posso?

- Não é um frisbe dentado, é? – resmungou James tentando espiar dentro da sacola.

- Ou uma bomba de bosta? – Peter perguntou.

- Nem fogos de artificio, não é mesmo? – Remus também olhou receoso para a sacola.

- Claro que não – respondeu Sirius magoado – Eu entendi da primeira vez eu vocês falaram que não era para a idade dele, ok? É só um presentinho, totalmente adequado.

- Você que vai ter que se entender com Lily se não for – ameaçou James.

- Relaxe, Pontas, eu sou o melhor padrinho que Harry poderia ter.

- Assim espero – disse James com tom de ameaça, mas um sorriso no rosto.

Eles ainda passaram na Dedosdemel e no Três Vassouras antes de voltar para a torre da Grifinória. O tempo havia piorado e a neve caia em torrentes, fazendo que os rapazes fossem os únicos corajosos pelas ruas de Hogsmead.

- Por que você não amaça estas raízes de Asfodelos, enquanto eu descasco este pinhão. – Lily ofereceu o pilão para Harry.

Ela estava preparando uma poção e o garoto também quisera participar, Lily olhava orgulhosa a curiosidade que Harry tinha com tudo, desde os ingredientes e para que servia cada coisa, com carinho ela respondia cada uma das perguntas do menino.

- Agora tem que cortar o pinhão bem fino, pedaços iguais, está vendo? Assim todos os pedacinhos podem cozinhar ao mesmo tempo e última coisa que tem que acrescentar é a seiva da raiz que você está espremendo, e só esperar – disse ela mostrando os passos da poção.

- Não parece muito bonita – disse Harry olhando desconfiado para o caldeirão – Parece sopa de ervilha de tia Petúnia.

Lily olhou para o caldeirão e gargalhou

- Parece mesmo – disse Lily com uma careta – E tem o mesmo cheiro. Mas tem poções que são muito mais bonitas e mais poderosas.

- Mesmo?

- Mesmo! – ela disse em um tom de mistério – Tem umas que fazem você encolher e ficar bem pequenininho, assim. Ou ficar mais velho, com uma linda barba branca. Tem uma que dá soluço, outras que te fazem dormir, tem até uma que te dá muita, muita sorte.

- E existe alguma poção do amor? – perguntou Harry sem olhar para Lily.

- Tem. – disse Lily intrigada – Mas por que um garotinho lindo como você iria querer uma poção do amor?

- Porque se você e James tomassem não iriam querer me devolver para os meus tios – sussurrou Harry.

- Ahh, Harry! – disse Lily largando a faca para poder abraça-lo – Você não precisa de uma poção do amor, meu querido, eu já te amo mais que tudo.

- Então posso ficar com você? – sussurrou Harry.

- Se depender só de mim, Harry, eu não te largo nunca mais. – ela disse.

Lily fungou e logo soltou Harry.

- Mas veja, estamos deixando a poção queimar – ela voltou os olhos para poções e tentou não olhar para o menino ao seu lado.

- Merlim, este quarto está podre! – disse Sirius assim que entrou no quarto liderando a fila de marotos – Que pobre bicho você matou, Evans?

- Ainda não matei nada, Black, mas estou aceitando candidatos. Quer ser minha cobaia? – ela respondeu com um olhar feio.

- Adoraria, mas o Pontas aqui entrou na fila primeiro. – respondeu ele deitando na sua cama.

- O que está fazendo? – Perguntou James dando um pequeno selinho nela.

- Na verdade eu e Harry estamos fazendo, não é querido? É uma pomada para hematoma, estou cansada deste roxo no rosto dele – disse Lily.

- Lily disse que eu sou bom em preparar poções. – disse Harry animado.

- Sorte a sua, porque eu sou péssimo – respondeu James.

- Não pior que eu – disse Remus com um sorriso.

- Poções são para manés – disse Sirius.

- Não são, não – respondeu Lily diretamente para Harry – Ignore tudo que Sirius te disser. Além do mais, eles estão invejosos, nenhum deles sabe se quer misturar os ingredientes.

- Hei – resmungou Rabicho.

- Desculpa, Peter – sorriu Lily – Você é bom em poções, mas o resto...

- Eu poderia ser bom, se eu quisesse. – disse Sirius com o queixo erguido.

- Claro – disse Lily distraidamente enquanto mexia o caldeirão.

- Não gostei do seu tom desconfiado, Evans – disse Sirius com os olhos serrados para ela.

Lily resolveu ignorar Sirius e questionou a todos o que eles haviam comprado em Hogsmead. James abriu um sorriso de orelha a orelha e tirou todas as roupas da sacola mostrando para Harry perguntando se ele gostava. O menino deslumbrado não conseguia pronunciar nada e só olhava para James com a boca aberta.

- Você não gostou? – Perguntou James murchando o sorriso – Podemos trocar, se você não gostou.

- São mesmo para mim? – sussurrou Harry olhando para o suéter vermelho – Só para mim?

- Claro que são para você – disse James – Para quem mais seria?

- Eu nunca ganhei nada que fosse só meu – disse o menino – Tirando meus óculos, mas é porque Duda não usa óculos.

- Mas estas roupas são suas e não de Duda – disse Lily séria – São do seu tamanho, como deve ser.

- Mas você gostou? – Perguntou James animado.

- Sim – disse o menino com um sorriso – gostei muito. Obrigado.

- Você vai ficar lindo nelas – disse Lily admirando as roupinhas.

- Mas essa não é a melhor parte – disse Peter levantando mais sacolas.

James sorriu mais ainda, se é que era possível, aquela era a sacola de brinquedos.

- Não achamos muitas coisas, a Zonko's não tem muita variedade de brinquedos para crianças da sua idade, mas vou mandar um correio coruja para alguma loja de Londres, mas espero que você goste destes aqui – James tirou um pacote com os bonecos de animais fantásticos – Eu acho que eu tinha um desses na sua idade, mas não me lembro se tinha uma manticora ou uma esfinge – Ele deu de ombros entregando ao menino – Eles se mexem, quando você os cutuca. Eu acho que o dragão da uma pequena mordidinha, mas nada que cause dor, logo ele se cansa. Você deu sorte, o meu era só um Verde Galês, você ganhou um Rabo Córneo Húngaro, eles são muito mais legais.

Harry tirou o hipogrifo da caixa, o animalzinho em um círculo sobre a sua cabeça, e pousou no ombro dele, picando de leve na orelha. O menino o pegou, segurando-o delicadamente em suas mãozinhas, como se o pudesse quebrar, o Hipogrifo fez uma reverencia para ele e depois ficou imóvel.

- Logo, logo ele volta a se mexer – disse James animado.

- Ele usa pilha? – perguntou Harry lembrando que Duda pedia pilha para tia Petúnia para seus carrinhos de controle remoto.

- O que é pilha – Sirius perguntou intrigado.

- É como baterias – disse Lily sorrindo – Para fazer os brinquedos trouxas se mexerem. Não, querido, ele é mágico, não precisa de pilha.

Harry olhou novamente para o bonequinho e sorriu, segurando-o firmemente.

- Esse é o melhor dia da minha vida – sussurrou o menino encantado.

James sorriu animado.

- Vejo que gostou dele – depois você vê os outros – Temos mais coisas. Moony, o que está na sua sacola?

- Um xadrez de bruxo – disse ele – Mas talvez Harry seja novo para ele ainda.

- Podemos ensinar ele a jogar – disse Peter – Nunca é tarde para que as peças aprendam a te obedecer.

- O seu xadrez que o diga, não é, Wormtail – zombou Siirius.

- Por isso mesmo que eu disse nunca é tarde – respondeu o garoto sombriamente.

- Acho que de brinquedo é isso – James olhando na sacola – Não tinha muita coisa.

- Mas isso é muita coisa – disse Harry – Eu nunca...

- Eu sei – disse James o cortando – Mas nunca é tarde para começar a ter, certo? E além do mais, eles são uma compensação para cada aniversário e natal que você teve e nós não pudemos te dar nada.

- Mas vocês não são nada meus – disse Harry olhando para os cinco.

- Somos seus amigos – disse Remus com um sorriso cândido – E é isso que amigos fazem, eles dão presentes.

- Exatamente! – Sirius sorriu – E como eu sou o melhor "amigo" de todos – Sirius levantou sacolas – eu te trouxe mais presentes.

- Sirius, o que é isso? – perguntou Lily temerosa – Não é nada perigoso é?

- Lily, assim você me magoa – Sirius colocou a mão no coração em uma mágoa fingida – eu não traria nada que pudesse machucar meu af... Harry. – Sirius sorriu animado entregando a sacola.

Harry enfiou a mão na sacola animado e sentiu algo fofo, tirou de lá um ratinho de pelúcia. Fazendo com que Sirius sorrisse, assim como, James e Peter. Colocando o ratinho na cama ele puxou outro bichinho de pelúcia, parecia um cachorro cinzento, não, parecia com um lobo, para em uma posição como se uivasse para a lua.

- Esse foi difícil de achar – disse Sirius orgulhoso.

James gargalhou ansioso para o que mais teria na sacola, enquanto Peter pegava o ratinho olhando e aprovando a compra de Sirius. Harry enfiou a mão na sacola tirando um novo animalzinho, desta vez um cachorro mesmo, negro como a noite.

- Este eu espero que seja seu favorito – Sirius piscou o olho para ele.

- Ah, não – James sorriu – eu espero que o próximo seja o favorito.

Harry olhou para ele antes de tirar o ultimo bichinho, um cervinho de pelúcia o encarou, com a pequena galhada macia. Os olhos de Harry marejaram, quantas vezes quiseram um ursinho para abraçar quando caiam tempestades furiosas, ou quando era trancado em seu armário sem comida, sem carinho.

Harry não costumava ter muito medo, não tinha muito o que perder, mas sempre se sentira sozinho. Sem amigos, sem pais, sem parentes que gostassem dele, sem se quer um ursinho de pelúcia para consolá-lo quando a noção dessa solidão o assolava.

O menino depositou os ursinhos na cama e se levantou abraçando Sirius o mais apertado que conseguia, tentando passar naquele abraço todo o agradecimento que estava sentido. Sirius abraçou em retorno, sentindo as lagrimas rolarem em seu rosto, James, Remus e Peter eram o exato espelho das reações do amigo.

- Foi um lindo presente, Pads – disse Remus tentando disfarçar a sua fragilidade emocional.

- O melhor – sorriu James – O melhor.

- Eu tenho certeza que há um significado oculto nestes bichinhos – disse Lily olhando para eles carinhosamente – Pelo estado de vocês...

James sorriu para ela misterioso, mas não disse nada.

- Eu disse que era o melhor, não disse? – Siirius se desfez do abraço de Harry e olhou para o menino – Quero que você preste atenção, Harry – o menino assentiu – A gente te ama muito, ouviu? Nada nesse mundo pode mudar isso, nada mesmo. Estes bichinhos são para te lembrar disso, mesmo quando um de nós não puder estar com você, lembre-se que nós te amamos, ouviu?

Harry assentiu, voltando para a cama e tentando abraçar todos os seus bonecos novos. James deu uma risadinha e um beijo na testa de Harry, antes de se sentar ao lado de Lily na sua cama.

- Esse é o melhor dia da minha vida – sussurrou Harry para Lily, que estava ao seu lado.

- Isso é por que você não viu os doces ainda – disse Peter animado.

Os rapazes mostraram toda a gama de doces que haviam trazido para Harry, um misto de sapos de chocolate e delicias gasosas. O menino olhava fascinado para todas as cores e efeitos de cada doce. Ele mal conseguiu experimentar um de cada, pois os rapazes ficavam dizendo para experimentar os favoritos de cada um.

Eles passaram todo o resto da tarde e início da noite brincando com Harry no quarto, os rapazes praticamente disputavam pela atenção do menino que gargalhava com qualquer idiotice que eles fizessem. Lily era ótima em inventar brincadeiras que todos aderiram e que logo deixaram Harry extasiado e exausto.

- Acho que esta na hora de você dormir, Harry, querido – disse Lily passando a mão nos cabelos dele, depois de mais um bocejo do menino.

- Ah não, Lily. Não estou com sono. Deixa eu ficar mais um pouquinho – resmungou o menino.

- Lily está certa, Campeão – sorriu James – Venha, vamos deitar e eu prometo contar uma história antes de você dormir e amanhã, pela manhã, vamos brincar lá fora, o que acha?

- Vamos poder voar? – perguntou o garoto com um sorriso.

Todos gargalharam, inclusive James.

- Só se você for de carona comigo – disse James olhando para Lily, que assentiu – O que acha?

Harry concordou bocejando novamente. Os meninos pareceram entender isso como uma deixa informando que esperavam James lá embaixo, depois, e saíram um a um do dormitório. Lily se pôs de pé levando Harry para o banheiro carregando uma escova de dentes e o pijama que James havia comprado mais cedo.

Enquanto o rapaz arrumava o quarto e principalmente a cama para Harry. O menino voltou depois de um tempo em um pijaminha azul lotado de Pomarins. James içou o menino para cima da cama e sorriu.

- Por que demorou tanto? – perguntou James vendo Lily voltar atrás de Harry.

- Lily estava tentando petear meu cabelo – contou Harry com uma careta.

- Não deu muito certo – resmungou ela.

- Você deveria ter me ouvido, Lils – sorriu James dando um beijo nela – Não tem como fazer ficar certo.

- Não custava tentar, não é mesmo? – disse ela com um suspiro.

James gargalhou enquanto passava para Harry os bichinhos de pelúcia novos dele.

- Por que não desce com os meninos? Logo logo o baixinho aqui vai estar dormindo? – James sussurrou.

- Não sei. Você tem certeza que consegue sozinho? Eu queria tomar um banho... – Lily mordeu o lábio.

- Vai lá. Eu e Harry vamos ficar bem, não é Harry?

- É – sorriu o menino.

- Ok! – suspirou Lily – Qualquer coisa me chame. Boa noite, querido. – Lily deu um beijo carinhoso na testa de Harry – Até amanhã.

- Até. – disse Harry.

James assistiu Lily sair e olhou para o menino afundado em meio aos bichinhos de pelúcia.

- Você vai ficar sufocado deste jeito, campeão.

- Não vou, deixa eles dormirem comigo, por favor.

- Ok – James sorriu – Chega para lá então – James sentou ao lado do garoto na cama – Vamos ver que história posso te contar? Babbit? O conto dos três irmãos? Nah, você é muito novo para esse. Já sei! A história dos Marotos.

Harry pareceu encantado e James sorriu. Limpando a garganta antes de começar:

"Era uma vez um menino muito bonzinho que estava passeando pelo bosque sozinho, quando de repente um lobo muito mal apareceu e mordeu ele. O menininho, por conta disso, passou a se transformar em um lobo todos os meses quando tinha uma lua cheia no céu. Só que ele, ao contrário do lobo mau que o mordeu, era um lobo muito bonzinho, mas o garotinho acabou ficou muito sozinho, por que nenhuma outra criança queria ser amigo dele."

- Só por que ele se transformava em lobo? – perguntou Harry acariciando o lobinho de pelúcia.

- Sim, só por isso – respondeu James examinando Harry.

- Mas ele era bonzinho não era? – perguntou o menino.

- Sim, era. Quando não tinha lua cheia ele era um menino como qualquer outro – respondeu James.

- Eu seria amigo dele – disse Harry resoluto – Se ele quisesse ser meu amigo, porque ninguém quer ser meu amigo também.

- Tenho certeza que vocês se dariam muito bem – disse James passando a mão nos cabelos de Harry – Mas infelizmente o menino não havia conhecido você.

- Ele tem nome? – perguntou Harry.

- Sim, tem. Moony.

"Um belo dia, Moony recebeu uma visita. Um mago muito poderoso visitou os pais de Moony querendo levar o menino para a sua escola de magia. Os pais de Moony hesitaram, achando que o garotinho podia machucar alguém quando estivesse em sua forma de lobo, mas o mago garantiu que tomaria cuidado. Ele criou uma casa, onde o garotinho poderia se transformar nas luas cheias, e na entrada desta casa ele plantou uma arvore bem grande, que batia em quem se aproximava, exceto se você soubesse como fazer pará-la."

"O jovem Moony aceitou ir para escola de magia, sabendo que não teria amigos também, pois tinha medo que alguém soubesse que ele era um lobo e ficasse com medo dele. Moony era um garoto calado, que logo intrigou os seus colegas de quarto."

"Padfoot, Wormtail e Prongs, ficaram extremamente curiosos onde Moony ia quando desaparecia, todos os meses. Eles perguntaram para Moony, mas este escondeu deles, mentiu dizendo que estava doente ou que a mãe dele estava doente."

- Os meninos desistiram de perguntar? – perguntou Harry.

- Não – James deu um sorriso travesso – Eles seguiram ele um dia, e descobriram a passagem secreta sobre a arvore. No dia seguinte eles não pararam de perturbar Moony do motivo de ele sumir, mesmo Moony não querendo contar eles adivinharam.

- Eles deixaram de ser amigos de Moony quando souberam que era um lobo?

- Não. Pelo contrário, eles acharam isso muito legal.

"Prongs e os outros logo quiseram ir com Moony quando ele se transformava, mas era perigoso, porque, mesmo o jovem Moony sendo o garoto mais bonzinho da escola, quando ele virava lobo ele não se lembrava de que não podia morder as pessoas. Mas os meninos não desanimaram, e logo descobriram como acompanhar Moony. Eles se transformariam em animais. "

- Igual ao Moony? – perguntou Harry empolgado.

- Não – disse James – Moony era obrigado a se transformar, o que os outros rapazes queriam era se transformar quando bem entendessem.

- E eles conseguiram?

- Se transformar em um animal era muito difícil, e requeria uma magia muito avançada, poucos bruxos tentavam, podia dar muito errado.

- Mas eles conseguiram, não conseguiram?

- Sim – sorriu James – Wormtail virou um rato – James pegou o ratinho de pelúcia e pôs na frente de Harry – Padfoot um cachorro bem grande – ele pegou o cachorrinho negro e pôs ao lado do rato – e Prongs um cervo com uma galhada grande assim e muito forte.

Harry sorriu e agarrou todos os bichinhos animado.

"Juntos eles exploraram toda a escola e região. Moony ficou mais dócil, pois os amigos conseguiam controla-lo. E eles viraram amigos para sempre".

- Fim da história. – disse James animado – Agora cama, mocinho.

Harry se ajeitou na cama, tentando se manter abraçado com todos os seus animaizinhos de pelúcia, James ajudou-o, cobrindo e colocando todos em volta dele.

- James! – chamou Harry.

- Hum

- Você era um dos amigos?

James parou o que estava fazendo e olhou para Harry que estava sério. Ele avaliou o menino e sorriu.

- Sim – respondeu James – Prongs.

- E os outros? Sirius, Peter e Remus?

- Garoto esperto – sorriu James – Sirius é Padfoot, Peter Rabicho e Remus é o Moony. Mas você vai ter que prometer que não vai contar nada para ninguém, é segredo.

- Não vou contar – o menino sorriu.

- Sabia que não iria.

O quarto voltou a ficar em silencio enquanto James distraidamente passava as mãos nos cabelos de Harry.

- James – o menino quebrou o silencio de novo.

- Sim? – James perguntou olhando para Harry.

- Você acha que meu pai ficaria orgulhoso de mim?

- Claro que sim, muito orgulhoso. Tenho certeza.

Harry fungou, mas calou-se novamente. James podia sentir a cabeça a mil do menino e mordeu os lábios evitando perguntar o que ele pensava.

- James – disse Harry novamente.

- Só mais uma pergunta, Harry, você realmente precisa dormir – James disse tentando se manter sério e segurando um sorriso.

- Não é uma pergunta.

- Não?

- Não.

- O que é, então?

- Eu queria que você fosse meu pai – disse Harry tão baixo que James quase não ouviu.

- Ah, Harry. – ele respondeu com a voz embargada - Nem que eu pudesse escolher mil vezes eu escolheria um filho que não fosse você.

James pegou Harry e colocou sobre seu peito, acariciando as costas do menino e dando um beijo no alto da cabeça. Seu coração ainda estava acelerado muito tempo depois da certeza que Harry já estava dormindo.

...

Recados!

Gente, vocês não sabem como fiquei feliz com os reviews de vocês. Muito obrigada! Vamos aos agradecimentos e respostas:

Duda Maskaliter– Que bom que vc está gostando. Estou tentando postar aos fds a cada 15 dias, era para ser no sábado, mas não consegui. A fic não será muito longa, quando comecei a escrever era para ser um short, mas acabei me estendendo.

Assunção - Obrigada novamente pelo seu review. Espero que goste deste capitulo e obrigada por me corrigir, li tantas vezes, mas mesmo assim posso deixar passar algo. Se vir mais alguma coisa fique a vontade em me indicar, vou ter o maior prazer em corrigir!

Sefora. - Espero que não tenha surtado! Que bom que vc gostou, obrigada por favoritar! Eu tbm adoro este tipo de fic.

Karol– Eu quase chorei com seu Review, obrigada pelos elogios e por ter dado uma chance para a Fic, espero que tenha gostado do capitulo.

Milena S Correia - Mistérios... kkkk. Obrigada pelo review!

Obrigada tbm a todos que favoritaram e/ou estão seguindo a FIc. Espero que tenham gostado do capitulo. Até a próxima quinzena!

xoxo