Capítulo 6

A queda de um anjo

Eu o vejo encarando a janela do nosso quarto, embora as cortinas claras estejam fechadas e não possibilitem totalmente a visão do que está lá fora, e me pergunto por que ele olha para lá, por que para longe, por que afastado de mim? Meu sangue ferve quando ele não me percebe, jogado naquela poltrona, como se nada mais restasse a ele que a contemplação do que não lhe pertence. O mundo não te pertence, Harry, porque você pertence a mim.

Aproximo-me da poltrona e sei que ele nota a minha presença, mas não me olha. Ele faz isso apenas para me ferir. Quando foi que ele desenvolveu esse prazer por me ver sofrer, por me ver querer machucá-lo, como nos tempos de escola, em que eu só ganhava um olhar se o provocasse e o ferisse de alguma forma? Não precisava ser assim. Bastava que se deixasse ser meu, que não quisesse fugir, que não olhasse para os outros, e que não se importasse com outras pessoas que não eu. A cada passo que ele tenta dar para longe de mim, fraco e sem magia, como eu sei que ele está, eu me convenço mais e mais de que fiz o que era certo, para nós. Ele fica melhor comigo ao seu lado, eu não posso deixá-lo ir. Ele é meu.

- Você sabe que eu vou morrer, não sabe, Draco?

A voz dele ecoa pelo cômodo espaçoso e eu demoro a responder, simplesmente por me contentar em contemplá-lo. Os cabelos negros, que estão compridos, da maneira que eu sempre gostei, caem parcialmente sobre seu rosto, como se quisessem ocultar aquela face que é minha, e eu invejo seus próprios cabelos, por um segundo. A pose jogada na poltrona me passa a impressão de uma fraqueza que eu sei que ele não tem. Harry Potter não é fraco, ele não vai morrer. Mas não me importo que ele acredite nisso, se isso o fará feliz. Eu realizaria qualquer desejo dele, qualquer um, mas ele me pede somente o que eu não posso fazer.

- Sei. – respondo friamente e observo o rosto dele passar por diversos sentimentos até parecer se iluminar com fúria, que é combustível para sua força e eu quase sorrio, até que vejo um toque de desespero em seu olhar, mesmo com toda a raiva que ele dirige a mim.

- E você vai me deixar ir? – a voz dele não ecoa desta vez, está baixa, fraca, quase... Suplicante. E então minha raiva volta, com mais força do que nunca. Como ousa ser fraco, Harry? Por que faz isso com nós dois? Como posso deixar você ir, se está fraco?

- Nunca. – respondo ainda mais friamente e vejo o lampejo de dor que cruza pelo olhar verde dele, que desvia o rosto de mim, e volta a encarar a superfície inconstante da cortina.

Me aproximo com a respiração já alterada pela raiva que me consome. Por desviar o olhar de mim, por afastar o rosto de mim, por não ter mais o amor que eu costumava ver nos olhos verdes. Seguro os dois braços e puxo seu corpo de encontro ao meu, enquanto o levanto da poltrona. Ele está leve, mais do que costumava ser, mas não me importo. O movimento o pega de surpresa e vejo os lábios pálidos se entreabrirem com o susto, e ele ofega levemente, mas não me olha, continua encarando a maldita cortina. Ele se recusa a me encarar e a raiva cresce. Empurro-o contra a parede, e vejo dor refletida em sua expressão, mesmo que ele não deixe a exclamação que eu vejo presa em sua garganta escapar. Prendo-o com meu corpo, e com uma de minhas mãos, faço com que se vire para mim, e ele fecha os olhos com força, como se minha imagem fosse feri-lo, e isso faz com que eu deseje, mais do que nunca, que ele me olhe. Olhar para ele me fere. Que ele sofra, como eu estou sofrendo, que se machuque como está me machucando.

Seguro seu queixo com a mão que está em seu rosto e traço o desenho e o contorno de suas feições, até entremeá-la em seus cabelos, enquanto ele continua com os olhos fechados. Puxo as mechas negras com força, imobilizando sua cabeça, enquanto minha outra mão corre pela frente da sua calça, e sinto que ele se mexe, desconfortável, contra mim.

Encosto meus lábios nos dele, buscando a paixão que ele costumava me oferecer dias atrás, e tento afastá-los, para que minha língua toque a sua, como tantas vezes antes, mas ele se recusa. Não me importo e sigo minha exploração, descendo meus lábios para seu pescoço, enquanto as mãos dele tentam me empurrar, sem sucesso. Penso durante alguns segundos que Harry continua tão tolo quanto na escola. Para quem precisa de força física para tentar me afastar, recusar-se a comer não é uma das opções mais inteligentes. É quase como se ele quisesse que eu fosse capaz de dominá-lo, como faço neste instante, incapaz como está de me afastar, de parar com meus beijos e minhas carícias. Abro sua calça e o toco, mas não tenho resposta, e isso me irrita. Qual é o motivo para que ele não responda mais a mim? Quem seria o motivo de eu não mais afetá-lo, como costumava afetar?

Diferente dele, minha roupa me incomoda, minha calça parece apertada demais. Tiro a mão da roupa dele, para tocar a mim mesmo, enquanto o beijo. Mordo seu pescoço, o marcando como meu, puxo seus cabelos com força, a tal ponto que sei que vai doer, quero ouvi-lo gritar, quero vê-lo reagir, mas ele não o faz. Ofego em seu ouvido, minha mão me dando o prazer que costumava vir dele, e isso me frustra, mesmo que a sensação não se perca. Volto a encará-lo, e seu rosto é quase uma máscara de nojo, repulsa, enquanto me movo de encontro a ele, quando ele pára de lutar, e seus braços caem, moles, de cada lado de seu corpo. Vejo uma lágrima escorrer pela sua face de olhos cerrados e sinto a frustração atingir seu auge, pressiono ainda mais meu corpo contra o dele, movendo minha mão com mais força, e volto a beijá-lo, na boca, tentando invadi-la, querendo possuí-la. Sem largar seus cabelos, mordo seu pescoço, no mesmo ponto onde já havia ferido antes, com força, muito mais força do que há alguns minutos, e vejo pequenas gotas de sangue formarem-se ali, e, finalmente, ele grita. Ele responde, pela dor, mas responde, ao que eu faço com ele. Aproveito seu descuido e invado sua boca com a minha, tocando sua língua com a minha, fazendo-o tentar se afastar novamente. Eu ofego em sua boca, o prazer finalmente encontrando seu caminho até mim.

Desabo de encontro a ele, e me recuso a fechar os olhos, observando sua face contraída em dor, e um vestígio de humilhação. Recupero-me de meu orgasmo, e o abraço, apertado, contra mim. Empurro-o para cima da cama, e começo a despi-lo, lenta e delicadamente, sem pressa. Ele não luta contra mim, parece saber que não adiantaria. Observo o corpo nu na minha frente e me dispo também, deitando-me ao seu lado em seguida, apertando-o com força, não deixando que fuja ao meu abraço.

O cansaço da luta anterior parece dominá-lo e ele adormece, com o cenho franzido, e eu o puxo ainda para mais perto, velando o sono do meu anjo negro, até que a inconsciência coloca seu véu sobre mim, e eu também adormeço, abraçado ao que é meu.

Acordo com os gritos de Harry. Dessa vez, não haviam começado muito depois de irmos dormir.

Ele estava deitado ao meu lado, encolhido, se abraçando. Ele preferia se abraçar a buscar conforto nos meus braços. O pesadelo já estava passando, mas ele ainda se debatia. Ainda assim, eu o envolvo em meus braços.

- Harry... Acorda, Harry...

Ele resmunga, gemendo, e de repente se senta, assustado e ofegante, com um grito. Me olha aflito e volta a deixar o corpo cair no colchão, passando as mãos no rosto.

- Você me acordou. – reclamo.

Ele faz uma careta e me dá as costas. Isso me irrita.

- Vem cá...

O puxo pra mais perto, sentindo seu corpo se retesar contra o meu. Eu o abraço, passando a mão de leve contra a sua testa, tentando acalmá-lo, e tudo o que ele faz é tentar se afastar do meu abraço, como se eu o ferisse.

Eu pego o seu rosto e o viro pra mim. Ele parece apavorado. Algo me diz que é mais pelo efeito do pesadelo do que pelos meus atos. Harry me pareceu pela primeira vez frágil, irremediavelmente frágil, mesmo que eu soubesse que ele não queria parecer assim.

Passo os dedos pela sua face assustada, e ele faz uma careta com o meu toque, como se o queimasse. Ele tem repulsa a mim. Mas, neste momento, só há consolo no meu toque. Se ele recebesse o gesto de carinho, talvez conseguisse aplacar minha raiva. Mas não. Ele me rejeita mais uma vez.

Eu volto a pegá-lo pelos cabelos e o forço a virar de bruços. Ele se retesa e resmunga alguma coisa que eu não entendo. Me deito sobre ele, cobrindo o seu corpo com o meu, afastando suas pernas com um joelho.

- Não... – ele diz, baixinho, escondendo o rosto.

- Sim, meu anjo. – puxo seus cabelos para que ele me olhe – Por que você é meu, e precisa entender isso de uma vez por todas.

Ele ofega e resmunga palavras desconexas que se resumem ao pedido único e fraco para que eu pare, para que eu não o machuque mais. Eu sei que ele está ferido. Não mais fisicamente, mas sei que cada vez que o obrigo a ter sexo comigo, uma ferida muito maior se abre em seu orgulho, mesmo que seu clamor por socorro seja fraco. É fraco porque ele não suporta mais, mas isso não me parece importante. Eu sei que no fundo sua força ainda persiste. E no fundo, eu sei que aquilo não poderia ferí-lo. Aquilo é amor. Meu amor.

Sussurro o feitiço lubrificante e vejo seus olhos se abrirem, como que esperando. Ignorando os seus pedidos para que eu pare, como ele me ignorou antes, começo a penetrá-lo. Lentamente, sentindo seu corpo me acolher devagar, sem grande resistência graças ao lubrificante, estremecendo e se retesando, se adaptando a mim. Quando estou completamente dentro dele paro e o encaro. Suas mãos seguram firmemente o lençol, seus olhos estão fechados, os cabelos caindo por sobre o rosto, a face contorcida.

Afasto delicadamente os fios de sua face, segurando seus cabelos de forma a manter sua cabeça parada, e aproximo minha boca de seu ouvido, começando a me movimentar, ofegando e gemendo para ele enquanto ele se contorce, acariciando seu corpo com a outra mão enquanto ele se encolhe, tentando fugir de mim, mesmo sabendo que não tem como. Ele era meu.

Aumento a velocidade e sei que não o machuco mesmo assim, seu corpo se adaptara ao meu. Dobro uma de suas pernas, entrando mais fundo e o observo morder os lábios e tentar esconder o rosto, mas não deixo, puxando-o pelos cabelos para mantê-lo na mesma posição.

- Geme pra mim, Harry... – digo, insinuante, em seu ouvido.

Ofegos escapam de seus lábios, mas sua face parece ainda tomada de dor, e aquilo me irrita. Estocando mais forte, tentando extravasar minha frustração, grito e me abraço a ele, puxando o seu corpo para mais perto do meu, conforme o orgasmo me arrebata, me permitindo cair sobre ele, exausto, em seguida.

Harry treme e ainda ofega sob mim. Abro os olhos devagar pra ver seu rosto. Os fios negros que eu soltara agora grudam na testa suada, caindo sobre os olhos. Ele ainda morde os lábios, embora mais fraco, e seus olhos estão abertos, verdes e brilhantes, fitando a parede além.

Eu gemo, tentando unir forças para me forçar a levantar. Mas... Para que levantar? Ali está tão bom... O cheiro de Harry, seu calor, seu corpo ainda envolvendo o meu, embora flácido. Fito sua face por um instante e beijo o vão do seu pescoço, impulsionando o quadril para forçar meu corpo mais para dentro do dele, ao invés de tirá-lo. Ele geme e me olha, assustado.

- Não, anjo, eu não vou sair daqui... – sua respiração se altera, ficando rápida novamente, e ele tenta se afastar pra longe de mim, mas eu o seguro firmemente, selando nossos corpos com magia – Considere isso um castigo. Eu quero que você se entregue, Harry. Quero que você sinta o quanto de mim há em você. Que se lembre que somos um, meu amor... Como sempre fomos. Um só...

Aconchego minha cabeça sobre suas costas e deixo aquele cansaço gostoso do pós-sexo me arrebatar de novo para o sono do qual o pesadelo de Harry havia me arrancado. Nossa vida era um sonho, e, nesse momento, tendo-o em meus braços, eu sei que ela não mudara.

Mas novamente ele vem me atrapalhar.

Acordo algumas horas depois. Ainda é madrugada. Acordo com os soluços de Harry.

- O que foi? – abro os olhos devagar, tentando focá-lo na penumbra do quarto.

Ele vira o rosto e o esconde entre as cobertas. Eu sinto seu coração batendo forte por estar apoiado sobre suas costas, a sua respiração difícil, os soluços que o sacodem. Eu acaricio seus cabelos e beijo seu pescoço, sentindo os soluços aumentarem. Harry Potter está chorando. Eu nunca o havia visto chorar.

- Dói?

Ele confirma com a cabeça ainda sem olhar pra mim. Eu cogito a hipótese de terminar com aquilo e rompo o feitiço que nos mantém unidos, começando a me mover, saindo devagar pela própria imobilidade dos meus músculos. Mas Harry geme com o movimento e tenta se afastar. Como reflexo, eu o seguro pela cintura.

- Não... – minha voz soa trêmula. Meu corpo começa a responder novamente a todo aquele estímulo.

- Por favor... Por favor... Pare... Não... Não... – Harry resmunga baixinho, se contorcendo sob mim, sem perceber que tudo aquilo só está me excitando ainda mais. Tantas vezes suas súplicas eram exatamente o que me faziam seguir em frente...

Minha pele reclama o contato perdido e minha excitação atinge níveis altos novamente. Volto a puxá-lo contra mim e começo a estocar com força. Agora ele grita e eu sei que o estou machucando. O impulso me faz continuar, eu já não quero mais.

É rápido. O que me arremete não pode ser chamado de orgasmo. O que corre nas minhas veias e me faz gozar é muito mais alívio que prazer. Eu me sinto mal. Harry chora abertamente agora. O enjôo tão conhecido volta a me arrebatar e eu não quero pensar naquilo. Não quero encarar o sangue do meu anjo no meu corpo. Não quero ver a dor em seu rosto. Não quero essa dor pra mim.

Deixo a cabeça cair sobre suas costas, mas mantenho meu corpo afastado do dele, embora ele ainda me acolha.

Harry não se move mais, não emite mais nenhum som, parado, estático, sob mim. Se eu não visse o movimento leve de sua respiração e visse seus olhos verdes abertos, perdidos no nada, piscarem de vez em quando, ficaria preocupado.

Fecho os olhos, trêmulo. Tento me acalmar, unir forças. Controlar, pelo menos, a minha respiração. Aos poucos, sinto o ambiente mudar. Abro os olhos e percebo que a luz do sol começa a entrar de leve pelo quarto através das cortinas claras.

Suspiro, me movendo levemente. Harry não mexe um músculo sequer quando, devagar, finalmente, deixo o seu corpo, depois de horas, uma noite inteira... Me ajoelho sobre a cama e tento me sustentar quando meus pés tocam o chão. Não olho pra ele. Não quero encará-lo. Não quero ver o estrago que fiz em seu corpo. Estou disposto a não olhar para o meu próprio corpo até terminar de tomar banho.

Mas não posso evitar que meus olhos encontrem os seus. Ele não me olha. Ele não está ali. Os cabelos jogados sobre o rosto, os olhos sem brilho, a boca machucada. Ele não se move ainda. Ele não me percebe mais.

Vou para o banheiro e vomito. A tontura e o enjôo já habituais me dando a certeza de que eu o machuquei. Machuquei meu amor. Tomo meu banho, tentando me convencer que a noite foi boa. Visto-me e volto ao quarto, encontrando Harry no mesmo lugar, do mesmo jeito.

Preocupado, me aproximo da cama e afasto os cabelos de seu rosto. Ele vira de lado com um gemido, me dando as costas, se curvando em posição fetal. Ao se mover, eu posso ver a mancha de sangue e sêmen sobre a cama. Meu coração bate mais rápido, apertado. Eu engulo em seco e acaricio seus cabelos.

- Descanse, meu anjo. Vou mandar comida para você e uma poção de cura. Tome um banho e me encontre na sala para o almoço. – digo, levantando da cama e deixando o quarto.

Eu não preciso de seu fantasma me seguindo nesta manhã.

Mas dá a hora do almoço e ele não aparece. Eu sabia que ele teria resistência em vir, mas o seu atraso era sempre mínimo. Porém, já se passou quase uma hora do horário que costumávamos sentar juntos para comer, todos os dias, e ele não apareceu. Começo a ficar preocupado.

Sigo correndo e entro no quarto aflito, com medo de que ele tenha, enfim, me deixado. Ele continua deitado na nossa cama, espalhado sobre os lençóis, encarando o teto, seu rosto manchado de lágrimas. A bandeja com o café da manhã e a poção de cura jazem intocadas sobre a mesa de cabeceira, e as marcas do que fizemos à noite ainda estão em seu corpo. Aparentemente, ele sequer se levantou desde que eu o deixei pela manhã.

Eu o observo em agonia por alguns segundos, tentando captar o motivo daquilo. A raiva por saber que mais uma vez ele me desafiava, mais uma vez ele me recusava, quase me convence a deixá-lo assim, imerso em sua dor. Mas é dor demais.

Vou até ele e o toco. Ele dá um tapa na minha mão.

- Me deixa... – diz, a voz falha, fraca, ofegante – Me deixa...

Ele abraça as pernas, encolhido, tremendo. Eu pego a poção da bandeja e me aproximo dele, fazendo-o se soltar. Ele se debate, tentando se afastar de mim.

- Harry... Bebe isso...

- Não... Me solta...

- Harry... Você precisa se curar... Você precisa se alimentar...

- Me solta... Me deixa...

- Potter, eu não vou te deixar! Bebe isso agora!

Ele olha o vidro de poção na minha mão por um segundo e eu o liberto do meu abraço para que possa pegá-lo, mas ele só se afasta pra longe. Não é a primeira vez que ele se recusa a comer, que se recusa a se curar das feridas que eu lhe causava. Eu temo que ele perca totalmente o cuidado consigo mesmo. Eu temo que ele deixe de se amar tanto quanto eu o amo, pois sei que esse seria o nosso fim.

Ele treme, agarrado à cabeceira da cama, e me olha, e em seus olhos está impresso todo o seu ódio por mim. E isso me deixa em desespero. Ele desaba sobre os travesseiros, trêmulo e fraco demais para se mover. Eu o puxo, ignorando a sua relutância, e o coloco deitado no meu colo.

- Não adianta. – sussurro, beijando seus cabelos, embalando-o, abraçando-o contra o meu corpo – Eu não vou deixar você morrer.