Então era isso?
Aqueles segundos de meras lembranças, que lhe passaram absurdamente rápido, bem como as suas lágrimas que ainda jaziam frescas no chão, fizeram com que absolutamente tudo fizesse sentido. À medida que os segundos passavam arrastados entre os dois corpos, seu coração batia como se quisesse sair de dentro da caixa torácica. Engraçado como nos momentos em que a adrenalina está alta e o risco/certeza da morte é de quase 100%, os órgãos parecem funcionar a todo vapor, como quisessem compensar pela vida inteira.
Era isso, chegara a hora, enfim, de colocar a teoria complexa e patética a qual submetera-se a absorver em prática. Provavelmente Ino, em meio a multidão silenciosa, deve ter percebido antes mesmo dela própria. As lágrimas não cessaram, mas transformaram-se, gradativamente em um grande sorriso, gerado por todas as memórias que lhe passavam, agora, como um filme, pela cabeça.
Moveu a cabeça de um lado para o outro. Viu Sasuke. Viu Naruto. Tão brancos quanto uma folha de papel. Não pareciam estar em paz, não haviam cumprido suas missões em Terra. Não era justo que morressem, porém, o jutsu só poderia ser aplicado a uma pessoa, apenas. A ideia mirabolante de dividir sua energia vital e trazer à vida os dois lhe veio em mente, mas não era possível.
Teria de escolher um dos dois.
Na sua perspectiva, depois de tudo que houvera, ambos mereciam, obviamente.
Mas Naruto... Naruto não podia morrer. Simplesmente não podia. Não tinha paz em seu rosto morto, ainda tinha tantas coisas para resolver, tantos triunfos para vivenciar. Seu lugar era aqui, vivo.
Sasuke... Já tinha vivido tanta coisa, causado tanta coisa, sofrido tanto. Pensou que, talvez, ele precisasse descansar, e lembrou-se do diálogo de tantos anos atrás.
"Se não puder ficar... Me leve contigo!"
Pegou na sua mão gelada. Se ele não era digno de ficar nesta vida, ela iria juntar-se a ele em breve, em outra, se houvesse. A outra mão repousara no peito de Naruto, dando início ao processo. Que Naruto fizesse bom proveito dessa nova chance de viver. Que, pelo menos agora, ela tivesse sido útil, e sentia que estava sendo. Que ele tivesse plena convicção de que fora amado. Incondicionalmente.
O som apocalíptico pareceu voltar aos ouvidos de Sakura, ao mesmo tempo que o próprio ia se distanciando, e seu corpo ia caindo lentamente do lado de Sasuke, com um sorriso lindo estampado no rosto.
A flor, enfim, morta.
A claridade fazia com que fosse quase impossível ver quem estava segurando sua mão. Mas era Sasuke, e ele sorria, ao contrário do corpo gélido que deixara em vida.
Ela mesma nunca sentira-se tão viva.
N/A: Isso aqui tava demorando de mais pra sair, mas saiu. Confesso que não gostei tanto do resultado final, mas acho que vocês poderão vir a gostar. É uma teoria velha minha, e eu morro de vontade que isso aconteça. Resolvi postar tudo de uma vez também, porque não aguento postar capítulo por capítulo em dias diferentes, levando em consideração que a fanfic já está prontinha...
Reviews?
