Brutalmente Interrompido
Parte II
By Misako Ishida
Sora estava em seu quarto, encostada na cabeceira da cama. O rosto estava vermelho e inchado de tanto chorar. Seus pais haviam mandado que se retirasse da sala depois que Yamato contou a verdade.
Estava tão concentrada em seus pensamentos que não vira sua mãe entrando no quarto. Apenas percebeu sua presença quando ela sentou-se na cama.
Descobriu que não tinha coragem de vê-la. Estava morrendo de vergonha pela situação que causou aos pais e ao amigo.
- Você está bem? – perguntou Toshiko suavemente.
Ela assentiu com a cabeça e esperou pelo que sua mãe tinha a dizer. Ela era a portadora das noticias da família. Sempre fora assim.
- Yamato nos explicou tudo o que aconteceu entre vocês. Devo dizer que seu pai e eu não estamos felizes com essa condição, mas iremos aceitar. Nesse momento, Yamato está conversando com seu pai para discutir o futuro de vocês.
Futuro. Antes uma palavra que lhe trazia tantas esperanças e era sinônimo de realizações, agora era tão assustadora.
- Ele é um rapaz responsável e será bom para você e para essa criança. – afirmou a mulher suspirando.
Bom para ela? Seu cérebro processava aquela frase, mas custava-lhe aceitar o que significava.
- O que a senhora quer dizer? – perguntou temerosa.
- Yamato pediu a sua mão ao seu pai. Aceitamos o pedido dele e ele cuidará para providenciar tudo o mais rápido possível.
- Casamento?! Mas... Eu não quero me casar, mamãe.
- Sora. Vocês terão um filho juntos. O correto é que se casem. Yamato está assumindo a responsabilidade como uma pessoa decente faria.
- Mas, mamãe...
- Mas nada Sora. – determinou autoritária. – Assuma você também as responsabilidades de seus atos. O que você esperava? Continuar com o Taichi mesmo assim?
- Mamãe!
- Sora, filha, por favor. Essa criança escolheu você para ser mãe dela e escolheu Yamato para ser o pai. Tudo na vida acontece por um motivo! Você deveria se sentir envergonhada por ter pensado em não ter esse bebê ou de ter ficado triste por ele ser filho do Yamato porque foi ele quem escolheu vocês.
Ouvia atentamente cada palavra de sua mãe. Ela tinha razão. Deveria se sentir muito envergonhada por sua atitude quanto ao bebê. Mas estivera tão apavorada com aquela notícia que mal podia raciocinar.
Todos tinham razão. De certa forma, concordava com eles. Então a culpa veio avassaladora. Como pudera ter tantos pensamentos ruins sobre a situação?
- O que foi minha querida? – perguntou Toshiko ao vê-la chorar.
- Eu não mereço esse bebê, mamãe. Como eu poderia ser uma boa mãe para ele se não pude sequer ficar feliz quando descobri sobre ele? Esse bebê já tem um pai responsável e que o quer acima de tudo, mas tem uma mãe tão estúpida...
A mulher abraçou a garota. – Shhh... Não fale isso! Você será uma boa mãe. Foi apenas o susto. Você não estava preparada. Tudo vai ser diferente daqui para frente, né?
Sora assentiu em meio ao choro. Sua vida estava mudando tão rápido que não acompanhou tudo imediatamente. A ficha estava começando a cair. Ela teria um filho. Teria um filho com seu melhor amigo. E isso iria mudar suas vidas para sempre.
XxXxX
- E é essa a situação. – concluiu Yamato.
Ele estava sendo à mesa junto com seu pai. Chegara ao apartamento e ligara imediatamente para seu genitor. Precisava falar com ele, precisava de seus conselhos. Iria ser pai e aquilo estava lhe assustando. Queria ser um bom pai, mas não sabia por onde começar.
Hiroaki ouviu atentamente cada palavra de seu filho. Acendeu o terceiro cigarro da noite e colocou mais uma dose de sake no copo. Seu filho estava lhe dizendo que teria um filho. Não estava preparado para tal notícia. Seu filho mais velho, que viveu com ele todos esses anos, se tornaria pai em poucos meses. Alias, já havia se tornado pai.
- O que você pretende fazer agora?
- Irei assumir minha responsabilidade. Me casarei com ela.
- Casamento... – soltou a fumaça lentamente enquanto pensava as palavras certas a dizer. – Você tem certeza disso? Você tem certeza que está disposto a se casar com uma garota que sempre te viu apenas como um amigo? Você tem certeza que está disposto a se casar porque terá um filho com ela e isso é o certo a se fazer socialmente? Está disposto a isso? Mesmo sabendo que ela não corresponde aos seus sentimentos?
Yamato ponderou as palavras de seu pai. Todos sabiam. Sempre souberam. O quanto ele a amava. O quanto ele a queria e ansiava para que ela lhe correspondesse. Mas ela nunca o fez. Sempre fora apaixonada por outro. Yamato era o melhor amigo dela, seu confidente, seu ponto de apoio e consolo.
Ele queria muito estar com ela. E agora que, por um descuido de ambos, havia a possibilidade de finalmente estar ao lado dela, queria agarrar aquela oportunidade. Mesmo que se machucasse. Teria um filho com a garota que sempre amara. Queria aquela oportunidade rara que a vida lhe oferecia.
- Sim, estou disposto a tudo isso. Acredite papai, eu sei de tudo isso que o senhor está dizendo. E mesmo assim eu estou disposto a me casar com ela. Correrei esses riscos.
- Tudo bem. – concordou o homem. – E o que você está pensando? Casamento é uma responsabilidade enorme.
- Eu sei. Primeiro, continuarei na banda. Irei renovar o contrato e a partir de agora aceitarei as propostas publicitárias que me oferecerem.
- Onde você pretende morar com ela?
- Tenho uma boa quantia guardada. Procurarei um bom lugar e darei entrada num apartamento.
- Em Odaiba?
- Creio que seria mais fácil um apartamento em Tóquio. Ficaria mais próximo da gravadora e facilitaria meu caminho caso ela precise de alguma coisa. – analisou o rapaz.
- Apenas procure um bom lugar que te ajudarei a comprá-lo. Financiamentos são complicados e você terá muitos gastos em mobiliar a casa e comprar tudo o que a criança precisará.
- Otoosan.
- Veja isso como um empréstimo. Me pague depois, quando estiver totalmente estabilizado.
- Obrigado, pai.
- Yamato... Tenho orgulho do homem que você se tornou... Apenas... Apenas não se magoe demais. – aconselhou Ishida.
- Hai, otoosan.
XxXxX
A sala de reuniões estava agitada. Os membros da banda conversavam entre si, contando piadas e fazendo brincadeiras. Yamato, como sempre, estava na dele, um pouco mais afastado dos outros, mas sem deixar de ser alvo de piadas e comentários de seus amigos.
Quando o presidente da gravadora e o empresário da banda entraram, todos ficaram mais calmos.
- Bom, está um belo dia para se renovar um contrato, não é mesmo? – brincou o presidente.
- Yamato. Obrigado por você ter vindo, apesar de sua decisão anterior. – falou o empresário.
Os demais membros abaixaram a cabeça. Yamato havia sido o responsável por tudo. Pela ideia, por juntá-los, por encorajá-los, por levá-los ao sucesso. A banda jamais seria a mesma. Sem Yamato eles não podiam ser a banda.
- Na verdade, eu reconsiderei a minha decisão. – aquilo chamou a atenção de todos. – Se não houver nenhum inconveniente, eu realmente e sinceramente gostaria de permanecer na banda e renovar o contrato.
Os rapazes fizeram festa. Pularam em cima do loiro, comemorando que permaneceriam os mesmos. O presidente sorriu complacente e o empresário aprovou com a cabeça.
- Será um prazer tê-lo conosco, Yamato. – afirmou o presidente.
Após a leitura do contrato e a discussão das cláusulas com o advogado, tudo foi finalizado com a assinatura dos presentes.
- O que te faz mudar de ideia, Yamato? – perguntou Sasuke.
- Ele não poderia ficar longe de nós. – dramatizou Akira.
- Eu irei me casar. – disse Yamato seriamente.
Os rapazes começaram a rir.
- Ele vai se casar. – repetia Akira gargalhando.
- Eu irei me casar com a Sora. – falou Yamato com mais seriedade, calando a todos e fazendo com que eles focassem toda sua atenção ao loiro. – Ela está grávida de um filho meu.
Ninguém sabia o que dizer. Todos estavam boquiabertos. Fora o empresário quem reagira primeiro.
- Você está falando sério?
- Sim. Por que eu não estaria?
Yamato não era do tipo que fazia brincadeiras sem graça como Akira, nem contava piadas de mau gosto como Sasuke.
- Precisaremos tomar algumas providências. – argumentou o presidente. – Se essa notícia vazar será um escândalo. Mande alguém das relações públicas aqui agora. – pediu o presidente através do telefone.
XxXxX
Não tinha visto Yamato há vários dias.
Na noite passada recebera uma mensagem dele, pedindo que se encontrassem. Era um domingo e a manhã estava agradável. Os primeiros sinais da primavera se faziam evidentes e com isso, a formatura se aproximava rapidamente.
Isso era algo que procurava não pensar. Evitava a todo custo pensar em demasia nas coisas que aconteceriam.
Yamato foi até a sua casa. Queriam evitar certos comentários por enquanto, pois logo haveria muitos. Ela estava sozinha em casa, seus pais tinham saído cedo. Sora abriu a porta quando a campainha tocou e deixou que o loiro entrasse.
- Como você está? – perguntou ele.
- Estou bem.
Era uma situação meio desconfortável para ambos. Ficavam pensando no que dizer e no que fazer, até que Yamato tomou frente da situação.
- Seus pais já devem ter falado com você. A respeito de nos casarmos.
- Hai. – estava constrangida com a conversa. Logo eles, que não tinham problemas em falar sobre nada, estavam vivenciando algo assim.
- Seu pai me pediu que não esperasse muito para nos casarmos. Mas, antes... Eu quero saber se você concorda. Sora, por mais que seja o correto a se fazer, não quero te forçar a fazer nada. Não quero que se sinta obrigada a estar num casamento comigo.
A ruiva ficou em silêncio, aumentando a ansiedade do rapaz. Ele não era o tipo de pessoa que ficava ansioso e nervoso com algo, mas estava dominado por essas emoções tão impiedosas.
- Como você mesmo disse, isso é o certo a se fazer. Eu... Eu concordo em me casar com você. Não seria justo com nosso bebê. Devemos pelo menos tentar.
Yamato assentiu e tentou disfarçar o fato de que seu coração batia acelerado por ela ter usado a expressão 'nosso bebê'. Para ele aquilo significava muito.
- Sim, devemos tentar. Eu sei que será tudo muito repentino, confuso e rápido, mas quero fazer tudo de modo que você possa estar um pouco confortável... Imagino que você não queira uma cerimônia de casamento tradicional e que também não esteja muito a fim de fazer uma festa... Então... Pensei em formalizarmos nosso casamento no cartório simplesmente. Precisarei dos seus documentos para dar entrada na solicitação.
- Hai. – ela viu estampado nos olhos dele a frustração e a tristeza de não fazer uma cerimônia e nem uma festa. Ishida era do tipo tradicionalista e, apesar de não ficar admitindo essas coisas em público, ele queria ter um casamento tradicional. Ela também sonhava com isso, mas ele tinha razão. Não queria uma cerimônia, nem uma festa. – Talvez... Talvez pudéssemos... Fazer um pequeno jantar com nossas famílias e amigos mais próximos.
Ele deu um pequeno sorriso de canto de boca, meio deprimido, mas concordou com a ideia. – Uma boa ideia. Se você não se importar, eu gostaria de fazê-lo.
- Vamos fazê-lo.
- Eu renovei o contrato com a gravadora. Permanecerei na banda.
Aquilo a tomou de surpresa. Yamato havia lhe confessado que desistiria da música e da fama para que pudesse realizar seus sonhos. E ali estava ele, se sacrificando para poder cumprir com seu dever. Sentiu uma pontada aguda na boca do estômago.
- Eu sei o quanto você gosta de Odaiba... Mas, devido aos compromissos com a banda e para facilitar estar mais perto de você, caso aconteça alguma necessidade, eu gostaria que morássemos em Tóquio. O que você acha?
- Posso me acostumar com a vida agitada de Tóquio se isso for o melhor para nós e para o bebê. – concordou sorrindo timidamente.
Como era estranho planejar um casamento com Yamato. Como era difícil pensar em conviver com ele. E era ainda mais assustador perceber que falavam sobre um bebê. O bebê deles. Dela e dele. Dele e dela. Era surreal.
- Me avise quando tiver um dia livre. Gostaria que você fosse comigo até Tóquio olhar alguns apartamentos. Quero que você participe dessa decisão. Afinal de contas, será a nossa nova casa.
- Hum, eu te avisarei.
Se um dia alguém lhes falasse que teriam conversas tão formais não acreditariam. E mesmo assim, ali estavam eles. Planejando o futuro.
XxXxX
Os dias passavam cada vez mais rápidos. Na semana seguinte, Sora e Yamato iriam ao cartório assinar a documentação. E então estariam casados. Já tinham escolhido um apartamento. Ficava num bom bairro de Tóquio. Na opinião de Sora, um bairro bem luxuoso e exagerado. Na opinião de Yamato, um bairro seguro e bem localizado. Mas tinham chegado a um consenso e era isso que importou para eles no final.
Eles também haviam ido ver os móveis para sua casa. Concordaram em ver o básico que necessitariam de imediato e que as coisas do bebê veriam mais adiante com mais calma. Para Sora havia sido a parte mais divertida. Escolher os móveis com Yamato fora engraçado e descontraído, como as coisas entre eles costumavam ser.
No final de semana, ela iria para o seu novo apartamento junto com seu futuro marido para organizarem as coisas. Aproveitaria para levar alguns pertences. Num dia estava confusa, sem entender o que acontecia. E agora sua vida ao lado de Yamato já parecia pronta.
Mas ainda vinha a parte mais difícil. Fora fácil fazer todas essas cosias quando se fez de cega e deixou passar batido aquilo que a atormentava. Taichi. Durante todo esse tempo, ele quase não a vira. Dizia estar ocupado estudando para as provas finais, o que era totalmente inusitado para ele.
Evitou pensar nessa situação e também se afastou um pouco com a mesma desculpa, de estar estudando para as provas finais. Mas lhe machucava profundamente ver que seu namorado não notava nada de anormal nela, quando várias pessoas já começavam a cochichar especulando o que estaria acontecendo com ela já que misteriosamente deixara o clube de tênis e porque andava tão abatida. Estranhos notavam e fofocavam sobre ela.
Mas Taichi nem a enxergava.
Sua mãe havia lhe dado uma bronca no dia anterior ao saber que ela ainda não tinha conversado com Taichi e contado sobre sua gravidez e casamento. E seguindo as ordens da matriarca, ali estava ela, em frente ao apartamento dos Yagami, tomando coragem para entrar.
Estava parada diante da porta à quase quarenta minutos, quando repentinamente ela se abriu.
- Sora-chan. – cumprimentou Hikari. – Veio ver o meu irmão?
- Hai. Ele está?
- Sim, está esparramado no sofá assistindo ao futebol. Pode entrar. Se você me der licença, estou de saída.
- Claro, fique a vontade.
A menina segurou a porta até que Sora entrasse e a fechou logo depois. A ruiva respirou fundo e foi até a sala. Taichi olhou para ela e voltou-se para a televisão.
- Você está aqui. Achei que estaria estudando novamente. – ironizou enquanto dava espaço no sofá para a menina se sentar.
A ruiva tomou assento em silêncio. Estava nervosa e precisava se recompor. Permaneceu ali, calada, fingindo estar assistindo o jogo junto dele. Quando acabou o primeiro tempo, ele se levantou e foi para a cozinha.
- Você quer algo para beber? – perguntou.
- Não. – respondeu Sora.
O moreno voltou e sentou-se de frente para ela. Puxou-a de repente e a beijou com força. Suas mãos correram para baixo da blusa dela rapidamente, enquanto ele ia se debruçando nela.
- Taichi, precisamos conversar. – ela falou tentando se afastar do moreno.
Ele apenas a segurou firmemente e tornou a avançar sobre ela. – Conversamos depois.
O rapaz já estava tirando a blusa da menina, quando ela o interrompeu. – Não podemos fazer isso.
- Como assim não podemos fazer isso?! – questionou já irritado. – Você tem me evitado desde o natal e agora vem me dizer que não posso transar com você? O que está acontecendo, Sora?
Ela estava ruborizada e, de repente, amedrontada. Contudo, precisava contar a verdade para ele. Seu casamento seria em poucos dias. Seu bebê crescia mais a cada dia. Não seria capaz de esconder aquilo para sempre. Respirou fundo e soltou.
- Estou grávida.
Taichi ficou parado olhando para Sora incrédulo. Não assimilava aquelas palavras. Olhou para a barriga da garota, procurando algo que confirmasse aquela ideia. E foi então que notou que ela estava levemente maior. Pouca coisa. Nada muito claro. Encarou-a nos olhos e viu que ela não estava desmentindo aquilo.
Levantou-se num pulo e ficou andando pela sala com a mão na cabeça. – Iremos ao hospital imediatamente.
- Não posso.
- O quê? – perguntou ferozmente. – Você não pode? Que diabos é esse absurdo que você está falando? Não teremos essa criança. Iremos imediatamente ao hospital. – ameaçou.
- Taichi... Você... Não... Você não é o pai do meu filho. – admitiu.
O moreno parecia um caçador diante de uma presa indefesa. Ela se sentiu acuada com o olhar agressivo dele e a respiração agitada.
- É do Yamato.
Ela abaixou a cabeça, incapaz de responder àquela pergunta. Taichi entendeu aquilo como um 'sim', virou-se e deu um soco na parede, fazendo com que sua mão sangrasse. Voltou-se para a ruiva e a puxou pelo braço, machucando-a. Acurralou a garota contra a parede.
- Eu sabia... Sabia que você tinha um caso com ele... VOCÊ É MESMO UMA VADIA! - disse pegando o pescoço de Sora e apertando-o. – Você me traiu com aquele imbecil. Vocês se merecem mesmo!
A ruiva tentava falar e se soltar, mas Taichi a segurava com tanta força. Já não conseguia respirar direito, estava sufocando. Ele continuava a gritar ofensas sem a mínima pretensão de soltá-la.
Como um anjo salvador, naquele momento Hikari entrara em casa. Quando viu aquela cena, ficou horrorizada.
- Oniisan, o que você está fazendo? – falou se aproximando do irmão e puxando seu braço.
Com o braço livre, ele empurrou a irmã com facilidade. Estava alterado e muito nervoso. – NÃO SE META, HIKARI. Você achou realmente que me faria de idiota para sempre, Sora? Achou mesmo que eu deixaria você me enganar como bem entendesse?
Fora Takeru quem conseguira puxar Taichi. O menino estava do lado de fora, esperando que a amiga pegasse algo que tinha esquecido, quando escutou os gritos. Imediatamente entrou ao apartamento e viu a cena de Taichi enforcando Sora.
Sora caiu no chão. Estava tossindo, tentando respirar, ainda sufocada. Seu rosto estava arroxeado e o pescoço vermelho. Hikari correu ao lado dela para protegê-la do irmão que tentava se soltar do loiro. A muito custo, Takeru conseguiu levar o moreno para fora. A Yagami correu para trancar a porta e voltou para o lado da amiga.
- Você está bem, Sora?
- Estou. – respondeu fracamente. Seu pescoço estava dolorido e a respiração era difícil. Se sentia tonta e a visão estava um pouco embaçada.
Hikari a ajudou a se levantar e a sentou no sofá. – Quer que eu chame alguém? Que eu ligue para uma ambulância? Ou qualquer outra coisa?
A ruiva negou com a cabeça. – Está tudo bem.
A mais nova assentiu. Jamais vira seu irmão daquele jeito. Nunca poderia imaginar que ele fosse capaz de fazer isso. Queria perguntar o que estava acontecendo, mas via pela expressão de Sora que a garota não estava disposta a falar sobre o que acontecera.
Ficou ali, lhe fazendo companhia, até que pudesse se recompor. Quando teve certeza que já poderia ficar em pé, Sora quis ir para casa. Hikari ia acompanhá-la, mas quando abriu a porta, Takeru estava ali esperando.
O menino se ofereceu para levá-la.
- Você contou a verdade para ele, não foi? – perguntou quando já estavam quase chegando à casa da garota.
- Sim.
Takeru já sabia toda a verdade. Tinha ficado surpreso, mas segundo Yamato já fazia planos para quando seu sobrinho ou sobrinha nascesse.
- Takeru, por favor, não fale nada disso para seu irmão. – pediu Sora.
- Mas, Sora...
- Quero evitar um desastre maior. Por favor, Takeru.
- Tudo bem. Não direi nada. – concordou.
- Obrigado.
Ela se despediu do menino e entrou em sua casa. Foi para o seu quarto e deitada em sua cama, chorou. Ela amava Taichi com todo seu coração. Ele tinha sido seu primeiro amor. Fora para ele quem entregara tudo de si. E ele quase a matou. Viu nos olhos dele que ele não tinha pretensão nenhuma de soltá-la.
Seu coração se despedaçava porque ainda o amava. Com toda força que possuía, com cada fibra de seu ser. Ainda amava Taichi Yagami.
CONTINUA...
